25/04/2020

Abril, a revolução dos Cravos

Quase sem derramamento de sangue, assim se fez a conhecida Revolução dos Cravos. Bem, não terá sido bem assim, pois terão existido alguns mortos e feridos.


Este dia ficou na verdade marcado pelo desaparecimento de cinco pessoas. Foram baleados cerca das 20 horas e 10 minutos do dia 25 de Abril, por balas disparadas a partir da sede da Direcção-Geral de Segurança, na Rua António Maria Cardoso, n.º 20. Ao que se sabe, saíram do lugar onde dormiram com o entusiasmo próprio dos que sentem viver um momento histórico, quem sabe um instante decisivo das suas vidas, do seu futuro. Foram entusiasmados para o Chiado, lugar simbólico do Regime. Muitas dezenas de pessoas, talvez centenas, tiveram exactamente a mesma ideia que estes homens, jovens, à medida que corria a manhã e se multiplicavam as notícias na rádio e na RTP (tomadas de assalto pelas forças revolucionárias), foram chegando homens e mulheres com vontade de fazer justiça ou de ver a justiça ser feita contra os polícias políticos responsáveis pelas maiores barbaridades do século XX português.


Os elementos da PIDE dispararam indiscriminadamente, com intuito de matar uns tantos, para assustar os que estivessem no cerco, para fazer o que fosse preciso e prepararem um plano de fuga.


Vários populares caíram. Todos correram para um lado e para o outro da rua. Quem lá esteve fala de gritos, pânico, confusão. Os tiros continuaram durante longos segundos, a maioria foram disparados para o ar, mas muita gente ficou no chão, ferida.


Fernando Carvalho Giesteira, era natural de Montalegre, tinha 17 anos e era empregado de mesa da boîte Cova da Onça, e vivia na Pensão Flor, ao Areeiro.


José James Harteley Barneto, de 38 anos, casado, pai de quatro filhos, natural de Vendas Novas, escriturário do Grémio Nacional dos Industriais de Confeitaria, morador na Avenida João Branco Núncio, n.º 7, 1.º andar, na Flamenga. Deixou quatro filhos.


João Guilherme Rego Arruda, de 20 anos, natural dos Açores, estudante do segundo ano de Filosofia, morador na Avenida Casal Ribeiro, n.º 21, 5.º andar.


Na manhã seguinte, as televisões filmaram o sangue espalhado no chão e as marcas de balas nos automóveis e, dias mais tarde, exibiram imagens dos funerais das vítimas, a que compareceram muitos cidadãos anónimos.


Às centenas, os populares iam acompanhando a queda do último bastião do regime, desrespeitando os repetidos apelos do Movimento das Forças Armadas para que permanecessem nas suas casas. A PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso, nunca foi um alvo prioritário, pois segundo terá afirmado Salgueiro Maia, pouco sabiam sobre os meios de que a PIDE dispunha. De facto, houve relatos de elementos da PIDE posicionados nos telhados, armados, com intenção de alvejar a população e os militares nas ruas. Outros relatos afirmam que o MFA não tinha os meios necessários para, além de derrubar o governo, atacar também a António Maria Cardoso, uma vez que alguns dos Regimentos e Companhias desistiram no último instante.


Terá sido esta a causa das mortes, a grande confusão ali criada e a vontade do povo em invadir a sede da DGS?


Uma outra vítima mortal, foi o servente António Lage, de 32 anos, que ocupava o escalão mais baixo na estrutura hierárquica da Direcção-Geral de Segurança e que não exercia funções policiais. Foi baleado às 21h25 quando saía da sede da corporação e, provavelmente aterrorizado pelos populares, tentou escapar a correr num momento de pânico. Dizem que já estava detido e que se terá assustado com os gritos da população que dava "ordens" para que fosse morto. Alguém cumpriu a vontade da população.


A 26 de abril de 1974, ali bem perto daquela rua, em plena baixa lisboeta, uma confusão leva os militares a disparar contra uma coluna de carros da PSP, por acharem que os agentes iam investir contra os manifestantes, no Largo Camões, em Lisboa. Manuel Cândido Martins Costa, 25 anos, polícia de choque, foi fatalmente atingido nos pulmões.


São heróis esquecidos do 25 de Abril, talvez os mais esquecidos, pois, para todos os efeitos, na Revolução não houve vítimas, apenas cravos em espingardas que nunca dispararam. Foram mártires, involuntários e não aparecem nos livros escolares.Poucos não é igual a zero.


Até hoje, a identidade dos assassinos destas seis pessoas permanece uma incógnita. Muitos outros terão morrido na libertação das colónias. A liberdade, embora tenha tido um preço e seja necessário salvaguardar sempre a verdade, é nossa. Não a deixemos voltar a cair!


 


Fontes:


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/30-jun-2019/25-de-abril-a-revolucao-que-nao-foi-assim-tao-branda-11056529.html


https://fumaca.pt/fabio-monteiro-sem-a-morte-das-pessoas-no-25-de-abril-a-pide-nao-teria-caido/


https://ionline.sapo.pt/artigo/386708/a-historia-de-quatro-portugueses-que-morreram-no-dia-mais-feliz-das-suas-vidas?seccao=Portugal_i


 

24/04/2020

Em vésperas da liberdade, "presos" em casa

Um pouco antes das 23h de um dia 24 como o de hoje, ouve-se na rádio a canção "E depois do Adeus"... mais tarde, já na madrugada de 25 de abril, é a voz de José Afonso que ecoa nos rádios com "Grândola, Vila Morena". Outras canções, antes da revolução cantavam gritos de revolta e brilhavam os olhos dos seus intérpretes quando conseguiam dizer aquelas letras ludibriando quem os queria calar.


Hoje estamos em casa, por causa de uma pandemia e até parece que não temos liberdade. De certa forma, estamos um pouco presos mas não as nossas mentes, tal como não estavam presas as mentes daqueles que usaram as palavras e a escrita como gritos de revolta e rasgar de amarras. É sobre esses que hoje vos venho escrever.


A palavra escrita podia comprometer o regime e a imagem que dele os portugueses tinham e por isso, muitos livros foram proibidos, muitos jornais nunca chegaram a ver a luz do dia e muitas informações foram caladas.Portugal, viveu durante 48 anos, na escuridão. A escuridão da mente que não podia abrir-se ao mundo mas também a escuridão daqueles que às escondidas, iam escrevendo artigos de propaganda contra o regime, poemas - tantos hoje cantados - com coisas que não podiam ser ditas. Falemos hoje livremente de livros proibidos e de autores que alguns quiseram que nunca fossem lidos!


A política de Salazar e de Marcello Caetano, era feita de silêncios, de calar tudo o que fosse considerado “propaganda subversiva”. Os jornais, as revistas, os livros e outras manifestações culturais, eram cortados previamente ou simplesmente proibidos. Fugir ao lápis azul, passou a ser uma arte construída em subtilezas e truques para iludir a vigilância policial. E uma forma de resistir sem liberdade de expressão.


A censura era uma arma do Estado Novo! Produziu mais de 10.000 relatórios de leitura aos livros de autores portugueses, lusófonos e não-lusófonos, em edição original ou tradução, que entravam e circulavam em território nacional. 


Centenas de obras foram proibidas. Falamos em cerca de 900 títulos identificados como tendo sido proibidos pela ditadura entre 1933 e 1974. o primeiro livro objeto da fúria censora da ditadura do Estado Novo foi A obra intangível do Dr. Oliveira Salazar, de Cunha Leal, que chefiou um governo na I República e chegou a apoiar o golpe de 28 de maio de 1926.


Os autores eram acusados de serem imorais, pornográficos, comunistas, irreligiosos, subversivos, maus, antissociais, dissolventes, anarquistas ou revolucionários, os livros examinados pela Censura abrangem áreas como as artes plásticas, ciências naturais, ciência política, economia, educação, geografia, filosofia, história, literatura, música, sociologia, religião, entre outras. A Censura acabou por proibir especialmente as obras marxistas-leninistas, eróticas ou de educação sexual. Nas décadas de 1940 e 50 proibiu-se a literatura neorrealista.


Da lista negra de autores portugueses faziam parte Urbano Tavares Rodrigues, Miguel Torga, Alves Redol, Natália Correia, Herberto Hélder, Aquilino Ribeiro, Vergílio Ferreira, entre outros. O autor mais proibido misturava em doses bem medidas um humor brejeiro, a sátira política e o erotismo do seu desenho que indispunham os censores, o que os levou a apreender 29 obras de José Vilhena, humorista que depois do 25 de Abril publicaria o título Gaiola Aberta. Os outros dois autores mais proibidos são Roy Harvey (15 obras), pseudónimo literário de José Ferreira Marques, e Tomás de Fonseca (14), cujo militantismo republicano e anticlerical lhe valeu a perseguição do lápis azul. O quarto autor mais visado é Urbano Tavares Rodrigues, jornalista e escritor, militante do PCP, que viu sete livros serem proibidos.


Com um número muito menor de livros, estão as mulheres. Sem dúvida, fruto da parca escolarização a que as meninas tinham acesso e ao poder que os homens tinham sobre as mulheres, conseguindo em muitas casas, castrar-lhes o pensamento. Daquelas que o conseguiram fazer, poucas chegaram até aos nossos dias. No caso de Maria Archer, a ação da censura terá tido um peso tão grande que a autora perdeu o seu meio de subsistência, tendo de viver mais de duas décadas fora de Portugal. Para além disso, a sua obra sofreu danos irreversíveis pois ela teve de ser alterada de forma a poder passar ilesa pela mão dos censores. Tem havido algumas tentativas de recuperação da sua obra – e, consequentemente, do seu lugar na história literária –, mas estas têm sido insuficientes para que seja conhecida pelo grande público.


Carmen de Figueiredo foi censurada pela inclusão, na estrutura da narrativa, de descrições sexuais. Nita Clímaco, com a sua escrita fez contrastar Portugal, pobre, iminentemente rural, culturalmente tacanho, a França, moderna, culturalmente viva. No entanto, essa modernidade acaba por ser apresentada como uma devassidão moral pela censura.


Natália Correia, mais conhecida e até estudada nos nossos dias, também foi impedida de ser lida mas, a verdade é que esta veio não só a reeditar algumas das suas obras depois do 25 de Abril mas também a tornar-se num dos nomes mais proeminentes da cultura portuguesa nas décadas seguintes. A sua obra foi premiada e reeditada várias vezes.


Nos estrangeiros apareciam Jorge Amado, Jean-Paul Sartre e todos os que defendessem a ideologia marxista. 


Recomendo que oiçam a entrevista feita por Teresa Nicolau, João Martins e Paulo Nunes (RTP - 2014).


 


Fontes:


https://ensina.rtp.pt/artigo/livros-e-escritores-censurados-pelo-estado-novo/


https://www.parlamento.pt/Parlamento/Documents/Biblioteca_25abril2021.pdf


https://www.dn.pt/politica/estado-novo-censurou-900-livros-2434309.html


https://www.esquerda.net/dossier/escritoras-portuguesas-e-estado-novo-9-autoras-e-21-obras-censuradas/64649


https://www.bnportugal.gov.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=1682%3Aexposicao-obras-proibidas-e-censuradas-no-estado-novo-3-maio-3-set&catid=173%3A2022&Itemid=1680&lang=pt


 


 


 


 

18/04/2020

Estamos em casa... mas há vontade de sair?

Pessoalmente, neste momento, afirmo que não. 


A situação está a ficar cada vez mais complicada e estar "fechada" a maior parte do tempo dá-me uma certa segurança. O problema é que a qualquer momento posso ficar sem trabalho, caso os pais comecem a tirar os filhos do centro de estudos, e não me estão a pagar a totalidade do ordenado, apesar de eu estar a fazer agora até mais horas de trabalho. A justificação é que estão a ser prejudicados porque alguns pais deixaram de pagar - eu até compreendo - mas eu não lhes estou a falhar.


Estar em casa, também me faz ter menos gastos - combustível, alimentação - e consigo descansar mais tempo. Às vezes, saio para ir às compras mas é algo que é muito raro, só mesmo quando estou a precisar de comprar coisas básicas. Também estou a ter muito mais tempo para estar com o meu filho e para o acompanhar nas tarefas escolares, conseguindo teruma maior perceção da sua evolução e de potenciais dificuldades. 


Também tenho tido muito mais tempo para mim, para ler e para escrever por exemplo, que é algo que eu gosto bastante de fazer. 


Infelizmente, a pandemia está a causar muitas mortes e está a dar cabo de muitas empresas, em especial as mais pequenas que não estão a conseguir sobreviver de portas fechadas. Isto está a ser demais para muitas famílias! 

06/04/2020

Casos COVID preocupam

O Conselho Nacional de Saúde, reuniu hoje, extraordinariamente, para dar o seu aval à retoma de algumas actividades e à reabertura das escolas. Este órgão de consulta do Governo na definição de políticas de saúde de apoio ao Ministério da Saúde, de acordo com as suas competências analisou a evolução da pandemia COVID-19 e considerou que a informação que dispõe é insuficiente para uma proposta fundamentada quanto às melhores opções de resposta à epidemia em Portugal, nomeadamente no que respeita à abertura das escolas, ou seja, parece que nos vamos manter em casa.


Tem sido complicado lidar com as notícias que vão dando conta do significativo aumento dos casos Covid. Há zonas do país que têm sido mais afetadas do que outras. Mas ainda existem pessoas muito (mas quando digo muito, é mesmo MUITO) descuidadas e que devem achar, quer-me parecer, que isto é uma brincadeira. Basta ver os gráficos com os números a subir e, olhar ao redor para ver a falta de cuidado, ler as publicações de algumas pessoas no Facebook ou ouvir alguns comentadores na televisão.


No sábado, o boletim epeidemiológico dava conta de 1075 pessoas internadas, 251 dessas nos cuidados intensivos (mais seis que na sexta-feira), e 75 pessoas recuperadas, mais sete que no dia anterior. 


No domingo, o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), dava conta de 1084 pessoas internadas, 267 dessas nos cuidados intensivos, e 75 pessoas recuperadas. Há 4962 pessoas a aguardar resultado laboratorial e 23.209 estão sob vigilância das autoridades de saúde.


Os números são sempre sobre as 24 horas anteriores, por isso, estamos a correr contra o prejuízo. As maiores cidades são as que apresentam os valores mais altos - o que é natural, devido à densidade populacional - mas casos como aqui o Seixal, que está com valores acima dos 100 casos, também são preocupantes. As deslocações da população que continua a ter de ir trabalhar é um dos fatores a considerar, mas outro é a falta de cuidados em encontros e festas. 


Dá a ideia que é cada um por si e que há pessoas que só pensam no seu umbigo. A mim, também me custa estar em casa, porque apesar de continuar a trabalhar, não faço ideia sequer se vou ser ressercida das horas que estou a fazer, muitas vezes, bem mais do que se estivesse no meu local de trabalho. Mas para já a minha segurança e a do meu filho estão em primeiro lugar, por isso, enquanto conseguir, fico em casa.


 


Fontes:


https://www.dn.pt/pais/-veja-o-numero-de-casos-de-covid-19-que-ha-em-cada-concelho-de-portugal-12030739.html




 


 


 

31/03/2020

A Macedónia do Norte tem lugar na NATO

A República da Macedónia do Norte é oficialmente membro da NATO, depois da ratificação pelos outros 29 membros a 27 de março. No dia 06 de fevereiro deste ano, o chanceler do país, tinha já assinado o protocolo de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte, ou seja, à NATO, passando a ser o seu 30º membro. Para que isso acontecesse, o país teve de primeiro resolver a disputa com a Grécia, que resultou num acordo para a mudança de nome do país. 

Segundo o primeiro ministro da Macedónia do Norte, Zoran Zaev, relatado pela EuroNews em finais de 2019, "a Macedónia do Norte participa, ativamente, na coligação mundial na luta contra o DAESH." O mesmo acrescentou que reafirmava que "a estrutura nacional e a integração na NATO se baseiam num trabalho incansável, para alcançar os resultados necessários, em conformidade com o programa de prossecução das nossas reformas", 

A adesão da Macedónia do Norte e de outros países dos Balcãs à NATO é criticada pela Rússia. Moscovo afirma que a Aliança está a desestabilizar a segurança na região.

Atualmente, o secretário-geral da NATO é Jens Stoltenberg. Sobre este território, podemos dizer que ficou dividido entre a Sérvia, a Bulgária e a Grécia depois da guerra dos Balcãs, já em 1912-1913. Após a Primeira Guerra Mundial os sérvios da (Vardar)-Macedónia passaram a fazer parte do Reino da Jugoslávia.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o território chamava-se Banovina do Vardar e foi ocupada entre 1941 e 1944 pela Albânia, governada por italianos, que anexou as regiões ocidentais povoadas por albaneses, e a Bulgária pró-alemã, ocupou o restante. As potências de ocupação perseguiram os habitantes da província que se opunham ao regime. No período do pós-guerra fez parte da República Socialista Federativa da Jugoslávia, o que não fez diminuir as tensões entre a etnia da (Vardar)-Macedónia e a Sérvia.

Com a morte do presidente Tito em 1980 e com a crise da República Socialista Federativa da Jugoslávia, a República Socialista da Macedónia tentou obter a independência, mas a presença de uma larga minoria albanesa e as objeções impostas pelo governo grego sobre a ideia de nascer um Estado com o mesmo nome de uma região do norte da Grécia tornou a transição difícil. Depois da Croácia e da Eslovénia se terem separado da Jugoslávia, a República Socialista da Macedónia, por recear o domínio sérvio, foi também conduzida a declarar a independência da Jugoslávia em 1991, ano em que foi adoptada uma nova constituição que consagrou o multipartidarismo.


Fontes:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/02/06/macedonia-do-norte-assina-protocolo-de-adesao-a-otan.ghtml

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ades%C3%A3o_da_Maced%C3%B4nia_do_Norte_%C3%A0_Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/1438794/macedonia-do-norte-assina-adesao-a-nato

https://pt.euronews.com/2019/06/03/macedonia-do-norte-integra-nato-em-2020

https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_da_Maced%C3%B3nia_do_Norte




29/03/2020

10 anos depois do atentato ao metro russo

Qualquer atentado é sempre algo dramático, seja qual for a sua origem ou os seus destinatários, porque na maioria das vezes, os atingidos são sempre pessoas inocentes. Foi o que aconteceu há 10 anos, na manhã de 29 de março de 2010. Um duplo atentado suicída, no metro de Moscovo, fez pelo menos 37 mortos, 25 dos quais na estação de Lubyanka, no centro da cidade, e os restantes na estação de Park Kultury. Dezenas de passageiros ficaram feridos. À data do ataque, o presidente russo, ainda era Dmitri Medvedev e a sede do "Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, ex-KGB" ficava precisamente por cima da estação de Lubyanka.


Três anos depois do atentado, a Rússia afirmou ter matado o último dos envolvidos neste ataque, embora o mesmo tenha resultado, ao que parece, da sucessão de dois atentados suicídas cometidos por duas mulheres.


A 11 de junho de 1996, já tinha explodido também uma bomba "no metro de Moscovo matando quatro pessoas e deixando 12 feridos." No dia 11 de junho, um outro engenho explosivo deflagra "em frente a um autocarro na estação central de Moscovo em plena hora de ponta deixando cinco pessoas feridas" e, "no dia seguinte um ataque semelhante fez 30 feridos. Os atentados foram atribuídos aos rebeldes tchechenos que, dias depois, negaram qualquer envolvimento." A 31 de agosto de 1999, uma outra "bomba explode perto do Kremlin na estação de metropolitano da praça Manezh. A explosão fez 29 feridos." Apesar de fontes oficiais russas terem considerado "o atentado um ato terrorista" não chegaram na altura a fazer qualquern "ligação específica aos separatistas" chechenos.


A 8 de agosto do ano 2000, em plena hora de ponta, a explosão de um engenho "numa passagem subterrânea da estação central de Moscovo matou 13 pessoas e deixou dezenas de feridos." Entre outras situações semelhantes, em 2003, duas "bombistas suicidas mataram 15 pessoas quando se fizeram explodir num festival de rock que decorria ao ar livre no recinto de Tuchino," deixando também um rasto de sessenta feridos.
Fontes:


https://www.publico.pt/2010/03/29/mundo/noticia/cronologia-dos-principais-atentados-em-moscovo-nos-ultimos-anos-1429961


https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentados_terroristas_no_Metropolitano_de_Moscovo_de_2010


https://www.rfi.fr/pt/mundo/20100329-atentado-suicida-no-metro-de-moscou-foi-cometido-por-mulheres

22/03/2020

Por quanto tempo?

Por quanto tempo vamos ficar fechados?


Para muitos, a quarentena surge como um momento dramático, mas para mim está a surgir como uma oportunidade. Um empurrão para me concentrar noutras coisas, para tentar reorganizar a minha vida. Deixei os bombeiros apenas há uns meses e nem tempo tive de me organizar. Interrompi a baixa para começar a trabalhar e não cheguei a recuperar como queria. O inverno não foi fácil, foi duro. Preciso de tempo para me focar nas mudanças que estão a ocorrer em catadupa na minha vida, quando ainda luto para ter um diagnóstico que não há meio de chegar!


Estar fechada só é mau se não se tiver o que fazer ou, em que pensar. E eu tenho, preciso mesmo deste tempo para me recuperar! Para descansar sem ter de conduzir quilómetros todos os dias, para ler e para escrever, para dormir! Chamem-me estúpida ou egoísta - e claro que não estou contente com o que se está a passar no mundo, mas eu necessito de ter tempo para mim, pois a minha vida está numa fase em que parece que já nada faz sentido.


Este ano, a oportunidade que tive não foi a melhor - pela distância, pelas pessoas (algumas) e pelas instalações. Pelas sucessivas alterações de espaço e de bgrupo, sem justificação, pelas constantes adaptações que sou obrigada a fazer... ai, se soubessem o que custa, o que dói. Se soubessem como custa subir e descer aquelas escadas para a cave, várias vezes por dia, estar fechada, num canto sem sol... 


E hoje passam vinte dias desde que o primeiro caso foi confirmado em Portugal. Lá no trabalho há quem ache que isto é uma brincadeira e que podemos andar todos à vontade. Gozam com quem se protege, como eu. A Covid já fez muitas mortes, muitas delas no continente asiático e algumas pela Europa. No dia 7 foram suspensas as visitas a lares e a estabelecimentos prisionais na região Norte (sim, acabou por ser o norte do país a sofrer primeiro as consequências), mas é no dia 9 que a maioria das atividades são condicionadas. Os voos com origem ou com destino às zonas mais afetadas, são também suspensos pelo governo. Nunca António Costa pensara que este seria o seu principal problema em 2020 (e nunca eu pensara que sair dos bombeiros, me libertara do risco de estar diariamente em contato com casos Covid). "No dia 18 de março, a Assembleia​ da República debateu e aprovou a Resolução n.º 15-A/2020, através da qual autorizou o Presidente da República a declarar o estado de emergência em Portugal – o que sucedeu, com a publicação do Decreto do Presidente da República n.º 14-A/2020–, com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública."


No dia 12 as aulas foram suspensas e agora a rotina é diferente. Teletrabalho. O dia passado em frente a um ecrã. A trabalhar mais horas... e possivelmente, pelo que nos foi já transmitido pela entidade patronal, a receber apenas uma parte do ordenado. Injustiças... estou-lhe com uma certa raiva. Mas sabem? Eu acredito que tudo vai correr bem, pelo menos para mim e que o importante agora é evitar o contágio, depois logo se vê.


E sim, concordo com o encerramento das escolas. 


Fontes:


https://www.parlamento.pt/Paginas/covid19.aspx


 


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...