Por quanto tempo vamos ficar fechados?
Para muitos, a quarentena surge como um momento dramático, mas para mim está a surgir como uma oportunidade. Um empurrão para me concentrar noutras coisas, para tentar reorganizar a minha vida. Deixei os bombeiros apenas há uns meses e nem tempo tive de me organizar. Interrompi a baixa para começar a trabalhar e não cheguei a recuperar como queria. O inverno não foi fácil, foi duro. Preciso de tempo para me focar nas mudanças que estão a ocorrer em catadupa na minha vida, quando ainda luto para ter um diagnóstico que não há meio de chegar!
Estar fechada só é mau se não se tiver o que fazer ou, em que pensar. E eu tenho, preciso mesmo deste tempo para me recuperar! Para descansar sem ter de conduzir quilómetros todos os dias, para ler e para escrever, para dormir! Chamem-me estúpida ou egoísta - e claro que não estou contente com o que se está a passar no mundo, mas eu necessito de ter tempo para mim, pois a minha vida está numa fase em que parece que já nada faz sentido.
Este ano, a oportunidade que tive não foi a melhor - pela distância, pelas pessoas (algumas) e pelas instalações. Pelas sucessivas alterações de espaço e de bgrupo, sem justificação, pelas constantes adaptações que sou obrigada a fazer... ai, se soubessem o que custa, o que dói. Se soubessem como custa subir e descer aquelas escadas para a cave, várias vezes por dia, estar fechada, num canto sem sol...
E hoje passam vinte dias desde que o primeiro caso foi confirmado em Portugal. Lá no trabalho há quem ache que isto é uma brincadeira e que podemos andar todos à vontade. Gozam com quem se protege, como eu. A Covid já fez muitas mortes, muitas delas no continente asiático e algumas pela Europa. No dia 7 foram suspensas as visitas a lares e a estabelecimentos prisionais na região Norte (sim, acabou por ser o norte do país a sofrer primeiro as consequências), mas é no dia 9 que a maioria das atividades são condicionadas. Os voos com origem ou com destino às zonas mais afetadas, são também suspensos pelo governo. Nunca António Costa pensara que este seria o seu principal problema em 2020 (e nunca eu pensara que sair dos bombeiros, me libertara do risco de estar diariamente em contato com casos Covid). "No dia 18 de março, a Assembleia da República debateu e aprovou a Resolução n.º 15-A/2020, através da qual autorizou o Presidente da República a declarar o estado de emergência em Portugal – o que sucedeu, com a publicação do Decreto do Presidente da República n.º 14-A/2020–, com fundamento na verificação de uma situação de calamidade pública."
No dia 12 as aulas foram suspensas e agora a rotina é diferente. Teletrabalho. O dia passado em frente a um ecrã. A trabalhar mais horas... e possivelmente, pelo que nos foi já transmitido pela entidade patronal, a receber apenas uma parte do ordenado. Injustiças... estou-lhe com uma certa raiva. Mas sabem? Eu acredito que tudo vai correr bem, pelo menos para mim e que o importante agora é evitar o contágio, depois logo se vê.
E sim, concordo com o encerramento das escolas.
Fontes:
https://www.parlamento.pt/Paginas/covid19.aspx
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