29/06/2026

Queda de avião mata em França

Existem algumas notícias que nos chamam mais a atenção do que outras. A mim, a queda de uma aeronave numa zona habitada, levanta-me algumas questões: Como e Porquê? 

Penso sempre nas questões de segurança, na negligência e na falha de procedimentos. O acidente que hoje refiro é exemplo disso. Este domingo, uma aeronave caiu na zona de Tomblaine, (perto de Nancy, no Nordeste de França), provocando a morte de todos os 11 ocupantes do aparelho. 

A aeronave pertencia, ao que se sabe através de notícias publicadas, a uma escola de paraquedismo, e estaria registado na Alemanha. Tinha saído do aeródromo de Nancy-Essey, levando a bordo "um grupo de pessoas que iria experimentar paraquedismo." Os cinco alunos que iam fazer o batismo eram enfermeiros. Pouco depois de descolar, ao avião "despenhou-se nas proximidades da pista, não muito longe de uma zona habitacional de Tomblaine e de duas estradas."

Noutro acidente, ocorrido na última sexta-feira, na China, uma pequena aeronave embateu contra o "CITIC Tower, o arranha-céus mais alto do centro financeiro de Pequim," e provocou "a queda de destroços para a via pública." Apenas se sabe da existência de um ferido (uma mulher que teve ferimentos ligeiros e foi transportada para o hospital), não havendo ainda qualquer referência a quem pilotava a aeronave no momento do embate e se há mais feridos ou até mortos.

Fontes:

https://www.publico.pt/2026/06/28/mundo/noticia/aviao-transportava-paraquedistas-cai-nancy-nordeste-franca-2179733

28/06/2026

Sobre o sismo na Venezuela...

Hoje volto a escrever sobre este sismo e sobre o elevado número de vítimas que provocou. Ainda estamos numa fase em que falta encontrar centenas de pessoas e em que, com o passar do tempo, a janela de oportunidade para as retirar com vida dos escombros se está a esgotar. Ontem de manhã, houve "um novo abalo este sábado de 5,6 na escala de Richter na região de Aragua." Muitas vítimas, ainda soterradas, podem ter sucumbido nessa altura. Em vários locais, os edifícios voltaram a mover-se, caíram pedras, as estruturas ainda não estão, pelo que se visualiza nas imagens, escoradas. Em breve, o resgate será trocado pela recolha e identificação de corpos.

Ao dia de hoje, estão no terreno meios humanos e materiais de vários países. Portugal e Espanha por exemplo. Países que querem ajudar e que estão prontos a trabalhar. Mas que ficaram parados, aguardando ordens, aguardando autorização, para terem uma missão durante várias horas. Não consigo imaginar como se sentiram durante esse tempo em que tiveram de ficar a aguardar, sabendo que qualquer minuto conta nestas situações. Por isso, devemos estar gratos a que existam pessoas que são capazes de manter a calma nestas situações. Estarão no terreno agora cerca de "1.600 socorristas" prontos "para prestar assistência às vítimas dos terramotos," a que se juntou um apoio de "cinco milhões de euros", em "ajuda de emergência," enviada pela "União Europeia."

Portugal, enviou para já "dois aviões da Força Aérea", onde seguiram "64 elementos da Unidade Especial de Proteção e Socorro (UEPS) da GNR, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), dos Sapadores Bombeiros de Lisboa e do INEM." Estas equipas estão preparadas para ajudar. Seguiu também a bordo cerca de "23 toneladas" de ajuda humanitária, Já se encontram em trabalho, colaborando com equipas de outros países, unindo esforços para tentar resgatar com vida, em tempo útil, as vítimas que ainda se encontram debaixo dos escombros.

Segundo o Ministro dos Negócios Estrangeiros português, o "número de portugueses e lusodescendentes mortos devido aos sismos na Venezuela subiu para 51." E o número de desaparecidos ainda é bastante elevado. De acordo com o "presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez Gómez," o número de mortos nos dois sismos que atingiram a Venezuela aumentou para 1430." E segundo a "ONU, mais de 50 mil pessoas estão desaparecidas."

Infelizmente, o território afetado é muito vasto e existem ainda vários locais, bastante afetados, que ainda só contam com ajuda de populares. Pessoas que, voluntariamente, procuram com as próprias mãos e sem qualquer segurança, pelos sobreviventes. Pessoas que não querem desistir.

Por cá, como que para nos lembrarmos que devemos estar preparados, foi sentido "um sismo de magnitude 4.1 (Richter) com epicentro a cerca de 70 quilómetros a sudoeste do Cabo de São Vicente." Foi pouco sentido e não terá causado danos, mas se fosse mais forte? Estaríamos preparados?

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/venezuela-numero-de-portugueses-e-lusodescendentes-mortos-sobe-para-51_n1750018

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/1600-socorristas-ja-estao-na-venezuela_v1750027

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/numero-de-mortos-nos-sismos-na-venezuela-ultrapassa-os-1400-41-sao-portugueses-e-lusodescendentes_n1749922

https://www.publico.pt/2026/06/27/sociedade/noticia/sismo-venezuela-numero-portugueses-lusodescendentes-mortos-sobe-36-2179689

https://www.publico.pt/2026/06/28/sociedade/noticia/sismo-ligeiro-sentido-algarve-2179726


25/06/2026

Sismos "gémeos" atingem a Venezuela

Eram cerca de 18h00 na Venezuela, 23h em Portugal (ontem, 24 de junho) quando a Venezuela foi atingida por dois fortes abalos. Em pouco mais de um minuto, foram sentidos dois abalos: um de 7.2 e outro de 7.5. Além da Venezuela, os abalos foram ainda sentidos na Colômbia, em Trinidad e Tobago e também em Curaçau e Aruba (localizadas nos chamados Países Baixos Caribenhos). Foi ainda sentido, embora com menos intensidade, no norte do Brasil a cerca de 1.700 quilómetros de distância.

O epicentro do primeiro abalo terá ocorrido na região "de San Felipe, a uma profundidade de 21,9 quilómetros. O segundo, de magnitude superior e a uma profundidade de 10 quilómetros, foi registado um minuto depois, perto da cidade de Yumare."

Inicialmente, "a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, avançara que se tinham registado pelo menos 164 mortos e mais de 971 feridos", no entanto, o número de mortos "subiu para 188", podendo ainda vir a aumentar nas próximas horas uma vez que ainda há milhares de desaparecidos. Vários edifícios acabaram por colapsar, soterrando aqueles que não haviam conseguido sair.

O Governo português confirmou entretanto a existência de um morto de nacionalidade portuguesa "e que o país irá enviar uma equipa de proteção civil de emergência de 50 elementos," que serão enviados "através do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja ajuda a Venezuela já solicitou."

Do governo regional da Madeira, chega também a notícia de duas vítimas mortais, luso-descendentes.

O colapso de vários edifícios levou desde logo a que se perspetivasse um número elevado de mortos, mas com o avançar das horas a realidade e as sucessivas réplicas foram acentuando a sua gravidade. Este tipo de desastres pressupõe não apenas o abalo em si e os danos diretos, mas também o risco de ocorrência de tsunamis (chegou a ser emitido um alerta de tsunami para Porto Rico e para as Ilhas Virgens, mas que foi entretanto anulado), a rotura de condutas de gás e de água, os incêndios, as falhas elétricas e o colapso de infraestruturas (edifícios, estradas e pontes, por exemplo). Foram suspensos os serviços de metro e o "principal aeroporto do país, o Aeroporto Internacional Simón Bolívar," ficou também bastante danificado e "teve de suspender as operações."

Este fenómeno, chamado de "dupleto sísmico" é raro, correspondendo àquilo a que se chama também de "sismos gémeos" que acabam por libertar a "energia que se acumulava há mais de um século numa falha geológica da região." Esta falha, "com centenas de quilómetros de comprimento, "começa no Pacífico, na costa da Colômbia," e atravessa a Venezuela dividindo-a "em duas partes." Anteriormente, já "gerou outros sismos, com milhares de vítimas."

Cerca de vinte minutos depois, o Japão foi afetado por um abalo de 6,9. "A Agência Meteorológica do Japão informou que o epicentro estava a 50 quilómetros de profundidade na costa da província de Iwate, localizada na região de Tohoku, na ilha de Honshu."

O arquipélago japonês tem vindo a ser afetado por vários sismos ao longo dos últimos meses. Este em particular terá provocado seis feridos.

Fontes:

https://expresso.pt/venezuela/2026-06-25-dupleto-sismico-na-venezuela-e-raro-mas-aconteceu-em-portugal-este-ano-o-que-explica-o-fenomeno-dos-sismos-gemeos--f893d04f

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-06-25-video-sismos-na-venezuela-aconteceram-em-falha-tectonica-com-centenas-de-quilometros-que-ja-provocou-outros-abalos-f254ea85

https://pt.euronews.com/2026/06/25/dois-fortes-sismos-atingem-a-venezuela-e-vinte-minutos-depois-o-japao

https://pt.euronews.com/2026/06/25/venezuela-sem-meios-apos-o-terramoto-nao-tem-material

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-06-24-video-sismo-na-venezuela-muito-forte-e-bastante-extenso-centro-portugues-em-caracas-ficou-danificado-e0782ab6

21/06/2026

Pai atira-se da janela do oitavo andar com a filha

Não há palavras que possam suavizar a ação de alguém que tira a vida a uma criança inocente. A primeira intenção dele não era matar-se, certamente, era dar à sua mulher e mãe desta criança o maior sofrimento possível. Para ele, já não chegava bater-lhe ou ofendê-la. Era preciso mais! A vingança foi matar a filha de ambos, a forma de o fazer foi suicidar-se com a criança no colo. Ele tinha 33 anos, ela apenas 4. Ele vivia em Santarém, naquele mesmo prédio há seis anos. 

Dizem que para alguém se suicidar é preciso coragem - concordo que sim, na maioria dos casos. Neste caso, aquilo que foi preciso foi ódio e raiva. 

As discussões eram frequentes. Os vizinhos sabiam-no, mas segundo o relato de um dos vizinhos que testemunhou a queda dos dois e que tentou ainda socorrer a menina, das vezes em que terá chamado a polícia, ninguém veio. Aquela mulher e aquela criança continuaram a viver com o agressor até que a tragédia chegou. Aqui não importa a nacionalidade. Podiam haver diferenças linguísticas, mas neste caso o fator cultural não modificou o resultado. É mais um crime que acontece em contexto de violência doméstica em Portugal. A mulher acabou por ser agredida da forma mais violenta de todas, atingindo-a naquilo que de mais preciso tinha na sua vida, a sua menina de apenas quatro anos. 

Se fez queixas? Se denunciou à polícia? Se estava disposta a sair de casa e a cortar o contato com este homem? Não o sabemos. Se alguém a ouviu e se a quis ajudar? Não sabemos também... Havia sinais de violência? Em tantos casos há sinais e depois a justiça não age, nada é feito, nada se resolve e a vítima continua a ser vítima. Aqui havia duas vítimas: a menina e a sua mãe. Mas foi a filha que ele matou, agindo assim contra a mãe. Como explicar isto? Não sei explicar algo tão bárbaro. 

No local do crime, haveria também outra pessoa. Um tio da menina, irmão do pai. A principal razão, ao que se diz, foi a ameaça que a mãe da menina fez de ir à polícia fazer queixa e de ir também contar à família dele as agressões de que era vítima. O cobarde, em vez de fazer algo correto uma única vez e se afastar de ambas, matou a menina e "matou" esta mãe, pois esta perda é também de certa forma uma morte.

Uma vizinha diz ao "Observador" que a menina andava numa creche. Esta informação (talvez por falta de conhecimento da senhora) é falsa. Aos quatro anos (se realmente era essa a idade da vítima) uma criança não pode estar a frequentar a creche, mas sim um Jardim de Infância. Pormenores que não tiram deste crime nenhuma da sua gravidade! Aquela menina tinha colegas que se vão lembrar dela durante algum tempo, notar a sua falta no mapa de presenças e que, daqui a pouco tempo, se vão esquecer dela. Talvez de tempos a tempos, quando forem mais velhos e escutarem alguém conversar sobre ela se lembrem de como ela era, ou talvez seja apenas um nome. 

É uma criança que morre, mais uma que entra para a trágica contagem deste ano. Ainda há uns dias, uma outra menina foi assassinada de forma crua por alguém que não sendo a sua família direta, a deveria em todo o caso, proteger e essa menina tinha apenas 8 anos.

Fontes:

https://observador.pt/especiais/por-mais-anos-que-eu-viva-vou-me-lembrar-sempre-desta-noite-discussao-acabou-em-vinganca-quando-pai-saltou-do-8-o-andar-com-a-filha/


19/06/2026

Menina de 8 anos é assassinada pela madrasta

A menina tinha apenas 8 anos. Como se entende ou explica um crime destes? Como é que alguém tem coragem de preparar um assassinato de uma criança, e depois ainda tem a coragem de ir até ao fim com o plano?

A menina tinha apenas 8 anos. Naquela manhã de quarta-feira, ia para a escola num autocarro escolar, que como todos os dias, a levava a ela e a outras crianças para a escola. Mas neste dia, ela saiu do autocarro e alguém a esperava à porta da escola. A madrasta, que a menina conhecia bem, não era uma pessoa estranha, deu-lhe uma justificação para a fazer entrar no carro e não na escola. Houve pessoas que viram. Mas apesar de estranho, era a madrasta, era a namorada do pai. A escola já a conhecia, tinha autorização do pai para ir buscar a criança à escola quando era necessário e explicou que a menina teria uma consulta médica.

A menina tinha apenas 8 anos. Confiou. E foi. 

A menina, que tinha apenas 8 anos, foi asfixiada e o seu corpo largado no meio de um pinhal, na "serra da Padrela", perto de Valpaços, a alguns quilómetros de casa.

O pai, quando deu pela falta da menina, começou a procurá-la. Como anoite chegava e a menina não dava sinal, o pai foi pedir ajuda na GNR de Valpaços. A desconfiança de um crime fez envolver a Polícia Judiciária, que passou "a investigar o caso" do desaparecimento da menina de oito anos.

Durante as buscas e ao falarem com diversos intervenientes, os agentes começaram a desconfiar de Eulália, a namorada do pai, que acabou por confessar o crime.

"Eulália está indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e profanação de cadáver e arrisca a pena máxima de 25 anos de prisão."

Estas notícias quando passam na rádio e na televisão, deixam-me completamente incrédula. O ato é demasiado bárbaro para ser compreendido. Como é que esta pessoa comete um crime destes e segue a sua vida? 

Felizmente, rapidamente foi descoberta e foi presa. Mas não a tento de salvar a vida desta menina. Não consigo imaginar a dor deste pai, nem sequer a dor da mãe, que ao que parece teria outros problemas e pouco contato tinha com a filha. A dor daqueles avós que ajudavam a cuidar da menina. Daquela professora que no fim de um ano letivo tem de lidar com a dor da perda de uma aluna e que tem uma turma sem respostas, para gerir.

Fontes:

https://expresso.pt/justica/2026-06-19-madrasta-suspeita-de-matar-enteada-de-8-anos-fica-em-prisao-preventiva-ca5f3d2f

https://observador.pt/2026/06/18/pj-investiga-morte-de-crianca-de-8-anos-em-valpacos/


05/06/2026

Violência no namoro e violência doméstica

Bianca tinha apenas 16 anos. 

Por motivos que não me são conhecidos, vivia com uma amiga mais velha e namorava um rapaz de 20 anos. Namorava desde os 14 e já este facto é algo a ter em conta. Na véspera tinha tentado acabar com este namoro. Na quarta-feira à noite, este ex-namorado tocou à campainha de uma vizinha, que facilmente lhe deu acesso ao interior do prédio. Entrou e subiu ao primeiro andar. 

Surpreendida, Bianca, não teve qualquer hipótese. Foi arrastada pelas escadas, a cabeça foi atirada com violência contra o corrimão. Foi esfaqueada cerca de vinte vezes. Os vizinhos que ouvindo os gritos tentaram acudir, afirmam que ainda a viram com vida, mas Bianca acabou por se esvair em sangue. E porque é que eu não me coíbo de fazer esta descrição detalhada? Porque é preciso que se entenda o nível de violência, que se saiba que ela era apenas uma jovem de 16 anos. Esta era uma menor de idade, que já vivia em perigo. O assassino está no hospital em estado grave depois de ter sido atropelado por um camião. Talvez por acidente, talvez tentando tirar a própria vida. Não vou sequer escrever aqui qual acho que devia ser o seu destino.

E temos de falar sobre estes assuntos, de relatar, de sermos firmes! Ainda há uns dias publiquei sobre violência doméstica e hoje já estou a escrever sobre esta morte!

Porque a violência não acontece apenas uma vez e com esta brutalidade - acredito que tenham havido outras agressões anteriores, fossem elas verbais ou físicas. Que razões terão tido estes pais para a deixarem sair de casa com um homem mais velho com apenas 14 anos? Houve fuga? Houve queixas na polícia? O que foi feito pelos pais e por quem mais sabia?

E porque esta história me fez lembrar outra, há uns anos. Uma imagem que nunca mais me vou esquecer. A certeza de que não valia a pena tocar em nada, pois nada do que eu fizesse poderia salvar aquela vida. Ela já se tinha esvaído em sangue. Tinha tanto cortes, tantas facadas, que não fui capaz de os contar. À porta, uma criança ao colo de uma vizinha, apenas nos ia dizendo "A mãe tá xuja"... Aquele menino tinha visto o corpo da mãe, tinha-lhe tocado, tentado acordá-la... "A mãe acodou?" perguntava ele.

Não, aquela mãe nunca acordou. E quem a matou foi o pai. A casa arrumada, os brinquedos com que a criança tinha estado a brincar antes de dormir estavam numa caixa ao canto da sala, numa sala cujas paredes estavam pintadas de sangue. O assassino tirou a própria vida.

Em 2012, Sara, com apenas 16 anos, também foi esfaqueada pelo namorado. Ele tinha 23 anos e ela tentou falar com a mãe, contar-lhe sobre este namoro que estava farta de viver às escondidas. Foi agredida e atingida por vinte e três facadas, que a deixaram em risco de vida. Sara sobreviveu para contar a sua história e fá-lo de forma corajosa. A violência no namoro é apenas uma das vertentes da violência doméstica. Estes agressores conduzem a sua vítima através da manipulação, de palavras que rapidamente passam de doces a amargas, do pseudo-amor que se transforma em ameaças. 

Considera-se Violência no Namoro, quando existe um padrão de comportamento que se repete ao longo do tempo, onde um dos elementos exerce o poder, através da violência (física, psicológica, económica e/ou sexual), com o intuito de controlar, dominar e submeter o outro/a." Pode manifestar-se em agressões verbais ou físicas, em violência sexual, em stalking ou em violência emocional ou psicológica. Tal como na violência doméstica entre dois adultos, as vítimas muitas vezes têm vergonha ou acham que fizeram algo de errado que despoletou esse comportamento, o que é em ambos os casos, completamente errado.

As vítimas de violência doméstica, incluindo as vítimas de violência no namoro, acabam por ceder ao medo, mantendo-se nestas relações durante meses e até anos. Mas o que mais me assusta é que perante isto, continuem a haver jovens, miúdos e miúdas entre os 14 e os 18 anos, que já nasceram no século XXI e que ainda consideram "normal" haver ameaças e agressões durante um namoro, alguns dizem aceitar que os namorados ou namoradas controlem aquilo que vestem ou que tenham acesso às suas redes sociais e aos seus telemóveis. Muito facilmente, estes agressores perdem "o controlo quando está perante uma crise de ciúmes e promove a ideia de que ciúmes é sinal de amor." É capaz de ter gestos de humilhação e de desvalorização da vítima, perante outros, ou quando se encontram sozinhos.

Fontes:

Programa "Linha Aberta", SIC, episódio 20, temporada 12, 05/06/2026;

https://www.amcv.org.pt/jovens/violencia-no-namoro

https://www.casa-qui.pt/index.php/perguntas/32-como-saber-se-sou-vitima-de-violencia-no-namoro

https://apav.pt/wp-content/uploads/2024/02/FolhaInformativa_VNamoro_2020.pdf





03/06/2026

Greve geral... ou nem tanto

 A ideia era realizar uma greve geral contra o Pacote Laboral, considerado por muitos como um retrocesso. 

No caso da Educação, que é a área que, não desfazendo das outras, mais me interessa neste momento, as consequências da aprovação deste Pacote Laboral, são as seguintes:

  • a facilitação dos despedimentos;
  • a prevalência da satisfação de necessidades permanentes com recurso à contratação a termo;
  • a possibilidade de recurso ao outsourcing para satisfazer, transitoriamente, necessidades do sistema educativo;
  • o agravamento da desregulação do tempo de trabalho;
  • a introdução do banco de horas individual com aumento de até 10 horas semanais, sem aumento da remuneração (até ao limite de 150 horas);
  • a limitação do período de amamentação até aos 2 anos de idade da criança;
  • no setor privado, ainda maior facilitação da caducidade da contratação coletiva, o que terá também inevitáveis consequências no quadro da negociação coletiva previsto para a administração pública;
  • a exclusão dos trabalhadores temporários das regras da contratação coletiva;
  • a atribuição ao patrão do direito de escolher a convenção que for, para si, mais favorável, impondo-a aos respetivos trabalhadores;
  • o ataque à liberdade sindical;
  • a limitação, ou mesmo a extinção, na prática, o direito à greve;
  • a drástica fragilização da situação geral dos trabalhadores nas relações laborais, o que não deixará de ter consequências muito negativas na área da administração pública e, em particular da educação e da investigação, com consequências em processos como o da revisão do ECD e outros.
Agora que o dia está a chegar ao fim, é preciso olhar para esta greve com a devida cautela. De entre várias consequências, podemos destacar "os constragimentos nos transportes públicos," na saúde e no acesso a alguns serviços. No caso das escolas, há dados que indicam que cerca de "48% dos alunos não puderam realizar a prova de Língua Portuguesa" (ModA).

Infelizmente, nestes dias, existem sempre aqueles que se aproveitam para causar confusão e para tentar denegrir a imagem dos manifestantes. Felizmente, ainda são um valor residual. Outra questão a ter em conta e que eu considero muito importante é que se o direito à Greve existe, também existe o direito a não fazer greve. Isso devia ser desde logo algo assumido por todos. Os que querem ir trabalhar, deviam poder fazê-lo sem que isso fosse alvo de agressões ou insultos. No entanto, houve casos em que não existiu esse respeito. Também de referir que, quando alguém faz greve, o seu posto de trabalho não pode ser substituído. Houve casos de trabalhadores em prestação de serviços a realizar funções que competiriam a funcionários em Greve, o que não se enquadra nos serviços mínimos.

No entanto, houve muita gente a escolher ir trabalhar e não fazer greve, o que fez com que em alguns serviços o impacto da greve não fosse o esperado. Mais uma vez, assistimos a uma discrepância enorme entre os dados apresentados pelo governo e os dados apresentados pelas centrais sindicais. E depois havia aqueles que, entrevistados para as estações de televisão e rádio que faziam a cobertura da greve, nem sequer sabiam o que se estava a passar ou quais os motivos que levaram à paralisação. Será que têm estado a dormir, ou aterraram agora em Portugal vindos não se sabe bem de onde?

Pelas suas consequência imediatas podemos dizer que prejudicou o país, mas sinceramente, na prática, eu não sei se fará assim tanta mossa na vontade deste governo que nos tem vindo a surpreender com as suas decisões pouco democráticas.

Fontes:

https://www.spn.pt/Artigo/greve-geral-3-jun

https://www.publico.pt/2026/06/03/sociedade/noticia/grave-residual-expressiva-greve-geral-dois-tons-2177062

https://www.gov.pt/noticias/greve-geral-de-3-de-junho-servicos-publicos-e-transportes



Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...