20/11/2025

A ida de um português à Casa Branca

Podia ser só isso. Um português, reconhecido pelo seu trabalho, foi convidado a ir à Casa Branca. E um convite do Presidente dos EUA não se recusa.

Mas não foi só isso.

O português em causa, é reconhecido por muitos como um símbolo do país, quase como um "embaixador" embora não o sendo formalmente. O português em causa veste a camisola de Portugal e, onde quer que vá, está a ser olhado e todas as suas ações, atitudes e palavras estão a ser avaliadas. Esse português foi à Casa Branca por ser um homem de sucesso, por ter dinheiro, porque é apreciado por muitos em todo o mundo. Mas não levou (formalmente) Portugal com ele. Levou a Arábia Saudita. Ou melhor, foi levado... como um troféu do princípe Saudita. O regime que lhe paga milhões para representar um dos maiores clubes, o Al-Nassr Football Club. E foi no mesmo dia, viajou no mesmo avião e sentou-se à mesma mesa que "Mohammed bin Salman, primeiro-ministro saudita, príncipe herdeiro e líder do Fundo de Investimento Público, que gere o Al Nassr".

E o que é que está mal aqui?

O regime. Não o facto de se tratar de uma monarquia absoluta, mas de esta monarquia ainda matar quem não concorda com as suas ideias, em pleno século XXI. 

O estado que terá sido responsável pelo brutal assassinato e desmembramento de Jamal Khashoggi, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, que ocorreu em 2018. "Um caso que até foi relembrado por um jornalista durante o encontro entre Donald Trump e Mohammed bin Salman, mas que o presidente norte-americano fez questão de desvalorizar, mesmo que um relatório da CIA confirme o envolvimento do príncipe no assassínio."

O estado que, desde que "Mohammed bin Salman assumiu o poder," condenou "muitas pessoas" consideradas ativistas "a longas penas de prisão simplesmente porque exerceram pacificamente os seus direitos à liberdade de expressão, associação e reunião," silenciando "todos os que tentam expor e combater as violações de direitos humanos."

O mesmo país que está no "topo dos países que mais praticam a pena de morte, com dezenas de pessoas a serem executadas a cada ano, muitas delas em terríveis decapitações públicas" e onde os tribunais "continuam a decretar a flagelação como punição para muitas ofensas, muitas vezes no seguimento de julgamentos injustos." Entre estes castigos estão as chicotadas, as "amputações e as chamadas amputações cruzadas (amputação da extremidade de um membro superior de um dos lados do corpo e da extremidade de um membro inferior do lado oposto)."

Que Trump diga coisas com as quais não concordamos - acho que vamos estando habituados. Que mande calar jornalistas e que os intimide, também não é novidade. Novidade é termos uma figura que é, quer queiramos quer não, um símbolo do país, a partilhar da mesma mesa e da companhia de um tirano. A este jogador, a este português, livre (aqui no seu país e livre no país que o recebeu à mesa) poder-se-ia exigir uma voz de protesto? Uma voz de denúncia? Mas isso seria abdicar da riqueza... penso que não seja só isso, talvez algum medo intrínseco... pois estes regimes têm garras que ultrapassam a segurança das fronteiras e são muito mais poderosos do que imaginamos. 

E se cada um faz aquilo que quer, a pergunta é, e quando o Ronaldo não quiser ou quando quiser mostrar publicamente a sua discordância? Poderá fazê-lo?

Fontes:

https://www.amnistia.pt/arabia-saudita-10-coisas-que-precisa-saber-sobre-um-reino-de-crueldade/#gref

https://sicnoticias.pt/especiais/cristiano-ronaldo/2025-11-19-video-obrigado-senhor-presidente-ronaldo-agradece-a-donald-trump-pela-rececao-na-casa-branca-baf02d25

https://cnnportugal.iol.pt/cristiano-ronaldo-casa-branca/donald-trump-e-cristiano-ronaldo/cristiano-ronaldo-foi-a-casa-branca-numa-tentativa-saudita-de-distrair-a-opiniao-publica-do-registo-atroz-de-direitos-humanos-cometeu-um-erro-de-imagem-que-vai-transportar-ate-aos-100-anos/20251119/691e1eb3d34e2bd5c6d42fa7


 

19/11/2025

Incêndio destrói aldeia no Japão

Um incêndio de grandes dimensões deflagrou esta terça-feira numa "zona residencial do sudoeste do Japão." As chamas atingiram mais de 170 edifícios e fizeram, pelo menos, um morto.

As chamas que tiveram início numa casa "perto de um porto de pesca na cidade de Oita, na ilha de Kyushu," rapidamente se alastraram à floresta "devido aos ventos fortes que se faziam sentir," e que fizeram mesmo com que o fogo alastrasse "a uma floresta perto da cidade" e a "uma ilha desabitada" localizada a cerca de "um quilómetro da costa." Muitos dos habitantes tiveram de fugir de casa e encontram-se agora em abrigos. O vento forte terá ajudado à propagação das chamas.

Este foi já considerado como "o maior incêndio urbano desde o de Sakata em 1976, que destruiu mais de mil residências." Já em 2016, um outro incêndio "em Itoigawa também destruiu 147 edifícios."

Falando em grandes incêndios, outros houve em que o resultado foi muito mais devastador! A cidade de Tóquio ficou devastada quando, depois de um terramoto, um grande incêndio se propagou pelos escombros. Este evento resultou em cerca de "142 mil" mortos (número estimado). Mas foram os "ventos fortes de um tufão," que assolava a região que espalhou rapidamente as chamas! Caso para dizer que um desastre nunca vem só.

Fontes:

https://pt.euronews.com/2025/11/19/pelo-menos-um-morto-e-mais-de-170-edificios-queimados-em-incendio-no-japao

https://www.bucka.com.br/os-10-incendios-mais-famosos-do-mundo/#topico-2

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-11-19-video-maior-incendio-urbano-em-50-anos-reduz-cidade-japonesa-a-toneladas-de-escombros-1f260bef

https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2025/11/19/maior-incendio-no-japao-em-quase-50-anos.htm

16/11/2025

Cheias e tornados

Este ano, o mau tempo tempo já provocou três mortos em Portugal. Na quinta-feira, dia 13, morreu um casal octagenário, de nacionalidade portuguesa, numa casa em Pinhal do General, Fernão Ferro. Uma associação (a APROSOC) já veio a público acusar o município do Seixal e a Junta de Freguesia de Fernão Ferro por culpa na morte deste casal,  afirmando que não cumpriram as suas "responsabilidades" no que ao "ordenamento do território" diz respeito e que permitiu "a existência daquela habitação em situação de risco, aparentemente sem avaliação geotécnica e hidrológica". Segundo o presidente da Câmara do Seixal, esta "trata-se de uma casa construída clandestinamente, sem qualquer licenciamento camarário, no âmbito do loteamento clandestino do Pinhal do General, que começou nos anos 70", o que retira na minha opinião qualquer culpa à câmara.

Não estou a par da situação, mas a existir ali um leito de cheia e não se podendo construir, o que deveria ter sido feito era o derrube das casas, mas depois lá caía tudo em cima da Câmara. Em relação a não terem sido dadas orientações, foram transmitidas tanto a nível local como a nível nacional, o problema é que, em muitos casos, as pessoas não cumprem determinadas medidas preventivas e não acautelam os seus bens seja por incapacidade de o fazerem seja por estarem sempre à espera que o mal só bata à porta dos outros. Há fenómenos que são súbitos. Estar a viver numa zona perigosa, sabendo-o, já não me parece ser algo súbito ou que tenha de ser alertado. É como quem constrói na base de encostas ou arribas e vai vendo as pedras a rolar, pedacinhos da arriba a cair... e quando aquilo um dia cai tudo, dizerem que foi "sem aviso".

A terceira vítima foi uma senhora de nacionalidade britânica que ficou ontem debaixo dos escombros da casa onde vivia com o marido (uma espécie de bungalow), depois da passagem de um tornado, na região do Algarve. Este tornado fez, além da vítima mortal, vinte e oito feridos, dois dos quais considerados graves, tendo atingido o Parque de Campismo de Albufeira e o hotel "Eden Resort," que aquando deste "fenómeno meteorológico extremo" estaria a servir os pequenos-almoços aos clientes. Entre os feridos estão algumas crianças. Em Silves, a chuva e o vento forte provocaram dois desalojados.

Em Nisa, na passada quinta-feira, um outro tornado terá afetado cerca de dez habitações, levantando coberturas, "mas sem registo de desalojados." Na região, o mau tempo terá ainda provocado "a queda de várias infraestruturas de média e alta tensão." No mesmo dia, "um descarrilamento e a queda de um poste de iluminação obrigaram à suspensão da circulação de comboios em dois troços ferroviários." A circulação "entre a Covilhã e Tortosendo e entre Abrantes e Alferrarede" ficou interrompida. No que respeita ao descarrilamento, este terá ocorrido depois de um "comboio embater numa barreira," devido a um “aluimento de terras”. 

O fim de semana, foi ainda de aguaceiros um pouco por todo o país. Entretanto, a água vai começando a baixar em algumas regiões deixando à vista a destruição causada. A situação foi também bastante complicada em Vila do Conde, onde várias casas de primeira habitação ficaram inundadas, principalmente as que se localizam "nas imediações da ribeira da Lage, que, com o aumento do caudal provocado pela chuva, galgou as margens, derrubou muros e invadiu quintais e habitações." 

Em Aveiro, mais propriamente "no centro histórico de Santa Maria da Feira," a chuva intensa "inundou várias casas e lojas. Parte da bancada do estádio do União de Lamas desabou."

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/depressao-claudia-a-evolucao-do-mau-tempo-em-portugal_e1698380

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2025-11-16-video-depressao-claudia-provocou-tres-vitimas-mortais-feridos-desalojados-e-mais-de-4.000-ocorrencias-2691f46e

https://sicnoticias.pt/pais/2025-11-13-hoje-vivemos-um-dia-dificil-autarca-do-seixal-lamenta-mortes-em-fernao-ferro-8d9fd6d1

14/11/2025

Depressão Cláudia atinge Portugal e deixa rasto de destruição

Podemos dizer que está na altura da chuva forte e que, no meu tempo, a estes fenómenos se chamava, inverno, mas existem dois aspetos a considerar: o primeiro é que passamos de andar de manga curta para uma tempestade que quase não nos deixava sair de casa e, o segundo, é que apesar de todos os avisos, de passar informação constante nas televisões e na internet (jornais digitais, sites, publicações nas redes sociais) ainda houve quem se deixasse surpreender e achasse estranho tanto vento e tanta chuva, Há dias que se andava a falar nisto!

Infelizmente, as previsões acabaram por se comprovar em muitas regiões: houve cheias rápidas tal como havia sido anunciado, houve deslizamentos de terras e pequenas derrocadas devido às terras soltas que se viram rapidamente infiltradas de águas, houve painéis que tombaram, telhados que levantaram e placas que se soltaram devido aos fortes ventos. O que é de estranhar não é o fenómeno em si, mas a falta de preparação para estes eventos que nós continuamos a acusar, como se houvesse em nós uma confiança inata de que aqui nunca "acertam com as previsões", "o temporal passa ao lado", "dizem que vai chover e afinal foi só umas pinguinhas"... pois é, mas agora, desta vez, houve mortos, houve feridos, gente a precisar de ser resgatada, houve um aumento significativo no número de ocorrências e (pasmem-se!) afinal o número de bombeiros disponíveis já nem sequer é o mesmo em algumas regiões do país do que era no verão. 

Continuamos a sofrer de falta de consciência preventiva. Há falta de reuniões e discussões com a população sobre o que fazer se isto ou aquilo vier a acontecer, andamos sempre a correr atrás do prejuízo. Se na primavera e no verão, os canais televisivos repetem e repetem informações sobre os incêndios, chegamos ao outono e ao inverno e são as cheias, as ondas que galgam os muros, os avisos para que não vão para as zonas de risco! E continuamos assim, ano após ano...

Fomos alertados para chuva forte e pelo agravamento da tempestade ao chegar a terra pela confluência de um "rio atmosférico" (lembram-se? Aquele fenómeno que tantos mortos fez em Espanha no ano passado?) o que levou a que se andasse nos últimos dias em oscilação entre alertas laranjas e vermelhos em diversos pontos do país. Entre os avisos divulgados, esteve o da ANEPC, que "emitiu um aviso à população, apelando à adoção de medidas preventivas para minimizar os efeitos do mau tempo." Entre as recomendações estavam atos práticos e que nãoi deveriam ser guardados para quando a tempestade chega, mas que já deviam ser comuns, especialmente neste período do ano em que as folhas das árvores tendem a causar maiores entupimentos: "a limpeza de sarjetas e sistemas de escoamento de águas," bem como outras recomendações como "a fixação de estruturas soltas" e evitar "deslocações desnecessárias durante os períodos de maior instabilidade."

No dia 12, já se havia avisado que "a frente fria estacionária associada à depressão Claudia" estava "a enviar sucessivas linhas de instabilidade," prevendo-se "que os períodos de chuva ou aguaceiros, inicialmente mais fortes no Minho e Douro Litoral" se tornassem "mais persistentes e fortes em termos de área geográfica abrangida à medida que o sistema frontal" fosse "progredindo de oeste para leste" nas horas seguintes. O IPMA já avisava para a possibilidade de ocorrência de "precipitação forte e persistente, rajadas de vento entre 75 e 90 km/h," que podiam "atingir os 100 km/h em algumas zonas, e ondas que" poderão "atingir 4,5 metros de altura significativa, sobretudo na costa ocidental," ondas estas que poderiam chegar aos "3 e 4,5 metros de altura a partir de quinta-feira" (ontem).

Ou seja, nada indicava que a depressão nos passasse ao lado. Fomos alertados para a "possibilidade da precipitação ser acompanhada de trovoada" e que o vento forte poderia levar ao risco "de danos em infraestruturas e de potenciais quedas de árvores, entre outros possíveis impactos."

Ontem, quinta-feira, "cerca de 20 mil clientes" ficaram "sem energia devido ao mau tempo, sendo Lisboa, Santarém e Setúbal as zonas mais afetadas - um número que pelas 15h já estava reduzido a 7000." No distrito de Setúbal - que se encontrava em alerta vermelho - cerca de "8000 clientes" ficaram sem eletricidade e houve mesmo várias escolas que não chegaram a abrir devido ao mau tempo. 

Entre elas, estiveram as escolas do "Agrupamento de Escolas do Montijo, do Agrupamento de Escolas Poeta Joaquim Serra, da Escola Profissional do Montijo e do Conservatório Regional de Artes do Montijo," bem como, do Agrupamento de Escolas de Sampaio, Sesimbra, o que permitiu evitar a deslocação de alunos por zonas alagadas e perigosas, tanto para quem circula a pé como de carro.

Além das estradas alagadas e que ficaram intransitáveis, houve várias quedas de árvores e de estruturas. "A forte chuva levou também ao corte temporário da Segunda Circular, junto ao aeroporto, cerca das 06h00, devido a uma inundação." Desde o início do evento até à manhã de quinta-feira, tinham sido efetuados "três salvamentos terrestres e cinco aquáticos."

Em Fernão Ferro, aqui mesmo no Seixal, um casal de idosos perdeu a vida, ao que tudo indica por não terem conseguido sair da sua habitação no momento em que a mesma ficou inundada. Nesta freguesia, foram vários os casos de inundações, mas este foi de todos o mais grave. Esta é uma zona vulnerável à ocorrência de cheias, tendo a água isolado "várias ruas da freguesia."

As vias de circulação ferroviária, foram também afetadas, tendo as do "Entroncamento e Santarém, na Linha do Norte," sido as que registaram maiores atrasos na circulação. No que respeita à agitação marítima, 14 barras portuguesas, entre as quais a do "Douro, Esposende, Caminha, Vila Praia de Âncora, Póvoa do Varzim, Vila do Conde" entre outras, foram encerradas à navegação. "As barras de Aveiro, Figueira da Foz, Albufeira e Portimão, ficaram também "condicionadas à navegação."

E o mau tempo vai ainda continuar nos próximos dias, por isso, mantenham-se em segurança! 

"Face às condições adversas, a Proteção Civil recomenda especial cuidado na circulação e permanência em áreas arborizadas e aconselha precaução junto à orla costeira e zonas ribeirinhas. Pede ainda que sejam evitadas atividades relacionadas com o mar, como pesca desportiva, desportos náuticos, passeios à beira-mar ou o estacionamento de veículos junto à linha de costa." Evitem também circular em zonas alagadas, caso não tenham percebido, compraram um carro, não um submarino! E podem correr o risco de "arrastamentos ou quedas em buracos e caixas de esgoto abertas." Por último, mas não menos importante, por favor protejam também os vossos animais! Sim, ainda há alguns "animais" que deixam os seus animais presos a trelas no exterior e nem sequer se lembram de que em caso de subida rápida das águas, eles podem afogar-se! 

Fontes:

https://www.tempo.pt/noticias/previsao/a-partir-desta-hora-a-depressao-claudia-vai-agravar-se-em-portugal-chuva-e-vento-geram-preocupacao-nestes-distritos.html

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-13-mau-tempo-deixa-milhares-de-pessoas-sem-eletricidade-em-lisboa-setubal-e-santarem-montijo-encerra-escolas-e398385f

https://expresso.pt/sociedade/meteorologia/2025-11-12-depressao-claudia-traz-chuva-intensa-e-ventos-fortes-a-quase-todo-o-pais--apenas-quatro-distritos-escapam-ao-aviso-laranja-8487e839

https://www.sesimbra.pt/noticia-74/mau-tempo-causa-estragos-em-todo-o-concelho

https://sapo.pt/artigo/inundacoes-e-quedas-de-arvores-depressao-claudia-provoca-198-ocorrencias-nas-ultimas-horas-6918578cf7bc778b434b2196

10/11/2025

Manifestação em Lisboa e aviso de Greve Geral

Parece que no próximo dia 11 de dezembro vai haver greve geral. Pelo menos é que se tem vindo a divulgar nos canais de notícias e nas redes sociais. Uma greve que, além de outras coisas, parece estar a reaproximar as duas centrais sindicais - UGT e CGTP - o que já "não acontecia há 12 anos." O anúncio (embora ainda não formal), aconteceu logo depois da marcha "Todos a Lisboa" que este sábado, juntou milhares de portugueses, contra o pacote laboral apresentado pelo "governo PSD/CDS-PP."

Esta manifestação tinha sido convocada pela CGTP e dividiu-se em "duas pré-concentrações na capital: os trabalhadores do setor público juntaram-se nas Amoreiras e os do setor privado no Saldanha, sendo que ambas desaguaram no Marquês de Pombal." Entre os manifestantes foi possível ver várias caras conhecidas, entre os quais os candidatos à presidência da República "Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, apoiados respetivamente por BE, PCP e Livre." Fica só uma questão para quem diz não tomar partido - isto não se enquadra em tomar partido?

A proposta feita pelo governo, que já tinha sido dada a conhecer a 24 de julho e que foi designada por “Trabalho XXI” pelo Governo em funções, apresenta uma profunda revisão da legislação laboral e que vão desde "alterações nas licenças parentais, no direito à amamentação e ao luto gestacional, ao "trabalho flexível, formação nas empresas ou período experimental dos contratos de trabalho, prevendo ainda um alargamento dos setores que passam a estar abrangidos por serviços mínimos em caso de greve."

Entre as medidas anunciadas, estão ainda "propostas" que têm como consequência "perpetuar e agravar os baixos salários" dos trabalhadores, a desregulação dos horários de trabalho, a facilitação dos despedimentos e a destruição dos "direitos de maternidade e paternidade," entre outros.

Estas propostas têm tido uma forte oposição dos sindicatos, mas também de uma grande faixa populacional, para quem estes direitos nunca deveriam sequer estar em causa. Acrescento eu, que estes direitos precisam de ser melhorados e não postos em causa. Sobre esta questão, a "CGTP tem vindo a insistir que o anteprojeto do Governo" se vem a apresentar como "um verdadeiro retrocesso" naqueles que são os "direitos dos trabalhadores," apontando "que há propostas de alteração inconstitucionais."

Vamos ver... 

Fontes:

https://expresso.pt/economia/trabalho/2025-11-08-cgtp-e-ugt-convocam-greve-geral-para-11-de-dezembro-8fd17a6f

https://www.rtp.pt/noticias/pais/milhares-de-trabalhadores-marcham-em-lisboa-contra-pacote-laboral-do-patrao_n1696875

https://observador.pt/2025/11/10/trabalhadores-social-democratas-apelam-ao-dialogo-em-concertacao-social-sobre-revisao-da-lei-laboral/

09/11/2025

A Terra Treme e Sismo no Japão com alerta para Tsunami

Atualmente, estamos constantemente a ser informados sobre os diferentes eventos geológicos e sismológicos que vão ocorrendo pelo planeta e, isso, deixa-nos certamente mais alerta. 

Antigamente, haveria menos sismos? Certamente que não. Mas só se chegava a saber daqueles que eram mais intensos ou que provocavam maiores danos. Hoje em dia, a constante atualização da informação, permite-nos conhecer um pouco mais sobre estes fenómenos que, embora não sendo ainda possíveis de antecipar, podem certamente ver as suas consequências minimizadas, desde logo com atitudes de segurança ativa - seja a nível individual, seja coletivo.

Saber o que fazer durante um sismo e como observar sinais de que um tsunami pode estar iminente é uma das lições treinadas em diferentes regiões do Japão, logo desde muito tenra idade. Todos devem saber o que fazer. Se isso evita que os danos ocorram? Não, mas pode minimizá-los. E nesta semana - assinalando o grande sismo de 1755 - é comum termos por cá um evento que se chama "A Terra Treme" e que, infelizmente, não está a ser levado muito a sério. Sabemos na teoria o que fazer, mas praticar e treinar os movimentos, colocar questões, discutir os erros cometidos seria essencial, principalmente em escolas, hospitais, casas de repouso e hotéis. Este ano, confesso que não houve qualquer simulação ou treino lá no meu trabalho, mas foi tema de conversa (os 6ºs anos estão a dar essa matéria) e reparei que ainda existem muitos mitos que precisam de ser desfeitos. A falta de conhecimento pode ser amiga do desastre.

Ainda esta semana, se têm vindo a dar notícia de vários abalos sísmiocos sentidos no Faial, Açores, sobretudo em "Capelo, Matriz, Flamengos e Cedroso," o que pode estar relacionado com um leve aumento da atividade vulcânica, muito comum naquela região insular. Mas se para uns, é normal que a terra trema e que isso até seja entendido como um libertar de tensões, para outros pode ser algo assustador e caótico. E é por isso que a prevenção e os esclarecimentos sobre o que fazer e o que não fazer podem ser tão importantes! Professores, autarcas, governantes - falem sobre o tema e esclareçam, sem alarmar!

Do outro lado do mundo, no Japão, um sismo de magnitude 6,7 na escala de Richter foi sentido pela população por volta das "17h03 locais (8h03 em Portugal continental) ao largo da costa de Iwate." Este sismo, levou a que as autoridades locais tivessem colocado a região em estado de alerta devido ao risco de ocorrência de um tsunami. Segundo as informações disponíveis, não há registo de vítimas embora tenham vindo a ser sentidas diversas réplicas ao abalo principal.

O arquipélago do Japão tem "milhões de habitantes" e localiza-se "na junção de quatro placas tectónicas, na chamada Cintura de Fogo do Pacífico," apresentando "uma das maiores atividades sísmicas do mundo." Não será demais falar-se em cerca de "1500 terramotos por ano, a maioria de baixa intensidade," cujos danos podem "variar de acordo com a localização e a profundidade." Um dos maiores sismos ocorrido foi o de 2011, que fez milhares de mortos. 


Fontes:

https://www.publico.pt/2025/11/09/mundo/noticia/alerta-tsunami-japao-apos-sismo-magnitude-67-2153944

https://sicnoticias.pt/mundo/2025-11-09-alerta-de-tsunami-no-japao-apos-sismo-de-magnitude-67-080e9cb8

08/11/2025

Efeitos do mau tempo

Por cá, o mau tempo fez-se sentir, trazendo a sensação de que finalmente o verão se foi embora. Uma forte tempestade acabou por atingir o país, sobretudo a litoral com ventos fortes e trovoada. A madrugada de quarta-feira foi passada acordada a ouvir a chuva na janela e a apreciar a beleza da enorme trovoada que se abateu sobre a margem sul. Por pouco, não me vesti para sair de casa e ir para a rua ver os relâmpagos.


Portugal foi atingido na madrugada desta quarta-feira por "uma superfície frontal fria que trouxe chuva, vento e trovoada." Deste evento que trouxe ventos fortes e milhares de descargas elétricas, decorream diversas "situações" que necessitaram de intervenção da PC, principalmente "relacionadas com inundações (506), quedas de árvores (246), limpeza de via (140) e quedas de estruturas (129)." Em 24 horas, terão sido contabilizados "um total de 47.676 descargas elétricas atmosféricas." Devido ao mau tempo, algumas regiões do país acabaram por ficar sem eletricidade - perto de "60 mil clientes da E-Redes" terão sido afetados, concentrando-se a maioria dos danos "sobretudo nos distritos de Santarém, Castelo Branco e Portalegre." Os cortes ter-se-ão devido  sobretudo à queda de postes e de ramos de árvores sobre a estrutura elétrica, situação que rapidamente foi resolvida.


A beleza de uma tempestade está na sua força e a nossa segurança tem de estar na prevenção, sobretudo quando estão em causa zonas de alagamento ou regiões propícias a derrocadas ou deslizamentos de terras.


*


Infelizmente, no Brasil, o mau tempo causou vítimas mortais, depois de um tornado ter atingido na quinta feira, o estado do Paraná, no sul do Brasil. O tornado provocou a morte a "cinco pessoas" e ferimentos a "cerca de 130." As regiões mais afetadas foram as de "Candói, Rio Bonito do Iguaçu e Porto Barreiro, que enfrentaram ventos que terão atingido "velocidades entre os 180 e os 250 quilómetros por hora," deitando abaixo "postes de luz, destelhou imóveis, destruiu construções," derrubou "árvores e até de casas de tijolo".


Também noutros "municípios da região, como Laranjeiras do Sul e Guarapuava" se fizeram sentir os "efeitos do tornado", tendo sido confirmados até ao momento, "cinco óbitos, sendo cinco em Rio Bonito do Iguaçu e um em Guarapuava." Há ainda um desaparecido e "as autoridades alertam que o número de mortos pode aumentar nas próximas horas." A destruição pode ter feito mais vítimas pois atingiu a região quando "muita gente" estava "voltando para casa," o que contribuiu para que muitas viaturas estejam ainda debaixo dos "escombros." 


O Rio Grande do Sul e Santa Catarina mantêm-se agora em alerta vermelho, onde na região "litoral, são esperadas rajadas de vento" que podem ultrapassar os "100 km/h", de uma massa que passou já pelo "norte da Argentina e do Paraguai" e que ganhou "força sobre o Rio Grande do Sul."


Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2025-11-08-video-tornado-causa-varios-mortos-e-mais-de-100-feridos-no-sul-do-brasil-1a40550b


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgmxennzzymo


https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/ciclone-extratropical-atinge-sul-nesta-sexta-7-e-deixa-outras-regioes-do-brasil-em-alerta


https://pt.euronews.com/2025/11/05/frente-fria-chega-a-portugal-continental-com-vento-chuva-e-trovoada


https://sapo.pt/artigo/mau-tempo-deixou-60-mil-pessoas-sem-eletricidade-em-portugal-690c79744ec4389b2c333fbf

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...