19/12/2022

Faleceu a cantora Claudisabel

A vida termina num sopro. Depois de uma tarde animada, a trabalhar em Castanheira de Pera, Cláudia entra no carro e segue em direção ao Algarve. A viagem termina abruptamente na zona de Alcácer, onde em plena A2 é abalroada por outra viatura, quando, aparentemente, estaria parada na berma, após sinalizar a viatura e regressar ao seu interior. 

Não sabemos o que se terá passado, mas a vida desta cantora de apenas 40 anos, foi-lhe roubada num segundo. Parada no local errado, à hora errada.

Cláudia nasceu em Faro em 1982 e a sua carreira como artista começou em 1995 com apenas 13 anos, com o seu primeiro álbum, "Dizias Tu, Pensava Eu". Em 1998 lançou o disco "Pensei Com o Coração", e no mesmo ano a artista participou na coletânea "De mãos dadas". Foi no ano de 1999 que obteve o seu maior sucesso apresentando o tema "Preciso de um Herói".

Já em 2001 lança o seu 4.º disco, de nome "Meu Sonho Azul", que voltou a ter mais um grande sucesso na sua carreira, com o tema "Não vou voltar a chorar". Em 2002, num outro formato a artista arrisca participar na segunda edição do Big Brother Famosos.

No ano de 2005 surgiu "Preto no Branco" e em 2009 a cantora voltou a surgir no mercado com o álbum "Quem és tu". Em 2010 participou no Festival RTP da canção, pelas mãos de produção do compositor Jordi Cubino, com o tema "Contra Tudo e Todos", tendo passado até às semifinais.

Claudisabel tinha sido vítima de um aparatoso e grave acidente de viação em 2019, quando uma viatura não respeitou um sinal vermelho. Deste resultaram consequências graves, tendo ficado com uma lesão na coluna que lhe provocou duas hérnias e uma compressão cervical que lhe tornava difíceis alguns movimentos. Ficou ainda com uma lesão na vista, uma perda de visão significativa e uma pressão ocular muito elevada. Regressa aos discos em 2020, com uma abordagem diferente, um estilo musical totalmente renovado e uma imagem marcante, com o seu single "Condenada".

Nestes momentos tão duros, não podem haver palavras que confortem a família e os amigos - e ela parecia ter tantos a gostar dela, como se vê agora nas redes sociais. Cada dia é uma dádiva que nos pode ser retirada a qualquer momento e somos um grão de areia neste universo.


Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/cantora-claudisabel-morre-em-acidente-na-a2-tinha-40-anos-15513455.html

16/12/2022

Tragédia em incêndio em França

Durante esta noite, um incêndio que deflagrou num prédio de 7 andares, matou dez pessoas, cinco das quais eram crianças, com idades entre os 3 e os 15 anos. Houve ainda 14 feridos, dos quais quatro em estado grave. Dois dos 170 bombeiros que se envolveram no combate às chamas também ficaram feridos.


As causas ainda não foram apuradas mas há algumas suspeitas. O fogo parece ter tido início no rés do chão do edifício, durante a madrugada e alastrou para os andares superiores. O facto de muitos dos moradores estarem a dormir e dos acessos terem ficado desde logo bloqueados pelo fumo e pelas chamas pode ter levado ao número elevado de vítimas. O edifício, que tinha sido requalificado em 2019, "integra um conjunto habitacional em estado de degradação" dos subúrbios de Lyon. O bairro tem sido palco de várias detenções devido ao tráfico de drogas e alguns populares manifestaram que essa possa ter sido uma das causas da deflagração. 


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/2022-12-16-Incendio-em-predio-em-Lyon-faz-10-mortos-metade-dos-quais-criancas-e-14-feridos-graves-07d5cba1


https://www.rfi.fr/br/fran%C3%A7a/20221216-bombeiros-franceses-escalam-sete-andares-para-salvar-crian%C3%A7as-e-beb%C3%AAs-em-inc%C3%AAndio-perto-de-lyon

14/12/2022

Depois da tempestade

Depois da tempestade vem a bonança, sempre ouvi dizer. Mas os últimos dias não foram fáceis para muitos portugueses, que viram os seus bens serem levados pela água, as casas e os negócios ficarem destruídos e as suas vidas completamente viradas do avesso. Se era esperado? Pela forma como se vão sucedendo as notícias nos meios de comunicação parece que foi algo de muito estranho, algo que o país nunca viveu. Mas, infelizmente, foram muitos os episódios de cheias que noutros anos deixaram algumas zonas do país arrasado. Talvez agora tenha subido mais em algumas zonas, talvez desta vez os alertas não tenham chegado a tempo, mas quantas destas pessoas sabiam que estavam em leito de cheia e que, havendo chuva e  as condições adequadas, o rio irá retomar o seu leito natural e toda a bacia hidrográfica vai ficar completa?


Há quantos anos se estão a elaborar planos para minimizar as consequências destas cheias e há quantos anos eles aguardam para ser postos em prática? Estradas cortadas devido a lençóis de água por falta de escoamento. Linhas do metro completamente submersas, intransitáveis com cascatas de água a descer pelas escadas e levar tudo à sua frente. Infiltrações nas escolas que "sempre" pingavam mas não eram "nada de mais", levam ao encerramento de salas, de refeitórios e muitas crianças a ficar em casa ou a irem para os ATL ou centros de estudo, que sem esperarem têm de arranjar refeições para os alunos que deviam ter comido na escola e atividades para os meninos que deviam estar a ter aulas. Os pais ficam de mãos atadas sem saber se faltam ao trabalho para socorrer os filhos ou se os deixam aos cuidados das escolas e dos apoios que nestes dias não chegam.


A quantidade de chuva, cria rios de lama que correm velozes pelas encostas e que levam a derrocadas de muros que já estavam danificados, entram pelas portas e pelas janelas das casas, alagam garagens, caves, sobem pelas habitações até onde não dá mais. Alguns sobem aos pisos superiores, outros arrastam-se para os telhados e aguardam ajuda, no meio da aflição, uma senhora tenta salvar o marido acamado e morre curvada pela água e pelo desespero. 


O que nos aconteceu nestes últimos dias foi uma catástrofe natural, aliada a um grande "fechar" de olhos do governo. As promessas não chegaram a tempo, os alertas ou não vieram ou os que vieram não se tornaram eficientes.


E parece que a bonança que esperávamos ainda vai demorar a chegar pois a chuva não nos vai dar tréguas nos próximos dias. Cuidem-se e cuidem uns dos outros. A proteção civil somos nós e o primeiro passo é não nos colocarmos em risco, avaliando se temos mesmo de sair, se temos mesmo de pegar no carro e atravessar uma enchente ou se não podemos ficar em casa um dia ou dois com os filhos. Tomem conta dos idosos, que muitas vezes vivem em zonas antigas e casas menos resistentes às intempéries. Isto ainda não acabou!

08/12/2022

Dia da Padroeira do Reino

Hoje é feriado em Portugal e em muitas outras partes do mundo. Apesar de se celebrar um feriado religiosos, dedicado à Imaculada Conceição - ou segundo alguns teólogos - à conceção sem mácula da Virgem Maria. A ideia da Imaculada Conceição e o feriado foram introduzidos em Portugal com a chegada, em 1166, de D. Gilberto, o primeiro Bispo da cidade de Lisboa. O conceito propagou-se rapidamente pelas paróquias. A primeira celebração oficial do culto da Imaculada Conceição decorreu no dia 8 de dezembro de 1320, em Coimbra. 


A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganha destaque em 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Alvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota. Em 1420, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, mandou construir uma enorme igreja em Vila Viçosa que dedicou a “Nossa Senhora da Imaculada Conceição” (também conhecida como Nossa Senhora do Castelo).


É também importante lembrar que  D. João IV, rei de Portugal, declarou Nossa Senhora da Conceição como padroeira do reino. Estavamos no ano de 1646 e uma decisiva batalha era travada em Montes Claros, Vila Viçosa. Em plena Guerra da Restauração contra Espanha, D. João IV, jurou e proclamou solenemente que Nossa Senhora da Conceição seria a Rainha e Padroeira de Portugal para sempre. Desde este dia, os reis portugueses deixaram de usar coroa na cabeça, privilégio reservado exclusivamente para a Imaculada Conceição. Nas cerimónias solenes monárquicas, a coroa passou a ser colocada em cima de uma almofada ao lado do rei. 


Mas já antes, D. Afonso Henriques se tinha colocado ao seu serviço e isto também nos lembra que conhecermos a nossa História, nos torna uma parte daquilo que somos. 


No dia 8 de Dezembro de 1854 o papa Pio IX decretava, solenemente, e para todo o mundo, o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria. A reconfirmação da pessoa da Virgem Maria enquanto Padroeira de Portugal foi efectuada pelo Papa Pio XI, a 25 de Março de 1936. Na bandeira monárquica que representou Portugal, a cor azul era uma alusão a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.


De facto, a santa é "muitas" e tem "muitos" nomes: Maria de Nazaré foi a mulher escolhida para gerar o filho de Deus, Jesus Cristo e em Portugal é mais conhecida como Senhora de Fátima, em Espanha já é a Senhora do Pilar, no Brasil é conhecida como a Senhora da Aparecida, no México é venerada como Senhora de Guadalupe, na Polónia é a Virgem Negra de Tchestócowa, e em França é a Senhora de Lourdes.


Fontes:


https://rr.sapo.pt/artigo/262692/quarta-feira-8-de-dezembro-de-2021


https://publicholidays.pt/pt/immaculate-conception/


https://www.igrejaacores.pt/imaculada-conceicao-uma-solenidade-religiosa-que-evoca-a-historia-de-portugal/


https://esplpalavras.wordpress.com/2017/12/19/feriados-de-1-e-8-de-dezembro/


 


 

03/12/2022

Dia Internacional das Pessoas portadoras de deficiência

Desde 1992 é celebrada esta data, na qual se tenta chamar a atenção para aspetos importantes da nossa sociedade como as Acessibilidades. Olhem à vossa volta quando saírem para ir beber um café, ou para ir comprar leite a um hipermercado. Esse espaço é acessível? Uma pessoa com cadeira de rodas conseguiria sair da vossa casa e chegar ao café sem ajuda de outras pessoas?


A data tem como principal objetivo a motivação para uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas. Neste dia, debate-se a independência e a autonomia das pessoas com deficiência, bem como a criação de condições de inclusão destes cidadãos. Existe uma estimativa, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) que cerca de 15% da população mundial vive com algum tipo de incapacidade (motora, visual, auditiva, etc). Além disso, que entre 2% a 4% da população com mais de 15 anos vive com alguma dificuldade funcional. Em Portugal, segundo os últimos dados da Saúde e Incapacidades (de 2011) feito pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) cerca de 16% dos portugueses (entre 15 a 64 anos) tinham simultaneamente problemas de saúde prolongadas e dificuldades na realização de atividade básicas do dia-a-dia (ver, ouvir, andar, sentar, levantar, comunicar, memorizar, etc). As mulheres são as mais afetadas pelas doenças prolongadas, de acordo com o estudo, e a idade mais crítica é entre os 55 a 64 anos (a última faixa etária analisada).


De acordo com a “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, as pessoas com deficiência devem ter acesso “em condições de igualdade com os demais, ao ambiente físico, ao transporte, à informação e comunicações, incluindo as tecnologias e sistemas de informação e comunicação e a outras instalações e serviços abertos ou prestados ao público, tanto nas áreas urbanas como rurais”.


A legislação afirma também que os “edifícios, estradas, transportes e outras instalações interiores e exteriores, incluindo escolas, habitações, instalações médicas e locais de trabalho” devem ser acessíveis a todas as pessoas com mobilidade reduzida no país. Nesse cenário, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e o digital têm um papel preponderante, porque são um facilitador e um fator de inclusão, sendo essenciais para remover barreiras e contribuir para uma vida independente. Mas para isso, os serviços digitais precisam de ser acessíveis e fáceis de utilizar e o site acessibilidade.gov.pt há muito se assumiu como a referência para a acessibilidade digital em Portugal. O Decreto-Lei n.º 163/2006 estabelece normas e diretrizes para os projetos de construção dos prédios públicos e também em ruas para serem seguidas.


Mas infelizmente... ainda é uma utopia!


A acessibilidade em Portugal e no mundo é um fator extremamente importante para a qualidade de seus cidadãos e também para a integração e participação na vida pública. Poucos edifícios têm sequer uma simples rampa à entrada e quando têm, raras são as que estão de acorda com a inclinação adequada e segura para que uma pessoa portadora de deficiência física se possa movimentar. Se falamos em lojas, quantas permitem a livre circulação sem embater em obstáculos e armadilhas?


Qualquer um de nós é um potencial utilizador. Não é necessário nascer com deficiência. Podemos ter uma doença degenerativa (como eu tenho), precisar de fazer uma cirurgia ou ter um acidente de viação, um atropelamento, uma queda...


 


Fontes:


https://www.aepombal.edu.pt/a-semente/dia-internacional-da-pessoa-com-deficiencia-2/


https://www.acessibilidade.gov.pt/blogue/categoria-noticias/dia-internacional-das-pessoas-com-deficiencia/


https://www.eurodicas.com.br/acessibilidade-em-portugal/


 

01/12/2022

Hoje é (também) dia de Portugal

Hoje é feriado em Portugal. Dia de ficar em casa - o frio convida a isso mesmo - de descansar ou estar em família, mas é na História que encontramos as razões para este feriado. Assinala-se hoje o dia da Restauração da Independência de Portugal, acontecimento histórico que se registou no ano de 1640.


D. Sebastião, rei sem descendência, avança para a Batalha de Alcácer onde acaba por perder a vida. O trono de Portugal foi inicialmente entregue ao seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique. Após a sua morte, em 1580, os principais candidatos ao trono de Portugal eram os netos de D. Manuel I: D. Catarina de Bragança, D. António-Prior do Crato e Filipe II (rei de Espanha). D. Filipe II, governa durante 60 anos, mantendo o seu compromisso de respeitar a autonomia de Portugal, manter os seus usos e costumes, a língua, a bandeira, a moeda, assim como a nomear portugueses para a sua administração.


Porém, os seus sucessores, Filipe III e Filipe IV, começaram a ignorar as suas promessas, e o país acabou por perder efetivamente a sua independência, o que motivou um progressivo descontentamento da maioria dos portugueses.


Neste contexto, aproveitando-se de uma conjuntura interna e internacional favorável, no dia 1 de dezembro do ano de 1640, um grupo de nobres portugueses revoltou-se contra o domínio espanhol. Conhecido como os “40 conjurados”, reuniram-se no Palácio dos Condes de Almada (um dos conjurados era o nobre Antão de Almada), para depois levarem a cabo o golpe que os levaria a invadir o Paço Real, afastar a duquesa de Mântua e a matar Miguel de Vasconcelos, o representante da Espanha em Lisboa. Derrubado o domínio castelhano, Portugal voltou a ser um reino independente, iniciando-se uma nova (e última) dinastia com a aclamação do duque de Bragança, D. João IV, como novo rei de Portugal. D. João IV, devolveu a independência política, financeira e fiscal a Portugal e anulou os impostos criados pela dinastia filipina. Só em 1668 é que os espanhóis consideraram Portugal como um reino independente, com a assinatura do Tratado de Lisboa.


Desde 1823, primeira comemoração oficial da Restauração da Independência, que este dia é comemorado, passando a feriado nacional na segunda metade do século XIX.  É o feriado civil mais antigo, tendo sido o único que se manteve, vindo da monarquia, após a revolução republicana de 1910 (salvo entre 2013 e 2016).


Fontes:


https://forum.pt/forum/o-que-significa-a-restauracao-da-independencia


https://amensagem.pt/2022/12/01/palacio-da-independencia-1-dezembro-largo-de-sao-domingos/


 


 

04/03/2022

Infância 2020

Pensemos hoje nas nossas crianças. As crianças 2020. 

Será que vão crescer crianças mais fortes, mais realistas, humanos e tolerantes, ou será que ao lhes matarmos a inocência tão cedo as vamos fazer adultos mais amargurados, desumanos e intolerantes? Tiveram de aprender a lidar com uns bichinhos que ninguém vê mas que afastam os pais dos filhos, obrigam a ficar em casa sem os amigos. Aprenderam cedo a usar as tecnologias para assistir a uma aula que devia ser de olhar fixo no professor e não numa tela de uma videoconferência. Aprenderam que os fins de semana são mais seguros em casa a ver desenhos na televisão ou a jogar contra os primos pelo tablet, do que a correr no parque e a cair de uma pereira doce.

As nossas crianças que aprenderam e nos ensinaram que lavar as mãos e não dar beijos era importante, que usar máscara evitava que ficassem doentes e que as vacinas salvam a vida de milhares, têm de aprender agora que as balas e os mísseis matam crianças a leste, que as mães choram agarradas nos seus filhos sem saber onde vão, os pais se despedem sabendo que não se voltarão a ver. Não os podemos guardar num casulo fechado em que só entram balões, unicórnios e beijinhos, pois não? 

As nossas crianças são seres fantásticos! Juntam-se e querem enviar comida e brinquedos para os outros meninos que fogem da guerra. Aprenderam que o vírus se espalha, mas que o amor se pode espalhar ainda mais e têm esperança que esse amor pelo outro vença as diferenças.

Mas quem serão estas nossas crianças no futuro? Que papel terão neste mundo que estamos a moldar para eles e que vão herdar de nós? 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...