04/03/2022

Infância 2020

Pensemos hoje nas nossas crianças. As crianças 2020. 

Será que vão crescer crianças mais fortes, mais realistas, humanos e tolerantes, ou será que ao lhes matarmos a inocência tão cedo as vamos fazer adultos mais amargurados, desumanos e intolerantes? Tiveram de aprender a lidar com uns bichinhos que ninguém vê mas que afastam os pais dos filhos, obrigam a ficar em casa sem os amigos. Aprenderam cedo a usar as tecnologias para assistir a uma aula que devia ser de olhar fixo no professor e não numa tela de uma videoconferência. Aprenderam que os fins de semana são mais seguros em casa a ver desenhos na televisão ou a jogar contra os primos pelo tablet, do que a correr no parque e a cair de uma pereira doce.

As nossas crianças que aprenderam e nos ensinaram que lavar as mãos e não dar beijos era importante, que usar máscara evitava que ficassem doentes e que as vacinas salvam a vida de milhares, têm de aprender agora que as balas e os mísseis matam crianças a leste, que as mães choram agarradas nos seus filhos sem saber onde vão, os pais se despedem sabendo que não se voltarão a ver. Não os podemos guardar num casulo fechado em que só entram balões, unicórnios e beijinhos, pois não? 

As nossas crianças são seres fantásticos! Juntam-se e querem enviar comida e brinquedos para os outros meninos que fogem da guerra. Aprenderam que o vírus se espalha, mas que o amor se pode espalhar ainda mais e têm esperança que esse amor pelo outro vença as diferenças.

Mas quem serão estas nossas crianças no futuro? Que papel terão neste mundo que estamos a moldar para eles e que vão herdar de nós? 

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