08/12/2022

Dia da Padroeira do Reino

Hoje é feriado em Portugal e em muitas outras partes do mundo. Apesar de se celebrar um feriado religiosos, dedicado à Imaculada Conceição - ou segundo alguns teólogos - à conceção sem mácula da Virgem Maria. A ideia da Imaculada Conceição e o feriado foram introduzidos em Portugal com a chegada, em 1166, de D. Gilberto, o primeiro Bispo da cidade de Lisboa. O conceito propagou-se rapidamente pelas paróquias. A primeira celebração oficial do culto da Imaculada Conceição decorreu no dia 8 de dezembro de 1320, em Coimbra. 


A ligação entre Portugal e a Imaculada Conceição ganha destaque em 1385, quando as tropas comandadas por D. Nuno Alvares Pereira derrotaram o exército castelhano e os seus aliados, na batalha de Aljubarrota. Em 1420, D. Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, mandou construir uma enorme igreja em Vila Viçosa que dedicou a “Nossa Senhora da Imaculada Conceição” (também conhecida como Nossa Senhora do Castelo).


É também importante lembrar que  D. João IV, rei de Portugal, declarou Nossa Senhora da Conceição como padroeira do reino. Estavamos no ano de 1646 e uma decisiva batalha era travada em Montes Claros, Vila Viçosa. Em plena Guerra da Restauração contra Espanha, D. João IV, jurou e proclamou solenemente que Nossa Senhora da Conceição seria a Rainha e Padroeira de Portugal para sempre. Desde este dia, os reis portugueses deixaram de usar coroa na cabeça, privilégio reservado exclusivamente para a Imaculada Conceição. Nas cerimónias solenes monárquicas, a coroa passou a ser colocada em cima de uma almofada ao lado do rei. 


Mas já antes, D. Afonso Henriques se tinha colocado ao seu serviço e isto também nos lembra que conhecermos a nossa História, nos torna uma parte daquilo que somos. 


No dia 8 de Dezembro de 1854 o papa Pio IX decretava, solenemente, e para todo o mundo, o dogma da Imaculada Conceição da Virgem Maria. A reconfirmação da pessoa da Virgem Maria enquanto Padroeira de Portugal foi efectuada pelo Papa Pio XI, a 25 de Março de 1936. Na bandeira monárquica que representou Portugal, a cor azul era uma alusão a Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Portugal.


De facto, a santa é "muitas" e tem "muitos" nomes: Maria de Nazaré foi a mulher escolhida para gerar o filho de Deus, Jesus Cristo e em Portugal é mais conhecida como Senhora de Fátima, em Espanha já é a Senhora do Pilar, no Brasil é conhecida como a Senhora da Aparecida, no México é venerada como Senhora de Guadalupe, na Polónia é a Virgem Negra de Tchestócowa, e em França é a Senhora de Lourdes.


Fontes:


https://rr.sapo.pt/artigo/262692/quarta-feira-8-de-dezembro-de-2021


https://publicholidays.pt/pt/immaculate-conception/


https://www.igrejaacores.pt/imaculada-conceicao-uma-solenidade-religiosa-que-evoca-a-historia-de-portugal/


https://esplpalavras.wordpress.com/2017/12/19/feriados-de-1-e-8-de-dezembro/


 


 

03/12/2022

Dia Internacional das Pessoas portadoras de deficiência

Desde 1992 é celebrada esta data, na qual se tenta chamar a atenção para aspetos importantes da nossa sociedade como as Acessibilidades. Olhem à vossa volta quando saírem para ir beber um café, ou para ir comprar leite a um hipermercado. Esse espaço é acessível? Uma pessoa com cadeira de rodas conseguiria sair da vossa casa e chegar ao café sem ajuda de outras pessoas?


A data tem como principal objetivo a motivação para uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e a mobilização para a defesa da dignidade, dos direitos e do bem-estar destas pessoas. Neste dia, debate-se a independência e a autonomia das pessoas com deficiência, bem como a criação de condições de inclusão destes cidadãos. Existe uma estimativa, de acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) que cerca de 15% da população mundial vive com algum tipo de incapacidade (motora, visual, auditiva, etc). Além disso, que entre 2% a 4% da população com mais de 15 anos vive com alguma dificuldade funcional. Em Portugal, segundo os últimos dados da Saúde e Incapacidades (de 2011) feito pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) cerca de 16% dos portugueses (entre 15 a 64 anos) tinham simultaneamente problemas de saúde prolongadas e dificuldades na realização de atividade básicas do dia-a-dia (ver, ouvir, andar, sentar, levantar, comunicar, memorizar, etc). As mulheres são as mais afetadas pelas doenças prolongadas, de acordo com o estudo, e a idade mais crítica é entre os 55 a 64 anos (a última faixa etária analisada).


De acordo com a “Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, as pessoas com deficiência devem ter acesso “em condições de igualdade com os demais, ao ambiente físico, ao transporte, à informação e comunicações, incluindo as tecnologias e sistemas de informação e comunicação e a outras instalações e serviços abertos ou prestados ao público, tanto nas áreas urbanas como rurais”.


A legislação afirma também que os “edifícios, estradas, transportes e outras instalações interiores e exteriores, incluindo escolas, habitações, instalações médicas e locais de trabalho” devem ser acessíveis a todas as pessoas com mobilidade reduzida no país. Nesse cenário, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e o digital têm um papel preponderante, porque são um facilitador e um fator de inclusão, sendo essenciais para remover barreiras e contribuir para uma vida independente. Mas para isso, os serviços digitais precisam de ser acessíveis e fáceis de utilizar e o site acessibilidade.gov.pt há muito se assumiu como a referência para a acessibilidade digital em Portugal. O Decreto-Lei n.º 163/2006 estabelece normas e diretrizes para os projetos de construção dos prédios públicos e também em ruas para serem seguidas.


Mas infelizmente... ainda é uma utopia!


A acessibilidade em Portugal e no mundo é um fator extremamente importante para a qualidade de seus cidadãos e também para a integração e participação na vida pública. Poucos edifícios têm sequer uma simples rampa à entrada e quando têm, raras são as que estão de acorda com a inclinação adequada e segura para que uma pessoa portadora de deficiência física se possa movimentar. Se falamos em lojas, quantas permitem a livre circulação sem embater em obstáculos e armadilhas?


Qualquer um de nós é um potencial utilizador. Não é necessário nascer com deficiência. Podemos ter uma doença degenerativa (como eu tenho), precisar de fazer uma cirurgia ou ter um acidente de viação, um atropelamento, uma queda...


 


Fontes:


https://www.aepombal.edu.pt/a-semente/dia-internacional-da-pessoa-com-deficiencia-2/


https://www.acessibilidade.gov.pt/blogue/categoria-noticias/dia-internacional-das-pessoas-com-deficiencia/


https://www.eurodicas.com.br/acessibilidade-em-portugal/


 

01/12/2022

Hoje é (também) dia de Portugal

Hoje é feriado em Portugal. Dia de ficar em casa - o frio convida a isso mesmo - de descansar ou estar em família, mas é na História que encontramos as razões para este feriado. Assinala-se hoje o dia da Restauração da Independência de Portugal, acontecimento histórico que se registou no ano de 1640.


D. Sebastião, rei sem descendência, avança para a Batalha de Alcácer onde acaba por perder a vida. O trono de Portugal foi inicialmente entregue ao seu tio-avô, o Cardeal D. Henrique. Após a sua morte, em 1580, os principais candidatos ao trono de Portugal eram os netos de D. Manuel I: D. Catarina de Bragança, D. António-Prior do Crato e Filipe II (rei de Espanha). D. Filipe II, governa durante 60 anos, mantendo o seu compromisso de respeitar a autonomia de Portugal, manter os seus usos e costumes, a língua, a bandeira, a moeda, assim como a nomear portugueses para a sua administração.


Porém, os seus sucessores, Filipe III e Filipe IV, começaram a ignorar as suas promessas, e o país acabou por perder efetivamente a sua independência, o que motivou um progressivo descontentamento da maioria dos portugueses.


Neste contexto, aproveitando-se de uma conjuntura interna e internacional favorável, no dia 1 de dezembro do ano de 1640, um grupo de nobres portugueses revoltou-se contra o domínio espanhol. Conhecido como os “40 conjurados”, reuniram-se no Palácio dos Condes de Almada (um dos conjurados era o nobre Antão de Almada), para depois levarem a cabo o golpe que os levaria a invadir o Paço Real, afastar a duquesa de Mântua e a matar Miguel de Vasconcelos, o representante da Espanha em Lisboa. Derrubado o domínio castelhano, Portugal voltou a ser um reino independente, iniciando-se uma nova (e última) dinastia com a aclamação do duque de Bragança, D. João IV, como novo rei de Portugal. D. João IV, devolveu a independência política, financeira e fiscal a Portugal e anulou os impostos criados pela dinastia filipina. Só em 1668 é que os espanhóis consideraram Portugal como um reino independente, com a assinatura do Tratado de Lisboa.


Desde 1823, primeira comemoração oficial da Restauração da Independência, que este dia é comemorado, passando a feriado nacional na segunda metade do século XIX.  É o feriado civil mais antigo, tendo sido o único que se manteve, vindo da monarquia, após a revolução republicana de 1910 (salvo entre 2013 e 2016).


Fontes:


https://forum.pt/forum/o-que-significa-a-restauracao-da-independencia


https://amensagem.pt/2022/12/01/palacio-da-independencia-1-dezembro-largo-de-sao-domingos/


 


 

04/03/2022

Infância 2020

Pensemos hoje nas nossas crianças. As crianças 2020. 

Será que vão crescer crianças mais fortes, mais realistas, humanos e tolerantes, ou será que ao lhes matarmos a inocência tão cedo as vamos fazer adultos mais amargurados, desumanos e intolerantes? Tiveram de aprender a lidar com uns bichinhos que ninguém vê mas que afastam os pais dos filhos, obrigam a ficar em casa sem os amigos. Aprenderam cedo a usar as tecnologias para assistir a uma aula que devia ser de olhar fixo no professor e não numa tela de uma videoconferência. Aprenderam que os fins de semana são mais seguros em casa a ver desenhos na televisão ou a jogar contra os primos pelo tablet, do que a correr no parque e a cair de uma pereira doce.

As nossas crianças que aprenderam e nos ensinaram que lavar as mãos e não dar beijos era importante, que usar máscara evitava que ficassem doentes e que as vacinas salvam a vida de milhares, têm de aprender agora que as balas e os mísseis matam crianças a leste, que as mães choram agarradas nos seus filhos sem saber onde vão, os pais se despedem sabendo que não se voltarão a ver. Não os podemos guardar num casulo fechado em que só entram balões, unicórnios e beijinhos, pois não? 

As nossas crianças são seres fantásticos! Juntam-se e querem enviar comida e brinquedos para os outros meninos que fogem da guerra. Aprenderam que o vírus se espalha, mas que o amor se pode espalhar ainda mais e têm esperança que esse amor pelo outro vença as diferenças.

Mas quem serão estas nossas crianças no futuro? Que papel terão neste mundo que estamos a moldar para eles e que vão herdar de nós? 

03/03/2022

Dois anos de pandemia

Acordamos agora sem que a primeira manchete seja o Covid, a pandemia, os mortos... ah sim, afinal acordamos com mortos mas estes não são da pandemia que durante dois anos assolou o país, a Europa e o resto do mundo, agora os mortos são Ucranianos e Russos, famílias desfeitas de um dia para o outro. Acordamos agora com preços a subir, quando deveriam estar a descer. Acordamos solidários com um povo em fuga, sem sabermos se ou quando vamos ser nós a precisar de ajuda.


A vida é estranha e ensina-nos que não devemos dar nada como garantido. De que vale uma boa casa, um grande carro se podemos perder tudo de um dia para o outro com um missil? 


Dois anos passados do início da pandemia, Portugal deveria estar agora a dar os primeiros passos para que tudo voltasse ao normal mas sem nos deixarem sequer respirar atiram-nos direto mais para o fundo de um buraco do qual não sabemos quando vamos emergir. 


Temos a sorte de viver num país em paz, em que estamos a vencer a batalha contra o Covid, mas que ainda não se vai recompor tão cedo das duras provações a que fomos sujeitos nos últimos dois anos. Porque não nos permitem que respiremos, sem sombras na nossa mente que nos ofusquem os sonhos?

02/03/2022

Dos heróis...

... que as guerras fazem, vão-se ouvir histórias. 

Ninguém vai esquecer que um homem, Zelenski, que de olhar cansado, dá força a um país em guerra e pede ajuda aos países vizinhos, sem nunca se rebaixar perante o ataque indiscriminado a que a sua população está a ser sujeita.

Pode morrer, ele sabe bem disso, mas não saiu do seu país, onde tenta ainda controlar as suas tropas, manter as suas fronteiras e salvar as principais cidades. Às pessoas foram pedidas duas coisas: que se abrigassem ou que fugissem, no caso das mulheres, crianças e idosos, que lutassem e defendessem as suas ruas e casas, aos homens em idade e condições de conseguir lutar.

Que nunca se esqueçam que nos hospitais, já com poucos meios devido a esta bárbara invasão, estão crianças a lutarb contra doenças, contra cancros, contra a morte e que agora têm de lutar contra bombas que caem indiscriminadamente. Não é uma guerra justa - se houvesse justiça na guerra - quando se atacam hospitais, infantários, bairros residenciais. Quando se espera pela luz do dia, quando as pessoas tentam ir comprar pão e água, para se atacar edifícios onde ao lado estão pessoas a aguardar numa fila de supermercado. 

Era bom que não tivessemos de falar em heróis, em soldados, em jovens mortos de ambos os lados nem em mães de colo vazio que choram na mesma língua da dor.

28/02/2022

Que motivos...

... podem existir para um país atacar outro?


Penso no tempo das cruzadas, nas descobertas de novas terras, da expansão marítima de que nos fala a história. Afinal pouco evoluímos! Seremos assim tão ávidos de terra nova? Precisaremos de terras para cultivar, área para construir?


Não será muito diferente embora possamos pensar que evoluímos um pouco, é a ganância que motiva cada ataque, cada invasão.


A Ucrânia é rica na produção de milho, batata, mas não é atrás de legumes nem grão que a Rússia está! É dos depósitos de gás, do Urânio e, claro, da grande capacidade em energia nuclear.


As centrais, essas, já ali deram que falar (e ainda preocupam) mas agora estamos em pé diferente: agora passam mísseis a  rasar as infraestruturas. Se algum arranhar sequer um desses tanques, o resultado será inimaginável. Ainda não as quiseram rebentar por razões óbvias, seria cometer suicídio também, poluindo as terras e a atmosfera de ambos os países por muitos e muitos anos, atingindo outros países ao redor numa extensão que não poderemos sequer imaginar!


Não rezo porque não acredito. Acredito na humanidade, ainda consigo acreditar que as pessoas se podem juntar e lutar, que podem chegar a um compromisso, a um entendimento e, que alguém mais corajoso, consegue derrubar o regime russo e não deixar que estenda as suas garras até nós, que nos designamos europeus!

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...