12/02/2019

Dia Internacional contra o uso de Crianças-soldado

12 de fevereiro foi a data escolhida para alertar a comunidade internacional para esta trágica e chocante realidade que afeta  centenas de crianças que continuam a ser raptadas, abusadas e utilizadas em conflitos armados. Entende-se por criança-soldado qualquer pessoa que tenha menos de 18 anos e faça parte de qualquer tipo de força armada organizada ou não organizada. A definição refere-se também a crianças que usem ou tenham usado armas e aplica-se a crianças que possam ter desempenhado no grupo armado funções tão diversas como transportar equipamentos, cozinhar ou servir de mensageiros. Neste momento, a definiçaõ inclui também as raparigas que tenham sido recrutadas para fins sexuais ou para «casamentos» forçados.


Estima-se que existam cerca de 250 mil crianças soldados, recrutadas à força em conflitos armados em mais de 20 países em todo o mundo. Estes meninos e meninas perdem o direito a brincar, a sonhar, a ser crianças. Estas crianças, correm sérios riscos de rapto, mutilação ou de morte, de serem recrutadas como soldados, de exploração e abusos sexuais. Ficam ainda privadas do acesso à saúde, à escola, ou mesmo a uma casa. Em 2007, durante a Conferência Internacional de Paris sobre as Crianças-soldado, os 58 países presentes comprometeram-se a lutar pela libertação incondicional destas crianças. Entre os compromissos assumidos num documento que resultou da conferência, pede-se aos Estados que as crianças-soldado sejam vistas como vítimas antes de serem acusadas de crimes aos olhos do direito internacional. A fragilidade dos acordos de paz assinados pelas partes envolvidas nos conflitos e tantas vezes violados também contribui para o fracasso da tentativa de desmobilização das crianças-soldado. Acresce que muitas das crianças ex-soldado quando regressam a casa não têm já uma estrutura familiar à sua espera.


No Afeganistão, as crianças chegam a ser usadas como bombistas suicidas, para fabricar armas ou transportar explosivos. Crianças e jovens em condições mais vulneráveis são os alvos preferenciais de governos, regimes e grupos armados. A guerra é apresentada como ato de heroísmo, no “marketing militar”.  o recrutamento de crianças é sempre muito fácil e a sua preparação para o campo de batalha torna-se muito simples. Elas são facilmente aliciadas – quando não raptadas –, facilmente treinadas para cumprir as ordens mais atrozes, são mais obedientes, não questionam ordens, são manipuláveis e sobretudo mais controláveis. A sua imaturidade não lhes permite ter discernimento sobre os atos que cometem, não são capazes de medir as consequências das suas ações, nem valorá-las, pois os mecanismos de limitação de comportamento estão ainda em fase de desenvolvimento pelo que, nos ambientes mais hostis, tomam atitudes que não seriam tão facilmente tomadas por adultos.


No Iraque e na Síria, as crianças com 12 anos, são submetidas a treino militar, sendo posteriormente usadas como informantes ou em patrulhas, em postos de controlo ou para guardar pontos estratégicos. Em alguns casos, também são utilizadas como bombistas suicidas ou para levar a cabo execuções. Na República Democrática do Congo, cerca de duas mil crianças estão a ser utilizadas por grupos armados sobretudo nas províncias orientais do Kivu do Norte e do Sul. 


Cerca de 40% das crianças soldados são meninas. A maioria sofre violência sexual. Se conseguem fugir, podem enfrentar o preconceito da família por terem sido violadas. O Boko Haram, responsáveis pelo sequestro de 276 meninas, em janeiro de 2015 usa uma  “menina-bomba”, de apenas 10 anos, num atentado a um mercado da cidade de Maiduguri, nordeste da Nigéria.  Na Colômbia, o alistamento voluntário de meninas é um modo de empoderamento e fuga de situações de violência, mas violência e discriminação acompanham-nas durante o período junto ao grupo armado e na sua reinserção na sociedade.


No Uganda, após o golpe de estado na República Centro-Africana, em 24 de Março de 2013, tornou-se mais difícil para as crianças-soldado ugandesas – raptadas para ingressarem nos grupos rebeldes que atuam naquele país– regressarem à sua terra natal.


 

Fontes:


https://www.acegis.com/2016/02/dia-internacional-contra-a-utilizacao-de-criancas-soldado/


https://www.apagina.pt/?aba=7&cat=166&doc=12279&mid=2


https://veja.abril.com.br/mundo/aos-12-anos-fui-uma-crianca-soldado


https://www.acn.org.br/republica-centro-africana-impede-o-retorno-de-criancas-soldados-ugandesas/


https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/27808


 

11/02/2019

A boa e velha crítica social no Carnaval de Sesimbra

Este ano, vou aqui contar um pouco do que é uma das maiores tradições de Sesimbra. É que o nosso Carnaval não está apenas nos desfiles grandiosos, que a (quase) todos contagiam! É muito mais do que isso. Quando falamos do Carnaval de Sesimbra não podemos apenas falar nas Escolas de Samba e nos grupos de Axé que desfilam. Há todo um "mar" de gente, inserida em coletividades e grupos que preparam grandes momentos do mais tradicional Carnaval.


Sesimbra é um dos poucos locais do país que ainda mantém viva a tradição das Cegadas e das Cavalhadas, um costume da nossa zona rural, com mais de cem anos. Podemos ver aqui um ensaio do grupo de Cegantes de Alfarim.


Podemos aqui ver também uma das atuações do grupo, no Zambujal. As cegadas, "com mais de cem anos" são a voz do povo, que a brincar com as palavras fazem uma crítica social, à boa maneira popular, com malícia mas sem maldade. São uma espécie de teatro popular satírico originário das zonas mais rurais do concelho. "Em verso, e acompanhados à guitarra, o grupo" apresenta, "ao estilo das antigas canções de escárnio e maldizer, alguns dos acontecimentos mais marcantes da sociedade portuguesa." Podem criticar o país, ou o senhor do talho da aldeia, um presidente de um clube, o presidente da república ou o chefe dos correios. Todos podem ser visados e é nas entrelinhas dos textos que escrevem e que depois nos põem a rir, que vão deixando a sua marca e a sua alfinetada!


Já nas Cavalhadas, "um costume típico das zonas rurais e no concelho de Sesimbra" e que "têm acompanhado várias gerações", as habilidades são outras. Demonstrando a sua perícia, um grupo de homens, a cavalo, de bicicleta ou de mota, vão recriando hábitos medievais.


Na noite de quarta-feira, há também tradição de se fazer o Enterro do Bacalhau. O Um "cortejo, que encerra os festejos carnavalescos no concelho" e que "conta a história de um defunto que teve uma vida muito preenchida e animada. A acompanhar o "Bacalhau" (o morto) pelas ruas da vila, vai a "viúva", as recém conhecidas "amantes", o "padre", e os "amigos" que o vão chorando! É uma galhofada.


Fontes:


https://www.coolture.pt/event/carnaval-de-sesimbra-2018-programa-geral/


https://www.sesimbra.pt/noticia-72/enterro-do-bacalhau-marca-fim-dos-festejos-de-carnaval-em-sesimbra


 

09/02/2019

Tragédia nas camadas jovens do Flamengo

Um incêndio que cause vítimas mortais é já por si uma tragédia, mas acho que ninguém fica indiferente, quando as vítimas são todas jovens elementos da mesma equipa de futebol. A tragédia aconteceu no Brasil, "no Centro de Treinamento do Flamengo no início da manhã desta sexta-feira". As dez vítimas "tinham entre 14 e 16 anos." De acordo com declarações prestadas por um porta-voz do Flamengo, "há três jovens internados, dois deles em situação estável e conscientes; o terceiro está em estado grave" uma vez que ficou com "cerca de 40% do corpo queimado."

"O fogo destruiu parte dos alojamentos do Ninho do Urubu," assim chamado pela ave que é a mascote do clube e que se localiza "em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio." De acordo com informações dadas pelo jornal "Globoesporte, o incêndio terá começado no quarto de Felipe Cardoso, médio da equipa Sub-17 que chegou esta semana ao Flamengo vindo do Santos," e terá tido provavelmente origem num curto-circuito numa instalação de ar condicionado.

A estrutura principal "conta com cinco campos de futebol, alojamentos, ginásio e um parque aquático," mas esta seria uma construção ilegal, constituída por seis contentores interligados entre si e para a qual já estaria prevista a demolição. De facto, a estrutura onde os jovens tinham ficado alojados, também "não tinha certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros, que atesta a existência e o funcionamento dos dispositivos contra incêndio previstos pela legislação vigente" no Brasil. O Munícipio local "informou que lavrou 30 autos de infração contra o Centro de Treinamento do Flamengo," uma vez que estaria a funcionar "sem o alvará de aprovação dos Bombeiros."


(imagem: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/08/incendio-deixa-mortos-e-feridos-no-centro-de-treinamento-do-flamengo.ghtml)


Fontes:

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/02/08/incendio-deixa-mortos-e-feridos-no-centro-de-treinamento-do-flamengo.ghtml

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-47169580

https://observador.pt/2019/02/08/incendio-no-centro-de-treinos-do-flamengo-faz-pelo-menos-10-mortos/

08/02/2019

30 anos, depois do maior desastre aéreo nos Açores

Durante a década de 1980, a ilha de Santa Maria, nos Açores era um ponto de paragem obrigatória para os voos que cruzavam o Atlântico, ligando os continentes europeu e americano.

No dia 08 de Fevereiro de 1989, o boeing 707, da Independent Air, com 144 pessoas a bordo, com origem em Bergamo, na Itália, tinha como destino a República Dominicana, nas Caraíbas, fazia uma escala técnica no aeroporto de Vila do Porto, em Santa Maria, ilha do grupo oriental dos Açores. Este era um voo "charter que transportava 137 turistas italianos e 7 tripulantes americanos." A paragem no Aeroporto de Santa Maria, nos Açores, era estritamente técnica para reabastecimento de combustível, antes de a aeronave prosseguir a longa viagem transatlântica até à República Dominicana

Por algum motivo, a aterragem não foi conseguida e a aeronave acabou por se despenhar no Pico Alto.

O cenário encontrado pelas equipas de salvamento, era de terror. O silêncio era absoluto. Nenhum dos ocupantes sobreviveu ao embate. Nos dias que correm, a ilha já dispõe de cobertura por radar, o que naquela altura não acontecia. A falta de comunicação entre o piloto e a torre de controlo, levou a que a aeronave tivesse descido abaixo dos 2000m de altitude, embatendo assim na montanha.

Relatórios posteriores apontam alguns erros humanos. A torre de controlo autorizou a descida até aos 3.000 pés (a altitude mínima de segurança para o setor). No entanto, devido a uma deficiente técnica de comunicação e à sobreposição de transmissões de rádio, o copiloto compreendeu e repetiu 2.000 pés. O controlador não se apercebeu do erro na resposta. Como consequência deste conjunto de falhas, o Boeing 707 atravessou "uma densa camada de nuvens", embatendo diretamente no Pico Alto (o ponto mais elevado da ilha, com cerca de 547 metros), resultando na morte instantânea de todos os ocupantes. Devido às pesadas indemnizações e à publicidade negativa, a companhia aérea encerrou definitivamente em 1990.

Fontes:

https://en.wikipedia.org/wiki/Independent_Air_Flight_1851

https://www.gpiaaf.gov.pt/upload/processos/d054110.pdf


07/02/2019

Faleceu a atriz Cremilda Gil

Faleceu a atriz Cremilda Gil. a atriz de 91 anos, que vivia há muitos anos na aldeia de Malarranha, concelho de Mora, no Alentejo, nasceu nas Caldas da Rainha, a 23 de fevereiro de 1927. A sua ligação ao teatro começou como atriz no Conjunto Cénico Caldense, nas Caldas da Rainha. Estreou-se como atriz profissional em 1959, no Teatro Nacional D. Maria II na peça "Diálogos das Carmelitas".

Em 1961, estreia-se no cinema com o filme "Raça", de Augusto Fraga. Passa por várias companhias teatrais como o Teatro Estúdio de Lisboa ou Teatro Ádóque. Na televisão fez teleteatro; séries; telefilmes e telenovelas. Participou na primeira telenovela portuguesa Vila Faia, mas entraria também em Retalhos da vida de um médico, Sabadabadu, Vila Faia, Origens, A relíquia, A morgadinha dos canaviais, O Mandarim, Cinzas, As Aventuras do Camilo, A Lenda da Garça e Inspector Max.

No teatro, atuou em Madame Sans-Gêne no D. Maria II, Sinhá Eufémia e António Marinheiro, no Teatro Villaret, Pimpinela, no Monumental, em Lisboa, mais recentemente, no Teatro da Terra em A casa de Bernarda Alba e A maluquinha de Arroios.

No cinema foi dirigida por António Macedo, em Domingo à tarde, por João Botelho em Um adeus português e Aqui na Terra e por Manoel de Oliveira em A divina comédia. Em Cruz de Ferro (1967), um dos últimos trabalhos do realizador Jorge Brum do Canto, contracenou com Octávio Matos (do qual infelizmente também dei conta aqui da morte ainda há poucos dias).

 Ao longo da sua carreira fez vários trabalhos em cinema e televisão, entre eles as famosas novelas da TVI Todo o Tempo do Mundo, em 1999, Olhos de Água, em 2001, e a série Inspetor Max, em 2005. Participou também em Entre as mulheres, um telefilme de 2012, foi o seu último trabalho em televisão.


Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/morreu-a-atriz-cremilda-gil-10554686.html

https://www.publico.pt/2019/02/08/culturaipsilon/noticia/morreu-actriz-cremilda-gil-91-anos-1861261

https://www.delas.pt/morreu-a-atriz-cremilda-gil/atualidade/544354/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cremilda_Gil

03/02/2019

Octávio Matos



Octávio Matos, o homem que dizia ter pena de se ir embora, deixou-nos com 79 anos. O ator foi encontrado sem vida em sua casa, desconhecendo-se ainda as causas de morte. Ficou conhecido do grande público por séries como "Nico D'Obra".


Foi um dos mais famosos atores de revista da sua geração, tendo também atingido sucesso em diversos programas de humor na televisão.


Octávio Rogério da Costa Matos nasceu no Porto, a 5 de abril de 1939, no seio de uma família ligada ao teatro. Octávio Matos pisou pela primeira vez um palco, com 4 anos, onde fazia ilusionismo, ao lado do pai (considerado um dos melhores ilusionistas do mundo). Em teatro, Octávio Matos estreou-se nos palcos aos 17 anos, também ao lado do pai em Abril de 1956, no Teatro Nacional de Luanda, em África, no registo de comédia.


Do ABC ao Maria Vitória, o seu nome fica associado a uma série de marcos na história da Revista à Portuguesa. Remonta a 1965, a sua estreia no cinema, com “O Parque das Ilusões”, de Perdigão Queiroga, e se a relação com a sétima arte não ficaria por aqui, é através da televisão que reforça o seu vínculo com o grande público, quase sempre através do registo cómico.


Na RTP, Octávio Matos começou por fazer Teleteatro. Entre várias peças, protagonizou “Uma Bomba Chamada Etelvina”, em 1988. Mas muito antes disso, na década de 70, já tinha entrado no “Álbum da Feira”, onde o vemos a contracenar com Ivone Silva. Foi a Londres ver a peça "Sexo nunca, somo britânicos", para depois a executar de forma brilhante em Portugal.


No cinema, Octávio Matos fez um brilharete com o filme “Cruz de Ferro”, onde ganhou todos os prémios que havia para ganhar. Depois disso e apesar de todos os prémios, ficou sete anos sem filmar.


Em 2000, protagoniza, juntamente com Guilherme Leite e Carlos Areia, a série cómica “Bacalhau com Todos” e participa na série “Camilo, o Pendura” (2002). 


Também para a RTP, Octávio Matos entrou nas telenovelas “Primeiro Amor” (1996), “Terra Mãe” (1998) e “Ajuste de Contas” (2000).


O ator recebeu a medalha de mérito, em 2007, pela Câmara Municipal de Lisboa, e deixa, na memória de todos os portugueses, uma carreira notável, que passou pelos palcos do teatro e pelos três canais generalistas. 


O curriculum inclui também outras séries como “Eu Show Nico”, “Nico D’Obra”, “Nós os Ricos”, "Os Batanetes" e “O Prédio do Vasco”.


Em 2016, emprestava a sua voz a uma das personagens de “O Panda do Kung Fu 3”. Estreou o espetáculo "Quem é o Jeremias?" no teatro Vilarett, uma comédia escrita e encenada por Isabel da Mata (substituída depois por Paula Marcelo).


Fontes:


https://observador.pt/2019/02/03/morreu-o-ator-octavio-de-matos/


https://media.rtp.pt/agoranos/artigos/recordar-carreira-octavio-matos


 



26/01/2019

Vida perdida... no fundo de um poço

Infelizmente, as tentativas de alcançar o pequeno Julen terminaram hoje da pior forma, com o resgate do corpo sem vida do menino.


Acredito que já se soubesse deste facto, mas o ânimo tinha de ser de alguma forma mantido até ao máximo que se conseguisse. Não se queria que as esquipas desistissem, que deixassem de ter uma réstia de esperança. No fundo, a maior parte, já tinha pressentido, ou até percebido que a criança já não estaria viva. Como poderia estar? Se logo depois de cair, a terra o cobriu e o seu choro se deixou de ouvir?


As equipas de resgate que desceram por um túnel paralelo ao furo de água onde caiu o bebé Julen conseguiram chegar ao corpo do menino à 01:25 deste sábado (00:25 em Lisboa). Que dor a destes pais!


A informação foi noticiada cerca de uma hora depois dos mineiros terem chegado ao corpo do bebé e confirmada pelo delegado do governo da Andaluzia.


Foi uma operação quase sem precedentes, que comoveu o país e envolveu centenas de pessoas e dezenas de empresas.


O buraco onde a criança caiu tem cerca de 25 centímetros de largura e 110 metros de profundidade. Quando os primeiros bombeiros chegaram – membros da corporação de Rincón de la Victoria, - analisaram o buraco e logo perceberam a magnitude do problema: a estreiteza tornava impossível para um especialista descer para resgatar Julen. 




 

Embora numa primeira tentativa tenha sido introduzido no poço um telemóvel amarrado a uma corda para tentarem ver como estava o menino, mais tarde foi possível usar uma câmara robótica colocada à disposição da equipe por uma empresa especializada. Quando chegou a 71 metros de profundidade, atingiu um bloqueio de areia.

 

Foram feitos esforços para eliminar o obstáculo com diferentes modalidades de sucção, mas só conseguiram remover alguns centímetros de terra porque os materiais estavam muito compactos. Nesse momento outras formas de resgate começaram a ser analisadas.

 


As opções levantadas depois disso para se chegar ao local onde Julen está mudaram com o passar dos dias. A primeira era fazer uma escavação horizontal com uma máquina, mas após alguns testes realizados, esta alternativa foi descartada. Em seguida, surgiu a ideia de cavar dois poços verticais paralelos àquele onde Julen caiu. Para fazer isso seria necessário rebaixar 30 metros de terra da encosta afeta.


Por fim, pararam a uma cota de 23 metros (40.000 toneladas de terra já tinham sido retiradas) e decidiram fazer apenas uma das perfurações, para acelerar o processo.


Esta encosta, chamada Complexo Maláguide, tem afloramentos de rochas calcárias, xisto, filito e ardósia. Além disso, tem também quartzito intercalado, além de materiais de decomposição que provocam instabilidade nos taludes, o que causa preocupação com a segurança dos operários. A impossibilidade de desenvolver estudos geológicos preliminares fez com que as equipas se fossem deparando com cada um desses veios –de maior ou menor dureza– praticamente de surpresa. Também tiveram de refazer os caminhos de entrada à fazenda onde o poço está localizado para permitir o acesso de máquinas muito pesadas, algumas com 75 toneladas.


Cada passo dado foi cuidadosamente analisado e houve reuniões diárias. Os membros da Brigada de Salvamento dos Mineiros são um bom exemplo da alta capacitação dos profissionais que trabalham nas buscas. Ninguém mais experimentado do que estes mineiros para executar a tarefa numa galeria horizontal a cerca de 60 metros de profundidade com pouco mais de um metro quadrado de espaço.


Participaram também 13 engenheiros e equipes especializadas de bombeiros da Coordenação Provincial de Málaga. 


Mais de 300 pessoas trabalham em turnos desde o dia 13 no resgate da criança. Os efetivos pertencem à Guarda Civil, Defesa Civil, Grupo de Emergências de Andaluzia (GREA), Ordem de Psicologia da Andaluzia Oriental, Polícia Nacional, Coordenação Provincial de Bombeiros do Conselho Provincial de Málaga, Brigada de Salvamento dos Mineiros. Há ainda técnicos de diferentes empresas privadas.




 

Para que pudessem cavar o túnel horizontal que lhes levou aonde estava Julen, superaram numerosos obstáculos e tiveram de tomar grandes medidas de segurança. Tiveram, inclusive, de realizar quatro vezes pequenas detonações de explosivos para derrotar a rocha.

 


Os pais, durante todo este processo ficaram alojados numa casa cedida por uma habitante da localidade, estão alojados há alguns dias Muitas mulheres também contribuiram fazendo refeições todos os dias para todos os envolvidos na operação. E o mais importante foi terem estado lá, de mãos dadas com os pais nos momentos angustiantes que viveram.


Fontes:


https://tvi.iol.pt/noticias/internacional/espanha/mineiros-encontarram-bebe-julen-sem-vida-dentro-do-furo


https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/26/internacional/1548457286_994515.html


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...