01/05/2023

1º de maio

O 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, teve origem nos acontecimentos de Chicago de 1886 quando se realizou uma jornada de luta pela redução do horário de trabalho para as oito horas. 

A homenagem remonta ao dia 1 de maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Durante a manifestação houve confrontos com a polícia, o que resultou em prisões e mortes de trabalhadores. Este acontecimento serviria de inspiração para muitas outras manifestações que se seguiriam. Em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.

O Dia Internacional do Trabalhador, passou assim a ser uma data comemorativa internacional, dedicada aos trabalhadores, sendo feriado em muitos outros países como é em Portugal.

Encontramos registos mais antigos, em relação a manifestações que hoje chamaríamos de sindicais. Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários. No nosso país, a data para as celebrações do 1º de Maio, foi decidida no Congresso Socialista de 1889, como uma campanha internacional a favor das oito horas de trabalho. Assim, os trabalhadores aderiram a esta comemoração e sob o olhar de D. Carlos, nasceram os encontros da massa de trabalhadores, no que eram secundados pelos patrões, que se consideravam oficiais dos mesmos ofícios.

A comemoração centrava-se num desfile que atravessava a Avenida da Liberdade e seguia até ao Cemitério dos Prazeres, onde eram colocadas flores no túmulo de José Fontana, republicano socialista que levantara o movimento operário em Portugal.

A manifestação era organizada pela Federação das Associações Operárias, com bandas de música que tocavam o Hino do 1º de Maio, composto pelo pianista Eduardo Garrido. A cidade apresentava-se de traje domingueiro e alinhava no cortejo, que contava ainda com carros alegóricos que a Associação da Classe correspondente enfeitava.

Portugal enfrentava uma época económica problemática, devido aos conflitos que existiam entre os países imperialistas e à crise argentina, que culminou em Portugal com a falência da casa bancária Baring & Bros, os banqueiros do Estado Português.

No século XIX foi reconhecido o direito de associação aos trabalhadores, o que possibilitava a formação das associações de classe, a que se seguiu a regulamentação, por parte do Estado, do trabalho das mulheres e dos menores nos estabelecimentos industriais. Mas o movimento operário chegou mais longe e empenhou-se na conquista das melhorias laborais e sociais, promoveu ações culturais e de desenvolvimento da educação. Conta-se que no 1º de Maio de 1900 se juntaram em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que “as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia”.

Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador.

Em 1933 é decretada a “unicidade sindical” e o “controle governamental dos sindicatos” esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado. O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.

Em 2023, as ruas continuam cheias e uma das novidades deste ano é a Agenda do Trabalho Digno e de Valorização dos Jovens no Mercado de Trabalho que entra hoje em vigor. Esta Agenda é composta por 70 medidas que trazem alterações nos contratos, nos despedimentos e nos direitos dos trabalhadores. De acordo com o Governo, estas medidas pretendem combater a precariedade laboral, melhorar as condições de trabalho e a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional.

O Executivo pretende também identificar irregularidades no mercado de trabalho. Para isso, garante que vai reforçar os mecanismos de fiscalização, apostando no cruzamento de dados entre várias entidades. A semana de quatro dias também está na agenda. Ainda este ano vai ser desenvolvido um projeto-piloto, de base voluntária e sem perda de rendimento.

Apesar destas medidas trazerem melhorias para muitos trabalhadores, a verdade é que ainda há muito a fazer para combater a precariedade laboral e as desigualdades, especialmente ao nível das progressões na carreira e na atribuição mais justa de ordenados.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/pais/2023-04-30-O-que-muda-no-mercado-de-trabalho-a-partir-de-1-de-maio--ad80cf05

https://sicnoticias.pt/pais/2023-05-01-Dia-do-Trabalhador-comemora-se-em-varios-pontos-do-pais-029dc891

https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador

https://www.mulherportuguesa.com/lazer/festas-tradicoes/1-de-maio-dia-do-trabalhador/

30/04/2023

As armas nas mãos erradas

Setúbal, perto do Bairro da Bela Vista, o bairro Azul, acorda com tiros de caçadeira. Cedo, aproveitando as primeiras horas da manhã, um homem regava a sua horta, enquanto dois amigos esperavam a chegada de uns pombos. Os cães do atirador estariam a ladrar, entusiasmados com as movimentações que por ali se faziam sentir, talvez. O que se terá passado, as palavras proferidas, só eles terão sabido, o atirador matou os dois colombófilos e ainda o homem que regava a horta ali perto. Depois, disparou uma última vez e terminou com a sua própria vida. Em pouco tempo, se perderam quatro vidas e porquê? Por pombos? Pelo barulho do ladrar de uns cães?


Sem acesso a armas, teria a discussão ficado em palavras, talvez uns empurrões e umas ofensas verbais. Quatro mortos, não seriam de certeza. Valentes as pessoas que acorreram a ajudar e que nem se aperceberam na altura que também podiam ter sido vítimas deste homem, ainda de arma em punho e aparentemente, já sem nada a perder.


Segundo o site Notícias ao Minuto,  "as autoridades depararam-se com quatro corpos e uma arma, que foi, entretanto, apreendida."


Mais tarde, já com algumas informações adicionais, esclareceu-se que a idade do atirador, Cesário, seria de 65 anos, e embora inicialmente se desconhecessem os motivos, dava-se a conhecer para as câmaras que já haveria divergências entre os homens por causa dos terrenos e da criação dos animais e que Cesário, já tinha ameaçado os vizinhos. Embora outros dissessem para as câmaras que ele era um homem pacato, que já tinha trabalhado numa escola e que morava ali numas barracas, as opiniões começavam a divergir conforme se iam sabendo mais informações.


Crimes cometidos sem que percebamos os motivos são muitos pelo mundo fora, mas basta-nos olhar para as notícias do nosso país e vamos perceber que o uso de armas para defender terrenos e para defender a "honra" ainda é muito comum. Infelizmente, ainda é hábito empunhar-se uma caçadeira, levando-a para uma discussão! 


 


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2310692/desentendimento-sobre-pombos-levou-a-tiroteio-em-setubal-o-que-se-sabe


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/desentendimentos-antigos-na-origem-das-quatro-mortes-em-setubal


 

29/04/2023

Seita religiosa - crimes cometidos em nome de Jesus, no Quénia

Apoiando-se na sua própria interpretação da Bíblia, uma seita no Quénia, levava os seus seguidores a fazer um jejum forçado e mortal. As autoridades do Quénia procuram em valas comuns na floresta de Shakahola, no norte do país, onde há cerca de uma semana 90 corpos foram descobertos. Em Malindi, outros 17 corpos foram localizados em várias sepulturas. As autopsias posteriormente realizadas aos corpos de nove crianças, com idades compreendidas entre 1 e 10 anos, e de uma mulher, revelaram que as mortes foram causadas por fome e asfixia.


"Isto foi um abuso do direito fundamental de liberdade com o suposto uso da Bíblia para matar e causar um massacre. Aqueles que exortavam os outros a jejuar e morrer, comiam e bebiam e pretendiam prepará-los para encontrar o criador", declarou o Ministro do Interior do Quénia, Kithure Kindiki, no final de uma visita à região.


210 pessoas estão dadas como desaparecidas, entre elas 112 menores, possivelmente ligadas à seita autodenominada Igreja Internacional da Boa Nova. O líder, o alegado padre Paul Makenzie Nthenge, foi preso e acusado a 14 de abril, depois de duas crianças terem morrido à fome quando se encontravam ao cuidado dos pais, que seguiam as suas "obrigações" religiosas. Várias pessoas foram também resgatadas, na floresta de Shakahola, onde estavam escondidas. O número de vítimas pode aumentar enquanto se explora a região e se vão descobrindo mais sepulturas e valas comuns.


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/quenia/mortos/novo-balanco-indica-90-membros-de-seita-encontrados-mortos-no-quenia/20230426/6448cc2e0cf2cf92250432e0


https://cnnportugal.iol.pt/quenia/tragedia/quenia-quer-rever-regulacao-de-locais-de-culto-apos-tragedia-com-seita-religiosa/20230424/644625c90cf2cf922503e449


https://pt.euronews.com/2023/04/26/aumenta-o-numero-de-vitimas-do-jejum-fatal-de-um-culto-religioso-no-quenia


 

27/04/2023

Pensar sobre causas... o conflito no Sudão

De manhã, tenho por hábito acender a televisão enquanto me despacho para ir ouvindo as notícias. Hábito que ganhei desde menina e que continuou quando, nas noites em que estava de turno, a televisão e, em especial, os canais de noticiários eram a minha companhia. Destas incursões matinais por aquilo que se passa pelo mundo fora, ficam muitas vezes guardadas em mim imagens e frases que depois ao longo do dia se vão continuando a repetir na minha mente. Escrever sobre elas acaba por ser um escape de emoções.


Hoje tenho andado atormentada pelas imagens da guerra no Sudão. Sim, o mundo "todo" parece estar em guerra há muito, muito tempo, tempo. Mas parece que nos últimos dias, se voltou a "acordar" para esta zona do globo, falando-se mais do conflito de ocorre na zona de Darfur (ou conflito do Sudão). Para tentar (um pouco ingloriamente) compreender o que se passa, decidi então fazer algumas pesquisas. 


O Sudão tem uma história de conflitos entre o sul e o norte do país, que resultaram na primeira (1955-1972) e na segunda (1983-2005) guerras civis sudanesas (embora, para alguns, a primeira nunca tenha realmente acabado, apenas tenha havido um período de uma certa "paz" entre as partes). A segunda guerra civil, ocorreu quando o governo muçulmano do norte tentou impor a Charia em todo o país, inclusive no sul, onde a maioria da população é cristã e animista. Os conflitos deram-se maioritariamente na zona mais a sul do Sudão e foi uma das guerras mais longas e mais mortíferas do final do século XX, sendo o númro de mortos um dos mais altos do que qualquer guerra desde a Segunda Guerra Mundial.


Esta guerra termina após quase três anos de negociações, com a assinatura do Tratado de Naivasha a 9 de janeiro de 2005. Da assinatura deste tratado surgiu a região autónoma do Sudão do Sul.


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Existem três etnias predominantes na região: os furis (que emprestam o nome à região), os massalites e os zagauas, em geral muçulmanos da localidade ou seguidores de outras religiões.


Numa zona desértica da África Sub-Saariana, a combinação de décadas de secas, desertificação e superpopulação estão entre as causas do conflito do Darfur, onde os nómadas árabes bagaras, ao deslocarem-se em busca de água, levam os seus rebanhos de animais para o sul, onde estão terras ocupadas maioritariamente por comunidades agrárias.


A guerra entre fações arrasta-se desde 2003 e ainda ocorre nos dias atuais, com um saldo de milhares de mortos e milhões de refugiados, embora os números alarmantes não gerem tanta atenção e debate no âmbito político internacional.


Segundo a Organização das Nações Unidas, já morreram mais de 300.000 pessoas e 2,7 milhões tiveram de abandonar as suas terras e fugir para outras regiões, principalmente para o Chade, país vizinho localizado a oeste.


Depois da queda do presidente Omar Al-Bashir, em 2019, esperava-se uma transição para um regime menos dependente da influência militar e por isso os atuais combates apanharam de surpresa os habitantes de Cartum.


Em pouco mais de uma semana de guerra, terão morrido mais 400 civis. A vida desapareceu das ruas de Cartum e escondeu-se dentro das casas, cada vez mais permeáveis à violência dos combates e onde começam a escassear bens essenciais.


Os constantes conflitos, travados entre as forças regulares do exército sudanês e os combatentes da milícia paramilitar, refletem a oposição entre os dois generais mais poderosos do Sudão, que parecem ainda muito longe da mesa de negociações. No meio deste conflito, estão agora mais de cinco milhões de habitantes da capital sudanesa. Há falta do mais essencial para sobreviver: comida, água potável e eletricidade. Os habitantes de Cartum lutam já pela sobrevivência sob temperaturas próximas dos 40 graus e começaram a matar a sede com água retirada do rio Nilo.


Sem terem qualçquer expectativa de tréguas duradouras e com os combates a alastrar a outras regiões do Sudão, quem consegue, começa a abandonar o país, o terceiro maior do continente africano, temendo-se mais uma vaga de refugiados. O secretário-geral da ONU, António Guterres, garante que as Nações Unidas vão permanecer no país.


Segundo um comunicado do governo feito este domingo, o Ministério da Defesa juntou-se ao Ministério dos Negócios Estrangeiros nos esforços para a retirada dos portugueses retidos no Sudão, tendo a diplomacia portuguesa contactado "todos os cidadãos nacionais conhecidos".


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Conflito_de_Darfur


https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_Civil_Sudanesa


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-04-24-Conflito-no-Sudao-ja-matou-mais-de-400-civis.-O-que-se-passa-no-pais--825c4459


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-04-23-A-guerra-civil-que-mergulhou-o-Sudao-numa-nova-tragedia-humanitaria-0825aadd


https://sicnoticias.pt/pais/2023-04-23-Ministerios-da-Defesa-e-dos-Negocios-Estrangeiros-trabalham-para-retirar-portugueses-do-Sudao-ff30624f


https://brasilescola.uol.com.br/geografia/conflito-darfur.htm


 

26/04/2023

Lagoa de Nafta

Infelizmente, espaços como estes existem há muito no nosso país e pouco "sabemos" deles. De quem são ou quem os gere é uma incógnita e os terrenos baldios continuam assim, atentando contra a saúde pública e o ambiente.


Foi o que aconteceu hoje e que já está a mobilizar muita gente - ante desconhecedora deste perigo - contra a lagoa onde descarregam produtos derivados de petróleo desde há muitos anos.


Segundo várias notícia na comunicação social e na página do IRA, que tenho por hábit acompanhar, hoje os Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal e o próprio Núcleo de Intervenção e Resgate Animal (IRA) resgataram, esta quarta-feira, dois cães que se encontravam a afogar numa lagoa cheia de nafta, na zona de Vale de Milhaços, em Corroios. Contaram também com o apoio dos Bombeiros de Camarate com uma ambulância de salvamento animal. Um dos animais está em estado crítico e teve de ser estabilizado antes de serem encaminhados para um hospital veterinário.
Os dois animais têm o corpo coberto de uma massa pastosa, que será agora muito difícil de remover.


Segundo um requerimento do PCP para o Sr. Presidente da Assembleia da República, em 2009, deu-se conhecimento da existência de três locais onde foram depositados resíduos de
hidrocarbonetos em Corroios:


- "no antigo areeiro de J. Caetano, em Vale de Milhaços, numa depressão de terreno com cerca de O,5ha, transformada numa lagoa, encontram-se depositadas águas oleosas e outros resíduos de hidrocarbonetos";


- "na lagoa do antigo areeiro de Femando Branco em Sta Marta de Corroios, perto do cemitério municipal e a cerca de 400 metros do outro areeiro de Vale de Milhaços, encontra-se outra depressão com cerca de 350m2 preenchida com hidrocarbonetos";


- "e no poço da Quinta do Talaminho" foram despejados resíduos classificados como"naftas".


Segundo o mesmo documento, pode ler-se que "estes despejos foram denunciados junto das entidades competentes e foi dado conhecimento ao então Secretário de Estado do Ambiente, Sr. Eng. José Sócrates, a 28 de Maio de 2006, pela Câmara Municipal do Seixal" que "teve oportunidade de visitar o local, onde ficou decidido a resolução da questão."


"A 12 de Outubro de 1997 iniciou a extracção parcial dos resíduos de hidrocarbonetos na lagoa em Santa Marta de Corroios, executada pela empresa Quimitécnica e acompanhada pela DRARN/LVT, tendo sido interrompida no final de Outubro/inicio de Novembro de 1997, não voltando a ser retomada. Hoje, parte dos resíduos já se encontra soterrada."


E de 1997, até 2023 nada foi feito?


"Esteve também previsto intervenção na Quinta do Talaminho, mas não chegou a realizar-se."


Por aqui podemos ver que já havia conhecimento da parte da Câmara, dos partidos e do próprio governo desta situação, pelo menos desde 2005, pelo que já terá havido tempo mais do que suficiente para se fazer alguma coisa. De certo, outros animais já terão perdido a vida ali e quem sabe o que estará escondido naqueles locais.


Na ata 11/2018, de 30 de maio, pode ler-se que "a defesa do ambiente, nas suas múltiplas componentes, constitui um eixo estruturante da nossa ação." No entanto, nesta ata e após se referirem os vários passos positivos na defesa e proteção do ambiente, também se trocam acusações sobre o que há ainda a fazer em relação à Siderurgia Nacional em Paio Pires e às lagoas de hidrocarboretos em Corroios, entre outros aspetos que são discriminados como estando ainda a aguardar soluções. O assunto estava aqui em debate, mas em todo o caso ainda hoje não se encontra de todo resolvido.


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2308315/caes-resgatados-de-areias-movedicas-em-corroios-um-em-estado-critico


https://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063484d364c793968636d356c6443397a6158526c637939595355786c5a79394562324e31625756756447397a554756795a3356756447467a556d5678645756796157316c626e527663793878553077764e6a41334e3245314f5759744d7a466b4f4330304d6a5a694c546b30595745744f4459314e6d49304f575a6b4e4755354c6e426b5a673d3d&fich=6077a59f-31d8-426b-94aa-8656b49fd4e9.pdf&Inline=true


https://www.cm-seixal.pt/sites/default/files/editais/11_ata_rc_30maio2018.pdf


 


 

25/04/2023

Liberdade

Feriado, cá para mim é raro ter descanso. Desde muito cedo me vi envolvida em atividades que serviam para marcar este dia. Fosse em galas e apresentações de ginástica, ainda em Sesimbra, fosse nas representações pela dança, pela fanfarra ou, como agora, através do Futsal, participando em torneios comemorativos ou organizando atividades para crianças.

Hoje fui buscar alguns jogos à arrecadação, levei balões e fui preparar uma manhã de jogos e brincadeiras destinada a crianças, no campo do CDRF. Apareceram um total de 27 crianças, que puderam desfrutar de várias atividades diferentes e os pais que também se envolveram e brincaram com eles, recordando algumas brincadeiras da sua infância, como a macaca, saltar à corda, ou o jogo do arco. Claro que não pode faltar o jogo de futebol, mas isso não foi o principal.

E hoje é 25 de abril e isso lembra-me que se, acaso ainda vivesses num regime ditatorial, hoje não poderia ter estado a almoçar com os outros colaboradores e organizadores deste pequeno evento, sendo eu a única mulher. Bem pensado, nunca poderia estar a treinar uma equipa de futsal e se quisesse ser professora teria de estar casada!

Oh que bom que eu posso passear sozinha, ir a um café ou a um bar se bem me apetecer! Que bom que pude tirar a carta e escolher conduzir! 

E que bom que é ter comigo tantas mães e pais que vieram dos PALOP para Portugal e que tanto me ensinam com a sua cultura e sabedoria, os seus costumes, a sua alegria!

24/04/2023

Cantar Abril - o poder das canções

Este ano não vou sair de casa para ir ver um concerto, uma vez que aqui onde moro não me agrada particularmente (nem canda Abril). Sou uma pessoa de hábitos e há aqueles dias em que a música que me faz sentido é aquela que lhe associo.


Nestes dias, faz-me sentido ouvir as grandes cantigas portuguesas, boa música, poemas escritos por Ary dos Santos ou por José Niza, com os orquestramentos próprios dos grandes Festivais de então, ou aquelas músicas que se ligaram a este momento para sempre, como "Grândola, Vila Morena", de José Afonso e direcção musical de José Mário Branco.


Esta música foi utilizada como segunda senha da revolução e é, ainda hoje, a música que mais se identifica com o que aconteceu nesta data.



“Grândola, vila morena” foi anunciada aos 25 minutos do dia 25 abril de 1974 por Leite de Vasconcelos, no programa “Limite” da Rádio Renascença, confirmando aos muitos militares que esperavam atentos, que a Revolução estava na rua e que iriam de facto avançar na mobilização de forças para tomar pontos estratégicos especialmente na capital. Uma hora e meia antes, tinha sido emitida a primeira senha, nos Emissores Associados de Lisboa, “E depois do Adeus”, um tema interpretado por Paulo de Carvalho.


Fontes:


https://ensina.rtp.pt/artigo/grandola-a-musica-da-revolucao/


https://www.timeout.pt/porto/pt/musica/cantar-abril-uma-duzia-de-cancoes-revolucionarias


 


 


Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...