O 1.º de Maio, Dia Internacional do Trabalhador, teve origem nos acontecimentos de Chicago de 1886 quando se realizou uma jornada de luta pela redução do horário de trabalho para as oito horas.
A homenagem remonta ao dia 1 de maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Durante a manifestação houve confrontos com a polícia, o que resultou em prisões e mortes de trabalhadores. Este acontecimento serviria de inspiração para muitas outras manifestações que se seguiriam. Em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.
O Dia Internacional do Trabalhador, passou assim a ser uma data comemorativa internacional, dedicada aos trabalhadores, sendo feriado em muitos outros países como é em Portugal.
Encontramos registos mais antigos, em relação a manifestações que hoje chamaríamos de sindicais. Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários. No nosso país, a data para as celebrações do 1º de Maio, foi decidida no Congresso Socialista de 1889, como uma campanha internacional a favor das oito horas de trabalho. Assim, os trabalhadores aderiram a esta comemoração e sob o olhar de D. Carlos, nasceram os encontros da massa de trabalhadores, no que eram secundados pelos patrões, que se consideravam oficiais dos mesmos ofícios.
A comemoração centrava-se num desfile que atravessava a Avenida da Liberdade e seguia até ao Cemitério dos Prazeres, onde eram colocadas flores no túmulo de José Fontana, republicano socialista que levantara o movimento operário em Portugal.
A manifestação era organizada pela Federação das Associações Operárias, com bandas de música que tocavam o Hino do 1º de Maio, composto pelo pianista Eduardo Garrido. A cidade apresentava-se de traje domingueiro e alinhava no cortejo, que contava ainda com carros alegóricos que a Associação da Classe correspondente enfeitava.
Portugal enfrentava uma época económica problemática, devido aos conflitos que existiam entre os países imperialistas e à crise argentina, que culminou em Portugal com a falência da casa bancária Baring & Bros, os banqueiros do Estado Português.
No século XIX foi reconhecido o direito de associação aos trabalhadores, o que possibilitava a formação das associações de classe, a que se seguiu a regulamentação, por parte do Estado, do trabalho das mulheres e dos menores nos estabelecimentos industriais. Mas o movimento operário chegou mais longe e empenhou-se na conquista das melhorias laborais e sociais, promoveu acções culturais e de desenvolvimento da educação.
Conta-se que no 1º de Maio de 1900 se juntaram em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que “as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia”.
Durante a I República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador, mas sublinhe-se que um dos primeiros diplomas aprovados, com a instituição do novo regime, dizia respeito ao estabelecimento dos feriados nacionais e destes não constava o dia do trabalhador.
Em 1933 é decretada a “unicidade sindical” e o “controle governamental dos sindicatos” esmorecendo um movimento operário que só ganharia novo ânimo na década de 40. Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado. O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.
EM 2023, as ruas continuam cheias e uma das novidades deste ano é a Agenda do Trabalho Digno e de Valorização dos Jovens no Mercado de Trabalho que entra hoje em vigor. Esta Agenda é composta por 70 medidas que trazem alterações nos contratos, nos despedimentos e nos direitos dos trabalhadores. De acordo com o Governo, estas medidas pretendem combater a precariedade laboral, melhorar as condições de trabalho e a conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional.
O Executivo pretende também identificar irregularidades no mercado de trabalho. Para isso, garante que vai reforçar os mecanismos de fiscalização, apostando no cruzamento de dados entre várias entidades. A semana de quatro dias também está na agenda. Ainda este ano vai ser desenvolvido um projeto-piloto, de base voluntária e sem perda de rendimento.
Apesar destas medidas trazerem melhorias para muitos trabalhadores, a verdade é que ainda há muito a fazer para combater a precariedade laboral e as desigualdades, especialmente ao nível das progressões na carreira e na atribuição mais justa de ordenados.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_do_Trabalhador
https://www.mulherportuguesa.com/lazer/festas-tradicoes/1-de-maio-dia-do-trabalhador/
Sem comentários:
Enviar um comentário