03/03/2022

Dois anos de pandemia

Acordamos agora sem que a primeira manchete seja o Covid, a pandemia, os mortos... ah sim, afinal acordamos com mortos mas estes não são da pandemia que durante dois anos assolou o país, a Europa e o resto do mundo, agora os mortos são Ucranianos e Russos, famílias desfeitas de um dia para o outro. Acordamos agora com preços a subir, quando deveriam estar a descer. Acordamos solidários com um povo em fuga, sem sabermos se ou quando vamos ser nós a precisar de ajuda.


A vida é estranha e ensina-nos que não devemos dar nada como garantido. De que vale uma boa casa, um grande carro se podemos perder tudo de um dia para o outro com um missil? 


Dois anos passados do início da pandemia, Portugal deveria estar agora a dar os primeiros passos para que tudo voltasse ao normal mas sem nos deixarem sequer respirar atiram-nos direto mais para o fundo de um buraco do qual não sabemos quando vamos emergir. 


Temos a sorte de viver num país em paz, em que estamos a vencer a batalha contra o Covid, mas que ainda não se vai recompor tão cedo das duras provações a que fomos sujeitos nos últimos dois anos. Porque não nos permitem que respiremos, sem sombras na nossa mente que nos ofusquem os sonhos?

02/03/2022

Dos heróis...

... que as guerras fazem, vão-se ouvir histórias. 

Ninguém vai esquecer que um homem, Zelenski, que de olhar cansado, dá força a um país em guerra e pede ajuda aos países vizinhos, sem nunca se rebaixar perante o ataque indiscriminado a que a sua população está a ser sujeita.

Pode morrer, ele sabe bem disso, mas não saiu do seu país, onde tenta ainda controlar as suas tropas, manter as suas fronteiras e salvar as principais cidades. Às pessoas foram pedidas duas coisas: que se abrigassem ou que fugissem, no caso das mulheres, crianças e idosos, que lutassem e defendessem as suas ruas e casas, aos homens em idade e condições de conseguir lutar.

Que nunca se esqueçam que nos hospitais, já com poucos meios devido a esta bárbara invasão, estão crianças a lutarb contra doenças, contra cancros, contra a morte e que agora têm de lutar contra bombas que caem indiscriminadamente. Não é uma guerra justa - se houvesse justiça na guerra - quando se atacam hospitais, infantários, bairros residenciais. Quando se espera pela luz do dia, quando as pessoas tentam ir comprar pão e água, para se atacar edifícios onde ao lado estão pessoas a aguardar numa fila de supermercado. 

Era bom que não tivessemos de falar em heróis, em soldados, em jovens mortos de ambos os lados nem em mães de colo vazio que choram na mesma língua da dor.

28/02/2022

Que motivos...

... podem existir para um país atacar outro?


Penso no tempo das cruzadas, nas descobertas de novas terras, da expansão marítima de que nos fala a história. Afinal pouco evoluímos! Seremos assim tão ávidos de terra nova? Precisaremos de terras para cultivar, área para construir?


Não será muito diferente embora possamos pensar que evoluímos um pouco, é a ganância que motiva cada ataque, cada invasão.


A Ucrânia é rica na produção de milho, batata, mas não é atrás de legumes nem grão que a Rússia está! É dos depósitos de gás, do Urânio e, claro, da grande capacidade em energia nuclear.


As centrais, essas, já ali deram que falar (e ainda preocupam) mas agora estamos em pé diferente: agora passam mísseis a  rasar as infraestruturas. Se algum arranhar sequer um desses tanques, o resultado será inimaginável. Ainda não as quiseram rebentar por razões óbvias, seria cometer suicídio também, poluindo as terras e a atmosfera de ambos os países por muitos e muitos anos, atingindo outros países ao redor numa extensão que não poderemos sequer imaginar!


Não rezo porque não acredito. Acredito na humanidade, ainda consigo acreditar que as pessoas se podem juntar e lutar, que podem chegar a um compromisso, a um entendimento e, que alguém mais corajoso, consegue derrubar o regime russo e não deixar que estenda as suas garras até nós, que nos designamos europeus!

24/02/2022

Quando pensávamos que tudo ia ficar bem...


... a Rússia coloca as tropas junto da fronteira da Ucrânia. Não me levem a mal as palavras, mas de santos não têm nada e está para vir merda da grossa. Daquele lado, só pode! Não vão estar ali a fazer só exercícios como quere fazer parecer ao resto do mundo. Daquele presidente, do governo, não espero nada de bom.

 

Aquela região ainda há pouco tempo abanou com o conflito da Crimeia, que passou despercebido à razão de muitos de nós. Estamos em segurança, aqui na nossa pontinha, mas só espero que esteja enganada e que aquilo não vá ser mais uma guerra como a do Golfo ou pior...

 

Abrimos as nossas televisões e é geral o sentimento de medo.

 


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou hoje que autorizou uma operação militar no leste da Ucrânia. Putin afirmou para a televisão, para quem quis ouvir, que a ação visa desmilitarizar o país vizinhos, mas não ocupá-lo. Acreditar neste senhor?


Segundo o presidente russo, a operação militar quer proteger a região de Donbas, no leste do país. Apesar da afirmação de Putin, correspondentes de agências internacionais relatam que houve explosões na capital Kiev. De um dia normal, passamos a uma cidade, a um país em estado de guerra.


Não quero acreditar nisto!



12/02/2022

Dia da Mão vermelha - os meninos soldado

Na problemática da guerra, as crianças são as principais vítimas. Durante a última década, a guerra travou-se em diversas áreas geográficas. E, embora todos os conflitos sejam diferentes, estas guerras têm uma terrível realidade em comum: em todas elas, as crianças pegam em armas e nascem os meninos-soldado.


Em 2002 surgiu por iniciativa da ONU, o Dia da Mão Vermelha, com a instituição de um Protocolo Facultativo, à Convenção dos Direitos da Criança e que foi assinado por mais de 100 países. O recrutamento de crianças e adolescentes para a guerra é uma realidade em vários países do mundo, surgindo a data como uma chamada de atenção internacional para esta situação. Estima-se que o número de crianças soldados espalhadas pelo mundo ande entre 300 e 500 mil (das quais um terço são raparigas).


Desde 2005, ano em que a ONU estabeleceu um sistema para monitorizar e denunciar violações graves contra crianças, tais como recrutamento, rapto, violação e ataques a escolas e hospitais, uma em cada quatro violações a nível global foi cometida na África Ocidental e Central, acrescenta o relatório.


Em países palco de conflitos, como o Burkina Faso, República Centro Africana, Camarões, Chade, Congo, Mali, Mauritânia e Níger, a violência tem tido consequências humanitárias devastadoras para as crianças e comunidades, sendo que a pandemia agravou a situação, afirma a ONU.


As crianças da África Ocidental e Central são as que integram mais grupos armados em todo o mundo e as que em maior número são vítimas de violência sexual, segundo relatório da UNICEF. A região tem vindo a assistir ao aumento do número e da intensidade dos conflitos nós últimos cinco anos, período em que mais de 21.000 crianças foram recrutadas por forças governamentais e grupos armados, afirma o relatório da UNICEF.


Por outro lado, mais de 2.200 crianças na região foram vítimas de violência sexual desde 2016, ainda segundo o mesmo texto e mais de 3.500 crianças foram raptadas, o que dá a esta região o segundo maior registo de raptos em todo o mundo. 


O conflito nos quatro países da bacia do Lago Chade - Camarões, Chade, Níger e Nigéria - deslocou cerca de 3 milhões de pessoas. No caso de Burkina Faso, onde uma insurreição jihadista matou milhares de pessoas, o recrutamento de crianças aumentou pelo menos cinco vezes este ano, em comparação com quatro casos documentados em todo o ano passado.


As crianças associadas a grupos armados são frequentemente expostas a níveis de violência estremos, logo desde o seu rapto e recrutamento. Em muitos casos, pode ser precedido ou seguido de outras violações onde se destaca a violência sexual e mesmo o assassinato ou a sua mutilação. Para milhares de crianças, a guerra é um caminho sem retorno.


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/guerra/conflito/criancas-soldado-abuso-de-menores-e-raptos-os-numeros-assustadores-da-africa-ocidental-e-central/20261126/619ccfce0cf2c7ea0f0a1b37


https://yield.pt/dia-da-mao-vermelha/


https://pt.euronews.com/2021/02/12/12-de-fevereiro-dia-internacional-dos-meninos-soldados


 


 

10/02/2022

Parabéns Seleção

A seleção portuguesa de Futsal venceu o campeonato europeu, depois de ter recuperado de uma desvantagem de 2-0 para derrotar a Rússia por 4-2 na final, conquistando a primeira fase final com 16 equipas. Isso aconteceu após a Espanha ter batido a Ucrânia por 4-1 para terminar no terceiro posto, na conclusão da prova que decorreu entre 19 de Janeiro e 6 de Fevereiro na Ziggo Dome, em Amesterdão, e na Martini Plaza, em Groningen.

Ao trabalhar com crianças nesta modalidade, costumo estar atenta a estes jogos, para depois trocar impressões com eles no treino seguinte. Eles ainda são pequeninos, mas há coisas que já sabem e gostam de falar dos seus jogadores preferidos, tanto do futebol como do futsal. E o importante, não são os clubes, mas a forma como se pode aproveitar os bons exemplos para ensinar e, neste caso, para os motivar a continuar na modalidade. 

Em 2018, Portugal tinha ganho pela primeira vez o título de campeão europeu de futsal, em Ljubljana, ao vencer a Espanha por 3-2, após prolongamento na final do Europeu, com um golo de Bruno Coelho, de livre direto.

Fontes:

https://pt.uefa.com/futsaleuro/news/026e-1384a6a97013-18c1d79e6431-1000--resultados-dos-jogos-do-futsal-euro-2022/

https://www.tsf.pt/desporto/artigo/portugal-procura-primeiro-titulo-europeu-de-futsal/9111092

05/02/2022

Resgate das profundezas da terra... Rayan

O mundo tem os olhos postos num buraco que se abriu para as profundezas e onde um menino, 5 anos, caiu.


O mundo tem os olhos postos nas ações das equipas que o tentam tirar de lá, esperando o erro, para criticar, dizer fazer, mas não é todo o mundo que está lá... são eles que cavam a terra suja e dura nas suas mãos e com o coração apertado tentam um último esforço, talvez no fim já sabendo que nada havia a fazer por ele...


Só o querendo resgatar do coração da terra, dar-lhe finalmente o calor de um colo, de uma manta, de um toque humano...


O mundo tem os olhos no pai que coloca a mão sobre a mãe e a conforta quando, talvez já o soubessem dentro do coração sangrante, adivinham o fim trágico de um da sua prole...


O mundo tem os olhos na mãe e nos seus gestos, no conforto que ela tenta dar à comunidade que a apoia com comida em tom de agradecimento, quando ela mesma sabe que é apenas o que pode fazer, esperar e agradecer...


O mundo quer estar ali, para ajudar, mas não está, estamos do lado de cá do ecrã a espreitar ocasionalmente o buraco, onde caiu o menino que uniu por horas o mundo, além de credos, regiões e religiões.


E ele descansou, deixou-se levar no embalo do sono, do frio, da fome... alheio ao murmurinho do mundo.


 


Fontes:


https://www.jn.pt/mundo/rayan-resgatado-com-vida-de-poco-em-marrocos-14562477.html


https://observador.pt/2022/02/04/rayan-o-menino-de-cinco-anos-que-luta-pela-vida-a-32-metros-de-profundidade/


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...