20/09/2019

Início da viagem de Circum-navegação

Há 500 anos, o navegador português Fernão de Magalhães, "sob os auspícios de Carlos I de Espanha," partiu de Sevilha com "uma esquadra de cinco navios e 234 homens decidido a provar que era possível circum-navegar o globo."

Foi a 20 de setembro que a armada armada de "Fernão de Magalhães - composta por cinco navios", de seus nomes "Trinidad, Concepción, Victoria, Santiago e San Antonio" -  partiu para o mar, zarpando de Sanlucar de Barrameda, em Espanha. A viagem foi organizada com o financiamento dos reis da Espanha, e apesar de ter sido iniciada sob comando do navegador português, foi Juan Sebastián Elcano, que a terminou, após a morte de Fernão de Magalhães.

Apesar de ter nascido português, Fernão estava ao serviço de Espanha e tinha como missão "provar que as Ilhas das Especiarias, conhecidas pelo valioso cravo, se situavam no domínio espanhol."

Durante a viagem, foram descobertos "terras e mares desconhecidos, desde o rio da Prata até às Filipinas, incluindo toda a extensão do vastíssimo oceano Pacífico." Além disso, esta viagem vem "alterar definitivamente o paradigma geográfico da época: confirmava-se que a terra não era plana." Abrem-se novos horizontes com "a descoberta de novas passagens marítimas e de novas rotas comerciais."

Desenvolvem-se várias áreas do saber - "cultura, história, teologia, linguística, botânica e zoologia", mas o que se destaca é o "reconhecimento do valor científico dos astrónomos, cartográficos e geográficos." Estas novas profissões começam a ser valorizadas e protegidas pela corte.

A viagem contou com vários percalços, como seria de esperar de tamanha ambição. A nau "Santiago" afunda-se a 3 de maio de 1520 e a 8 de novembro, antes de iniciarem a passagem do Pacífico, a tripulação da nau "Santo António", revolta-se e resolve regressar a Espanha. A 13 de fevereiro de 1521, as restantes três naus conseguem passar o Equador.

Ao chegarem às ilhas Filipinas, Fernão de Magalhães percebe que os seus cálculos estão errados e isso acaba por ser trágico. O erro que terá cometido, terá sido o de avaliar de forma errada a localização das ilhas Molucas em relação à Indonésia, uma vez que estas se localizam um pouco mais a leste e não a norte como ele tinha primeiramente ponderado. Se tivesse reconhecido "o seu erro, punha-se mal com Espanha." Ao não o reconhecer, acaba por entrar num drama interior contra si mesmo, o que o leva a fazer algo considerado irracional. Perante este dilema, "em vez de ir para as Molucas, que eram o seu objetivo, anda a passear pelas Filipinas, de ilha em ilha, a imiscuir-se em lutas tribais onde encontrou a morte”, pelo que é descrito "a 27 de Abril de 1521, na ilha de Mactan, às mãos do chefe tribal Lapu-Lapu, coroado herói nas Filipinas." No dia 1 de maio, na ilha de Cebu, "vinte e seis tripulantes" desaparecem. Provavelmente, terão sido assassinados. Devido à falta de tripulantes, no dia seguinte, a "nau Concepción é abandonada."

Fernão de Magalhães não chega assim a atingir o seu objetivo, mas não deixa de ter a sua importância para a nossa história, uma vez que é graças aos seus conhecimentos que esta primeira circum-navegação é conseguida. De facto, esta viagem resulta do "mérito científico daquele fidalgo do Porto que foi fruto dos conhecimentos e formação que adquiriu em Portugal e nas áreas da sua expansão desde 1505 até ir para Espanha em 1517," na altura com cerca de 37 anos. O projeto tinha sido feito em Lisboa "entre 1516 e 1517," e a aceitação de ser um português a fazê-la só terá acontecido pelos conhecimentos demonstrados.

No regresso, a nau" Trinidad" acaba por ficar para trás e não consegue concluir a circum-navegação, mas a "Victoria", acaba por regressar pelas "águas do sul do Índico", chegando a Sanlúcar de Barrameda a 6 de setembro de 1522, sob o comando de "Juan Sebastián Elcano."

A viagem de regresso teve como perigo maior "o receio de poder ser interceptada pelas embarcações portuguesas," navegando numa zona do mundo que estava "sob soberania portuguesa definida pelo Tratado de Tordesilhas." Da primeira circum-navegação, apenas "um navio regressou a Sevilha a 8 de setembro de 1522 com tão só 18 sobreviventes, um dos quais António Pigafetta, italiano que escreveu o diário da viagem."

Esta viagem teve um forte impacto para o conhecimento do mundo e para o processo da globalização, dando a conhecer, entre outros locais, as Ilhas de Cabo Verde que se tornariam depois um pilar de apoio crucial aos navegadores portugueses e às diversas rotas marítimas, na criação de ligações entre o continente africano, americano e europeu e no comércio com África.

Fontes:

https://ccm.marinha.pt/pt/museumarinha_web/multimedia_web/Paginas/efemeride-inicio-viagem-circumnavegacao-magalhaes---20set19.aspx

GARCIA, José Manuel, https://www.publico.pt/2019/09/12/culturaipsilon/noticia/fernao-magalhaes-genio-cometeu-erro-matou-1886323

GARCIA, José Manuel, https://www.publico.pt/2019/03/29/culturaipsilon/opiniao/sete-erros-factuais-informacao-viagem-fernao-magalhaes-emitida-academia-historia-espanhola-1867192

https://www.acasaaolado.com/magalhaes

https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/a-viagem-de-circum-navegacao-de-fernao-de-magalhaes/

15/09/2019

Roberto Leal

O jovem loiro que saiu de Macedo de Cavaleiros e conquistou o mundo com a sua voz e a sua alegria, partiu hoje, depois de nos deixar um legado de músicas que perpetuarão a sua memória.


Dele lembro-me de ter os discos da minha avó a tocar lá em casa e de o ver na televisão quando vinha atuar a Portugal, em programas como o Big Show Sic. Em casa, a minha mãe ouvia-o em cassetes ou nos discos pedidos da rádio Santiago.


Roberto Leal, nome artístico de António Joaquim Fernandes, filho de Avelino Augusto Fernandes e de Maria Julia Patricio, nasceu na freguesia de Vale da Porca, Macedo de Cavaleiros, a 27 de novembro de 1951e com a sua música e presença artística uniu dois povos.


Cantor, compositor e ator português radicado no Brasil, era considerado embaixador da cultura portuguesa no Brasil. Ao longo da carreira de mais de 45 anos, ganhou trinta discos de ouro, além de cinco de platina e quinhentos troféus.


Teve uma infância pobre e declarou que comeu apenas batatas por um ano, após a colheita de trigo da família ter sido destruída por uma trovoada. Em 1962, emigrou com os pais e com os nove irmãos para o Brasil, com o objetivo de ter uma vida melhor,  Na cidade de São Paulo, após trabalhar como sapateiro e comerciante de doces,começou a carreira de cantor de fados e músicas românticas.


Em 1971 obteve o seu primeiro grande sucesso com "Arrebita", conhecida pelo seu refrão "Ai cachopa, se tu queres ser bonita, arrebita, arrebita, arrebita", após aparição no programa Discoteca do Chacrinha. Logo depois, começou a ganhar grande popularidade, sendo convidado para vários programas no Brasil. Os álbuns Carimbó Português (1976) e Rock Vira (1977) ganharam mbos o disco de ouro, por mais de 150 mil cópias vendidas cada um.


Em 1978, participou do filme Milagre - O Poder da Fé, que contou com participação especial de alguns nomes importantes como o apresentador Chacrinha, Elke Maravilha e a atriz Lolita Rodrigues. Lançado em 1979, o filme que abordava a história da sua vida e foi dirigido por Hércules Breseghelo, foi filmado em parte na sua terra natal.


Além do reportório romântico-popular, o seu trabalho também se caraterizava por misturar ritmos lusitanos aos brasileiros, além de ter gravado em estilos tipicamente brasileiros como o forró. Quase todo o seu reportório é composto por faixas da sua autoria ou em parceria com a esposa Márcia Lúcia, com quem foi casado e tinha três filhos entre os quais, o cantor e produtor musical Rodrigo Leal.


Além de cantor e compositor, Roberto Leal foi apresentador de programas na Rádio Capital de São Paulo na década de 1980, apresentador no canal português TVI e no Brasil e também apresentou programas na TV Gazeta e Rede Vida.


Em 2007, gravou o CD Canto da Terra, e em 2009, Raízes. Nesses discos gravou músicas em mirandês para divulgar a segunda língua oficial de Portugal, e onde usou vários instrumentos tradicionais como por exemplo a Gaita de Foles.


Em 2011 participou do elenco no programa Último a Sair, um falso reality show da autoria de Bruno Nogueira, João Quadros e Frederico Pombares, exibido pela RTP1, do qual saiu vencedor. Nesse mesmo ano publicou uma autobiografia, intitulada Minhas Montanhas, que foi lançada tanto no Brasil como em Portugal.


Em 2018 candidatou-se a deputado estadual por São Paulo pelo Partido Trabalhista Brasileiro, mas não foi eleito.


Em janeiro de 2019, Roberto Leal revelou lutar havia dois anos contra um melanoma, mas sofreu com metástases nos olhos e na coluna, e que por conta disto havia perdido parte da visão, também devido a cataratas. A sua morte decorreu de um internamento após ter feito uma reação alérgica a um medicamento e que lhe provocou insuficiência renal.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Roberto_Leal


https://observador.pt/2019/09/15/morreu-o-cantor-roberto-leal/


 

13/09/2019

20 anos depois - setembro negro na Rússia

Entre os dias 4 e 16 de setembro de 1999, a Rússia foi atingida por uma série de atentados que conduziram à morte de cerca de 300 pessoas. Passam-se agora 20 anos desde esse setembro negro e, apesar de estarmos um pouco longe geograficamente, não podemos deixar de assinalar esta data.


As "explosões atingiram Buynaksk" no dia 4 de setembro e repetiram-se em Moscovo nos dias 9 e 13 do mesmo mês. No dia "13 de setembro, o porta-voz da Duma russa, Gennadiy Seleznyov, anunciou que tinha havido "outro atentado", desta vez na "cidade de Volgodonsk." Estranhamente, esse bombardeamento não tinha ainda ocorrido, tendo acontecido "apenas três dias depois," a 16 de setembro. A responsabilidade foi atribuída a "militantes chechenos" mas estes, tal como o presidente da Chechénia, Aslan Maskhadov, "negaram" veementemente qualquer "responsabilidade," pelos atentados.


Estes atentados foram uma desculpa para um novo ataque à Chechénia, localizada na região do Cáucaso. Mas será que os chechenos estiveram mesmo envolvidos? São vários os factos que têm vindo a levantar dúvidas, desde logo o que se passou a 22 de setembro, quando "um dispositivo suspeito semelhante aos usados nesses atentados foi encontrado e desativado" num prédio de apartamentos na "cidade russa de Riazan. No dia seguinte, Vladimir Putin elogiou a vigilância dos habitantes de Ryazan e ordenou" o bombardeamento aéreo de Grózni, ataque "que marcou o início da Segunda Guerra Chechena."


No entanto, acabou por se saber, mesmo com todas as limitações feitas à imprensa russa, que "três agentes do Serviço Federal de Segurança (SFS)" russos, tinham sido "presos pela polícia local," acusados de plantarem os explosivos em Riazan. No dia "24 de setembro de 1999, o chefe do SFS Nikolay Patrushev anunciou que o incidente em Ryazan" tinha sido apenas um exercício antiterrorismo "e o dispositivo encontrado ali continha" unicamente "açúcar."


De acordo com a investigação oficial, da parte do Ministério Público da Rússia e que foi concluída em 2002, "todos os atentados a apartamentos foram executados sob o comando do carachai Achemez Gochiyayev" e planeados por "Ibn al-Khattab e Abu Omar al-Saif, militantes árabes que combatiam na Chechénia ao lado dos insurgentes chechenos."


Alguns historiadores alegaram "os atentados foram um golpe de Estado de bandeira falsa bem-sucedido e coordenado pelos serviços de segurança estatais russos para obter apoio público para uma nova guerra em larga escala na Chechénia e trazer Putin ao poder." A verdade, essa, não seria descoberta uma vez que nem uma "comissão pública independente" criada "para investigar os atentados" e "presidida pelo vice-presidente da Duma, Sergei Kovalev" teve eficácia. O governo russo recusou-se a responder às perguntas colocadas por esta comissão e dois membros-chave, "Kovalev, Sergei Yushenkov e Yuri Shchekochikhin, morreram em aparentes assassinatos." 


Já "Mikhail Trepashkin", advogado e investigador da comissão, "cumpriu quatro anos de prisão por revelar segredos de Estado." Para mais, "Alexander Litvinenko, que escreveu dois livros sobre o assunto," foi envenenado em 2006.


Este conflito entre a Rússia e a Chechénia, não é novo e estende-se já "desde o século XVIII". Embora tenha sido considerada por muitos como um conflito interno dentro de território russo, esta "guerra atraiu um grande número de combatentes jihadistas (mujahidins) estrangeiros, incluindo redes terroristas apoiadas pelo Afeganistão." A Arábia Saudita e a Geórgia apoiaram os "separatistas chechenos" o que tornou as relações entre a Rússia e estes dois estados, muito mais tensas. O presidente Putin chegou mesmo a "ameaçar publicamente o governo saudita de retaliação militar caso um novo atentado daquele tipo ocorresse."


O fim o fim do conflito militar na Chechénia, foi anunciado em 2009, seguindo-se a retirada de uma parte dos "20 mil soldados" que a Rússia ainda tinha nessa região. "A violência da guerra da Chechénia provocou um número indeterminado de mortos, que se estima da ordem de 100 mil." 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentados_contra_apartamentos_russos_em_1999


https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_na_Chech%C3%AAnia


https://www.dn.pt/globo/europa/moscovo-anuncia-fim-da-guerra-na-chechenia-1203928.html/


 


 


 

01/09/2019

II Guerra Mundial - 80 anos já se passaram

Hoje completo 36 anos, mas a data que venho assinalar não é de todo a minha. Quis apenas a coincidência que calhassem ambas no mesmo dia.

Assinalam-se hoje 80 anos da invasão da Polónia por parte da Alemanha. Esta invasão daria origem a uma reação da Inglaterra e da França que declaram guerra a Hitler apenas dois dias depois.

Em 1931, o Japão tinha invadido a Manchúria e, em 1934, a Etiópia tinha sido anexada por Itália. Em 1937 é o Japão que invade a China. A situação era crítica em muitas regiões do globo, com a assinatura do “Pacto Anticomintern” pela Alemanha e pelo Japão a mostrarem uma clara oposição à União Soviética e ao "movimento comunista internacional." A Itália viria a assinar meses depois o mesmo pacto. Em 1938, a "Alemanha anexa a Áustria."

A 29 de setembro de 1938, a "Alemanha, a Itália, a Grã-Bretanha e a França" tinham assinado o Acordo de Munique, forçando a República da Tchecoslováquia a ceder a região dos Sudetos." Em 1939, foi criada a República da Eslováquia, levando os alemães a ocupar "as províncias desmanteladas da Tchecoslováquia, em violação ao Acordo de Munique." É então formado o "Protetorado da Boémia e da Morávia." Ainda em abril de 1939, a Itália anexou a Albânia.

A 23 de agosto de 1939, a Alemanha nazi e a União Soviética "assinam um Pacto de Não-Agressão e um protocolo secreto dividindo o Leste europeu sob suas esferas de influência." Poucos dias depois, dá-se a invasão da Polónia, levando a uma resposta por parte da Inglaterra e da França, que "responderam de imediato com ultimatos, exigindo o recuo das tropas até às fronteiras pré-estabelecidas." A 17 de setembro, forças russas também invadiram o país, selando aquilo que tinha ficado estabelecido no Pacto de Não-Agressão assinado semanas antes e que, "continha uma cláusula secreta" segundo a qual os dois países dividiriam a Polónia entre si. "Posteriormente, milhares de polacos combateriam integrados nos exércitos aliados tanto no ocidente como no leste. Após o final da II Guerra Mundial, a Polónia ficou sob influência da União Soviética, integrada no que ficou conhecido como Bloco de Leste."

Portugal, governado por Salazar, declarou neutralidade, mas não obstante essa decisão, não deixou de participar no conflito, conforme ia dando mais jeito. Uma das formas de participação indireta, consistiu na venda de volfrâmio. Este minério foi essencial ao esforço de guerra dos dois lados do conflito e permitiu até que o país crescesse economicamente com estas exportações. Estas exportações levariam a um clima de tensão entre Portugal e os Aliados, chegando mesmo a haver o risco de "um golpe de Estado em Lisboa" promovido pela embaixada Britânica em 1944.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-e-o-dia-d-como-salazar-escapou-por-um-triz_n1152272

https://encyclopedia.ushmm.org/content/pt-br/article/world-war-ii-key-dates

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-invasao-da-polonia/

15/08/2019

Migrantes - 130 crianças nas embarcações Vicking Ocean e Open Arms

A problemática da travessia do Mediterrâneo faz todos os anos milhares de mortos. O resgate destas pessoas é em muitos casos feito em alto mar antes de chegarem a portos europeus, mas nem sempre estes resgates têm sucesso ou são executados da melhor forma.

Choca-nos ainda mais quando envolve crianças, que na sua inocência, fogem de conflitos acompanhadas ou não pelos seus progenitores que tentam alcançar portos europeus.

A 10 e 11 de agosto, dos resgates feitos pelo Ocean Viking - operado pelos Médicos sem Fronteiras e a SOS Méditerranée, ambas anteriormente responsáveis pelo navio Aquarius -  a grande parte dos migrantes resgatados eram também homens sudaneses que fugiam da Líbia. A 12 de agosto, o navio humanitário "Ocean Viking" resgatou outros 105 migrantes nas águas internacionais ao largo da Líbia, aumentando o número de pessoas a bordo para 356. Só que ainda aguardam um porto seguro para desembarcar.

No caso da embarcação Open Arms, mais de 150 migrantes resgatados estão retidos, alguns há mais de 10 dias, a bordo do navio da ONG espanhola ao largo de Lampedusa à espera de um porto seguro para desembarcar.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, a verdade é que são cerca de 130 crianças no total que estão atualmente nas embarcações Viking Ocean e Open Arms, que aguardam para desembarcar na Europa após resgate no mar Mediterrâneo. As pessoas não foram autorizadas a desembarcar, uma vez que Itália e Malta não aceitaram receber os ocupantes e as ONGs que fretaram as embarcações disseram que não devolveriam os sobreviventes à Líbia por falta de segurança nos portos do país.

A agência destaca relatos de que apenas 11 das 103 crianças a bordo do navio humanitário Ocean Viking estão acompanhadas por um dos pais ou adulto responsável. A verdade é que muitas vezes estas crianças acabam por se perder durante as viagens, ou são mesmo raptadas pelos traficantes que as tentam trazer para a Europa. Quando eventualmente são resgatadas, não trazem documentos, têm graves problemas de saúde e de desnutrição. Outras tantas, morrem durante a viagem, muitas das quais nem são contabilizadas uma vez que não são feitas contagens oficiais.

Segundo os dados mais recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM), 39.289 migrantes e refugiados chegaram à Europa através do Mar Mediterrâneo entre 01 de janeiro e 04 de agosto de 2019, cerca de 34% menos que em igual período de 2018. Deste total, o maior número de pessoas chegou à Grécia (18947), seguindo-se a Espanha (13568), Itália (3950), Malta (1583) e Chipre (1241). No mesmo período, 840 pessoas morreram durante a travessia do Mediterrâneo, segundo a organização.

Fontes:

https://news.un.org/pt/story/2019/08/1683581

https://expresso.pt/sociedade/2019-08-06-O-Ocean-Viking-ja-esta-no-mar-1

https://observador.pt/2019/08/12/ocean-viking-faz-novo-resgate-no-mediterraneo-e-tem-agora-356-migrantes-a-bordo/


07/08/2019

Rui Rechena, a perda dos Amor Eletro

Rui Rechena nasceu em 1966.


Rex, como era conhecido, era um dos elementos fundadores da banda Amor Electro (2010), e o baixista. Homenageado pelo grupo, Rui Rechena estava internado no hospital desde junho, vindo a falecer hoje, com apenas 53 anos e deixando 4 filhos.


Além de Amor Electro, participou noutros projetos musicais, sendo um importante nome do panorama cultural contemporâneo, pelo seu papel na afirmação de uma geração de artistas que encontrou na tradição da música portuguesa raízes para um novo caminho de modernidade e renovação da produção nacional. É uma grande perda no panorama musical português, com muito ainda para dar e no auge de uma carreira de sucesso. 


 


Fontes:


https://www.novagente.pt/morreu-baixista-dos-amor-electro-rui-rechena-tinha-53-anoshttps://www.sabado.pt/ultima-hora/detalhe/funeral-de-rui-rechena-realiza-se-sexta-feira


 

24/07/2019

Incêndios em Portugal: distrito de Castelo Branco fustigado pelas chamas

Os incêndios que têm afetado o país nos últimos dias, parecem estar controlados, mas um grande número de operacionais mantem-se no terreno para evitar reacendimentos e garantir a segurança das populações e bens. A Proteção Civil alertou para o aumento do risco de incêndio já a partir de hoje, quarta-feira, com previsão de subida da temperatura, diminuição da humidade relativa do ar e aumento dos ventos fortes. A temperatura máxima deverá subir entre dois a seis graus e o vento poderá atingir os 40 quilómetros por hora ao início da noite.

Nos últimos dias, os incêndios fizeram duplicar a área ardida em Portugal este ano. Em Vila de Rei e Mação arderam 9631 hectares de floresta e no passado sábado, foram registadas 41 vítimas assistidas, sendo que 17 delas tiveram mesmo de receber assistência hospitalar. Entre os feridos, um foi considerado grave e ficou internado na unidade de queimados do Hospital de S. José, em Lisboa.

Em Mação, viveram-se momentos muito preocupantes, quando o incêndio rondou várias casas e uma praia fluvial chegou mesmo a ser evacuada. A Polícia Judiciária refere que foi encontrado um artefacto explosivo na zona da Sertã e foi também detido um homem de 55 anos, suspeito de atear no sábado, um fogo nas imediações da cidade de Castelo Branco.

As altas temperaturas que têm atingido o país durante o mês de julho, têm ajudado à propagação de vários incêndios florestais que, nos últimos dias, têm feito recear que se repita os dramáticos acontecimentos de 2017, quando 119 pessoas perderam a vida e centenas perderam as suas casas, a maioria de primeira habitação, os seus negócios e os seus terrenos e viaturas.

Em média, 375.000 hectares de floresta são queimados anualmente na região do Mediterrâneo, num total de 56 mil incêndios florestais, sendo que Portugal, detém a maior percentagem de área ardida. O risco são as alterações climáticas e a falta de ordenamento do território que têm trazido uma nova geração de incêndios para a Europa Mediterrânea: os superincêndios. Este tipo de incêndio desenvolve-se de forma muito rápida, são letais e quase impossíveis de extinguir apesar dos avanços dos dispositivos de combate. O impacto económico dos incêndios em Portugal, Grécia, Espanha, França e Itália pode mesmo chegar aos cinco mil milhões de euros por ano. 

Eu já há algum tempo que não saio para incêndios, muito por culpa da minha situação de saúde. Apesar de também ter tido formação nessa área, em comparação a muitos dos meus colegas, a minha experiência foi muito pouca. Foi sempre na área da saúde (ambulatório e pré-hospitalar) que mais trabalhei. Isso não me torna menos capaz, mas mostra que o nosso caminho é feito também de oportunidades e essas fecharam-se muitas vezes para mim no início da minha carreira, direcionando-me mais para a área da saúde. Ao assistir aos grandes incêndios pelos constantes noticiários televisivos, dá-me uma certa angústia, pelos riscos que os meus colegas estão a correr e, também, pelo cansaço que sentem. E principalmente por saber que o seu trabalho nunca será devidamente valorizado.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendios-em-portugal-situacao-ao-minuto_e1162100

https://expresso.pt/sociedade/2019-07-10-Incendios.-Portugal-e-o-pais-que-mais-arde-na-zona-do-Mediterraneo

https://www.tempo.pt/noticias/actualidade/incendios-em-portugal-ameacam-aldeias-de-castelo-branco-e-santarem.html

https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/alerta-cm--detido-homem-suspeito-de-atear-fogos-em-castelo-branco?ref=DET_RelacionadasInText

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...