Entre os dias 4 e 16 de setembro de 1999, a Rússia foi atingida por uma série de atentados que conduziram à morte de cerca de 300 pessoas. Passam-se agora 20 anos desde esse setembro negro e, apesar de estarmos um pouco longe geograficamente, não podemos deixar de assinalar esta data.
As "explosões atingiram Buynaksk" no dia 4 de setembro e repetiram-se em Moscovo nos dias 9 e 13 do mesmo mês. No dia "13 de setembro, o porta-voz da Duma russa, Gennadiy Seleznyov, anunciou que tinha havido "outro atentado", desta vez na "cidade de Volgodonsk." Estranhamente, esse bombardeamento não tinha ainda ocorrido, tendo acontecido "apenas três dias depois," a 16 de setembro. A responsabilidade foi atribuída a "militantes chechenos" mas estes, tal como o presidente da Chechénia, Aslan Maskhadov, "negaram" veementemente qualquer "responsabilidade," pelos atentados.
Estes atentados foram uma desculpa para um novo ataque à Chechénia, localizada na região do Cáucaso. Mas será que os chechenos estiveram mesmo envolvidos? São vários os factos que têm vindo a levantar dúvidas, desde logo o que se passou a 22 de setembro, quando "um dispositivo suspeito semelhante aos usados nesses atentados foi encontrado e desativado" num prédio de apartamentos na "cidade russa de Riazan. No dia seguinte, Vladimir Putin elogiou a vigilância dos habitantes de Ryazan e ordenou" o bombardeamento aéreo de Grózni, ataque "que marcou o início da Segunda Guerra Chechena."
No entanto, acabou por se saber, mesmo com todas as limitações feitas à imprensa russa, que "três agentes do Serviço Federal de Segurança (SFS)" russos, tinham sido "presos pela polícia local," acusados de plantarem os explosivos em Riazan. No dia "24 de setembro de 1999, o chefe do SFS Nikolay Patrushev anunciou que o incidente em Ryazan" tinha sido apenas um exercício antiterrorismo "e o dispositivo encontrado ali continha" unicamente "açúcar."
De acordo com a investigação oficial, da parte do Ministério Público da Rússia e que foi concluída em 2002, "todos os atentados a apartamentos foram executados sob o comando do carachai Achemez Gochiyayev" e planeados por "Ibn al-Khattab e Abu Omar al-Saif, militantes árabes que combatiam na Chechénia ao lado dos insurgentes chechenos."
Alguns historiadores alegaram "os atentados foram um golpe de Estado de bandeira falsa bem-sucedido e coordenado pelos serviços de segurança estatais russos para obter apoio público para uma nova guerra em larga escala na Chechénia e trazer Putin ao poder." A verdade, essa, não seria descoberta uma vez que nem uma "comissão pública independente" criada "para investigar os atentados" e "presidida pelo vice-presidente da Duma, Sergei Kovalev" teve eficácia. O governo russo recusou-se a responder às perguntas colocadas por esta comissão e dois membros-chave, "Kovalev, Sergei Yushenkov e Yuri Shchekochikhin, morreram em aparentes assassinatos."
Já "Mikhail Trepashkin", advogado e investigador da comissão, "cumpriu quatro anos de prisão por revelar segredos de Estado." Para mais, "Alexander Litvinenko, que escreveu dois livros sobre o assunto," foi envenenado em 2006.
Este conflito entre a Rússia e a Chechénia, não é novo e estende-se já "desde o século XVIII". Embora tenha sido considerada por muitos como um conflito interno dentro de território russo, esta "guerra atraiu um grande número de combatentes jihadistas (mujahidins) estrangeiros, incluindo redes terroristas apoiadas pelo Afeganistão." A Arábia Saudita e a Geórgia apoiaram os "separatistas chechenos" o que tornou as relações entre a Rússia e estes dois estados, muito mais tensas. O presidente Putin chegou mesmo a "ameaçar publicamente o governo saudita de retaliação militar caso um novo atentado daquele tipo ocorresse."
O fim o fim do conflito militar na Chechénia, foi anunciado em 2009, seguindo-se a retirada de uma parte dos "20 mil soldados" que a Rússia ainda tinha nessa região. "A violência da guerra da Chechénia provocou um número indeterminado de mortos, que se estima da ordem de 100 mil."
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentados_contra_apartamentos_russos_em_1999
https://pt.wikipedia.org/wiki/Segunda_Guerra_na_Chech%C3%AAnia
https://www.dn.pt/globo/europa/moscovo-anuncia-fim-da-guerra-na-chechenia-1203928.html/
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