04/06/2019

Faleceu a escritora Agustina Bessa-Luís

Mais conhecida como Agustina Bessa-Luís, a escritora nascida em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922, faleceu ontem. Desde muito jovem que Agustina se interessou por livros, descobrindo na biblioteca do avô materno, os clássicos da literatura espanhola, francesa e inglesa, marcantes na sua formação literária. Os locais onde viveu a sua meninice, marcam a sua escrita.

Estreou-se com a novela "Mundo Fechado" em 1949,  e em 1954, o romance "A Sibila", acaba por lhe trazer enorme sucesso e reconhecimento geral. Escreveu mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. 

O realizador Manoel de Oliveira, com quem manteve uma relação de amizade e de colaboração próxima, adaptou algumas das suas obras ao cinema, tais como: "Fanny Owen" (que deu origem ao filme de nome "Francisca" em 1981), "Vale Abraão" (filme homónimo, 1993), "As Terras do Risco" (que deu origem ao filme "O Convento", 1995) ou "A Mãe de um Rio" (que deu origem a "Inquietude" em 1998).

Foi também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance "As Fúrias" sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, em 1995 no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 2005, participou no programa da RTP "Ela por Ela" e em julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, "A Ronda da Noite", deixou de escrever e retirou-se da vida pública, devido a razões de saúde (possivelmente pelo acidente vascular cerebral que sofreu).


Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Agustina_Bessa-Lu%C3%ADs

https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$agustina-bessa-luis

02/06/2019

Perigo da Internet e dos desafios virais

As consequências são quase sempre graves. Crianças e jovens acabam com graves lesões ou, em casos mais graves, as consequências podem ser mortais. Os danos psicológicos de quem pratica e de quem assiste também não podem ser esquecidos! Estou a falar dos desafios virais que estão por todo o lado, desde o facebook ao tiktok e que "obrigam" crianças e jovens a seguir determinados comportamentos que colocam a sua vida em risco.


De que forma é que os podemos combater? A primeira coisa é estar atento e disponível para conversar. Mas o papel do adulto não é só esse. Há que denunciar, sempre. Existem a circular vários desafios. Um deles, que envolve pelo menos dois participantes, passa pela asfixia, expulsando todo o ar dos pulmões da vítima e impedindo-a de respirar até perder a consciência. Parece estúpido, só por si não é? Mas há de facto crianças e jovens a experimentar! Estejamos atentos! São as nossas crianças a estar em perigo!


Segundo o jornal “El Mundo”, Espanha, uma menina aceitou de livre vontade participar no jogo em plena via pública no município de Pinto, em Madrid. As amigas que que estavam com ela, estrangularam-na e pressionaram o peito da menina de apenas 12 anos, até lhe provocar falta de oxigénio e cair ao chão inconsciente. Foi rapidamente assistida e transportada para o hospital.


Devemos estar atentos a determinados sinais de alerta relativos à prática da asfixia e de outros desafios perigosos, como o isolamento, a utilização de golas altas mesmo no verão, olhos vermelhos, desorientação, dor de cabeça frequente, conversas sobre estes jogos ou presença de objetos suspeitos no quarto como cordas ou trelas, refere o portal Projeto MiudosSegurosNa.Net e o Instituto Dimicuida.


Sabemos que ao atingir a adolescência, as crianças são curiosas sobre o mundo que as rodeia e aprendem a exprimir-se e a interagir com segurança e confiança com os amigos online. Não podemos negar a sua existência, uma vez que enquanto nós nos encontrávamos na rua, brincávamos e estudávamos na casa uns dos outros, agora os nossos jovens encontram-se, brincam e estudam através dos computadores, tablets e telemóveis. Os adolescentes precisam da orientação dos seus pais e de outros adultos de confiança, ​​e os serviços online deveriam trabalhar para fornecer ferramentas que ajudem os adolescentes a fazer as escolhas certas sobre a sua segurança e privacidade. A regulamentação existe e tem de ser adaptada à realidade da sociedade atual, em que a Internet é um recurso.


 


Fontes:


https://miudossegurosnanet.blogs.sapo.pt/


https://expresso.pt/sociedade/2019-05-31-O-jogo-da-asfixia-que-esta-a-assustar-Espanha--em-Portugal-nao-foram-reportados-casos-mas-nao-quer-dizer-que-nao-haja-


https://www.noticiasmagazine.pt/2018/os-dez-desafios-perigosos-da-internet/estilos/comportamento/10/


 


 


 

29/05/2019

Desaparecidos... ninguém sabe o que aconteceu

Comecei a escrever sobre alguns dos vários casos de crianças desaparecidas, a propósito do dia Internacional da Criança Desaparecida que se assinalou a 25 de maio. Muitos casos ainda hoje são mediatizados, mas outros que não foram tão expostos, também continuam à espera de ser resolvido.


A maioria seria ou será agora uma pessoa adulta - de quem ninguém sabe até hoje. Foram um dia meninos e meninas, hoje são apenas rostos em fotografias amarelecidas pelo tempo, rasgos em corações que ainda sofrem na incereteza de um luto que fazem todos os dias mas que nunca têm a certeza de estar a fechar. Porque os lutos servem para desconstruir a dor, para a expressar, para se ser livre de a sentir, mas para os pais de filhos desaparecidos não.


Hoje venho falar de outro caso muito antigo, mas que ainda consta nos arquivos.


Hélder Alexandre Ferro Pagarim Cavaco


Hélder Cavaco nasceu em julho de 1973, em Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal. Desapareceu em janeiro de 1990, com 16 anos, na zona da praia de São Torpes, em Sines, onde praticava surf.


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viuDe acordo com a descrição disponível no site da Polícia Judiciária, Hélder media 1,76 metros, tinha cabelo e olhos castanhos, e uma cicatriz sob o olho direito. Quando foi visto pela última vez, vestia calças e blusão de ganga azul e usava uma mochila da mesma cor com riscas amarelas e vermelhas.


Até hoje o caso não foi resolvido. Como é que se fecha um ciclo? Tem de haver um encerramento, nem que seja simbólico. Mas sem dados, sem corpo, sem respostas, como se pode encerrar, sem magoar nem desrespeitar os envolvidos que sofrem na sua perda?


 


Fontes:


https://www.jn.pt/nacional/vidas-roubadas-em-portugal-as-criancas-que-nunca-mais-ninguem-viu-10924324.html

27/05/2019

Desaparecidas

Hoje, dando seguimento à minha última publicação sobre crianças desaparecidas, partilharei mais dois casos. O da Tatiana e o da Cláudia. Alguns casos foram mais mediáticos do que estes que aqui vos deixo, o que mostra que nem todas as famílias são alvo dos mesmos apoios e eu sinto sempre que isso não é correto.


Tatiana Paula Mesquita Mendes (ou Odete Araújo Freman)


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viuNasceu em junho de 1998 e quando desapareceu em maio de 2005, estava quase a completar 7 anos. A menina, nascida na Guiné e batizada com o nome Odete, foi adotada (ao que parece) em 2004  por um casal português que a registou com o novo nome.


O mais bizarro, é que cerca de um ano depois, a mãe adotiva informou que a menor tinha sido por si entregue a outra pessoa, ainda no ano anterior, e que a menina tinha morrido mais tarde num acidente de viação em Badajoz, Espanha. Ninguém sabe o que realmente se passou e o verdadeiro paradeiro nunca foi revelado. O acidente não foi investigado? Se morreu, onde está o corpo? Há tantas perguntas sem respostas neste caso.


Cláudia Alexandra Silva Sousa


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viuNascida em 1987, desapareceu em 1994, a caminho da escola. Tinha sete anos. A mãe tê-la-á visto a dobrar a curva da rua do Baltar, em Oleiros, Vila Verde, perto de casa e depois não a viu mais. Se estiver viva, tem agora já 32 anos...


 


Fontes:


https://www.jn.pt/nacional/vidas-roubadas-em-portugal-as-criancas-que-nunca-mais-ninguem-viu-10924324.html

25/05/2019

O que lhes aconteceu - os casos das crianças desaparecidas em Portugal

"Eles perderam-se dos pais, perderam a infância e juventude que teriam tido. Os pais perderam os filhos." Não sabem se estão vivos ou se faleceram e por isso, não conseguem fazer o seu luto, choram-nos todos os dias.


Para a Justiça, nove crianças estão desaparecidas e se forem vivas, algumas serão adultos. Onde páram e o que foi feito para as encontrar?


Hoje assinala-se o Dia Internacional da Criança Desaparecida e por isso resolvi dedicar os próximos dias a relembrar aqui os casos de algumas destas crianças, para que não caiam no esquecimento.


Hoje começamos com Sofia:


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viu


Sofia Catarina Andrade de Oliveira 


Nasceu em fevereiro de 2002, e desapareceu aos dois anos. Filha de pais separados, foi retirada à mãe, com quem vivia, pelo pai em Câmara de Lobos, Madeira, na noite de 22 de fevereiro de 2004. Na fuga com a menor, o homem apanhou primeiro um táxi e depois boleia de um familiar, tendo sido deixado a pé, com a filha, às 21.30 horas, no Caniço de Baixo. Duas horas depois, deslocou-se à esquadra da PSP de Câmara de Lobos, onde estava a mãe da menor a participar o desaparecimento. A filha já não estava consigo.


Foi condenado mais tarde, por subtração de menores mas perante Polícia e tribunais, recusou sempre dizer onde estava a filha, mantendo a versão de que a menina se encontrava bem e que o segredo do paradeiro ia consigo para a cova. 


Terá agora 17 anos... e ainda ninguém sabe dela...


 


Fontes:


https://www.jn.pt/nacional/vidas-roubadas-em-portugal-as-criancas-que-nunca-mais-ninguem-viu-10924324.html


https://apcd.pt/web/desaparecidos/sofia-catarina-andrade-de-oliveira/


 

23/05/2019

A Bula que "fundou" Portugal

Foram diversos os momentos que nos tornaram quem somos: portugueses.


Assinalam-se hoje 840 anos da assinatura da Bula “Manifestis Probatum”, (passava o dia 23 de Maio de 1179). Neste documento, "o Papa Alexandre III" atribuiu "o reino de Portugal ao rei D. Afonso Henriques e a seus herdeiros,"




D. Afonso Henriques merece a distinção de rei depois de ter ficado provado  ̶  “manifestis probatum”  ̶   a sua dedicação pelo reino, através dos "seus feitos em prol do novo reino, cujos territórios aumentara amplamente,  num claro benefício para a Cristandade", reconhecendo assim formalmente a "Independência de Portugal." D. Afonso Henriques, na época já com quase 70 anos, via assim serem salvaguardados "os territórios adquiridos na guerra como fazendo parte integrante de Portugal."


O documento original encontra-se no espólio da Torre do Tombo. Pode dizer-se que, este será o verdadeiro dia de "Portugal, como Estado livre e independente, reconhecido internacionalmente," depois de um processo "naturalmente lento porque dependeu da alteração da conjuntura internacional."


De lembrar que, mesmo com o Tratado de Zamora, havia ainda uma certa influência castelhana sobre Portugal, não tendo agradado aos reis de Castela-Leão a independência de Portugal. Com a "morte do imperador Afonso VII e a separação destes dois reinos, em 1157," dá-se a "emancipação definitiva de Aragão," o que veio a facilitar "as pretensões de D. Afonso Henriques." A isto, juntou-se o enfraquecimento da "autoridade do papado", durante todo o "século XII, com o envolvimento em querelas com o Sacro Império Romano-Germânico e o surgimento de vários anti-Papas."


Este é um dos demais episódios da nossa história em que a igreja católica tem uma forte influência através da figura do Papa.


Fontes:


https://www.ship.pt/sociedade-historica/datas-importantes/


https://ensina.rtp.pt/artigo/a-bula-manifestis-probatum-o-documento-fundador-do-reino/


 


 



01/05/2019

O regresso do Dia do Trabalhador

Hoje celebram-se 45 anos sobre o dia em que as pessoas puderam voltar a vir à rua e manifestar-se, pelos seus direitos, no Dia do Trabalhador. 


Este dia é celebrado em Portugal desde 1890 - com interrupção durante os anos do Regime. Bem sabemos, que perande a ideologia praticada no período Salazarista, era proibido que as pessoas se manifestassem contra o regime. Não podia haver qualquer reivindicação e a pobreza era uma realidade que se queria tapar e esconder.


Sobre este dia, é importante pereceber também que ele não teve origem aqui em Portugal, mas que teve sempre uma enorme importância.


Foi nesta data que aconteceu a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago e uma greve geral nos Estados Unidos, em 1886.


Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial.


Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam.


No dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e uns anos depois a Rússia fez o mesmo.


No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário por tratar-se do santo padroeiro dos trabalhadores. 


Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.


Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia, ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. O 1.º de Maio adquiriu também características de ação de massas.


Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.


Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo.


Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.


 


Fontes:


https://pt.euronews.com/2018/04/30/significado-e-historia-do-1-de-maio-dia-do-trabalhador

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...