01/05/2019

O regresso do Dia do Trabalhador

Hoje celebram-se 45 anos sobre o dia em que as pessoas puderam voltar a vir à rua e manifestar-se, pelos seus direitos, no Dia do Trabalhador. 


Este dia é celebrado em Portugal desde 1890 - com interrupção durante os anos do Regime. Bem sabemos, que perande a ideologia praticada no período Salazarista, era proibido que as pessoas se manifestassem contra o regime. Não podia haver qualquer reivindicação e a pobreza era uma realidade que se queria tapar e esconder.


Sobre este dia, é importante pereceber também que ele não teve origem aqui em Portugal, mas que teve sempre uma enorme importância.


Foi nesta data que aconteceu a primeira manifestação de 500 mil trabalhadores nas ruas de Chicago e uma greve geral nos Estados Unidos, em 1886.


Três anos depois, em 1891, o Congresso Operário Internacional convocou, em França, uma manifestação anual, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. A primeira acabou com 10 mortos, em consequência da intervenção policial.


Até 1886, os trabalhadores jamais pensaram exigir os seus direitos, apenas trabalhavam.


No dia 23 de abril de 1919, o Senado francês ratificou as 8 horas de trabalho e proclamou o dia 1º de maio como feriado, e uns anos depois a Rússia fez o mesmo.


No calendário litúrgico celebra-se a memória de São José Operário por tratar-se do santo padroeiro dos trabalhadores. 


Em Portugal, os trabalhadores assinalaram o 1.º de Maio logo em 1890, o primeiro ano da sua realização internacional. Mas as ações do Dia do Trabalhador limitavam-se inicialmente a alguns piqueniques de confraternização, com discursos pelo meio, e a algumas romagens aos cemitérios em homenagem aos operários e ativistas caídos na luta pelos seus direitos laborais.


Com as alterações qualitativas assumidas pelo sindicalismo português no fim da Monarquia, ao longo da I República transformou-se num sindicalismo reivindicativo, consolidado e ampliado. O 1.º de Maio adquiriu também características de ação de massas.


Até que, em 1919, após algumas das mais gloriosas lutas do sindicalismo e dos trabalhadores portugueses, foi conquistada e consagrada na lei a jornada de oito horas para os trabalhadores do comércio e da indústria.


Mesmo no Estado Novo, os portugueses souberam tornear os obstáculos do regime à expressão das liberdades. As greves e as manifestações realizadas em 1962, um ano após o início da guerra colonial em Angola, são provavelmente as mais relevantes e carregadas de simbolismo.


Nesse período, apesar das proibições e da repressão, houve manifestações dos pescadores, dos corticeiros, dos telefonistas, dos bancários, dos trabalhadores da Carris e da CUF. No dia 1 de Maio, em Lisboa, manifestaram-se 100 000 pessoas, no Porto 20 000 e em Setúbal, 5000.


 


Fontes:


https://pt.euronews.com/2018/04/30/significado-e-historia-do-1-de-maio-dia-do-trabalhador

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