22/12/2018

Tráfico de... bebés

Um bebé não é um objeto de quem se tome posse, venda ou compre. Não é um artigo que se publicite, que se anuncie. Mas há quem ganhe dinheiro na venda de bebés. Crianças geradas no seu ventre com o fim de serem vendidas a quem mostrar interesse na sua compra. O que leva um casal a pensar que produzir e vender filhos, pode ser um negócio rentável? Ao que chega a humanidade quando se traficam os próprios bebés, que gente é esta tão sem amor?


Em dezembro do ano passado, chegou à PJ uma denúncia anónima que alertava para um esquema de tráfico de bebés. De acordo com a polícia Judiciária, os criminosos eram residentes na área do Porto e Vila do Conde, e foram "indiciados da prática de quatro crimes de tráfico de seres humanos, concretizados na alienação de crianças recém-nascidas, bem como de igual número de crimes de falsificação de documentos autênticos."


O casal responsável por este "negócio", composto por uma mulher de nacionalidade brasileira e por um homem de nacionalidade portuguesa, terá vendido quatro bebés (entre 2011 e 2017) para cidadãos portugueses residentes noutros países da União Europeia. Os bebés, nascidos e registados em Portugal, eram todos filhos biológicos da detida, enquanto a paternidade se pensa que fosse falsificada de forma a facilitar a saídas das crianças do país - ou seja, o comprador, seria o "pai" que figuraria no registo de paternidade. Crê-se que as crianças fossem mesmo geradas com o intuito de venda, as quais terão acontecido a valores bastante elevados. 


A mulher, agora detida, tem outros filhos ainda menores, quantos são não está confirmado, mas serão todos mais velhos do que os entretanto vendidos. Os vizinhos começaram a estranhar ver a mulher grávida, mas depois os bebés não apareciam. Ainda não se sabe se os partos terão ocorrido em casa ou em ambiente hospitalar, o que também levanta a questão sobre se haverão outros elementos envolvidos. 


Entre os casais que compraram estas quatro crianças - atualmente com idades entre um e sete anos - "estão cidadãos portugueses", disse o diretor PJ Porto, Norberto Martins, acrescentando que as crianças estão em países da União Europeia e que a polícia sabe onde se encontram. A investigação acredita que existia um ou mais intermediários a facilitar a venda das crianças, que chegaram a ser vendidas por cerca de 20 mil euros cada. 


Dá que pensar... qual é o preço de um bebé? De um ser humano?


 


 


Fontes:


https://www.dn.pt/pais/pj-prende-casal-suspeito-de-trafico-de-recem-nascidos-10346704.html


https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/alerta-cm--casal-detido-por-trafico-de-recem-nascidos-no-porto


https://sol.sapo.pt/artigo/639432/pj-diz-que-mae-gerava-filhos-ja-com-a-intencao-de-os-vender-mulher-lucrou-80-mil-euros


 

20/12/2018

História escondida - a chegada dos primeiros navios portugueses ao Brasil

Apesar de só na viagem de Pedro Álvares Cabral, ter sido feita a documentação da existência de uma terra a que chamaram Brasil - a verdade é que o território já tinha sido avistado "ou tocada por navios portugueses, em anos anteriores. Embora não tendo havido na época registos oficiais, em dezembro de 1498, a frota de Duarte Pacheco Pereira chegou ao Brasil. Sabe-se também que quando os termos do Tratado de Tordesilhas foram definidos em 1494, "o rei D. João II exigiu que fosse traçada mais para oeste do que tinha sido inicialmente proposto pelos castelhanos," facto que pode indiciar que o monarca já conhecia ou suspeitava "da existência de terra naquelas paragens." Em 1498, D. Manuel I, encarrega então Duarte Pacheco Pereira, cosmógrafo da sua confiança, "de uma expedição relacionada com a demarcação da linha estabelecida pelo mesmo tratado" e dois anos depois, Pacheco Pereira acompanha também Pedro Álvares Cabral na sua viagem.


Quando Cabral, em viagem para a Índia, acaba por chegar ao Brasil, foi de tal maneira apanhado de surpresa "que o capitão mandou um dos navios de regresso a Lisboa, para informar o rei do achado da nova terra." Mas porquê, se Pacheco Pereira já conhecia a existência daquelas terras?


Em 1892, é revelado “Esmeraldo de Situ Orbis”, escrito pelo próprio Duarte Pacheco Pereira (documento que foi iniciado em 1505 mas que só seria publicado 400 anos mais tarde) onde desvenda a sua chegada ao Brasil. Nestes escritos, perpassa a "emergência de uma nova época, uma nova Idade onde se enfrentam os antigos e os modernos saberes," mas têm de ser postos em confronto com um mapa de 1519 para realmente mostrarem como seria a concepção geográfica de Duarte Pacheco Pereira e o alcance que a sua viagem tinha tido. Para compreendermos, temos de olhar para a questão perante os conhecimentos da época. Camões chegou mesmo a chamá-le de "Aquiles lusitano."


"Uma das duas concepções do mundo dominantes na época," inferia que a terra rodeava todos os oceanos. Nos textos deixados por Pacheco Pereira, o que ele está "verdadeiramente a discutir quando fala desta viagem é qual a proporção entre terra e água. Ele conclui que a terra ocupa a maior parte do espaço e que a água se situa no centro. É, em termos gerais, a concepção ptolomaica do mundo."


Nesta abordagem, Duarte Pacheco pensa então que atingiu a margem dessa "terra que tudo envolve." Embora realmente ele possa lá ter chegado, a descoberta não foi documentada como tal e, só se considera como registo da primeira viagem de descobrimento do Brasil, a "carta de Pêro Vaz de Caminha a D. Manuel I," no ano de 1500, a par também "das cartas de Mestre João e do chamado Piloto Anónimo." Na época, Portugal estava mais virado para a exploração das rotas do Oriente e o Brasil não era a sua prioridade, mas sim "um destino secundário para as navegações portuguesas."


Em 1508, Pacheco Pereira "interrompe a redacção da sua obra," quando lhe é incumbida a tarefa de "vigiar a costa portuguesa" e "o estreito de Gibraltar."


Em 1519, chega mesmo a ser "nomeado capitão da fortaleza da Mina," mas acaba por vir preso para o reino, por motivos desconhecidos.


Fontes:


https://ensina.rtp.pt/artigo/a-partida-de-pedro-alvares-cabral-para-descobrir-o-brasil/


https://www.infopedia.pt/artigos/$duarte-pacheco-pereira


CARVALHO, Frederico CarvalhoFrederico Carvalho, entrevista, in: https://www.publico.pt/2012/10/14/jornal/o-caso-pacheco-pereira-25408499


VALENTIM, Carlos Manuel, in: http://cvc.instituto-camoes.pt/navegaport/g24.html


 


 

19/12/2018

EUA retiram da Síria

Após as diversas interferências feitas no território, o presidente Donald Trump resolve agora dar ordem para a retirada de cerca de 2.000 militares dos Estados Unidos posicionados no nordeste da Síria. Estes lutavam contra os jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI). Ancara ameaçou agora lançar uma ofensiva contra as forças curdas na mesma altura em que os soldados americanos se vão embora. 


E assim se continua, com uma Síria completamente devastada pela guerra. Entram e saem, uns ajudam, outros ocupam, os mortos são aos milhares, homens, mulheres e crianças... 


Mas esta gente anda toda bem? Isto das fronteiras e dos quintais e anexos não devia estar já definido em pleno século XXI? Estas ocupações já não fazem sentido! Parece que pararam no tempo e as preocupações são apenas atacar, matar, assassinar! E lá vão as grandes potências, dar armas a uns, destruir o armamento dos outros, dar dinheiro para financiar a guerra e depois mandar para lá soldados para ajudar. Aos poucos se caminha para mais uma guerra mundial, camuflada e que parece que está longe, mas olhem para o mkapa e lá estamos nós, metidos lá no meio, com acordos em que estamos envolvidos... espero que não se lembrem que temos aqui umas bases militares bem posicionadas, não é?


E o pior é que se fundamentam estas guerras em crenças e credos, ainda se fosse em fatos científicos... mas em coisas que uns acreditam e outros não? Não se preocupam com as pessoas que estão ao lado, com os seus vizinhos, com as suas crianças, mas depois vão rezar? Batam lá com a cabeça no muro e acordem! Olhem à volta! O que há está aí, aos vossos olhos! Deixem-se de guerras e credos e crenças! Não percebo como é que evoluimos em sociedade e nisto não há evolução.

17/12/2018

Quando morre quem salva... queda de heli do INEM

É sempre difícil relatar a morte daqueles cuja vida esteve dedicada aos outros. Esta madrugada, soube-se da queda de um helicóptero do INEM, com quatro pessoas a bordo. Neste momento, as vítimas já foram encontradas e estão a realizar-se operações para resgatar os quatro corpos.


O helicóptero do INEM, com dois pilotos, um médico e um enfermeiro, regressava para Macedo de Cavaleiros, Bragança, quando foi dada como desaparecida desde as 18:30 de sábado. Segundo o organismo, "o incidente ocorreu numa altura em que se verificavam condições meteorológicas bastante adversas". 


A aeronave em causa é uma Agusta A109S, operada pela empresa Babcock, que trabalha para o INEM desde 2000 na sequência de um concurso público internacional.


"O transporte teve início às 15h13m, altura em que o helicóptero levantou voo da sua base para o hospital de origem do doente, tendo o mesmo sido entregue aos cuidados das equipas médicas do Hospital de Santo António cerca das 18.10", informou o INEM. Segundo a Navegação Aérea de Portugal (NAV, que controla o tráfego aéreo em Portugal), a tripulação contatou com a torre de controlo do Porto às 18.30, para informar que iria descolar para Macedo de Cavaleiros via Baltar (para abastecimento). 


A primeira perda de sinal radar com o helicóptero deu-se às 18.55, quando a aeronave seguia entre Couce e Aguiar de Sousa, freguesia do concelho de Paredes, anunciou a NAV, salientando ainda que a perda de comunicações "é normal", devido "à altitude e orografia do terreno". Não terá sido feita qualquer comunicação de emergência.


A hora expectável de aterragem, tendo em conta a hora de descolagem do aparelho, era às 19.00, mas asituação "foi reportada cerca das 20.15, ainda sem se saber a localização". Ainda não se conseguiu perceber porque é que o alerta foi dado quase duas horas depois do desaparecimento do helicóptero. 


A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) definiu imediatamente a zona onde o acidente terá ocorrido e foram enviados os meios para o terreno. Foram mobilizadas 203 pessoas para a operação, 134 das quais operacionais da Proteção Civil, apoiados por 35 veículos.


O helicóptero EH-101 Merlin, que saiu da base do Montijo pelas 21.45 de ontem, chegou a estar no local onde decorriam as buscas, próximo da aldeia de Couce, em Valongo, mas teve de abandonar o local, já que as condições atmosféricas não permitiam a continuação das operações. 


A ajuda de um grupo civil que conhecia bem a zona revelou-se decisivo para encontrar os destroços, ainda durante a noite. Os corpos das quatro vítimas foram encontrados 700 metros a sul da capela da Santa Justa, em Valongo.


O INEM acabou por emitir depois um comunicado a confirmar oficialmente as mortes, depois de informar as famílias das quatro vítimas. Dados como desaparecidos durante horas, os ocupantes da aeronave viriam a ser encontrados já sem vida: o médico Luís Vega, a enfermeira Daniela Silva, o piloto João Lima e o copiloto Luís Rosindo. Podiam ter ficado a aguardar que o mau tempo passasse, mas a vida não deve ser feita de "ses". A decisão de regressar à base revelou-se fatal para todos.


O serviço de helicópteros de emergência médica do INEM foi criado em 1997, tendo desde então realizado cerca de 16.370 transportes de doentes urgentes, "sem que se tenha verificado qualquer incidente grave" como este.


 


Fontes:


https://www.tsf.pt/sociedade/helicoptero-do-inem-desaparece-com-quatro-pessoas-a-bordo-10328561.html


https://www.dn.pt/edicao-do-dia/17-dez-2018/queda-de-helicoptero-o-que-sabemos-sobre-o-acidente-10331618.html


https://observador.pt/2018/12/16/quem-sao-as-quatro-vitimas-da-queda-do-helicoptero-do-inem/


 

12/12/2018

Ataque terrorista mata sonhos de natal

Uma feira de Natal. As barraquinhas, as cores, os aromas, a alegria, os risos e as conversas. Aquele friozinho, os encontros com amigos, a música e as luzes. De repente, todo este ambiente se altera. Ouvem-se tiros. O pânico invade as ruas, as pessoas correm, tentando fugir sem saber para onde ou quantos são os atacantes. 


Um homem identificado como Chérif Chekatt, nascido em fevereiro de 1989, disparou junto ao mercado de Natal no centro de Estrasburgo, em França, matando pelo menos três pessoas (uma está em morte cerebral) e ferindo outras 13 pessoas - seis das quais em estado grave, segundo o último balanço das autoridades. O atacante andou por várias ruas, ora disparando ora usando também uma faca. Disparou contra quatro militares, que ripostaram e o atingiram no braço.


Pelo menos 350 agentes e polícias estão no terreno à procura do atirador, dos quais 100 membros da polícia judiciária, e dois helicópteros. Há indicações de que a polícia alemã intensificou o controlo nos postos fronteiriços com a França, para evitar a fuga do suspeito. Depois do ataque foram repostos os controlos nas fronteiras para evitar que o atirador saia do país. Há também uma atenção especial das forças de segurança aos mercados de Natal existentes por toda a França, para evitar outros "ataques por mimetismo". Durante a noite, as autoridades efetuaram buscas na casa do suspeito, onde a polícia encontrou uma granada defensiva e uma arma de pequeno calibre. Dois irmãos do suspeito foram entretanto detidos para interrogatório. Pelo que se sabe, o atirador iria ser detido esta terça-feira de manhã pela polícia, mas não o encontraram no seu local de residência.


O Parlamento Europeu, que tem uma base em Estrasburgo, foi fechado e todos que estavam lá foram proibidos de sair. 


A França já se encontrava em alto nível de alerta terrorista desde que aconteceram uma série de atentados jihadistas que deixaram 246 mortos em 2015. A última vítima de ataque terrorista no país foi esfaqueada por Khamzat Azimov - um jovem de 20 anos morto pela polícia - no bairro turístico da Ópera, em Paris, no dia 12 de maio de 2018.


Fontes:


https://www.dn.pt/mundo/tiroteio-em-mercado-de-natal-em-estrasburgo-pelo-menos-um-morto-10308168.html


https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2018/12/11/tiros-estrasburgo.htm?cmpid=copiaecola


 


 

19/11/2018

Tragédia anunciada - aluimento de terras em Borba

Na aldeia de Borba, Évora, cerca das 15h45 de hoje, ocorreu um aluimento de terras que arrastou parte de uma estrada para dentro de uma pedreira. A pedreira estava cheia de água e foi lá que caíram as vítimas.

O aluimento de um troço da antiga EN 255, no percurso entre Borba e Vila Viçosa, arrastou três viaturas (um carro, uma carrinha caixa aberta e uma retroescavadora) para dentro de uma pedreira, fazendo "duas vítimas mortais e pelo menos quatro desaparecidos". Segundo o comandante da Proteção Civil, José Artur Neves, as operações de busca e resgate são extremamente delicadas e morosas "podem levar semanas" a concluir. 

Olhando as imagens que têm repetidamente passado nas emissões noticiosas, havia uma estrada, estreita, sem seguranças laterais que "caía" a pique de ambos os lados para uma profundidade absurda de escavações. Olhar, mesmo de longe, mete medo, quanto mais circular por ali diariamente. Ainda mais, sabendo-se que há dois dias terá sido sentido um pequeno sismo na zona, o que aliado às chuvadas fortes que têm assolado a região, podiam ser um sinal de alerta e de prevenção, o que não chegou a acontecer a tempo!

Mas de certo, alguém devia saber o que fazia mantendo a estrada aberta. A "tragédia" estava para acontecer a qualquer momento. Esta foi a frase mais repetida por moradores e familiares das vítimas no local. O mau estado da estrada que passava entre duas pedreiras, uma delas desativada, já tinha motivado alertas de várias pessoas e entidades. Há agora a lamentar as vítimas. E um dia, talvez se encontrem responsáveis pelo desastre que, mais uma vez, poderia ter sido evitado.

Fontes:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/acidenteborba-autarca-lamenta-pelo-menos-duas-mortes-em-acidente-nas-pedreiras

https://www.dn.pt/pais/a-tragedia-anunciada-da-estrada-que-abateu-em-borba-10202364.html


 


 

11/11/2018

100 anos do Armistício que pôs fim à Grande Guerra

Em primeiro lugar, é preciso contextualizar que a 1ª Guerra Mundial - ou a Grande Guerra - que começou em 1914 e se tornou num dos maiores massacres do Século XX. Estima-se que cerca de 10 milhões de soldados tenham perdido a vida, sem contabilizar as baixas civis que a guerra, direta ou indiretamente, provocou.

O Armistício, que veio colocar um fim a este grande conflito, ocorreu no dia 11 de novembro de 1918, precisamente há 100 anos. A Alemanha e os Aliados assinaram dentro de um vagão-restaurante, na floresta de Compiègne, em França, o Armistício de Compiègne, que representou a rendição alemã e o fim da Primeira Guerra Mundial. No ano seguinte, a 28 de junho, seria então assinado o Tratado de Versalhes - tratado de paz assinado pelas potências europeias que encerrou oficialmente a Primeira Guerra Mundial.

Mas temos de voltar um pouco mais atrás para perceber que guerra foi esta.

O fim da Grande Guerra | Arquivo Nacional Torre do Tombo


De um lado, estava o bloco composto pelos aliados - Grã-Bretanha, França, Sérvia e Rússia Imperial (às quais se uniram posteriormente a Grécia, Portugal em 1916, Roménia e Estados Unidos em 1917) e do outro, a Tríplice Aliança, composta pela Alemanha e Império Austro-Húngaro (às quais se uniram posteriormente o Império Turco Otomano e a Bulgária). Apesar da Itália ter começado por lutar do lado da Alemanha, acabou por se juntar aos Aliados. Esta guerra ocorreu com conflitos no mar e em terra - esta foi também chamada "Guerra das Trincheiras", - mas, pela primeira vez, a guerra acontecia também no ar.

A guerra começou quando o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono austro-húngaro, e a sua esposa, a arquiduquesa Sofia, foram assassinados em Sarajevo, que na época fazia do Império Austro-Húngaro. Podemos afirmar que, apesar da Grande Guerra "ter sido desencadeada por uma série de acontecimentos subsequentes ao assassinato do arquiduque, as causas da guerra são muito mais profundas, envolvendo uma série de questões políticas, culturais e económicas, além de uma complexa teia de alianças que se desenvolveram entre as diferentes potências europeias ao longo do século XIX, após a derrota final de Napoleão Bonaparte, em 1815, e o Congresso de Viena."

Os vários estados imperialistas e as dificuldades associadas à partilha dos territórios africanos, foram apenas algumas das causas. Associado às políticas nacionalistas que se iam desenvolvendo em França (no pós revolução francesa) e na Alemanha, surgiu um outro ponto de tensão, mais a leste, com a disputa sobre as províncias dos Bálcãs. A Bósnia e Herzegovina foi anexada ao território Áustro-Hungria em 1908, (que desde o Congresso de Berlim em 1878, estava no Império Otomano, mas se encontrava de facto sob gestão Austro-Húngara). Esta situação veio perturbar o frágil equilíbrio de poder nos Bálcãs, causando uma contra-reação da parte da Sérvia e dos nacionalistas pan-eslavos na Europa. "Com o enfraquecimento da Rússia, o país incitou o sentimento pró-russo e anti-austríaco na Sérvia e em outras províncias dos Bálcãs, provocando temores austríacos do expansionismo eslavo na região."

Se Guilherme I, tinha assegurado alianças de paz entre a Alemanha e quase todos os países da Europa (à exceção de França) e de "um entendimento diplomático com a Rússia," a chegada ao trono de um monarca mais jovem, afasta Bismark e deita por terra muitos dos acordos até ali conseguidos. 

Guilherme II "não conseguiu renovar o tratado de 1887 com a Rússia." A França republicana, sua opositora, consegue então fazer "uma aliança com o Império Russo. No entanto, o pior ainda estaria para vir, uma vez que Guilherme II encetou esforços para a criação de uma marinha germânica que fosse capaz de ameaçar o domínio Britânico dos mares, abrindo caminho para a Entente Cordiale de 1904 entre a França e Inglaterra e a sua expansão para com os Russos em 1907, formando a Tríplice Entente (em oposição à Tríplice Aliança de 1882 - entre a Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália)."

Em 1912, num Conselho de Guerra, é proposto enão por Guilherme II que a Sérvia fosse atacada, defendendo que, se a guerra era inevitável, quanto mais cedo melhor, de forma a que se antecipasse a construção da linha férrea que ligaria a Rússia ao território alemão. No entanto, foi necessário preparar e equipar o exército, tendo a guerra começado a 28 de julho de 1914.

Entre agosto de 1914 e novembro do mesmo ano, as Potências Centrais realizaram uma grande ofensiva nas duas principais frentes de batalha - a oriental e a ocidental. Na frente ocidental, os alemães avançaram pelo território francês, chegando a cerca de 50 quilómetros da capital, Paris.

A partir de novembro de 1914, o avanço das Potências Centrais, acabou por ser contido, dando início a um novo tipo de guerra: a guerra de trincheiras. "Nesta, os exércitos utilizam trincheiras, cercas de arame farpado, campos minados, posições de metralhadoras, artilharia e fortificações para defender" os seus territórios. Na frente ocidental, o sistema de trincheiras e fortificações "estendia-se por cerca de 760 km."

Uma das batalhas mais importantes foi a que ocorreu junto ao rio Somme. Só no primeiro dia (1 de julho de 1916), exército britânico, "perdeu cerca de 57000 soldados," nesta batalha, em que se usaram pela primeira vez na história, tanques de guerra. Dos "mais de três milhões de soldados" que combateram durante quase cinco meses, estima-se que cerca de 400 mil tenham perdido a vida.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Guerra_Imperial_Alem%C3%A3o_de_8_de_dezembro_de_1912

https://pt.wikipedia.org/wiki/Causas_da_Primeira_Guerra_Mundial

https://pt.wikipedia.org/wiki/Primeira_Guerra_Mundial

https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/batalha-do-somme.htm

https://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/o-fim-da-grande-guerra/



 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...