16/12/2025

Apesar dos alertas de mau tempo, dois naufrágios

Nos últimos dias, o mar tem estado revolto, os ventos fortes atingem a costa e fustigam as barras. Apesar de não estarmos em alerta, têm sido emitidos avisos à navegação e tem sido pedido que se reforcem os cuidados. Sair para a pesa é, muitas vezes, mais do que uma decisão a tomar, uma (quase) obrigação. Porque os outros vão... porque nunca acontece nada...


Mas acontece e no domingo, uma embarcação acabou mesmo por naufragar "ao largo de Caminha", com cinco ocupantes. Dois foram resgatados e levados ao hospital e estão ainda "três pescadores indonésios desaparecidos no mar." Apesar das buscas intensas e que se estenderam até Espanha, apenas alguns vestígios do naufrágio foram encontrados. O barco terá naufragado junto de uma zona rochosa, perto da ilha de Ínsua.


Hoje, "os distritos de Faro, Setúbal, Lisboa, Leiria, Beja e Coimbra" encontravam-se "sob laranja devido à agitação marítima forte," e assim estarão até amanhã. Os "distritos do Porto, Viana do Castelo, Aveiro e Braga" estão "sob aviso amarelo até às 03:00 de quarta-feira," com as "barras marítimas de Viana do Castelo, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Douro, Figueira da Foz, Nazaré e Cascais, (...) fechadas a toda a navegação."


Hoje, mais um naufrágio, desta vez ao largo de Aveiro. Uma embarcação que se encontrava por perto e que acorreu às buscas, ainda conseguiu "resgatar três dos sete tripulantes da embarcação, mas um deles não resistiu," acabando por ser posteriormente confirmada a sua morte. Ainda faltam encontrar outros quatro pescadores. Refira-se que a "barra marítima de Aveiro está condicionada a embarcações de comprimento inferior a 35 metros." O barco, com o nome “Carlos Cunha”, "está registado em Vila Praia de Âncora." O mestre é português e penso que saberia dos alertas e avisos, "mas a maioria dos membros da tripulação são de nacionalidade indonésia." O barco tem um comprimento entre os "12 e os 14 metros," dedicando-se à "faina especialmente do espadarte” e estando habitualmente fundeado em Vigo. Como é que temos tantos pescadores de nacionalidade indonésia a operar em barcos portugueses? Em que condições e com que formação e meios é que trabalham?


Neta de um homem do mar (filha de pescadores, mas que era em terra que faziam o seu trabalho), sei o que é esperar por notícias. Sobrinha-neta de pescadores, sei o que é chorar quem se perde na rebelia das ondas. E sei que sempre se arriscou muito. Hoje, com muitos mais recursos e muito mais informações, barcos que estão (ou deveriam estar) equipados com radares, sonares e estações meteorológicas, ainda se choram muitos mortos. Às famílias e amigos, que o mar seja rápido a devolver-vos os vossos. E espero que, depois das buscas, se apurem responsabilidades. Há regras, há licenças, há até formação... esperemos que estas duas embarcações tivessem tudo isso em ordem e que não estivessem a operar de forma "menos" legal.


Fontes:


https://observador.pt/2025/12/14/buscas-no-mar-por-pescadores-depois-de-barco-de-pesca-ter-virado-em-moledo/


https://sicnoticias.pt/pais/2025-12-16-naufragio-de-embarcacao-de-pesca-ao-largo-de-aveiro-ha-quatro-tripulantes-desaparecidos-f948ab0c


https://sicnoticias.pt/meteorologia/2025-12-16-agitacao-maritima-forte-deixa-6-distritos-do-continente-em-aviso-laranja-72464540


https://ominho.pt/barco-de-pescadores-que-naufragou-em-aveiro-e-de-vila-praia-de-ancora/

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