29/01/2026

Depois da tempestade...

... poderia vir a bonança, mas a chuva continua a cair com intensidade e o vento, embora menos forte, continua a fazer estragos. As notícias, que ontem já eram alarmantes e nos davam conta da tragédia que o país estava a viver, mostram-nos hoje que os danos são bem maiores do que inicialmente se previa.

As regiões de Leiria, da Batalha, de Santarém e de Coimbra ficaram praticamente destruídas. Os distritos de Castelo Branco e de Portalegre também sofreram fortes danos. Os rios estão na capacidade máxima e começam a ser abertas as comportas para se libertar os rios da grande pressão a que as barragens estão sujeitas - não se quer que rebentem, então há que as ir escoando. Isto levou a agravar a situação em alguns municípios, como foi o caso de Alcácer do Sal, onde o "Rio Sado acabou por galgar o muro de suporte na frente ribeirinha."

Na zona da Marinha Grande, fortemente atingida por este corredor de tempestades, está a ser feita uma recolha de "mantas e cobertores (em bom estado) para apoiar as pessoas desalojados, após a passagem da depressão Kristin," de forma a salvaguardar algum conforto a quem teve de sair de casa. A autarquia ativou ainda um "Gabinete de Apoio Social para apoiar quem possa estar a sentir dificuldades devido à Tempestade Kristin." Muitas outras câmaras formaram gabinbetes de crise em que se uniram esforços para socorrer quem precisava. E os pedidos des ajuda não pararam ainda de chegar!

Além da destruição direta causada pela tempestade, há agora problemas derivados da afetação dos cabos de linha elétrica e de redes de comunicações. Pelo país são vários os Centros de saúde que se encontram encerrados por não haver eletricidade, o mesmo estando a acontecer com farmácias, escolas, estações de correio, entre outros serviços. Então, parece que pouco se aprendeu com o apagão. Nos serviços municipais, continuam a faltar geradores e, não há água corrente em diversas aldeias e cidades do nosso território. Mais de 24 horas depois da tempestade, ainda há zonas completamente isoladas. Por volta das 6h de ontem, dia 28, havia ainda "cerca de um milhão os clientes da E-Redes sem energia eléctrica em Portugal continental, a maioria nos distritos de Guarda, Coimbra, Castelo Branco, Portalegre, Leiria, Santarém e Setúbal." As falhas de eletricidade levaram também a falhas nos "abastecimento de água" e no "acesso a telecomunicações." Segundo a E-Redes, só no "distrito de Leiria, o mais afetado pela passagem da depressão Kristin," havia esta manhã, dia 29, cerca "de 260 mil clientes afetados" levando a que fosse ativado o "estado de emergência", tendo a empresa instalado naquela zona "30 geradores e estando a ser mobilizados mais cerca de 200." Foram identificados pelos técnicos da E-Redes, "450 postes de Alta e Média Tensão partidos ou danificados, assim como 24 subestações afetadas, das quais oito permaneciam por ligar, estando as dificuldades de acesso a condicionar a identificação total dos danos e a sua reparação."

No caso de Leiria, algumas habitações começava a ter eletricidade, esta manhã, "mas apenas estão a beneficiar das estações móveis ligadas aos postos de transformação que a E-Redes está a instalar junto das "infraestruturas nevrálgicas", como são os "quartéis de bombeiros, hospital ou centros de saúde." Nesta zona, há ainda a lamentar a destruição do pinhal de Leiria, do "terminal de autocarros," do "estádio municipal Dr. Magalhães Pessoa" e também de uma parte do "Santuário de Nossa Senhora da Encarnação." Em Fátima, o Santuário também teve danos significativos." Em Figueiró dos Vinhos, "cerca de 120 agregados familiares sofreram estragos nos telhados das suas habitações, o que poderá levar a autarquia a proceder a realojamentos" e a "mata municipal do Cabeço do Peão," também ficou com danos que tão cedo serão irreparáveis.

Em Gondomar, devido à subida do rio Sousa, uma equipa da Guarda Nacional Republicana, em colaboração com a "Proteção Civil" e com a "Polícia Municipal de Gondomar", ajudaram a "retirar 25 cães de instalações na freguesia de Covelo." Os animais foram postos em segurança.

Os presidentes de junta têm de ir aos quartéis pedir para usar telefones de satélite, quando os há para pedir ajuda. Não estamos preparados. As nossas câmaras estão muito fracas ao nível da proteção civil e não digo que a culpa seja de quem lá está, neste momento, mas culpo sim a falta de preparação e de antecipação. Continuem a fazer simulacros em que está tudo avisado e sai tudo muito bonito e ão vejam o que pode realmente acontecer.

Temos no terreno em apoio direto à população milhares de meios - esses não costumam falhar e trabalham com os parcos recursos que têm - da cruz vermelha e dos bombeiros. Acrescentem-se os homens e mulheres do exército, da GNR, da PSP, das associações de proteção aos animais e muitas mais - eles estão lá a ajudar, a trabalhar diariamente, muitas vezes muito além das suas capacidades. E os grupos de proteção civil pertencentes aos municípios também estão no terreno, funcionários das câmaras municipais, das juntas de freguesia e populares que se uniram para cuidar dos seus, para limpar as ruas, reconstruir telhados... mas não chega! É preciso reforçar as zonas mais atingidas. Foi declarado Estado de Calamidade, o que significa que estão previstos "limites ou condicionamentos à circulação e a fixação de cercas sanitárias. Quem desobedecer, poderá mesmo incorrer num crime." Agora os recursos têm de ser direccionados para as regiões que mais precisam.

Digo só, só tivemos cinco vítimas mortais (as confirmadas até agora), mas porque aconteceu durante a noite e, nisso funcionou muito bem, houve dezenas de alertas às populações, avisos por mensagem ou nas televisões, jornais e rádios. Toda a imprensa se mobilizou e, desta vez, até foi pior do que fizeram crer. Mas as pessoas ficaram em casa - na sua maioria - cumpriram o que lhes era pedido, prepararam-se. O fenómeno é que foi bem mais forte do que nós achavamos que seria possível de atingir o nosso país. Não estamos acostumados, mas temos de nos mentalizar que este tipo de fenómenos vai começar a ser cada vez mais frequente.

Já aqui tinha deixado, num post anterior, referência a muitos dos danos causados pela Ingrid. Muitas pessoas acordaram com o barulho de telhas a cair e de vidros a partirem-se. Logo o vento e a chuva começaram a entrar também dentro das habitações. A destruição, em muitas casas, não foi apenas exterior. Algumas das árvores que caíram, derrubaram chaminés, varandas, rasgaram telhados e abriram fendas nas paredes das casas. Outras esmagaram viaturas como se fossem folhas de papel. Ontem estava a ouvir na rádio, o autarca da Batalha e fiquei de coração apertado. Além dos seis desalojados, muitas casas acabaram por sofrer danos. Descreve um cenário desolador, com centenas de árvores e de poste caídos, havendo ainda "danos significativos" em vários edifícios industriais e "até num pavilhão desportivo." Tal como noutras regiões, também ali a rede SIRESP deixou de funcionar e o autarca precisou de se deslocar até Ourém para pedir auxílio.

Lembro-me da grande tempestade de 1941 (não me lembro, não era nascida, mas ouvi falar dele muitas vezes e tenho vindo a pesquisar sobre os seus efeitos), um ciclone que atingiu o nosso país. Neste caso, o fenómeno "teve origem numa vasta depressão centrada a oeste da Irlanda mas abrangendo a sua influência à Europa Ocidental e a Península Ibérica," provocando elevados estragos numa "vasta área de Portugal e metade do Noroeste da Península Ibérica." No caso do ciclone de 1941, sabe-se que as "tempestuosas velocidades de vento (de nascente) observadas" decorreram da "conjugação de forte actividade ciclogénica com a aproximação e passagem de uma superfície frontal fria." No caso que se passou esta semana, não foi considerado um ciclone, mas sim um "comboio" de tempestades: depois das depressões Ingrid e Joseph, chegou a mais forte de todas, a Kristin. 

Em 1941, houve um "elevado número de vítimas mortais, superior a uma centena, e o número indefinido de feridos. Muitas das vítimas mortais, em especial, em Lisboa, Alhandra, Sesimbra, Alhos Vedros terão sido por afogamento devido a inundações que ocorreram nas áreas ribeirinhas." Felizmente, agora isso não ocorreu e, penso eu, por dois motivos: a população estava avisada e as casas são agora mais resistentes a este tipo de intempéries do que eram naquela altura.

 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ciclone_de_1941

https://www.publico.pt/2026/01/28/azul/noticia/kristin-deixou-tras-cinco-vitimas-mortais-rasto-destruicao-2162842

https://www.jn.pt/pais/artigo/seis-desalojados-na-batalha-e-rede-siresp-deixou-de-funcionar-devido-ao-mau-tempo/18045868

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-29-video-inundacoes-em-alcacer-do-sal-algumas-zonas-tem-um-metro-de-agua-e-situacao-pode-agravar-se--abec9ff6

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-29-depressao-kristin-deixa-rasto-de-destruicao-beb621d0

 

28/01/2026

Uma noite complicada

Perante os avisos do IPMA e da Proteção Civil, esta noite optámos por ficar em casa e não nos deslocarmos para o ensaio a que deveríamos ter ido. Ontem a noite foi muito complicada, mas felizmente, nós conseguimos ficar em segurança. Como residente no distrito de Setúbal, recebi vários  alertas e pela comunicação social fui-me mantendo informada. De facto foi mesmo uma noite praticamente passada em branco. O nosso distrito "esteve sob avisos meteorológicos associados ao vento e à agitação marítima, tendo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitido aviso vermelho para a agitação marítima em vários períodos, alertando para ondulação forte e condições perigosas junto à orla costeira."

Aqui pelo concelho do Seixal os danos limitaram-se à queda de estruturas metálicas (cartazes) e algumas árvores e ramos que foram caindo sobre as vias de circulação. "A Proteção Civil da Câmara Municipal do Seixal procedeu ao corte do trânsito, em ambos os sentidos, no início da Avenida Carlos Oliveira, na zona do Cavadas." Esta decisão foi tomada devido "ao estado do muro da antiga Fábrica de Moagem — atualmente convertida em restaurante — que apresenta várias fissuras e infiltrações de água, representando um potencial risco para a segurança pública." No concelho do Seixal, estiveram cortados o "troço compreendido entre o cruzamento com a Avenida 6 de Novembro de 1836 e o cruzamento com a Avenida General Humberto Delgado" e a "Avenida Dr. Arlindo Vicente," na zona da Arrentela. Já na Amora, "esteve cortada a Rua Infante Dom Augusto (Estrada do Talaminho), entre a Rua Arquiteto José António Conde (acesso à Quinta da Princesa) e a Avenida 25 de Abril (EN10)." Na Aldeia de Paio Pires, foram cortadas as ruas "José Gregório de Almeida, entre a Avenida Siderurgia Nacional e a Rua Quinta da Galega e na Rua Quinta da Galega (prolongamento da rua do Desembargador), entre a Rua Quinta da Campina e a Rua José Gregório de Almeida." Devido à queda de árvores, foi também preciso "fechar o trânsito na Rua das Artemísias, em Belverde, e na Rua Quinta das Conchas, em Fernão Ferro."

No concelho de Almada, os maiores danos registaram-se também várias ocorrências. Na Costa da Caparica, uma "árvore de grande porte caiu" sobre o estacionamento de uma zona residencial, danificando gravemente "três viaturas ligeiras." Houve também graves danos nas "infraestruturas desportivas da Associação Desportiva de Almada, onde a bancada ficou danificada e, segundo a informação disponível, destruída." Existem registos de "rajadas de vento" muito fortes que "terão chegado aos 140 km/h, contribuindo para a degradação rápida de várias estruturas, incluindo painéis que ficaram dobrados e cadeiras que foram deslocadas, acabando por ficar inutilizáveis."

Registou-se uma morte em Vila Franca de Xira, devido à queda de uma árvore de grande porte sobre a viatura em que seguia. O acidente mortal aconteceu "na N1 em Povos."

Na freguesia de Vieira de Leiria, na Marinha Grande, um homem de 34 anos perdeu a vida, "na sequência do mau tempo," havendo ainda a lamentar "uma dezena de feridos ligeiros, cerca de meia centena de desalojados e uma situação de destruição por todo o território."

No caso de Leiria, há a lamentar pelo menos três mortes "relacionadas com o fenómeno (duas em Carvide, uma mulher com 36 anos e um homem com 58 anos) relacionadas com desabamento de telhados, anexos." Este foi um dos concelhos mais afetados, onde a maioria das ocorrências registadas prendem-se com danos "em equipamentos públicos e em propriedade privada, afetando infraestruturas essenciais, espaços públicos, habitações, atividades económicas e o normal funcionamento da vida comunitária”. Foi por exemplo atingido o Hospital de Leiria e o Estádio Municipal. Responsáveis da autarquia consideram que é "indispensável" ativarem-se "mecanismos extraordinários de apoio, que permitam mobilizqar meios adicionais," sendo ainda salientado salienta que “a dimensão e gravidade dos estragos ultrapassam claramente a capacidade de resposta normal do município, configurando, como tal, uma situação excecional com forte impacto social e económico”. A possibilidade não foi ainda descartada pelo Primeiro-ministro, que já afirmou "ter estado desde a primeira hora atento às necessidades de serviços públicos como o hospital de Leiria, garantindo que estão a ser tomadas todas as diligências para que não haja problemas no fornecimento de energia, até ver por geradores."

Na Figueira da Foz, nove pessoas, pertencentes a "quatro famílias, residentes em três freguesias do município da Figueira da Foz, ficaram desalojadas devido à depressão Kristin." A Câmara está a tratar do seu realojamento. Já em Vila Real, além dos ventos fortes, a neve também veio agravar a situação, provocando o corte de estradas.

Entretanto, devido ao forte vento, Nazaré viu as suas ruas ficarem completamente cobertas por areia. Em Coimbra, o "vento que se fez sentir de madrugada destruiu várias aeronaves e o hangar da empresa de manutenção do Aeródromo Municipal Bissaya Barreto," e em Montemor-o-Velho, o Centro Náutico sofreu também vários prejuízos.

Já na zona de Lisboa e concelhos limítrofes e, também na região centro e norte do país, a situação foi ainda mais complicada. "Segundo a ANEPC, a depressão Kristin provocou mais de mil ocorrências em todo o país, sobretudo relacionadas com quedas de árvores e de estruturas, que afetaram de forma mais significativa os distritos de Leiria, Coimbra e Lisboa."

A passagem desta depressão afetou ainda, em vários pontos do país, "as redes de fornecimento de eletricidade, deixando dezenas de milhares de consumidores sem energia ao longo da madrugada e início desta manhã. As empresas responsáveis ativaram planos de contingência para repor o serviço de forma gradual."

No que respeita aos transportes, "o temporal provocou estradas cortadas ou condicionadas, interrupções pontuais na circulação ferroviária e atrasos em vários eixos rodoviários, sobretudo devido à queda de árvores e objetos na via pública." Várias escolas estiveram hoje sem aulas, em alguns casos devido à falta de eletricidade e de água, mas noutros apenas devido a não estarem garantidas as condições de transporte e deslocação de crianças para as aulas em segurança.

Em Silves, Faro, uma mulher de 85 anos de nacionalidade holandesa, foi arrastada, na sua viatura, pela subida da água. As equipas de socorro terão recebido "um alerta cerca das 11h50, dando conta de que uma mulher teria tido um acidente e precisaria de socorro, e à chegada ao local iniciaram as buscas para encontrar o veículo, que acabou por ser localizado cerca das 15:20, com a vítima mortal, de 85 anos, no interior." A região continuava inundada ao fim do dia.

A tempestade trouxe ventos fortes e ultrapassou mesmo os valores da tempestade Leslie, tendo sido registada a "maior rajada de vento" que atingiu os "178 km/h e foi registada na Base Aérea de Monte Real." Minutos antes, a "mesma estação militar" tinha registado "uma rajada de 176 km/h. Depois disso, ficou destruída pelo vento. Foi assim batido o recorde nacional, que era de 176,4 km/h, na Figueira da Foz, a 13 de Outubro de 2018, durante a tempestade Leslie."

É impossível referir todas as situações, pois o país está um verdadeiro caos. Só espero que as pessoas afetadas sejam rapidamente ajudadas e que a resolução dos danos sejam apoiada financeiramente, pois ninguém tem culpa da ocorrência destes fenómenos extremos.

Fontes:

https://diariodistrito.sapo.pt/seixal-transito-cortado-na-avenida-carlos-oliveira-devido-a-risco-estrutural/

https://sapo.pt/artigo/arvore-cai-na-costa-da-caparica-e-destroi-tres-carros-6979c15f8be5d9b0998e7f8b

https://sapo.pt/artigo/estrutura-cai-com-a-furia-da-tempestade-e-mata-em-leiria-6979fa610c790b08bd40a00d

https://sapo.pt/artigo/depressao-kristin-duas-mortes-confirmadas-e-elevados-prejuizos-apos-severa-madrugada-de-quarta-feira-em-portugal-6979fa620c790b08bd40a10e

https://observador.pt/liveblogs/passagem-da-depressao-kristin-faz-uma-vitima-mortal-em-vila-franca-de-xira/#liveblog-entry-748667

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-01-28-os-efeitos-da-passagem-da-depressao-kristin-em-portugal-7a90d84b

 

 

 

22/01/2026

Depois da tragédia, comboios parados em Espanha

Depois do acidente de domingo à noite, já ocorreram outros três acidentes, nas linhas de caminhos de ferro espanholas.

O primeiro acidente e, até agora, o mais grave ocorreu na região de Adamuz e fez 43 vítimas mortais e 42 desaparecidos. Mantêm-se nos Cuidados Intensivos ainda 13 feridos graves. Ainda decorre a investigação sobre este acidente, mas alguns indícios apontam para já para "uma falha na soldadura do carril como causa do acidente." Em imagens do local do descarrilamento inicial, é visível "claramente a rutura da soldadura e o desprendimento de uma secção do carril."

Já esta terça-feira, "um comboio de passageiros" colidiu "com um muro de contenção que colapsou sobre os carris em Barcelona." O acidente acvonteceu "ao quilómetro 64 da Rodalies entre Gelida e Sant Sadurní d'Anoia," tendo resultado na "morte de um maquinista de 28 anos que estava em fase de treino." Há ainda a lamentar "cerca de 40 feridos, cinco deles em estado grave." Tal como no acidente de domingo, este local onde ocorreu o acidente de Gelida não seria “considerado um ponto problemático pelos maquinistas”, relembrando que no caso de domingo, o acidente ocorreu numa reta.

Registou-se ainda no mesmo dia um outro acidente, desta vez na região de "Lloret de Mar, na província de Girona," Catalunha. Neste caso, o "comboio terá saído da linha devido a uma pedra na via, na sequência do mau tempo que está a assolar Espanha," não havendo feridos a registar.

O último ocorreu hoje na região de Cartagena, e resultou em ferimentos em seis pessoas, quando "um comboio colidiu com uma grua."

Numa semana considerada trágica, o maior "sindicato espanhol de maquinistas de comboios" (Semaf) anunciou ontem que iriam avançar com uma "greve geral" para "reivindicar garantias de segurança na rede ferroviária de Espanha, depois dos acidentes desta semana, em que morreram mais de 40 pessoas." O sindicato considerou "inadmissível a deterioração" da rede ferroviária espanhola.," pedindo "medidas urgentes, assim como que sejam responsabilizadas penalmente" todos aqueles que tenham falhado na sua obrigação de "garantir a segurança da infraestrutura".

Ontem, "os comboios suburbanos da Catalunha" encontravam-se "todos parados," para que se pudesse proceder a inspeções em "todas as vias, por decisão da empresa Adif, que gere as infraestruturas ferroviárias em Espanha." O sindicato recomendou ainda que os "maquinistas que não se sintam em condições de trabalhar," pela justificável "carga emocional," que os acidentes desta semana lhes tenham provocado, "que não o façam e o comuniquem às chefias."

O acidente de domingo, foi "o mais grave acidente ferroviário ocorrido em Espanha desde o descarrilamento do comboio de alta velocidade (Alvia) de 24 de julho de 2013, em Angrois, perto de Santiago de Compostela, que se saldou em 80 mortos e 144 feridos." Por cá, nos últimos dias, as ferrovias também têm sido tema de conversa, mas felizmente mais pelos atrasos sucessivos. Esperemos que a chegada da tempestade Ingrid à Península Ibérica não venha a agravar a situação das ligações ferroviárias e que não se arrisque circular em vias inundadas ou em zonas de risco de derrocadas. Acho que já chega de tragédias para estes dias.

Fontes:

https://expresso.pt/internacional/europa/espanha/2026-01-21-tres-acidentes-em-dois-dias-desastres-ferroviarios-em-espanha-provocam-mais-de-40-mortos-3a902fd0

https://expresso.pt/internacional/europa/espanha/2026-01-21-maquinistas-espanhois-em-greve-para-exigir-seguranca-na-ferrovia-apos-acidentes-desta-semana-148b85a7

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-01-22-video-mais-um-acidente-em-espanha-comboio-choca-contra-grua-em-alumbres-d4b081e2

https://sicnoticias.pt/mundo/2026-01-20-video-pelo-menos-1-morto-e-varios-feridos-em-novo-acidente-ferroviario-em-espanha-a110fa3a

19/01/2026

Acidente ferroviário em Espanha

Ao final da tarde de ontem, ocorreu em Ademuz, Córdova, um acidente ferroviário envolvendo dois comboios. A primeira composição, um comboio de alta velocidade pertencente à "companhia Iryo, que tinha partido de Málaga às 18:40 de domingo com destino a Puerta de Atocha com 317 pessoas a bordo, descarrilou os seus três últimos vagões às 19:39 locais, mais uma hora do que em Lisboa, e invadiu a via contígua, pela qual circulava, nesse mesmo momento, outro comboio da Renfe com destino a Huelva, que também descarrilou." Os vagões do primeiro comboio, que "colidiram com os dois primeiros vagões do comboio da Renfe," projetando-os. O acidente aconteceu num "local conhecido como o apeadeiro de Adamuz," onde existe "um ponto de mudança de agulhas."


Deste acidente resultaram 39 vítimas mortais e mais centena e meia de feridos, dos quais 73 estão ainda ingternados e "24 das quais em estado grave." Foram decretados "três dias de luto nacional, de terça a quinta-feira." Estranho foi este acidente ter ocorrido numa reta, numa via que "foi totalmente renovada recentemente" e com um comboio com apenas quatro anos de uso, que tinha sido submetido a uma "inspeção na quinta-feira." Ambos os comboios atingem facilmente velocidades de mais de 200 Km/hora (o primeiro pode mesmo atingir cerca de 400 Km/h). No entanto, a "agência Reuters" relatou que "teve acesso a uma carta do sindicato dos maquinistas espanhóis (SEMAF), enviada em agosto de 2025, em que se alerta para o desgaste severo dos carris da ferrovia de alta velocidade, incluindo no troço onde os dois comboios colidiram." Ñesta carta, o "sindicato apontava, (...) para buracos, irregularidades e desequilíbrios que estavam a provocar avarias frequentes e a danificar os comboios."


Ainda não foram apuradas as causas do acidente, mas relatos indicam que foi encontrada uma peça (uma junta ou união) partida.


Fontes:


https://www.dn.pt/internacional/sobe-para-39-o-nmero-de-mortos-em-acidente-ferrovirio-em-espanha


https://www.ojogo.pt/extra/artigo/dois-cidadaos-portugueses-sinalizados-no-local-do-acidente-com-comboios-em-espanha/18042239


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/espanha-sobe-o-numero-de-mortos-apos-colisao-de-comboios-de-alta-velocidade_n1711326


 

18/01/2026

A primeira já está... vamos à segunda volta

Hoje o país foi votar e, tal como era anunciado pelas muitas sondagens que foram apresentadas nos últimos dias, António José Seguro e André Vaentura passam à segunda volta. Em causa está o lugar mais alto da nação, o cargo de Presidente da República. Depois de se terem confirmado os dois candidatos que passam à segunda volta, começam a manifestar-se os interesses de voto para ambos os lados. Ainda as urnas não se tinham fechado e já se perspetivava que a segunda volta seria disputada por estes dois candidatos: um da esquerda democrática, o outro da extrema direita. Estas eleições ficaram desde logo marcadas pela grande afluência às urnas e pela diminuição dos números da abstenção.


Desde logo, Seguro que não tinha sido inicialmente apoiado pelo PS, começa agora a receber apoios e votos de confiança de figuras como José Luís Carneiro, Catarina Martins, ou José Manuel Pureza. Também Jorge Pinto, Rui Tavares e Isabel Mendes Lopes, do Livre, e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, referem que vão dar o seu apoio a Seguro. Paulo Raimundo diz mesmo que o seu "voto no candidato António José Seguro não significa um apoio ao candidato António José Seguro e àquilo que ele defendeu enquanto candidato e o que tem defendido ao longo da sua atividade política, mas significa a vontade imperiosa de derrotar o candidato André Ventura e é isso que estará, fundamentalmente, em causa nestas eleições."


Nem Cotrim, nem o Primeiro-ministro Luís Montenegro, recomendam ou endossam o seu voto para esta segunda volta, o que nos deixa com algumas questões. Se por um lado, nada os obriga a dizer em quem vão votar, por outro a não escolha pode significar uma virada ao extremismo que, se virmos bem as coisas, não tem sido descartado por estes políticos. Cotrim havia até referido, uns dias antes das eleições que poderia votar em Ventura, o que mesmo tendo sido um lapso, não deixa de ser um ponto a considerar. Do lado dos liberais e contrariamente à opinião manifestada por Cotrim de Figueiredo, tanto José Miguel Júdice, como Mário Amorim Lopes, afirmam votar em Seguro. Já do lado do PSD e, contrariamente à opinião de Luís Montenegro, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte (autarca do Porto) já vieram manifestar-se a favor de apoiar Seguro, pois a outra candidatura seria impensável num país que se quer democrático.


Já o líder do Chega, André Ventura, "considera ainda que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita". Desde logo, Ventura começou por se dizer líder da direita nacional e que  Os seus atos e declarações foram, para quem os observou bem, cheios de simbolismos: a Família, a postura da esposa ao seu lado, a saída da igreja onde tinha ido assistir à missa... e é nesse momento que apela a um “radicalismo de convicções” contra "o fim dos valores cristãos." E quem for de direita sem ser cristão? É que estamos num país que ainda, ao que sei, é laico... estranho, não é? O mesmo candidato que uns dias antes, tinhe referido a “matriz cristã” do país, condenando a “imigração descontrolada” que deixou o país “dilacerado” e destruído” e que havia terminado as suas declarações, defendendo uma liderança “com radicalismo de convicções”.


Na minha opinião, o voto é livre e deve ser feito em consciência. Temos agora alguns dias para ponderar em qual dos dois candidatos queremos votar, mas não nos devemos esquecer que estamos a eleger o maior representante do país. Cá dentro, mas sobretudo, lá fora. Queremos alguém impulsivo, ou ponderado? Queremos moderação e estabilidade, ou mudança a mascarar os extremismos? Exerçam o vosso voto de forma consciente - vão ser cinco anos. 


E sim, já perceberam em quem é que vai recair o meu voto.


16/01/2026

Ainda se morre de frio

Faz frio. Mas em regiões como a Ucrânia, a Rússia ou a Palestina, faz frio, muito frio. 


E não há energia que permita aquecer as casas. Tem sido assim, intermitentemente, desde que a guerra começou. Zelensky decretou o estado de emergência energética e pela cidade vão-se erguendo tendas, nas quais as pessoas entram para se aquecerem, carregar os telemóveis e comer uma refeição quente. As escolas deverão ficar encerradas durante os próximos dias. O estado de espírito é de entreajuda, enquanto se tentam manter rotinas. Nos prédios, de muitos andares, não se pode usar o elevador e os mais velhos têm mais dificuldade em sair de casa, onde faz quase tanto frio como na rua.


O ano passado, foi o ano em que mais civis morreram na Ucrânia desde que a guerra começou. Os ataques russos têm destruíodo sucessivamente as estruturas energéticas do país - é a sua forma de matar e causar dano às populações mais vulneráveis sem as bombardear diretamente. Os últimos grandes ataques ocorreram a 9 de janeiro. No mesmo dia em que a Rússia atingiu Kiev com um míssel hipersónico, do qual resultaram 4 mortos, uma equipa de socorristas foi também atacada e um deles acabou por perder a vida. Só nos "primeiros dias deste ano, a agência da ONU já documentou nove ataques a serviços de saúde na Ucrânia, com duas mortes e 11 feridos."


Na noite de 12 de janeiro, "quase 300 drones de ataque, a maioria deles 'shaheds', juntamente com 18 mísseis balísticos e 7 mísseis de cruzeiro, foram lançados pelos russos contra a Ucrânia ontem à noite." Um dos locais atacados foi uma "central termoelétrica pertencente à empresa privada ucraniana DTEK," o qual sofreu "danos substanciais nos equipamentos."


A Ucrânia tem também usado drones para contra-atacar, atingindo infraestruturas russas importantes. Na semana passada, atacou também a região de Beldorod, atingindo infraestruturas energéticas russas e "deixando mais de 500 mil russos sem electricidade." Nestes ataques podem ter sido atingidos "uma empresa industrial, casas, gasodutos e veículos," na região de "Taganrog."


O direito que protege os cidadãos é o mesmo, pois colocam em risco aquelas que são as pessoas mais vulneráveis. E isso é verdade não só nas tendas de Kiev, como ainda são mais visíveis na Faixa de Gaza, onde o frio mata. Apesar do cessar-fogo, a região continua a ser bombardeada. Estes "bombardeamentos e incursões militares ocorrem num contexto de agravamento extremo da crise humanitária, marcada pelo frio intenso, falta de abrigo e colapso do sistema de saúde, que já vitimou bebés e crianças deslocadas." As temperaturas baixas chegam para matar: desde novembro, "pelo menos quatro bebés morreram de hipotermia," sendo o caso conhecido mais recente, o de "Mohammed Abu Harbid, de dois meses, que faleceu no Hospital Infantil Al-Rantisi devido a hipotermia severa," no passado domingo. No dia anterior, "um outro bebé palestiniano de apenas sete dias" tinha também perdido a vida pelo mesmo motivo: o "frio extremo" que se faz sentir naquela região. As tempestades e os ventos fortes destroem os abrigos e deixam os colchões, mantas e cobertores totalmente encharcados. Aqui, também os cortes de energia matam, principalmente os bebés dependentes de incubadores que na sua frágil vida, não encontram qualquer possibilidade de sobrevivência.


Fontes:


 

https://www.publico.pt/2026/01/09/mundo/noticia/ataque-russo-kiev-mata-quatro-ofensiva-ucrania-deixa-meio-milhao-energia-2160574


https://news.un.org/pt/story/2026/01/1852028


https://www.dn.pt/internacional/extensa-destruio-ataque-atinge-infraestruturas-energticas-clnica-peditrica-e-faz-quatro-mortos


https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/guerra-israel-hamas/2026-01-11-ataques-israelitas-matam-tres-pessoas-e-inverno-intenso-tira-a-vida-a-quatro-bebes-em-gaza-3833100c

11/01/2026

Revolta leva a manifestações no Irão

Pensamos muitas vezes no Irão como um país em que quase toda a gente obedece de forma cega ao poder instituído, mas aquilo a que temos assistido nos últimos dias não é bem isso. 


Pelas ruas, as pessoas manifestam-se contra o ayatolah Ali Kohamenei, líder do regime, juntamdo-se em acesos protestos que "começaram na capital Teerão, mas depressa se alastraram a outras cidades do país, como Shiraz, Mashad, Isfahan ou Karaj." Há cerca de 2600 detidos e mais de uma centena de mortos. Estes protestos começaram a 28 de dezembro e resultaram da insurgência contra "o custo de vida e a inflação galopante, num país sujeito" a muitas sanções por parte do exterior, em especial dos EUA. Na base destes protestos estiveram a "rápida desvalorização da moeda iraniana, a subida súbita dos preços de bens essenciais," bem como a decisão tomada pelo "banco central de acabar com um mecanismo que permitia a alguns importadores aceder a dólares a um câmbio mais favorável," o que provocou a indignação da população, em especial dos jovens. Depois dpo encerramento de várias lojas e mercados, as reinvindicações que inicialmente eram económicas, foram-se tornando cada vez mais políticas.


Nos últimos dias, as linhas telefónicas foram cortadas, sendo assim mais difícil que se saiba realmente o que se passa no território. A Internet está também em baixo e a "televisão estatal iraniana tem apenas anunciado as mortes entre as forças de segurança, enquanto garante que o regime mantém o controlo sobre a nação." Aos manifestantes que são mortos, o regime apelida de "terroristas." Os protestos são vistos como ameaças ao regime e os participantes nos protestos são vistos como "inimigos de Deus," uma acusação que, no Irão, é punível com a pena de morte. extremamente violenta. As "forças de segurança, incluindo a polícia, a milícia Basij, a Guarda Revolucionária e agentes à paisana, recorreram a munições reais" e ao uso de "balas de metal." Soube-se de atropelamentos usando viaturas contra a multidão. É este o risco que quem ali clama por liberdade corre e, mesmo assim, ali estão às centenas. Aos milhares.


Trump tem publicado declarações nas redes sociais, como vendo sendo hábito, afirmando que o "Irão aspira à liberdade" e que os EUA "estão prontos para ajudar." Enquanto a "ONU manifestou profunda preocupação com o número de mortos," o presidente norte-americano, ameaçou "intervir militarmente caso as forças iranianas continuem a matar manifestantes." Em resposta a esta ameaça de intervenção, o "regime iraniano" já veio acusar "Washington de instigar os protestos."


Também nas redes sociais chegou a circular um vídeo no qual se podia ver um cartaz que dizia "Já não temos medo. Vamos lutar" numa clara manifestação contra a repressão do regime iraniano, que dura já há 47 anos. Muitos dos manifestantes são jovens e exigem a "recuperação da dignidade e o direito a um futuro."


Nas forças de repressão podem até estar já incluídos "membros das Forças de Mobilização Popular do Iraque (Hashel al Shaabi)," mas devido à falta de informação e às poucas imagens disponíveis, torna difícil confirmar o que se acontece. 


Reza Pahlavi, (príncipe herdeiro e filho do último monarca do Irão) fez um apelo público onde exorta "os iranianos a permanecerem nas ruas, definindo explicitamente como objetivo a tomada e manutenção do controlo dos centros das cidades," apelando a "protestos coordenados." Por outro lado, Reza Pahlavi, "apelou a Trump para que esteja preparado para adotar medidas de apoio ao povo iraniano," apelando ainda para que os "sectores económicos mais importantes, nomeadamente o petróleo e a energia," participem ativamente "nas greves nacionais, o que faz eco de uma estratégia utilizada durante os últimos meses do regime do seu pai, em 1979." Os protestos espalharam-se entretanto por outros países, sendo interessante ver que a "liberdade de expressão" é uma das principais exigências. Muitos "iranianos que vivem no estrangeiro ou pessoas de ascendência iraniana," juntam-se em manifestações ou desfiles, afirmando que mais do que um direito, é seu "dever" manifestarem-se e mostrarem "o seu apoio à distância, uma vez que os iranianos no seu país, de todas as idades e origens, continuam a sair à rua para lutar pela sua liberdade."


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/numero-de-mortos-em-protestos-contra-o-regime-do-irao-atinge-116_n1709289


https://observador.pt/2026/01/11/irao-sem-comunicacoes-ha-tres-dias-e-um-apagao-sem-precedentes-em-que-ate-sinal-da-starlink-esta-na-mira/


https://pt.euronews.com/2026/01/11/manifestacoes-nas-principais-cidades-europeias-em-solidariedade-com-os-protestos-no-irao


https://pt.euronews.com/2026/01/10/porque-e-que-as-proximas-horas-no-irao-sao-criticas-e-porque-e-que-o-silencio-nao-e-uma-op


https://sapo.pt/artigo/o-que-esta-a-acontecer-no-irao-vandalos-ou-sociedade-exausta-protestos-e-o-filho-do-xa-a-re-emergir-como-esperanca-69623469ab728f90f057dd0f

10/01/2026

Eleições Presidenciais - a corrida já começou

Daqui a uma semana, iremos a eleições. Mas já há quem tenha votado. A ida às urnas iniciou-se logo no dia 6 de janeiro, nos círculos da emigração. Quem vive no estrangeiro, viu-se "obrigado a deslocar-se a um posto consular, nalguns casos a centenas de quilómetros de distância de casa," se quis "participar na escolha do próximo Presidente da República."


Votar não é obrigatório, mas é um direito e nem a distância deveria ser um impedimento. Poderia ser mais fácil? Sim, poderia. Por algum motivo, ainda não é possível usar as novas tecnologias a favor da participação em eleições, preferindo-se aceitar que muita gente não irá às urnas, abstendo-se de participar num ato tão importante. Apesar da possibilidade de votarem a partir do dia 6, muitos portugueses queixam-se de falta de informação. 


Amanhã, dia 11, já se pode votar em Portugal (incluindo ilhas), ou seja, quem tenha decidido votar antecipadamente e se tenha inscrito até à última quinta-feira, "por não conseguir deslocar-se às urnas no dia das eleições, 18 de janeiro, vai poder votar apenas este domingo," no local por si "selecionado."


Aliás foi por causa dos votos da emigração que não foi possível corrigir os boletins de voto e iremos ter 14 nomes, sendo que "apenas" 11 candidatos vão a votos! Mesmo assim, onze, é um dos maiores números de candidatos de sempre. Por algum motivo, "a definição dos nomes que neles vão constar tem que ocorrer antes do processo de validação das candidaturas," e esta discrepância nas datas, fez com que este fenómeno pudesse acontecer. Na minha opinião, isto poderia ter sido corrigido, mas parece que foi mais fácil aceitar que ia ser assim e pronto. " O primeiro nome que aparece no boletim é o de Ricardo Sousa," aparecendo depois misturados nos restantes, os nomes "de Joana Amaral Dias e o de José Cardoso," mas marcar a cruz em qualquer deles será igual a voto nulo. Penso que ninguém vá, sem que o faça propositadamente, marcar o nome num destes nomes, mas depois de conversar com uma colega minha que já esteve em mesas de voto, sim parece ser possível que as pessoas se enganem.


E assim vai Portugal. Com pessoas que votam sem saber em quem votam e com um Tribunal Constitucional que permite a passagem de 14 nomes, sem os ter antes confirmado.


E depois temos aqueles onze. No grupo da frente, afastados por uma pequena percentagem que vai oscilando consoante a origem da sondagem ou o dia da semana, estão António José Seguro, Luís Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, Henrique Gouveia e Melo e André Ventura. Depois, com alguma distância, vêm Catarina Martins, António Filipe, Jorge Pinto, Manuel João Vieira, André Pestana e Humberto Correia. Sugiro a leitura do Perfil de cada candidato nesta página, caso tenham alguma curiosidade. Neste grupo de personalidades, algumas mais conhecidas do que outras, há de tudo um pouco. Uns declaradamente mais à Direita e outros mais à Esquerda. Houve esta semana até a discussão sobre se alguns candidatos poderiam desistir para que os votos não ficassem tão dispersos e se concentrassem mais num candidato do que noutro, numa clara tentativa da Esquerda para não se deixar vencer pela Direita. Na política, vale (quase) tudo. 


Entretanto, lá vão puxando a brasa às suas sardinhas e referindo este ou aquele nome, como apoiante ou inspiração, numa clara tentativa de apelar às memórias e ao coração dos eleitores. Mário Soares, Cavaco Silva ou Francisco Sá Carneiro, são apenas exemplos desta ida constante ao baú.


Fontes:


https://www.cmjornal.pt/mais-cm/especiais/eleicoes-presidenciais-2026/detalhe/um-em-cada-seis-eleitores-esta-no-estrangeiro-e-nao-pode-votar-a-distancia


https://observador.pt/opiniao/o-espelho-do-estado-num-boletim-de-voto-com-14-nomes/


https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026-01-08-ultimo-dia-para-se-inscrever-e-poder-votar-antecipadamente-em-mobilidade-nas-eleicoes-presidenciais-63e73be2


https://sapo.pt/artigo/conheca-o-perfil-de-cada-um-dos-11-candidatos-6957deca7f0df3a885b27763

09/01/2026

Faleceu a atriz Elisa Lisboa

Elisa Lisboa faleceu hoje aos 81 anos. A atriz residia na Casa do Artista desde 2018, depois de em 2017 ter tido um AVC. Nasceu em 1944, foi atriz, professora e encenadora.


"Filha do distinto cantor de ópera José Eurico Corrêa Lisboa e da professora Maria Isaura Belo de Carvalho Pavia de Magalhães e neta materna do maestro Eduardo Pavia de Magalhães e da pianista Branca Belo de Carvalho, a artista começou no Teatro Experimental de Cascais," passando também pela "Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro," e pelo grupo "Teatro Hoje."


Elisa Lisboa começou a sua carreira no final da década de 60, no Teatro Experimental de Cascais, onde atuou em “Bodas de Sangue” (1968), “Maria Stuart” (1969), “Antepassados Precisam-se” (1970), “Um Chapéu de Palha de Itália” (1970) e “O Rei Está a Morrer” (1970). Mais tarde, já no Grupo "Teatro Hoje (Teatro da Graça)" destacou-se em “O País do Dragão” (1987), “Vieux Carré” (1988) ou “Terminal Bar” (1990). Fez ainda parte de espetáculos como "O Duelo" (1971), "O Concerto de Santo Ovídeo" (1973), "Os Amantes Pueris" (1976), "O Equívoco" (1977) e "Os Sequestrados de Altona" (1979).


Chegou mesmo a gravar alguns singles, mas a sua carreira ganharia maior destaque no cinema e na televisão.



A sua carreira no cinema, começou nos anos 90, com participações relevantes em filmes como: “Sombras de uma Batalha” (1993), “Aparelho Voador a Baixa Altitude”, de Solveig Nordlund (2002), “Coisa Ruim”, de Tiago Guedes e Frederico Serra (2006), “Alasca”, (2009), “Luz da Manhã” (2011), “Fábrica dos Sonhos” (2011), “A Primeira Ceia” (2011), “Os Últimos Dias” (2011), “A Teia de Gelo” (2012), “Axilas”, de Fernando Lopes (2016).



Também participou em várias séries e comédias. O seu primeiro projeto foi “Tragédia da Rua das Flores” (RTP 1981), passando mais tarde por “Mistério Misterioso” (RTP 1990), “Sozinhos em Casa” (RTP 1994), “Sabor da Paixão” (Rede Globo 2002/2003). Participou também na série “Morangos com Açúcar” (TVI 2006) e, no mesmo ano, participa na SIC no sucesso "Floribella" (2006). Entretanto, participa em “Ilha dos Amores” (TVI 2007), e volta à SIC para "Podia Acabar o Mundo” (2008).


Passa ainda por “Conta-me Como Foi” (RTP 2008/2009), “Feitiço de Amor” (TVI 2008/09), “Liberdade 21” (RTP 2009), “Flor do Mar” (TVI 2009), “Meu Amor” (TVI 2009/10), “Cidade Despida” (RTP 2010), “Regresso a Sizalinda” (RTP 2010), “Velhos Amigos” (RTP 2012), “Doce Tentação” (TVI 2012/2013), “Mulheres” (TVI 2014), “Bem-Vindos a Beirais” (RTP 2015). Uma carreira cheia de diferentes personagens, de grande papéis e que terminaria com o seu último projeto "na TVI, em 2016, quando interpretou Maria Amélia Martins em "A Impostora."


A sua vasta carreira, passou também pelo ensino, tendo sido professora de Interpretação "na Escola Superior de Teatro e Cinema."


Fontes:


https://sicnoticias.pt/cultura/2026-01-09-morreu-a-atriz-elisa-lisboa-e5c289ba


https://www.noticiasaominuto.com/fama/2916295/morreu-aos-81-anos-a-atriz-elisa-lisboa-nao-sera-esquecida


https://expresso.pt/cultura/sugestoes_culturais_televisao/2026-01-09-morreu-a-atriz-elisa-lisboa-d53f9834


 


 

06/01/2026

Estará a Gronelândia em risco?

Depois da situação ocorrida na Venezuela, outros países começam agora a sentir a ameaça norte-americana. Colômbia, México e Cuba, foram ameaçados pelo presidente Donald Trump, que também manifestou estar a considerar "a aquisição" da Gronelândia. Esta possibilidade é, para Trump, uma necessidade "para dissuadir" aqueles que considera como os seus "adversários na região do Árctico”.


Entre as opções , estão "a compra directa da Gronelândia pelos Estados Unidos ou a criação de um Acordo de Associação Livre (Compact of Free Association, COFA) com o território." No entanto, um acordo deste género acabaria por ficar "aquém da ambição de Trump de integrar plenamente a ilha — com cerca de 57 mil habitantes — nos EUA."


Se o acordo não for conseguido, Trump afirmou que ponderaria usar a força, uma vez que a Gronelândia é considerada como um território "crucial para os Estados Unidos devido às suas reservas de minerais com aplicações importantes nas áreas da alta tecnologia e da defesa." Trump defende que estes recursos precisam de ser explorados, algo que não tem sido feito, em parte "devido à escassez de mão-de-obra, à falta de infra-estruturas e a outros constrangimentos." Então, mas qual a real importância deste território para os EUA? Por um lado, temos a geoestratégia, uma vez que a "Gronelândia ocupa uma posição central no Atlântico Norte, funcionando como ponte natural entre a América do Norte e a Europa." 


Ganhou o seu prestígio durante a Segunda Guerra Mundial, quando esta zona se manteve "fora do alcance aéreo aliado onde submarinos nazis devastaram comboios marítimos." Podemos ainda entender que, “em qualquer nova guerra de grande escala, quem controlar a Gronelândia dominará rotas marítimas vitais do Atlântico," o que aliado ao "sistema de deteção de mísseis de alerta precoce dos Estados Unidos (EUA)," implementado em 1950, dão aos EUA vantagem. "Com o degelo acelerado do Ártico a abrir novas rotas marítimas" nesta região do globo, a importância desta região "tende a crescer" e Trump sabe-o bem. Mas não é apenas o atual presidente dos EUA que está interessado nesta região: Pequim e Moscovo também podem vir a entrar nesta corrida.


E a Europa, que papel tem neste problema? A Gronelândia pertence à Dinamarca e, por isso, a Gronelândia faz parte da Europa. Os EUA, sendo aliados da Europa, deveriam estar a defender este território, o que não deixa de ser uma contradição. A verdade é que uma vez que a "Gronelândia pertence a um Estado-membro da NATO e é um território semiautónomo aliado," e por isso "nada impede Washington de reforçar a sua presença militar, instalar novas bases ou aumentar contingentes. Pelo contrário, existe um tratado com Copenhaga que concede aos EUA liberdade operacional, de portos a pistas de aterragem." Na minha opinião, mesmo com esse tratado, Trump ainda não tem o acesso que tanto deseja - mas o que é que ele deseja no fundo? Se existe esse quase acesso "total" ao território, porque é que deseja a sua soberania?


E porque é que de repente, se voltou a falar disto? Será que a Europa está mesmo a pensar ceder a Gronelândia para evitar conflitos com os EUA, ou não será viável atrasar o processo enquanto esperamos que Trump acabe o seu mandato e as coisas acalmem? Ou haverá mesmo o risco de, mesmo sem Trump no poder, os EUA declararem guerra à Europa? É que a maior questão - à qual eu temo que a resposta seja mesmo a mais óbvia - é se a Europa se vai unir para defender este território ou se irá optar por o deixar escapar.


São tantas questões sem resposta. Estamos a andar sobre uma película muito fina de vidro que se parece estar a quebrar e, se quebra, irá atirar-nos a todos para uma guerra interminável.


Fontes:
https://www.publico.pt/2026/01/06/mundo/noticia/trump-discute-aquisicao-gronelandia-admite-opcao-militar-2160313
https://www.rtp.pt/noticias/mundo/porque-e-que-a-gronelandia-esta-no-centro-das-ambicoes-de-donald-trump_n1708393


 

04/01/2026

EUA invadem Venezuela

Pode um país, só porque tem mais poder militar, entrar noutro e dele retirar duas pessoas? Pode um país, seja porque justificação for, usar a sua superioridade militar, ameaçando e atacando outro país? Bem, parece que efetivamente até pode, pois se a ação em si podia ser criticável sobre muitos aspetos, a verdade é que a crítica veio fraca e a aceitação fez-se saber. Continuando o que ontem já aqui tinha vindo a referir, Trump usou a diretiva da possibilidade: se é possível, faz-se. 


Obviamente que sou contra o governo de Maduro, tal como sou contra muitos outros governos autoritários e autocratas, que usam a força e repressão do seu povo para governar, mantendo de cabeça baixa em submissão os seus cidadãos. Na verdade, a prisão de Maduro pode à primeira vista, ser algo bom, quando olhamos para a questão de um regime controlador, num país em que não há liberdade de expressão nem liberdade de imprensa e onde grassa a corrupção, a criminalidade grave e o narco-tráfico. Aliás, as acusações de Trump já têm alguns anos, embora só nete mandato se tenham manifestado mais intensamenmte. A Venezuela "luta contra uma hiperinflação recorde, escassez de bens básicosdesemprego, pobreza, doenças, elevada mortalidade infantilsubnutrição, problemas ambientais," entre outros.


Durante o século XX, o país passou por várias crises começando desde logo pela governação de Cipriano em 1908, caraterizada "por uma política externa agressiva." Foi substituído devido a problemas de saúde "por Juan Vicente Gómez, que governou a Venezuela" através de políticas de "autoritarismo, corrupção, cerceamento às liberdades individuais e de imprensa e eleições fraudulentas." Durante "o governo de Gómez, pouco antes da Primeira Guerra Mundial," foram descobertas e começaram a ser amplamente exploradas as "gigantescas reservas de petróleo venezuelanas," o que trouxe "grandes lucros, permitindo ao Estado fazer obras de infraestrutura, subsidiar a agricultura e pagar a dívida." No entanto, a maioria da população continuava a viver na pobreza e foram raros os "investimentos estatais na saúde ou educação."


Até aos dias de hoje, a Venezuela foi governada intermitentemente por Juntas militares e por governos autocratas, dos quais se destacaram Eleazar López Contreras, o Major Marcos Pérez Jiménez, o Tenente-Coronel Carlos Delgado Chalbaud e, mais tarde, Hugo Chavéz. Madúro, que havia sido vice-presidente de Chavez, "assumiu interinamente a presidência" depois do golpe de estado que derrubou Chavéz do poder. "A eleição presidencial de 14 de abril de 2013," foi "a primeira em que o nome de Chávez" não apareceu "na cédula de votação desde que assumiu o poder em 1999." E esta foi vencida por Maduro. Apesar da sua nomeação não ter sido consensual, "o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela decidiu que, segundo a constituição nacional, Nicolás Maduro" era "o presidente legítimo e foi investido como tal pelo congresso venezuelano."


Mas se esta eleição estava "ganha" a continuidade passaria por vários precalços. Em agosto de 2017, "a Assembleia Nacional Constituinte de 2017 foi eleita e retirou os poderes da Assembleia Nacional," numa eleição que "levantou preocupações sobre uma ditadura emergente." Em dezembro desse mesmo ano, "Maduro declarou que os partidos da oposição estavam impedidos de participar nas eleições presidenciais do ano seguinte, após terem boicotado as eleições autárquicas." Venceria "as eleições de 2018 com 68% dos votos" com o resultado a ser "contestado pela Argentina, Chile, Colômbia, Brasil, Canadá, Alemanha, França e Estados Unidos, que o consideraram fraudulento e reconheceram Juan Guaidó como presidente." Perante esta desconfiança, os EUA começaram a aplicar sanções ao país. Em agosto de 2019, no seu primeiro mandato, "o presidente americano Donald Trump impôs um embargo econômico à Venezuela" e em março do ano seguinte, "indiciou Maduro e autoridades venezuelanas, sob acusações de tráfico de droga, narcoterrorismo e corrupção." 


Na Venezuela, quem é contra o governo, acaba por desaparecer ou tornar-se preso político, podendo mesmo ser submetido a tortura. A oposição acaba por ser muitas vezes silenciada.


Em 2024, "Maduro concorreu ao terceiro mandato consecutivo nas eleições presidenciais," contra a oposição representada pelo "ex-diplomata Edmundo González Urrutia," em representação da "Plataforma Unitária (PUD)." As sondagens apontavam para uma clara vitória da PUD, "principal aliança política da oposição," mas depois do "Conselho Eleitoral Nacional (CNE), controlado pelo governo, ter anunciado resultados parciais que mostravam uma vitória estreita de Maduro em 29 de julho, os líderes mundiais expressaram predominantemente ceticismo em relação aos resultados" que lhes estavam a ser apresentados pela CNE. Ambos "se proclamaram vencedores," mas os resultados acabaram por não ser "reconhecidos pelo Carter Center e pela Organização dos Estados Americanos."


Se a Venezuela estava bem? Se o povo Venezuelano estava bem? Não. 


Se agora ficarão melhores? Sinceramente, tenho as minhas dúvidas. Saiu Madúro, mas a governação do país ficou entregue à sua vice-presidente, à mesma equipa e, por isso, a forma de controlar e de gerir poderá manter-se. Além do mais, penso que tem sido bastante percetível que os EUA querem controlar a exploração de petróleo e, com isso, beneficiar de forma exploratória daquilo que são os recursos venezuelanos. Podemos dizer que estão em guerra? Para já, penso que não, mas estaremos a enfiar a cabeça na areia, se não conseguirmos comparar esta situação com aquilo que se passa na Ucrânia ou com aquilo que se pode vir a passar em Taiwan.


A Europa precisa de acordar!


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Venezuela


https://sicnoticias.pt/podcasts/o-mundo-a-seus-pes/2026-01-03-ataque-dos-eua-na-venezuela-e-viragem-dramatica-na-arquitetura-internacional-4d3d2477


 

03/01/2026

Intervenção militar americana na Venezuela

Bem, tenho estado a acompanhar as notícias sobre a intervenção dos EUA na Venezuela e as opiniões divergem. Podemos concordar ou não com a operação feita por Trump, mas não deixamos de ficar contentes por ver Maduro afastado do poder. Mas que precedentes é que estão aqui a ser abertos? Bem, precedentes que podem levar a que os EUA avancem contra Cuba ou até contra a Gronelândia, cada um destes por motivos bem diferentes. A lei internacional não foi aqui respeitada, não foram consultados sequer quaisquer parceiros ou sequer foi pedida aprovação do Congresso norte-americano. 


Ainda estamos todos a tentar perceber o que é que realmente aconteceu, mas uma coisa é certa: Trump fez diversos avisos, tinha a tropa "toda" ali à volta e já tinha mostrado que podia disparar contra embarcações venezuelanas sem que ninguém se impusesse. O espaço aéreo venezuelano estava já fechado e agora resta saber se havia ou não alguém do lado de "dentro" a ajudar as tropas norte-americanas. Bem, a dúvida pode ficar no ar...


Maduro encontrava-se com a sua esposa, Cilia Flores, num complexo militar, supostamente, protegido. Foram levados durante a noite, depois das anti-aéreas terem sido inutilizadas e "depois dos militares norte-americanos terem deixado Caracas à escuras." Terão sido depois levados a "bordo do navio norte-americano USS Iwo Jima," e daí "transferidos para Nova Iorque, onde deverão responder a acusações de narcotráfico apresentadas pelas autoridades norte-americanas." Esta intervenção já estaria "planeada há várias semanas e concretizou-se com ataques cirúrgicos em Caracas e nos estados venezuelanos de Miranda, Aragua e La Guaira." Enquanto que no início se disse que não tinham havido vítimas civis - esses dados ainda não foram confirmados - outras informações apontam para a morte de 40 pessoas," incluindo civis e soldados. "Houve diversas explosões e, na minha sincera opinião, os danos ainda estão camuflados.


Se uns condenam as ações levadas a cabo pelos EUA, outros celebram a retirada de Maduro do poder - mas quem vai governar agora a Venezuela? O que é se vai seguir? "O anúncio de Trump marca uma escalada maciça da intervenção dos EUA após meses de especulação sobre se Washington iria realmente invadir o país - e quais seriam os planos da administração dos EUA para a transição."


Trump parece não estar preocupado nem com o povo nem com o futuro da Venezuela, mas sim com o petróleo e com a intenção de usar companhias petrolíferas norte-americanas para explorar esse grande recurso, tendo este assunto sido referido várias vezes. Declarou também a partir de Mar-a-Lago que "Washington vai assumir provisoriamente o comando do país sul-americano." Apresentou então a "vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez," como a sucessora de Maduro, embora isso não tenha sido confirmado pelo governo venezuelano.


Esperava-se que se devolvesse o poder ao ex-diplomata Edmundo González, ou até a María Corina Machado, (que tinha sido proibida de participar pelo governo venezuelano sob a acusação de envolvimento em corrupção), mas de facto não foi isso que aconteceu. Depois das eleições de 2024, irromperam protestos por toda a Venezuela contra os resultados apresentados pelo governo de Maduro que se afirmou como vencedor, apesar de tudo parecer apontar para o contrário. Maduro "estabeleceu uma extensiva repressão com a continuidade de prisões de figuras políticas da oposição, como também prisões de milhares de manifestantes e perseguição e censura a imprensa local e internacional.


Para Trump e para Rubio, esta ação foi apenas a detenção de "um fugitivo da justiça americana", para o qual até havia um prémio pela sua captura e, não, o ataque a um país, referindo ainda que não se tratava da detenção do presidente de um país, uma vez que o seu governo não tinha sido reconhecido. Estranhamente, depois afirma que a sua "vice" é a sua sucessora - então em que ficamos? Como pode haver uma vice-presidente de um "não" presidente? O povo teme agora que a esta ação se possa seguir um golpe de estado, ou até que o país venha a entrar em guerra civil. 


O primeiro-ministro português  não condenou as ações dos "Estados Unidos da América (EUA), que atacaram a Venezuela e capturaram o Presidente Nicolás Maduro," dizendo que estas ações visam promover uma "transição estável" no país. Da mesma opinião, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel diz que esta é "uma oportunidade de a Venezuela regressar ao trilho democrático" e classifica as "intenções" norte-americanas como "benignas". Vivem na Venezuela cerca de "194 mil" cidadãos portugueses, aos quais foi pedido "para não saírem de casa."


 Fontes:


https://sicnoticias.pt/especiais/ataque-dos-eua-a-venezuela/2026-01-03-donald-trump-partilha-primeira-imagem-de-nicolas-maduro-apos-ataque-dos-eua-a-venezuela-b916c82c


https://pt.euronews.com/2026/01/03/administracao-trump-nao-da-pormenores-depois-de-afirmar-que-vai-governar-a-venezuela


https://sicnoticias.pt/especiais/ataque-dos-eua-a-venezuela/2026-01-03-donald-trump-vs.-nicolas-maduro-a-operacao-militar-que-mergulhou-a-venezuela-numa-crise-sem-precedentes-6a07b7b7


https://www.publico.pt/2026/01/03/politica/noticia/venezuela-rangel-classifica-intencoes-norteamericanas-benignas-2160004


https://www.nowcanal.pt/ultimas/detalhe/recomendado-a-comunidade-portuguesa-na-venezuela-que-permaneca-em-casa


 

01/01/2026

Acordar em 2026

A passagem para o novo ano já aconteceu e por aqui, foi passada de pijama a observar da janela, as pessoas que festejavam nas ruas com o fogo de artifício que abrilhantava a noite fria. Enquanto a Oreo ficou perto de mim, a receber festas, a Twisty escondeu-se debaixo do sofá a tremer e lá ficou até de madrugada, horas depois da música ter cessado lá fora. Os animais sofrem nestes dias e nós nem sabemos o mal que lhes poderemos estar a fazer. Mas faz parte e respeito, porque é uma festa e tudo passa. Somos seres de rituais e alguns levam-nos mais a sério. Eu confesso que gosto de estar em casa, longe da confusão das grandes multidões, preferindo um serão de filmes ou séries a um concerto ou optanto por um jantar em família. Raramente brindo (só se estiver com pessoas que o façam, o que é raro acontecer) e ainda mais raramente me lembro de que era suposto ter passas para pedir desejos. Gosto de fazer listas de coisas e se chover no dia 1 ainda melhor, pois é mais uma desculpa para não sair de casa.


Hoje acordamos com a notícia de uma explosão nos Alpes suíços, que matou dezenas de pessoas, num bar onde se festejava a passagem de ano. À primeira explosão, que ocorreu por volta da 1h30m locais, seguiram-se outras e um forte incêndio. A maioria dos feridos sofreram queimaduras graves e muitos ainda lutam pela vida. A localização da estância de esqui, o número de vítimas mortais e a gravidades dos ferimentos, acabam por dificultar bastante as operações. Ainda não se sabem as causas, mas fala-se que estarão relacionadas com o mau armazenamento ou com o mau manuseamento de engenhos pirotécnicos. No entanto, a "queima de fogo-de-artifício durante as celebrações da passagem de ano estava proibida em Crans Montana, tendo as autoridades locais colocado cartazes na povoação a notificar a interdição, devido a situação de seca, com falta de neve e temperaturas acima do normal para o inverno."


A partir de hoje, a Bulgária passa a ser oficialmente o "vigésimo primeiro membro" da Zona Euro, depois de ter entrado para a UE em 2007. O Euro passa assim a substituir o lev búlgaro. Por cá, passam 40 anos da entrada do país na CEE e apesar do balanço ser positivo, continuamos com muitos problemas por resolver. O preço de várias portagens vai aumentar, o preço do pão e de outros produtos vão também aumentar e os hospitais continuam a não dar conta da grande afluência de doentes. Os políticos continuam a atirar culpas uns aos outros sobre o estado do país, enquanto os candidatos à Presidência da República pedem que ninguém deixe de ir votar. 


Na Ucrânia, o momento da passagem de ano foi assinalado pelo silêncio. As luzes, poucas, apagaram-se. A morte continua à espera de um acordo. Sucedem-se os ataques e as acusações entre os dois países, com a Rússia a atacar novamente "a cidade portuária de Odessa" e a deixar mais de "170 mil casas" sem energia elétrica. Em vez de fogo de artificio, a noite contou com sirenes que alertavam para o perigo de ataques aéreos. Entretanto, há dois dias, Putin acusou a Ucrânia de atacar prepositadamente uma das suas residências, "situada na região de Novgorod." 


Infelizmente, não é por mudar o ano que o mundo reinicia. Não passamos a ser melhores pessoas e não vamos mudar os nossos hábitos. Para o fazermos, é preciso muito mais do que a passagem dos ponteiros do relógio. Como não festejamos todos em simultâneo, já é tradição que as televisões passem o último dia do ano a mostrar as muitas passagens de ano pelo mundo fora. 


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/2026-01-01-dezenas-de-mortos-em-incendio-num-bar-de-estancia-de-ski-na-suica-8530d616


https://www.rtp.pt/noticias/economia/bulgaria-torna-se-21o-pais-a-aderir-ao-euro_n1707202


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/russia-intensifica-ataques-a-ucrania_v1707163


https://www.rfi.fr/pt/mundo/20251230-acusa%C3%A7%C3%A3o-de-ataque-ucraniano-a-casa-de-putin-e-ataque-russo-a-portos-de-odessa


 

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