... a guerra continua, mas esta parece estar um pouco mais distante e não nos afetar tanto (temos tendência para isso, penso que nem seja por mal). A verdade, é que temos de colocar a mão na consciência quando, não existe tempo nos media portugueses para falar de um massacre que aconteceu numa igreja do Congo.
O ataque de ontem, terá sido causado por "milícias das Forças Democráticas Aliadas (ADF), compostas por ex-rebeldes ugandeses" e que estão ligados ao "Estado Islâmico." Terão, ao que é relatado pelo "Vatican News", a partir de "informações fornecidas à AFP por fontes locais", usado "facões" (ou catanas) e "armas de fogo," para assassinar pessoas, civis, "que se haviam reunido para rezar." As ADF serão já responsáveis pela morte de milhares de pessoas, ao longo dos anos.
De acordo com um português, Marcelo Oliveira, numa alegada "mensagem enviada para a Fundação AIS em Lisboa," os “rebeldes assassinaram uma quantidade imensa de crianças”. Quantas eram em concreto? Ao que parece, a maioria das vítimas faziam parte de um grupo de "jovens cristãos" que pertenciam a um grupo chamado "Cruzada Eucarística, que se encontravam numa sessão de formação, típica neste período de férias para crianças," tal como Marcelo Oliveira explicou também. O ataque terá "ocorrido de madrugada, pela 1 hora da manhã," quando os jovens se encontravam em vigília.
O que dizer? Será que acabar com as religiões, acabaria com as guerras? Seria isso possível? Neste momento, isso é apenas uma utopia. O ideal, seria haver respeito. Só que a verdade, é que o problema não está em uma pessas acreditar numa personagem imaginária a que chama de Deus, outra acreditar no mesmo e chamar-lhe Alá, ou outra rezar a uma pedra ou a uma árvore.
Por trás de tudo isto, estão interesses muito mais antigo que já perderam até, pelo caminho, as suas causas "religiosas", trata-se de dinheiro e de poder. De fronteiras, de ter direito a usar esta ou aquela terra, a não permitir que o "outro" fique na terra que aquele diz que é sua. E, se mais nenhuma razão lhe aprouver, dizem que foi herdada, que foi oferecida. São estes os interesses que matam no Congo e que matam em Gaza. Parece muito diferente, o contexto? Talvez, mas historicamente, não será assim tão diferente.
E porque é que eu, que não acredito em nada disto, venho falar nestas coisas? Bem, porque neste massacre - que não foi o primeiro, nem será o último - morreram cerca de 40 pessoas! Só por isso, não chega? Não me importa se eram católicas, judias ou se rezavam a uma pedra do caminho, eram pessoas! Só isso importa! Na minha pesquisa, apenas encontrei referência a este episódio em sites ligados à igreja católica e, na sua maioria, em brasileiro ou em inglês. Por cá, viram ou ouviram alguém falar sobre isto?
"Uma estação de rádio apoiada pelas Nações Unidas", contabilizou "43 vítimas," mas podem ser até mais, visto que "os agressores," que terão vindo "de um reduto a cerca de 12 quilómetros do centro de Komanda," não se ficaram por ali, atacando e incendiando também "várias casas e lojas" enquanto fugiam. Para muitas destas pessoas, a ajuda chegou tarde.
"Há duas semanas," este mesmo grupo, terá morto "66 pessoas na área de Irumu," e em Baeti, no início deste ano, outras "oito pessoas" terão sido assassinadas, "cinco das quais enquanto rezavam" e cerca de "trinta" terão sido "feitas reféns pelos agressores." Que é feito desses reféns? Alguém sabe?
Já em maio do ano passado, de acordo com "dados apresentados no Parlamento Europeu, as ADF foram também responsáveis pela morte de 14 católicos no Kivu Norte. Neste caso, o ataque teve como justificação a“sua recusa em se converterem ao islamismo”, ou seja, não se convertem, são mortos. Outros 11 cristãos foram também "executados” na aldeia de Ndmino, na província de Ituri, tendo também havido várias pessoas raptadas dessa província. E nós a assobiar para o lado?
"Já em Fevereiro deste ano, noutro ataque atribuído às ADF, e visando especificamente a comunidade cristã, mais de 70 corpos foram encontrados numa igreja protestante na localidade de Maiba, no território de Lubero, também na República Democrática do Congo." São casos sucessivos, que pela sua gravidade têm de ser denunciados! Mesmo que não possamos fazer muito mais... que não tenhamos coragem para mais.
Fontes:
https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2025-07/rd-congo-massacre-igreja-catolica-komanda.html
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