01/01/2020

40 anos depois do sismo dos Açores

Há 40 anos, um sismo matou 73 pessoas no Ano Novo de 1980 nos Açores. Foi o terramoto mais avassalador dos últimos 200 anos. "Ouvia gritos e casas a cair", lembraram os sobreviventes na época, em relatos registados pelo Observador.


O sismo dos Açores de 1980, foi um sismo que ocorreu às 15h42 (hora local) do dia 1 de Janeiro de 1980, no qual entre seis a sete dezenas de pessoas faleceram e mais de 400 ficaram feridas, causando sérios danos na Ilha Terceira e afetando Graciosa e São Jorge. Com uma magnitude de 7,2 na escala de Richter, também se fez sentir nas ilhas Pico e Faial, resultando numa fratura de deslize, algo típico no historial de sismos do Arquipélago dos Açores.


De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, à época chamado apenas Instituto de Meteorologia, os dez primeiros segundos do terramoto foram os mais intensos, embora não tenham sido sentidos em duas das ilhas açorianas: Flores e Corvo. O sismo ainda deu origem a um tsunami que chegou primeiro a Angra do Heroísmo precisamente sete minutos e 50 segundos depois do abalo. No entanto, o tsunami não causou muitos estragos: as ondas foram chegando à costa ao longo de uma hora e 40 minutos, mas nunca tiveram mais do que 41 centímetros de altura.



 


Só quando as réplicas terminaram, três dias depois do terramoto, é que se começaram a fazer contas aos estragos. O número de mortos subiu de 52 para 61 e apenas mais tarde é que se fixou nas 73 vítimas mortais. 


Depois do sismo, o então Presidente da República Portuguesa António Ramalho Eanes anunciou três dias de luto nacional, enquanto os esforços de ajuda humanitária, iniciados pela Força Aérea Portuguesa, foram rapidamente enviados ao local por agências governamentais.


De origem vulcânica, os Açores situam-se numa área tectonicamente complexa de ambos os lados da cordilheira mesoatlântica, entre os limites das placas euro-asiática e africana, formando a sua própria microplaca. O sismo de 1980 foi o resultado de um movimento ao longo de uma falha tectónica. Quando as réplicas do sismo cessaram, deu-se início ao estudo do acontecimento, uma deformação que deu origem ao evento. O movimento da crosta foi semelhante aos sismos anteriores que haviam atingido o arquipélago. 


O sismo ocorreu às 15h42 (hora local) do dia 1 de Janeiro de 1980, foi de magnitude 7.2 na escala de Richter e deu-se a cerca de 35 quilómetros a su-sudoeste de Angra do Heroísmo. Isso causou danos consideráveis em três ilhas: Terceira, São Jorge e Graciosa, destruindo vários edifícios. De acordo com os relatórios locais, cerca de 70% das casas da Ilha Terceira foram demolidas, incluindo o centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo. Em termos gerais, os edifícios públicos como as sedes governamentais permaneceram intactos, as igrejas, embora, na maioria dos casos, tenham permanecido de pé sofreram danos muito significativos, enquanto outros edifícios cederam. Serviços essenciais, como a electricidade e a água, ficaram cortados em várias áreas.


A Força Aérea Portuguesa, a Marinha dos Estados Unidos e a Força Aérea dos Estados Unidos, estacionados na base das Lajes, trabalharam em ajuda às populações locais, abrigando mais de 150 famílias; a Força Aérea Portuguesa levaram mantimentos e bens essenciais às vítimas do sismo, enquanto a corveta João Coutinho da Marinha Portuguesa levou médicos para o local.


O Presidente da República, Ramalho Eanes, voou num avião até ao local, acompanhado por pessoal médico e suprimentos e decretou três dias de luto nacional. Depois dos esforços de socorro às populações, dezanove estações sismográficas foram instaladas pela região para monitorizas as atividades sísmicas. Onze destas instalações foram usadas para monitorizar a atividade sísmica, enquanto as outras oito também serviam para a recolha de informações sobre as áreas geotérmicas. O sismo ajudou a que centenas de pessoas das ilhas decidissem emigrar para os Estados Unidos.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_dos_A%C3%A7ores_de_1980


https://observador.pt/2018/02/12/sismo-dos-acores-em-1980-a-historia-do-terramoto-mais-destrutivo-dos-ultimos-200-anos-em-portugal/


 


 

30/12/2019

Um ano negro - violência doméstica

Este foi um ano com vários casos de violência doméstica que resultaram na morte de, ao que se sabe, 30 pessoas: 26 mulheres, 1 criança e 7 homens. O crime de violência doméstica é muitas vezes o ponto de partida para crimes de homícídio na forma tentada e consumada. Esta é uma temática que me deixa sempre bastante preocupada. Muitas vezes acontece mesmo ao nosso lado e não nos apercebemos ou desvalorizamos aquilo que se "escuta". Nos noticiários, há diariamente alertas. Nos programas diários contam-se relatos de superação mas, infelizmente, também se relatam muitos casos de homicídio em contexto de violência doméstica.


Um dos casos mais mediáticos foi o que vitimou a pequena Lara e a sua avó, Helena, no dia 5 de fevereiro. A avó foi esfaqueada à porta de casa e a menina, levada para parte incerta pelo pai. No dia seguinte, o corpo da menina aparece dentro do porta bagagens do carro do progenitor, que ainda avisou onde tinha deixado o carro antes de se suicidar. Nesta data, já eram 10 as vítimas de violência doméstica. O caso aconteceu aqui perto, o que me fez sentir uma certa revolta, por pensar como é que "ninguém" deu conta, ninguém o travou! Não teria havido forma de evitar a morte da avó e da menina?


Mas ao longo do ano, o número de casos foi-se acumulando! Em Torres Vedras, a 7 de abril, uma menina de 14 anos, encontrou o corpo da mãe, vítima de estrangulamento deixada dentro da banheira. A vítima tinha 44 anos e o crime terá sido cometido pelo ex-namorado da vítima. A menina de apenas 14 anos, estaria fora de casa a trabalhar como babysitter. Depois do crime, o suspeito conseguiu fugir, mas acabou por ser detido mais tarde pela GNR para ser presente a um juiz. 


Na passada sexta-feira, uma mulher foi morta em Leiria pelo companheiro. O homem, de 35 anos, degolou a mulher de 34 anos com um x-ato. Na mesma casa estavam presentes os filhos da vítima, de dois e seis anos, que estão atualmente sob a responsabilidade da Comissão da Proteção de Crianças e Jovens. Fonte policial revelou à agência Lusa que a PSP tinha sido alertada para discussões entre o casal, “mas nada previa este desfecho”.




Em Cascais, um homem de 43 esfaqueou mortalmente a ex-companheira este sábado à noite, à porta do prédio da vítima. O suspeito, entretanto detido pelas autoridades, terá ficado à espera da mulher no prédio onde esta habitava com o filho e o novo namorado. Esfaqueou-a duas vezes e depois pôs-se em fuga. A mulher acabou por morrer.


Estes são apenas alguns dos casos que marcaram as notícias deste ano e que nos fazem pensar. Sendo a violência doméstica um crime público e, sabendo nós que, em alguns destes casos, já haveria medidas de afastamento, o que falta ainda fazer para diminuir este número elevado de mortes?


De que forma é que é possível manter as vítimas em segurança? É que em muitos casos, as mortes ocorrem depois dos agressores saberem que tinham sido denunciados. E quando as autoridades nem as queixas aceitam? Se uma mulher ou um homem, se desloca a uma esquadra ou a um posto para pedir ajuda, como é que ainda existem elementos da autoridade que desvalorizam estas queixas? No final de 2018, cerca de 63% dos postos e esquadras de competência territorial possuía uma Salas de Atendimento à Vítima (SAV), refere o MAI. O objetivo é que "todas as novas infraestruturas da PSP e da GNR - a construir de raiz ou a serem recuperadas" já tenham ou venham a ter uma destas salas.


Eu própria já vi vários casos de violência doméstica, em que o mais extremo foi o de uma jovem mãe assassinada com dezenas de facadas e com um filho pequenino na mesma casa. Não foi este ano, mas por muitos anos que viva nunca vou esquecer aquela imagem. Nunca mais me esquecerei do cenário, nem penso que algum me sairá da cabeça a sensação de perceber que aquela mulher deu luta por toda a casa e que havia salpicos de sangue no chão, nas paredes, no sofá, no teto... e muito, muito, nas mãos e roupinha da criança que estava a tentar "acordar" a mãe.




Muitos outros casos não resultaram em morte, mas em agressões muito graves e com danos físicos e psicológicos graves. E quando as vítimas ganham a coragem para se queixar, são muitas vezes "detidas" com palavras que desvalorizam o que estão a passar e em alguns casos com incentivos à reconcilização do casal. Isto transmite à vítima que ela não é importante o suficiente para que se importem com ela, fortalecendo o poder que o agressor investe sobre a vítima.


Fontes:


https://tvi.iol.pt/noticias/sociedade/mortos/os-crimes-de-violencia-domestica-que-marcaram-2019


https://sol.sapo.pt/artigo/652831/viol-ncia-domestica-mortes-voltam-a-subir


https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/violencia-domestica-mais-mulheres-mortas-em-2019-do-que-em-2018


https://www.esquerda.net/artigo/violencia-domestica-matou-30-mulheres-em-portugal-so-em-2019/65152


https://www.dn.pt/pais/dois-meses-e-11-dias-23-pessoas-mortas-14-por-violencia-domestica-10667254.html


 

20/12/2019

Depressão Elsa

A depressão batizada com o meu nome atingiu Portugal com bastante força nesta quinta-feira, trazendo consigo muita chuva e ventos fortes. As consequências foram a queda de árvores, o corte de estradas, o cancelamento de voos e de ligações marítimas. Podiam ter dado o meu nome a um dia de sol, mas não, escolheram dá-lo a temporal. 


Desta vez, o mau tempo provocou já a morte de pelo menos duas pessoas. Estão neste momento nove distritos - Viseu, Guarda, Castelo Branco, Aveiro, Coimbra, Braga, Porto, Vila Real e Viana do Castelo - em alerta vermelho.


Também foram várias as infraestruturas, como o museu MAAT, em Lisboa, ou a Casa da Arquitetura, em Matosinhos, que sofreram danos e por isso certamente irão ficar encerradas nos próximos dias para que se possa proceder à sua reparação.


As autoridades falam em cerca de 3000 ocorrências registadas e alertaram também para o risco de cinco rios poderem ultrapassar o seu limite de caudal e levarem a novas cheias.


Devido ao agravamento das condições atmosféricas também o fornecimento de energia elétrica,  foi afetado em algumas regiões, sobretudo pelos ventos fortes.


O natal deverá ser chuvoso, uma vez que se prevê (pelo meonos pelo que avisam nos noticiários) que depois de passar a depressão Elsa irá chegar a Fabien, que é outra tempestade idêntica mas da qual não se prevêm tantos estragos. Mesmo assim, atenção porque a chuva persistente deverá manter-se. Devemos por isso estar atentos aos noticiários e, caso não seja necessário, até evitar sair.


Fontes:


https://www.cmjornal.pt/sociedade/detalhe/depressao-elsa-faz-dois-mortos-e-deixa-rasto-de-destruicao-em-portugal


https://pt.euronews.com/2019/12/19/depressao-elsa-faz-dois-mortos-e-provoca-caos-em-portugal


 

03/12/2019

Bhopal - 35 anos depois do maior acidente industrial

Na noite de 2 para 3 de dezembro de 1984, a cidade de Bhopal, fica coberta por um manto venenoso que sufoca e mata milhares de pessoas. Um acidente "nas instalações da empresa norte-americana Union Carbide, em Bhopal, capital do estado de Madhya Pradesh", fez cerca de "oito mil mortos," (embora o Governo de Nova Deli só admita três mil "vítimas mortais diretas"). Existem também algumas referências que colocam os números acima das "10 mil mortes por doenças resultantes da inalação do gás."


O que se passou em Bhopal, tem de ser lembrado e falado, para que não voltem a ficar impunes os maiores culpados só porque os mais pobres não tiveram dinheiro nem poder. Infelizmente, o que se passou em Bhopal pode estar a acontecer ainda noutras partes do mundo e quantas "bombas-relógio" estarão por aí à espera de matar!


Um acidente na fábrica de pesticidas que se localizava em "Bhopal, Índia, fez com que fossem libertados gases altamente tóxicos, entre os quais cianeto." Os trabalhadores da fábrica, habituados a leituras erradas, primeiramente pensaram que se tratava apenas de uma pequena fuga, tentaram depois controlar a fuga com os meios ao seu dispor. Infelizmente, os sistemas de segurança não funcionaram ou não existiam e o pior acabou por acontecer. Nem sequer as magueiras de água, que eram demasiado curtas para alcançar a altura da chaminé por onde saía o gás, poderam conter os gases que saiam pela fábrica e o "vento que soprava nesse 3 de dezembro de 1984 espalhou os gases sobre toda a cidade e arredores."


Muitas das pessoas já dormiam, mas com as janelas abertas e habitações precárias e mal vedadas, rapidamente começaram a sentir os olhos a arder e dificuldades em respirar. A falta de ar fez com que grande parte da população viesse para a rua e, apercebendo-se do ambiente tóxico, começaram a fugir. Esta fuga, apenas serviu para agravar os sintomas, uma vez que acabaram por se "afogar" mais rapidamente nas suas próprias secreções.


"A substância tóxica em causa era o isocianato de metila, tendo ficado a pairar sobre a cidade e seus arredores, onde se concentra em bairros de lata a população mais pobre, mais de 40 toneladas daquele produto. O isocianato de metila causa uma morte dolorosa a quem o aspirar, atacando as vias respiratórias até à asfixia; reage também violentamente com a humidade da vista, causando cegueira."


"Todos os anos continuam a nascer bebés com malformações e o número de doenças crónicas é mais elevado que no resto do país."


"O derrame de gases tóxicos provenientes de uma fábrica de pesticidas, é considerado por muitos como o pior desastre industrial ocorrido até hoje. Mais de meio milhão de pessoas foi atingido pelos gases." Muitos ainda hoje sofrem os seus efeitos. A fábrica foi encerrada, mas continua lá. Pior do que lembrar a todos o que se passou naquela noite e nos dias que se seguiram, continua a largar nas terras circundantes os restos de veneno que ainda circulam nos canos e depósitos ferrugentos, contaminando lençóis de água e terrenos agrícolas. Apesar das "autoridades locais" afirmarem que "o consumo" de água é seguro, "a BBC recolheu uma amostra para análises" e o resultado revelou que "o líquido recolhido continha mil vezes o valor máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde de tetraclorido de carbono, substância que ataca o fígado e pode originar cancro."


"Associações ambientalistas e de direitos humanos afirmam que existem milhares de toneladas de lixo tóxico nos solos da fábrica abandonada." Mas as pessoas continuam a viver ali e a conviver diariamente com a fábrica, recordando diariamente os efeitos daquela noite. 


Cinco anos depois desta tragédia, "a Union Carbide, propriedade da Dow Chemicals" aceitou indemnizar várias das vítimas e famílias afetadas em "Nova Deli", mas o valor foi demasiado insignificante perante a perda de vidas. "Nunca se realizou qualquer julgamento dos responsáveis da fábrica."


Fontes:


https://pt.euronews.com/2014/12/02/acidente-de-bhopal-foi-ha-30-anos


https://www.publico.pt/2014/12/02/fotogaleria/bhopal-342287


https://www.dn.pt/globo/asia/bhopal-lembra-pior-acidente-industrial-da-historia--1438297.html/


 

14/11/2019

Tiroteio na Califórnia

Um dos temas recorrentes, infelizmente, tem sido o das armas, em especial das armas de fogo. A facilidade com que uma criança ou um jovem agarra uma arma e dispara, provocando mortes e ferimentos graves, em si mesmo e nos outros, é de tal ordem que todos os anos se registam casos de acidentes e de atentados com armas de fogo. Líder nestas ocorrências, estão os EUA, mas infelizmente também ocorrem com frequência vários casos graves aqui em Portugal, em Espanha, França ou no Brasil, por exemplo.

Desta vez, a notícia que trago e que me chamou a atenção vem mesmo dos EUA, onde hoje um tiroteio matou uma jovem de 16 anos e um rapaz de 14 anos, ferindo ainda outras três pessoas, na escola de ensino médio Saugus, em Santa Clarita, na Califórnia, nos Estados Unidos.

O suspeito terá 16 anos e é de origem asiática. Está a receber tratamento no hospital para onde foi transportado em estado grave, depois de ter tentado o suicídio.

Segundo o que é dito nos canais noticiosos, a mãe e a namorada do autor dos disparos estarão a colaborar com o trabalho da polícia.

A proteção nestes espaços é sempre complicada, uma vez que esta é uma escola com cerca de 2300 alunos e que se espalha em mais de uma dezena de edifícios. Tanto o colégio como outras escolas da área foram fechadas.

Fontes:

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/11/14/atirador-deixa-feridos-em-escola-nos-eua.ghtml

09/11/2019

Queda do Muro de Berlim - lembrar a história, 30 anos depois

As imagens da queda do Muro, são de facto umas das primeiras que me recordo de ver na televisão. Eu tinha apenas 6 anos e ver noticiários não fazia parte nessa altura daquilo que me era permitido fazer, apesar de eu ser muito curiosa e de tentar sempre assistir quando podia. 


Na altura, claro que nada daquilo fazia sentido para mim, eu não percebia o que representava aquele muro. Penso que hoje em dia, se questionar os jovens e até alguns adultos sobre o real significado que a demolição daquele muro teve na Europa, poucos saberão responder. 


O Muro de Berlim dividiu a cidade em duas partes durante 28 anos, tornando-se no símbolo da Guerra Fria, que marcou parte história do século XX. No fim da II Guerra Mundial, depois da divisão da Alemanha, Berlim também ficou dividida em quatro setores de ocupação: soviético, americano, francês e inglês. As divergências entre os comunistas e os aliados foram crescendo e deram origens a duas partes da mesma Alemanha. 


Como não existiam barreiras entre as Alemanhas, o fluxo de pessoas acontecia livremente e com a Alemanha Ocidental oferecendo melhores condições de vida à sua população, os habitantes da Alemanha Oriental começaram a mudar-se para lá. Entre 1948 e 1961, cerca de três milhões de pessoas fugiram da RDA para a RFA.


Isso era um grande problema para as autoridades da Alemanha Oriental, principalmente pelo fato de que o país perdia muita mão de obra qualificada com isso. A solução encontrada pela RDA foi realizar a construção de um muro para isolar Berlim Ocidental. 


A sua construção remonta à noite de 12 de agosto de 1961, quando a RDA ergue um muro provisório e fecha 69 pontos de controle, deixando apenas 12 abertos. Na manhã seguinte, foi colocado “muro” de arame provisório com cerca de 155 quilómetros. Berlim divide-se em duas cidades, o mesmo acontecendo com famílias e amigos. Podemos dizer então que o Muro de Berlim foi um produto da Guerra Fria.


A República Federal da Alemanha (RFA) era chamada Alemanha Ocidental, tinha capital em Berlim Ocidental e era aliada dos Estados Unidos. A República Democrática Alemã (RDA), por sua vez, era conhecida como Alemanha Oriental, tinha capital em Berlim Oriental e era aliada da União Soviética.


Acompanhando o muro, foi criada a chamada “faixa da morte”, formada por um fosso, em arame farpado, sistemas de alarme, armas automáticas, torres de vigilância e patrulhas 24 horas do dia. Entre 1961 e 1989, mais de 5.000 pessoas tentaram passar o muro e mais de 3.000 foram detidas. Cerca de 100 pessoas morreram a tentar passar o muro, a última delas em 5 de fevereiro de 1989.


A queda do Muro de Berlim relaciona-se com a desintegração do bloco de nações socialistas no leste europeu. A década de 1980 foi uma década de crise para o bloco socialista em geral e a situação não foi diferente para a Alemanha Oriental. Assim, a queda acabou por ser motivada pela abertura das fronteiras entre a Áustria e a Hungria em maio de 1989, depois do desmantelamento de uma cerca elétrica ao longo da fronteira entre a Hungria e a Áustria, em abril do mesmo ano. O que acontecia era que essas pessoas que iam para Hungria, desejavam aproveitar da abertura das fronteiras húngaras para encaminharem-se até a Áustria. Uma vez na Áustria, elas poderiam solicitar asilo na Alemanha Ocidental. Ou seja, mudavam de "lado" sem terem de passar pelo muro.


No início de novembro,  um número elevado de refugiados chegava à Hungria via Tchecoslováquia ou pela embaixada da Alemanha Ocidental em Praga. A emigração foi inicialmente tolerada por causa de acordos de longa data com o governo comunista da Tchecoslováquia, permitindo viagens gratuitas através de sua fronteira comum. No entanto, esse movimento de pessoas cresceu tanto que causou dificuldades para os dois países. 


Nessa altura, eram cada vez mais os alemães que viajavam até à Hungria para pedir asilo nas diferentes embaixadas da República Federal Alemã. Isso acabou por motivar enormes manifestações na Alexanderplatz, o que fez com que, no dia 9 de novembro de 1989, o governo da RDA afirmasse que a passagem para o lado oeste estava permitida. Nesse mesmo dia, milhares de pessoas se aglomeraram nos pontos de controle para poder passar para o outro lado e ninguém podia detê-los, o que acabou por levar a um êxodo massivo.


A queda do Muro de Berlim foi um dos acontecimentos mais marcantes do final do século XX e aconteceu na virada de 9 para 10 de novembro de 1989. A queda desse muro foi um dos capítulos que marcou a decadência do bloco socialista que existia no leste europeu. Na prática, apesar da sua grande importância, a queda do Muro de Berlim foi um ato apenas simbólico, mas marcou o início de um processo político que culminou com a reunificação da Alemanha. O chanceler da Alemanha Ocidental, Helmut Kohl, preparou-se para isso e, no dia 3 de outubro de 1990, a Alemanha reunificava-se e o lado socialista deixava de existir.


Fontes:


https://idi.mne.gov.pt/pt/atividades/exposicoes/muro-de-berlim-30-anos


https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/queda-muro-berlim.htm


 


 

08/11/2019

Infância - abandonado nas primeiras horas de vida

Há uns dias, a comunicação social relatou a notícia de um recém-nascido encontrado por um homem num ecoponto, em Lisboa. A história do pequeno bebé, fez-me pensar em quem seria capaz de tal acto. Mas a verdade é que isto é tudo muito complicado e não sou ninguém para julgar esta mãe. 


Fonte envolvida na investigação da PJ explicou ao DN que "em causa podem estar os crimes de infanticídio, caso se venha a confirmar que a mãe quis matar o filho durante ou logo após o parto, em estado de perturbação (artigo 136 do Código Penal), de homicídio de forma tentada ou de abandono. Só depois da conclusão da investigação ficará clarificado".


Segundo um comunicado da Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo, esta "identificou, localizou e deteve", na madrugada desta sexta-feira, em Lisboa, "uma mulher, de 22 anos de idade, por fortes indícios da prática de homicídio qualificado, na forma tentada, vitimando uma criança do sexo masculino, recém-nascido, seu filho". A medida aplicada foi depois a prisão preventiva para a mulher, que irá ser encaminhada para o Estabelecimento Prisional de Tires. 


A mãe, vivia na rua junto à estação ferroviária de Santa Apolónia com um companheiro que não será pai do bebé e que diz nem se ter apercebido da gravidez. No momento da detenção, a mulher "não apresentava sinais de consumo de droga, estava completamente consciente" e não ofereceu resistência.


Neste caso, o que poderia ter corrido muito mal, acabou por correr bem e o pequeno foi encontrado a tempo por um homem que passava por ali. Manuel, um sem-abrigo, foi alertado por sons vindos do eco-ponto e podia ter virado as costas, ignorado, mas não o fez. A surpresa foi imensa quando descobriu que ali havia um bebé!


Depois de dado o alerta, Luís Pedro Nunes, um técnico de emergência pré-hospitalar, chegou ao local. O bebé ainhda corria perigo por apresentar "uma hemorragia ativa no cordão umbilical, hipotermia grave e dificuldades respiratórias”, disse o TEPH, em entrevista ao DN.


Mais tarde, foi ao Hospital D. Estefânia para saber como estava o recém-nascido: "As enfermeiras no hospital perguntaram-me que nome lhe queria dar”, contou ao “DN”. “Tenho uma filha, gostava de ter um filho mas se calhar não vou conseguir e, se tivesse, seria Salvador."


O bebé apesar de tudo está clinicamente bem e terá alta em breve da Maternidade Alfredo da Costa, onde está internado. De acordo com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), o recém-nascido não deverá ser entregue a nenhuma instituição. Poderá ficar numa família de acolhimento e possivelmente será encaminhado para adoção. Outra possibilidade é se aparecerem familiares que comprovadamente tenham condições e interesse em ficar com o menino.


 


Fontes:


https://expresso.pt/sociedade/2019-11-08-Bebe-abandonado-em-ecoponto-vai-para-familia-de-acolhimento


https://expresso.pt/sociedade/2019-11-07-O-bebe-tinha-uma-hemorragia-ativa-no-cordao-umbilical-hipotermia-grave-e-dificuldades-respiratorias-palavras-do-salvador-de-Salvador


https://www.dn.pt/pais/pj-detem-presumivel-autora-de-tentativa-de-homicidio-de-bebe-abandonado-no-lixo-11492628.html


https://www.dn.pt/pais/bebe-recem-nascido-encontrado-em-caixote-do-lixo-em-lisboa-11483325.html


 


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...