28/03/2025

Sismo atinge Sudeste Asiático

Um sismo de 7.7  "foi registado na região central de Myanmar, a cerca de 50 quilómetros a leste da cidade de Monywa," e a 17 "de Mandalay." Além de Myanmar, o sismo foi sentido também no "Bangladesh, Índia, Laos," bem como na "Tailândia e China."


Cerca de 12 minutos depois, um segundo abalo atingiu também a Tailândia, com "6.4 na escala de Richter."


Na capital de Myanmar, no hospital da capital de Myanmar registaram-se inicialmente "cerca de duas dezenas" de mortos. Dados posteriores, indicam pelo menos 144 mortos e 732 feridos, na região.


Para já, não há risco de tsunami, mas as réplicas podem fazer ruir as estruturas que se encontrem mais instáveis, dificultando também a busca por sobreviventes. Nas redes sociais correm imagens de prédios a ruir, piscinas a transbordar do topo dos altos edifícios e de pessoas em pânico na rua. Uma ponte colapsou e "há receios de danos numa barragem."




Apesar de em ocasiões anteriores não ter sido ajuda, desta vez foi solicitada ajuda humanitária à comunidade internacional, tendo a própria Amnistia Internacional instado "a Junta Militar que está no poder de Myanmar desde o golpe de Estado de 2021 a aceitar ajuda humanitária externa."


"Em Genebra, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou ter ativado o sistema de gestão de emergências e o centro logístico no Dubai foi mobilizado para apoiar os feridos."






"Myanmar situa-se numa zona sísmica muito ativa." O país tem "mais de três milhões de pessoas" deslocadas internamente devido "ao conflito armado que se desenrola desde o golpe militar de 2021."


"Na Tailândia, o abalo foi sentido com grande intensidade na capital Banguecoque, na qual "residem mais de 17 milhões de pessoas." A região foi declarada "zona de catástrofe," sendo que o número de feridos e mortos pode vir a aumentar. Várias infraestruturas desabaram incluindo três edifícios em construção que acabaram por colapsar. Num dos esdifício, estão ainda desaparecidos mais de oitenta trabalhadores.




 Fontes:


https://observador.pt/liveblogs/sismo-de-magnitude-77-na-escala-de-richter-atinge-myanmar-e-tailandia-ha-registo-de-dezenas-de-mortes-e-feridos/


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2756172/ao-minuto-sismo-na-tailandia-e-myanmar-vitimas-presas-em-escombros?utm_medium=email&utm_source=gekko&utm_campaign=afternoon


https://sicnoticias.pt/mundo/2025-03-28-video-forte-sismo-atinge-tailandia-e-myanmar-280efe64

24/03/2025

Sismo sentido no Algarve

Foi hoje sentido em Portugal, um sismo de 4.4 na escala de Richter. O abalo registado pelas 5h18m, teve epicentro "a cerca de 75 quilómetros a sul de Faro," no mar, tendo sido sentido com mais intensidade nos "concelhos de Albufeira e Faro e menor intensidade em Loulé, sem notícia de danos pessoais ou materiais."


Há cerca de 300 anos, precisamente a "27 de dezembro de 1722", um grande sismo afetou esta região, tendo chegado aos "7,8 na escala de Richter." O abalo foi sentido pelas 18h00m e terá deixado "um enorme rasto de destruição de Tavira a Loulé." Alguns estudos feitos recentemente, estimou que os "danos potenciais" poderiam atingir cerca "de 12 mil mortos."


O abalo acabou por cair "no esquecimento após o Grande Terramoto de Lisboa, em 1755."


Um outro abalo, este ainda na memória de alguns, foi o "sismo de 1969, o mais forte a atingir Portugal no século XX." Neste evento, "os municípios de Vila do Bispo, Bensafrim, Portimão e Aljezur" foram as "zonas do país mais afetadas. O evento aconteceu na madrugada de 28 de fevereiro desse ano, estando o seu epicentro registado a cerca de 200 km de Sagres."


De facto, o sul do país acaba por estar mais exposto a este tipo de eventos, "devido não só aos sismos inter-placas mas também à presença de falhas ativas que atravessam a região do Algarve, nomeadamente as falhas de Portimão, Quarteira e Faro-Loulé."


 


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/pais/sismo-de-44-na-escala-de-richter-sentido-no-algarve_n1642995


https://www.tempo.pt/noticias/actualidade/terramoto-de-1722-o-pior-sismo-do-algarve-engoliu-um-rio-destruiu-vilas-inteiras-mas-nao-deixou-registos.html


https://www.tempo.pt/noticias/actualidade/sismos-em-portugal-historico-probabilidades-e-principais-causas-terramoto.html

16/03/2025

Incêndio mata em discoteca

Neste caso, com a vida dos outros. Se não houve, alguém, uma cabeça com um mínimo de inteligência que olhasse para o arraial ali montado e visse que algo não estava bem?

Hoje, acordei um pouco agressiva, talvez, mas seja aqui ou na Macedónia do Norte, há coisas que eu só posso chamar de homicídio (intencional ou por negligência, se irá saber) e, se acaso não foi intenção, então só o posso colocar na categoria da ignorância. Para mim, só é negligente quem não sabe o que está a fazer ou as suas consequências. Usar fogo dentro de um espaço fechado, onde existem diversos materiais inflamáveis, iria correr bem, só no pensamento de alguns.

O número provisório do incêndio que terá "sido causado pela utilização de dispositivos pirotécnicos no interior da discoteca, "é de 51 mortos e mais de 100 feridos. Nas imagens, é perceptível o uso de fogo de artifício dentro do estabelecimento noturno. Parece fazer parte da atuação, mas as faíscas, porventura maiores que o desejado, atingem o teto que muito rapidamente se incendeia. Culpam os jovens que assistiam à atuação da banda, mas não é ignífugo aquele material, e não foi fogo de artifício lançado para o telhado que incendiou o espaço. Há muito ainda a explicar.

Com também houve (ou ainda há) a explicar em ouros casos de que logo me lembrei ao ver esta notícia. De origens diferentes, o fogo e o pânico mataram quem se divertia naqueles fatídicos locais. Que sirvam de alerta para uma atitude mais preventiva e de maior fiscalização dos espaços, o da discoteca Luanda, em Alcântara (em 2000), o de Amarante (em 1997) e o de uma discoteca que ardeu no Brasil (em 2013).

Num espaço que poderia ter 360 pessoas, estavam cerca de mil. Tantas quantas as que sentindo os efeitos do gás pimenta, tentaram sair para a rua. Em vez de saídas de emergência, encontraram portas fechadas a cadeado e grades. Na discoteca, de nome "Luanda", com clientes na sua maioria africanos, morreram 7 pessoas.

Em 1997, a discoteca "Mea Culpa" é incendiada em Amarante. "Três homens armados," atearam fogo ao estabelecimento, depois de o regarem com gasolina e trancar lá dentro clientes e empregados. Morreram 13 pessoas. José Queirós, autor moral, é considerado culpado e condenado à pena de 25 anos de prisão, mas sempre recusou a culpa pelo desfecho trágico.

A 27 de janeiro de 2013, uma tragédia semelhante "foi provocada por um engenho pirotécnico usado por uma banda, os Gurizada," que atuavam numa discoteca , no Brasil. Os primeiros a tentar sair, viram a sua intenção rogada pelos seguranças e pelas portas fechadas. Muitos, em pânico tentaram esconder-se nas casas de banho, onde morreram asfixiados. Outros foram esmagados no meio do desespero. "Quando os bombeiros chegaram, tiveram de abrir um buraco na parede para tentar retirar mais jovens da discoteca." Além dos muitos feridos, alguns dos quais em estado grave, registaram-se 231 mortos.

Fontes:

https://www.jn.pt/7584010460/incendio-em-discoteca-faz-51-mortos-na-macedonia-do-norte/

https://www.publico.pt/2013/01/27/mundo/noticia/portas-da-discoteca-onde-morreram-232-pessoas-fechadas-tempo-de-mais-1582298

https://www.publico.pt/2000/04/18/jornal/tragedia-ainda-sem-explicacao-142792

https://observador.pt/2017/04/14/autor-moral-do-massacre-na-boite-meia-culpa-em-amarante-continua-preso-apos-20-anos/


 

13/03/2025

Açores voltam a tremer com alguma intensidade

É normal a terra tremer nos Açores, uma vez que o arquipélago fica na fronteira "entre três placas tectónicas."

Na terça-feira (11 de março) pelas 07h14, foi sentido um sismo com 5.3 de magnitude, de acordo com o site do IPMA (ou de 5,1 segundo o CIVISA) – "com epicentro a cerca de 25 quilómetros a sul-sudeste de Faial da Terra." O evento foi sentido “em praticamente toda a ilha de São Miguel” mas "também na ilha de Santa Maria, no grupo Oriental." Seguiram-se cerca de 40 réplicas ao primeiro evento, uma das quais de magnitude 3.3 foi registada "nas estações da Rede Sísmica do Arquipélago dos Açores pelas 13h16 locais e teve epicentro a cerca de 25 quilómetros a su-sudeste de Faial da Terra."

Ontem, um sismo de "magnitude de 4,2 na escala de Richter foi sentido" pelas 17h13m (menos uma hora que no continente) na ilha de São Miguel. O epicentro foi "a cerca de 25 quilómetros a sul-sudeste de Faial da Terra, no concelho da Povoação." Dadas as caraterísticas geológicas da região, esta crise sismica será de natureza tectónica, uma vez que naquela região não há conhecimento de vulcões ativos. Esta crise não terá ligação com a de Santa Bárbara, que dura deste 2022 e cuja origem está no próprio vulcão de Santa Bárbara.

Como comecei por dizer,  os sismos são frequentes e podem ter origem tectónica ou vulcânica. "A sismicidade de natureza tectónica resulta da libertação súbita de tensões acumuladas na porção frágil da litosfera em resultado da movimentação relativa das placas," enquanto que os "tremores de terra relacionados com a atividade vulcânica são desencadeados pela movimentação de magma e gases vulcânicos" o que pode criar fraturas na "rocha encaixante."

Existem 26 vulcões considerados ativos - isso não quer dizer que estejam a expelir lava! Das "nove ilhas do arquipélago, apenas Santa Maria não tem qualquer vulcão ativo. Nas restantes encontram-se estruturas vulcânicas que podem entrar em erupção a qualquer momento, apesar de estarem adormecidos e não darem sinal de vida há muito tempo."

Devido à sua magnitude ou por terem causado vítimas mortais, "os principais sismos que atingiram os Açores desde o início do povoamento foram os terramotos de 22 de Outubro de 1522" (que atingiu S. Miguel e fez cerca de "5000 mortos"), o de "17 de Maio de 1547 (Terceira, alguns mortos), 24 de Maio de 1614 (Terceira," e que terá provocado uma centena de vítimas mortais) e o de "9 de Julho de 1757 (S. Jorge," que levou cerca de 1000 vidas). No século XIX ocorreram outros eventos de grande intensidade como a chamada "crise de Junho de 1800 a Janeiro de 1801 (Terceira)" que apesar da sua duração apenas terá causado uma vítima mortal direta. A "21 de Janeiro de 1837" um abalo fez 3 mortos na Graciosa e a "16 de abril de 1852" o sismo de S. Miguel, provocou 9 mortos. 

Já no século XX, a "31 de Agosto de 1926, um sismo no Faial faria 8 mortos e a "26 de Abril de 1935," S. Miguel sofreria 1 vítima mortal num novo abalo. Na memória de muitos estará certamente o sismo de "1 de Janeiro de 1980", que atingiu S. Jorge, a Terceira e a Graciosa e fez 63 mortos, com uma magnitude de 7.2. A "9 de julho de 1998" um novo sismo, no Faial traria 9 vítimas mortais. Todos estes abalos trouxeram danos avultados para o arquipélago, sobretudo o de 1980, que afetou Angra do Heroísmo, provocando "mais de 400 feridos," além de ter deixado desalojadas cerca de "21 mil pessoas."

Fontes:

https://observador.pt/2025/03/12/sismo-com-magnitude-42-sentido-na-ilha-de-sao-miguel/

https://ensina.rtp.pt/artigo/os-acores-tem-26-vulcoes-ativos/

https://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=10159

https://ensina.rtp.pt/artigo/sismo-de-angra-do-heroismo/

https://www.rtp.pt/noticias/pais/acores-sismo-de-magnitude-52-sentido-em-sao-miguel-e-santa-maria_n1639853



 

12/03/2025

Como fazer cair um governo em dois passos e meio...

Para aqueles mais distraídos, passaram-se apenas poucos dias entre a decisão de interpôr uma moção de confiança e a queda do governo. Mas o que aconteceu para que a notícia de alegado favorecimento da empresa familiar de Luís Montenegro, tenha levado à dissolução da AR?


A 21 de março de 2024, era indigitado Luís Montenegro como Primeiro ministro. O líder do PSD, concorrera com na AD (Aliança Democrática que unia o PSD, CDS-PP e PPM). Sem maioria absoluta, Luís Montenegro teve de ir contando com o apoio ou a censura dos outros grupos partidários, conseguindo fazer passar Orçamento de Estado, apesar dos votos contra do Chega, Iniciativa Liberal, Bloco de Esquerda, PCP, Livre e PAN e da abstenção do PS.


Mas o ano de 2025 não começou bem e logo em janeiro se soube que, "alegadamente, o então secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Hernâni Dias, terá constituído duas empresas já enquanto governante, ambas ligadas ao imobiliário e à construção civil, que eram áreas na sua tutela direta." A situação foi denunciada pelo programa A Prova dos Factos da RTP, que investigou e noticiou a criação de "duas empresas" pelo então secretário de Estado, "que poderiam vir a beneficiar com a nova Lei dos Solos, legislação criada sob alçada da secretaria de Estado liderada por Hernâni Dias." A situação foi alvo de duras críticas e Hernâni Dias acabaria por apresentar ao primeiro-ministro o pedido de suspensão da sua atividade, de forma a permitir a investigação e a proteger-se a si e à sua família. 


Levantada a ponta da manta, parece que o resto se foi desprendendo pouco a pouco e, depois deste caso, "passou a ser o próprio Luís Montenegro a estar debaixo de fogo, devido à Spinumviva, uma empresa familiar, cujas ações eram detidas, em parte, pelo primeiro-ministro." Nas primeiras versões, Montenegro seria dono (junto com a mulher e os dois filhos) de uma empresa do ramo imobiliário. Mais tarde, vir-se-ia a saber que a Spinumviva (empresa fundada por Montenegro antes de assumir a liderança do executivo), atuava em vários ramos de negócio, mantendo por exemplo "negócios, pagos através de avenças mensais, com a Solverde — cujo futuro à frente dos casinos de Espinho e Algarve estava prestes a ser decidido pelo Governo de Montenegro."


Perante as acusações de que era alvo, Montenegro acabou por, optar numa primeira fase por não responder e, nos dias seguintes por ser vago, adotando como escolha a "entrega" da dita empresa aos filhos. Mas não foi suficiente, porque o que está aqui em causa é saber se esteve a receber benefícios desde que foi eleito Primeiro-ministro. O governo, que tinha sobrevivido "a duas moções de censura, apresentadas pelo Chega e pelo PCP" estava agora exposto a uma moção de confiança, apresentada pelo próprio PSD. 


Faltando "explicações", e depois de um aceso debate na Assembleia da República em que o PS se recusou a reunir à porta fechada com o representante da AD, o "Governo acabou por cair." Pedro Nuno Santos (do PS) acusou o  "governo de Luís de Montenegro" de pretender utilizar "a moção de confiança para condicionar o inquérito e o apuramento da verdade”.


E assim vamos... num país que celebra os 50 anos da Assembleia da República! Ainda haverá muito por saber sobre este caso, mas certamente irão aparecer outros casos e "casinhos". 


Fontes:


https://www.publico.pt/2025/03/11/politica/noticia/tres-perguntas-pairam-empresa-montenegro-2125506


https://www.rtp.pt/noticias/politica/apos-investigacao-da-rtp-secretario-de-estado-hernani-dias-apresentou-a-demissao_n1630500


https://www.dn.pt/pol%C3%ADtica/da-lei-dos-solos-%C3%A0-empresa-de-montenegro-como-se-chegou-%C3%A0-queda-do-governo-e-%C3%A0s-elei%C3%A7%C3%B5es-antecipadas


https://pt.euronews.com/my-europe/2025/03/11/parlamento-rejeita-mocao-de-confianca-e-derruba-governo-da-alianca-democratica


 

11/03/2025

50 anos de democracia - a Intentona de 11 de março

Durante a manhã de 11 de março de 1975, "Lisboa é palco de inesperadas movimentações militares: uma parelha de T6 sobrevoa Lisboa a baixa altitude em ação de intimidação." Mais tarde, pelas 11h50, "forças da Base Aérea n.º 3 atacam o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1), provocando um morto e 14 feridos." Ao princípio dessa tarde, "o general António de Spínola e os principais implicados no golpe fogem para Espanha." A Intentona de "11 de Março de 1975 apenas é compreensível se analisarmos de uma forma mais ampla os acontecimentos e processos que tiveram lugar desde o 25 de Abril de 1974 e, em particular, a partir do 28 de Setembro."

Ocorre que depois da revolução de abril de 1974, as forças políticas ligadas a Spínola e à direita democrática, queriam que "Portugal liderasse uma organização" em que estivessem incluídas as antigas colónias, e que nestas fossem garantidos os interesses do país. Ora esta posição é oposta à defendida pelos militares que tinham preparado o 25 de Abril, "principalmente os membros do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Este Movimento apoiava por sua vez "os partidos totalitaristas marxistas africanos que estavam a consolidar controlo dos territórios recém-independentes, chegando os portugueses do MFA até a posicionar-se contra as organizações de nativos oposicionistas," apoiando a sua "supressão." 

Os "novos regimes africanos em consolidação," não poupam nem os portugueses que por lá se tinham mantido, nem os "autóctones, que são apoiantes do antigo regime ou pertencentes a facções opostas," o que leva a uma situação de precariedade, "com crescentes conflitos, perseguições políticas e exclusões dos processos transicionários na forma de violência, exílios, prisões e mesmo mortes." Spínola queria fazer valer a "independência dos territórios," garantindo a estabilidade dos portugueses, enquanto o MFA, cansado da guerra, queria fazer sair, quão rapidamente fosse possível, as tropas, não se mostrando "dispostos a prolongar a sua presença em África."

Em setembro de 1974, "na tentativa de contrariar uma viragem à esquerda liderada por diversas forças, Spínola" promove "a realização de uma manifestação de apoio à sua política." No entanto, essa manifestação acaba por ser inviabilizada por um grupo de civis apoiantes da esquerda e por "elementos do Movimento das Forças Armadas (MFA)." Em consequência desta derrota, o general Spínola demite-se e é substituído por Costa Gomes. 

Demitem-se também os "ministros da Defesa e da Comunicação Social, Firmino Miguel e Sanches Osório, respetivamente." A 1 de outubro de 1974 toma posse o III Governo Constitucional, que se torna "o segundo mais longo de todo o processo revolucionário português, abrindo uma fase de alguma estabilidade." É constituído ainda o "Conselho dos Vinte, organismo que reúne todos os oficiais com funções político-militares: membros da JSN, da Coordenadora do MFA, comandante-adjunto do COPCON e ex-membros da Coordenadora que, nesse momento, desempenhavam funções de ministro ou Alto-Comissário." Pretendia-se assim articular a "intervenção política dos militares e evitar as decisões de cúpula da JSN."

No entanto, a imagem internacional do país passa a ser uma preocupação. A de março de 1975, Spínola é informado de um possível ataque que visaria a direita. Perante esta suposição denunciada pelos "serviços secretos espanhóis" é preparado um "novo golpe."

Segundo informação que correu então, "1500 pessoas ligadas à direita," estariam sob a mira de forças de esquerda, ligadas ao PCP e à União Soviética. Esta operação (também conhecida como operação matança da Páscoa e que teria entre as personalidades a abater 500 oficiais e 1000 civis apoiantes de Spínola), levou a que no dia 11 de março, o Regimento de Artilharia de Lisboa fosse "atacado por aviões e helicópteros da Força Aérea e por unidades de paraquedistas. Um soldado é morto durante o ataque e, no dia seguinte, regista-se também a morte de um civil." 

Perante tal falha, "Spínola escapa de avião para Espanha e outros oficiais pedem asilo político noutras embaixadas localizadas em Lisboa." Uma das consequências é a radicalização "à esquerda" e a consequente nacionalização (nomeadamente, da banca). Mais tarde, "Vasco Lourenço, implicado nesta alegada ação," acabaria por declarar "que não havia lista nenhuma na operação matança da Páscoa, e que afinal tinham "sido serviços de informação americanos ou russos que puseram a circular essa ideia com o fim de «lançar a casca de banana aos spinolistas»." 

Fontes:

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_11_de_Mar%C3%A7o_de_1975

https://ensina.rtp.pt/artigo/a-tentativa-de-golpe-de-11-marco-de-1975/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Matan%C3%A7a_da_P%C3%A1scoa

https://50anos25abril.pt/historia/11-de-marco/equilibrios-politicos-no-pos-28-de-setembro/




09/03/2025

Massacres... a morte em cada esquina

O regime de Bashar al-Assad caiu há apenas três meses, mas a população Síria não tem visto melhorias na sua situação. As "forças do novo regime estão a ser acusadas do massacre de mais de 700 civis", num total de "29 massacres, entre sexta-feira e sábado, na região costeira de Latakia, na zona ocidental do país." Deposto o ditador, ficaram vários grupos, uns fiéis a Assad e outros fiéis ao novo regime. Entre estes grupos têm-se registado vários conflitos num constante clima de tensão "entre as forças governamentais sírias e grupos armados leais ao antigo regime de Bashar al-Assad."

Os mortos espalham-se pelo chão. As imagens que nos chegam, deixam-nos sem palavras para descrever o massacre. A situação agravou-se quando na passada quinta-feira, "grupos armados ligados ao antigo regime - muitos deles antigos soldados e oficiais - lançaram ataques coordenados" investindo contra "as forças de segurança" e conseguiram tomar "o controlo de edifícios governamentais."

Deste então, contando com a situação vivida este fim de semana, contabilizaram-se já quase mil mortos. As forças de segurança não reconhecem a culpa por estas mortes, dizendo que muitas das "execuções sumárias de dezenas de jovens e os ataques a casas e aldeias da comunidade alauita nos últimos dias," se devem a várias "milícias armadas que vieram ajudar as forças de segurança."

A escalada de violência agravou-se "levando a ataques contra civis inocentes, incluindo mulheres e crianças", afirmaram os patriarcas das igrejas cristã ortodoxa, católica melquita e siríacos ortodoxos, num comunicado conjunto." Pensa-se que a "maior parte das vítimas" sejam alauitas, pertencendo à "comunidade religiosa de que descende a família de Bashar al-Assad." A mensagem foi clara: ou entregavam as armas ou sofriam as consequências. 

A fuga levou a que muitos fossem procurar refúgio numa base militar russa.

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-na-siria/2025-03-09-video-o-sonho-durou-pouco-tres-meses-depois-novo-regime-da-siria-acusado-de-massacre-643dc0b1

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/2025-03-08-siria-autoridades-tentam-restaurar-a-ordem-apos-568-mortes-em-tres-dias-igrejas-condenam-massacres-de-civis-inocentes-fcdc6c0d

https://www.publico.pt/2025/03/09/mundo/noticia/siria-mil-mortos-crescem-receios-perseguicao-religiosa-alauitas-2125274

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...