02/12/2024

A situação crítica que se vive na Siria

No passado sábado, "jatos russos e sírios bombardearam" várias cidades na província de Idlib, que havia caído "sob controle rebelde." Na véspera, a região tinha sido invadida por insurgentes, o que acabou por forçar o "Exército a se remobilizar, no maior desafio ao presidente Bashar al-Assad em anos." De acordo com o exército sírio, dezenas de soldados "foram mortos no ataque."


Idlib é um enclave sob o "domínio dos rebeldes perto da fronteira com a Turquia, onde cerca de quatro milhões de pessoas vivem em tendas e moradias improvisadas."


No dia 1 de dezembro, domingo, forças russas e sírias atacaram diretamente a cidade de Idlib, conseguindo recapturar várias das "cidades que tinham sido invadidas nos últimos dias por rebeldes." Num ataque aéreo, os soldados russos "atingiram a praça junto à Universidade de Alep, matando pelo menos cinco pessoas."


Estes rebeldes são uma coligação secular entre grupos armados "apoiados pela Turquia,"e o grupo islâmico "Hyat Tahrir al Sham." A situação que se vivia este domingo em Alepo, fez com que as ruas da cidade estivessem desertas. Muitos civis escolheram já deixar a cidade, receando o agravamento da situação. Os rebeldes terão entretanto capturado "a cidade de Khansir," numa tentativa de "cortar a principal rota" de fornecimento de material ao exército. Esta ofensiva que teve início na passada quarta-feira já fez mais de 300 vítimas mortais, entre civis, militares e rebeldes.


Fontes:


https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/jatos-russos-e-sirios-bombardeiam-norte-da-siria-apos-ofensiva-de-rebeldes/


https://www.jn.pt/6186843720/cinco-mortos-em-ataque-russo-perto-da-universidade-de-alepo/


 


 

01/12/2024

Independência de Portugal - o feriado que passou despercebido a muitos

Feriados ao domingo temos o de hoje e o da próxima semana e, a verdade, é que acaba por passar despercebido a muita gente. A questão que se coloca é se todos sabemos porque é que hoje é feriado em Portugal?


A data de hoje assinala a Restauração da Independência, conseguida em 1640, quando Portugal voltou a ser independente após décadas sob domínio espanhol. Vamos passear um pouco pela História?











"Foi neste dia que um grupo de revoltosos," que ganharia o nome de "os Quarenta Conjurados," planeou e "lançou um golpe de Estado." Este grupo invadiu o Paço Real em Lisboa e assassinou "o representante de Espanha em Portugal, Miguel de Vasconcelos." A independência foi assim devolvida ao povo português. Sentava-se no trono o rei D. João IV, iniciando então a Dinastia de Bragança.


Terminavam 60 anos de ocupação que se tinha iniciado depois da crise de sucessão que se deu com a morte prematura do Rei D. Sebastião em Alcácer-Quibir, para onde tinha partido com apenas 25 anos. A estratégia portuguesa passava por conquistar a região através de um cerco, mas a decisão acabou por ser alterada e o novo plano passou por atacar em campo aberto. Esta decisão ditaria o terrível desfecho, uma vez que o "xerife Abd el-Malek sabia que os portugueses estavam a rumar para as suas terras com o objetivo de uma investida." Mas, afinal, o que aconteceu para que os espanhóis fossem reis de Portugal?


Voltando atrás... no dia "4 de agosto" de 1578, os portugueses tinham sido "derrotados no Norte de África" e o rei D. Sebastião foi dado como "morto durante o combate," juntamente com "milhares de portugueses, incluindo a elite do poder," tendo os sobreviventes, na sua maioria sido feitos prisioneiros em Marrocos.


Com a presunção da morte de D. Sebastião, foi coroado "o cardeal D. Henrique mas," que era "irmão de D. João III e que havia sido na menoridade de D. Sebastião, regente do reino." 


De entre os pretendentes havia D. Filipe de Espanha, Dª Catarina e D. António. D. Filipe de Espanha era, de facto, neto de D. Manuel I e, por isso, um dos pretendentes ao trono português, concorrendo contra a prima, Dª Catarina. "Esta candidata, apesar de ter o apoio de alguns membros do clero e de alguns juristas, não reunia o apoio de muitos fidalgos, provavelmente por causa de rivalidades e conflitos tradicionais entre casas senhoriais." D. António, apesar de ser o mais fraco dos candidatos acabou por ser aclamado pelo povo!


No entanto, D. António acabaria por ser derrotado na Batalha de Alcântara pelas forças espanholas," e fugiria para os Açores, tendo acabado "exilado em França." 


Três dos cinco governadores que ficaram a chefiar "o país aceitaram o rei de Espanha como rei de Portugal em julho de 1580." Estes três homens, assinaram "o reconhecimento de Filipe II em Castro Marim, dando-se então início à dinastia Filipina. E o que era feito de D. Catarina e de D. António?


"D. Catarina acabou por abandonar a pretensão ao trono e D. António tentou uma negociação com o rei de Espanha: abdicaria da sua pretensão se fosse nomeado governador vitalício, proposta esta que foi recusada por Filipe II."


Uma das ações de Filipe II foi mesmo prometer que haveria a "possibilidade de resgate de uma grande parte dos que, embarcados com D. Sebastião, haviam ficado prisioneiros nos cárceres marroquinos." De facto, o rei chegou mesmo a avançar com o pagamento de quantias monetárias bastante elevadas "para libertar os reféns e assim garantir o apoio e a gratidão da nobreza portuguesa." Além disso, muitos destes nobres viam na União Ibérica, "uma forma de ascender e receber vários benefícios."


Entretanto, nascia o filho de "Filipe I de Portugal e de sua esposa, Ana de Áustria," mas parece que poucos prestaram "atenção" ao nascimento "de um infante espanhol. Nesta altura estava a decorrer a preparação da jornada para o Norte de África." Não era o primogénito e, por isso, o lugar não seria diretamente seu, mas a morte do seu "irmão Carlos, filho de Maria Manuela, infanta de Portugal," e posteriormente com as mortes dos "infantes Fernando, Carlos Lourenço e Diogo," acabou por ter o seu lugar garantido na sucessão ao trono.


Filipe III de Espanha, II de Portugal, que se tornaria rei "de ambas as coroas em 1598," teria uma saúde muito débil. Casar-se-ia com D. Margarida, que "cumpriu o seu dever como rainha e conseguiu gerar" oito descendentes, entre eles, a "infanta Ana Maurícia," que mais tarde se tornaria "rainha de França (mãe de Luís XIV). D. Filipe II, morreria em grande sofrimento e, poderá até, ter sido vítima de envenenamento, a 31 de março de 1621.


Tinha nascido entretanto em Valladolid, D. "Filipe III de Portugal e IV de Espanha", em 1605. "O nascimento de um príncipe do sexo masculino era sempre motivo de grande júbilo e satisfação, porque assegurava a continuação da linhagem e o destino da coroa." O infante seria "jurado como príncipe herdeiro de Castela pelas cortes a 13 de janeiro de 1608," com apenas três anos. "Em 1611, Espanha começou a negociar o matrimónio do herdeiro da coroa com uma infanta francesa. Contudo, nesta altura o príncipe tinha apenas sete anos e a infanta francesa Isabel de Borbom, nove." Casaram em 1615 e tiveram sete filhos, apenas um deles, do sexo masculino, que acabaria por morrer. D. Filipe III voltaria a casar-se para que fosse possível encontrar um sucessor varão, desta vez com a sua própria "sobrinha, Mariana de Áustria."


A verdade é que, a Dinastia Filipina, dirigiu "o Reino português com distância física" e não mantinha qualquer "ligação afetiva a Portugal." D. Filipe I, deixou mesmo "o governo da coroa portuguesa entregue ao seu sobrinho D. Alberto, filho de Maximiliano da Áustria e de Maria da Áustria, sua irmã."


Durante o reinado de Filipe II, a governação de Portugal foi também bastante "instável e fortemente marcada pela distância." O país sofria "diversas dificuldades," tais como a "escassez de cereais e péssimos anos para a agricultura," que tornaram a vida do povo deveras complicada. "Com o objetivo de melhorar a relação com Portugal e acalmar o descontentamento dos portugueses," D. Filipe II de Portugal, entregou o governo a "Cristóvão de Moura." 


Em 1608, "o cargo de vice-rei foi entregue a D. Pedro Castilho, bispo de Leiria e inquisidor mor do Reino. Ao longo do reinado de Filipe II de Portugal, foram vários os vice-reis, sendo o último vice-rei Diego de Silva." Filipe II de Portugal nunca se mostrou muito preocupado "em resolver as questões do reino de Portugal," chegando mesmo a acusar os "seus ministros" da situação em que o reino se encontrava.


"Com a subida ao trono de Filipe III", a ausência física tornou-se ainda mais evidente, tendo "a governação de Portugal" estado "sempre entregue ao respetivo vice-rei rei ou à junta de governadores." No ano de 1634, Filipe III de Portugal, "designou como vice-rainha de Portugal, a sua prima italiana Margarida de Sabóia, duquesa de Mântua." Entretanto começava o conflito da Catalunha, onde muitos dos nobres portugueses acabaram por ir combater.


Pouco tempo depois, em 1639, "foi proposto ao Duque de Bragança um cargo importante, o cargo de governador-geral das armas de Portugal." D. João, não terá aceite "esta oferta e, quando a conspiração contra a Dinastia Filipina começou a ganhar maior proporção," acabou por ser de certa forma, "obrigado" a ter uma atitude mais ativa e assumiu a liderança do "movimento que emergia."


O golpe de Estado que conduziu à morte de Miguel de Vasconcelos, foi planeado durante algum tempo, em "várias reuniões secretas no Palácio da Independência, no Largo de São Domingos, perto do Largo do Rossio, em Lisboa. Foi aí que os 40 nobres que queria derrubar o espanhol Filipe III do trono conspiraram, mais precisamente num anexo, na altura conhecido como palácio de Antão Vaz de Almada," que era um dos Quarenta.


Mas não nos podemos esquecer de um outro factor que pode ter facilitado o desfecho positivo deste golpe. Na Catalunha, acontecia "ao mesmo tempo, a Guerra dos Segadores," o que pode ter servido "para desviar as atenções da coroa espanhola, que na altura travava outras guerras com outros territórios para além de Portugal."


A independência só foi reconhecida por Espanha 28 anos depois, em 1668, com a assinatura do Tratado de Lisboa.




 








30/11/2024

Agravamento da situação no Kosovo

A relação entre a Sérvia e o Kosovo tem sido bastante tensa ao longo dos últimos anos, não obstante a sensação de aparente acalmia que brota da falta de informação sobre estes dois estados, cujas tensões "persistem desde a guerra entre as forças kosovares e sérvias" da década de 1990.


Ontem, uma forte explosão atingiu um dos canais "que fornece água a duas centrais elétricas," perto da cidade de Zubin Potok, na zona norte do Kosovo. Esta situação, levou a que durante algum tempo "parte do Kosovo" tivesse ficado "sem eletricidade." O presidente sérvio negou "qualquer envolvimento” do seu país neste ataque que ocorreu na sexta-feira, e que atingiu um "canal de água vital para o arrefecimento de duas centrais térmicas", dizendo mesmo que estas acusações são "infundadas."


A Sérvia ainda não reconheceu a independência do Kosovo, que era uma das suas províncias até 1999, altura em que um ataque da NATO, permitiu a separação destes dois estados.


Fontes:


https://www.jn.pt/6834738980/primeiro-ministro-do-kosovo-denuncia-atentado-apos-explosao-em-canal-que-abastece-centrais-eletricas/


https://observador.pt/2024/11/30/presidente-servio-nega-envolvimento-do-seu-pais-no-ataque-a-canal-de-agua-no-kosovo/

27/11/2024

Mau tempo causa destruição na Irlanda e no Reino Unido






No norte do País de Gales, "dez pessoas, incluindo cinco crianças, foram resgatadas," depois de terem sido arrastadas por um deslizamento de terras."

Em Hampshire, Inglaterra, "um homem de 60 anos morreu depois de uma árvore ter caído em cima do veículo em que seguia," estando neste caso a causa da morte a ser investigada.





Devido à tempestade, "que assolou o país com chuvas torrenciais e fortes rajadas de vento durante o fim de semana," foram vários os operadores ferroviários que tiveram de cancelar os seus serviços. "Árvores caídas para linhas de comboio interromperam os serviços entre Londres e o Aeroporto de Stansted."


As estradas transformaram-se em autênticos "cursos de água," com as "principais estradas de Northamptonshire e Bristol" a serem encerradas. Vários voos sofreram atrasos no "aeroporto de Newcastle" e muitos ficaram mesmo em terra.


Fontes:


https://sicnoticias.pt/meteorologia/2024-11-25-video-tempestade-bert-provoca-inundacoes-devastadoras-no-reino-unido-c41be143


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2676229/depressao-bert-ja-se-faz-sentir-no-reino-unido-e-na-irlanda-as-imagens


https://pt.euronews.com/my-europe/2024/11/25/tempestade-bert-provoca-cheias-severas-no-reino-unido-e-faz-cinco-vitimas-mortais


 

26/11/2024

Anunciado cessar-fogo no Líbano

O primeiro ministro de Israel anunciou "um acordo de cessar-fogo no Líbano após uma reunião do Conselho de Segurança de Israel." Este acordo "abre espaço para pôr termo a quase 14 meses de combates iniciados após a resposta israelita ao ataque de 7 de outubro do Hamas." Mas será que o acordo vai ser respeitado?

Entre outras coisas, esta trégua de 60 dias, que foi mediada com os EUA e com a França, "implicaria o fim da presença armada do Hezbollah ao longo da fronteira a sul do rio Litani e exigiria a retirada das tropas israelitas do sul do Líbano," ali colocadas "para combater as milícias xiitas libanesas do Hezbollah." A área situada entre uma e outra região, "ficará sob responsabilidade de uma força de cinco mil soldados das forças armadas libanesas e de contigentes da ONU integrados na UNIFIL." Esta proposta, na qual está incluida "a criação de um comité internacional para monitorizar a aplicação do acordo, liderado pelos Estados Unidos, é muito semelhante àquela que em 2006 foi feita com o apoio norte-americano "e que originou 17 anos de tréguas entre o Hezbollah e Israel. Na altura, constituiu-se uma força das Nações Unidas, a UNIFIL, em apoio ao exército do Líbano, que seria agora reforçada."

No entanto, antes do cessar-fogo ter sido anunciado, os ataques contra Beirute agravaram-se, com o envio da parte de Israel de "uma forte vaga de ataques aéreos" contra a capital do Líbano e que resultaram na morte de, pelo menos, sete pessoas. 

O acordo não é extensível a Gaza, havendo mesmo a intenção de intensificar os ataques na região.

Fontes:

https://pt.euronews.com/2024/11/26/netanyahu-anuncia-cessar-fogo-no-libano-a-partir-desta-quarta-feira

https://pt.euronews.com/2024/11/26/israel-lanca-fortes-ataques-aereos-contra-beirute-antes-de-anunciar-cessar-fogo

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/netanyahu-anuncia-acordo-para-cessar-fogo-entre-israel-e-libano_n1617656

25/11/2024

25 de novembro - o que leva a tanta discórdia sobre uma data e porque é que a devemos (ou não) comemorar?

O 25 de abril de 1974 trouxe grandes mudanças na governação do país, o que levou a uma clara distinção "entre aqueles que pretendiam prosseguir a revolução com o MFA, incluindo-se aqui o governo liderado por Vasco Gonçalves e os que entendiam que o caminho se deveria fazer com os partidos políticos sufragados em eleições."

As opiniões dividiam-se e o país acabou por assistir, nos meses seguintes, a vários "episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita. Sentia-se no ar "a ameaça de uma guerra civil." O que se passou no dia 25 de novembro, foi um entre tantos momentos importantes, naquele período de dois anos que vai de 1974 a 1976. Foram dois anos complicados, em que se sucederam diferentes governos provisórios, em que uns se demitiram e outros se revoltaram. Não se fala disto nos livros de História e, só se o formos pesquisar, é que encontramos alguma informação sobre esta data e sobre os vários acontecimentos que se sucederam à Revolução de Abril. Parece que foi apenas uma data e que no dia seguinte, a democracia estava instalada. Nada disso.

Em julho de 1975, Vasco Gonçalves, faz a proposta de recentrar "a autoridade no Conselho da Revolução, e a liderança política num diretório que incluiria também Costa Gomes (na altura Presidente da República) e Otelo Saraiva de Carvalho." Vasco Gonçalves, ficaria conhecido como "companheiro Vasco" e já em finais de 1973, tinha integrado o movimento dos capitães e participado na comissão responsável pela elaboração do "programa do Movimento das Forças Armadas (MFA), assegurando também a ligação ao general Costa Gomes," sendo por isso uma das várias personalidades importantes e que é tantas vezes esquecido.

Outros, seriam os integrantes de um grupo organizado e composto por "um conjunto de militares moderados e pertencentes ao Conselho da Revolução," designado de “Grupo dos Nove." Este grupo vem propor que "o poder seja exercido pelos partidos políticos.

Este grupo, "composto por militares conotados com a ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)", lançaram a 7 de agosto de 1975, um documento que ficaria conhecido como o “Documento dos Nove”, em que se "opunham aos modelos socialistas da União Soviética e da Europa do Leste, assim como à social-democracia europeia."

Vieram ainda a propor um "sólido bloco social de apoio a um projeto nacional de transição para o socialismo", mas que fosse de forma inequívoca, "inseparável da democracia política”.

No entanto, acabam por ser mesmo afastados do "Conselho na sequência dessa tomada de posição," e  em resultado do confronto entre as diversas forças políticas durante o chamado " Verão Quente de 1975," Vasco Gonçalves acaba também por ser afastado do poder, "não voltando à ribalta política."

No dia 12 de novembro desse ano, "houve uma manifestação reivindicativa que contou com dezenas de milhares de trabalhadores e que cercou o Palácio de São Bento durante dois dias," impedindo que os deputados que estavam lá dentro pudessem sair "durante dois dias." O Ministério do Trabalho recusa-se a receber os manifestantes o que conduz a ações mais radicais e à mobilização contra o VI Governo Provisório. 

Na semana seguinte o governo - algo que eu nunca pensei que pudesse acontecer - "entra em greve por falta de condições para exercer o seu mandato." O país acaba por ficar num limbo em que não tem quem o governe.

É a 25 de novembro que toda esta tensão chega ao limite, "com setores da esquerda radical a tentarem um golpe de estado," com o Grupo dos Nove a ser responsável por "organizar e desencadear as operações do 25 de Novembro fazendo a tal correção para a via democrática, liberal." Este golpe acabou por sair frustrado pelos militares que se encontravam em conluio com o “Grupo dos nove”, apoiados por um "plano militar liderado por Ramalho Eanes."

Mas qual o motivo de tanta discórdia, se a verdade é que este golpe pôs fim aos extremos (da esquerda e da direita)?

Para Joaquim Vieira, autor da biografia de Mário Soares, “o 25 de Novembro assinalaria o fim do PREC e a entrada de em fase de normalização democrática, com a consagração do projeto constitucional e a realização dos atos eleitorais nele previstos." O resultado, acabou por ser a vitória da chamada "ala moderada do Movimento das Forças Armadas (MFA)," que "marcaram o fim do chamado Processo Revolucionário Em Curso (PREC)."

Diz também o autor que, o próprio Mário Soares, se fosse vivo, teria recusado participar nestes festejos. O seu papel foi, no entanto, preponderante na vitória da democracia conseguida nessa data. Mário Soares era, na época, "ministro sem pasta do IV Governo Provisório," e como representante do PS, assinaria "o primeiro pacto constitucional MFA-Partidos," em abril de 1975. Depois da sua demissão, "juntamente com os restantes ministros do PS, a 10 de julho de 1975," e da "demissão dos ministros do PSD", a crise agravar-se-ia.

A 23 de novembro, o discurso que faz durante a "manifestação do PS na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa," acabou por ser um marco simbólico "na mobilização que visava conter os setores mais radicais do processo revolucionário português." Este ano, pela primeira vez, a data será celebrada na Assembleia da República - assinalando-se a passagem de 49 anos desde o acontecimento. Porquê só este ano - ou porquê este ano?

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/

https://ensina.rtp.pt/artigo/vasco-goncalves-o-companheiro-vasco/

https://zap.aeiou.pt/mario-soares-foi-o-grande-vencedor-do-25-de-novembro-hoje-recusaria-comemoracoes-642928

https://www.museu.presidencia.pt/pt/conhecer/presidentes-da-republica-biografias/presidentes-da-democracia/mario-soares/

https://observador.pt/2024/04/24/o-principal-aliado-civil-do-25-de-novembro-foi-o-ps-e-nele-mario-soares-declara-marcelo-rebelo-de-sousa/

21/11/2024

Ucrânia - breve resumo de mil dias de conflito

O ocidente assinalou esta semana 1000 dias de conflito entre a Rússia e a Ucrânia, mas a verdade é que se perguntássemos a um ucrâniano, esse número seria muito superior. O momento da invasão da Ucrânia pela Rússia deu-se no dia 24 de fevereiro de 2022, mas as tropas russas há muito que se aproximavam das fronteiras daquele país.


Estes dois países "compartilham diversos laços históricos, políticos e culturais e inclusive fizeram parte de uma mesma nação, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma das principais potências do século XX, que se fragmentou em diversas repúblicas." Em 1991 a Ucrânia ganha a sua própria independência, mas o novo país quer mais e torna o afastamento à Rússia e a aproximação à União Europeia e à NATO (Tratado do Atlântico Norte), como um dos objetivos a conseguir.


Esta tentativa de aproximação que a Ucrânia tem feito ao Ocidente, de há cerca de trinta anos para cá, desde sempre foi considerada pela Rússia "como uma ameaça à sua soberania" e pode ser apontada como uma das principais causas do conflito entre os dois países. Em 2014, a Rússia "invadiu a Península da Crimeia, parte integrante do território ucraniano," com o "pretexto de proteger os russos nativos que habitam essa região." A região do Donbas, situada no leste da Ucrânia, tem também sofrido com "conflitos separatistas ao longo dos últimos anos."


Apenas quatro dias depois da invasão russa, que ocorreu a 22 de fevereiro de 2022, a Ucrânia, "visando ao apoio político e económico das potências europeias, realizou o pedido oficial para ingressar na União Europeia." A Rússia consegue tomar Kherson a sul, alguns dias depois. Esta cidade é "considerada estratégica pelos dois lados do conflito" devido à sua localização geográfica na foz do rio Dnieper. Entretanto, logo nos primeiros dias de conflito foram milhares as pessoas que abandonaram as suas casas e tentaram sair do território, pedindo asilo um pouco por toda a Europa. Países como a Polónia, a Hungria, a Eslováquia, a Roménia e a Moldova foram os que maior número de refugiados receberam, embora toda a Europa tenha reunido esforços para aceitar a chegada de refugiados, na sua maioria mulheres e crianças e de os apoiar com habitação, alimentação, vestuário e educação.


Segue-se a queda de Mariupol, outra "cidade estratégica, localizada nas margens do mar de Azov" a sudeste, onde se registou aquele que pode ser considerado como "um dos mais sangrentos conflitos" desta guerra, com um elevado "número de civis mortos" às mãos das forças russas.


A 2 de abril de 2022 a Ucrânia consegue recuperar Kiev, aproveitando-se "das dificuldades encontradas pela Rússia" e da consequente mudança "de foco do conflito para o leste ucraniano," onde se localiza província de Lugansk que acabaria nas mãos da Rússia a 3 de julho desse ano, "consagrando assim o objetivo desse país em concentrar seus esforços de guerra na porção leste do território ucraniano."


A 30 de setembro de 2022 é finalmente formalizado pela Ucrânia o pedido de entrada na NATO, "visando a um apoio militar efetivo da Organização do Tratado do Atlântico Norte. A Rússia nunca deixou de ameaçar que, caso a Ucrânia fosse ajudada por países pertencentes à NATO, estes países estariam sob mira de ataques russos, inclusivé de ataques com mísseis nucleares. E esse fator sempre serviu para que o apoio à Ucrânia fosse feito usando pinças, de forma a evitar que o conflito escalasse e se alargasse a outros territórios. A 5 de outubro de 2022, a Rússia procede à anexação ilegal e não reconhecida das províncias "de Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia."


Um "cessar-fogo de 36 horas entre o meio-dia de 6 de Janeiro e a meia-noite de 7 de Janeiro, coincidindo com a celebração do Natal cristão ortodoxo," é permitido pela Rússia, mas poucos dias depois, a 13 de janeiro de 2023, a Rússia reclama a conquista de Soledar, "alegando ter provocado mais de 500 baixas nas forças de Kiev." Por seu lado, a Ucrânia admitiu uma “situação difícil” na defesa desta localidade, "mas continua sem admitir tê-la perdido para os invasores." Apesar de não haver registo de mortos ou feridos, a verdade é que nas "horas que antecederam o início do cessar-fogo, vários mísseis atingiram um prédio residencial na cidade ucraniana de Kramatorsk, perto da linha de frente oriental, danificando 14 casas." 


Ainda durante o mês de janeiro, a Alemanha anuncia "finalmente o envio de tanques Leopard 2 para a Ucrânia, depois de ter autorizado os países aliados a reexportar os veículos de fabrico alemão, e após dias de pressão, com este tema em cima da mesa." A caminho da Ucrânia estariam catorze veículos "Leopard 2."


Em fevereiro de 2023, quase um ano volvido, realiza-se "em Kiev a cimeira UE-Ucrânia para discutir as reformas necessárias para a adesão da Ucrânia ao bloco europeu." Além dos "tanques Leopard 2, de fabrico alemão," já enviados por Berlim, encontram-se também a caminho de Kiev, "os Challenger 2 britânicos" e trinta e um "Abrams norte-americanos," embora os "pedidos de aviões de guerra, em particular os caças F-16" ainda não tivessem sido atendidos. Quanto a Portugal, iria decidir nos dias seguintes sobre o envio dos Leopard 2 solicitados por Zelensky.


Dias depois das eleições que deram a Trump a vitória, Joe Biden, ainda presidente dos EUA, fez uma declaração em que dizia autorizar a Ucrânia a usar armamento americano para atacar alvos russos em território do invasor. Ou seja, a Ucrânia passou a dispor de uma melhor e mais avançada força bélica para usar contra alvos dentro das fronteiras russas, em vez de a usar apenas como defesa do seu próprio território. Esta mudança de paradigma trouxe logo uma resposta russa, com Vladimir Putin a voltar às ameaças, garantindo que iria atacar quem fosse o proprietário das armas e não apenas quem as usasse.


A 21 de novembro de 2024, a Rússia lança um míssil balístico "de alcance intermédio, capaz de transportar uma ogiva nuclear", o Oreshnik, "contra um alvo militar na cidade ucraniana de Dniepropetrovsk." Este ataque vem na "sequência das autorizações dos Estados Unidos e do Reino Unido para que as Forças Armadas ucranianas usem mísseis de longo alcance ATACMS e Storm Shadow, respectivamente, para atingir alvos militares dentro do território russo." O 
governo russo acusou ainda a "nova base militar dos EUA na Polónia," a qual foi inaugurada no passado dia 13, como sendo "mais um passo extremamente provocador numa série de acções profundamente desestabilizadoras por parte dos norte-americanos e dos seus aliados da NATO”. Esta base de defesa antimísseis de Redzikowo, na Polónia, há muito que foi incluída na lista de alvos prioritários” da Federação Russa “para possível destruição”.

Fontes:


https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/tensao-entre-russia-e-ucrania.htm


https://www.publico.pt/2022/02/24/infografia/russia-invade-ucrania-guia-visual-entender-guerra-661#id44


https://www.publico.pt/2024/11/21/mundo/noticia/kiev-russia-disparou-missil-intercontinental-ucrania-2112767


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...