17/09/2024

Num país que arde...

Desde ontem que o país olha horrorizado para um país que arde, aparentemente, de forma desgovernada. Uma das pessoas que gostei de ouvir explicar vários factos, foi o comandante Mário Conde, do CB da Amadora, que esteve a comentar de forma extremamente assertiva a situação que se vive desde a passada sexta-feira no nosso país. Uma das melhores conversas que vi, nos últimos dias, entre o jornalista e apresentador Hernâni Carvalho e o comandante que, ao contrário de muitos "pseudo" comentadores que por aí andam, disse o que tinha a dizer de forma direta e sem medo de represálias (que certamente, as poderá vir a ter), no programa 'Linha Aberta', transmitido hoje, dia 17 e, em que se analisaram "os motivos que poderão estar a causar um mar de chamas acima do Mondego."

Não têm sido dias fáceis e há a lamentar sobretudo a morte de quatro bombeiros.

No passado domingo, dia 15, "João Manuel dos Santos Silva," que era "membro da corporação dos Bombeiros Voluntários de São Mamede de Infesta (Matosinhos)," estaria numa pausa para se alimentar durante o combate a "um incêndio na região de Oliveira de Azeméis," quando "morreu vítima de doença súbita." João Silva e os colegas foram jantar depois de terem estado "a combater as chamas," e "quando estavam a tomar café," o bombeiro "entrou em paragem cardiorrespiratória." Apesar de ter sido "assistido no local por uma equipa do INEM," o quadro já não foi possível de reverter. Este homem, era casado e "tinha dois filhos, sendo que o mais novo também é bombeiro, e dois netos. Durante muitos anos, trabalhava como padeiro de noite e depois de dia ia para os bombeiros." 

Em Tábua, distrito de Coimbra, três bombeiros perderam a vida. Carbonizados depois de terem ficado cercados pelas chamas. Sabem o que é estar a sentir o corpo a "cozinhar" dentro dos equipamentos que estes bombeiros vestem? Imaginem só o querer encontrar o caminho, saber dos colegas e cair, atingido pelas chamas cavalgantes. Duas mulheres e um homem, que estavam a combater uma frente de incêndio (e não em deslocação com veiculado por alguns meios de comunicação social) perderam a vida e as suas famílias irão apenas ter os seus corpos carbonizados para chorar. Imaginem-se e entendam porque é que a mim, perante estas notícias, me sobe uma vontade de atirar com os incendiários para o meio das chamas e deixá-los lá. Não nos podemos esquecer que há também feridos a lamentar, entre eles, vários bombeiros. De entre os feridos, a situação mais grave será a de uma bombeira que está a lutar pela vida nos Cuidados Intensivos.

Que haja mão firme da justiça!

Além disso, lamentam-se também vários civis que acabaram por perder a vida, por causas direta ou indiretamente, ligadas aos incêndios florestais.

Segundo a GNR, no dia 16, segunda-feira, "foi encontrado cerca das 15.30 horas um corpo carbonizado na zona florestal do Sobreiro, no concelho de Albergaria-a-Velha" que se revelou vir a tratar-se de "um cidadão de nacionalidade brasileira, de 28 anos de idade, funcionário de uma empresa que se dedica à exploração florestal." Aparentemente, este homem "terá ido, juntamente com outros funcionários da empresa, recuperar alguma maquinaria que se encontrava na zona afetada pelo incêndio."

Durante a noite, uma idosa de 83 anos, morreu perto de Mangualde.

Ao longo da noite, muita gente teve de ser evacuada. Manter a calma é algo quase impensável quando se tem de abandonar a casa, os bens que se levou uma vida a juntar, as memórias que não sabem se lá vão estar quando regressarem. Não há ninguém que abandone a sua casa e a sua terra de ânimo leve. Já arderam cerca de 40 casas e diversas viaturas.

Muitos voluntários têm estado a ajudar nestas evacuações e também no combate às chamas, em locais onde os profissionais não conseguem chegar tantas são as ocorrências que ocorrem em simultâneo. Ajudam com tratores, com máquinas agrícolas, com pequenos tanques com água. Muitos voluntários de diversas organizações, ou até por iniciativa própria, têm estado a ajudar a resgatar animais. Infelizmente, parece que não tem sido possível salvar todos os animais.

Resumindo um pouco, algumas das ocorrências, de referir que pouco depois da meia-noite, havia em Ribeira de Fráguas, na zona de Albergaria-a-velha, uma zona habitacional que era atingida pelas chamas. Os bombeiros estavam longe de conseguir chegar a todo o lado e, se por um lado se pedia às populações para deixarem as suas casas e irem para um lugar seguro, por outro, a ausência de meios que os tranquilizassem, fazia com que poucos aceitassem arredar pé.

Em Vila Pouca de Aguiar, o fogo também não deu tréguas durante a noite, com o vento forte a piorar a situação. Em Coimbra, o incêndio que na véspera tinha deflagrado numa zona florestal, durante a noite ameaçou a cidade. Ninguém se esquece do incêndio que há 19 anos, cercou e invadiu a cidade.

Segundo as palavras do presidente da câmara municipal de Sever do Vouga, um dos incêndios que começou perto da zona industrial, uma pessoa foi vista a dar início a esta ignição e a fugir. O vento estava fortíssimo, o local era distante dos outros focos de incêndio e os meios estavam empenhados noutras ocorrências muito consideráveis. Maldade pura de quem achou boa ideia dar início a uma nova ignição, ainda por cima perto de uma zona industrial. As pessoas criticam a falta de meios e demora na ajuda, mas por muito que custe a alguns compreender, em situações destas, não há meios que cheguem a todo o lado e a população não consegue e não pode fazer mais.

Em Gondomar, deflagraram vários incêndios em pontos diferentes. A população vai tentando proteger as casas com baldes e mangueiras domésticas e está cada vez a ficar mais nervosa e cansada. O presidente da Câmara de Gondomar referiu que "a propagação para a área urbana do incêndio", está "contida", embora na zona de Melres, a situação não esteja controlada. Um dos maiores focos, começou na zona de Cosmes, ontem pouco depois das 13h00.

Na zona de Baião, já arderam várias casas. O presidente queixa-se da falta de meios aéreos referindo, no entanto, que compreende a situação tendo em conta o que se está a passar pelo país. 

Em Valongo, a Polícia Judiciária "constituiu arguidos quatro funcionários da União de Freguesias de Campo e Sobrado," por presumivelmente terem, pela sua atuação irresponsável, sido os autores de um incêndio florestal. Os funcionários, apesar de todos os alertas, usaram "uma roçadora de disco metálico, cuja utilização é proibida quando o índice de perigo de incêndio rural se encontra a um nível máximo ou mesmo muito elevado”. Agora coloco a questão: usaram por sua iniciativa, ou alguém os mandou utilizar aquele tipo de máquina?

Em Mangualde, arderam também várias habitações e há feridos a registar. A população ajuda como pode, mas o incêndio veio de Penalva, empurrado pelo forte vento. Nelas, Mangualde e Penalva do Castelo são apenas alguns exemplos de zonas onde devido aos incêndios as aulas foram canceladas, as creches e jardins de infância não abriram e alguns lares foram evacuados. A A25 continua cortada nos dois sentidos, para segurança dos condutores e, também, para servir de faixa de emergência para a circulação dos meios.

"Os incêndios de Cabeceiras de Basto e Póvoa de Lanhoso, distrito de Braga, preocupam a Proteção Civil por haver casas na linha de fogo e pelo risco de propagação a uma mancha florestal contígua de vários hectares." Este incêndio, chegou mesmo a "cercar a aldeia de Samão, obrigando os moradores a refugiarem-se num abrigo previamente definido no âmbito do Programa Aldeias Seguras."

Em Amarante, no distrito do Porto, deflagraram três incêndios em diferentes zonas do concelho, com algumas das frentes muito "próximas de zonas residenciais." Dois destes incêndios "lavram nas zonas da serra da Aboboreira e de Vila Meã."

Um outro incêndio, lavra em Aguiar de Sousa, Paredes, tendo tido origem pelas "05:21 na zona de Sobreira." O incêndio que teve início "na segunda-feira em Soutelo, Castro Daire," está neste momento com “várias frentes ativas” e segue já em "direção aos municípios vizinhos de São Pedro do Sul e Viseu."

Além dos bombeiros, que têm o maior dispositivo de sempre a atuar, não nos podemos esquecer de todas as outras entidades que têm estado a ajudar. No entanto, na contabilização dos meios, não nos podemos esquecer de fazer a distinção entre os meios em combate e os meios em trânsito, ou os meios em reserva, o que por vezes é transmitido de forma um pouco confusa pela comunicação social, fruto desses dados não lhes serem transmitidos. 

A Cruz Vermelha Portuguesa já "mobilizou 100 colaboradores e voluntários para o apoio às autoridades no socorro às populações afetadas pelos incêndios, naquele que é o maior contingente dos últimos cinco anos, anunciou hoje a instituição."

Por volta das 09:30 desta manhã, "a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC)" registava "mais de 140 ocorrências, envolvendo mais de 5000 operacionais, apoiados por 1600 meios terrestres e 21 meios aéreos." Ao longo do dia de hoje, a situação evoluiu para norte e o Minho rapidamente foi atingido. Olhando o mapa, observa-se a localização da maioria dos incêndios e, podemo-nos perguntar o porquê de estarem localizados numa zona, apesar de extensa, limitada. 

Fica também sobre hoje o registo de um aluno de apenas 12 anos que esta tarde esfaqueou seis colegas na Escola Básica da Azambuja. As aulas tinham começado apenas há poucas horas quando "depois de ter ido a casa à hora do almoço buscar a arma branca", um aluno do 7º ano esfaqueou seis colegas, aparentemente de forma indiscriminada. O aluno tinha saído para almoçar e, no regresso, "já no interior do edifício da escola," retirou da mochila "um colete à prova de bala, que mais tarde identificou ser do pai, e uma faca." 

Em Portugal, estas situações não são muito comuns - felizmente - mas noutros países é frequente existirem este tipo de ataques em escolas. Assim, este incidente reabriu o debate nacional sobre a segurança nas escolas, a saúde mental dos jovens e o controlo do acesso a armas.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendios-em-portugal-a-situacao-ao-minuto_e1600254

https://fogos.pt/fogo

https://sic.pt/programas/linha-aberta-com-hernani-carvalho/videos/2024-09-17-video-o-norte-do-mondego-no-estado-em-que-esta-e-pura-coincidencia--5d138aba

https://www.jn.pt/7262728855/dois-mortos-nos-incendios-em-albergaria-a-velha/

https://www.jn.pt/8199032209/bombeiro-de-sao-mamede-de-infesta-morre-de-doenca-subita-durante-combate-ao-fogo-em-oliveira-de-azemeis/

https://observador.pt/liveblogs/idosa-morreu-em-mangualde-numero-de-mortos-sobe-para-quatro-ribeira-de-fraguas-ficou-cercada-pelas-chamas/

https://cnnportugal.iol.pt/geral/esfaqueou-todos-os-que-viu-aluno-do-setimo-ano-ataca-colegas-em-escola-da-azambuja-ha-cinco-criancas-feridas/20240917/66e992d4d34ea1acf26e6f10

https://magg.sapo.pt/atualidade/atualidade-nacional/artigos/aluno-de-12-anos-esfaqueia-6-colegas-na-azambuja-menor-tinha-colete-a-prova-de-balas-e-levou-faca-de-casa

16/09/2024

Casas queimadas, três mortos e um país a arder!

Os avisos foram feitos e já se esperava a ocorrência de incêndios florestais, mas de ontem para hoje a situação piorou bastante e, infelizmente, já se pode falar na ocorrência de uma catástrofe em que já se lamenta a perda de vidas humanas, vários feridos e muitos bens materiais destruídos. Ao longo do dia, a situação tem vindo a piorar.


"O balanço mais recente da Proteção Civil dá conta de 21 vítimas, incluindo três mortos. Foram atingidas pelas chamas casas de primeira habitação e evacuados lares e escolas."


Uma das três mortes a lamentar até agora, foi a de um bombeiro que durante o combate às chamas sucumbiu. Depois, haveremos talvez de saber porquê, mas agora o que importa é confortar a família, os colegas e os amigos. O bombeiro, que combatia o incêndio de Oliveira de Azeméis, "fazia parte da corporação de bombeiros de São Mamede de Infesta" e quando se sentiu mal estava a realizar uma pausa para se alimentar.


Aquando desta ocorrência, era o incêndio de Oliveira de Azeméis aquele que mais preocupação trazia. Entretanto, o dia nascia e com ele percebiamos que outros incêndios tinham deflagrado durante a noite e que, alimentados pelas altas temperaturas e pelo vento forte, ameaçavam pessoas e bens. Durante o dia, chegavam até nós imagens terríveis, em que os piores cenários se estavam a suceder - habitações destruídas pelas chamas, animais a que ninguém conseguiu acudir a tempo de evitar a sua morte. Enormes colunas de denso fumo cobrem as serras e descem os vales, impedindo saber o que se está a passar do outro lado ou, em muitos casos, saber o que está a dois palmos da cara! O dia está a dar lugar à noite e lamentam-se já duas vidas perdidas...


O distrito de Aveiro tem estado a ser o mais afetado. Faltam bombeiros - que nestes dias nunca serão suficientes, faltam baldes para atirar água às chamas que se aproximam, ardem as mangueiras. O vento sopra as fagulhas para cima dos telhados que, dali a nada, se transformam em tochas, pegando em tudo à sua volta. O pior cenário está a acontecer - o fogo já não lavra só no mato: entrou na cidade, entrou nas aldeias, queimou carros, queimou casas e matou pessoas!


Algumas estradas foram cortadas. Mas mesmo com os cortes efetuados, muita gente tentou contornar as indicações das autoridades e chegar às localidades e aldeias onde tinha os seus familiares e os seus bens. Não os posso criticar, mas alerto apenas que estas tentativas de dar a volta às indicações das autoridades, pode levar não apenas ao risco que a pessoa assume, mas também põe em causa aqueles que o têm de, eventualmente, seguir para socorrer.


Infelizmente, o pânico é natural nestas situações mas este mesmo pânico deve ser evitado, pois é dele que decorrem tantas vezes situações em que as reações de cada um, o coloca a si em risco, mas também a quem o tenta ajudar. Além do risco que decorre do próprio incêndio, existem também alguns comportamentos que devem ser evitados, tal como tem sido veiculado durante o dia pela comunicação social. Só que é natural que cada pessoa queira que lhe salvem a sua casa, os seus terrenos, armazéns, alfaias e animais. Muitos comportamentos de risco acabam por ser praticamente impossíveis de se evitar, uma vez que mexem com aqueles que são os nossos maiores sentimentos - aqueles que amamos - que são os nossos familiares, os nossos amigos e também em muitos casos os nossos animais, as nossas casas, os nossos bens!


Podemos dizer que o pior começou na sexta-feira com a deflagração no Fundão, a que se seguiram depois várias outras que iam dispersando meios e desgastando homens. Pelas duas da manhã, a meio da noite, no meio do mato, algo faz deflagrar o fogo de Pessegueiro do Vouga. Horas mais tarde, já depois da hora do almoço e com temperaturas bastante elevadas, acende-se outra situação grave em Sever do Vouga. Apesar de terem surgido como deflagrações independentes umas das outras, podemos dizer que neste momento, os fogos já se confundem e misturam uns com os outro, tal a sua intensidade. O incêndio de Sever do Vouga já chegou a Águeda.


Na zona de Albergaria-a-velha, o início do incêndio que agora queima e destrói não apenas mato mas também atinge povoações, começou hoje pouco depois das sete da manhã, quando as temperaturas estavam mais baixas e a humidade era um pouco maior. Pouco depois do início do incêndio, a A25 estava cercada pelas chamas, mas mesmo assim as pessoas continuavam a avançar, sem visibilidade, sem saber como estava a situação mais à frente. Nesta região contam-se já dois mortos. Com o passar das horas, os incêndios longe de se esgotarem, aproveitaram o combustível disponível e foram galgando montanhas e vales. Não há como acudir a tudo!


Um pouco mais abaixo, na zona de Viseu, o incêndio que começou pouco antes do meio-dia, avançou em várias direções. Além dos meios terrestres, o combate foi feito também por um meio aéreo que foi dando algum alívio. No entanto, não houve forma de impedir a progressão do incêndio e neste momento, a "zona Industrial de Oliveirinha, no concelho de Carregal do Sal", encontra-se cercada pelas chamas.


Numa outra região, na zona de Coimbra, a pior ocorrência iniciou-se hoje pouco depois das dezasseis horas. Chegaram a estar em ação cinco meios aéreos nesta zona, mas a dificuldade de combate mais a norte exigiu a dispersão das aeronaves pelas várias frentes.


E podia continuar... o dia não foi fácil e a noite não será melhor, havendo a registar novos incêndios que se iniciaram já depois das 23 horas (um em Guimarães e outro em Cinfães). As projeções, que com o vento podem atingir vários quilómetros, podem dar origem a novos incêndios. Assim, Portugal que até dispõe de muitos meios, dificilmente se acharão ser os suficientes, mesmo com o acréscimo de oito meios aéreos provenientes da União Europeia (sendo que, de noite, estes meios não podem trabalhar).


Nem para a população, nem para aqueles que estão a dar o seu melhor para evitar que a situação se agrave. Se não puder ajudar... não atrapalhe!


Fontes:


https://sicnoticias.pt/especiais/incendios-em-portugal/2024-09-16-video-bombeiro-que-combatia-incendio-em-oliveira-de-azemeis-morre-durante-pausa-98bee39b


https://sicnoticias.pt/especiais/incendios-em-portugal/2024-09-16-portugal-em-alerta-por-causa-do-risco-de-incendio-8c7f63da


https://fogos.pt/fogo


https://fogos.pt/lista


 


 


 

15/09/2024

Mais um naufrágio no Canal da Mancha

Qual será a solução para o problema dos migrantes? A Europa tem de implementar medidas que venham a pôr cobro aos sucessivos naufrágios, devido às tentativas de travessia em embarcações ilegais, sem condições e com excesso de pessoas a bordo. Acima de tudo, são pessoas e, aquilo que me lembro sempre, é que podia ser um de nós a ter de arriscar a vida num daqueles barcos.

Lamenta-se para já a morte de oito pessoas, mas o número pode vir a aumentar pois as buscas junto a "Ambleteuse, na região de Pas-de-Calais", ainda estão a decorrer. O grupo de migrantes tentava "atravessar o Canal da Mancha, ao largo da costa de França" durante esta madrugada. Também nesta mesma zona, "foram resgatados cerca de 200 migrantes num período de 24 horas entre sexta-feira e sábado à noite."

A questão é, uma vez que não o podem fazer de forma legal, vão sempre tentar ilegalmente, pela calada da noite e pagando a grupos de tráfico humano. Enquanto isto não acabar, continuarão a haver mortes. 

"As autoridades britânicas estimam que, este ano, pelo menos, 22 mil imigrantes e requerentes de asilo tenham chegado à costa do Reino Unido, a partir do norte de França, geralmente embarcando em zonas próximas das cidades de Calais e Dunquerque." Mas o problema não é só britânico, nem só francês! E de todos, uma vez que depois de estarem em espaço europeu, estas pessoas têm depois mais facilidade em transitar entre países e é necessário ajudá-los a ter condições mínimas de sobrevivência - muitos viajam em família, com crianças pequenas.

Tem de haver humanidade, tem de haver solidariedade e tem de haver compreensão. E nem sempre estamos preparados para isso.

Fontes:

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2632320/pelo-menos-oito-migrantes-morreram-a-atravessar-o-canal-da-mancha

14/09/2024

Introspe...ver-me?

Adoro o mês de Setembro. É o meu mês e sempre o considerei um mês de decisões e mudanças. Mas é também um mês muito difícil. É um mês em que nos chegam propostas, em que nos exigem decisões rápidas. Mas o pior de tudo, para mim, são as opiniões que nos querem impor, sem pensarem que as palavras nos podem magoar. 


E isto vem porquê?


Porque as minhas decisões hoje, não são de hoje. Vêm da minha construção própria, da aceitação de quem eu sou, das minhas fragilidades e capacidades. É um processo contínuo que, mais do que externo, é um processo que ocorre dentro de mim. É um processo instável, que muitas vezes me torna muito emocional. 


Mas esta sou eu. A Elsa que gosta de escrever, de ensinar. Eu sou diferente daquilo que fui há uns anos, mas estou cá, inteira e forte. Com medos, com inseguranças, mas com muitos objetivos. 


Se podia ou desejava estar numa situação mais estável? Claro que sim. Acho que todos nós ansiamos por chegar aos quarenta com a nossa vida estabilizada e eu ainda não tenho isso. Mas não sou infeliz por isso. Tenho quarenta e um, tenho muita coisa na vida que me arrependo de ter feito, mas são essas coisas que me fazem como sou e, aos poucos tenho aprendido a lidar com cada um desses momentos - os bons e os maus. Sou uma pessoa muito solitária. Gosto do meu canto, dos meus livros, das minhas folhas e cadernos e lápis... e desenhos e canetas... gosto das minhas séries, de ver programas que me fazem chorar. Gosto da areia nos pés e do som do mar, mas detesto que me atirem água ou gente que faça muito barulho na praia. Gosto de uma boa conversa, mas não me venham com coscuvilhices que eu não tenho paciência. Sou sempre a última a saber das coisas e não me importo com isso. 


Introspeção é para mim algo que me leva a ser eu, a preparar-me para o mundo, a enfrentar a vida. 


 

13/09/2024

Myanmar atingido por Tufão

Vietname, Laos, Tailândia e Myanmar foram atingidos por ventos e chuvas fortes devido à passagem de um tufão que ganhou o nome de Yagi. Sendo Myanmar um país onde, devido a várias condicionantes, a vida já não é fácil, a chegada do tufão Yagi, tornou a situação ainda mais complicada. À sua passagem deixou inundações que "obrigaram mais de 235.000 pessoas a abandonar as suas casas," registando-se num primeiro balanço "33 mortos e um ferido." No entanto, este balanço não estava, infelizmente, fechado e podia ser bastante superior, o que se viria a confirmar quando em Myanmar (antiga Birmânia) o balanço provisório indicou "a morte de 226 pessoas que residiam nas zonas atingidas." Havia também a suspeita de que "dezenas de trabalhadores migrantes" poderiam estar "desaparecidos após deslizamentos de terra numa área de mineração de ouro na região central de Mandalay." Sobre eles, ainda nada se sabe...


O tufão "veio agravar mais ainda a miséria no país mergulhado numa crise humanitária, de segurança e política desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021 contra o Governo eleito de Aung San Suu Kyi."


No Vietname, a passagem do tufão tinha já deixado graves estragos. "Uma ponte desmoronou-se e um autocarro foi arrastado pelas inundações" da passada segunda-feira. Contabilizam-se também nove mortos devido à forte "tempestade, que atingiu o Vietname no sábado antes de se transformar numa depressão, e 50 outras morreram durante as consequentes inundações e deslizamentos de terras." 


"Na segunda-feira de manhã, na província montanhosa de Cao Bang, um autocarro de passageiros que transportava 20 pessoas foi arrastado por um deslizamento de terras para uma ribeira inundada" e, embora tivessem sido "enviadas equipas de salvamento," as mesmas não conseguiram chegar a tempo ao local, uma vez que o caminho se encontrava bloqueado e "intransitável."


De acordo com a UNICEF, "as inundações e derrocadas provocadas pela passagem do tufão Yagi no sudeste asiático, nomeadamente no Vietname e no Myanmar, afetaram quase seis milhões de crianças," verificando-se ainda "sérios riscos no acesso a água potável e alimentos, tal como perturbações nos vários sistemas escolares."


Fontes:


https://observador.pt/2024/09/13/mais-de-235-000-deslocados-devido-a-cheias-causadas-por-tufao-yagi-em-myanmar/


https://pt.euronews.com/2024/09/09/tufao-yagi-assola-o-vietname-e-faz-59-mortos


https://observador.pt/2024/09/18/unicef-alerta-que-seis-milhoes-de-criancas-foram-afetadas-pelo-tufao-yagi/


 

09/09/2024

Fugas mediáticas das prisões portuguesas

Na ordem do dia está a fuga de cinco homens da cadeia de Vale de Judeus, os quais são considerados perigosos e que ainda não foram encontrados. Mas claro que esta não foi a primeira vez que isto aconteceu.


Segundo informação da Direção Geral das Políticas de Justiça, publicados no Público, nos "últimos 15 anos fugiram 160 reclusos ao sistema prisional português." 


Hoje vamos aqui ver algumas dessas fugas, a maior das quais terá acontecido também na cadeia de Vale de Judeus, há 44 anos. A 17 de julho de 1978, 124 homens conseguiram fugir "por um túnel," com 35 metros de comprimento e 80 centímetros de diâmetro, que terá demorado entre um a "três meses a escavar." Só quando os guardas prisionais "foram fazer a habitual contagem de turno, por volta das dez e meia da noite", repararam que a maioria dos reclusos já lá não estava - para trás ficaram apenas "76 reclusos."


Uma outra fuga famosa foi a que aconteceu em 1986, quando seis reclusos da prisão de Pinheiro da Cruz, incluindo os “manos Cavaco”, mataram "três guardas e escaparam num carro celular." Os homens acabaram por se separar "mas foram todos apanhados, à exceção de um que se suicidou."


Já em agosto de 2007, fugiram seis reclusos do estabelecimento prisional de Guimarães. Os fugitivos "usaram ferros das cadeiras para manietar três guardas," a quem roubaram as armas. Conseguiram depois fugir numa carrinha de transporte de comida.


Em novembro de 2012, "três estrangeiros escaparam da cadeia anexa" à Polícia Judiciária do Porto, removendo as grades de uma janela e descendo, como nos filmes, usando uma "corda de lençóis atados."


A criatividade não pára aqui e, em 2017, "três reclusos da Prisão de Caxias serraram as grades da janela," de onde conseguiram sair para o exterior das celas "e depois cortaram a rede para conseguir fugir" do estabelecimento prisional de Caxias. Neste grupo estava o luso-israelita Joaquim Bitton Matos, que "ficou conhecido pelo vídeo em que faz de super-homem a provocar a então ministra da Justiça Francisca Van Dunem." O homem poderá estar atualmente em "Israel, mas o país não extradita os seus nacionais." 


Mas o que se destaca são as sucessivas fugas de Mark Roscaleer, um dos homens que se encontra a monte junto com outros quatro fugitivos. Mark Roscaleer tinha-se já conseguido evadir da "cadeia de Kirkham, em Inglaterra" tendo-se entregue às autoridades políciais "após nove dias em fuga." Já em Portugal, a 18 de agosto de 2019, o inglês que "tinha sido transferido da prisão de segurança média de Silves, de onde já tentara escapar", resolveu fazer uma nova tentativa. "Partiu a janela a cela onde estava preso" e com "o corpo todo" coberto de óleo, tentou "passar pelas grades." Por volta das 23 horas, os guardas prisionais aperceberam-se desta "tentativa de evasão e travaram a fuga do recluso."


 

Fontes:


https://sicnoticias.pt/pais/2024-09-08-video-fugas-e-tentativas-em-15-anos-fugiram-160-reclusos-das-prisoes-portuguesas-91f796bd


https://observador.pt/2024/09/07/vale-de-judeus-ja-foi-palco-da-fuga-mais-espetacular-do-pais-em-1978-mais-de-100-homens-fugiram-por-um-tunel/


https://www.jn.pt/4877244163/um-tunel-grades-serradas-e-cordas-de-lencois-cinco-fugas-coletivas-nas-cadeias-portuguesas/


https://www.jn.pt/5562450428/fugitivo-britanico-esfregou-se-em-oleo-para-fugir-da-cadeia-de-lisboa-em-2019/


https://tviplayer.iol.pt/programa/cnn-domingo/619396440cf2c7ea0f08f9e9/video/66ddece90cf2f130c2996e85

08/09/2024

Fuga da prisão - só saíram cinco?

Durante a manhã de ontem, sábado, cinco reclusos da cadeia de Vale de Judeus, evadiram-se daquelas instalações. Contaram com ajuda do exterior e, vamos a saber se não terão tido também ajuda do interior, mas o que salta desde logo à vista, é a facilidade com que o plano foi colocado em prática e as falhas que têm estado a ser faladas nos meios de comunicação social. Falhas essas que não são novidade para ninguém - e que provavelmente eram do conhecimento dos reclusos. Aquilo que acaba por me espantar no meio de tudo o que tenho estado a ver nas notícias é, como é que só saíram cinco?


Porventura, os restantes não quiseram arriscar o agravamento das suas penas ou, talvez cá fora as condições para serem recebidos na sociedade não fossem as melhores se se apresentassem como fugitivos, resolvendo por isso, que seria muito mais benéfico cumprirem o resto das suas penas. Mas para estes cinco reclusos, fugir foi uma opção em que tiveram tempo de pensar, e se bem o pensaram, melhor o fizeram.


Sem brincadeiras, estes homens são considerados muito perigosos (quatro deles tinham “medidas especiais de segurança”) e devíamos todos estar bastante preocupados com o facto de eles se encontrarem à solta e sem sabermos exatamente se ainda estão no país ou se já seguiram viagem para outro lado. É que só deram pela fuga quarenta minutos depois e, durante esse lapso temporal, os mesmos tiveram tempo de se pôr bem longe dali. Vale de Judeus fica em Alcoentre, perto de Lisboa, numa zona em que com facilidade se tem acesso a autoestradas (já para não falar da possibilidade de terem saído de barco ou de avião para outro lado, o que com documentos falsos não terá sido assim tão difícil).


Mas como é que o fizeram? Até agora, o que se sabe é tiveram ajuda do exterior, havendo "três suspeitos envolvidos," e o apoio de de duas viaturas para a fuga (uma de marca Mercedes e outra de marca Volvo). Os reclusos saíram pelo pátio, recorrendo a uma escada e a uma corda que lhes foram lançadas do exterior, sem que os guardas dessem conta. Isto foi possível por haver uma clara “falta de meios humanos (haverá 20 guardas para cerca de 500 reclusos)," facto que tem sido sucessivamente desvalorizado pelas diferentes tutelas. Outro factor que terá ajudado à fuga, ou pelo menos facilitado a sua execução, é que devido às últimas obras realizadas na prisão de Vale de Judeus, "as torres de vigia foram retiradas e substituídas por câmaras de vigilância." Estas câmaras são visualizadas por apenas um guarda, o que é humanamente impossível.


E quem são estes homens?


20240908-tvi-fugitivos.jpg


Rodolfo Lohrmann é "um criminoso argentino que chegou a ser um dos dez homens mais procurados da América Latina" e que por cá era conhecido como "El Ruso". É acusado de crimes de rapto, sequestro e homicidio. Uma das suas vítimas foi "Christian Schaerer (na altura com 21 anos), filho de um político argentino." Apesar de ter sido pago um "resgate de 277 mil dólares (cerca de 249 mil euros)" pela família, o jovem nunca veio a aparecer. Neste crime esteve também envolvido um cúmplice de nome Horacio Maidana. "Os dois acabariam por ser detidos em Aveiro, onde estariam a preparar assaltos a carrinhas de transporte de valores, e eram suspeitos de serem os autores de vários assaltos a bancos na zona de Lisboa e Odivelas. Ambos aguardaram julgamento na prisão de alta segurança do Monsanto, em Lisboa."


Fernando Pereira, foi "condenado com duas penas, uma de seis anos e outra de 24 por crimes como tráfico de droga e assaltos à mão armada," o que em Portugal perfaz apenas 25 anos.


Fábio Loureiro, de 33 anos e natural de Lagoa, no Algarve, cumpria também uma pena de 25 anos, "por vários crimes, incluindo sequestro e associação criminosa." É conhecido pela alcunha de "Cigano", e "foi considerado um dos maiores traficantes de droga do Algarve."


Mark Roscaleer, estava a cumprir 9 anos, acusado de crimes de roubo e sequestro. De nacionalidade britânica, Mark tem 39 anos e "já tinha fugido da prisão no seu país de origem."


Shergili Farjani, de 40 anos, é georgiano e estava a cumprir uma pena menor, de apenas 5 anos, "pelo crime de ofensa à integridade física." De notar que nesta prisão de alta segurança, estão, além de criminosos condenados a penas mais longas, estão também muitos reclusos estrangeiros.


O que pergunto é, se eles eram tão perigosos, deviam estar juntos, num espaço não vigiado? E entre muitas outras coisas que nos devem preocupar, é que havia alertas de falta de efetivos no meio prisional. Já se falava há muitos anos do fraco investimento nas prisões e das más condições de trabalho. Todos sabemos que existem telemóveis dentro das cadeias (um meio que facilita a comunicação com o exterior e ajuda na preparação deste tipo de fugas).


Vale de Judeus, está sem diretor e sem chefe dos guardas! Mas que mais tem sido feito e, o que é que foi feito, pelo menos nesta prisão, desde que se soube desta fuga? Algo mudou lá dentro?


Fontes:


https://www.dn.pt/3562177618/uma-escada-e-cordas-a-porta-de-saida-de-cinco-reclusos-da-prisao-de-vale-de-judeus/


https://regiao-sul.pt/algarve-na-tv/fabio-cigano-foi-considerado-um-dos-maiores-traficantes-de-droga-do-algarve-tvi/681864#google_vignette


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...