16/04/2024

Quedas, acidentes e descuidos

Podemos estar a falar em acidentes ou podemos mesmo estar a falar de crime. Estas duas primeiras situações deixam várias dúvidas. Infelizmente, nos últimos dias, houve várias pessoas a perder a vida em situações cujas causas ainda estão por apurar. Destaco aqui dois casos distintos, em que duas pessoas bastante jovens, aparentemente, foram vítimas de queda em altura. Depois, voltarei ainda a falar dos diversos casos ocorridos nos últimos dias nas nossas praias e barras marítimas. Com diferentes causas, há entre eles algo em comum: uma má avaliação do risco.


Começo por destacar aqui a morte de uma mulher de apenas 26 anos, de nacionalidade alemã, cujo corpo foi ontem encontrado. A mulher terá, aparentememente, caído "de uma arriba com cerca de 40 metros na praia dos Rebolinhos, em Sagres, no concelho de Vila do Bispo."


No domingo, dia 14 de abril, o corpo de um jovem de 19 anos, foi encontrado num dos pátios laterais do Museu Municipal de Coimbra. Este espaço, é um saguão que "serve o Museu Municipal e outros dois edifícios na baixa da cidade." Ao que se sabe até agora, o jovem, que é "filho do deputado Rafael Carvalho, da Assembleia Legislativa da Madeira," terá caído "de forma acidental", da janela de um dos edifícios que partilha aquele mesmo pátio, mas a PJ está a fazer diligências para apurar o que se passou. Jovens de 19 anos, já não caiem de uma janela sem mais nem quê.


Nos últimos três dias, devido à subida das temperaturas, à vontade de voltar à praia, ao mar e aos desportos marítimos, muitas pessoas colocaram-se em situações de risco elevado. Em três dias, quase se chegou aos 250 salvamentos, mas o pior resultado foram de facto, as vítimas que o mar ainda não devolveu. Aquilo que me surpreende é que a maioria das vítimas são adultos, ou jovens já numa idade próxima da idade adulta e que, apesar de todos os alertas sobre as condições do mar, que ainda é, em abril, aquilo que se chama "mar de inverno" continuam a pôr-se em risco apenas por um mergulho num dia quente.


Continua desaparecido Yassine Toukhsi, de 16 anos na praia de Salgueiros, em Canidelo, Gaia, desde sexta-feira. O jovem, de nacionalidade marroquina, terá entrado na água ao final da tarde, com um grupo de amigos e foi arrastado pela corrente. Não saberia nadar. Está também desaparecido um homem de 26 anos na Praia da Vieira e um jovem de 19 anos, da nacionalidade brasileira, na praia da Costa Nova, em Ílhavo.


No domigo, um homem de 47 anos morreu afogado, no Rio Cáster, junto ao Parque Urbano de Ovar. A vítima, natural da freguesia da Torreira, Murtosa, terá mergulhado "junto a uma cascata artificial na zona de rio que passa pelo parque."


Um jovem de nacionalidade cabo-verdiana está desaparecido desde domingo nas águas do Tejo. Ele e os amigos, na casa dos 30 anos, estariam alcoolizados e, quando o primeiro caiu ao rio no Cais do Sodré, os outros lançaram-se à água em seu socorro. Os dois amigos saíram da água e foram assistidos, mas aquele que caíra inicialmente, ainda de encontra desaparecido.


Um homem que estava à pesca na zona de Caminha, desapareceu no passado sábado, 9 de abril, sendo que, segundo as autoridades marítimas, esta barra "estava encerrada devido a ondas de quatro metros e rajadas de vento até 30 quilómetros por hora."


Estão ainda desaparecidas duas pessoas, depois de um naufrágio na zona de Tróia, ocorrido no passado dominho, 10 de abril, num caso que ainda vai fazer correr muita tinta, uma vez que ao que parece já se sabe que a embarcação não tinha licença de atividade turística, ficando em causa o pagamento recebido para que a viagem decorresse.


Fontes:
https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/jovem-alema-morre-apos-cair-de-falesia-com-40-metros-em-sagres?ref=DET_RelacionadasInText


https://www.jn.pt/7566278704/salvas-249-pessoas-em-dois-dias-nas-praias-portuguesas/


https://www.noticiasaominuto.com/pais/2540852/corpo-de-jovem-encontrado-em-patio-de-museu-de-coimbra-morte-investigada





 

15/04/2024

Terror na Austrália

No passado sábado, um indivíduo entrou num centro comercial em Sydney e, sem mais nem quê, começou a esfaquear quem apanhava no seu caminho, causando a morte a seia pessoas e vários feridos. O sujeito foi alvejado por uma agente da polícia que entrou sozinha no espaço e disparou contra o criminoso, que acabou por morrer. Este caso ainda está em investigação, mas "a polícia já afastou a hipótese de se tratar de um ato terrorista". Mas há uma coisa que parece ser certa: Joel Cauchi atacou "principalmente mulheres na sua ação no centro comercial Westfield, em Bondi Junction, Sydney, Austrália." De todas as vítimas, "Faraz Tahir, de 30 anos, que trabalhava como segurança" no centro comercial, foi a única vítima mortal do sexo masculino.


Uma das vítimas do homem de 40 anos, era "uma mãe que estava com o seu bebé de nove meses." Durante o ataque, Ashlee Good, tentou proteger a filha, acabando por entregá-la "a desconhecidos num momento de desespero, antes de ser levada para o hospital, onde faleceu. A criança, Harriet, está internada em estado grave."


Sydney chorava ainda os seus mortos quando um novo ataque aconteceu, numa igreja na mesma cidade. O bispo e outras três pessoas terão sido esfaqueadas, tendo uma das vítimas, de 50 anos, ficado em estado grave. O momento do ataque ficou filmado, uma vez que o bispo se encontrava a fazer uma transmissão simultânea pela internet. O bairro on de fica esta congregação, "é conhecido por acolher membros da pequena comunidade cristã assíria, que fugiram da perseguição e da guerra no Iraque e na Síria." O atacante poderá ser um jovem de apenas quinze anos. 


E assim vai o mundo...


Fontes:


https://lifestyle.sapo.pt/vida-e-carreira/noticias-vida-e-carreira/artigos/em-investigacao-na-australia-o-que-levou-este-homem-a-atacar-apenas-mulheres-num-centro-comercial


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-04-14-video-policia-heroina-abateu-homem-que-esfaqueou-varias-pessoas-em-sidney-307776cc


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/australia-varios-feridos-em-novo-esfaqueamento-numa-igreja-em-sydney_n1564511


https://www.vaticannews.va/pt/mundo/news/2024-04/australia-ataque-igreja-bispo-sydney-mar-mari-emmanuel.html


 


 

14/04/2024

Ataques e retaliações

Acho que todos sabíamos que haveria uma escalada do conflito no Médio Oriente. Nos últimos dias, o clima de instabilidade tem estado a intensificar-se e, sabemos, que ameaças que venham daqueles lados, nunca devem ser ignoradas. Mais tarde ou mais cedo, as ameaças concretizam-se. A situação é preocupante e já levou a que durante esta tarde o G7 se reúna esta tarde, e que a ONU também tenha marcado uma reunião de emergência.

Ontem, um navio com pavilhão português foi invadido por elementos da Guarda Revolucionária do Irão, uma das divisões a que pertenciam os elementos que foram mortos em Damasco, na passada semana. A bordo, ao que se sabe estão apenas cidadãos de outras nacionalidades, mas apesar disso, segundo o MNE Paulo Rangel, é dever de Portugal, "reclamar a libertação imediata do navio e de todos os tripulantes," bem como, de garantir que estão a ser cumpridos os "direitos fundamentais" das pessoas ali retidas. Aqui o que está em causa é um ataque ao país de registo da embarcação, embora não tivesse sido essa a razão para este navio ter sido o alvo,  mas sim o facto deste navio ser "propriedade de um milionário israelita." No entanto, o facto do barco ter bandeira portuguesa, acaba por obrigar diplomaticamente, Portugal, a ver-se envolvido neste clima de tensão.

Durante a noite, estive a acompanhar através da CNN e da SIC Notícias a situação no Médio Oriente. Tal como tinha sido ameaçado pelo governo de Teerão, depois do alegado ataque de Israel a um edifício junto à embaixada iraniana, em Damasco, na Síria, "que matou dois comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana," o Irão lançou um ataque a vários pontos do país, incluindo Telavive e Jerusalém, com centenas de drones e mísseis balísticos e de cruzeiro. Apesar de poucos terem conseguido atingir algum alvo, houve uma criança que ficou ferida. As linhas de defesa aérea de Israel funcionaram e impediram que este ataque tivesse maiores consequências.

Os drones não foram lançados apenas a partir do Irão, mas também de outros locais, atravessando espaços aéreos diversos. Israel, "com a ajuda dos norte-americanos na região, interseptaram alguns drones no espaço aéreo da Síria." Numa zona habitada do Curdistão iraquiano, várias peças de um míssil iraniano, foram encontradas pela população, bastante perto das suas casas.

Enquanto este ataque decorria, o Hezbollah disparava também "uma série de rockets para os Montes Golã, num ataque aparentemente não relacionado com o iraniano." Apesar de quase 99% dos mísseis e drones terem sido intersetados, vários iranianos saíram às ruas erguendo "bandeiras do Irão e da Palestina," e também, algumas bandeiras do "Hezbollah, o grupo libanês pró-iraniano", celebrando os ataques "contra solo israelita." Numa das praças onde se verificaram estes festejos, existe um relógio de areia que indica o fim do Estado de Israel. 

O lançamento em massa destes engenhos, "parece ter sido um esforço para sobrecarregar as defesas antiaéreas de Israel." De certa forma, a única vítima foi provocada por estilhaços de uma anti-aérea israelita, mas se Irão quisesse e tivesse utilizado outro tipo de engenhos, poderia ter provocado outro tipo de danos, mais extensos. Israel está, no entanto, bastante bem protegido. O espaço aéreo de vários países que fazem fronteira com o Irão, (Jordânia, Iraque e Líbano), manteve-se encerrado durante a noite, embora a situação tenha vindo a ser reposta ao longo da manhã.

Netanyau, já veio informar que Israel se prepara agora para retaliar, embora os EUA, que até aqui têm mostrado de certa forma algum apoio a Israel, já tivessem vindo dizer que não estão dispostos a apoiar uma retaliação. Aquilo que se quer evitar e, acho que o ocidente está todo de acordo, é uma escalada deste conflito. França também veio pedir contenção, mas reforçou no entanto que está do lado de Israel. Na Síria foi declarado estado de emergência.

Mesmo estando territorialmente afastados do Irão, existe uma forte ligação àquela área por ser uma importante rota dos hidrocarbonetos. Ou seja, mesmo estando afastados do Médio Oriente, o impacto de uma guerra regional naquela zona, vai afetar-nos diretamente através, por exemplo, das rotas comerciais e, especialmente, do transporte de combustíveis. Isto poderá impactar em todo o mundo no acesso a bens de consumo e no preço dos mesmos.


Fontes:

https://expresso.pt/sociedade/justica/2024-04-13-mne-diz-que-governo-pode-ter-de-tomar-medidas-adicionais-para-confrontar-o-irao-sobre-o-sequestro-do-navio-com-bandeira-portuguesa-f878a7e3

https://observador.pt/2024/04/14/ponto-de-situacao-o-que-aconteceu-no-ataque-iraniano-a-israel/

https://observador.pt/2024/04/14/a-festa-nas-ruas-de-teerao-e-os-misseis-intercetados-pela-cupula-de-ferro-as-fotos-dos-ataques-iranianos/

https://expresso.pt/internacional/medio-oriente/2024-04-13-israel-assegura-que-irao-lancou-dezenas-de-drones-em-direcao-ao-seu-territorio-afd0a3a

13/04/2024

É verão em terra e... inverno no mar

Muita gente nas ruas, esplanadas e praias. O calor chegou finalmente para grande alegria da maioria dos portugueses, mas a atenção deve ser redobrada porque a época balnear ainda não começou e o mar está bastante agitado, devido ao vento. Fruto exatamente desta falta de cuidado, foram os casos que se registaram nos últimos dias por todo o país. Infelizmente, nem todos acabaram bem. Nas notícias podemos encontrar vários casos, a maioria deles devidos a comportamentos de risco. Só na praia de Carcavelos, ontem, sexta-feira, já tinham sido "feitos 22 salvamentos."


Um dos casos mais graves é o de "um jovem, de nacionalidade marroquina, que desapareceu na tarde de ontem, dia 12 de abril, após alegadamente ter ido a banhos e ter sido arrastado pela forte corrente que se fazia sentir na praia de Salgueiros, no concelho de Vila Nova de Gaia."  O jovem era "estudante na Escola Secundária Inês de Castro, em Gaia." Pelo fim da tarde foi com alguns amigos até à praia, entrando na água, "apesar de não saber nadar." São vários os meios que têm estado empenhados nas buscas pelo rapaz de 16 anos, que prosseguem, mas até agora sem sucesso. 


Um "homem de 22 anos de nacionalidade brasileira," também está desaparecido "na praia da Vieira, no concelho de Leiria."


Logo pela manhã, os bombeiros foram chamados para um homem de nacionalidade brasileira, que tinha caído enquanto praticava a atividade de pesca lúdica, na zona do Cabo Raso, Cascais. O homem foi resgatado "pelos tripulantes da Estação Salva-vidas de Cascais" com o apoio de uma "embarcação de pesca que se encontrava naquela zona." Este tipo de atividades deve, na minha opinião, ser mais vigiada, bem como penso que seria importante limitar-se os acessos a algumas zonas de arriba da nossa costa. Além de proteger essas zonas, muitas vezes destruídas por quem para lá vai, também se poderia assim diminuir a ocorrência de acidentes, na sua maioria graves. Já no que à atividade de pesca diz respeito, acrescento também aqui a descoberta de um corpo que se pensa ser de um mariscador que estava desaparecido desde 6 de abril. O corpo, que se pensa ser do homem de "nacionalidade nepalesa" foi encontrado na sexta-feira a flutuar "no rio Tejo, em frente ao Terreiro do Paço, em Lisboa."


Na praia do Tamariz, na zona do Estoril, "oito jovens em situação de pré-afogamento foram salvos" por populares e pelos Bombeiros do Estoril. Na primeira ocorrência, os bombeiros foram chamados para "um grupo de quatro jovens," dos quais um rapaz de 15 anos, necessitou mesmo de ser sujeito a manobras de reanimação. Um outro jovem,  necessitou também de ser estabilizado, o que aconteceu "ainda na praia" tendo sido depois "encaminhado para o Hospital de Cascais." Já numa segunda ocorrência, "os bombeiros do Estoril foram acionados para socorrer mais quatro jovens. Um deles em pré-afogamento, que acabou por ser retirado por populares e levado para o areal, antes de ser seguir para o Hospital de Cascais, tal como uma adolescente que se sentiu mal.  Um outro jovem em risco de afogamento foi retirado do mar" e, depois de assistido, recusou transporte à unidade hospitalar. Esta zona, será a primeira a abrir a época balnear, mas só no dia 1 de maio.


Já na praia da Comporta, Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, "três jovens que estavam a nadar sentiram dificuldades em regressar à praia e foram socorridos com ajuda de surfistas e populares presentes na praia."


Na "praia da Baía, em Espinho, foram retiradas três pessoas do mar em situação de pré-afogamento, segundo o Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Área Metropolitana do Porto."


Mas não foram apenas os banhistas e os surfistas que precisaram de resgate. Na zona da Lagoa de Albufeira, em Sesimbra, "os tripulantes da Estação Salva-vidas de Sesimbra" foram chamados para socorrer e evacuar "um homem de 77 anos que alegadamente se sentiu mal a bordo" de uma "embarcação marítimo-turística."


Na maioria dos casos, a culpa não é do mar. É preciso sermos proativos na nossa segurança e prevenirmos situações de risco. É que atrás de quem entra na água, sem saber nadar, ou com o mar em condições adversas e sem saber como estão as areias e os agueiros, vão outros para os ajudar e que podem acabar por morrer. 


 


Fontes:


https://www.facebook.com/photo.php?fbid=445925524500102&set=a.152772453815412&type=3&ref=embed_post


https://www.dn.pt/72028695/pelos-menos-15-pessoas-socorridas-nas-praias-portuguesas-este-sabado/


https://www.jn.pt/3385888941/retomadas-buscas-para-encontrar-jovem-que-se-afogou-na-praia-em-canidelo/


 

09/04/2024

O mar... esse mar traiçoeiro

Ontem escrevi sobre o triste naufrágio que aconteceu na manhã de domingo, mas o mar não roubou apenas estas vidas. Sobre o caso de Tróia, esperemos agora mais desenvolvimentos, até porque as informações que tenho visto na comunicação social têm sido um pouco difusas (e até contraditórias). Hoje trago diferentes casos, todos bastante diferentes, mas que têm o mar em comum.

Mas infelizmente, este fim de semana foi marcado também por outras situações. Na madrugada de sexta para sábado, um carro caiu à água em Póvoa de Varzim, com dois ocupantes. O homem de 57 anos e um jovem de 16 anos morreram neste acidente. Testemunhas relatam que viram duas pessoas entrarem no carro e que pouco depois o caro caiu à água. "Apenas com o nascer do dia, devido à visibilidade, foi possível chegar à viatura, uma vez que as condições de visibilidade dificultaram as operações."

O que faziam ali juntos àquela hora, não sabemos. O que está noticiado é que "as duas vítimas, que não tinham qualquer relação de parentesco, estavam num bar na Póvoa de Varzim após um jogo de futebol do clube onde João Pedro jogava. De acordo com o "JN", Joaquim Leal, que era amigo dos pais de João Pedro, terá oferecido boleia ao jovem." Ao que se sabe, "as equipas de socorro encontraram os corpos das vítimas junto à bagageira do carro."

No domingo, em Nampula, norte de Moçambique, uma embarcação de pesca que, ao que parece, tentou transportar um grupo de pessoas que fugia "a um surto de cólera no continente, com destino à Ilha de Moçambique, tendo o naufrágio acontecido a cerca de cem metros desta costa." O barco não tinha capacidade para transportar tanta gente, mas aqui há um nível de desespero que leva as pessoas a arriscar a vida. Das cerca de 130 pessoas a bordo, 13 sobreviveram, já se confirmaram 98 mortos, entre os quais estão 55 crianças. As restantes estão dadas como desaparecidas.

Num outro caso, a OIM(1) declarou hoje que "foram recuperados 38 corpos, incluindo crianças, após um trágico naufrágio ao largo da costa do Djibuti, com pelo menos seis outros desaparecidos." Esta rota, chamada "rota oriental" e que faz a ligação entre o Corno de África, o Iémen e os Estados do Golfo Pérsico está entre as "mais perigosas" do mundo. "Pelo menos, 698 pessoas, incluindo mulheres e crianças, morreram no ano passado nessa rota, que atravessa o Golfo de Aden, de Djibuti para o Iémen, na esperança de chegar à Arábia Saudita, de acordo com o Projeto de Migrantes Desaparecidos da OIM."

Desde o final da tarde de ontem, que "um homem de 67 anos," está a ser procurado na zona entre Moledo e Vila Praia de Âncora. O homem terá saído para pescar e acabou por desaparecer. "A sua viatura foi encontrada próxima da zona costeira, entre Vila Praia de Âncora e Moledo." Segundo o capitão da capitania de Vila Praia, "a barra de Caminha estava na segunda-feira encerrada, com o mar alteroso a apresentar ondas de quatro metros e o vento a soprar com o equivalente a 30 quilómetros por hora."

Notas:

1) OIM - Organização Internacional para as Migrações;

Fontes:

https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/carro-com-varios-ocupantes-caiu-ao-mar-na-povoa-de-varzim

https://magg.sapo.pt/atualidade/atualidade-nacional/artigos/homem-de-57-anos-e-jovem-de-16-morrem-afogados-na-povoa-de-varzim-carro-caiu-ao-mar

https://www.jn.pt/2122305042/pelo-menos-55-criancas-morreram-no-naufragio-em-mocambique/

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2536944/pelo-menos-38-migrantes-morrem-apos-naufragio-ao-largo-de-djibuti

https://observador.pt/2024/04/09/autoridades-procuram-pescador-ludico-de-67-anos-desaparecido-em-moledo/

08/04/2024

Naufrágio ao largo da Comporta

O nosso domingo acordou com a notícia de uma tragédia ao largo das praias oceânicas de Tróia. Pelas sete horas, o barco de pesca onde seguiam 5 pessoas fez-se ao mar. Segundo as declarações do timoneiro do barco, propriedade de uma empresa privada, depois de perceber que as condições do mar não seriam as mais apropriadas, tentou dar a volta e regressar a terra. Uma vaga de maiores dimensões, ao que diz o único sobrevivente confirmado até agora, fez o barco virar e projetou-os a todos para fora da embarcação. Ao que parece, só a criança levava colete salva-vidas. "Os dois irmãos, de 24 e 33 anos, e o homem com cerca de 40 anos, seguiam sem colete, sendo que o uso é obrigatório por lei nas atividades de pesca e fortemente recomendado pela Autoridade Marítima e pela Marinha sempre que se vai para o mar, como lembra o comandante José Sousa Luís, porta-voz da Autoridade Marítima e da Marinha."

O homem que trabalhava para a empresa e que conduzia a embarcação, conseguiu aguentar-se ao de cima de água, até por volta das 10 horas dessa manhã, ao que parece agarrado a uma bóia, até ser resgatado por um outro barco que ali passava. "À chegada a terra, o timoneiro explicou que a embarcação pertencia ao fundador do empreendimento Sol Tróia," afirmando ainda "que não conhecia os outros tripulantes e que iam fazer pesca desportiva na embarcação de recreio." 

Este homem, poderá vir a ser responsabilizado, uma vez que poderá ter havido aqui a ocorrência de um ou de mais crimes. Para efetuar essa averiguação, "foram instaurados dois inquéritos paralelos ao naufrágio: um inquérito criminal no Ministério Público e um processo marítimo pelo próprio Porto de Setúbal, com o objetivo de averiguar as condições em que o acidente ocorreu."

De acordo com o que Serrano Augusto afirmou, este processo marítimo pode resultar "numa contraordenação se houver alguma infração ao edital da capitania ou à lei geral". De acordo com o que referiu à comunicação social o "comandante José Sousa Luís, porta-voz da Autoridade Marítima e da Marinha," aquilo que se passa na prática é que "não existe um processo de registo da saída dos barcos dos respetivos portos." Segundo ele, é da responsabilidade de quem vai para o mar, “verificar as condições meteorológicas e oceanográficas, se a barra está aberta ou fechada, se está tudo ok com a embarcação, se têm o material segurança."

Quando ontem vi as imagens na televisão, uma das coisas que me saltou logo à vista é que, não pareciam estar muito longe da costa. O acidente ter-se-á dado apenas "a cerca de milha e meia (aproximadamente três quilómetros) de Tróia, Grândola (Setúbal)."

Seria ainda de noite, mas o sol não tardaria a despontar. Outra coisa que hoje em dia é muito mais fácil de perceber, do que seria há uns anos atrás, são as condições do mar. Pelas notícias dos últimos dias, têm sido feitas previsões que dão conta de agitação marítima. O vento também tem estado com rajadas bastante fortes. A diferença é que, a uma ou duas milhas da costa, o vento pode estar mais fraco ou mais forte, dependendo das frentes que se fazem sentir. A questão aqui, não seria tanto a de adivinhar como estaria o mar, mas sim, olhar para os instrumentos.

Hoje em dia, os satélites permitem imagens quase em tempo real e previsões muito mais corretas. A tecnologia trouxe mais segurança à vida do mar, embora, como em tudo, os acidentes possam acontecer. Quem tripula uma embarcação, sabe que não controla todas as variantes. Hoje em dia, sair para o mar embora ainda possa ser uma "aventura" com vários perigos associados, é muito mais seguro do que era antes, uma vez que existem mapas de satélite, existem boletins marítimos, existem gráficos que nos informam a direção e a predominância do vento e das ondas, dos diferentes tipos de correntes. Pode, claro que sim, pode ter sido apenas um trágico acidente, mas quais e quantos destes recursos, é que foi avaliado antes de se sair do cais?

O mar, esse é traiçoeiro. No mais calmo mar, pode vir uma vaga maior e derrubar uma embarcação de grandes dimensões. Uma onda mais forte, faz deste tipo de barquinhos, um brinquedo. Parece que foi um "golpe de mar" aquilo que aconteceu. Um golpe de mar é quando uma vaga maior, com um pico acima da média restante, se ergue "no meio do nada" e o perigo está, precisamente, na sua imprevisibilidade. Mas aqui está a incoerência. Quando se dá uma destas ondas inusitadas, há um mar mais calmo, que depois desta onda maior, volta a ficar mais calmo. O que diz o timoneiro, não bate certo, com esta história do "golpe de mar" (ou então quem a noticiou não usou o termo correto), uma vez que aquilo que disse foi que "o mar estava muito forte e que não conseguiu ver nenhuma das outras pessoas que se encontravam a bordo" (depois de terem caído todos ao mar).

Mas, não sei, a mim parece-me que não era um mar calmo, aquele que estava àquela hora da madrugada quando saíram. Havia tanto vento em terra, não haveria também no mar (sendo que aqui, falamos perto da costa, a uma distância de cerca de três quilómetros)? Durante as noites anteriores tinha estado bastante vento e o mar tem estado agitado. Para um barco maior, poderá não fazer diferença, mas para este tipo de embarcações de recreio, vagas ligeiramente maiores, podem fazer grandes estragos.

Para mim e acredito que para muita gente, isto não nos diz nada, mas para quem tem um barco nas mãos, estas informações não são apenas factos generalistas. O meu avô não sabia uma letra do tamanho de um comboio, mas bastava-lhe abrir a janela e sentir o cheiro do vento para saber se o barco ia ou não ao mar. A quem conhece o mar, até a posição das aves quando se ajeitam para dormir, lhes dá sinais importantes se está prestes a chegar uma tempestade, se os ventos estão a aumentar ou se vem trovoada. A esta sentia-a na pele e no cheiro do ar, que dizia estar "carregado."

Hoje em dia, basta ligar o telemóvel ou um simples computador e entrar no site do IPMA ou do ECMWF (onde temos mapas dinâmicos muito interessantes). Hoje em dia a meteorologia é uma ciência bastante desenvolvida que, apesar de ser influenciada por um grande número de variáveis, é hoje em dia muito fiável (de certeza bem mais fiável do que o nariz do meu avô).

Outra a coisa que a mim me surpreende é a demora na colocação de um heli no ar. O naufrágio foi reportado pouco depois das dez da manhã, mas só "por volta das 13:10, Serrano Augusto indicou que estava a chegar ao local um helicóptero Koala da Força Aérea Portuguesa (FAP) para participar nas buscas." 

Os corpos do menino, que se sabe tinha apenas 11 anos, e de um dos outros ocupantes, foram encontrados e recuperados durante o dia de ontem, faltando ainda encontrar dois dos ocupantes. E aqui a palavra correta é mesmo "recuperar" uma vez que quando falamos em ocorrências que envolvam vítimas de naufrágios e falamos em vivos, estes são resgatados, quando se fala em corpos, estes são recuperados. É que ontem, ao mudar de canal e ouvir uma jornalista dizer "o menino foi resgatado" o meu coração pulou de alegria, até perceber que afinal, não foi o menino que foi resgatado, foi o seu corpo que foi recuperado. Não é a mesma coisa e devia haver mais cuidado da parte dos jornalistas que dizem certas coisas.

Fontes:

https://www.ipma.pt/pt/maritima/boletins/

https://www.ecmwf.int/

https://observador.pt/2024/04/07/troia-um-barco-de-pesca-naufragou-uma-crianca-e-um-homem-morreram-e-dois-estao-ainda-desaparecidos/

https://tvi.iol.pt/noticias/naufragio/troia/embarcacao-afundou-completamente-homem-resgatado-do-mar-era-o-timoneiro-e-tem-62-anos/20240407/66129a56d34ebf9bbb3c28ab

https://tvi.iol.pt/noticias/troia/naufragio/um-golpe-de-mar-que-acabou-em-tragedia-foi-isto-que-aconteceu-no-naufragio-ao-largo-de-troia/20240408/6613d7dcd34e0498921f802f

07/04/2024

1994, o ano da morte no Ruanda

Passaram-se 30 anos, mas ninguém pode esquecer o massacre que aconteceu no dia 7 de abril de 1994 no Ruanda. Lembro-me vagamente de ouvir algumas coisas sobre isto, mas na altura eu tinha apenas 10 anos e, claro, os blocos noticiosos muito mais fechados naquela época, não nos traziam as notícias como no-las trazem hoje.

Há 30 anos, o Ruanda estava em plena guerra civil. "O Ruanda e o Burundi são dois pequenos países africanos que viviam em permanente tensão desde a sua independência, na década de 50. Essa tensão decorria precisamente do conflito entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi." 

"No Ruanda, as raízes desta hostilidade remontam ao período colonial." Esta região foi colonizada primeiro pela Alemanha mas, posteriormente, passou para a administração da Bélgica, que "favoreceu a rivalidade entre os dois grupos e promoveu a supremacia da minoria Tutsi." Já os Hutus, mesmo sendo 85% da população, não tinham acesso à mesma educação, nem às mesmas oportunidades que eram dadas aos Tutsis. A raiva contra os Tutsis cresceu e deu origem à segregação em vastos campos de refugiados que se perdiam de vista. O gatilho, já bastante tenso, foi puxado quando o avião onde seguia o presidente Hutu foi abatido e os rebeldes Tutsis considerados culpados pela sua morte.

O genocídio não se fez esperar. Milhares de pessoas foram mortas de forma bárbara. O exército Hutu fechava as estradas e entrava nas casas dizimando todos os que lá estivessem. Os homens da casa eram mortos e depois as mulheres e as adolescentes violadas e assassinadas em seguida. As casas eram saqueadas. Avançavam casa após casa, até não restar ninguém.

Estamos a falar em cerca de dez mil pessoas por dia. Ainda hoje, trinta anos depois, se continuam a descobrir as valas comuns onde jazem cadáveres destas vítimas. "Calcula-se que tenham morrido entre 800 mil a 1 milhão de pessoas durante este período de pouco mais de três meses, enquanto a guerra civil que se seguiu terá causado cerca de 2 milhões de refugiados."

A indignação na altura, não foi  apenas causada pelo horror das imagens dos massacres, mas sobretudo "pela passividade e indiferença das potências mundiais." O contingente militar que a "ONU colocou" no país, revelou-se impotente para travar os ataques! Não conseguiram "proteger as populações. Houve alertas e denúncias de que estava em marcha uma catástrofe humanitária no país, mas nada foi feito."

Durante aqueles dias, a população foi completamente dizimada e "nem os locais de culto serviam como sítios seguros." Há relatos de que "numa igreja na província de Gikondo, controlada pela ordem religiosa polaca dos palotinos, e onde estavam escondidas várias pessoas, cerca de 100 homens pertencentes às milícias ligadas aos hutus entraram no local e levaram a cabo um autêntico massacre."

Quinze dias depois dos ataques começarem, as Nações Unidas retiraram as suas tropas da região. "A França, tradicional aliada dos Hutus, foi posteriormente acusada de ter tido conhecimento dos planos genocidas das elites Hutus e de não ter tomado nenhuma ação. As organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram igualmente a hipocrisia e a insensibilidade da comunidade internacional, por se tratar de uma região remota, longe dos centros de poder mundiais."

O massacre, esse só terminou cem dias depois, quando os rebeldes da Frente Patriótica do Ruanda conquistaram a capital. O seu comandante ainda é hoje, o presidente da República do Ruanda. 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-genocidio-no-ruanda/

CNN Portugal 07/04/2024: reportagem sobre os 30 anos do genocídio do Ruanda, transmitido no Jornal CNN Domingo;

 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...