07/04/2024

1994, o ano da morte no Ruanda

Passaram-se 30 anos, mas ninguém pode esquecer o massacre que aconteceu no dia 7 de abril de 1994 no Ruanda. Lembro-me vagamente de ouvir algumas coisas sobre isto, mas na altura eu tinha apenas 10 anos e, claro, os blocos noticiosos muito mais fechados naquela época, não nos traziam as notícias como no-las trazem hoje.

Há 30 anos, o Ruanda estava em plena guerra civil. "O Ruanda e o Burundi são dois pequenos países africanos que viviam em permanente tensão desde a sua independência, na década de 50. Essa tensão decorria precisamente do conflito entre a maioria Hutu e a minoria Tutsi." 

"No Ruanda, as raízes desta hostilidade remontam ao período colonial." Esta região foi colonizada primeiro pela Alemanha mas, posteriormente, passou para a administração da Bélgica, que "favoreceu a rivalidade entre os dois grupos e promoveu a supremacia da minoria Tutsi." Já os Hutus, mesmo sendo 85% da população, não tinham acesso à mesma educação, nem às mesmas oportunidades que eram dadas aos Tutsis. A raiva contra os Tutsis cresceu e deu origem à segregação em vastos campos de refugiados que se perdiam de vista. O gatilho, já bastante tenso, foi puxado quando o avião onde seguia o presidente Hutu foi abatido e os rebeldes Tutsis considerados culpados pela sua morte.

O genocídio não se fez esperar. Milhares de pessoas foram mortas de forma bárbara. O exército Hutu fechava as estradas e entrava nas casas dizimando todos os que lá estivessem. Os homens da casa eram mortos e depois as mulheres e as adolescentes violadas e assassinadas em seguida. As casas eram saqueadas. Avançavam casa após casa, até não restar ninguém.

Estamos a falar em cerca de dez mil pessoas por dia. Ainda hoje, trinta anos depois, se continuam a descobrir as valas comuns onde jazem cadáveres destas vítimas. "Calcula-se que tenham morrido entre 800 mil a 1 milhão de pessoas durante este período de pouco mais de três meses, enquanto a guerra civil que se seguiu terá causado cerca de 2 milhões de refugiados."

A indignação na altura, não foi  apenas causada pelo horror das imagens dos massacres, mas sobretudo "pela passividade e indiferença das potências mundiais." O contingente militar que a "ONU colocou" no país, revelou-se impotente para travar os ataques! Não conseguiram "proteger as populações. Houve alertas e denúncias de que estava em marcha uma catástrofe humanitária no país, mas nada foi feito."

Durante aqueles dias, a população foi completamente dizimada e "nem os locais de culto serviam como sítios seguros." Há relatos de que "numa igreja na província de Gikondo, controlada pela ordem religiosa polaca dos palotinos, e onde estavam escondidas várias pessoas, cerca de 100 homens pertencentes às milícias ligadas aos hutus entraram no local e levaram a cabo um autêntico massacre."

Quinze dias depois dos ataques começarem, as Nações Unidas retiraram as suas tropas da região. "A França, tradicional aliada dos Hutus, foi posteriormente acusada de ter tido conhecimento dos planos genocidas das elites Hutus e de não ter tomado nenhuma ação. As organizações de defesa dos direitos humanos denunciaram igualmente a hipocrisia e a insensibilidade da comunidade internacional, por se tratar de uma região remota, longe dos centros de poder mundiais."

O massacre, esse só terminou cem dias depois, quando os rebeldes da Frente Patriótica do Ruanda conquistaram a capital. O seu comandante ainda é hoje, o presidente da República do Ruanda. 

Fontes:

https://ensina.rtp.pt/artigo/o-genocidio-no-ruanda/

CNN Portugal 07/04/2024: reportagem sobre os 30 anos do genocídio do Ruanda, transmitido no Jornal CNN Domingo;

 

06/04/2024

Ilegalidades, acidentes e coisas que nos fazem pensar

Hoje é sábado. Depois de um dia bastante preenchido, acabo por me sentar para escrever. Gosto sempre de rever o que se passou durante a semana, especialmente alguns blocos noticiosos. Aquilo que, ultimamente, me tem preocupado mais, é claro a situação do conflito na Ucrânia, embora outras situações mereçam também alguma reflexão.


Começo por apontar uma situação, sobre a qual já tenho estado para escrever várias vezes: a apanha ilegal de amêijoa. No dia 26, dois homens de nacionalidade nigeriana que se dedicavam à apanha de amêijoa, desapareceram e só no dia 4, o corpo de um deles foi recuperado, na zona da Moita. O outro, ainda permanece desaparecido. Na reportagem da TVI, fala-se das operações policiais que são realizadas, mas não é verdade que o sejam de forma diária. Aqui no Seixal, pelo menos não é isso que eu vejo. Se o rio o permitir, ou seja, sempre que está maré baixa, váriass pessoas entram no lodo e começam a tirar de lá os bivalves. Uma das "entradas" fica mesmo em frente da esquadra da PSP, uma outra, em frente da estátua ao Pescador ou, também, é possível vê-los a entrar, junto ao pontão da Arrentela, na rampa do museu, nas escadinhas onde descansa o "nosso" amigo ganso. Podemos vê-los logo de madrugada, mesmo em dias de muito frio, numa vida que não é fácil, certamente. Em muitos casos, trata-se de migrantes, que chegam ao nosso país e são logo encaminhados para este tipo de tarefas, mas noutros que eu conheço, tratam-se de escolhas, como o caso de famílias aqui da zona do Seixal. Estes que desapareceram (um dos quais, o corpo já foi encontrado) são apenas dois de muitos que se põem em perigo diariamente. E, se estão a fazer uma coisa que é ilegal, qual a razão de não serem detidos e presentes a tribunal? Várias destas pessoas, homens e mulheres, são já caras conhecidas e, nos outros locais eu não sei, mas aqui circulam completamente à vontade, a pé ou de bicicleta (já nem falo de carro) com o balde cheio de um produto ilegal - logo com a prova do seu crime à vista de todos. Bem, mas aqui o que lamento é a morte de mais uma pessoa, que se calhar nem "usufruia" do crime que praticava.


Já no passado sábado, dia 30, desapareceu também um homem de 43 anos, que andava a fazer mergulho "junto ao ilhéu dos Fradinhos, na ilha Terceira, Açores. Um amigo da vítima deu o alerta quando percebeu que o mesmo não tinha regressado. Ainda foram iniciadas buscas no dia do seu desaparecimento mas, devido às condições meteorológicas, as buscas foram suspensas, tendo sido retomadas assim que as condições o permitiram.


Ontem, na praia do Pinheirinho, na zona de Grândola, dois homens entraram na água e acabaram por se ver em grandes dificuldades. Um deles ainda conseguiu sair, embora já em hipotermia, mas o outro acabou por morrer afogado. Os dois homens, ambos de "nacionalidade canadiana, foram auxiliadas por um popular que se encontrava nas proximidades."


Bem, mas por cá as notícias não são só sobre os perigos do mares e rios. Há outros perigos que são bem mais traiçoeiros.


Um grupo de extrema-direita sediado em Portugal (grupo que se autodenomina "1143" em referência ao ano do "nascimento" de Portugal e à vitória sobre os "mouros")  - faz-me lembrar um tal de senhor que se fazia representar de espada e escudo na mão tal "salvador da pátria" - terá convocado "todos os patriotas a marcarem presença" no Porto para mostrarem "oposição à invasão de imigrantes, que é a principal razão para o aumento brutal do preço da habitação". Claro que rapidamente, este grupo de gente "pacífica" começou "a estourar petardos na praça."


Isto na semana em que foram, finalmente, apresentados ao país, os novos ministros e os 41 secretários de estado (mais um do que no anterior governo) e, em que a primeira medida, foi a alteração do "logótipo adotado pelo anterior Executivo" trazendo de volta "a esfera armilar, as quinas e os castelos" que tinham sido excluídos pelo governo de António Costa. Esta decisão tinha sido uma promessa feita por Montenegro em novembro. Agora, falta fazer a atualização, por exemplo, nas redes sociais onde a imagem ainda não está atualizada.


Antes que me esqueça. Parece que ontem houve um sismo nos EUA, com 4.8 na escala de Richter e que terá sido sentido nos estados de Nova Iorque, Nova Jérsia, Conneticut e Massachusetts. O sismo (1) "teve epicentro perto da localidade de Lebanon, em Nova Jérsia," mas sem registo de danos materiais nem de vítimas.


-/-


Notas:


1. Os EUA sofrem de eventos deste género com bastante frequência, embora a maioria dos terramotos nos EUA ocorra "nas áreas pouco povoadas ao longo do Golfo do Alasca e da cadeia de ilhas no Mar de Bering." Os terramotos mais conhecidos e até, mediáticos, têm ocorrido "ao longo da Falha de San Andreas, densamente povoada, que se estende de norte a sul por mais de 1000 quilómetros através da Califórnia." Esta área faz parte do chamado "Anel de Fogo do Pacífico," onde a placa do Pacífico, que se encontra sob a placa da América do Norte, "regularmente causa tensões tectónicas nas zonas de subducção." Explicando de outra forma, esta falha separa duas placas: uma onde se localiza Los Angeles e, outra, onde fica São Francisco. "Los Angeles fica na placa do Pacífico, enquanto São Francisco fica na placa continental da América do Norte. À medida que a placa do Pacífico se move para o norte, a placa norte-americana" desloca-se para sul. Ou seja, "Los Angeles e São Francisco" estão de facto a aproximar-se "em média de 6 cm por ano." 


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/videos/homem-desaparecido-encontrado-morto-na-moita-nas-margens-do-tejo/660eaea20cf2a41c2ecd5a23


https://www.dnoticias.pt/2024/4/1/400014-buscas-por-mergulhador-desaparecido-na-ilha-terceira-interrompidas/#


https://pt.euronews.com/2024/04/05/nova-iorque-sacudida-por-terramoto-de-48-na-escala-de-richter-o-maior-em-mais-de-40-anos


https://eco.sapo.pt/2024/04/05/sismo-sacode-area-metropolitana-de-nova-iorque-residentes-receberam-alertas-para-ficarem-em-casa/


https://www.dadosmundiais.com/america/usa/terremotos.php


 

05/04/2024

Perceber-me...

Ultimamente não tenho dedicado muito a falar sobre mim, porque na verdade, tudo continua igual e, realmente, a conjuntura nacional e internacional tem sido muito mais interessante. Talvez porque não me dê grande relevância, ou porque tenha mais que fazer do que me estar a dar demasiado valor. No fundo, há sempre coisas boas e más a acontecer todos os dias na minha vida, mas a principal, sem dúvida, é sentir-me realizada com aquilo que agora estou a fazer. 


Ontem caiu uma certa nostalgia e, até um certo aperto, quando comecei a pensar que está tudo a seguir no bom caminho. Mas eu não estou habituada a que as coisas me corram bem e isso faz-me sempre recear... não sei se conhecem a sensação. Eu não estou aqui a dizer que está tudo perfeito, não está mesmo, há muito para melhorar, tenho muito para trabalhar e sobretudo, para me auto-construir. Mas é este caminho que agora estou a percorrer é que me está a dar uma motivação diferente e me faz olhar para situações passadas e me faz pensar: como é que isto me aconteceu? como é que eu deixei que me fizessem isto? como é que eu me permiti a passar por isto? como é que eu não vi isto?


E estas memórias ainda me afetam. Sim, ainda acordo a meio da noite com angústias. Ainda temo e desconfio. 


Ainda há sonhos e apertos que me fazem acordar a meio da noite. 


E aqui está o foco que quero muito melhorar. A minha saúde. Vivo há anos demais presa a diagnósticos, a medicamentos, a tentativas de fazer os outros perceberem que há doenças que não são visíveis mas que estão cá e nos magoam, nos vão tirando as forças bocadinho a bocadinho. Mas sabem o que eu também sei? É que aquilo que mais me tira as forças, não é a doença nem a medicação, que sim estão cá e fazem parte da minha vida há muitos anos, é a minha preocupação sobre o que os outros pensam de mim. E essas pessoas interessam? Não deviam, porque não são as pessoas próximas de mim, nem as pessoas da minha família próxima, nem as pessoas que me querem bem. Se são só as "outras" e, muitas delas já nem fazem parte da minha vida, porque é que ainda me magoam, me fazem angustiar? Porque é que as memórias do que se passou, não podem passar apenas de memórias e, ainda hoje, me fazem ficar triste? 


E porque é que eu estou hoje a escrever isto? Bem, uma das razões é porque não sou a única pessoa a viver com fibro e sei que há muitas pessoas que dizem que o pior desta doença é a incompreensão dos outros. E é exatamente aí que eu sinto que tenho de trabalhar. Não nos outros, mas em mim, em aceitar-me como sou, sem me estar a preocupar se os outros acreditam em mim ou se falam por trás, ou se são falsos... é que eu sei que isso não me devia estar a magoar, não aos quarenta anos, nem depois de tudo aquilo que eu já passei na minha vida, de tudo aquilo que eu já vi e já vivi. 


E é tudo isso que importa.

04/04/2024

75 anos de Aliança democrática... o mesmo inimigo comum

A NATO comemora 75 anos. E 75 anos depois, será que continua a fazer sentido a sua existência, com o renascer da guerra dentro da Europa? Sim, quando falamos de um inimigo que não sendo novo, se voltou novamente a erguer: a Rússia. Para celebrar esta data, o documento original que data de 1949, "viajou de Washington até Bruxelas," onde ficará hoje e amanhã em "exposição na sede da NATO."

Esta aliança militar, que começou com 12 membros e tem hoje 32, foi assinado num período de plena "oposição entre os blocos ocidental e oriental no âmbito da Guerra Fria" e, mantém ainda como "inimigo", já não a União Soviética, mas a Federação Russa. Os primeiros 12 países participantes foram os "Estados Unidos, Canadá, Bélgica, Dinamarca, França, Grã-Bretanha, Itália, Islândia, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos e Portugal." Em 1955, dando resposta "à adesão da República Federal da Alemanha (RFA) à NATO", o bloco de Leste criou "o Pacto de Varsóvia, uma aliança militar composta por oito países (URSS, Albânia, Bulgária, Roménia, Hungria, Polónia, Checoslováquia e Alemanha de Leste) e que acabou "dissolvido em 1991."

Recordo, que num discurso à nação russa, Putin, "fez acusações ao Ocidente, sobretudo aos EUA, à NATO e destacou o poderio militar russo" não deixando de salientar "a ameaça nuclear." Referindo-se à atual corrida ao armamento, comparou-a ao período da Guerra Fria, reforçando que os países que fazem parte da Aliança Atlântica, "têm de entender que nós também temos armas que os podem derrotar no seu próprio território". Foi nesta mesma declaração que Putin acusou a NATO (ou melhor, o "Ocidente") de ser a culpada de ter provocado "um conflito na Ucrânia, no Médio Oriente e noutras regiões do mundo e", pasmem-se, de "continua a mentir." Referindo-se a um período específico da II Guerra Mundial, em que a URSS saiu vitoriosa sobre a Alemanha, lembrou o "destino daqueles que uma vez enviaram tropas para o território" russo.

Sabiam que França, apesar de ter sido um dos países fundadores, esteve "fora" da Aliança entre 1966 e 2009? Bem, a sua saída foi apenas no âmbito militar, continuando a participar no âmbito político de forma a "desafiar a hegemonia americana no seio da organização."

O primeiro envolvimento militar da NATO, foi em 1993, durante a "guerra na Bósnia-Herzegovina, que se seguiu ao desmembramento da Jugoslávia." Em 1999, interviu também no conflito do Kosovo em 1999.

Em 2001, de forma a dar "resposta aos ataques terroristas nos Estados Unidos" a NATO invocou pela primeira e única vez até agora, "o Artigo 5.º"que "consagra o princípio da defesa coletiva" e estipula que, "um ataque contra um membro da NATO, é considerado como um ataque contra todos os Aliados."

Em 2014, para dar "resposta à anexação ilegal e ilegítima da Crimeia pela Rússia" e a invasão da Ucrânia em 2022, "a presença militar da NATO tem sido progressivamente reforçada na parte oriental do seu território para apoiar a sua postura de dissuasão e defesa." Assim, além do contingente militar que se encontra distribuído por oito países, enviou, também,  "navios para o Mar Báltico e para o Mediterrâneo," além de ter aumentado o "nível de prontidão operacional das suas tropas." A vigilância aérea foi também reforçada.

Os últimos países a entrar para a NATO, foram a Finlândia (em abril de 2023) e a Suécia (março de 2024) o que veio pôr "fim à sua tradição de neutralidade militar e de não-alinhamento."

Fontes:

https://www.dn.pt/5362597734/putin-sobre-a-nato-e-a-ameaca-nuclear-eles-tem-de-entender-que-tambem-nos-temos-armas/

https://pt.euronews.com/my-europe/2024/04/04/75-anos-da-nato-o-tratado-de-washington-em-exposicao-em-bruxelas



 

03/04/2024

Eua em alerta... devido a ataque de Israel à embaixada do Irão

Na segunda-feira, Israel bombardeou um edifício contíguo à embaixada do Irão, em Damasco, na Síria, o que faz com que os EUA, estejam agora em alerto, com receio de um "ataque do Irão contra ativos israelitas ou norte-americanos no Médio Oriente." Este foi apenas mais um de vários ataques. Já em fevereiro, um ataque com mísseis atingiu um edifício de 10 andares "num bairro que concentra edifícios residenciais, escolas e centros culturais iranianos, e fica perto de um grande complexo dos serviços secretos."

A região está em ebulição, o que pode levar a qualquer momento a um alargamento do conflito. Eu acho que é cada vez mais importante tentarmos compreender o que é que este clima de tensão pode vir a trazer e, para o fazermos, é preciso olharmos para a história do Médio Oriente e da sua relação tanto com os EUA como com a Europa. Acho que é preciso compreendermos quem apoia quem (e porquê) bem como quais podem ser as consequências diretas e indiretas desse apoio. O apoio dos EUA a Israel pode levar a que outros países que também pertencem à NATO venham a ser atingidos, pelos estados que se revelam opositores a Netanyau. Por outro lado, o apoio de alguns países - tal como é o caso de Portugal - à população palestiniana, pode ter também consequências graves.

Neste ataque, perderam a vida 16 pessoas, entre as quais poderá estar "um comandante militar iraniano," que pertencia à "Força Quds, o braço paramilitar de elite da Guarda Revolucionária, responsável pelo relacionamento com governos e grupos aliados" de Teerão.

O "chefe do movimento xiita libanês Hezbollah, Hassan Nasrallah," já veio dizer que a resposta do Irão será "inevitável" sem, no entanto, dizer, onde, como e quando esta irá acontecer. Devemos lembrar que, desde o ataque de 7 de outubro, que "o Hezbollah e Israel" se atacam recíprocamente, em particular  "nas regiões fronteiriças entre os dois países." Estes ataques "já provocaram centenas de mortos, na maioria combatentes do Hezbollah e civis libaneses," aumentando "os receios sobre uma extensão do conflito."

São estes receios fundamentados?

Fontes:

https://www.dn.pt/6007382124/estados-unidos-em-alerta-maximo-para-um-eventual-ataque-do-irao/

https://www.dn.pt/6986719600/chefe-do-hezbollah-libanes-considera-inevitavel-resposta-do-irao-a-ataque-israelita-na-siria/

https://pt.euronews.com/2024/02/21/israel-lanca-ataque-contra-damasco-e-faz-dois-mortos

02/04/2024

O que os leva a tanta maldade... e os aviadores esquecidos pelo país

Um atentado numa escola já é por si grave, mas o que faz aqui a diferença é, para mim, a idade do atirador. As crianças tinham ontem voltado às aulas, quando um menor de, apenas 12 anos, entrou na "escola de Viertola", na cidade finlandesa "de Vantaa, a norte da capital Helsínquia," onde estudam crianças e jovens com idades compreendidas entre os sete e os dezasseis anos de idade.


Do ataque resultou, para já, a morte de uma "criança de 12 anos, que frequentava o 6.º ano," e ferimentos graves em outras duas. Ao que se sabe, a "arma utilizada tem licença e pertence a um familiar do atirador." Além do atirador, que foi detido, espero que também o dono da arma seja chamado à razão. É que, de alguma forma, a arma estava acessível.


Já a 22 de fevereiro, num outro ataque, desta vez na Alemanha, um jovem de dezassete anos, feriu quatro estudantes - dois dos quais com gravidade - "num ataque à faca numa escola secundária na cidade alemã de Wuppertal. Este suspeito, que sofreria de problemas mentais, "terá também infligido ferimentos a si próprio e ficou igualmente ferido com gravidade."


Mas como é que se pode controlar a entrada de armas nas escolas? Com maior vigilância... 


É uma tristeza que se tenham de começar a revistar crianças à porta das escolas...


***


Saindo aqui um pouco deste tema, sabiam que hoje se celebra o centenário da primeira viagem aérea entre Portugal e o Macau? Preferi hoje dividir este post em duas partes uma vez que considero que não se deve deixar passar esta data.


Sim, a viagem começou precisamente no dia 2 de abril de 1924. Passados apenas dois anos depois da travessia do Atlântico Sul (Lisboa-Rio de Janeiro) por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, os "aviadores José Manuel Sarmento de Beires (1892-1974) e António Jacinto da Silva Brito Pais (1884-1934), partiram de Vila Nova de Milfontes, na foz do rio Mira, para uma aventura inédita." A aventura não foi fácil e só conseguiram chegar aos "arredores da cidade chinesa de Cantão" no dia 23 de junho desse ano, depois de terem percorrido 16380 quilómetros com várias escalas e recorrendo a dois aviões, o "Pátria" e o "Pátria II."


Mas esta viagem acabou por estar ligada a uma época conturbada e pré-mudança política no país. Na época, o governo da I República já estava em queda e em breve emergiria um novo Regime. 

"Durante a viagem Brito Pais e Sarmento de Beires demonstram a sua solidariedade com os aviadores que estão presos em Alverca. Sarmento de Beires, "combateu na I Guerra Mundial,"  e teve "uma carreira irrepreensível em termos militares." No entanto, Beires apresenta também um grande "interesse pela literatura e também pelas ideias políticas, e é isso que faz dele um opositor ao regime. Sempre se opôs ao golpe militar e ao salazarismo."


Sarmento Beires esteve envolvido em várias tentativas para derrubar a ditadura. Acabou mesmo por ser "preso em Lisboa em 1933 e condenado no ano seguinte a sete anos de desterro, com perda dos direitos cívicos durante dez anos," tendo sido também "demitido das Forças Armadas." Enquanto está no Aljube, o seu companheiro de viagem, Brito Pais, morre com 49 anos, "vítima de acidente aéreo em 1934."
Quando sai da prisão, Sarmento de Beires vai para o Brasil, onde fica durante alguns anos. É no Brasil que continua a sua "atividade de jornalista, escritor, tradutor e cronista. Em 1951 foi amnistiado e integrado na reserva com o posto de major, e em 1964 recebeu o título de Comendador da Ordem do Império." 


Acho que estes dois aviadores não podem ser esquecidos. Passaram cem anos e pouco se falou disto. Ainda mais no ano em que se celebram os 50 anos da Revolução de abril.


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/europa/2024-04-02-Finlandia-crianca-de-12-anos-morre-e-outras-duas-estao-em-estado-grave-apos-ataque-com-arma-de-fogo-numa-escola-c8b133c8


https://pt.euronews.com/2024/04/02/finlandia-em-choque-com-crime-de-crianca-de-12-anos


https://pt.euronews.com/2024/02/22/ataque-a-faca-em-escola-da-alemanha-faz-quatro-feridos-dois-com-gravidade


https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/o-primeiro-voo-entre-lisboa-e-macau-que-foi-apagado-da-memoria-do-estado-novo


 

01/04/2024

Emile

Este fim de semana, algumas ossadas pertencentes a Emile, "criança que estava desaparecida desde julho de 2023 numa pequena aldeia nos Alpes franceses," foram descobertas por um popular e posteriormente identificadas pela polícia francesa, apenas a cerca de um quilómetro do local onde o menino terá sido visto pela última vez.


"Emile, de dois anos e meio, estava de férias de verão com os avós quando desapareceu a 8 de julho do ano passado sem deixar rasto. Dois vizinhos viram-no pela última vez no final da tarde a andar sozinho na rua de Le Vernet." Na altura do seu desaparecimento, após ter sido dado o alerta "foram iniciadas buscas na aldeia para tentar localizar a criança. Nos primeiros dias das operações estiveram envolvidos mais de 800 elementos, entre exército, bombeiros, polícia, equipas cinotécnicas, drones, 20 equipas de cães pisteiros e 200 voluntários e foram efetuadas mais de 500 chamadas. Duas testemunhas disseram às autoridades que tinham visto a criança numa rua com declive." De forma a facilitar as buscas, "e com a intenção de que a criança pudesse reagir, a mãe de Émile gravou uma mensagem de voz, transmitida por aeronaves. As autoridades emitiram um comunicado com uma fotografia da criança e uma breve descrição física de Emile."


Durante 15 dias, o "vereador proibiu a entrada de estranhos na localidade," onde ocorreu o desaparecimento. "Nos últimos dias de julho, os cães usados na investigação detetaram odor a cadáver na aldeia onde Emile desapareceu. Iniciaram-se novas buscas, mas, uma vez mais, revelaram-se inconclusivas." Já durante o mês de setembro, "um grupo de mergulhadores realizou buscas numa lagoa perto da casa dos avós de Emile." Em outubro e em novembro "as autoridades francesas realizaram novas buscas com a ajuda de cães e drones especializados."


O que aqui se torna caricato é que, dois dias antes do achado, "a polícia regressou à aldeia, isolando a área e convocando 17 pessoas, incluindo familiares, vizinhos e testemunhas, para reconstituir os últimos momentos antes do seu desaparecimento para tentar resolver o mistério." E no sábado... aparecem os ossos?


Agora, vamos esperar que a verdade venha ao de cima. O único aqui, que de certeza, não teve culpa, foi Emile, que na altura era ainda um bebé. 


Fontes:


https://www.dn.pt/6835654774/policia-francesa-encontra-ossos-de-emile-crianca-desaparecida-desde-julho-de-2023/


https://www.cmjornal.pt/mundo/detalhe/o-misterio-frances-que-dura-ha-oito-meses-tudo-o-que-se-sabe-sobre-o-desaparecimento-de-emile


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...