17/03/2024

Era para ser um ato eleitoral...

... mas não passou de uma fantochada! 


Não foram eleições nem livres, nem justas, mas isso não nos espanta, sabendo nós a forma como as coisas são feitas do lado russo e quais são os objetivos "escondidos" de tal regime.


Putin foi a eleições com três concorrentes: "o representante do partido Novo Povo Vladislav Davankov, o comunista Nikolai Kharitonov e o ultranacionalista Leonid Slutski." Segundo algumas sondagens, que pouco valor terão na atual conjuntura, o "representante do partido Novo Povo, Vladislav Davankov, e o comunista Nikolai Kharitonov reúnem 6% das intenções de voto. Já o ultranacionalista Leonid Slutski poderá ter cerca de 5% dos votos." Aqueles que se atreveram a pôr em questão a guerra, foram desde logo afastados. "A oposição ao Kremlin não pôde concorrer às eleições, uma vez que a comissão eleitoral não registou os seus candidatos por várias razões técnicas ou questões formais, devido ao seu apoio à paz na Ucrânia."


Mas a ida às urnas decorreu num clima de repressão e sem liberdade, embora com algumas ações de protesto, que tentaram mostrar ao resto do mundo o descontentamento e a contestação da população. Num grave atropelo à democracia, a repressão irá continuar, uma vez que embora muitos estejam contra as ações de Putin, a verdade é que poucos têm coragem de o enfrentar. 


"Milhares de russos protestaram pacificamente, nas assembleias de voto locais, contra a reeleição de Vladimir Putin: boicotaram o voto ao destruir o boletim ou selecionar outro candidato que não o líder russo." Estes russos, seguiram aquilo que lhes tinha sido pedido por "Alexei Navalny pouco antes da sua morte." Alguns dos "protestantes escreveram simbolicamente o nome de Navalny no boletim." A existência de muita gente a votar é relativa, uma vez que por exemplo os funcionários públicos receavam retaliações caso não fossem votar.


A vitória esmagadora de Putin, nesta espécie de eleições, dá-lhe a possibilidade de continuar a dizer que está legitimado nas suas ações. Putin irá continuar a sua guerra contra a NATO e contra a Ucrânia, irá continuar a reprimir o seu povo e a ameaçar os seus opositores. "Os ucranianos que moram nas regiões ilegalmente anexadas pela Rússia em setembro de 2022 (Luhansk, Donetsk, Zaporíjia e Kherson) também estão a ser obrigados a votar."


Em Portugal, foram muitos os russos que hoje se deslocaram à embaixada da Rússia, junto à Calçada de Arroios para exercer o seu direito de voto, embora muitos deles tenham afirmado que não acreditam no ato eleitoral. 


"A eleição deverá manter Putin no poder até 2030, ano em que completará 77 anos, com a possibilidade de um mandato adicional até 2036, devido a uma alteração constitucional feita em 2020."


Entretanto, nos últimos dias, enquanto a Rússia continua a atacar em território ucraniano, a Ucrânia tem lançado ataques contra várias refinarias russas de forma a diminuir a capacidade russa de se reabastecer e de continuar a exportar combustível. Macron, presidente francês, continua a não afastar a hipótese de enviar tropas para território ucraniano.


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/russia/2024-03-17-Eleicoes-presidenciais-russas-ultimo-dia-da-votacao-marcado-por-acao-de-apoio-a-Navalny-e-contra-Putin-9a0e4038


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/eleicoes-na-russia-participacao-ultrapassa-74-a-seis-horas-do-fecho-das-votacoes_n1558050


https://expresso.pt/podcasts/leste-oeste-de-nuno-rogeiro/2024-03-17-Quem-ganhara-as-eleicoes-na-Russia--690303f2


 

16/03/2024

Bloqueios, apoios e tentativas de levar ajuda a quem passa fome

Desde dia 7 de outubro que várias famílias aguardam por notícias dos seus familiares, raptados depois do ataque do Hamas a Israel e que terá feito "cerca de 1200 mortos e cerca de centena e meia de reféns, segundo as autoridades de Israel." Como resposta, Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ordenou "uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza que matou mais de 31300 pessoas até quinta-feira, segundo as autoridades do enclave governado pelo Hamas."


Esta quinta-feira, em mais uma manifestação, uma das principais autoestradas israelitas, foi bloqueada por manifestantes que representam as famílias de cerca de 40 reféns ainda nas mãos do Hamas. Hoje, os manifestantes tentaram novamente bloquear a autoestrada como forma de protesto contra as decisões que têm vindo a ser tomadas pelo primeiro-ministro e exigem eleições antecipadas em Israel, tendo sido usados canhões de água para dispersar a multidão. Este tipo de manifestação já não é nova e mostra como uma grande parte da população está contra as políticas implementadas e a contestação tem estado a crescer.


Apesar das tentativas de parar a ofensiva israelita em Gaza, a verdade é que a paz ainda parece estar longe de acontecer. A solução de um cessar fogo tem sido por várias vezes negociada mas não havendo razoabilidade de ambos os lados, isto tem sido impossível. Ora de um lado, ora do outro, o entendimento tem sido impossível, mesmo com outras nações a tentar mediar as conversações. Enquanto esta quinta-feira, o "Hamas propôs um novo plano para uma trégua em Gaza," através de mediadores do Qatar, Netanyahu, primeiro-ministro de Israel veio informar que "as exigências" são "inaceitáveis" e confirmou que iria lançar uma nova operação militar em Rafah. 


Hoje, antes de partir para a Jordânia onde se irá reunir com o rei Abdullah II, o "chanceler alemão, Olaf Scholz," alertou para a possibilidade "de uma ofensiva militar terrestre do exército israelita em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza." Lembremo-nos que foi para esta zona que milhares de palestinianos se viram obrigados a fugir e que, um ataque direcionado para essa região irá provocar "uma grande tragédia humana."


Têm sido tentadas diversas formas de se entregar comida e água à população de Gaza, mas muitas vezes essas tentativas têm vindo a ser frustradas. Os ataques, além de matarem e ferirem diretamente os palestinianos, acabam também por deixá-los completamente sem meios de subsistência. Sem a cedência de Israel, que tem sido acusado de usar a "fome" como arma de guerra, todo o apoio que se queira fazer chegar, tem sido impedido de alcançar o seu destino. Ontem, o apoio entrou por mar através de um corredor marítimo que ligou o Chipre a Gaza. O navio espanhol "Open Arms" em conjunto com uma organização não governamental norte-amricana, com um carregamento de cerca de "115 toneladas de alimentos e água" e de "130 paletes de equipamento humanitário," foi o responsável pelo transporte que depois seguiu depois numa coluna de cerca de 30 camiões e que se espera agora chegue ao seu destino sem problemas de maior. O processo, envolveu o exército israelita, que antes de permitir o descarregamento, inspecionou o navio e acompanhou o descarregamento dos bens essenciais no porto. A dificuldade que envolve a deslocação e toda a burocracia envolvida, bem como o risco associado, torna esta forma de ajuda bastante demorada.


As entregas feitas através das vias marítimas e aéreas, não podem substituir as vias terrestres, mas estas têm sido impossibilitadas enquanto os bombardeamentos não cessarem.


Fontes:


https://observador.pt/2024/03/14/o-hamas-apresentou-acordo-de-treguas-netanyahu-diz-que-as-exigencias-sao-inaceitaveis/


https://observador.pt/2024/03/16/scholz-contra-ofensiva-israelita-em-rafah-para-evitar-grande-tragedia-humana/


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2522373/exercito-israelita-confirma-chegada-a-gaza-da-ajuda-humanitaria-em-navio


 

15/03/2024

As falsas eleições e a vitória de mais um ditador

Como é que se elege um ditador? Muitos dos ditadores conhecidos da nossa história foram eleitos pelo povo, mas será que quem neles votou o fez de forma livre e consciente? Aquilo que se passa atualmente na Rússia, passou-se noutras alturas e noutras partes do mundo. Passou-se aqui, embora de forma um pouco diferente, porque os tempos eram outros, mas em comum há sempre uma política de opressão e de desinformação. Passou-se noutros países por essa Europa fora... e noutros países, um pouco mais longe geograficamente mas que todos conhecemos.


Vivemos na era da informação, da internet, das notícias, mas passam-se coisas debaixo de nosso nariz das quais nem nos apercebemos (ou que não queremos ver) e vive-se numa época de "gato escondido com o rabo de fora." Todos vemos o rabo do gato, mas todos temos medo dele.


Na Rússia as urnas já abriram e todos sabemos quem vai ser eleito no domingo. Entretanto, já passam "imagens dos cidadãos russos" - especialmente imagens de soldados - a votar "para as eleições presidenciais que decorrem até domingo. Vladimir Putin será assim eleito "para um quinto mandato presidencial até 2030, face à ausência de oposição independente, controlo de informação e o espetro da manipulação." 


"As eleições são vistas como uma mera formalidade com um vencedor antecipado, tendo sido autorizadas apenas candidaturas classificadas como amigáveis em relação ao Kremlin (presidência): Nikolai Kharitonov, do Partido Comunista, Leonid Slutsky, do nacionalista Partido Liberal Democrata, e Vladislav Davankov, do Novo Partido Popular."


Mas aqui está o auge da questão. Sabe-se que será reeleito uma vez que as eleições de "livres" não têm nada, mas o que procura Putin com esta montagem eleitoral? Na verdade, mostrar para fora que o povo russo lhe está a “renovar legitimidade” de continuar com a invasão e com a guerra na Ucrânia.


E vai ainda mais longe.


Na Ucrânia, nos territórios ocupados por forças russas tais como Zaporíjia, Kherson, Donetsk e Luhansk, as autoridades nomeadas pela própria Rússia "estão a obrigar os ucranianos a ir às urnas para votar nas eleições presidenciais." Nestas zonas, as pessoas estão a ser obrigadas a votar como se fossem cidadãos russos! "Colaboradores russos vão de casa em casa com urnas de voto, acompanhados por soldados armados," e assim obrigam estas pessoas a votar. De acordo com a "agência noticiosa do Kremlin, TASS," apesar da votação antecipada só ter começado oficialmente no dia 10 de março, "na região ocupada de Donetsk" e noutras "zonas próximas da linha da frente estava em curso desde 25 de fevereiro."


E como é que isto foi possível, se não são russos? 


Ora aqui está a preparação de toda a situação com antecedência. Para acederem a "serviços sociais e cuidados de saúde," os cidadãos destes territórios ocupados foram obrigados a obter passaportes russos. Só assim podem usar os serviços de que necessitam para sobreviver e claro, é-lhes dada agora a "possibilidade" (ou obrigatoriedade) de votar. "Aqueles que recusarem tornar-se-ão cidadãos estrangeiros ou apátridas a partir de 1 de julho de 2024. Existe uma possibilidade realista de que os indivíduos sejam deportados ou enfrentem detenção após esta data se não tiverem passaportes russos." O clima de medo está instaurado porque praticamente todos sabem o que lhes pode acontecer se forem detidos pela Rússia.


E entretanto, a guerra continua...


Fontes:


https://observador.pt/liveblogs/eleicoes-na-russia-arrancam-hoje-com-putin-sem-oposicao-para-quinto-mandato/


https://pt.euronews.com/2024/03/15/eleicoes-russas-homens-armados-obrigam-ucranianos-a-votar-nos-territorios-ocupados


https://pt.euronews.com/2024/03/11/moscovo-falsifica-votos-nas-regioes-ucranianas-ocupadas


https://observador.pt/liveblogs/eleicoes-na-russia-arrancam-hoje-com-putin-sem-oposicao-para-quinto-mandato/

14/03/2024

A reunião da Brigada do Reumático e a Intentona - 50 anos

Já que ultimamente se fala em celebrações, deixo-vos aqui uma que também deve ser referida, pois aconteceu precisamente há 50 anos, poucos dias antes da Revolução de Abril. Neste caso, tratou-se de uma "cerimónia de solidariedade com o regime" que foi levada a cabo "por oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas," e que veio a ficar conhecida por «Brigada do Reumático».


Os "generais Costa Gomes, António de Spínola e o almirante Tierno Bagulho," não compareceram e por isso, foram "exonerados" no dia seguinte. Costa Gomes e António de Spínola, já tinham, no entanto, sido escolhidos a 1 de dezembro do ano anterior, em Óbidos, como Chefes do Movimento das Forças Armadas.


"Em nome dos oficiais presentes falou o Chefe do Estado Maior do Exército general Paiva Brandão." Os participantes, afirmaram a sua "fidelidade ao regime do Estado Novo e prometeram defender a política ultramarina da nação."


Marcello Caetano, em resposta a esta cerimónia, agradece desta forma aos seus participantes: «O país está seguro de que conta com as suas Forças Armadas e em todos os escalões destas não poderão restar dúvidas acerca da atitude dos seus comandos». Dias depois, seguiria para Lisboa uma coluna do Regimento de Infantaria nº 5 das Caldas da Rainha, composta com cerca de 200 militares. Esta coluna tinha a intenção de derrubar o poder e a tentativa, que acabaria derrubada em pouco menos de 20 horas, foi designada por "intentona ou golpe das Caldas." Esta foi a primeira tentativa de derrube do regime por "oficiais ligados ao MFA."


Na sessão parlamentar de 19 de março, "o deputado Albino dos Reis condena aquele movimento, que qualifica como subversivo, de insubordinação e de rebeldia."  


Cerca de um mês depois, tal como sabemos, o Movimento das Forças Armadas acabava com o Estado Novo e com Assembleia Nacional, dando origem ao processo de descolonização e independência das antigas colónias."


"Fontes:


https://a25abril.pt/arquivos-historicos/arquivo-rtp/brigada-do-reumatico/


https://app.parlamento.pt/comunicar/Artigo.aspx?ID=947


https://media.rtp.pt/descolonizacaoportuguesa/pecas/o-programa-do-mfa/


 

12/03/2024

A situação dramática do Haiti

No outro dia, escrevi sobre a situação do Haiti, com alusão a algumas notícias que têm vindo a público na comunicação social sobre o estado em que o país se encontra. Neste momento, a guerra civil está iminente, com os gangues a tomar a população como refém. A violência tem vindo a aumentar de dia para dia e há a ameaça de "um desastre humanitário." 


O Haiti está longe... 


No Haiti, têm sido cada vez mais praticadas "atividades criminosas como sequestros, violência sexual, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, homicídios e recrutamento de crianças por grupos armados e redes criminosas," as quais estão a gerar o a fuga "em massa de civis e violações dos direitos humanos." 


Ariel Henry, "atual primeiro-ministro haitiano," está neste momento "em Porto Rico, depois de uma tentativa falhada de regressar ao país." No entanto, já confirmou que "vai renunciar ao cargo" e apelou à calma, de forma a que "paz e a estabilidade voltem o mais rápido possível". 


Quem protege a população do Haiti? Homens, mulheres e crianças, sofrem desde há bastante tempo e muitos fecham os olhos às barbaridades que são cometidas por gangues armados que dominam aquele território.


No domingo, os EUA anunciaram a "retirada de parte dos funcionários de sua embaixada e o reforço da segurança." Perante o aumento da onda de violência, "dezenas de moradores ocuparam no sábado um escritório da administração pública em Porto Príncipe, na esperança de encontrar abrigo lá." Foi decretado o "estado de emergência" bem como "um toque de recolher noturno," que tem sido difícil de implementar pelas forças de segurança. As informações são de que a "autoridade da polícia é fraca e mais de 40 esquadras estão destruídas."


E onde está quem proteja os direitos humanos destas pessoas?


A situação está a piorar com “hospitais atacados por gangues" e que foram obrigados a "evacuar pessoal médico e pacientes," incluindo bebés recém-nascidos, havendo ainda o risco de "cerca de 3000 mulheres grávidas" deixarem de poder aceder a "cuidados de saúde essenciais." 


Diz assim o Artigo 28, da Declaração Universal dos Direitos Humanos:



"Todo o ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados."



Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/haiti-precisa-de-paz-primeiro-ministro-ariel-henry-demite-se_n1557095


https://www.swissinfo.ch/por/situa%C3%A7%C3%A3o-no-haiti-se-deteriora-e-eua-anuncia-retirada-de-funcion%C3%A1rios-americanos/73574047


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/haiti-prolonga-recolher-obrigatorio-por-mais-tres-dias_n1557033


 https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828947


https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos


 

11/03/2024

Sobre os resultados da noite eleitoral... e o que muda para já

Depois do rescaldo da noite eleitoral, o país aguarda agora a indigitação do primeiro-ministro. Essa será a tarefa seguinte do Presidente da República, mas só depois de chegarem os resultados dos círculos externos. "Marcelo Rebelo de Sousa vai ouvir os partidos por ordem crescente de votos e a ritmo de um por dia." 


Mas sobre a noite de ontem e os resultados eleitorais que já se conhecem...


Confirmando a maioria das projeções, a Aliança Democrática vence estas eleições com 79 assentos parlamentares, logo seguido a pouca distância do PS, com 77 lugares. Esta derrota da Esquerda já era um resultado esperado e nove anos depois os Socialistas regressam à oposição. Se olharmos para as análises televisivas feitas distrito a distrito, vemos que a AD venceu no Porto, mas o PS até ganhou nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal. Em Setúbal o CHEGA ficou mesmo à frente da AD, o que deve ser alvo de reflexão por parte dos dirigentes. Já no que a Leiria se refere, "a Aliança Democrática ultrapassou o PS," o que se repetiu também em Braga.


Podemos dizer que houve muito mais gente a ir votar, o que pode ser visto como um ponto positivo. No entanto, apesar da diminuição da abstenção, os resultados alcançados por alguns partidos têm obrigatoriamente de levar o país a fazer uma reflexão sobre o que está mal e o que ainda nos espera.


O Chega foi um dos partidos que mais cresceu, especialmente no Algarve e conquistou 48 deputados na Assembleia da República, sendo de referir que neste distrito, se analisarmos concelho a concelho, "o Chega venceu em Portimão, Lagoa, Silves (onde a Câmara é presidida pela CDU), Albufeira, Loulé e Olhão. Nos restantes 10 municípios algarvios, o PS foi a opção mais escolhida por quem votou." Este crescimento do CHEGA pode dever-se em muitos casos ao chamado "voto de protesto", mas a verdade é que o país e a Europa estão em mudança e a Direita mais radical está, infelizmente, a ganhar força.


André Ventura tem estado a exercer pressão sobre a AD, através de Luís Montenegro, afirmando que ele deve mudar de opinião quanto a fazer um acordo de "entendimento pós-eleitoral com o Chega," chamando-lhe "um líder muito irresponsável," caso a AD viesse a permitir um governo do PS. Esperemos que Montenegro não caia nessa e não ceda a quaisquer ameaças. Ventura fez também vários "ataques aos jornalistas e comentadores," afirmando que deveriam engolir "algumas palavras”, bem como criticou de forma acesa as "empresas de sondagens, a cujos diretores sugeriu a demissão." Criticou o próprio Presidente da República. Entre várias críticas, das quais não escapou sequer o próprio Presidente da República, Ventura afirmou que a vitória do Chega deve ser visto como “um ajuste de contas com a História de um país que durante décadas foi asfixiado e atrofiado pela esquerda e pela extrema-esquerda”. Mesmo chegando de mansinho... já se vão manifestando.


"A IL, com oito lugares, o BE, com cinco, e o PAN, com um, mantiveram o número de deputados. O Livre passou de um para quatro eleitos enquanto a CDU perdeu dois lugares e ficou com quatro deputados." Por diversos fatores, a grande derrota do PCP não fez espantar muita gente, conseguindo apenas quatro lugares na AR, tantos como o Livre. "O PCP deixou de ter representação parlamentar em Beja, pela primeira vez em 50 anos de democracia," perdendo também força em Évora.


De preocupar também o resultado do ADN que, embora sem conquistar nenhum lugar na AR, conseguiu 1.6% dos votos, contra "0,20% dos votos" conseguidos nas legislativas de 2022. Será que este crescimento, embora aparentemente pareça pequeno, não nos deve fazer preocupar? O próprio Bruno Fialho, "líder do partido Alternativa Democrática Nacional (ADN), e cabeça de lista por Lisboa nestas eleições legislativas, defendeu este domingo que o partido" teria sido "o grande vencedor da noite" atingindo "mais de 99 mil votos," recusando também que este resultado "seja fruto de uma qualquer confusão entre siglas de partidos."


A não existência de uma maioria absoluta fez com que as agências de rating europeias já se tenham vindo manifestar, explicando que o "facto de nenhum partido ter obtido uma maioria absoluta nas eleições deste domingo," tal como já seria esperado, “pode atrasar o processo de formação de um novo Governo." Assim, ainda é cedo para se falar em mudança, porque a acontecer, terá sempre de passar pela Assembleia, onde nem todos apoiam a AD, caso seja realmente Luís Montenegro a ser indigitado por Marcelo Rebelo de Sousa nos próximos dias.


Fontes:


https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2024/2024-03-11-Um-grande-vencedor-oito-vitorias-e-sete-derrotas---Quem-ganhou-e-quem-perdeu-na-emocionante-noite-das-eleicoes-ba75e983


https://observador.pt/liveblogs/impasse-parlamentar-agencia-de-rating-admite-novas-eleicoes-no-final-do-ano-ou-inicio-de-2025/


https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2024/2024-03-11-Os-resultados-finais-distrito-a-distrito-AD-venceu-no-Porto-por-1000-votos-PS-em-Lisboa-por-9000-Chega-foi-1.-em-Faro-747a40f3


https://expresso.pt/politica/2024-03-11-Voto-de-protesto-da-vitoria-ao-Chega-no-Algarve.-PS-e-PSD-justificam-com-desalento-e-esquecimento-92d79b0f


https://eco.sapo.pt/2024/03/11/lider-do-adn-considera-que-partido-foi-grande-vencedor-da-noite/?dicbo=v2-MYiCBup


 

10/03/2024

Votos e canções

A celebração maior da democracia está no exercício do direito de voto. Esta é a única forma que temos de mostrar a nossa vontade. Seja ela qual for, o meu apelo é que todos exerçam esse direito.


No entanto e enquanto não sabemos quem ganhou, hoje vou fazer uma outra referência que também acho importante. A noite passada estive a assistir à final do Festival da Canção transmitido pela RTP1. Na minha opinião, podiam ter aproveitado este momento para um grande espetáculo televisivo, mas isso na minha opinião não aconteceu. Destaquem-se os 12 finalistas, uns melhores que outros (vai do gosto musical de cada um) mas no fim, a vitória de Iolanda, com a canção "O grito" foi bem merecida e acho que nos vai representar muito bem na Eurovisão em Malmö, na Suécia.


A cantora, natural da Figueira da Foz, chegou ao Festival através de um convite. É também compositora e "estreou-se em nome próprio em 2023 com o EP Cura, que incluía os singles Cura e Lugar Certo, lançados um ano antes." A jovem cantora passou pelo "BIMM Music Institute, em Londres, Reino Unido, e pelo Hot Clube de Portugal. Além de ser intérprete, escreve para artistas como Bárbara Tinoco ou Bárbara Bandeira." A canção, "co-escrita por Luar," foi apresentada por Iolanda toda vestida de branco e com dançarinos também eles todos cobertos de branco. Esta foi uma das canções a votos no Festival, mais ouvida "nas plataformas de streaming." 


Este ano assinalou-se também a passagem de 60 anos desde o primeiro Festival. A primeira vez que se realizou, com o nome de "Grande Prémio TV da Canção Portuguesa" foi "nos Estúdios do Lumiar, na noite de 2 de Fevereiro de 1964." Nesse ano, havia pela primeira vez a vontade de escolher uma "canção candidata" a representar o país no "Concurso Eurovisão da Canção."


Nesta primeira edição, de entre as 167 canções candidatas, ganharam destaque "António Calvário, Artur Garcia, Madalena Iglésias, Simone de Oliveira", que em 1964 apresentou o tema "Olhos nos olhos." A RTP, que no dia 7 celebrou 67 anos, tem já no ar um documentário que conta a história dos Festivais e que recomendo, a quem gosta de seguir este tema, que veja.


Foram muitas as canções que começaram nos Festivais mas depois se ligaram definitivamente à nossa história como povo. Exemplo disso: "Lusitana Paixão" (1991), "E depois do Adeus" (1974), ou "Tourada"(1973).


Em 67 anos de televisão, muita coisa mudou. A história da primeira estação de televisão portuguesa cruza-se com a história do país e acompanhou os 50 anos de democracia.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_RTP_da_Can%C3%A7%C3%A3o


https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Festival_RTP_da_Can%C3%A7%C3%A3o


https://observador.pt/2024/03/10/o-grito-de-iolanda-venceu-o-festival-da-cancao-e-vai-representar-portugal-na-eurovisao/


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...