14/09/2023

Lampedusa - o aumento da crise migratória

A crise migratória não parou e a chegada de migrantes através do mar Mediterrâneo, vindos do norte de África, tem vindo a aumentar. As autoridades de Lampedusa referem a chegada de 110 embarcações com 5112 pessoas na terça, dia 12, e de mais 23 embarcações esta quarta-feira, dia 13. E estes foram apenas os últimos números... O que é que poderá ser feito por nós, europeus, de forma a minimizar as consequências da entrada de tantos migrantes mas sem deixarmos de lhes dar acolhimento e os ajudarmos de forma a que possam prosseguir as suas vidas dignamente? É que eu não deixo de pensar que nenhuma daquelas pessoas quis estar naquela situação e que foram "empurradas" por diversas razões para fora dos seus lares, das suas casas e da sua comunidade. 


Por causa deste aumento de migrantes, a Cruz Vermelha e as organizações de voluntários estão sem capacidade de resposta. Algumas pessoas têm caído ao mar e durante a madrugada de quarta, já dentro do porto, um bebé de cinco meses caiu à água e acabou por morrer afogado. Este é um drama diário a que não podemos ficar alheios, morrendo nestas deslocações centenas de crianças.


No centro de acolhimento com capacidade para 350 pessoas, estão já 6792 migrantes, os restantes vão-se mantendo pela zona portuária. Antonio Guterres,secretário-geral da ONU, disse que "os esforços não podem ser feitos só pelos países de chegada, mas devem ser compartilhados". Referiu ainda que há pessoas "que se deslocam por razões económicas" e refugiados que se deslocam para fugir dos conflitos nos países de origem e que "todos devem ter os próprios direitos humanos respeitados". 


Já Matteo Salvini, tem a opinião que o número elevado de refugiados a chegar a Itália faz parte de um ato de guerra, e acredita que "por trás de cada desembarque haja um sistema criminoso organizado ao qual devemos responder com todos os meios disponíveis". Até ao momento já desembarcaram este ano em Itália 116028 migrantes, mais do dobro que durante o mesmo período do ano passado (63498), segundo dados oficiais do Ministério do Interior, atualizados a 11 de setembro.


De referir que muitas vidas foram salvas através da Convenção sobre Refugiados de 1951,mas muitas outras acabaram deixadas à sua sorte. O direito de procurar um abrigo, um refúgio, mesmo que num outro país para aqueles que perderam a proteção dentro do seu próprio país é garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Convenção para Refugiados é o primeiro tratado que transformou os ideais da Declaração em obrigações juridicamente vinculativas.


Pior é se pensarmos que cerca de 40% dos refugiados do mundo são crianças, o que desde logo compromete as chances de as crianças receberem educação.  Quando sabemos que cerca de 48% de todas as crianças refugiadas em idade escolar estão fora da escola, devemos pensar qual o futuro que está reservado para estas crianças.


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mais-de-cinco-mil-migrantes-chegaram-a-lampedusa-nas-ultimas-24-horas_v1513871


https://www.bol.uol.com.br/noticias/2023/09/13/ilha-italiana-declara-emergencia-apos-recorde-de-migrantes.htm


https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/mais-de-2-800-migrantes-chegaram-hoje-a_6500dfa3a079691e95dfe13a


https://www.acnur.org/portugues/2020/02/06/8-fatos-sobre-refugiados-e-8-motivos-para-apoia-los/


 

13/09/2023

Tempestade na Líbia - a catástrofe que fez já milhares de mortos

Enquanto uns têm de lidar com grandes incêndios e altas temperaturas, outros lidam com tempestades destruidoras. Na Líbia ainda se procuram por 10 mil desaparecidos depois da passagem da tempestade Daniel. Só na zona de Derna, na zona costeira, a mais afetada, há 30 mil deslocados, três pontes desmoronaram e a água invadiu vários bairros. Esta foi uma das várias localidades a ficar isolada, sem eletricidade, nem comunicações. Esta região do país acolhe as principais infraestruturas petrolíferas líbias, sobre as quais os responsáveis nacionais decretaram o estado de alerta máximo.


Dezenas de corpos têm sido encontrados "constantemente" na água devido às cheias provocadas pela chuva intensa e pelo rebentamento de duas barragens e até agora o número ronda os 5300 mortos. O serviço de evacuação médica de ambulância aérea da Líbia anunciou a abertura de uma ponte aérea entre Trípoli e a região oriental para transportar pessoas gravemente feridas, no meio do caos que se vive nalgumas cidades do leste do país. Tudo isto a somar à falta de manutenção dos edifícios devido ao caos político e militar que se vive na Líbia há mais de 10 anos, com um governo a controlar o leste e outro o ocidente do pais, a devastação sobretudo em Derna atingiu um nível impressionante.


A Organização Internacional para as Migrações (OIM) na Líbia, que garante estar a preparar medicamentos e equipas de busca e salvamento para o local e já foi enviada ajuda humanitária de vários países, após um apelo feito ontem pelas autoridades líbias. Foram entretanto decretados três dias de luto nacional.


Ontem, três voluntários da ONG Crescente Vermelho Líbio morreram quando ajudavam vítimas das inundações na Líbia. Um residente de Derna disse à Almasar TV, da Líbia, que, "infelizmente, talvez 90% da população se tenha afogado". Um outro residente diz estarem "a enterrar corpos em massa". 


Descrita pelos especialistas como um "fenómeno extremo em termos da quantidade de água que choveu", a tempestade Daniel já provocou também pelo menos 27 mortes na Grécia, Turquia e Bulgária, onde as águas começam finalmente a recuar deixando ver a verdadeira realidade dos estragos sofridos. A tempestade Daniel atingiu o leste da Líbia na tarde do passado domingo, tendo sido declarado recolher obrigatório. Várias escolas foram fechadas. 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-09-13-Tempestade-na-Libia-ha-mais-de-5.300-mortos-mas-numero-podera-duplicar-3bfc0ecf


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-09-12-Libia-tres-voluntarios-entre-as-mais-de-cinco-mil-vitimas-da-tempestade-Daniel-bab83a68


https://pt.euronews.com/2023/09/12/inundacoes-paralisam-leste-da-libia


https://pt.euronews.com/2023/09/13/balanco-de-vitimas-da-tempestade-daniel-na-libia-aponta-para-mais-de-5-mil-mortos


 

09/09/2023

Sismo em Marrocos é sentido em Portugal

Para já começo por dizer que só vi hoje as notícias e que, apesar de estar acordada à hora a que se deu o abalo, não dei por nada. Pelo que se sabe até agora, não houve danos em Portugal.


O sismo de 6,9 ocorreu às 23h11, a uma profundidade de 18,5 quilómetros, e foi registado nas estações da Rede Sísmica Nacional. O epicentro foi na localidade de Ighil, que se situa a 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe. Um segundo tremor de 4,9 foi registado a nordeste de Taroudant (200 quilómetros a sul de Marraquexe) por volta das 23h30. O tremor foi sentido em cidades do norte, como Larache, a 550 quilómetros do epicentro, bem como em Casablanca e Rabat, a 300 e 370 quilómetros, respetivamente. O sismo foi sentido também no sul de Espanha, onde o serviço de emergências da Andaluzia registou cerca de 20 chamadas provenientes das províncias de Huelva, Sevilha, Málaga e Jaén. De acordo com relatos nas redes sociais, o sismo foi sentido ainda no Mali e na Argélia.


Até agora, estão contabilizados pelo menos 1305 mortos e 1832 feridos, 1220 dos quais em estado grave, segundo informação da televisão estatal do país africano, citada pela Reuters. O número ainda pode aumentar muito, como sabemos de situações anteriores. E quanto a desaparecidos ainda não há dados, principalmente porque ainda há zonas afetadas onde ainda não chegou qualquer ajuda.


Muito se tem falado na possibilidade de haver um sismo de grandes dimensões a atingir o nosso país e a verdade é que os pequenos abalos têm sido frequentes. Neste caso em específico, o facto do epicentro se ter dado a várias centenas de quilómetros, não trouxe nenhum constrangimento no nosso país.


Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros já entrou em contacto com alguns portugueses que se encontram em Marrocos, informaram em comunicado: "Todos os portugueses com quem, até ao momento, foi estabelecido contacto encontram-se bem, não tendo reportado problemas de saúde ou danos materiais substantivos".


Para sabermos o que se tem vindo a falar nos noticiários, em especial as escalas de que falam, ficam aqui algumas informações. A Escala Richter é uma ferramenta que foi criada em 1935 pelos pesquisadores Charles Francis Richter e Beno Gutenberg e serve para verificar a magnitude de um tremor de terra por meio da medição das ondas liberadas pelo sismo em seu ponto de origem. O cálculo da Escala Richter é feito por meio da utilização de sismógrafos, que indicam a magnitude de um tremor de terra. Por outro lado, a Escala de Mercalli avalia a intensidade, por meio da observação dos impactos gerados pelos tremores de terra.


O substrato terrestre é dinâmico e está em constante movimentação, devido ao deslocamento das placas tectónicas, portanto a ocorrência de terramotos é comum, especialmente em zonas geográficas localizadas nas áreas de contato dessas placas. Quando esse deslocamento envolve maior liberação de energia, ocorrem eventos sísmicos mais intensos, ou seja, de maiores magnitudes na Escala Richter.


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/2023-09-09-Sismo-em-Marrocos-ja-ha-820-mortos-e-mais-de-670-feridos.-O-abalo-sentiu-se-em-Portugal-4f528899


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/sismo-de-69-na-escala-de-richter-causa-pelo-menos-296-mortos-em-marrocos


https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/escala-richter.htm


 


 

08/09/2023

As guerras que estão às portas da Europa

Olhamos a invasão da Rússia à Ucrânia com grande preocupação, mas a verdade é que a Europa está rodeada de conflitos armados que complicam toda a situação desde o leste ao médio oriente. Está tudo à "nossa porta" e, ao mesmo tempo, parece que está tão longe e lá vamos seguindo a nossa visa, nos nossos queixumes.


Há nove meses que a população arménia de Nagorno-Karabakh, habitado na época soviética por uma maioria arménia cristã e uma minoria azeri muçulmana xiita, e da República de Artsakh, vive em condições desumanas devido ao bloqueio imposto pelo regime do Azerbaijão.


Na capital da autoproclamada república, Stepanakert, não há combustível e as velas voltaram a fazer parte da noite de cerca de 120 mil pessoas. A população está a passar fome. O Azerbaijão não permite a entrada a meios de comunicação independentes. 10 camiões com ajuda francesa foram, sem surpresas, barrados à porta do corredor de Lachin, numa “violação total dos direitos humanos”.


Nagorno-Karabakh é, há muito, um foco de tensão entre arménios e azeris. A região tem estado maioritariamente ocupada por arménios, não obstante a União Soviética, ter entregue à República Socialista Soviética do Azerbaijão o governo desse território.


À medida que o Estado comunista se desintegrava, a situação foi ficando cada vez mais instável. EM 1988 começou a Primeira Guerra do Nagorno-Karabakh, e que durou seis anos, com um desfecho favorável para os arménios. Em 2020 dá-se uma nova investida que só termina com um acordo de cessar-fogo, assinado a 9 de novembro de 2020 e mediado por Vladimir Putin, no qual os arménios foram obrigados a ceder o controlo de vários distritos: Agdam, a leste, e Kalbajar e Lachin, a oeste. Durante a guerra desse ano, o Azerbaijão matou 2906 combatentes azeris e 3825 arménios. Baku conseguiu recuperar uma grande porção territorial dentro e em torno da região. 


Em setembro de 2022, aproveitando o incremento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e a passividade da União Europeia (com quem recentemente o Azerbaijão fez um acordo para o fornecimento de gás) e da NATO (cujos membros não querem provocar a Turquia, parceiro da Aliança Atlântica e grande aliado do Azerbaijão), as forças azeris atacaram algumas localidades como Goris, Kapan e Jermuk, reconhecidas internacionalmente como parte da Arménia. Os combates entre os dois países deixaram 286 mortos dos dois lados e fez crescer o temor de uma guerra em larga escala.


Há o risco de se estabelecerem novas zonas tampão sem que a restante Europa se mexa para o impedir. Mais uma vez, é o povo que sofre as consequências, estando em causa um verdadeiro genocídio. 


Neste acordo foi estabelecido um corredor através do qual se faria a ligação entre a Arménia e Artsakh. Durante alguns meses, a ajuda humanitária ainda foi entrando em Artsakh, mas, em abril, os azeris bloquearam totalmente a estrada. Muitos não saberão mas Artsakh "é um autoproclamado Estado independente no Sul do Cáucaso com fortes ligações à Arménia." Este é um "país que não existe" e por isso, Stepanakert também é a "capital do país que não existe." Ali se fala Arménio e a população é maioritariamente cristã.


A 30 de agosto deste ano, a porta-voz de Lavro, Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a culpa do bloqueio azeri a Artsakh era da Arménia, dizendo que "a atual situação no corredor de Lachin é uma consequência do reconhecimento pela Arménia do Nagorno-Karabakh como parte do território do Azerbaijão”. A aparente apatia russa pode espantar uma vez que a Arménia ainda faz parte da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, uma espécie de NATO que a Rússia formou com mais cinco ex-Estados soviéticos, entre eles a Arménia. Esta "não reação" da parte de Moscovo, fez com que a Arménia ameaçasse com a sua saída da organização.


A 31 de agosto, Annalena Baerbock, ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, fez um surpreendente apelo ao fim do bloqueio azeri, o que renovou as esperanças de muitos de que a Europa pudesse contribuir para o fim do problema.


“Matar à fome é um crime de genocídio que está previsto. Para haver um genocídio tem de haver uma tentativa de eliminação, no todo ou em parte, de um grupo nacional. Esta parte final pode estar a ser preenchida, porque os arménios são uma minoria no Azerbaijão”, afirma Pereira Coutinho, especialista em Direito Internacional e professor na NOVA School of Law.


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/armenia/azerbaijao/as-portas-da-europa-o-azerbaijao-esta-a-matar-120-mil-pessoas-a-fome-podem-estar-a-ser-reunidas-condicoes-para-um-genocidio/20230907/64f63ca4d34e371fc0b74be0


https://cnnportugal.iol.pt/armenia/nagorno-karabakh/armenia-e-azerbaijao-de-novo-em-conflito-porque/20220913/6320c2570cf2ea367d4df662


https://observador.pt/2022/11/07/novos-confrontos-entre-armenia-e-azerbaijao-antes-das-negociacoes-de-paz/


https://www.almadeviajante.com/viagens/nagorno-karabakh/


 

06/09/2023

Europa afetada por mau tempo

Esta semana, a Grécia e outras zonas europeias estão a ser afetada por tempestades. Na região da Grécia, a tempestada que entretanto ganhou o nome Daniel, trouxe chuvas fortes que estão a atingir com especial intensidade a zona central, onde o rio Krafsidonas galgou as margens e as águas inundaram as estradas. 


As chuvas fortes que estão agora a atingir a Grécia surgem depois de o país ter sido afectado por incêndios de grandes dimensões ao longo de todo o verão, o mais grave o do Parque Nacional de Dadia, no Nordeste da Grécia, que só foi dominado esta segunda-feira, após 17 dias de combate às chamas e que consumiu 81 mil hectares.


Nos últimos dias, Portugal e em especial Espanha foram também afetados por um fenómeno atmosférico denominado Dana, que por cá levou a alguns fenómenos como queda de granizo associado a vento e chuva intensos, o que devastou várias culturas, especialmente de vinha e olival. Outras consequências foram o levantamento de estradas, e alguns danos em coberturas de edifícios.


Em Espanha, infelizmente, os danos além de materiais foram também humanos, com o registo de pelo menos duas mortes.


O Dana é um fenómeno que ataca integralmente o lado mediterrâneo da Península Ibérica. O ar sofre uma mudança drástica nos níveis de pressão atmosférica e que formam as chuvas torrenciais que se podem ver nestes tempos e que são considerados eventos de chuva perigosos. Este fenómeno costuma acontecer no outono, devido ao ar que ainda circula nas zonas marítimas com o calor do verão. A região mais propensa a este tipo de eventos é o Mediterrâneo. É na Península Ibérica que ocorre o choque do ar polar que avança sobre toda a Europa Ocidental, com o ar quente e húmido que vem do Mar Mediterrâneo.


Fontes:

https://www.publico.pt/2023/09/05/azul/noticia/europa-aflita-tempestades-grecia-espanha-onda-calor-areia-sara-2062245
https://www.publico.pt/2023/09/04/terroir/noticia/valpacos-contabilizamse-estragos-granizo-dizimou-olival-vinha-2062160
https://www.meteorologiaenred.com/pt/dana.html


 


 


 


 

01/09/2023

40: um passo em direção ao futuro

images.pngBom dia!



Para começar, dizem que hoje completo 40 anos de vida! E para mim é um dos primeiros marcos da minha vida. Já vivi experiências muito diversas e tenho uma vida (razoavelmente) estável, se comparada a tantas pessoas que vivem em dificuldades.

Nasci na maternidade do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, num parto difícil, a ferros. Apesar de ter tido uma infância feliz em que nada me faltou, olho agora para trás e vejo que os meus problemas de saúde foram começando na infância e na época não foi dada qualquer atenção. Era a chata que dizia ter dores de cabeça para ficar na sala e não ir brincar, implicava com os barulhos e a confusão das festas de aniversário, ficava com febre porque não queria ir ao infantário (como se eu pudesse provocá-la conscientemente)... mais tarde, as dores musculares e articulares limitaram a minha continuidade na ginástica, não fui escolhida para a acrobática e os trampolins levaram a lesões sucessivas e mal curadas, que hoje em dia sei que teriam tido outros cuidados.

Refletindo na minha vida, foram 40 anos a lidar comigo mesma e se acham que sou difícil, acreditem que sozinha comigo, às vezes sou bem pior! Mas foram também 40 anos de grandes conquistas e realizações: ter um filho foi a maior de todas. Hoje em dia, já não me importa o que disseram de mim no passdo, o que me criticaram ou quem se considerava superior a mim. Hoje em dia, o meu foco é na minha vida e na vida do meu filho, no nosso crescimento como pessoas. Hoje em dia, ao contrário daquilo que acontecia há sete ou oito anos atrás, não me vejo uma pessoa cheia de limitações que está prestes a se reformar. Estou num patamar diferente, em que a aceitação das limitações, me levam sim a desafiar os meus próprios limites e a aproveitar cada dia e cada momento mesmo com dores.

Em 40 anos, o mundo tem mudado muito e já não é o mesmo. Em novembro de 1983, um exercício da NATO, (tratava-se dos exercícios militares Able Archer, que se baseavam no cenário hipotético de uma invasão soviética da Europa Ocidental que escalaria ao ponto da NATO realizar um ataque nuclear contra as forças da URSS e do pacto de Varsóvia - bloco comunista) - e que levou a que quase se tivesse entrado numa verdadeira guerra nuclear. Felizmente, tal não chegou a acontecer apesar da tensão constante entre as duas forças.

Mas será que 40 anos mudaram assim tanto o nosso país?

Em Portugal o ano de 1983, foi marcado por diversas greves e manifestações sindicais, em especial da CP, metropolitano e Carris. No dia 7 de Junho de 1983, vários trabalhadores da margem sul do Tejo, das empresas Lisnave, Parry and Sons, Companhia portuguesa de Pescas, Siderurgia Nacional e Mundet, realizam ações de rua, que incluem o corte do trânsito da auto-estrada Lisboa-Setúbal, como protesto contra a situação nestas empresas e o atraso no pagamento de salários.

A 5 de Outubro de 1983, a CGTP promove, em diversos pontos do país, desfiles e manifestações de protesto contra a política do governo, os salários em atraso, os despedimentos (lay-off) e o roubo do 13º mês.

A 6 de Dezembro de 1983, explodem 14 petardos de fraca potência, em Lisboa, Barreiro, Seixal, Cacilhas e Setúbal, espalhando panfletos das FP25 e a 13 de Dezembro a União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP) revela que mais de 30 mil trabalhadores do distrito de Lisboa, de 118 empresas repartidas por 15 sectores, têm salários em atraso, num montante de cerca de 2 milhões de contos. O sector mais afetado é o metalúrgico.

A democracia ainda mostrava instabilidade e a nível social o país continuava a mostrar os seus muitos problemas. Ao longo destes anos, várias destas empresas acabaram por fechar, levando milhares de trabalhadores para o desemprego.

Fontes:

https://www.bbc.com/portuguese/geral-56230542

https://cdi.upp.pt/cgi-bin/cronologia.py?ano=1983

27/08/2023

Férias e preparação para um novo ano letivo

Este ano, ao contrário do ano anterior, consegui uns dias para descansar. Tão bem me fizeram estes dias, nem imaginam! Estou mais feliz, tranquila e com as energias renovadas.


A rotina, recomeça amanhã com o início de uma nova ação de formação e com o retomar da preparação de novas ações e, em breve, da entrada no novo ano letivo com novos desafios!


A situação profissional dos professores e, daqueles que como eu são educadores de infância e formadores, são um assunto que continua a dar muito que falar, pela sua instabilidade. Quando escolhi esta profissão e me dediquei a ela, não pensei que, prestes a completar 40 anos, não estivesse efetiva numa escola, mas a verdade é bem diferente. Mas isto para dizer que, mesmo sem a estabilidade que desejava, eu sou uma pessoa feliz.


Faço aquilo que gosto, tenho tido pessoas incríveis na minha vida que me têm ensinado imenso e tenho aproveitado as oportunidades que me têm aparecido. Cada novo desafio é encarado por mim como uma oportunidade de aprendizagem e desenvolvimento pessoal. Reflito diariamente sobre isso, não deixando de me autoavaliar e de tentar sempre fazer melhor. E esse é o meu desejo para este novo ano!


 


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...