11/06/2023

Crianças salvas 40 dias depois de queda de avião

Fico sempre surpreendida com a capacidade de resiliência das crianças, com a sua superação e com a vontade inata que têm de sobreviver.


40 dias depois da queda do avião onde seguiam, quatro crianças foram resgatadas com vida na província de Caquetá, na floresta amazónica na Colômbia, na passada sexta-feira. As quatro crianças viajavam com a mãe e acompanhante num avião Cessna 206, que caiu na selva na Colômbia. O piloto comunicou problemas com o motor do avião antes de este desaparecer dos radares.


O avião só foi encontrado a 8 de maio entre a densa vegetação. A equipa de resgate recuperou três corpos: o do piloto, o da mãe das crianças e o de um dirigente da comunidade indígena Uitoto. Dos trÊs irmãos não havia sinal. Mas não estando ali, teriam tentado seguir pela floresta? As buscas tiveram início e algumas pistas foram encontradas no decorrer dos dias seguintes. Os irmãos, com idades entre os 11 meses e 13 anos, tinham sido os únicos sobreviventes, mas tinham de vencer agora sozinhos os perigos da selva com uma vegetação densa, árvores que atingem 40 metros de altura, chuva e a presença de cobras e outros animais perigosos.


Encontrados 40 dias depois, as crianças já estão fora de perigo, depois de terem passado estas quase seis semanas maioritariamente sozinhas, já que a mãe terá morrido ao quarto dia depois do acidente. Antes de falecer, segundo alguns sites de notícias, a mãe terá pedido para que Lesly (13 anos), partisse com os irmãos, Soleiny (9), Tien Noriel (5) e Cristin (1). Depois da morte da mãe, as crianças assim fizeram.


Segundo os avós das crianças, a mais velha, Lesly manteve os irmãos mais novos em segurança e tinha conhecimentos sobre a vida selvagem. O avô Fidencio Valencia afirmou à AFP que Lesly era uma criança "muito inteligente" e capaz de guiar os irmãos pela floresta. Um fruto mordido encontrado pela equipa de resgate demonstra que este conhecimento dos irmãos sobre os frutos selvagens pode ter ajudado na sua sobrevivência. Esta menina mais velha teve de saber por onde levar os irmãos, como os alimentar, motivá-los a sair de junto dos corpos, do corpo da mãe em particular, da aparente segurança dos destroços do avião onde seguiam.


A equipa de resgate composta por 160 militares e 70 indígenas com conhecimento íntimo da selva, percorreu 2.656 quilómetros durante as buscas, tendo encontrado uma tesoura, elástico de cabelo e partes de um abrigo feito à mão pelas crianças com paus e ramos. 


Para impedir as crianças de continuarem a afastar-se, a força aérea atirou cerca de 10.000 panfletos na floresta com instruções em espanhol e na própria língua indígena das crianças a dizer para ficarem paradas e com dicas de sobrevivência. Os militares ainda atiraram para a selva parcelas de comida e garrafas de água. Um cão das equipas de busca, perdeu-se e continua desaparecido.




E nós? Em condições claramente diferentes, estamos a educar os nossos filhos para sobreviver neste mundo? 



 


Fontes:
https://www.publico.pt/2023/06/12/ciencia/noticia/quatro-criancas-sobrevivem-mes-frutas-farinhas-2053009


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/colombia-quatro-criancas-sobrevivem-40-dias-na-selva_v1492422
https://www.dn.pt/internacional/como-e-que-tres-criancas-e-um-bebe-sobrevivem-na-selva-durante-40-dias--16506577.html


 


 


 

08/06/2023

Ataque a crianças em Parque Infantil

Começamos hoje um dia que seria de feriado e de descanso com a notícia de uma brutal ataque em França. Aquilo que mais me chocou neste caso, foi o facto do agressor ter-se dirigido a carrinhos de bebés e ter começado o ataque pelas crianças. Não sei o que diga sobre uma pessoa que consegue cometer um ato destes, independentemente das razões que alegue, nenhuma poderá justificar mesmo que remotamente um ato bárbaro desta natureza.


Esta manhã, em França, um homem atacou com uma faca um grupo de crianças que brincavam num parque infantil junto ao Lago Annecy. Segundo a agência Reuteers, quatro crianças e dois adultos ficaram feridos. As crianças, duas das quais são irmãos, têm entre 22 meses e três anos de idade e estão em estado muito grave, com prognóstico reservado, assim como um dos adultos.


Ao canal francês BFM TV, testemunhas afirmaram que o atacante "saltou para o parque infantil e foi a correr para os carrinhos de bebés, atingindo os mais novos com uma faca", afirmou Ferdinand, uma das testemunhas. O agressor fugiu do local e esfaqueou um idoso nas proximidades. A polícia interveio, e o agressor foi baleado nas pernas.


O atacante será de origem síria, com estatuto de refugiado na Suécia, mas que procurava o estatuto de refugiado em França.


As motivações do ataque não são ainda conhecidas, e as autoridades estão a investigar. Está descartada, no entanto, a possibilidade de se tratar de um ataque terrorista. Além disso, segundo a informação avançada pelo procurador, o agressor não estava sob a influência de "drogas ou álcool" no momento do ataque.


Segundo as autoridades francesas, este homem está agora a ser acusado do crime de tentativa de homicídio.


 


Fontes:


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/ataque-com-faca-em-parque-infantil-abala-franca-atacante-foi-rapidamente-preso-pela-policia


https://www.publico.pt/2023/06/08/mundo/noticia/oito-criancas-adulto-feridos-ataque-faca-franca-2052644


https://www.bfmtv.com/police-justice/enfants-blesses-a-annecy-ce-que-l-on-sait-de-l-attaque-au-couteau_AV-202306080448.html


 


 


 

06/06/2023

Ataque a barragem na Ucrânia


Das duas partes em conflito, a quem beneficiaria a destruição da barragem de Kakhovka, na área ocupada pela Rússia no sul da Ucrânia? Moscovo e Kiev acusam-se mutuamente sobre os danos na barragem situada na margem oriental do rio Dniepre, numa zona ocupada pelas forças russas.




A empresa pública hidroelétrica ucraniana Ukrhidroenergo disse que os danos ocorridos hoje na barragem de Kakhovka são irreparáveis e foram causados por "uma detonação no interior da sala das máquinas" da estrutura situada no rio Dniepre, Kherson. 


Dezenas de cidades estão inundadas e o impacto foi descrito como uma "catástrofe ambiental". Esta represa fornecia água para uma série de comunidades, assim como para a maior usina nuclear da Europa, localizada em Zaporizhzhia. A Administração Militar ucraniana estima que 16 mil pessoas possam ser diretamente afetadas. Ainda se está a investigar a extensão dos danos, bem como a velocidade e a quantidade de água que deverá afetar as áreas vizinhas.



A menos de 50 quilómetros rio abaixo da barragem fica a cidade de Kherson, e as autoridades dizem que a água que flui pelo rompimento na barragem está colocando em risco pelo menos 16 mil pessoas, muitas das quais foram evacuadas. Cem quilómetros rio acima da represa está o reservatório Kakhovka, que fornece água para resfriar os reatores da usina nuclear de Zaporizhzhia (que agora está nas mãos dos russos). O risco é que, se escoar muita água do reservatório pela barragem danificada, não vai sobrar o suficiente para resfriar os reatores da usina, o que pode resultar num colapso.



A inundação das terras levou à evacuação de tropas e civis para o leste, longe da cidade de Kherson e das margens do amplo rio Dnipro. Por outro lado, pode afetar o abastecimento de água potável à região da Crimeia, uma península árida que depende de água doce de um canal próximo à barragem rompida, que também está sob domínio russo. 



O Dnipro já era um rio largo quando chega ao sul da Ucrânia e atravessar uma brigada blindada, sob a artilharia russa, mísseis e drones seria extremamente perigoso. Com a barragem agora rompida e grandes extensões de terra a jusante inundadas, a área na margem esquerda (leste) oposta a Kherson tornou-se efetivamente uma área proibida para os blindados ucranianos.


Daquilo que se sabe, no passado, mais propriamente em agosto de 1941, as tropas soviéticas explodiram uma barragem no mesmo rio Dnipro para bloquear o avanço das tropas nazis, levando à morte de milhares de cidadãos soviéticos. Nessa ocasião, perante o avanço das tropas alemãs, os comandantes do exército soviético decidiram destruir as pontes e a represa de Zaporizhzhia para evitar que o inimigo atravessasse o Rio Dnipro. A população civil não foi avisada, ​​e os historiadores estimam que pelo menos 3 mil pessoas foram mortas.


Para mim, o ponto principal são as vítimas. Pessoas e animais que perderam a vida, em consequência da rápida subida das águas. Em qualquer dos casos, as vítimas estão praticamente abandonadas. Nenhum ataque a alvos civis, pode ter justificação. A Ucrânia e a Rússia tinham vindo a trocar acusações sobre alegados ataques à barragem e, em outubro, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, avisou que Moscovo tinha colocado explosivos na estrutura para causar uma inundação e dificultar o avanço das tropas ucranianas. As imagens em si, são já bastante sugestivas, dos danos causados.


 


Fontes:


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cxed53r1el5o


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c29z3n58wjwo


https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2023-06-06-Cidade-da-Ucrania-em-estado-de-emergencia-apos-ataque-a-barragem-e672e854


https://sicnoticias.pt/especiais/guerra-russia-ucrania/2023-06-06-UE-vai-discutir-apoio-a-Ucrania-apos-ataque-sem-precedentes-a-barragem-d8e005ac


 


 


 





 


05/06/2023

Agressões em escolas

Armas, sejam elas quais forem, são sempre um problema em escolas. Há diariamente um clima de instabilidade e de insegurança nas escolas que está a afetar alunos, funcionários e professores. Pelo mundo, os casos são vários...

Hoje falo aqui do caso de um homem com cerca de 30 anos, que saltou o gradeamento da Escola Secundária Ruy Luís Gomes, no Laranjeiro e entrou no recinto escolar, munido de uma faca. Ameaçou um funcionário que o abordou e provocou um corte ligeiro na mão de um aluno de 15 anos que o tentou conter. Entretanto, fugiu da escola mas acabou por ser detido, pelas 11h20m pelos polícias da Esquadra de Investigação Criminal de Almada, que recuperaram também a faca, que tinha sido deitada fora durante a fuga.

Segundo a PSP, o objetivo do homem quando entrou na escola era jogar à bola com os alunos. Ninguém no seu perfeito juízo entra numa escola para jogar à bola, armado com uma faca que rapidamente sacou para atacar. Esfaqueou um podia ter esfaqueado mais, o que nos leva a pensar como é que está a ser feita a segurança das nossas escolas. Este homem acabou acusado dos crimes de introdução em lugar vedado ao público, ameaças a funcionário e agressão com arma branca a um aluno e terá de comparecer na terça-feira no Tribunal de Almada, no distrito de Setúbal. Continua na minha cabeça que aquele homem entrou ali com um objetivo muito específico, com intenções de atacar alguém, mas que não conseguiu finalizar a sua intenção. Haverá  algum tipo de relação familiar deste homem com algum dos alunos desta escola, ou foi uma escolha aleatória? Estou curiosa sobre esse facto, porque me parece muito estranho.

Numa outra escola, em Felgueiras, um aluno de 16 anos atacou um professor de 46, batendo-lhe com um ferro na cabeça. O ataque aconteceu na manhã desta segunda-feira, dentro de uma sala de aula da Escola Básica 2,3 de Lagares. A agressão terá acontecido depois de uma chamada de atenção do professor ao aluno, por este ter tido um comportamento “impróprio” com um colega. Alertado que seria alvo de um processo disciplinar, o aluno saiu da sala e regressou no final com um ferro, com o qual agrediu o professor. A vítima foi transportada para o hospital de Penafiel, já depois das 10h00. Uma patrulha da GNR foi chamada à escola e localizou e identificou o estudante, que frequenta o ensino especial.  O tutor do jovem foi informado do caso, que foi remetido pela GNR ao Ministério Público.

Poderia aqui relatar vários casos, apenas deste ano, mas aproveito apenas para acrescentar ainda o caso de um aluno que devido a uma "brincadeira", foi severamente agredido e ficou com lesões graves. O rapaz de 13 anos, aluno na EB 2,3 de Alfena, em Valongo, foi agredido com violência por três colegas, acabando por ficar inconsciente. A agressão aconteceu na passada terça-feira, à hora do almoço, e o estudante agredido teve de ser transportado para o Hospital de S. João, no Porto. Aqui o que salta logo à vista é que a reação à suposta "brincadeira", não foi de um, mas de três.

Não sabemos o que se passou em concreto, mas logo à partida há aqui uma óbvia desvantagem. Outro fator é a falta de funcionários que consigam por fim a estas situações rapidamente. Quem conhece a realidade das escolas, sabe bem do que estou a falar. Há formação, mas ainda falta muita preparação para lidar com estas situações. E o pior é que muitas vezes, os agressores estão identificados por casos menos graves, mas espera-se que algo corra muito mal para colocá-los fora da escola. Terá sido o primeiro ataque destes alunos? Fica aqui a minha questão.

De acordo com o pai, Ricardo Sousa, o rapaz sofreu ferimentos sobretudo na zona da cabeça. "Tem a boca rebentada por dentro, partiram-lhe um dente e abalaram mais três. Fizeram-lhe uma TAC e detetaram uma lesão no cérebro. Ainda vai fazer mais exames para ver como evolui", referiu o encarregado de educação, que apresentou queixa na GNR. 

Tudo terá começado na cantina da escola, quando os alunos se preparavam para almoçar. O pai, conta como tudo se terá passado, de acordo com a versão do filho e de outros colegas que assistiram: "Foi uma brincadeira, em que supostamente o meu filho tirou o chapéu da cabeça de um amigo. Mas nada justifica tamanha violência; o miúdo foi brutalmente agredido" por colegas de "13, 14 e 15 anos", afirma Ricardo Sousa, referindo que o rapaz, que frequenta o 7.º ano, "levou chutos ou murros na cabeça e ficou inconsciente". Na sequência das agressões, o educando "nem sequer consegue comer ou falar", lamenta. Ricardo Sousa denunciou nas redes sociais as agressões de que o filho foi alvo, com o objetivo de lançar um alerta para situações análogas. "Quero alertar os outros pais, porque podia ser o filho de qualquer pessoa, e podia-se ter matado uma criança", diz, adiantando que foi informado que "os alunos foram suspensos" e que a escola "está a fazer averiguações internas". Nestes casos, mesmo que os danos não sejam tão graves como o deste aluno, os pais têm um papel preponderante, para que se acabe com estas situações. O problema aqui é mesmo manter a calma e não lhes dar um tratamento igual. 

Mas hoje as notícias referentes à violência e a ataques em escolas não se centram apenas em Portugal. No Afeganistão, país onde domina o regime Talibã, oitenta raparigas foram envenenadas em ataques a duas escolas. Até agora, não está claro quem é o culpado, quais são suas motivações, nem o possível tipo de veneno usado contra as crianças.

Fontes:

https://www.dn.pt/sociedade/homem-detido-depois-de-ter-entrado-numa-escola-em-almada-munido-de-uma-faca-16481816.html

https://sicnoticias.pt/pais/2023-06-05-Felgueiras-aluno-de-16-anos-ataca-professor-com-ferro-dentro-de-escola-33ea6faf

https://clubefmradio.com/noticia/1393484/professor-agredido-na-cabeca-por-aluno-em-escola

https://veja.abril.com.br/mundo/pelo-menos-80-meninas-foram-envenenadas-em-escolas-no-afeganistao

https://www.jn.pt/justica/aluno-de-13-anos-de-escola-de-alfena-foi-agredido-por-colegas-e-ficou-inconsciente--16459742.html

https://tvi.iol.pt/noticias/envenenamento/ataque/quase-80-raparigas-envenenadas-em-escolas-primarias-do-afeganistao/20230605/647dcf9ed34ef47b87549b0d

 

04/06/2023

Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão

Assinala-se hoje o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão. Na designação atribuída a este dia, até se podia suprimir o termo "inocentes", ou será que neste mundo, no meio de tantos conflitos, tantas guerras, há crianças culpadas? Pois, eu penso que culpados são os adultos e que as crianças ainda só deveriam estar naquele mundo de sonho e de esperança caraterístico da sua condição. Mas no mundo real, temos de ter um dia em que se fala de violência contra crianças, em que se alerte, se grite, se discuta sobre este tema e sobre o que fazer!


Violência contra crianças há no outro lado do mundo, mas também há na casa do lado. As crianças sofrem agressões físicas, devido à guerra mas também sofrem em tempo de paz nas escolas, em casa onde deviam ser protegidas ou nas instituições que as deviam acolher. As crianças são muitas vezes armas de arremesso entre pais que se divorciam, ou são alvos fáceis de fúrias acumuladas.


Foi proclamado o Dia Internacional das Crianças Inocentes Vítimas de Agressão através da Resolução ES-7/8 adotada na Assembleia Geral da ONU de 19 de agosto de 1982, com o objetivo de evidenciar e reconhecer a realidade em que tantas crianças têm que viver, desde contextos de guerra, violência sexual ou sequestro. 


As crianças são as mais afetadas pela guerra e respetivas consequências, dada a sua vulnerabilidade. Assim, é também um dia de consciencialização e reflexão dedicado à dor de todas as crianças vítimas de abusos físicos, mentais e emocionais. 


Esta data traduz o compromisso da ONU de proteger as crianças através da «Convenção dos Direitos da Criança». O tratado internacional de direitos humanos foi o mais ratificado da história. 


Em 2020, a APAV apoiou 1841 crianças e jovens, das quais 432 foram vítimas de violência sexual.


Podemos destacar diversos tipos de abuso, de entre os quais os casamentos forçados. Mais de um terço dos 15,4 milhões de vítimas de casamentos forçados tinha menos de 18 anos aquando do casamento, a maioria eram mulheres e meninas (84%). Estima-se que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje, se tenham casado quando eram ainda crianças e, até 2030, outros 150 milhões de meninas com menos de 18 anos se venham a casar nas mesmas condições.


Além disso, uma preferência extrema por filhos em vez de filhas em alguns países, alimentou a seleção de sexo ou a negligência extrema, resultando em 140 milhões de “mulheres desaparecidas”, que poderiam ter sobrevivido num mundo sem discriminação.


Pelo menos 19 práticas nocivas – que variam desde o achatamento dos seios até testes de virgindade – são consideradas violações dos direitos humanos, de acordo com o relatório do UNFPA. O relatório concentra-se nas três práticas mais comuns: mutilação genital feminina, casamento infantil e preferência por filhos homens. 


O que significa que, apesar de seus direitos humanos inerentes, o seu corpo, a sua vida e seu o futuro não lhes pertencem. A maioria das mulheres e meninas enfrenta muitas barreiras à igualdade em virtude da discriminação.


Vários tratados internacionais de direitos humanos e outros acordos, firmados por quase todos os países, exigem que os Estados atuem para impedir estas e outras práticas nocivas. A Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres, por exemplo, estipula a tomada de todas as medidas apropriadas a fim de eliminar preconceitos e práticas baseadas na discriminação de género.


O Programa de Ação da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento de 1994 reconhece explicitamente a mutilação genital feminina como uma violação dos direitos básicos que deve ser proibida onde quer que exista.


O que torna mais difícil acabar com estas práticas, é que na sua maioria são  realizadas por membros da família, comunidades religiosas, prestadores de serviços de saúde, empresas comerciais ou instituições do Estado.











Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-das-criancas-inocentes-vitimas-de-agressao


https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2745-4-de-junho-dia-internacional-das-criancas-inocentes-vitimas-de-agressao


https://www.acegis.com/2020/07/casamento-infantil-e-mutilacao-genital-praticas-nocivas-que-fazem-milhoes-de-vitimas/


https://news.un.org/pt/story/2021/06/1752452


 


 

03/06/2023

Pelo menos 60 crianças morreram num orfanato do Sudão

Cerca de dois meses depois do início da guerra no Sudão estima-se que mais de 1,65 milhões de pessoas tenham fugido para zonas mais seguras no interior do Sudão ou atravessado as suas fronteiras para os países vizinhos. O Egito tem sido um dos destinos. Outras permanecem encurraladas nas suas casas, incapazes de escapar, à medida que as reservas de alimentos e de água diminuem. Os confrontos também perturbaram o trabalho dos grupos humanitários.


Mais de 13,6 milhões de crianças necessitam urgentemente de ajuda. A ONU, insta os países vizinhos a manterem as suas fronteiras abertas para os que fogem da violência e instou todos os Estados a permitirem aos civis que fogem do Sudão acesso não discriminatório aos seus territórios e a suspenderem retornos forçados ao Sudão, inclusive de pessoas que já tiveram pedidos de asilo rejeitados.


A ONU tem vindo ainda a alertar para o agravamento da subnutrição no Sudão, especialmente em zonas como o Darfur Ocidental, Cordofão Ocidental, Nilo Azul, Mar Vermelho e Darfur do Norte. É no Darfur, região ocidental do Sudão, que a situação é considerada mais dramática, sobretudo porque que já tinha sido martirizada por anteriores conflitos e onde foram já foram pilhados vários comboios de ajuda humanitária.


Num orfanato localizado no Sudão, cerca de 60 crianças perderam a vida, a maioria por falta de comida e com febre. Só no fim de semana passado 26 perderam a vida, ao mesmo tempo que continuam os combates no exterior.


Num vídeo, onde se vêem corpos enrolados em panos brancos, os trabalhadores do orfanato, apelaram a uma deslocação rápida para fora da capital, por causa da guerra. 


A dimensão do sofrimento das crianças foi revelada através de entrevistas com mais de 12 médicos, voluntários, funcionários do setor da saúde e trabalhadores do orfanato Al-Mayqoma. A agência de notícias britânica Associated Press também analisou dezenas de documentos, imagens e vídeos que mostram a deterioração das condições nas instalações.


De acordo com as certidões de óbito, entre os mortos encontram-se bebés com apenas 3 meses, situação que gerou alarme e indignação nas redes sociais. Uma instituição de caridade local conseguiu entregar alimentos, medicamentos e leite em pó para bebés ao orfanato no domingo, com a ajuda da agência das Nações Unidas para a infância, a Unicef, e do Comité Internacional da Cruz Vermelha.


 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-06-02-Pelo-menos-60-criancas-morreram-num-orfanato-do-Sudao-por-falta-de-comida-751c1e26


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-05-09-Ja-fugiram-mais-de-700-mil-pessoas-do-Sudao-devido-aos-violentos-confrontos-26522269


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-05-05-Conflito-no-Sudao-pode-levar-25-milhoes-de-pessoas-a-sofrer-desnutricao-grave-f31cf3ea


https://www.jn.pt/mundo/pelo-menos-60-criancas-morreram-num-orfanato-do-sudao-por-falta-de-comida--16452987.html/


 


 

02/06/2023

Crianças vítimas de rapto e adotadas ilegalmente - a situação dos menores ucranianos

Esta quinta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fizeram um pedido à Rússia para repatriar as crianças ucranianas que alegadamente terão sido raptadas e a acabar com as "adoções expeditas", devolvendo-as. É que já não bastava a invasão, os crimes de guerra têm-se vindo a suceder e este é mais um entre tantos, que vitima, de forma diferente, bebés e crianças ao separá-los das suas famílias.


As Nações Unidas declararam que as acusações de rapto podem ser verdadeiras e que as forças russas enviaram crianças ucranianas para a Rússia para adoção. A 17 de março de 2023, as deportações levaram o Tribunal Penal Internacional a emitir um mandado de prisão para o presidente russo Vladimir Putin, bem como para Maria Lvova-Belova, comissária presidencial para os direitos da criança na Rússia. Em causa estarão milhares de crianças ucranianas institucionalizadas que foram transportadas à força para a Rússia ou para territórios ucranianos ocupados pelas tropas russas.


As acusações vão mais longe. Terá sido dito a estas crianças que os pais a abandonaram, terão sido estabelecidos acampamentos de verão para órfãos ucranianos e "educação patriótica". A isto chamam de "russificação", dando-lhes uma cidadania e pais russos,com o objetivo de apagar aquela que é a sua verdadeira identidade - ucraniana.


Maria Lvova-Belova, já tinha dito que estava disposta a devolver à Ucrânia crianças deportadas, se as respetivas famílias o solicitassem. Disse aos pais que bastava escreverem-lhe um email. o Conselho dos Direitos Humanos da ONU já tinha também exigido à Rússia que autorizasse organizações internacionais a visitar as crianças e outros civis "deportados à força" da Ucrânia para territórios controlados por Moscovo.


Daqui a poucos anos, algumas destas crianças, as mais pequeninas e que ainda não têm memórias formadas, não se lembrarão das suas veradeiras origens. 


O conflito está a ter consequências físicas e psicológicas devastadoras para milhões de crianças -- tanto as que fugiram do país para se refugiarem do conflito, como as que permanecem no país e que diariamente são confrontadas com bombardeamentos e, em algumas regiões, a ocupação russa.


Os primeiros relatos de deportações forçadas para a Rússia surgiram em meados de março de 2022, durante o Cerco de Mariupol. No entanto, a Rússia começou a transferir crianças de territórios ucranianos já em 2014, o que faz com que o problema não seja novo e se torne cada vez mais difícil de resolver.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sequestros_de_crian%C3%A7as_na_invas%C3%A3o_da_Ucr%C3%A2nia_pela_R%C3%BAssia


https://www.dn.pt/internacional/ue-e-zelensky-apelaram-a-russia-que-devolvam-as-criancas-raptadas-16457891.html


https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2023/04/05/russia-acusa-portugal-e-outros-paises-de-tirarem-criancas-ucranianas-as-maes/326608/


https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2023/04/04/russia-diz-que-devolvera-criancas-deportadas-se-familias-pedirem/326511/


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...