14/07/2021

Mortes no Mediterrâneo - crise humanitária

Entre janeiro e junho desde ano, pelo menos 1146 pessoas morreram afogadas no Mar Mediterrâneo, enquanto faziam a travessia rumo à Europa. Este levantamento mostra a situação atual em algumas das rotas marítimas mais perigosas do mundo, tendo-se ainda registado uma subida de 58% no primeiro semestre deste ano, no total de migrantes que tentaram chegar à Europa pelo mar. 

O diretor-geral da agência pede aos países que “tomem, com urgência, medidas para proteger os migrantes e reduzir o número de fatalidades." Este aumento das mortes poderá estar relacionado com operações insuficientes de busca e regaste, tanto no Mediterrâneo quanto na rota do Atlântico para as Ilhas Canárias. Apesar dos dados disponíveis serem já aterradores, várias ONGs reportaram casos de “naufrágios invisíveis”, que são situações “extremamente difíceis de serem confirmadas”, mas que indicam que o total de mortes no Mediterrâneo pode ser muito maior.  

Segundo a alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, “todos os anos, as pessoas se afogam porque a ajuda chega tarde demais ou nunca chega.” Bachelet contou que os resgatados são forçados a esperar dias ou semanas para desembarca com segurança, mas muitas vezes são retornados à Líbia, onde não estão seguros, por causa da violência.  

De acordo com o relatório, as falhas são “uma consequência de decisões políticas e práticas concretas” de autoridades líbias, dos Estados-membros da União Europeia e de atores para criar um ambiente que põe a dignidade e os direitos humanos. Enquanto que os países da União Europeia reduziram significativamente as suas operações de busca e salvamento, ao mesmo tempo, ONG's humanitárias foram impedidas de resgatar os migrantes. 

O caso da Líbia é chocante. Em 2020, pelo menos 10.352 migrantes foram interceptados pela Guarda Costeira da Líbia no mar e reconduzidos ao país, em comparação com 8.403 em 2019. Entre janeiro e maio deste ano, foram menos 632 mortes que em igual período do ano passado. Com a pandemia, alguns migrantes resgatados tiveram que fazer a quarentena a bordo dos navios. Ao serem libertados, depararam-se com falta de condições de recepção e com o risco de detenção prolongada. 

Fontes:

https://news.un.org/pt/story/2021/07/1756692

https://news.un.org/pt/story/2021/05/1751832


 

13/07/2021

Saudade

Há muita coisa em mim que era dela, umas que faço questão de manter, outras que não me agradam assim tanto ter herdado. Herdei os problemas de pele, a propensão a uma osteoporose precoce e se calhar a outras coisas que não quero nem saber. Herdei também a teimosia, o péssimo feitio quando me pisam os calos e a incapacidade de ficar calada quando me apetece mandar alguém para o alto do mastro.


Não preciso de saber quantos anos se passaram para saber que é como se fosse ontem. Ainda acordo a pensar em coisas que tenho de lhe contar, para perceber rapidamente que não o vou poder fazer. Nos meus sonhos, ela está muitas vezes presente, conhece o meu filho, sabe das coisas da minha vida. Em pensamento é a minha confidente. Atenção que eu não acredito em nada dessas coisas da vida depois da morte, nem acredito que me oiça, ou que me ajude a tomar decisões. Acho é que a memória que tenho dela e da sua presença é tão forte que me acompanhará sempre. 


Se fosse viva, hoje festejaríamos  os seus 61 anos. 

12/07/2021

Férias - e o que sofro a trabalhar enquanto eles se divertem!

Ir à praia com crianças é, para mim e para mais algumas pessoas, um drama! Chego a casa, em ponto de "não me toquem nem com uma pluma!"


Adoro praia mas passar o dia a contar cabeças - ou melhor chapéuzinhos iguais, torna-se mais do que cansativo, num stress diária. E isso porque o meu sentido de responsabilidade triplica, ou quadriplica nestes dias. A praia está cheia de gente e todos os cuidados são poucos. Começa logo nos dias anteriores com toda a preparação necessária para a própria viagem - seja para a praia, para a piscina, para uma visita a um museu... as carrinhas tem de estar impecáveis - regras, mecânica, cintos, banquinhos! Não sendo eu a responsável neste campo, o facto de ser uma das motoristas faz com que tenha de ter alguns cuidados, em especial, quando as crianças entram e saem, na viagem em si, no caminho escolhido, nos horários, engtre outras coisas...


E não se fica por aqui. Um diz que "no carro do pai já não usa o banquinho", o outro não quer ir na primeira volta e outros vão o caminho a bater com os pés no meu banco e a gritar! Ai que bom que é levar os meninos para a praia!


O trânsito? Tranquilo, primeira volta. Um pouco mais difícil, na segunda volta... na terceira já fico com cãibras de estar no pára arranca e tenho de parar para esticar as pernas, enquanto eles estão ansiosos para ir a banhos! Será óbvio que nem sempre as entidades patronais entendam - uns percebem isso, outros não, as dores não estão na cara. No primeiro dia, até se aguenta, mas depois, no segundo, terceiro, o corpo está rígido, tenho espasmos musculares, dormência durante a condução. Mas é tão bom ir para a piscina quatro semanas seguidas! É bom mas não é para mim... 


Se me posso negar, até podia, mas a recibos... ou faço ou salto fora da equipa. Adoro a parte d ensinar, de brincar, de corrigir trabalhos, de fazer projetos, de meter as mãos no barro... mas detesto as idas à praia! Please! Que este verão acabe rápido!!!


 

01/07/2021

Afetações e limitações de circulação

Os casos estão a aumentar muito no Seixal e em Sesimbra. Infelizmente, estas regiões têm sido notícia quase todos os dias, expondo-se as nossas gentes ao olhar inquiridor e maldoso de tanta gente.


Hoje em comunicado do Conselho de Ministros, Seixal e Sesimbra são aplicadas as medidas de Risco muito elevado, o que significa entre outras coisas que voltamos a estar confinados das 23h00m às 05h00m. Todas estas medidas são necessárias, embora me incomodem a mim como incomodam muita gente.


A minha vida pessoal não devia estar dependente das medidas anunciadas nas notícias, mas está. Preciso saber diariamente o que se espera de mim, dos meus comportamentos, para saber até onde posso levar as minhas liberdades. Se saio, se vou, se não vou... 


Mas eu tento cumprir as medidas, sempre, pensando em mim e nos outros. Não me sinto com medo, mas acho que se não cumprirmos, não estamos a respeitar o trabalho duro das equipas hospitalares. É tão difícil o seu trabalho.


 


Fontes:


https://www.portugal.gov.pt/pt/gc22/governo/comunicado-de-conselho-de-ministros?i=429

26/06/2021

A luta não termina

Tem sido difícil passar com distinção por este maldito vírus, cumprindo tudo o que nos é imposto mais pela vontade de ajudar e ser parte da solução, do que por medidas e regras que na prática nem todos cumprem.


Esta semana, a turma do meu filho foi colocada em isolamento porque houve um caso positivo. Sou sincera quando afirmo que há muito aguardava que isto acontecesse e que se tivessem passado tantos meses até ao primeiro caso positivo. Aconteceu e ninguém teve culpa, nenhum de nós estava livre (ou está) de contrair e transmitir o vírus.


Estamos na reta final para acabar o ano letivo. Quando falta tão pouco, parece que a sensação é de uma injustiça ainda maior.  O sentimento é de apoio, de compreensão e de ajuda na tentativa de manter todas as crianças bem, naquilo que nos for possível, para que ainda possam regressar daqui a uns dias e se depedirem uns dos outros antes das férias de verão.


No próprio dia, assim que soube, fui comprar dois daqueles testes rápidos da farmácia e hoje o resultado do teste "oficial" confirmou que ele está negativo, e isso traz-nos esperança.


Principalmente, psicologicamente, está-me a afetar como mãe, pondo-me no lugar da mãe da criança que testou positivo. Se estou aflita com o meu e ele está otimo, como estará aquela família?


Eu estou a passar por isto com receio. Receio porque tenho de faltar a um trabalho que ainda há tão pouco tempo consegui, aflita de cada vez que penso que passados uns dias a comida vai começar a acabar e terei de sair de casa ou pedir a alguém que o faça por mim (posso, mas não me sinto confortável em o fazer, é um sentimento estranho, algo que me aprisiona e que não sei explicar).

19/06/2021

Faleceu o ator Carlos Miguel

Lembro-me do "Fininho" do concurso 1,2,3. Mas a sua carreira foi muito grande e rica! Tanto que fez pela nossa cultura e tão grande a sua luta. Trabalhou com a grande Laura Alves, com Vasco Santana, Raúl Solnado e tantos outros grandes figuras do teatro.

Achava-o engraçado. Nos meus tempos de criança, passava de certo mais tempo a brincar nas escadas da minha avó ou na praia, do que a ver televisão, mas ao jantar havia sempre uma televisão acesa, fosse nas notícias, fosse num concurso que passasse. Podia escrever muito sobre ele, mas será melhor ver a entrevista da própria boca, na Tarde é sua. 

entrevista tarde é sua carlos miguel

Lembro-me do "Homem mais belo do mundo", da revista "Lisboa, Tejo e Tudo", de César de Oliveira, Raul Solnado e Fialho Gouveia, em que ele participou, no Teatro ABC, em 1986, que não vi no original, mas vi várias vezes em repetições que iam sendo transmitidas na RTP.  A minha avó, fã de teatro de revista, tinha cassetes que ia gravando com transmissões televisivas de revista e que eu ia vendo sempre que ela me deixava.

O ator nascido a 11 de Junho de 1943, faleceu aos 77 anos, em Santarém.

O percurso de Carlos Miguel no teatro teve início em 1959, no Conservatório Nacional, em simultâneo com os seus primeiros trabalhos em palco, no Teatro da Trindade, num espetáculo de mímica, que também viria a estudar em Paris.

Na década de 1960, fez parte da Companhia Lírica e da Companhia de Teatro Popular, mas foi na Empresa Teatral José Miguel, que se manteve ativa durante cerca de 20 anos, que se estreou na revista. Foi em 1966, na produção "Mini saias", de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha.

O sucesso e a facilidade com que se adaptou ao modelo ditaram o seu futuro nas quatro décadas seguintes, durante as quais entrou em cerca de 200 peças, na maioria de revista, muitas delas 'produções-chave' da história do "teatro musical à portuguesa", como "O prato do dia", "Pimenta na língua", "Ora bolas p'ró Pagode" e "Cala-te boca!...", um desafio à censura dos últimos anos da ditadura.

Participou em teatro de revista como "Lisboa acordou", "Ó pá, pega na vassoura!", "Ó patêgo, olha o balão", "Vamos a votos", "Quem tem Ecu tem medo" e, mais tarde, o grande sucesso da sua carreira e talvez um dos últimos dos tempos em plenitude do Parque Mayer, "Lisboa, Tejo e tudo", uma produção da Empresa Carlos Santos.

O ator também entrou em comédias, como "Os porquinhos da Índia", "A cama dos comuns", "Que medo, senhor Alfredo!" e "Três na (mesma) cama. O seu nome era presença regular nas produções de teatro comercial, de empresários como Giuseppe Bastos e Vasco Morgado, interpretando sobretudo autores portugueses. Sucederam-se então, nos anos de 1980/1990, novos trabalhos em televisão, sempre em comédia - ou a fazer valer o seu jeito de comédia - em séries como "Eu Show Nico" e "Nico D'Obra", de Nicolau Breyner, "Trapos e Companhia", "Os Andrades", "Polícias", "Reformado e Mal Pago" e "Médico de Família".

Um cancro nas cordas vocais, em 1998, afastou-o da profissão e de Lisboa, onde nascera, para se fixar na aldeia do Granho, em Salvaterra de Magos. Como disse Carlos Miguel,  a importância estava na cultura: "É a alma das coisas, sem cultura não há futuro".

Fontes:

https://www.publico.pt/2021/06/19/culturaipsilon/noticia/morreu-carlos-miguel-actor-comedia-fininho-concurso-123-1967200

https://ionline.sapo.pt/artigo/738832/morreu-carlos-miguel-um-ator-tao-amado-e-depois-esquecido?seccao=Mais_i

https://tvi.iol.pt/atardeesua/videos/a-tarde-e-sua-carlos-miguel-o-fininho/543ff4d23004b8a32596eecf


 

14/06/2021

O atentado de Nice de 2016

O atentado ocorrido há 5 anos na cidade francesa de Nice deixou 86 mortos e 458 feridos. Por volta das 22h40 de 14 de julho de 2016, um camião de 19 toneladas com semirreboque invadiu a avenida marginal de Nice, onde se celebrava o Dia da Bastilha, no sul da França, atropelando indiscriminadamente todos quantos lá estavam nos festejos. Quinze menores e 33 estrangeiros estavam entre as vítimas do atentado que suscitou emoção a nível internacional.

 O ataque só terminou depois de uma troca de tiros com a polícia, que matou o condutor, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, um indivíduo de 31 anos de idade, de nacionalidade tunisína e que residia em França. O homem já tinha cadastro por violência doméstica. 

O clima foi de pânico, já que ninguém sabia se era um acidente ou se o motorista atingiu as pessoas deliberadamente. Várias delas entraram no mar para se proteger. Algumas testemunhas dizem que a polícia atirou contra o motorista para tentar impedir os atropelamentos. Alguns táxis que estavam na região transportaram gratuitamente as pessoas que tentavam deixar o local, logo depois do atentado.

A16 de julho de 2016, o Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, confirmando que o condutor do caminhão "era um dos soldados"  instruídos a cometer atentados terroristas contra países que participem de ações bélicas contra o grupo.

Este foi o terceiro ataque terrorista no país em apenas uma ano e meio, o que deiou a população muito insegura. Em 2020, depois de concluída a investigação, os juízes de instrução anunciaram que decidiram que os oito acusados iriam comparecer perante o tribunal, três dos quais por “associação criminosa terrorista”.

O Dia da Bastilha é um feriado francês que comemora, sempre a  14 de julho, a Tomada da Bastilha em 1789, evento decisivo para o início da Revolução Francesa. A bastilha era uma antiga fortaleza usada pela monarquia como prisão.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_de_julho_de_2016_em_Nice

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/veiculo-atinge-multidao-em-queima-de-fogos-do-14-de-julho-em-nice.html

https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2020/11/10/oito-pessoas-vao-a-julgamento-pelo-atentado-de-2016-com-camiao-em-nice/214345/

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...