26/06/2021

A luta não termina

Tem sido difícil passar com distinção por este maldito vírus, cumprindo tudo o que nos é imposto mais pela vontade de ajudar e ser parte da solução, do que por medidas e regras que na prática nem todos cumprem.


Esta semana, a turma do meu filho foi colocada em isolamento porque houve um caso positivo. Sou sincera quando afirmo que há muito aguardava que isto acontecesse e que se tivessem passado tantos meses até ao primeiro caso positivo. Aconteceu e ninguém teve culpa, nenhum de nós estava livre (ou está) de contrair e transmitir o vírus.


Estamos na reta final para acabar o ano letivo. Quando falta tão pouco, parece que a sensação é de uma injustiça ainda maior.  O sentimento é de apoio, de compreensão e de ajuda na tentativa de manter todas as crianças bem, naquilo que nos for possível, para que ainda possam regressar daqui a uns dias e se depedirem uns dos outros antes das férias de verão.


No próprio dia, assim que soube, fui comprar dois daqueles testes rápidos da farmácia e hoje o resultado do teste "oficial" confirmou que ele está negativo, e isso traz-nos esperança.


Principalmente, psicologicamente, está-me a afetar como mãe, pondo-me no lugar da mãe da criança que testou positivo. Se estou aflita com o meu e ele está otimo, como estará aquela família?


Eu estou a passar por isto com receio. Receio porque tenho de faltar a um trabalho que ainda há tão pouco tempo consegui, aflita de cada vez que penso que passados uns dias a comida vai começar a acabar e terei de sair de casa ou pedir a alguém que o faça por mim (posso, mas não me sinto confortável em o fazer, é um sentimento estranho, algo que me aprisiona e que não sei explicar).

19/06/2021

Faleceu o ator Carlos Miguel

Lembro-me do "Fininho" do concurso 1,2,3. Mas a sua carreira foi muito grande e rica! Tanto que fez pela nossa cultura e tão grande a sua luta. Trabalhou com a grande Laura Alves, com Vasco Santana, Raúl Solnado e tantos outros grandes figuras do teatro.

Achava-o engraçado. Nos meus tempos de criança, passava de certo mais tempo a brincar nas escadas da minha avó ou na praia, do que a ver televisão, mas ao jantar havia sempre uma televisão acesa, fosse nas notícias, fosse num concurso que passasse. Podia escrever muito sobre ele, mas será melhor ver a entrevista da própria boca, na Tarde é sua. 

entrevista tarde é sua carlos miguel

Lembro-me do "Homem mais belo do mundo", da revista "Lisboa, Tejo e Tudo", de César de Oliveira, Raul Solnado e Fialho Gouveia, em que ele participou, no Teatro ABC, em 1986, que não vi no original, mas vi várias vezes em repetições que iam sendo transmitidas na RTP.  A minha avó, fã de teatro de revista, tinha cassetes que ia gravando com transmissões televisivas de revista e que eu ia vendo sempre que ela me deixava.

O ator nascido a 11 de Junho de 1943, faleceu aos 77 anos, em Santarém.

O percurso de Carlos Miguel no teatro teve início em 1959, no Conservatório Nacional, em simultâneo com os seus primeiros trabalhos em palco, no Teatro da Trindade, num espetáculo de mímica, que também viria a estudar em Paris.

Na década de 1960, fez parte da Companhia Lírica e da Companhia de Teatro Popular, mas foi na Empresa Teatral José Miguel, que se manteve ativa durante cerca de 20 anos, que se estreou na revista. Foi em 1966, na produção "Mini saias", de Paulo da Fonseca, César de Oliveira e Rogério Bracinha.

O sucesso e a facilidade com que se adaptou ao modelo ditaram o seu futuro nas quatro décadas seguintes, durante as quais entrou em cerca de 200 peças, na maioria de revista, muitas delas 'produções-chave' da história do "teatro musical à portuguesa", como "O prato do dia", "Pimenta na língua", "Ora bolas p'ró Pagode" e "Cala-te boca!...", um desafio à censura dos últimos anos da ditadura.

Participou em teatro de revista como "Lisboa acordou", "Ó pá, pega na vassoura!", "Ó patêgo, olha o balão", "Vamos a votos", "Quem tem Ecu tem medo" e, mais tarde, o grande sucesso da sua carreira e talvez um dos últimos dos tempos em plenitude do Parque Mayer, "Lisboa, Tejo e tudo", uma produção da Empresa Carlos Santos.

O ator também entrou em comédias, como "Os porquinhos da Índia", "A cama dos comuns", "Que medo, senhor Alfredo!" e "Três na (mesma) cama. O seu nome era presença regular nas produções de teatro comercial, de empresários como Giuseppe Bastos e Vasco Morgado, interpretando sobretudo autores portugueses. Sucederam-se então, nos anos de 1980/1990, novos trabalhos em televisão, sempre em comédia - ou a fazer valer o seu jeito de comédia - em séries como "Eu Show Nico" e "Nico D'Obra", de Nicolau Breyner, "Trapos e Companhia", "Os Andrades", "Polícias", "Reformado e Mal Pago" e "Médico de Família".

Um cancro nas cordas vocais, em 1998, afastou-o da profissão e de Lisboa, onde nascera, para se fixar na aldeia do Granho, em Salvaterra de Magos. Como disse Carlos Miguel,  a importância estava na cultura: "É a alma das coisas, sem cultura não há futuro".

Fontes:

https://www.publico.pt/2021/06/19/culturaipsilon/noticia/morreu-carlos-miguel-actor-comedia-fininho-concurso-123-1967200

https://ionline.sapo.pt/artigo/738832/morreu-carlos-miguel-um-ator-tao-amado-e-depois-esquecido?seccao=Mais_i

https://tvi.iol.pt/atardeesua/videos/a-tarde-e-sua-carlos-miguel-o-fininho/543ff4d23004b8a32596eecf


 

14/06/2021

O atentado de Nice de 2016

O atentado ocorrido há 5 anos na cidade francesa de Nice deixou 86 mortos e 458 feridos. Por volta das 22h40 de 14 de julho de 2016, um camião de 19 toneladas com semirreboque invadiu a avenida marginal de Nice, onde se celebrava o Dia da Bastilha, no sul da França, atropelando indiscriminadamente todos quantos lá estavam nos festejos. Quinze menores e 33 estrangeiros estavam entre as vítimas do atentado que suscitou emoção a nível internacional.

 O ataque só terminou depois de uma troca de tiros com a polícia, que matou o condutor, Mohamed Lahouaiej-Bouhlel, um indivíduo de 31 anos de idade, de nacionalidade tunisína e que residia em França. O homem já tinha cadastro por violência doméstica. 

O clima foi de pânico, já que ninguém sabia se era um acidente ou se o motorista atingiu as pessoas deliberadamente. Várias delas entraram no mar para se proteger. Algumas testemunhas dizem que a polícia atirou contra o motorista para tentar impedir os atropelamentos. Alguns táxis que estavam na região transportaram gratuitamente as pessoas que tentavam deixar o local, logo depois do atentado.

A16 de julho de 2016, o Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado, confirmando que o condutor do caminhão "era um dos soldados"  instruídos a cometer atentados terroristas contra países que participem de ações bélicas contra o grupo.

Este foi o terceiro ataque terrorista no país em apenas uma ano e meio, o que deiou a população muito insegura. Em 2020, depois de concluída a investigação, os juízes de instrução anunciaram que decidiram que os oito acusados iriam comparecer perante o tribunal, três dos quais por “associação criminosa terrorista”.

O Dia da Bastilha é um feriado francês que comemora, sempre a  14 de julho, a Tomada da Bastilha em 1789, evento decisivo para o início da Revolução Francesa. A bastilha era uma antiga fortaleza usada pela monarquia como prisão.

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentado_de_julho_de_2016_em_Nice

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/07/veiculo-atinge-multidao-em-queima-de-fogos-do-14-de-julho-em-nice.html

https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2020/11/10/oito-pessoas-vao-a-julgamento-pelo-atentado-de-2016-com-camiao-em-nice/214345/

09/06/2021

1991 - 30 anos depois, "espreitamos" o vulcão das Filipinas

Fascinantes e assustadores, os vulcões fazem parte do dia a dia do planeta há bilhões de anos. Como outros fenómenos naturais, sua atividade por vezes é imprevisível e pode provocar grande destruição. Originalmente com 1,8 mil metros de altura, o Monte Pinatubo, nas Filipinas, ficou com 1,4 mil metros após a explosão ocorrida em 9 de junho de 1991. O cume do Monte explodiu como uma rolha, formando uma gigantesca cratera, sendo que se estima que o vulcão estivesse inativo há cerca de 600 anos.

Felizmente, os avanços registados até à época, permitiram que fosse feita uma comunicação prévia a respeito da iminência da erupção e assim os moradores do local puderam evacuar a tempo. Ainda assim, cerca de 800 pessoas acabaram por perder a vida. As gotas de chuva transformaram as cinzas em uma avalanche de lama que soterrou casas, pontes e povoados inteiros. Cerca de 80 mil hectares de solo fértil desapareceram. Mais de 600 mil pessoas perderam seus lares.

O material lançado na atmosfera circundou o globo em três semanas e cobriu 42% do planeta dois meses depois da erupção. O inverno extremamente rigoroso da Nova Zelândia em 1992, os violentos ciclones daquele ano, assim como as chuvas torrenciais que alagaram o oeste dos Estados Unidos em 1993 foram atribuídos aos efeitos atmosféricos ocasionados pelo Pinatubo.

Fontes:

https://olhardigital.com.br/2023/03/14/ciencia-e-espaco/conheca-as-5-maiores-erupcoes-vulcanicas-da-historia/

https://www.dw.com/pt-br/1991-erup%C3%A7%C3%A3o-do-pinatubo-traz-mortes-e-destrui%C3%A7%C3%A3o-%C3%A0s-filipinas/a-318985

 

01/06/2021

A caminho

Estou entre trilhos, com a saída de um trabalho e a caminho de outro. Será um salto no vazio, pois não sei o que me espera, mas não sou pessoa de sofrer com as perdas o suficiente para ficar enroscada sem avançar.


Eu já estava naquela fase em que cada dia se tornava um sacrifício sair de casa e entrar no carro. A ideia de poder mudar estava presente há muito tempo, mas tinha pena de abandonar o barco durante a pandemia. Então não é que me empurraram borda fora? Não há lá coisas estranhas, que nos acontecem? Feliz por não ter de ser eu a tomar a decisão e de magoar as outras pessoas, avancei em pouco mais de dois dias e amanhã começo numa nova morada.


Haverá sempre aquela incerteza, mas se aprendi algo nestes últimos meses, é que a Terra vai continuar a girar, esteja cá eu ou não e que se algo posso fazer para ficar melhor enquanto cá estiver, bolas, vou em frente!

30/05/2021

Acidente aéreo na Fonte da Telha em 1961

No meu Caderno, refiro-me por várias ocasiões a acidentes - descarrilamentos, desastres aéreos - e a fenómenos naturais, para que estes sejam lembrados e reflitamos sobre condições de segurança e a sua evolução ao longo dos anos. Desta vez, venho escrever sobre um avião que fazia a ligação Lisboa-Açores e que caiu ao mar na Fonte da Telha, concelho de Almada, a 30 de Maio de 1961.


Deste acidente, do qual eu não tinha ainda ouvido falar, morreram 61 pessoas, ou seja, a totalidade dos ocupantes. Segundo se escreveu sobre a época, depois deste acidente, formou-se uma comissão conjunta com Portugal e Holanda, que serviu para investigar as causas do acidente.




A viagem do Voo 897 teve início em Roma, as 20h09 min. do dia 30 de maio, e pousou em Madrid por volta das 22h29 min. Após breve escala em Madrid, o DC-8 partiria novamente do aeroporto de Barajas às 23h07 min, realizando uma nova pausa em Lisboa as 00h06 min. (UTC).


Durante a escala em Lisboa, a aeronave foi preparada para o início da travessia do Atlântico, onde pousaria em Santa Maria, Açores para ser reabastecida e voar diretamente para Caracas.


Ao descolar da pista 23 do aeroporto da Portela as 01h15 min. (UTC), o Douglas DC-8 Fridtjof Nansen (PH-DCL) transportava 47 passageiros e 14 tripulantes. Três minutos depois, a tripulação do Fridtjof Nansen trocaria breve comunicação com o controle de voo de Lisboa, informando teto de nuvens de 3700 pés e tempo chuvoso. Após trocar mais uma mensagem, o DC-8 iniciou mergulho em espiral de quase 90°, entrando em condição de perda de sustentação.


Quinze segundos antes de atingir o mar, o piloto- num esforço final- tentou corrigir a trajetória da aeronave, que cairia ao mar por volta da 1h20 min. (UTC), com um ângulo de inclinação de 25° e nariz para baixo. Ao embater no mar a grande velocidade, o DC-8 espalharia destroços e restos humanos por uma área de vários quilómetros ao longo da praia da Fonte da Telha.


As operações de resgate dos destroços durariam várias semanas e contaram com mergulhadores e navios das marinhas portuguesa e americana, incluindo o navio de resgate USS Petrel (ASR-14). Terminadas as operações, tinham conseguido a recuperação de cerca de 60% dos destroços da aeronave e restos humanos de cerca de 15 corpos.








 

 

Fontes:



 



28/05/2021

95 anos depois - Como foi o Golpe militar de 1926

O golpe de Estado de 28 de Maio de 1926 (também conhecido pelos seus executores por Revolução Nacional), foi um golpe de Estado protagonizado por militares e civis antiliberais que resultou na queda da Primeira República Portuguesa e na instauração da Segunda República Portuguesa.

Poderemos apontar várias razões para o descontentamento geral que levou a este golpe. Olhando uns anos mais atrás podemos constatar que no início da década de 1920, terminada a Grande Guerra, a instabilidade cresceu: para além dos governos se sucederem a um ritmo alucinante (foram 23 os ministérios entre 1920 e 1926), os atentados bombistas e a forte atividade anarco-sindicalista criavam no país um clima pré-insurrecional que fazia adivinhar um fim próximo para o regime. Greves e outras manifestações de insatisfação explodem no último período da 1.ª República em Portugal.

Passavam 11 anos da Implantação da República, a 19 de Outubro de 1921, quando, na sequência da demissão do governo presidido por Liberato Pinto, o protetor da Guarda Nacional Republicana (guarda pretoriana do regime), e a sua posterior condenação a um ano de detenção (confirmada a 10 de Setembro de 1921 pelo Conselho Superior de Disciplina do Exército), um conjunto de militares ligados àquela força policial, a que se juntaram militares do Exército e da Armada, se sublevou.

O resultado foi o assassinato levado a cabo por um grupo de marinheiros e arsenalistas sublevados de algumas das principais figuras da República, a que se deu o nome de Noite Sangrenta. A somar aos efeitos políticos e sociais da Noite Sangrenta, ao longo dos anos de 1924 e 1925 a crise agudiza-se, com um crescendo do sentimento de insegurança e da instabilidade política. Os atentados bombistas sucedem-se, com ataques que por vezes são semanais.

A precariedade e o aumento do custo de vida que afetava essencialmente o operariado, fortemente mobilizado pelas correntes anarco-sindicalistas, provoca manifestações, como a de 22 de Fevereiro de 1924, que frequentemente descambam em violência e confrontos, como os ocorridos nos Olivais, Lisboa, a 28 de maio daquele ano.

Os militares aviadores aquartelados na Amadora sublevam-se na noite de 3 para 4 de Junho de 1924, depois da demissão do respectivo comandante. São cercados por tropas de Queluz, mas só no dia 7 aceitam render-se, graças à ação do general Bernardo Faria que entra no campo, desarmado e acompanhado por oficiais de várias unidades militares.

No dia 14 de Julho registam-se confrontos entre militares, envolvendo o Exército e a Guarda Nacional Republicana, a que não estão alheias movimentações anarco-sindicalistas e de tendência fascista, anunciando o jornal A Época, a 13 de Agosto de 1924, nova tentativa golpista.

Aos 18 dias de Abril de 1925, dá-se nova revolta militar, desta feita de grande magnitude e envolvendo, pela primeira vez desde 1870, oficiais generais no ativo (envolveu pelo menos 61 oficiais). Dominado o golpe e, pelo menos momentaneamente, restaurada a legitimidade democrática, a 21 de Abril é exonerado o Ministro da Guerra Ernesto Maria Vieira da Rocha, que defendera que se parlamentasse com os revoltosos.

A partir deste momento a situação precipita-se e logo a 19 de Julho dá-se nova revolta, desta vez tendo à frente o comandante José Mendes Cabeçadas e Jaime Baptista. É decretado o estado de sítio. A muito custo a revolta é dominada por forças fiéis ao governo, comandadas por Agatão Lança, resultando um único ferido em combate (o capitão Armando Pinto Correia), sendo os implicados presos e julgados, mas rapidamente libertados e reintegrados, tal era a falta de autoridade das instituições da República.

As tentativas de golpe militar sucedem-se, e logo a 1 de Fevereiro de 1926, em Almada, nova tentativa, agora encabeçada por Martins Júnior e e pelo antigo Ministro da Instrução Pública Manuel de Lacerda de Almeida.

Os convites a Gomes da Costa para encabeçar a regeneração nacional já vinham do princípio do ano anterior e adivinha-se a sua presença crescente nas movimentações. Crescia o desejo de que ele fosse, finalmente, o chefe ansiado. O golpe, comandado pelo general Gomes da Costa, teve o seu início em Braga, mas rapidamente foi seguido em outras cidades como Porto, Lisboa, Évora, Coimbra e Santarém.

Em Lisboa, verdadeiro alvo do movimento, uma Junta de Salvação Pública lança um manifesto que Mendes Cabeçadas se apressa a entregar a Bernardino Machado, o cada vez mais isolado Presidente da República. No dia seguinte, a guarnição de Lisboa adere em massa ao golpe de Gomes da Costa, já sob a liderança de Mendes Cabeçadas, que com Armando Humberto da Gama Ochoa, Jaime Baptista e Carlos Vilhena formam a revolucionária Junta de Salvação Pública.

Nesse mesmo dia os sublevados obtêm o apoio de João Maria Ferreira do Amaral, o temido comandante da polícia da capital. Nessa tarde, isolado e sem meios ou vontade de resistência, o governo de António Maria da Silva apresenta a sua demissão a Bernardino Machado.

Consumada a demissão do governo, a 30 de Maio Bernardino Machado convida Mendes Cabeçadas a formar um novo governo.

Perante a estabilidade conseguida e ultrapassado o risco de confrontos, Gomes da Costa dá ordem a todas as forças militares golpistas disponíveis para avançarem sobre Lisboa. Estava concluída a fase militar do pronunciamento.

A 3 de Junho as tropas de Gomes da Costa chegaram a Sacavém de comboio e entraram em Lisboa sem sabotagens, nem resistência. Gomes da Costa prefere aguardar a formação de governo estável e a preparação de uma marcha triunfal antes de entrar em Lisboa e dirige-se para a Amadora, onde permanece com o seu estado-maior.

Entretanto, nesse mesmo dia 3 de Junho, em Lisboa Mendes Cabeçadas organiza o novo governo, entregando a Gomes da Costa as pastas da Guerra e interino da Marinha e Colónias. Para as Finanças escolhe António de Oliveira Salazar.

No dia 6 de Junho, chega o momento em que o general Gomes da Costa toma posse das pastas para que fora nomeado e comanda um impressionante desfile militar de vitória ao longo da Avenida da Liberdade. Desfilam 15 000 homens perante o aplauso de centenas de milhares de pessoas. Está terminada a marcha sobre Lisboa e o novo poder está completo nas suas vertentes militar e civil.

O novo poder assumiu-se como antiparlamentar, atribuindo as culpas do caos que se instalara no país à política partidária e ao jogo do parlamentarismo. Assim se declara a ditadura militar, que em pouco tempo se passou, em desafio claro ao parlamentarismo democrático, a autodenominar a Ditadura Nacional, encarnando um regime militar progressivamente mais autoritário.

Mais tarde, com a aprovação da Constituição de 1933, surge o Estado Novo, regime que se manteve no poder em Portugal até à Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974. 

Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Golpe_de_Estado_de_28_de_Maio_de_1926

https://ensina.rtp.pt/artigo/golpe-28-de-maio-1926/

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...