11/03/2021

Atentados em Espanha - 15 anos depois

Estavamos na manhã de 11 de março de 2004. Três dias depois, realizar-se-iam as eleições gerais espanholas. Tinha passado ainda pouco tempo desde o 11 de setembro e todas as ameaças eram tidas em conta e colocavam-nos em alerta. Em Portugal, ainda havia calma e uma certa tranquilidade, mas o facto de se darem ataques em Espanha e França, mexia bastante com o nosso sossego. Nesse dia, há 15 anos, a paz foi abalada por uma série de explosões em estações de comboio que lançaram o pânico.


Destas explosões resultaram 193 mortos e 2 050 feridos. As explosões ocorreram entre as 7h39m e as 7h42m da manhã nas estações de Atocha (onde deflagraram três bombas), El Pozo de Tío Raimundo (onde rebentaram duas bombas), Santa Eugenia (onde  rebentou uma bomba) e num comboio a caminho de Atocha (onde explodiram 4 engenhos explosivos). As forças de segurança encontraram mais três bombas, que segundo o ministro do Interior Ángel Acebes, estariam preparadas para explodir quando chegassem os primeiros socorros às vítimas.


Segundo as investigações decorrentes, os ataques terão sido cometidos por uma célula terrorista inspirada na Al-Qaeda, apesar de não se ter provado nenhuma participação direta do grupo extremista. Os explosivos terão sido vendidos por mineiros espanhóis, que foram entretando detidos.


Apesar de se ter inicialmente culpado a organização separatista basca Euskadi Ta Askatasuna - ETA, pelos ataques, veio depois a ser feita a ligação com a intervenção espanhola na Guerra do Iraque. Por outro lado, investigações posteriores vieram indicar que os atentados de 11 de março de 2004, foram idealizados em Karachi no final de 2001 como vingança pelo desmantelamento da célula que a Al Qaeda tinha estabelecido sete anos antes na Espanha, um grupo batizado de Abu Dahdah em alusão ao que foi seu líder desde 1995. 


Os atentados foram os piores ataques terroristas da história espanhola e da Europa. Foi o ataque que mais mortes causou no continente europeu desde o Atentado de Lockerbie, no Reino Unido, em 1988. 


Estes atentados têm características em comum com outros atentados da Al Qaeda e nessa mesma tarde do dia 11 de Março foi encontrada, na região de Madrid, uma cassete com orações em árabe numa carrinha com detonadores.


Ao seguir as pistas, a polícia conseguiu encontrar um imóvel no qual ao serem confrontados, sete dos terroristas que lá estavam, se suicidaram, detonando bombas e matando também um dos polícias. Nos destroços foi encontrado um vídeo contendo ameaças de novos ataques, que aconteceriam na Semana Santa.


Só em agosto de 2007, a Al-Qaeda declarou estar orgulhosa dos atentados realizados em Madrid.


O julgamento dos culpados, só se deu depois de 25 meses de investigações. Entre os principais condenados estão Jamal Zougam - que somou 42917 anos de prisão pela participação direta nos atentados - e o ex-mineiro José Emilio Suárez Trashorras, sentenciado a 34715 anos de prisão. Porém, o Código Penal espanhol prevê pena máxima apenas 30 anos. No decurso das investigações, fcou comprovado o envolvimento do GICM (Grupo Islâmico Combatente Marroquino), formado por combatentes veteranos do Afeganistão financiados por Bin Laden. A participação do ETA foi descartada.


Na estação de Atocha foi erguido em 2007, um monumento em homenagem às vítimas do 11 de Março. O edifício de aspecto futurista com onze metros de altura tem uma forma cilíndrica, sendo todo envidraçado o que lhe dá uma aparência translúcida. Segundo os seus autores o objectivo é que o monumento seja um“espaço imaterial de luz e silêncio. No interior do edifício e ao longo das paredes é possível ler as várias mensagens, deixadas há três anos na estação de Atocha, em homenagem às vítimas. Estes pequenos textos estão escritos em várias línguas e vão subindo em círculo ao longo da estrutura de vidro, que alterará as tonalidades de cor, consoante a luz exterior for mudando.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Atentados_de_11_de_mar%C3%A7o_de_2004_em_Madrid


https://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/terror-na-espanha-atentado-de-11-de-marco-completa-cinco-anos.htm


https://expresso.pt/actualidade/monumento-de-homenagem-as-vitimas-do-11m=f108995


 


 

08/03/2021

Dia da Mulher

Eu sou mulher e ter um dia que nos é dedicado a nós, faz-me muito orgulhosa. Mas eu nunca fiz nada para merecer este dia. Sou apenas eu, mãe e trabalhadora, que faço o que posso, mas nada de excecional.


Mas na minha vida tive e tenho mulheres excecionais. A minha mãe que já me deixou foi uma delas, uma lutadora até ao fim, sempre de cabeça erguida enfrentava o mundo. A mãe que nos trazia sempre limpas, arranjadas, mas que nos deixava brincar na terra, apanhar caracóis de chinelos e chegar a casa cheias de picos, ou subir às figueiras para roubar figos na Fonte de Carvalho. Que às 07h da manhã nos levava ainda ensonadas para a cozinha da Santa Casa, para ir trabalhar. A mãe que me levava à noite para o carnaval, que me ensinou como "sobreviver" à confusão e a amar aquela festa, desfilando comigo e com a minha irmã nos primeiros anos, na escola de samba "Juventude na Baía". Que me mostrou que podemos mentir mas só no dia das mentiras, que podemos fazer badalos no carnaval e colocar espuma de barbear em todos os carros da rua (incluindo no do meu pai, para os vizinhos não desconfiarem). Ainda me viu entrar para o meu curso, que sempre apoiou, mas que já não me viu completar o 1º ano, nem nunca chegou a andar de carro comigo. Na verdade, a minha primeira viagem a conduzir de carta acabadinha de tirar foi de minha casa para o IPO e nas (poucas) semanas seguintes era assim que treinava a condução, no carro do meu pai ou do meu tio, vingando "sozinha" nas rotundas de Lisboa, na auto estrada - nunca fui medrosa a conduzir.


Dela herdou a minha irmã muitas caraterísticas e por isso a admiro todos os dias mais, por estar sempre, sempre, pronta a ajudar. Mesmo nos piores momentos, levanta-se e parece um furacão enfrentando tudo e todos. Quase telepaticamente, dou-me a pensar em ligar para ela e está o telemóvel a tocar. Independente muito cedo, tal como eu, fez da raiva e da tristeza força, uma força imensa que leva tudo à frente se preciso for. E que me deu as meninas mais lindas do mundo que amo como se fossem minhas tanto como amo o meu filho.


E a minha avó, sem a qual nada disto teria sido possível. Pois foi ela que lutou com unhas e dentes por salvar os filhos e a si mesma, dando-lhes uma vida melhor, que enfrentou todos e depois, nos deu a nós tudo. A minha avó esteve sempre lá, a perda da sua menina fez-la sofrer até hoje e deixou marcas muito profundas, mas é aquela avó a quem recorremos quando precisamos de alguma coisa, que nos dá tanto sem "mostrar" que dá. 


A avó onde ficavamos o verão todo para podermos ir para a praia com os nossos primos e os nossos amigos. Que me deixava ler aqueles livros que estavam nas prateleiras e que ainda não eram para a minha idade. E que ensinou a ler, a escrever, a contar, somar multiplicar, dividir. Que me ia todos os dias levar o lanchinho ao portão da escola, a casa de quem eu ia almoçar e depois lanchar e às vezes onde eu ficava também para jantar ou dormir. 


Estas foram as mulheres que mais me influenciaram no meu crescimento. As que tenho em mente sempre que tenho de fazer uma escolha. As que moldaram a minha personalidade.

07/03/2021

RTP 64 anos

Hoje o meu post é dedeicado à história da Rádio e Televisão de Portugal que completa hoje 64 anos, mas o seu início vem de há oito décadas, começando de certa forma com a atividade da Emissora Nacional em 1935.


A Emissora Nacional contava com duas emissões diárias, uma à hora de almoço e outra ao serão.


A 16 de janeiro de 1956, na Presidência do Concelho de Ministros, é celebrado o primeiro contrato de concessão de Serviço Público de Televisão, assinado por Camilo de Mandonça (Presidente da Administração da RTP) e por Marcello Caetano (Ministro da Presidência e Ministro das Comunicações interino). A 4 de setembro de 1956 acontece a primeira emissão experimental na Feira Popular, na altura em Palhavã, Lisboa.


A Radiotelevisão Portuguesa começa a emitir a  7 de Março de 1957,  em abril de 1958, a Televisão cobria 44% do território nacional e chegava a cerca de 58% da população, só atingindo todo o país em meados dos anos 60.


Sabiam que... a RTP1 emite ainda hoje o programa de informação mais antigo de Portugal: o Telejornal. Foi para o ar pela 1ª vez a 19 de outubro de 1959. O primeiro diretor de programas foi Miguel Araújo.


Só a 25 de dezembro de 1968 começaram as emissões da RTP2.


A compra de televisores em Portugal aumentou muito após 1974 tendo em consequência disso, as audiências da RTP também aumentado bastante.


As primeiras emissões a cores, surgiram em 1976 com as eleições legislativas com recurso ao sistema SECAM.


As emissões a cores voltaram em 1979 com a transmissão dos jogos olímpicos mas só se tornaram regulares a partir de 7 de março de 1980.


No ano de 1990, a RTP1 mudou de nome passando a chamar-se "Canal 1", mas em 1996, regressou ao seu antigo nome "RTP1" para reforçar a identidade do serviço público frente às suas concorrentes privadas - SIC e TVI.


 


Parabéns RTP.

04/03/2021

Entre os rios, 20 anos depois


Há 20 anos, a 4 de março de 2001, num dia de muita chuva por todo o país, a Ponte Hintze Ribeiro, que ligava Entre-os-Rios a Castelo de Paiva, não aguentou e arrastou para o rio Douro três carros e um autocarro. Todos as 59 pessoas morreram. As buscas prolongaram-se durante semanas, mas ainda estão 36 corpos por encontrar. 


No plano político, Jorge Coelho, que era então ministro do ambiente, demitiu-se de imediato. Foram promovidos inquéritos pelo Governo e pela Assembleia da República, os quais vieram a atribuír o colapso da ponte a uma "conjugação de fatores", entre os quais a extração de inertes a montante de Entre-os-Rios.


No plano judicial, ninguém foi condenado pela tragédia, o que ainda hoje revolta os familiares das vítimas. O Governo "rapidamente" lançou um programa de obras de emergência em Castelo de Paiva, na altura contabilizado em 80 milhões de euros, incluindo a construção de duas novas pontes. Ainda há muito a fazer, volvidos 20 anos, em especial nas infraestruturas de apoio e acessos.


Em 2003, foi inaugurado um monumento em memória das vítimas mortais, em Castelo de Paiva, da autoria do arquiteto Henrique Coelho, designado "Anjo de Portugal", que tem na sua base inscritos os nomes das 59 pessoas que morreram no colapso da ponte.



03/03/2021

Maria José Valério

Hoje a cultura ficou mais pobre com a morte (pelas notícias que li terá sido mais uma vítima de Covid19) de Maria José Valério, que estaria internada desde 20 de Fevereiro no hospital de Santa Maria. A artista, cuja imagem de marca era a sua franja verde, notabilizou-se pela forte presença nos grandes palcos e, também, por ter sido a intérprete da "Marcha do Sporting". 


Maria José, nasceu a 6 de maio de 1933, na Amadora. 


Começou a cantar em 1950, no Liceu D. João de Castro, onde era colega da atriz Lurdes Norberto.


Frequentou o Curso de Direito mas a música era a sua paixão e com o apoio do seu tio, o maestro Frederico Valério, conseguiu passar nos testes necessários para começar a frequentar o Centro de Preparação de Artistas da Rádio, na então Emissora Nacional, ficando a fazer parte do elenco, com 17 anos apenas. Na verdade, este foi o ponto de partida de uma carreira que logo nos anos 50 viveu um período de grande sucesso, participando em vários espetáculos de variedades da mesma Emissora Nacional mas também nas emissões experimentais da RTP, feitas na Feira Popular, em Lisboa. 


Protagonizou outros êxitos como "Olha o Polícia Sinaleiro" e "As Carvoeiras". 


Também se destacou no cinema, com participação no filme "O Homem do Dia" (1958), de Henrique Campos e Teresita Miranda, protagonizado pelo ciclista Alves Barbosa.


Na década de 1960, foi eleita rainha da Rádio de Goa, território então sob administração portuguesa.


Em 1962, casou com o matador de touros José Trincheira, que marcou a atualidade da época, com transmissão em direto pela RTP. O casamento foi celebrado pelo então cardeal-patriarca de Lisboa, Manuel Cerejeira, na igreja do Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, tendo o Papa mandado tocar os sinos em Roma, em sinal de bênção.


A artista gravou, em homenagem ao marido, do qual se veio a separar, o 'pasodoble' "Trincheira", no qual exalta as suas qualidades toureiras. O toureiro despediu-se das arenas em 1989.


Nos anos 90, participou na série televisiva "Um Solar Alfacinha" ao lado de Deolinda Rodrigues, Pedro Pinheiro, Carlos Cabral, Natalina José e Natália de Sousa, entre outros.


Em 2000, participou na série televisiva "Casa da Saudade", de autoria de Filipe la Féria, tendo contracenado com Carmen Dolores, Anita Guerreiro, Virgílio Teixeira, Raul Solnado, João d'Ávila, Helena Rocha e Artur Agostinho, entre outros.


Em 2004, recebeu a Medalha de Mérito da Cidade de Lisboa, grau ouro. Em maio de 2009, o município da Amadora inaugurou um centro cultural com o seu nome, na freguesia da Venteira.


Em 2017, liderou, com o cantor António Calvário, o espetáculo "Do musical à revista".


Maria José Valério internada após cair em casa e perder os sentidos


O seu repertório, dividido entre o fado e a canção ligeira, inclui temas como "Cantarinhas", "Fado da Solidão", "Expedicionário", "Um Dia", "Casa Sombria", "Deixa Andar", "Férias em Lisboa", "Longos Dias", "Lisboa, Menina Vaidosa", "Nunca Mais", muitos da dupla de autores Eduardo Damas e Manuel Paião, que assinam também a "Marcha do Sporting". Pouco tempo depois de se ter estreado na vida artística, Maria José Valério apresentou-se ao vivo numa festa do Sporting Clube de Portugal, o Clube do seu coração, realizada no Pavilhão dos Desportos (agora Pavilhão Carlos Lopes).


 


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Jos%C3%A9_Val%C3%A9rio


https://www.wikisporting.com/index.php?title=Maria_Jos%C3%A9_Val%C3%A9rio


 

28/02/2021

A terra tremeu em 1969

Foram muitos os eventos sismográficos que afetaram o nosso país e um dos mais destruídores terá sido o sismo do século XVIII (1755). No entano, no século passado, ocorreram também outros eventos que alguns de vós se poderão ainda lembrar.


Em 1969, na noite de 28 de Fevereiro, entre as 03:41 e as 03:45, o país, em pânico, saiu para a rua meio despido ou em pijama. Portugal era assolado pelo maior tremor de terra desde o sismo de 1755. O sul, nomeadamente o Algarve, e a região de Lisboa foram as zonas mais atingidas pelo sismo de 7,9 na escala de Richter, que se fez sentir também em Espanha e Marrocos. Na zona de Lisboa, registaram-se intensidades um pouco mais baixas, mas mesmo assim bastante destruídoras.


Há registos que indicam 13 mortos no nosso país (duas em consequência direta do abalo e onze indiretas) e cerca de 58 feridos.


Muita gente passou a noite na rua, as pessoas ficaram pelos passeios, outros em bancos de jardim, embrulhados em cobertores, com medo de voltar para dentro de casa. O pânico voltou às 5:28, quando se sentiu uma réplica de pequena intensidade. Mas o medo levou a crer que era outra vez um abalo de grande intensidade. Entre 28 de fevereiro e 24 de março, registaram-se 47 réplicas.


O epicentro deu-se a cerca de 200km a sul de Vila do Bispo, no Algarve (vila onde nasceu o meu avô, "algarvio" de Sesimbra), localizando-se o epicentro no Banco de Gorringe.


Seguindo-se ao sismo, formou-se um tsunami (ou maremoto) que destruiu diversas localidades, entre as quais: Cascais, Cacilhas, Sesimbra, Lisboa, Faro, Lagos e, nas ilhas, Horta e Angra, entre outras. A onda formada teria tido cerca de 50 cm na sua origem e 44 nos seus extremos (em comparação a onde de 1755 teria tido 3.8 metros na sua origem).


O tsunami, provocou também muito medo, arrastou estruturas que já tinham sido destruídas pelo sismo alagaram casas e provocaram em algumas zonas o alagamento e desmoronamento de terras.


Portugal resistiria a um sismo como o de 1969? "Pessoas estão a comprar  gato por lebre ao preço do ouro" - RenascençaFoto: Centro Europeu de Riscos UrbanosImagens: Renascença.


 


Fontes:


https://rr.sapo.pt/2019/02/28/pais/portugal-resistiria-a-um-sismo-como-o-de-1969-pessoas-estao-a-comprar-gato-por-lebre-ao-preco-do-ouro/especial/142714/


https://docentes.fct.unl.pt/sites/default/files/cmcr/files/tsunamis-chastre_rodrigues.pdf


http://sismo1969.ipma.pt/


https://www.mun-setubal.pt/memorias-do-sismo-de-1969-em-exposicao/


https://www.dn.pt/dossiers/cidades/sismos/noticias/sismo-de-magnitude-60-foi-o-maior-desde-1969-video-1449732.html


 

22/02/2021

Um ano depois: ainda o bicho que nos destrói a vida

Há um ano, a Europa já sabia (parcialmente, é certo) da situação na China, mas não estava preparada para o que aí vinha. Em Portugal, ainda não tínhamos casos positivos, embora se começassem a testar casos suspeitos. 

Foi no último dia de 2019 que o gabinete da Organização Mundial de Saúde da China deu a notícia: mais de 20 pessoas foram diagnosticadas com uma pneumonia desconhecida em Wuhan, na província de Hubei, na China. No dia seguinte, foi encerrado um mercado da cidade. A suspeita vinha de lá. Todos os doentes tinham ligação ao local e os mesmos sintomas: febre, arrepios e dores no corpo. Dias depois, o número de casos subiu. A causa veio logo a seguir: um novo tipo de coronavírus. Sabe-se agora que é o SARS-CoV-2. Nos dias seguintes, o vírus alastrou para outras províncias chinesas e foram diagnosticados os primeiros casos fora da China. Primeiro na Tailândia, depois no Japão.

Segundo aquilo que a OMS apuraria depois, os primeiros casos na Europa registaram-se em Janeiro de 2020 em França, mas estudo posteriores demonstraram que o caso º 1 na Europa ocorreu na Alemanha. Itália, há um ano, debatia-se com o início da pandemia. Os casos começaram a aumentar substancialmente e a espalhar-se pelo resto da Europa. Ao mesmo tempo, nos EUA também se começa a assistir a um aumento do número de casos. O caos estava instalado e a partir daí, já todos sabemos o que aconteceu.

Em Portugal, a diretora-geral da Saúde falou pela primeira vez sobre o novo coronavírus a 15 de janeiro, quando a propagação em massa ainda não era uma hipótese. O surto estaria contido, segundo Graça Freitas. No entanto, continuavam a surgir novos casos noutros países além da China.

No dia 23, foi confirmado o primeiro caso de um português infetado: Adriano Maranhão, canalizador no navio Diamond Princess, atracado no porto de Yokohama, no Japão. Nesta altura, vários países confirmaram os primeiros infetados. Foram os casos da Grécia, Holanda, Paquistão e México. O aviso chegou da Organização Mundial de Saúde: o mundo tinha de se preparar para uma eventual pandemia. Dias depois, o nível de ameaça foi aumentado para "muito elevado". No dia 11 de março, foi declarado como uma pandemia.

As imagens dos hospitais de algumas cidades italianas, assustavam-me já nessa altura, embora por cá, não houvesse ainda uma grande preocupação. Há um ano, não sabíamos bem o que nos esperava - acho que um ano depois, ainda há muito que não sabemos. 

Temos de continuar na luta, especialmente na prevenção, pois a cura está ainda muito longe. Muito se conquistou, com danos diretos e colaterais que nos vão ainda afetar daqui a vários anos. O mundo sofreu um embate muito forte, mas somos fortes e vamos conseguir ultrapassar. Ainda vão haver muitas baixas desta guerra, poderão haver muitos portugueses a não conseguir sobreviver, a perder amigos, a sentir a saudade dos seus familiares, a perder os empregos... mas estarão cá os sobreviventes para levantar o país, a Europa e o Mundo, que nunca mais serão iguais.


Fontes:

https://media.noticiasaominuto.com/files/naom_6033c2269a881.pdf

https://crlisboa.org/wp/newsletter-tematica-covid-19/

https://sicnoticias.pt/especiais/coronavirus/2020-11-17-1-ano-de-Covid-19.-O-que-mudou-num-mundo-a-meio-gas

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...