15/02/2021

Ciclone de 1941

Passaram-se 80 anos que a dia 15 de Fevereiro de 1941, o país e em particular a vila de Sesimbra, da qual eu sou oriunda (saudades da minha terra natal) foram fustigados por um ciclone. Desde miúda que oiço falar deste evento, pelos meus avós que me diziam "isto? Isto não é nada! Não queiras saber como foi no ciclone. Tudo destruído." A verdade é que sempre quis saber. Tenho desde já a agradecer justamente, ao Museu Marítimo de Sesimbra, por partilhar este e outros factos da nossa amada vila, fazendo-nos recordar a força da qual os pexitos são feitos.


Este ciclone provocou a morte de quatro pessoas na vila de Sesimbra e a destruição de, aproximadamente, três centenas de embarcações. Os ventos podem ser considerados os mais violentos desde que há recolha de registos meteorológicos (finais do século XIX), tendo rondado os 130 km/hora.


Pode ser uma imagem de 1 pessoa e ao ar livre


A destruição causada pelo ciclone, pode ser vista em algumas das fotos que o próprio museu disponibiliza.

 

Pode ser uma imagem de ao ar livre

 

Nesta foto, podemos ver um grupo de homens (possivelmente todos pescadores, ou quase) a verificar os estragos nas embarcações arremessadas pelo mar e pelo vento contra as casas.

 

A história das gentes de Sesimbra, é um dos temas sobre os quais escrevo (só falta coragem de publicar alguma coisa, talvez um dia).

 

 

Fontes:

 




 

10/02/2021

Abraços virtuais

Sou mãe e educadora, adoro escrever, gosto muito de ler. Na minha vida passei por muitas coisas, conheci muitas pessoas que me enriqueceram e passei por várias situações que quis esquecer.


Neste momento, trabalho com crianças do 1º ciclo. Um desafio diário, que abracei há pouco mais de um ano e que me traz, todos os dias, uma enorme satisfação. Mas o desafio agora, é conseguir chegar-lhes todos os dias, recebê-los nos meus braços, acarinhá-los. E isso não é possível. Já no Centro, com as máscaras e o distanciamento tinham acabado os abraços e os beijos. Não podíamos. Era triste, mas havia sempre um bocadinho para conversar, para saber como tinha corrido o dia, para os escutar. Eu estou aqui, na mesma com toda a disponibilidade, e por isso às vezes é tão difícil terminarmos os trabalhos de casa! Não dá tempo, porque queremos conversar, trocar experiências, falar do que sonhamos e nos assustou. As minhas crianças (que são um pouquinho minhas, me desculpem os pais) estão a passar por situações difíceis. Estão fechadas em casa, sem os amigos. Começar um 1º ano traz marcas - que normalmente serão boas lembranças, os primeiros amigos, os primeiros professores, o dente que caiu, a bola que foi para o telhado... mas este ano? Este 1º ano, que memórias irá deixar nestes meninos? Quero tanto fazer a diferença, quero tanto dar-lhes boas memórias!


Ser professora, ser educadora, é isto, é proporcionar experiências, aprendizagens. E abraçá-los.


E no meio disto tudo, junto o ser mãe, o estar do outro lado, o "ouvir" as aulas do meu filho, os colegas que estão com ele desde a pré e que no 5º ano continuam juntos. E, confesso, quando os oiço, choro tantas vezes. Não consigo explicar porquê, mas tenho pena destes meninos, tenho pena do meu filho não estar a viver a sua passagem da infância para a adolescência com a devida liberdade. 

08/02/2021

O novo confinamento

Quando em Março do ano passado, o país "fechou" eu fui daquelas pessoas que achou a medida extremamente necessária para controlar a evolução da pandemia. Não sabíamos quanto tempo íriamos ficar fechados, nem o que iria acontecer quando se levantassem as medidas mais restritivas. 


No meu trabalho, ensino crianças de várias idades num centro educativo, consegui ficar em teletrabalho, aprendi a trabalhar com o Zoom, a descarregar livros de fichas para o computador, inscrevi-me em muitas plataformas dirigidas a pais e a professores. Fez-me crescer como profissional, abriu-me novos horizontes, fui "obrigada" a pensar o ensino de outra forma, para que os alunos se mantivessem ativos e interessados nas minhas aulas.


Digo-vos que o pior foi sentir-me impotente perante o avançar da pandemia, mas a esperança voltou com o desconfinamento, com o regresso das crianças para as férias (mesmo com todas as medidas de proteção e cuidados, conseguimos ter sempre diversão).


Neste momento, entramos num novo confinamento. Já sabemos que vai ser difícil. E só passaram alguns dias e já me sinto mais cansada do que se andasse a trabalhar fora. Era durante a viagem para lá e para cá, um momento em que a rádio é a minha companhia, que a minha cabeça tinha tempo para espairecer, pensar na vida. Tinha tempo de almoço, ia comer e ia caminhar na praia quando o tempo estava bom, ou ficava dentro do carro a ler um livro. Havia um sentimento de solidão mas não fazia mal porque me ocupava com coisas mais interessantes.


Em casa, por incrível que pareça, esse tempo desapareceu. Faço as mesmas horas on-line, mas o tempo de preparação, de organização de conteúdos, leva-me o resto do dia. Ao fim de 8, 9 horas no computador, só quero um banho e cama. Gostava de ir fazer uma caminhada, mesmo aqui à volta do prédio só para esticar as pernas, mas depois a inércia vence e visto o pijama em vez do fato de treino! Às vezes faço um pouco de ioga, faço alongamentos, (tenho fibromialgia e problemas de coluna, por isso fazer aulas com saltos por exemplo não consigo).


Com vocês, como é? Também sentem que o trabalho on-line é mais cansativo? 

03/02/2021

Adelaide João

Um surto de covid 19, na "Casa do artista" levou dos palcos a querida Adelaide João. Uma vida cheia de muitas outras vidas, as das personagens a que foi dando corpo ao longo de toda uma carreira.


Maria da Glória Pereira Silva, de nome artístico Adelaide João, nasceu em Lisboa em 27 de julho de 1921 e começou como atriz amadora no grupo de teatro da Philips.


A atriz iniciou-se pela mão do pai do ator Morais e Castro e foi buscar o nome profissional aos dois primeiros nomes da mãe e do pai.


Estudou no Conservatório Nacional e, em 1961, partiu para Paris para estudar teatro, com uma bolsa de estudo, tendo trabalhado com várias companhias francesas (obteve a carteira de atriz profissional em França). Chegou a ser dirigida por Ingrid Bergman.


Adelaide, integrou o elenco de "A intrusa", do dramaturgo belga Maurice Maeterlinck. Participou em "A Castro", de António Ferreira, em 1961, e em "Eva e Madalena", de Ângelo César, em 1962.


Em 1961, representou "O consultório", de Augusto Sobral, no Teatro Nacional D. Maria II, e, um ano depois, "A rapariga do bar", dirigida por Couto Viana, no Teatro da Trindade pela Companhia Nacional de Teatro.


Em 1965, Adelaide João, volta de vez a Portugal, voltando também para a televisão e integrando a Companhia do Teatro Estúdio de Lisboa, dirigida por Helena Félix e Luzia Maria Martins.


Nos anos seguintes, integrou companhias como o Teatro Experimental de Cascais, Teatro Maria Matos, Casa da Comédia, Empresa Vasco Morgado ou O Bando, de que era cooperante.


No teatro O Bando fez parte do elenco de peças como "Ensaio sobre a cegueira", de José Saramago, e "Os anjos", de Teolinda Gersão, entre outras.


O seu trabalho na televisão repartiu-se por séries, telenovelas, telefilmes e teatro televisivo.


Participou também nas peças "O fidalgo aprendiz", de Francisco Manuel de Melo, "A sapateira prodigiosa", de Federico García Lorca, "A vida do grande D. Quixote", de António José da Silva, "Schweik na Segunda Guerra Mundial", de Brecht.


Integrou o elenco de telenovelas como "Vila Faia" (1982), "Origens" (1983), "Chuva na areia" (1985), "Palavras cruzadas" (1987), "Nunca digas adeus" (2001) e "Tudo por amor" (2002).


Em filmes, a atriz desempenhou papéis em "Os gatos não têm vertigens", de António-Pedro Vasconcelos, "A última dança", "A mulher que acreditava ser presidente dos Estados Unidos", de João Botelho, "Telefona-me" e "A estreia", de Frederico Corado, "O processo do rei" e "O fim do mundo", de João Mário Grilo, "Francisca", "manhã submersa" e "Amor de perdição", de Manoel de Oliveira.


O último trabalho de Adelaide João na televisão data de 2014 na série televisiva "The Coffee Shop Series", cuja primeira temporada foi transmitida na SIC Radical e, a segunda, na RTP 2.


Resultado de imagem para morre atriz adelaide


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Adelaide_Jo%C3%A3o


https://mag.sapo.pt/tv/atualidade-tv/artigos/covid-19-morreu-a-atriz-adelaide-joao-aos-99-anos


 

02/02/2021

Cecília Guimarães

28/05/1927 - 02/02/2021


Conhecia a cara, não sabia o nome. Tanto assim é, com outros atores e atrizes. Admirava muito o seu trabalho. Os atores como ela, que nos deixam, ficam sempre gravados e podemos revivê-los uma e outra vez, quando temos saudades. Recentemente participou na telenovela, “A Única Mulher” como Filomena (elenco adicional) que está agora a ser retransmitida na Tvi. 


A atriz estava na "Casa do Artista" depois de uma carreira de 70 anos em televisão e teatro. Aqui fica um pouquinho dessa história:


Cecília Guimarães fez o curso do Conservatório Nacional e estreou-se com "A qualquer hora o diabo vem", de Pedro Bom, no Teatro da Rua da Fé (1951).


Passou pela Companhia Alves da Cunha e pelo Teatro do Gerifalto. Ainda na década de 1950, foi trabalhar para o escritório da Fábrica de Condutores Eléctricos Diogo d'Avila, tendo sido convidada por António Lopes Ribeiro para participar no filme "O primo Basílio", com o qual foi distinguida com o prémio para Melhor Actriz, pelo Secretariado Nacional de Informação (SNI). Foi também vencedora do Prémio Garrett, pelo seu desempenho em "Felicidade e erva-doce", de Peter Schaeffer, pela Companhia de Teatro de Almada, em 1990.


Cecília Guimarães foi uma das atrizes pioneiras na televisão, interpretando várias peças de teatro televisivo. Participou em filmes como "As Horas de Maria" (1979), "Francisca" (1981), "O Lugar do Morto" (1984), "A Filha" (2003), "Axils" (2016), "A Canção de Lisboa" (2016) e "Olga Drummond" (2018). Participou ainda em “O Princípio da Incerteza”, de Manoel de Oliveira, e, na televisão, desempenhou papéis que iam do drama, como na adaptação de “Harpa de Ervas”, de Truman Capote, à comédia mais recente, como “Milionários à Força”. 


Em televisão participou também em "A Mala de Cartão" (1988), "A Morgadinha dos Canaviais" (1990), "Cluedo" (1995), "Filhos do Vento"(1997), "Casa da Saudade"(2000), "Estação da Minha Vida" (2001) e "Hotel Cinco Estrelas" (2013).


Mais um grande atriz que nos deixa. Este ano tem sido terrível e ainda agora começou.


Imagem Diário da República.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Guimar%C3%A3es


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/cecilia-guimaraes-a-atriz-que-deu-vida-aos-grandes-dramaturgos


 

31/01/2021

António Cordeiro

Faria todo o sentido falar deles em vida, os que nos deixam memórias. Nas últimas entrevistas que deu (por exemplo no programa Alta definição, na Sic) António Cordeiro manifestou o sentimento de abandono e o desejo de voltar a trabalhar, mesmo sofrendo de paralisia supranuclear progressiva, uma doença rara, degenerativa, que o estava a afetar de forma galopante e bem visível.


Estreou-se em 1987, na série "Duarte e Companhia" no papel de um psiquiatra. Tornou-se especialmente conhecido do grande público em 1991, quando protagonizou a série policial "Claxon" onde foi detetive.


A última novela em que participou foi em "Espelho de água" na Sic, em 2018, mas teve papéis também em "Coração de Ouro", "Mar salgado", "Laços de Sangue" e "Perfeito Coração" entre outras. Na "Ilha dos Amores" foi o Inspetor Resendes e no "Triângulo Jota" o detetive Anacleto. Também na 3ª série dos "Morangos com Açucar" o vimos representar.


No cinema, participou em filmes como "O processo do Rei" (1990), "Os Olhos da Asia" (1996)e mais recentemente em "Índice Médio de Felicidade" (2017) ano em que foi diagnosticado com paralisia supranuclear progressiva, doença rara e degenerativa que o foi privando da fala e dos movimentos até estar confinando a uma cama.


Morreu a 30 de janeiro de 2021, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, com apenas 61 anos.



Imagem: <a href="//pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Ant%C3%B3nio_Cordeiro.jpg" title="Conteúdo restrito">Conteúdo restrito</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/w/index.php?curid=6479335">Hiperligação</a>


 


Fontes:


https://www.dn.pt/cultura/morreu-o-ator-antonio-cordeiro-que-a-televisao-revelou-como-detetive-claxon-13297816.html


https://expresso.pt/cultura/2021-01-30-Morreu-o-ator-Antonio-Cordeiro


 

22/01/2021

60 anos depois do Ataque ao Santa Maria

1961 está marcado como o ano de início da guerra colonial, que deflagou primeiramente no território angolano, mas também como o ano de início da tentativa de derrube do Estado-Novo, devido à insatisfação da população e pela falta de liberdade.


O golpe de estado que deu início à tentativa de derrubar o governo de Salazar, ocorreu na madrugada de 22 de janeiro de 1961 por um grupo de 23 homens, entre portugueses e espanhóis, que faziam parte do Directório Revolucionário Ibérico da Libertação (DRIL). O seu líder, era o capitão Henrique Galvão. O paquete foi tomado quando navegava no Mar das Caraíbas com 600 passageiros a bordo, naquela que ficou conhecida como "Operação Dulcineia".


Este assalto ao paquete da Companhia Colonial de Navegação, foi encarado como "um significativo ataque à soberania do país", enquanto a tripulação era apresentada como "heroína" pela forma como tentou resistir ao assalto.


Depois da sua tomada, os assaltantes levaram o navio para a pequena ilha inglesa de Santa Lúcia para desembarcarem alguns dos feridos .


Alguns navios de guerra norte-americanos e ingleses, além de aviões holandeses, ajudaram nas buscas pelo navio, mas este só acabou libertado a meio do mês de fevereiro.


Este crime, foi considerado na Assembleia Nacional como tendo sido um "crime de lesa-Pátria".

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...