15/08/2020

70 anos depois do sismo do Tibete

A 15 de agosto de 1950, o estado de Assam na Índia e a zona do Tibete foi devastada por um poderoso sismo, com uma magnitude de 8.6 na Escala de Richter. Este sismo provocou a morte a mais de 1500 pessoas do estado indiano de Assam e da região asiática de Tibete, onde cerca de 70 aldeias desapareceram por completo. Oito dias depois do sismo, o rio de Subansiri transbordou e deu origem a uma queda de água de sete metros para cima das aldeias vizinhas.


O número total de mortos é provavelmente maior. Enquanto o terremoto em si é conhecido como temores de Assam, acredita-se que o epicentro pode ter sido no Tibet.


Por aquilo que se sabe, a maioria das vítimas e grande parte dos danos terá sido causado pelos tsunamis que atingiram a costa desde o Chile a partir de Lebu a Puerto Aisen e em muitas áreas do Oceano Pacífico. Puerto Saavedra foi completamente destruída pelas ondas que atingiram alturas de 11,5 metros e levou consigo os restos das casas do interior que ainda restavam após o abalo.


O epicentro ter-se-á localizado em Rima, no Tibete. É o sismo mais forte registado em terra (fora dos oceanos e mares) e o décimo sismo maior do século XX. Também é o maior sismo conhecido que não foi causado por uma placa oceânica de subdução, pelo contrário, este foi causado por duas placas continentais convergentes.


 


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/os-dez-maiores-sismos-de-sempre=f921928


https://meioambiente.culturamix.com/natureza/maiores-terremotos-de-todos-os-tempos?utm_content=cmp-true


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_de_Ass%C3%A3o_de_1950


 

07/08/2020

Fernanda Lapa

Fernanda Lapa, atriz e encenadora portuguesa, deixou-nos ontem com 77 anos.


Nascida na Junqueira, em Lisboa, em maio de 1943, fez os seus estudos no Colégio de Santa Maria de Belém.  Em 1962 passou pelo Teatro dos Alunos Universitários de Lisboa (TAUL), integrando no ano seguinte o núcleo fundador da "Casa da Comédia", companhia de vanguarda na década de 60 em Portugal, ao lado de Fernando Amado, Maria do Céu Guerra, Manuela de Freitas, Norberto Barroca e outros jovens artistas.


Foi na "Casa da Comédia" que se estreou como atriz na peça de Almada Negreiros "Deseja-se Mulher", em 1963. E foi com essa mesma peça que se estreou como encenadora, também na "Casa da Comédia", em 1972, dirigindo a sua irmã São José Lapa.


Ao longo de quase 60 anos de vida profissional, Fernanda Lapa tornou-se uma figura de referência pela visão inovadora que trouxe para o teatro. Influenciou gerações de artistas e manteve uma atividade cívica constante na defesa de direitos das mulheres e na reivindicação de condições de trabalho para os criadores portugueses. No auge da sua luta, fundou a "Escola das Mulheres", em 1995 com Isabel Medina, Cucha Carvalheiro, Cristina Carvalhal, Aida Soutullo, Conceição Cabrita e Marta Lapa.


Do seu percurso conta-se o curso de assistente social no Instituto Superior de Serviço Social eo trabalho que desempenhou durante uma década na reabilitação de cegos na Fundação Sain.


Em 1979 conseguiu uma bolsa da Secretaria de Estado da Cultura, que a levou para Varsóvia, a fim de frequentar a Escola Superior de Encenação. Nesta escola diplomou-se em Encenação, realizando em seguida estágios no Teatro Laboratório de Grotowski, no Teatro Contemporâneo de Wroclaw e no Teatro Stary de Cracóvia.


Encenou espetáculos de teatro, teatro-dança e ópera. Desenvolveu também outras atividades pedagógicas na área do teatro e do cinema, ao mesmo tempo que se destacava como atriz em teatro, televisão e cinema.


Foi nomeada para os 'Sete de Ouro' em 1984, 1990 e 1991. No ano de 1992, ganhou o prémio de melhor encenação e o Prémio de Crítica para a Encenação com "Medeia é Bom Rapaz". Em 1996, foi nomeada para os Globos de Ouro e recebeu o prémio SIC na modalidade de Teatro. Em 1999, recebeu o prémio especial "Procópio" e em 2005 ganhou o Globo de Ouro de Melhor Espetáculo com "A Mais Velha Profissão" e a Medalha de Ouro de Mérito cultural.


A atriz e encenadora continuava no ativo e coordenava até agora as comemorações do centenário do nascimento do escritor e dramaturgo Bernardo Santareno, que se assinala em 2020 e de quem a Escola de Mulheres vai levar a cena, previsivelmente em novembro, a obra "O Punho", com versão cénica da própria Fernanda Lapa.


Foi professora e diretora do conselho do departamento de artes cénicas da Universidade de Évora até agosto de 2012, e de onde se reformou. Também deu aulas na Escola Profissional de Teatro de Cascais e na Universidade Intergeracional (UNIESTE).


Fez diversas participações em televisão, das quais destaco a série da RTP "Pós de bem-querer" (1992), a telenovela "Filhos do Vento" em 1997, "O Processo dos Távoras" (escrita por Francisco Moita Flores, 2001) e onde também entraram Henrique Viana, João d’Ávila, Júlio Cardoso, Lia Gama, Canto e Castro e João Lagarto, a telenovela "Lusitana Paixão" na RTP em (2003) e na telenovela da TVI "Doce Fugitiva", em 2006, e em 2016 participou na "Impostora" na TVI.


Em janeiro deste ano, estreou a sua última criação, no Teatro Municipal São Luiz, em Lisboa: a peça Sem Flores Nem Coroas, de Orlando Costa (pai do atual primeiro-ministro, António Costa, e amigo de longa data de Fernanda Lapa).


A atriz estaria agora gravar "Amar demais". O elenco perdeu também Pedro Lima, em Junho deste ano.


 


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernanda_Lapa


https://www.jn.pt/artes/morreu-a-atriz-e-encenadora-fernanda-lapa-12500433.html


 


 

06/08/2020

75 anos de Hiroshima

O ataque dos Estados Unidos a Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945 matou aproximadamente 140 mil pessoas." A primeira bomba nuclear é seguida apenas três dias depois, por um segundo lançamento que atinge Nagasaki, "fazendo mais 70 mil vítimas, antes da rendição do Japão e do fim da Segunda Guerra Mundial."


O presidente norte-americano era Harry Truman. Em 1945, Truman exige ao Japão a sua rendição incondicional. A "16 de julho de 1945, os EUA testaram com sucesso a bomba Trinity, a primeira arma nuclear a ser detonada no mundo" e tinham já preparados outros engenhos nucleares como forma de retaliar o "ataque japonês em 1941 à base norte-americana de Pearl Harbor" que fez 2500 mortos. Mas seria a bomba atómica necessária para que os EUA ganhassem a guerra do Pacífico? 


A primeira bomba foi transportada pelo bombardeiro Enola Gay, "pilotado pelo coronel Paul Tibbets," que sobrevoou "Hiroshima a cerca de 9,5 km de altura" largando a bomba que foi chamada de "Little Boy" e que explodiu no ar, a aproximadamente 600 metros do solo." A explosão destruiu ou danificou "90% das construções da cidade."


"A Little Boy transportava 64 quilos de urânio 235, mas a fissão teria ocorrido em somente 1,4% dessa carga. Ainda assim, a explosão teve uma força equivalente a 15 mil toneladas de dinamite." Mesmo assim, com cerca de 140 mil vítimas, o Japão não se rendeu tal como era esperado por Truman. São então lançados panfletos de aviso e que pedem a rendição.


Nagasaki não era o alvo preferencial para este segundo ataque, mas sim a região de Kokura. No entanto, nessa manhã Kokura estava "coberta de neblina" e não permitia as condições necessárias ao lançamento. "A tripulação tinha ordens de escolher visualmente um alvo que maximizasse o alcance explosivo da bomba" e acabaram por escolher Nagasaki. O "major Charles Sweeney," foi o piloto responsável porlo bombardeiro que "lançou a bomba Fat Man, que explodiu a 500 metros do solo." 


Esta bomba era "feita de plutónio 239," um material que "era mais fácil de ser obtido e mais eficiente do que o urânio," utilizado na bomba de Hiroshima. "A explosão foi mais forte que a de Hiroshima, mas a localização de Nagasaki, dividida entre dois vales, limitou a área de destruição." Depois das evidentes consequências catastróficas provocadas pelas "bombas de Hiroshima e Nagasaki, o Japão" rendeu-se, tendo o "acordo de rendição" sido assinado no dia "2 de setembro, a bordo do navio americano USS Missouri, na Baía de Tóquio."


Mas as consequências fizeram-se sentir também nos anos seguintes. Estima-se que nos "cinco anos após os ataques, houve um aumento drástico nos casos de leucemia em Hiroshima e Nagasaki."


No que respeita à taxa de incidência de vários tipos de cancro, como por exemplo alguns tipos de cancro da tiróide, da mama e do pulmão, esta é mais alta entre os sobreviventes do que no resto da população. Por outro lado, os sobreviventes desenveram também problemas de "saúde mental" uma vez que foram gravemente afetados "pela experiência de um ato tão atroz, pela perda de entes queridos e pelo medo de desenvolver doenças causadas pela radiação."


Alguns dos sobreviventes, tornaram-se "ativistas contra a proliferação de armas nucleares e compartilham" as suas memórias e as suas histórias de vida de forma a manterem "viva a lembrança dos horrores da guerra."


Fontes:


https://pt.euronews.com/2019/08/06/japao-relembra-ataque-a-hiroshima


https://www.bbc.com/portuguese/resources/idt-a05a8804-1912-4654-ae8a-27a56f1c2b8a


 

04/08/2020

Explosão em Beirute

A zona do porto de Beirute foi afetada por uma violentíssima explosão que provocou mais de 100 mortos e cerca de 4 mil feridos, além de muitos desaparecidos. Segundo as notícias, esta explosão causou destruição em larga escala e quebrou vidros a vários quilómetros de distância. Alguns barcos que navegavam próximos à costa do Líbano chegaram a ser balançados pela força da explosão, tendo uma embarcação da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) sido também danificada após a explosão no porto. Num comunicado, os capacetes azuis informaram que alguns membros da missão de paz se feriram e foram transferidos para hospitais do país.


A onda de choque projetou para o mar pessoas que estavam na área e que obrigaram à mobilização de meios marítimos para o seu resgate. Poderão ainda haver pessoas presas nos escombros e dentro de casas nos arredores danificadas pela onda de choque a precisar de ajuda.


A explosão que também foi ouvida em Larnaca, no Chipre, a pouco mais de 200 km da costa libanesa, poderá ter tido origem num armazém que guardava nitrato de amónio (um tipo de fertilizante), o qual é bastante perigoso. A extensão dos danos ainda não foi totalmente avaliada, uma vez que as buscas no local irão continuar.


Este tipo de fertilizante, reage ao calor, e as causas podem ter sido várias desde um incêndio, tubos superaquecidos, fiação defeituosa ou relâmpagos, que podem ter sido suficientes para desencadear uma reação em cadeia. Noutros países, também já se registaram casos de explosões envolvendo este fertilizante, por isso, a sua forma de armazenamento não pode ser deixada ao acaso.


Fica a dúvida, sobre de onde veio este fertilizante, o que estava ali a fazer e quem saberia do seu armazenamento. O presidente do Líbano, Michel Aoun, afirmou ser "inaceitável" que 2.750 toneladas do composto fossem estocadas em um depósito, sem a segurança necessária. O primeiro-ministro do país, Hassan Diab, afirmou que o depósito onde o nitrato de amónio estava armazenado existia desde 2014. As imagens, essas sim, são impressionantes.


Ontem, outro acidente, desta vez na China e do qual também dei conta aqui, também terá tido origem no armazenamento de grandes quantidades de produtos químicos.


Fontes:


https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/08/04/explosao-em-beirute.ghtml


https://www.uol.com.br/tilt/noticias/bbc/2020/08/04/o-que-e-nitrato-de-amonio-principal-suspeito-de-ter-causado-megaexplosao-em-beirute.htm


 

03/08/2020

Incêndio mata na China

Esta segunda-feira, ocorreu uma violenta explosão nas instalações da Companhia de Químicos Bluesky, em Xiantao, que fica a cinquenta quilómetros de Wuhan.


Os serviços de emergência terão conseguido conter o incêndio causado pela explosão, mas ainda procuram por desaparecidos, cujo número não foi ainda dito.


Esta empresa teria cerca de 100 funcionários, produzindo e vendendo produtos de silicone, mas também há a suspeita de que produziria "produtos químicos perigosos".


A China chega a registar 70 mil mortos por ano devido a desastres em fábricas, minas ou armazéns - 20% do total mundial de mortes no trabalho, segundo a Organização Internacional do Trabalho.


Exemplo disso, foi em 2015, a explosão num armazém no porto de Tianjin, no norte do país, por causa da armazenagem ilegal de químicos, que provocou 173 mortos, muitos dos quais bombeiros e socorristas que acudiram ao local.


01/08/2020

Um novo membro na família

Durante a última semana, acompanhei vários posts no facebook que pediam a adoção de um animal. Cães e gatos, bebés, adultos e séniores são largados todos os dias, abandonados muitas vezes à fome à morte certa, não fossem pessoas excecionais que os recolhem, alimentam e cuidam, dando-lhes uma nova oportunidade de vida.


Num desses post, "apaixonei-me" por uma gatinha. Foi largada dentro de um saco plástico para morrer, no meio da Serra da Arrábia. Bebés de poucas semanas, olhos ainda azuis de "leite" sem a mãe por perto e com muitos predadores a circular por ali...


Hoje fui buscá-la a casa da senhora que era FAT dela e dos irmãos, com o meu filho e trouxemo-la para casa. É uma pequena bolinha. Vai ter todos os cuidados necessários e muito amor para crescer forte e saudável.


Nenhuma descrição de foto disponível.

27/07/2020

50 anos da morte de Salazar

Na manhã de 27 de julho de 1970, os ardinas vendiam nas ruas jornais onde em letras garrafais se contava da morte de António de Oliveira Salazar.


Nascido em Santa Comba Dão, a 28 de abril de 1889, Salazar chefiou diversos ministérios, foi presidente do Conselho de Ministros do governo ditatorial do Estado Novo e professor catedrático de Economia Política, Ciência das Finanças e Economia Social da Universidade de Coimbra.


Em 1921, Salazar foi eleito deputado pelo "Centro Católico Português", porém, pouco depois renunciou o cargo face à anarquia republicana que dominava o Parlamento.


O sistema parlamentar que havia sido implantado em Portugal em 5 de outubro de 1910 estava em crise e no dia 28 de maio de 1926, o general Gomes da Costa liderou uma revolta militar que pôs fim ao sistema, dando início a uma Ditadura Militar.


Após o derrube do presidente Bernardino Luís Machado Guimarães, Salazar foi convidado para assumir o cargo de Ministro da Economia, que ocupou apenas durante cinco dias, por lhe serem negados plenos poderes para implantar as medidas económicas que planeava.


Salazar voltou ao ensino e publicou artigos que criticavam as contas públicas do estado, cuja crise financeira se agravou após o golpe.


Dois anos mais tarde, António Oscar de Fragoso Carmona, então presidente, confiou-lhe novamente a pasta da Economia, desta vez com total controle de todas as contas públicas. 


A sua exigência foi satisfeita e Salazar impôs forte austeridade e um rigoroso controlo de contas, com aumentos enormes de impostos e criação de novos, adiamento de obras de fomento e congelamento de saláriosvoltar a exercer esse cargo entre 1928 e 1932, procedendo ao saneamento das finanças públicas portuguesas.


No dia 5 de julho de 1932, Carmona nomeou Salazar como primeiro ministro de Portugal. Em 1933, Salazar promulgou a constituição referendada por plebiscito, que instaurou um regime inspirado no fascismo italiano, de caráter “unitário e corporativo”. Presidente do Conselho de Ministros entre 1933 e 1968, a sua permanência na frente do país teve como inspiração os nacionalismos e fascismos que surgiam na Europa, de onde segue duas frentes complementares: a da propaganda e a da repressão.


Salazar fundou o que ficou conhecido por “Estado Novo”, um regime autoritário, de partido único – a “União Nacional”.  Foi um período marcado pelo fim das liberdades políticas, pois a Assembleia Nacional da época era composta apenas por aliados de Salazar.


Para consolidar o novo regime, Salazar adotou o “Estatuto do Trabalho Nacional”, que reunia  num mesmo organismo, submetido ao controlo do governo, as associações operárias e patronais, a criação de organizações paramilitares e da Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) e a polícia política com poderes ilimitados.


O nacionalismo exacerbado e a censura aos meios de comunicação e a fundação do Secretariado Nacional de Propaganda foram outras medidas adotadas pelo regime de Salazar.


Com ideiais de inspiração fascista e apoiando-se na doutrinasocial da Igreja Católica, Salazar orientou-se para um corporativismo de Estado, com uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia.


Este seu ideal nacionalista económico conduziu-o a medidas de protecionismo e isolacionismo de natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e suas colónias. O impacto foi enorme!


Durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Salazar assumiu também o “Ministério de Assuntos Exteriores”.


Em 1937, aprovou o governo do ditador espanhol Francisco Franco, com que formou, cinco anos mais tarde, o Pacto Ibérico, pelo qual Portugal e Espanha se declararam a favor de uma política de estrita neutralidade.


Salazar conseguiu o ingresso de Portugal no Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1949, uma aliança político-militar constituída por democracias.


O último desafio de Salazar foi manter a todo custo as possessões portuguesas na Ásia e na África. Em 1961 assumiu a direção do “Ministério da Guerra”, mas não conseguiu deter a eclosão de violentos distúrbios nos domínios portuguesas de Guiné-Bissau, Angola e Moçambique que duraram 13 anos.


A sua morte não pôs fim ao regime. Em 1968, com 79 anos, dois anos antes de morrer, Salazar estava de férias, no forte de Santo António do Estoril, quando o improvável aconteceu. Não se saberá nunca se foi por descuido, desiquilíbrio - ou por mera debilidade da cadeira de lona. O que é certo é que bateu violentamente com a cabeça no chão de pedra. O choque provocou-lhe um hematoma cerebral, o suficiente para limitar a sua capacidade de raciocínio, mas que passou despercebido. O próprio Salazar recusou que se chamasse um médico. 


A imprensa não soube do estado de saúde do chefe de governo e as autoridades mantiveram segredo sobre este facto de rara importância política. Muitos dirigentes nem terão notado que se passara algo de anormal.


O País soube pela Emissora Nacional, mas apenas a 7 de Setembro, que Salazar fora operado a um hematoma intracraniano. A causa tinha sido uma queda da cadeira, na sua residência de Verão, no forte de Santo António de Estoril. A data do tombo não foi divulgada.


 Nunca mais recuperou. 


Nove dias depois da operação, um acidente vascular no hemisfério cerebral direito de António Salazar interrompeu com brutalidade todo o processo da recuperação.


Não havia alternativa senão substituir o líder. A 26 de Setembro de 1968, o Presidente Américo Tomás nomeou Marcelo Caetano primeiro-ministro (na altura, chamava-se Presidente do Conselho). O contexto da transição era difícil e foi decidido manter, para o doente no hospital da Cruz Vermelha todas as honras inerentes ao cargo de chefe do governo.


Este é um dos elementos talvez mais simbólicos do apodrecimento do regime autoritário. Salazar estava mentalmente muito limitado, mas os ministros fingiam realizar Conselhos de ministros na sua presença e o ditador julgava que ainda decidia. 


Em Julho de 1970, terminou a lenta agonia. O antigo chefe de Governo, sofreu um súbito agravamento do estado de saúde, por infeção. Pneumonias, infecção renal, insuficiências cardiovasculares profundas, a situação agravou-se de dia para dia, até ao colapso definitivo, no dia 27 de Julho de 1970, de manhã, quase dois anos depois da mítica queda da cadeira. O regime não iria sobreviver muito tempo a Salazar.


 


Fontes:


https://arquivos.rtp.pt/conteudos/morte-de-antonio-de-oliveira-salazar-i-parte/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_de_Oliveira_Salazar


https://www.dn.pt/arquivo/2008/o-dia-em-que-salazar-caiu-da-cadeira-1126667.html


https://www.ebiografia.com/antonio_de_oliveira_salazar/


 


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...