24/07/2019

Incêndios em Portugal: distrito de Castelo Branco fustigado pelas chamas

Os incêndios que têm afetado o país nos últimos dias, parecem estar controlados, mas um grande número de operacionais mantem-se no terreno para evitar reacendimentos e garantir a segurança das populações e bens. A Proteção Civil alertou para o aumento do risco de incêndio já a partir de hoje, quarta-feira, com previsão de subida da temperatura, diminuição da humidade relativa do ar e aumento dos ventos fortes. A temperatura máxima deverá subir entre dois a seis graus e o vento poderá atingir os 40 quilómetros por hora ao início da noite.

Nos últimos dias, os incêndios fizeram duplicar a área ardida em Portugal este ano. Em Vila de Rei e Mação arderam 9631 hectares de floresta e no passado sábado, foram registadas 41 vítimas assistidas, sendo que 17 delas tiveram mesmo de receber assistência hospitalar. Entre os feridos, um foi considerado grave e ficou internado na unidade de queimados do Hospital de S. José, em Lisboa.

Em Mação, viveram-se momentos muito preocupantes, quando o incêndio rondou várias casas e uma praia fluvial chegou mesmo a ser evacuada. A Polícia Judiciária refere que foi encontrado um artefacto explosivo na zona da Sertã e foi também detido um homem de 55 anos, suspeito de atear no sábado, um fogo nas imediações da cidade de Castelo Branco.

As altas temperaturas que têm atingido o país durante o mês de julho, têm ajudado à propagação de vários incêndios florestais que, nos últimos dias, têm feito recear que se repita os dramáticos acontecimentos de 2017, quando 119 pessoas perderam a vida e centenas perderam as suas casas, a maioria de primeira habitação, os seus negócios e os seus terrenos e viaturas.

Em média, 375.000 hectares de floresta são queimados anualmente na região do Mediterrâneo, num total de 56 mil incêndios florestais, sendo que Portugal, detém a maior percentagem de área ardida. O risco são as alterações climáticas e a falta de ordenamento do território que têm trazido uma nova geração de incêndios para a Europa Mediterrânea: os superincêndios. Este tipo de incêndio desenvolve-se de forma muito rápida, são letais e quase impossíveis de extinguir apesar dos avanços dos dispositivos de combate. O impacto económico dos incêndios em Portugal, Grécia, Espanha, França e Itália pode mesmo chegar aos cinco mil milhões de euros por ano. 

Eu já há algum tempo que não saio para incêndios, muito por culpa da minha situação de saúde. Apesar de também ter tido formação nessa área, em comparação a muitos dos meus colegas, a minha experiência foi muito pouca. Foi sempre na área da saúde (ambulatório e pré-hospitalar) que mais trabalhei. Isso não me torna menos capaz, mas mostra que o nosso caminho é feito também de oportunidades e essas fecharam-se muitas vezes para mim no início da minha carreira, direcionando-me mais para a área da saúde. Ao assistir aos grandes incêndios pelos constantes noticiários televisivos, dá-me uma certa angústia, pelos riscos que os meus colegas estão a correr e, também, pelo cansaço que sentem. E principalmente por saber que o seu trabalho nunca será devidamente valorizado.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendios-em-portugal-situacao-ao-minuto_e1162100

https://expresso.pt/sociedade/2019-07-10-Incendios.-Portugal-e-o-pais-que-mais-arde-na-zona-do-Mediterraneo

https://www.tempo.pt/noticias/actualidade/incendios-em-portugal-ameacam-aldeias-de-castelo-branco-e-santarem.html

https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/alerta-cm--detido-homem-suspeito-de-atear-fogos-em-castelo-branco?ref=DET_RelacionadasInText

04/06/2019

Faleceu a escritora Agustina Bessa-Luís

Mais conhecida como Agustina Bessa-Luís, a escritora nascida em Vila Meã, Amarante, a 15 de outubro de 1922, faleceu ontem. Desde muito jovem que Agustina se interessou por livros, descobrindo na biblioteca do avô materno, os clássicos da literatura espanhola, francesa e inglesa, marcantes na sua formação literária. Os locais onde viveu a sua meninice, marcam a sua escrita.

Estreou-se com a novela "Mundo Fechado" em 1949,  e em 1954, o romance "A Sibila", acaba por lhe trazer enorme sucesso e reconhecimento geral. Escreveu mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. 

O realizador Manoel de Oliveira, com quem manteve uma relação de amizade e de colaboração próxima, adaptou algumas das suas obras ao cinema, tais como: "Fanny Owen" (que deu origem ao filme de nome "Francisca" em 1981), "Vale Abraão" (filme homónimo, 1993), "As Terras do Risco" (que deu origem ao filme "O Convento", 1995) ou "A Mãe de um Rio" (que deu origem a "Inquietude" em 1998).

Foi também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance "As Fúrias" sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, em 1995 no Teatro Nacional D. Maria II.

Em 2005, participou no programa da RTP "Ela por Ela" e em julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, "A Ronda da Noite", deixou de escrever e retirou-se da vida pública, devido a razões de saúde (possivelmente pelo acidente vascular cerebral que sofreu).


Fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Agustina_Bessa-Lu%C3%ADs

https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$agustina-bessa-luis

02/06/2019

Perigo da Internet e dos desafios virais

As consequências são quase sempre graves. Crianças e jovens acabam com graves lesões ou, em casos mais graves, as consequências podem ser mortais. Os danos psicológicos de quem pratica e de quem assiste também não podem ser esquecidos! Estou a falar dos desafios virais que estão por todo o lado, desde o facebook ao tiktok e que "obrigam" crianças e jovens a seguir determinados comportamentos que colocam a sua vida em risco.


De que forma é que os podemos combater? A primeira coisa é estar atento e disponível para conversar. Mas o papel do adulto não é só esse. Há que denunciar, sempre. Existem a circular vários desafios. Um deles, que envolve pelo menos dois participantes, passa pela asfixia, expulsando todo o ar dos pulmões da vítima e impedindo-a de respirar até perder a consciência. Parece estúpido, só por si não é? Mas há de facto crianças e jovens a experimentar! Estejamos atentos! São as nossas crianças a estar em perigo!


Segundo o jornal “El Mundo”, Espanha, uma menina aceitou de livre vontade participar no jogo em plena via pública no município de Pinto, em Madrid. As amigas que que estavam com ela, estrangularam-na e pressionaram o peito da menina de apenas 12 anos, até lhe provocar falta de oxigénio e cair ao chão inconsciente. Foi rapidamente assistida e transportada para o hospital.


Devemos estar atentos a determinados sinais de alerta relativos à prática da asfixia e de outros desafios perigosos, como o isolamento, a utilização de golas altas mesmo no verão, olhos vermelhos, desorientação, dor de cabeça frequente, conversas sobre estes jogos ou presença de objetos suspeitos no quarto como cordas ou trelas, refere o portal Projeto MiudosSegurosNa.Net e o Instituto Dimicuida.


Sabemos que ao atingir a adolescência, as crianças são curiosas sobre o mundo que as rodeia e aprendem a exprimir-se e a interagir com segurança e confiança com os amigos online. Não podemos negar a sua existência, uma vez que enquanto nós nos encontrávamos na rua, brincávamos e estudávamos na casa uns dos outros, agora os nossos jovens encontram-se, brincam e estudam através dos computadores, tablets e telemóveis. Os adolescentes precisam da orientação dos seus pais e de outros adultos de confiança, ​​e os serviços online deveriam trabalhar para fornecer ferramentas que ajudem os adolescentes a fazer as escolhas certas sobre a sua segurança e privacidade. A regulamentação existe e tem de ser adaptada à realidade da sociedade atual, em que a Internet é um recurso.


 


Fontes:


https://miudossegurosnanet.blogs.sapo.pt/


https://expresso.pt/sociedade/2019-05-31-O-jogo-da-asfixia-que-esta-a-assustar-Espanha--em-Portugal-nao-foram-reportados-casos-mas-nao-quer-dizer-que-nao-haja-


https://www.noticiasmagazine.pt/2018/os-dez-desafios-perigosos-da-internet/estilos/comportamento/10/


 


 


 

29/05/2019

Desaparecidos... ninguém sabe o que aconteceu

Comecei a escrever sobre alguns dos vários casos de crianças desaparecidas, a propósito do dia Internacional da Criança Desaparecida que se assinalou a 25 de maio. Muitos casos ainda hoje são mediatizados, mas outros que não foram tão expostos, também continuam à espera de ser resolvido.


A maioria seria ou será agora uma pessoa adulta - de quem ninguém sabe até hoje. Foram um dia meninos e meninas, hoje são apenas rostos em fotografias amarelecidas pelo tempo, rasgos em corações que ainda sofrem na incereteza de um luto que fazem todos os dias mas que nunca têm a certeza de estar a fechar. Porque os lutos servem para desconstruir a dor, para a expressar, para se ser livre de a sentir, mas para os pais de filhos desaparecidos não.


Hoje venho falar de outro caso muito antigo, mas que ainda consta nos arquivos.


Hélder Alexandre Ferro Pagarim Cavaco


Hélder Cavaco nasceu em julho de 1973, em Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal. Desapareceu em janeiro de 1990, com 16 anos, na zona da praia de São Torpes, em Sines, onde praticava surf.


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viuDe acordo com a descrição disponível no site da Polícia Judiciária, Hélder media 1,76 metros, tinha cabelo e olhos castanhos, e uma cicatriz sob o olho direito. Quando foi visto pela última vez, vestia calças e blusão de ganga azul e usava uma mochila da mesma cor com riscas amarelas e vermelhas.


Até hoje o caso não foi resolvido. Como é que se fecha um ciclo? Tem de haver um encerramento, nem que seja simbólico. Mas sem dados, sem corpo, sem respostas, como se pode encerrar, sem magoar nem desrespeitar os envolvidos que sofrem na sua perda?


 


Fontes:


https://www.jn.pt/nacional/vidas-roubadas-em-portugal-as-criancas-que-nunca-mais-ninguem-viu-10924324.html

27/05/2019

Desaparecidas

Hoje, dando seguimento à minha última publicação sobre crianças desaparecidas, partilharei mais dois casos. O da Tatiana e o da Cláudia. Alguns casos foram mais mediáticos do que estes que aqui vos deixo, o que mostra que nem todas as famílias são alvo dos mesmos apoios e eu sinto sempre que isso não é correto.


Tatiana Paula Mesquita Mendes (ou Odete Araújo Freman)


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viuNasceu em junho de 1998 e quando desapareceu em maio de 2005, estava quase a completar 7 anos. A menina, nascida na Guiné e batizada com o nome Odete, foi adotada (ao que parece) em 2004  por um casal português que a registou com o novo nome.


O mais bizarro, é que cerca de um ano depois, a mãe adotiva informou que a menor tinha sido por si entregue a outra pessoa, ainda no ano anterior, e que a menina tinha morrido mais tarde num acidente de viação em Badajoz, Espanha. Ninguém sabe o que realmente se passou e o verdadeiro paradeiro nunca foi revelado. O acidente não foi investigado? Se morreu, onde está o corpo? Há tantas perguntas sem respostas neste caso.


Cláudia Alexandra Silva Sousa


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viuNascida em 1987, desapareceu em 1994, a caminho da escola. Tinha sete anos. A mãe tê-la-á visto a dobrar a curva da rua do Baltar, em Oleiros, Vila Verde, perto de casa e depois não a viu mais. Se estiver viva, tem agora já 32 anos...


 


Fontes:


https://www.jn.pt/nacional/vidas-roubadas-em-portugal-as-criancas-que-nunca-mais-ninguem-viu-10924324.html

25/05/2019

O que lhes aconteceu - os casos das crianças desaparecidas em Portugal

"Eles perderam-se dos pais, perderam a infância e juventude que teriam tido. Os pais perderam os filhos." Não sabem se estão vivos ou se faleceram e por isso, não conseguem fazer o seu luto, choram-nos todos os dias.


Para a Justiça, nove crianças estão desaparecidas e se forem vivas, algumas serão adultos. Onde páram e o que foi feito para as encontrar?


Hoje assinala-se o Dia Internacional da Criança Desaparecida e por isso resolvi dedicar os próximos dias a relembrar aqui os casos de algumas destas crianças, para que não caiam no esquecimento.


Hoje começamos com Sofia:


Vidas roubadas em Portugal. As crianças que nunca mais ninguém viu


Sofia Catarina Andrade de Oliveira 


Nasceu em fevereiro de 2002, e desapareceu aos dois anos. Filha de pais separados, foi retirada à mãe, com quem vivia, pelo pai em Câmara de Lobos, Madeira, na noite de 22 de fevereiro de 2004. Na fuga com a menor, o homem apanhou primeiro um táxi e depois boleia de um familiar, tendo sido deixado a pé, com a filha, às 21.30 horas, no Caniço de Baixo. Duas horas depois, deslocou-se à esquadra da PSP de Câmara de Lobos, onde estava a mãe da menor a participar o desaparecimento. A filha já não estava consigo.


Foi condenado mais tarde, por subtração de menores mas perante Polícia e tribunais, recusou sempre dizer onde estava a filha, mantendo a versão de que a menina se encontrava bem e que o segredo do paradeiro ia consigo para a cova. 


Terá agora 17 anos... e ainda ninguém sabe dela...


 


Fontes:


https://www.jn.pt/nacional/vidas-roubadas-em-portugal-as-criancas-que-nunca-mais-ninguem-viu-10924324.html


https://apcd.pt/web/desaparecidos/sofia-catarina-andrade-de-oliveira/


 

23/05/2019

A Bula que "fundou" Portugal

Foram diversos os momentos que nos tornaram quem somos: portugueses.


Assinalam-se hoje 840 anos da assinatura da Bula “Manifestis Probatum”, (passava o dia 23 de Maio de 1179). Neste documento, "o Papa Alexandre III" atribuiu "o reino de Portugal ao rei D. Afonso Henriques e a seus herdeiros,"




D. Afonso Henriques merece a distinção de rei depois de ter ficado provado  ̶  “manifestis probatum”  ̶   a sua dedicação pelo reino, através dos "seus feitos em prol do novo reino, cujos territórios aumentara amplamente,  num claro benefício para a Cristandade", reconhecendo assim formalmente a "Independência de Portugal." D. Afonso Henriques, na época já com quase 70 anos, via assim serem salvaguardados "os territórios adquiridos na guerra como fazendo parte integrante de Portugal."


O documento original encontra-se no espólio da Torre do Tombo. Pode dizer-se que, este será o verdadeiro dia de "Portugal, como Estado livre e independente, reconhecido internacionalmente," depois de um processo "naturalmente lento porque dependeu da alteração da conjuntura internacional."


De lembrar que, mesmo com o Tratado de Zamora, havia ainda uma certa influência castelhana sobre Portugal, não tendo agradado aos reis de Castela-Leão a independência de Portugal. Com a "morte do imperador Afonso VII e a separação destes dois reinos, em 1157," dá-se a "emancipação definitiva de Aragão," o que veio a facilitar "as pretensões de D. Afonso Henriques." A isto, juntou-se o enfraquecimento da "autoridade do papado", durante todo o "século XII, com o envolvimento em querelas com o Sacro Império Romano-Germânico e o surgimento de vários anti-Papas."


Este é um dos demais episódios da nossa história em que a igreja católica tem uma forte influência através da figura do Papa.


Fontes:


https://www.ship.pt/sociedade-historica/datas-importantes/


https://ensina.rtp.pt/artigo/a-bula-manifestis-probatum-o-documento-fundador-do-reino/


 


 



Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...