18/04/2019

Motoristas em greve param o país

Será que se consegue parar um país? Parece que sim, pelo menos em parte. E de certeza que se consegue, se isto continuar como está, levar muita gente ao desespero. O dia hoje foi complicado aqui na zona, mas houve de certo zonas do país e diversos setores que praticamente pararam!

A greve, convocada por tempo indeterminado, vem do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP), estrutura independente da CGTP e da UGT. Esta greve de motoristas requer direitos e formação dos profissionais que abastecem o nosso país, os quais vêm reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica, uma vez que a profissão obriga a formação ao nível da condução em condições de risco e do manuseamento de matérias perigosas. Até agora estes profissionais são equiparados a motoristas de pesados, o que faz com que também a revisão dos salários esteja em causa.

Assim, o país sofre há três dias com bombas de combustível na reserva, sem previsão de abastecimento porque os motoristas de pesados que deviam fazer essas entregas não o estão a fazer. A greve dos motoristas de matérias perigosas continua "por tempo indeterminado" e os postos de combustível estão a ficar secos, sem notícias de reabastecimento. Ontem, eram quase 1240 os postos sem combustível de norte a sul do país.

Os serviços mínimos decretados no âmbito da greve garantem o abastecimento normal de combustíveis a hospitais, bases aéreas, bombeiros, portos e aeroportos. Esta madrugada, foram abastecidos os aeroportos de Lisboa e de Faro. A ANA - Aeroportos avançou também que pelo menos 31 aviões saíram dos aeroportos portugueses, realizando "escalas técnicas" para se abastecerem em aeródromos espanhóis. 

A Brisa disponibilizou-se para transmitir quais os postos com combustível nas autoestradas. A empresa, além disso, mantém o serviço de assistência em estrada. Com o abastecimento de alguns postos durante o dia de hoje, acumularam-se longas filas de automobilistas, provocando situações de caos em algumas zonas do país.

 Os efeitos da greve já se estendem aos serviços de transporte, com várias empresas a suprimir carreiras a partir de hoje. É o caso da maior transportadora rodoviária de passageiros, a Rede Expressos, do Grupo Barraqueiro. A Barraqueiro Transportes, que integra as empresas Ribatejana Verde, Barraqueiro Oeste, Mafrense e Boa Viagem, irá reduzir até 50% as carreiras locais, urbanas e interurbanas do serviço público, garantido apenas as inter-regionais para Lisboa. Também a Rodoviária do Tejo vai suprimir a partir de hoje algumas carreiras fora das horas de maior procura, para tentar assegurar combustível para o transporte escolar na próxima semana, indicaram fontes da empresa.

A TST, uma das empresas de autocarros da Margem Sul do Tejo, deixou o aviso de que "os serviços irão sendo progressivamente reduzidos ou suprimidos, à medida que as reservas de combustível da empresa se forem esgotando". Sem transportes públicos disponíveis para irem trabalhar e sem forma de abastecerem os automóveis, muitas pessoas desesperam sem saber o que fazer. Nem de taxi se conseguem deslocar, porque também estes estão a ser afetados. A Federação Portuguesa do Táxi anunciou até que vai propor ao governo que os motoristas possam aceder aos depósitos das empresas de transporte como a Carris, em Lisboa, e a STCP, no Porto.

O dia ficou ainda marcado pelas primeiras ruturas na venda de gás engarrafado, registadas pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (ANAREC). Através de um despacho assinado no final do dia, pelos ministros da Administração Interna e do Ambiente e da Transição Energética, o governo anunciou a criação de uma rede com 310 postos prioritários de combustível.

Fontes:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/18-abr-2019/ao-terceiro-dia-falta-de-combustiveis-continua-a-agitar-o-pais-10809827.html

17/04/2019

Acidente grave na Madeira

A Madeira é conhecida pelas suas encostas íngremes, mas foi o descuido que levou ontem ao despiste de um autocarro de turismo na Estrada da Ponta da Oliveira, na freguesia do Caniço. Este acidente provocou 29 mortos (todos de nacionalidade alemã) e 27 feridos. Destes, dois são portugueses, mas não viajavam no autocarro. 


O autocarro fazia a descida de uma estrada considerada perigosa, e acabou por sair em frente numa curva, despistar-se, caindo sobre uma vivenda que não estava habitada na altura do acidente.


As vítimas mortais foram transportadas para a morgue que funciona no Instituto de Medicina Legal, no hospital do Funchal.


O Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses enviou uma equipa do continente para a Madeira para reforçar o gabinete do Funchal.


A Proteção Civil adiantou que foram abertas três linhas de apoio e disponibilizados psicólogos para apoiar os familiares e amigos no hotel das vítimas, além de tradutores. Foi ainda ativado, no âmbito do plano de emergência da unidade hospitalar Nélio Mendonça, um gabinete de apoio.


Fontes:


https://miraonline.pt/madeira-acidente-com-autocarro-de-turismo-em-santa-cruz-faz-varias-vitimas/



 

16/04/2019

Notre Dame

Desde ontem que estamos de olhos postos em França, onde a catedral de Notre Dame, em Paris, ardeu de forma violenta. Parece algo absolutamente impossível de estar a acontecer nos dias de hoje, mas a verdade, é que a estrutura acabou por ceder e a catedral nunca mais será a mesma. Perderam-se para o fogo e para a água, anos e anos de História, que nunca nenhum dinheiro conseguirá repor.


Um incêndio deflagrou esta segunda-feira, por volta das 18h50 (17h50 em Lisboa) na Catedral de Notre-Dame, em Paris. A intensidade das chamas foi tal que o pináculo da catedral cedeu e colapsou.


Emmanuel Macron, presidente da França, já veio confirmar que a edificação principal foi "salva e preservada", mas que a estrutura superior desabou. Do telhado, restou apenas um terço.


A tragédia de Notre-Dame cobre quase todas as capas da imprensa internacional e, nas redes sociais, há dezenas de ilustrações com homenagens ao icónico monumento parisiense.


 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/arquivo/incendio-na-notre-dame/2019-04-15-Cinzas-de-Notre-Dame-cobrem-Paris

15/04/2019

Faleceu a escritora Maria Alberta Menéres

Faleceu a escritora de "Ulisses" e criadora do conceito "Pirilampo Mágico" em Portugal. Tinha 88 anos, mas a sua obra perdurará por muitos mais. Maria Alberta Menéres nasceu em Vila Nova de Gaia, no dia 25 de agosto de 1930. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mais conhecida pela sua obra como escritora, foi também professora do Ensino Técnico, Preparatório e Secundário, nas disciplinas de Língua Portuguesa e História.

Organizou a Antologia da Poesia Moderna Portuguesa (1940 a 1967), em 1976, e, dois anos mais tarde, a Novíssima Antologia da Moderna Poesia Portuguesa, em parceria com o poeta E. M. de Melo e Castro. Traduziu e adaptou para crianças várias obras de língua francesa, entre elas contos de Perrault e fábulas de La Fontaine.

De 1972 a 1974 dirigiu no Diário Popular a secção «Iniciação Literária». Este trabalho serviu de base à obra O Poeta faz-se aos dez anos (1974), que continua sendo um dos mais interessantes livros portugueses de iniciação a uma pedagogia da poesia. Publicou também livros didáticos, como O livro aberto (1975), em colaboração com António Torrado. 

Pertenceu à Comissão de Classificação de Espectáculos Cinematográficos (Ministério da Comunicação Social), de 1974 a 1982, desempenhando aí diferentes funções. De 1974 a 1986, foi Diretora do Departamento de Programas Infantis e Juvenis da RTP, tendo sido autora e produtora de inúmeros programas.

Foi Assessora do Provedor de Justiça, de 1993 a 1998, sendo da sua responsabilidade as primeiras linhas de apoio a crianças e idosos em Portugal. Maria Alberta Menéres trouxe para Portugal o conceito que envolve o apoio das campanhas "Pirilampo Mágico" às CERCI's portuguesas e foi a responsável pelo nome do "Pirilampo". Foi ela a autora, durante seis anos, das letras das canções dessa campanha solidária que dura até hoje.

Maria Alberta Menéres é autora de mais de 100 livros infantis e juvenis, dos quais se destaca a obra Ulisses, que conta já com 45 edições e mais de um milhão de exemplares vendidos. Fez traduções, adaptações, dezenas de peças de teatro, para além de uma sólida obra de poesia adulta. 

Em 1986 recebeu o Grande Prémio Gulbenkian de Literatura para Crianças, «pelo conjunto da sua obra literária e a manutenção de um alto nível de qualidade». Em 2010, foi agraciada com a Condecoração da Ordem de Mérito Civil no grau de Comendador.

Fontes:



12/04/2019

Faleceu a cantora Dina

Faleceu ontem a dona de uma voz inconfundível. Com apenas 62 anos, a cantora Dina, morreu no hospital Pulido Valente. A cantora sofria de uma fibrose pulmonar grave, há 12 anos, e estava a precisar de transplante de pulmão urgente. Ultimamente a situação agravara-se e precisava de andar com uma garrafa de oxigénio todo o dia. Também eu trauteei as suas cançõpes, com letras que ficavam no ouvido. 

Ondina Maria Farias Veloso, nasceu a 8 de junho de 1956, em Carregal do Sal. Durante a sua adolescência, participa em algumas peças de teatro, no colégio que frequenta, mas descobre que é na música que está o seu futuro. Faz então as suas primeiras composições e em 1975 entra para a formação do grupo "Quinteto Angola".

Ainda durante o ano de 1980 editou o single "Pássaro Doido" e o single "Há Sempre Música Entre Nós" é lançado em 1981. Colabora com Carlos Paião no tema "Quando as Nuvens Chorarem", lançado em 1988.

Ficou conhecida no meio musical como Dina quando cantou Amor de Água Fresca no Festival da Canção em 1992, 12 anos depois de ter ficado conhecida no Festival da Canção da RTP com o tema Guardado em Mim, em 1980. A década de 90, traz-lhe reconhecimento e uma carreira de sucesso.

No decorrer da sua carreira, gravou diversos temas para telenovelas. Em 2008 é editado o álbum "Da Cor da Vida", uma coletânea com 18 êxitos da cantora e dois inéditos. Ainda que a fibrose pulmonar tivesse sido diagnosticada em 2006, só a partir de 2009 percebeu as limitações da doença.

Fontes:

https://www.dn.pt/cultura/cantora-dina-morre-aos-62-anos-10789236.html

29/03/2019

Há 210 anos... caía a Ponte das Barcas

Já se passaram mais de duzentos anos, mas continua a ser um dos maiores acidentes envolvendo uma ponte em Portugal.


Neste caso, a queda desta peculiar ponte que estava sustentada em barcas que flutuavam no Rio Douro, deveu-se ao avanço das tropas francesas sobre a população. Em 1809, durante a segunda invasão francesa, o marechal francês Soult entrou de forma inesperada na cidade do Porto e as pessoas tentaram fugir para a outra margem. O peso exercido sobre a ponte, levou a que esta acabasse por ceder, resultando numa tragédia que levou a vida a cerca de 4000 pessoas. Quem a conseguiu atravessar, conseguiu "alcançar o posto Militar do monte pilar em Vila Nova de Gaia," o que levou "ao fracasso da 2.ª invasão Francesa."


Hoje vamos conhecer um pouco mais sobre esta obra, que tinha sido um projeto de "Carlos Amarante, encomendado pela Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro em 1806." A ponte estava "assente em 20 barcas, e apesar da sua fragilidade, foi um índice de progresso para a região permitindo uma rapidez de comunicação entre as duas margens e facilitando as trocas comerciais de bens e pessoas." As barcas estavam ligadas umas às outras "por cabos de aço" e  podia abrir-se "em duas partes para dar passagem ao tráfego fluvial."


Esta estrutura tinha também a "particularidade de poder ser desmontada e das suas 20 barcas serem amarradas às margens no caso da subida repentina do leito do rio. Após a destruição da ponte pelas tropas napoleónicas, em 1809, aquando das Invasões Francesas, foi a mesma reconstruída em tempo útil, mas já com 33 barcas." Mais tarde, acabaria por ser "substituída definitivamente pela Ponte Pênsil em 1843."


Fontes:


https://visitporto.travel/pt-PT/poi/5cd04b50f979e0000196bebd#/


https://ensina.rtp.pt/artigo/o-desastre-da-ponte-das-barcas/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Ponte_das_Barcas


 

25/03/2019

Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão

O Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos é celebrado anualmente no dia 25 de março e tem como principal objetivo o prestar de uma homenagem àqueles que sofreram e morreram nas mãos do brutal sistema de escravidão e, também de lembrar e consciencializar sobre os perigos do racismo e do preconceito ainda existentes nos dias de hoje. 


Esta data foi proclamada através da Resolução 62/102 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 17 de dezembro de 2007. "Neste dia, a Organização das Nações Unidas honra a memória de milhões de africanos retirados, à força, das suas famílias e terras, ao longo de centenas de anos." Infelizmente, o tráfico humano e a escravatura ainda são uma dura realidade e não pensemos que está apenas restrita a países menos desenvolvidos. Atualmente, encontramos ainda pelo mundo, pela Europa e aqui mesmo em Portugal, notícias que espelham bem a realidade vivida pelos escravos da atualidade e sobre as quais por vezes não damos a devida atenção. Conhece alguns desses casos? Partilhe-os nos comentários.


Mas vamos agora um pouco mais atrás. Num dos capítulos mais terríveis da história, mais de "15 milhões de homens, mulheres e crianças foram vítimas do trágico comércio transatlântico de escravos." Portugal foi "o primeiro estado do mundo a fazer comércio global de escravos vindos de África" mas acabou por ser um dos pioneiros "na abolição da escravatura". Apesar de ter sido um dos primeiros países a "abolir a entrada de escravos na Europa", não nos podemos esquecer que foi um dos últimos Estados a "abolir a escravatura nos territórios coloniais.” Mas afinal quando é que este flagelo se deu por terminado? A verdade é que em Portugal, "entre 2014 e 2015, o Observatório do Tráfico de Seres Humanos, do Ministério da Administração Interna, sinalizou 193 presumíveis escravos e deu conta de 40 condenações de traficantes." 


"Já Portugal era há muito uma república quando morreu, em Lisboa, a última escrava do império. Foi nos anos 30 do século passado. Os jornais da época diziam que teria 120 anos. Era muito conhecida no Bairro Alto, onde vendia amendoins. Tinha sido escrava até 1869, data em que foi publicado o decreto que abolia a escravatura em todo o território português." Nem o decreto publicado em 1761 pelo Marquês de Pombal acabou com a escravatura, uma vez que esta "não foi proibida, o que foi proibido foi a entrada de novos escravos" pelo que, até as crianças "que nasciam de mãe escrava," continuavam a ser escravos. De acordo com o historiador Arlindo Caldeira, "em 1763, o Marquês de Pombal aprovou uma nova lei, a lei do ventre livre, que determinava que os filhos de escravos passavam a ser homens livres e que todos os escravos cuja bisavó já era escrava podiam ser libertados." Segundo ele, na teoria poderiamos pensar que "restava apenas uma geração de escravidão, mas isso não aconteceu por razões fraudulentas: a entrada ilegal de escravos vindos das colónias.”


Em 1822, a independência do Brasil, trouxe de regresso a Portugal "muitos portugueses que trouxeram os escravos como um dos seus aforros" e apesar destes se deverem tornar livres, isto não aconteceu uma vez que "o rei concedeu aos seus donos um privilégio especial para os poderem manter".


António de Almeida Mendes, refere que o "tráfico moderno de escravos africanos para a Europa, as Américas e o continente asiático é uma das manifestações dessas migrações mundiais de longa distância que acompanham a modernidade atlântica, mas também se inscreve nas mobilidades de proximidade, intraeuropeias e intramediterrâneas." Almeida Mendes, explica que foram necessárias várias gerações "para que o Estado português, finalmente, aprovasse o princípio da abolição da escravatura." Vai ainda mais longe, afirmando que a escravatura estava "enraizada na economia, nas práticas e nos costumes desde a Antiguidade; ser escravo era ser obrigado a um trabalho agrícola, a serviços domésticos e de aprendiz mais do que a um trabalho industrial, e era ser também um membro efetivo da Igreja cristã portuguesa."


 


Fontes:


https://unric.org/pt/mensagem-do-secretario-geral-para-o-dia-internacional-em-memoria-das-vitimas-de-escravatura-e-do-comercio-transatlantico-de-escravos-25-de-marco-de-2016/


https://organicsnewsbrasil.com.br/hoje-e-o-dia-internacional-em-memoria-das-vitimas-da-escravidao-e-do-comercio-transatlantico-de-escravos/


https://rr.sapo.pt/noticia/pais/2017/03/25/a-ultima-escrava-portuguesa-morreu-em-lisboa-nos-anos-1930/79112/


https://books.openedition.org/oep/1541


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...