21/03/2019

Explosão em fábrica na China

Além do que se passa no nosso país, é importante não virarmos a cara àquilo que se passa do outro lado do mundo. Na China, os acidentes de trabalho são frequentes e originam constantemente vários mortos, uma vez que as condições mínimas raras vezes são alcançadas. Hoje registou-se um forte incêndio, seguido de duas explosões, numa fábrica de produtos químicos perto de Taiyuan, capital da província vizinha de Shanxi. As explosões aconteceram depois dos bombeiros e equipas de socorro já estarem a operar no local. Quatro bombeiros ficaram feridos e dois perderam contato com a restante equipa. Ainda há a lamentar 47 mortos e feridos contabilizam-se já mais de 600, dos quais 32 tinham ferimentos muito graves.


A onda de choque pelo deslocamento de ar foi sentida a vários quilómetros, havendo descrição por parte de moradores de distritos próximos da quebra de janelas. À primeira explosão, segui-se uma outra, a qual foi avaliada como equivalente a 21 toneladas de TNT, pelo Centro Chinês de Vigilância de Terramotos. 


O incêndio na fábrica da empresa química Tianjiayi alastrou-se a outras fábricas, e algumas crianças que estavam num infantário também ficaram feridas.


 


Fontes:


https://portalincendio.com.br/explosao-em-fabrica-da-china-deixa-47-mortos-noticias


https://www.publico.pt/2019/03/22/mundo/noticia/nova-explosao-fabrica-china-faz-47-mortos-600-feridos-1866381


 


 

15/03/2019

Insegurança - Atentado em mesquitas na Nova Zelândia

Falar de religião... para mim é falar da história das comunidades que se unem, dos costumes culturais. De todas as religiões há tanta coisa positiva a retirar, mas também há a maldade dos homens, escondida atrás de dogmas e de crenças que em qualquer das religiões seguidas, os leva a cometer atos de fanatismo, de desrespeito pela liberdade dos outros, de imposição de valores. Vêm de muito longe no tempo os primeiros atos de violência cometidos entre povos. Sou agnóstica e para mim é difícil conceber que uma pessoa siga de tal maneira uma doutrina que mate em nome disso. Consigo respeitar as diferenças culturais e as diferenças religiosas até um certo ponto, mas ainda não consigo ser benévola quanto ao se cometerem crimes em nome de algo ou de alguém, em vcez de se assumirem como verdadeiros prevaricadores em vez de tentarem imiscuir a sua culpa em atos religiosos. Todas as pessoas podem ser boas ou más.

E assim depois destas palavras deixo mais uma notícia para pensarmos. Foram 49 mortos. Duas mesquitas foram atacadas na Nova Zelândia, deixando um rasto de 49 mortos e cerca de 48 feridos. Os ataques, passava pouco da meia noite em Lisboa, aconteceram nas mesquitas de Al Noor, em Hagley Park, e de Linwood Masjid. Entre as vítimas estarão vários refugiados e imigrantes. Refugiados e imigrantes que foram mortos sem se saber quem eram, quem seriam as suas famílias. Quem o fez apenas olhou ao local onde estavam e os classificou como sendo, talvez, criminosos a que teriam de fazer frente, não fossem estas pessoas fazer-lhes mal. Assim vai o nosso mundo em pleno século XXI. Mata-se ainda como no tempo dos Cruzados, como se não tivessemos evoluído da barbaridade para uma sociedade civilizada. 

Muitos dos feridos estão em estado grave e o número de vítimas ainda pode aumentar. O atentado ocorreu durante as orações da tarde e foi transmitido em direto na Internet, num vídeo que mostra um homem com uniforme militar e uma arma semiautomática a entrar numa das mesquitas e abrir fogo sobre os que estavam em oração, abandonando depois o local num carro e continuando a disparar pela janela. O mesmo cenário poderia acontecer entrando um homem de armadura a cavalo, golpeando uns quantos e fugindo de seguida com o sentimento de dever cumprido. Só que na altura a mensagem era levada por escudeiros ou mensageiros durante semanas ou meses até chegar ao seu destino e agora é levada em direto pelas redes sociais. Só mudou a rapidez, de resto continuam a existir uma humanidade rude e sem escrúpulos.

A equipa de críquete do Bangladesh, que está em Christchurch para defrontar a Nova Zelândia, encontrava-se na mesquita de Hagley Park para a oração diária quando o tiroteio começou, mas conseguiu abandonar o local sem que qualquer dos jogadores tenha sido atingido pelos disparos. Não se sabe se seriam um dos alvos.

A polícia neozelandesa deteve quatro pessoas relacionadas com os disparos. Uma delas, um homem com mais de 20 anos, está acusado de homicídio, confirmou o comandante da polícia neozelandesa, Mike Bush. Um dos suspeitos é um cidadão australiano, que escreveu um manifesto anti-imigração com mais de 70 páginas, onde começa com um poema de Dylan Thomas e detalha as motivações dos suspeitos: “criar uma atmosfera de medo” e “incitar à violência” contra os muçulmanos. Um mulher também foi detida mas ainda não se sabe se teve participação direta nos ataques.

Como resposta ao ataque, houve quem saísse à rua para prestar homenagem às vítimas. Há tributos a acontecer em Daca (Bangladesh), Bombaim (Índia), Carachi (Paquistão) e Wellington, capital da Nova Zelândia. A polícia também terá desativado dois carros armadilhados que não chegaram a explodir e que se pensa estarem relacionados com os ataques. 

Christchurch é a capital de Canterbury e a maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia e a terceira maior cidade do país com cerca de 376,700 habitantes, localizada na costa leste da ilha e a norte da península de Banks. Desde o ataque que as autoridades reforçaram o patrulhamento junto das mesquitas do país. O mesmo está a acontecer em França e no Reino Unido.

Mais uma vez, estamos a lidar com o medo. Não é aqui, mas podia ser. Ninguém parece estar seguro, quando há armas a circular por aí e se chega tarde para extinguir estas ações terroristas. Parece que conseguem sempre ganhar no jogo do gato e do rato contra as autoridades. E quando se prende ou mata um, outro o substitui e começa a levar a cabo um novo plano. Desta vez foi do outro lado do mundo, mas quem é que pode afirmar que está em segurança? 

Fontes:

https://www.publico.pt/2019/03/15/mundo/noticia/varios-mortos-ataque-duas-mesquitas-nova-zelandia-1865487

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dezenas-de-mortos-em-ataque-a-mesquitas-na-nova-zelandia_n1134966


 

14/03/2019

Desafios que levam à morte de jovens

Os jovens e as crianças são facilmente manipuláveis pelos conteúdos a que assistem nas redes sociais. Nós, adultos agora, podemos fazer um esforço e tentar lembrarmo-nos como éramos na idade dos nossos filhos, sobrinhos, alunos, mas não conseguimos ter uma verdadeira comparação acerca dos perigos atuais.


Depois do jogo da "Baleia azul" que levou à morte várias crianças e jovens em todo o mundo, surge agora um novo evento viral que está já a provocar vítimas e azo qual devemos estar muito atentos. O "Momo" é uma personagem que envia mensagens e que "apela" ou "obriga" as suas vítimas a se automutilarem e pode mesmo levá-las a cometer suicídios. É assustador e temos de nos colocar no lugar da criança ou jovem que recebe estas mensagens e perceber como é que algo de certo modo "fantasioso" as leva a obedecer, colocando-se mesmo em risco de vida. Este desafio viral foi lançado através da aplicação WhatsApp e do jogo Minecraft. 


Este desafio consiste em adicionar um número de telefone começado por +81, que corresponde ao indicativo do Japão. A personagem que aparece a partir daí - Momo - corresponde à imagem, "de uma escultura de uma mulher-pássaro, exposta em 2016 numa galeria japonesa, em Tóquio, ameaçando os jogadores e seus familiares e incitando ao suicídio", garante a PSP. As primeiras ocorrências terão sido reportadas na Rússia, mas países como México, Colômbia, Brasil, Argentina e França, registaram no ano passado diversas mortes de adolescentes quase todas por enforcamento. A faixa etária que o jogo mais afeta é entre os 9 e os 20 anos de idade.


De acordo com uma reportagem emitida pela TVI24, para além da promoção a comportamentos destrutivos, o desafio passa também pela tentativa de obtenção de imagens de cariz erótico das vítimas. Em Portugal há já "vários jovens e crianças que entraram neste jogo suicida e que se automutilaram. A jovem mais nova tem apenas 11 anos. Em declarações à TVI24, uma criança menor de idade contou que começou a jogar por influência de uma amiga e disse que na altura pensou tratar-se apenas de uma brincadeira até que, depois de se ter recusado a realizar um dos desafios, o jogo, o Momo, lhe enviou uma fotografia da sua rua, de forma a mostrar que sabia onde esta vivia." Desta forma, o "jogo" (ou quem está por detrás dele), provoca medo na criança: medo de que alguém lhe faça mal a ela ou à sua família.


Segundo a mesma reportagem, também um outro jovem, esteve "às portas da morte" depois de ter realizado um corte no olho e um outro na barriga, enquanto que uma sua amiga se atirou do telhado de sua casa, tendo acabado por ficar "presa a uma cadeira de rodas". 


Temos de estar muito atentos e sempre que possível presentes nas atividades que as nossas crianças fazem nas redes sociais. Os limites de idade, são uma ajuda mas podem ser facilmente ultrapassados com declarações falsas na criação de novos perfis e na abertura de contas. E muitas vezes, somos nós que abrimos essas mesmas contas para os autorizarmos a jogar um ou outro jogo, sem percebermos os reais perigos a que devemos estar atentos. Conhecem algum caso próximo?


Fontes:


https://sol.sapo.pt/artigo/649241/desafio-momo-ja-chegou-a-portugal-e-esta-a-obrigar-jovens-menores-de-idade-a-automutilarem-se


https://www.jm-madeira.pt/nacional/ver/46454/Momo_desafio_mortal_da_Internet_ja_chegou_a_Portugal


https://www.techemportugues.com/2019/03/13/momo-afinal-esta-vivo-e-ja-fez-vitimas-em-portugal/


https://tvi.iol.pt/noticias/sociedade/jogo/ana-leal-momo-o-desafio-suicida-para-criancas-e-jovens-ja-fez-vitimas-em-portugal


 


 

07/03/2019

Luto pelas vítimas de violência doméstica

Hoje é dia de Luto nacional em homenagem às vítimas de violência doméstica e às suas famílias. A data foi determinada no final de fevereiro, no mesmo dia em que o Governo deu luz verde à criação de uma equipa técnica multidisciplinar para a melhoria da prevenção e combate a este fenómeno.


Hoje às 12h00, o Primeiro-Ministro António Costa, os membros do Governo presentes no Conselho de Ministros e os dirigentes e funcionários da Presidência do Conselho de Ministros fizeram um minuto de silêncio, na escadaria frontal do edifício. Vale o que vale e não muda o que aconteceu. Não muda o facto de aquelas mulheres não terem sido devidamente protegidas. Ainda se escuta da parte de vítimas de violência doméstica que as autoridades (algumas) em vez de receberem a sua queixa lhes dizem para tentar a reconciliação.


A ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, garantiu "total empenho" do executivo na melhoria e reforço das respostas a esse tipo de casos. Esta data vem alertar para a problemática cada vez mais visível das vítimas de violência doméstica e para o aumento do número de mortos que dela advém.


A nossa sociedade, ainda tem costumes de submissão de um dos elementos do casal perante o outro, e que normalmente é a mulher que se submete, o que vem de hábitos patriarcais antigos. Ontem, mais uma vítima declarada. 11º vítima deste ano e ainda vamos apenas em março. Neste caso, uma mulher foi morta pelo marido, que se entregou mais tarde às autoridades, em Vieira do Minho, distrito de Braga. 


Há ainda a lamentar a criança de dois anos que morreu no mesmo contexto. Sobre isto, ainda estamos todos revoltados e sem saber como reagir.


Fontes:


https://www.tsf.pt/sociedade/7-de-marco-dia-nacional-de-luto-nacional-contra-a-violencia-domestica-10630482.html


https://www.cig.gov.pt/2019/03/7-marco-dia-luto-nacional-pelas-vitimas-violencia-domestica/


https://www.publico.pt/2019/03/07/sociedade/noticia/dia-luto-nacional-violencia-domestica-1864445


 

28/02/2019

Portugal relembra o sismo que abalou o país há 50 anos

Neste dia, voltemos à madrugada de 28 de fevereiro de 1969. Passaram-se 50 anos, mas ainda há quem se lembre desta madrugada. Casas destruídas, prédios que ficaram inclinados, casas desniveladas... dezenas de feridos e centenas de desalojados.

As pessoas acordaram com as paredes das casas a abanar e um barulho ensurdecedor. Muitos são os relatos das pessoas que viveram o sismo de 1969. Nesta data, o escândalo nacional que tinha sido a ida de Simone de Oliveira ao Festival da Canção, foi esquecida devido ao sismo que abalou o país naquela noite.

Em terra, a noite estava chuvosa, mas no mar o céu até se apresentava limpo. Segundo o IPMA, "tratou-se do sismo de maior magnitude sentido na Europa desde o grande terramoto de Lisboa de 1755." O pânico foi generalizado entre a população, tendo havido "cortes nas telecomunicações e no fornecimento de energia elétrica."

A vibração terá levado cerca de um minuto. O Algarve foi a zona mais afetada com uma aldeia inteira a "desaparecer do mapa." Mas poderia ter sido bem pior, não tivesse sido a distância a que se deu o epicentro.

Em Lisboa, caíram fachadas e desmoronaram varandins. Ao abalo principal de 7.9, seguiu-se uma réplica de 5.4 na Escala de Richter, tendo havido oficialmemente três vítimas diretas, resultantes de danos provocados pelo abalo. De acordo com a tese de Ana Vieira(1), as três vítimas foram as seguintes: "em Sines, na enfermaria do hospital, um homem foi atingido por um tijolo que perfurou o tecto tendo sido, posteriormente, transferido para o Hospital de São José, onde não resistiu aos ferimentos (República 02/03/1969). Em Lagos, no lugar de São João, o colapso de uma residência provocou mais uma vítima (Diário de Notícias 01/03/1969). A última vítima mortal foi um pescador cujo corpo foi descoberto debaixo dos escombros de uma rocha que, devido ao sismo, se terá fragmentado (Diário Popular 12/03/1969)." Os registos acabam por ser díspares e, se uns apontam que o pescador terá morrido na "Praia do Vau" outros localizam a mesma morte "na Praia da Rocha."

Em relação aos restantes mortos, a sua ocorrência ter-se-á devido a síncopes e outros acidentes não diretamente relacionados com o sismo, mas que a este poderiam ter sido atribuídos. No site da RTP(2) os números que encontramos são desde logo diferentes, apontando para "treze pessoas" a perderem a vida. O mesmo nos diz o artigo hoje publicado no Diário de Notícias (3), afirmando que destas vítimas, "duas " terão ocorrido "em consequência direta do abalo e 11 indiretas, algumas acometidas de síncopes."

Quanto aos feridos, também não existe um registo exato do seu número. Na sua pesquisa, Vieira(1) indica que se registaram "cerca de 70 feridos em Lisboa e 150 na região do Algarve, sendo estas as regiões mais afectadas no país." No entanto, basta-nos pesquisar os jornais da época, principalmente os desse dia e do dia seguinte para vermos que existiu uma discrepância de números: no dia 28, o "Diário de Lisboa" apontava 60 feridos na capital, 

As pessoas concentraram-se nas ruas, mesmo com o frio e a cacimba que se fazia sentir. O pânico voltou a instalar-se quando por volta das 5:28, se sentiu "uma réplica de pequena intensidade." Pequena, pequena, não terá sido, mas menor do que a primeira sim. As estruturas já danificadas podiam de facto ruir e por isso ninguém voltava para dentro. De entre as descrições dessa madrugada, cada um contou o que viu e o que sentiu. "Muitos diziam que o céu tinha tomado uma coloração rubra, a fazer lembrar uma aurora boreal, depois viram uma rápido mas intenso clarão."

Um outro relato é o do comandante da embarcação "Manuel Vicente" que navegava àquela hora muito próximo do local do epicentro do sismo. De acordo com o publicado no Diário de Notícias (3) e cuja descrição já li também em outras fontes, "o comandante Oliveira Manata estava nessa altura recolhido, a ler. Eram, 1:43 locais e percebeu que o navio se estava a comporta de forma estranha. Começou a arfar, uma expressão que na linguagem náutica significa um movimento parecido com o abrir e fechar da mão." Disse o comandante que "embora construído em ferro, o barco tem uma certa elasticidade, mas naquela altura sentiu-se o esforço dele. Logo a seguir, deixou de arfar e começou a vibrar com muita força." Contou ainda que foi possível ver"o mar, e um lado e de outro, borbulhar como a água de uma panela a ferver. Logo que parou a vibração, vieram duas vagas grandes; o navio subiu uma, desceu a outra e passou-a também. Depois tudo serenou." Estas vagas chegariam a terra, mas sem grandes danos a registar.

Quando a luz do dia permitiu avaliar melhor os estragos, viram-se então diversos "carros soterrados por paredes que caíram." Em Lisboa, "os hospitais de São José (onde uma parte teve de ser evacuada) e o Curry Cabral também ficaram danificados." Em Castro Marim, no Algarve, o Hospital de Castro Marim, "ficou praticamente destruído. Na povoação de Casseia, várias casas vieram abaixo e a igreja, reconstruída após o terramoto de 1775, sofreu danos consideráveis." Bastante afetadas ficaram ainda as aldeias de Bensafrim, próximo de Lagos, (esta a "ficar praticamente destruída", com "cerca de 50 habitações" a serem "deitadas ao chão pelo terramoto") e de Fonte Louzeiros, perto de Alcantarilha, (onde não houve uma casa que ficasse de pé). Muitos foram os desalojados como se pode perceber.

É curioso que agora as pessoas falem sobre este sismo, mas temos de nos lembrar que naquela altura não havia a comunicação social como a temos hoje. "A realidade pretendia-se pacífica e harmoniosa." Os jornais e as rádios estavam limitados pela censura e as notícias iam chegando através dos seus correspondentes, que eram enviados aos locais e falavam com as populações.

Fontes:

(1) file:///C:/Users/pcmultimedia/Videos/Downloads/Ana%20Vieira_81693_TESE%20(1).pdf

(2) https://ensina.rtp.pt/artigo/memorias-do-sismo-de-1969/

(3) https://www.dn.pt/arquivo/diario-de-noticias/sismo-1969-o-mar-borbulhou-e-o-pais-saiu-a-rua-em-pijama-10630935.html

https://youtu.be/veyeux83c_E

https://youtu.be/xU3cSCuZiTY

https://www.noticiasaominuto.com/pais/1207995/meio-seculo-se-passou-do-grande-sismo-de-69-lembra-se-como-foi

https://youtu.be/Z7wMywUkeJc?t=27

 

21/02/2019

Pecará por tardia...

O Vaticano irá receber a partir de hoje e até ao próximo domingo todos os presidentes das conferências Episcopais do mundo para uma reunião inédita sobre os casos de abusos sexuais a crianças praticados pelos seus membros. Este tem sido um dos temas polémicos a abalar a igreja com muitos casos ao longo dos anos, muitos dos quais foram abafados. 


Um relatório dá a conhecer que, por exemplo, na Igreja dos Estados Unidos cerca de mil crianças foram vítimas de padres nos últimos 70 anos, e que gerações consecutivas de bispos falharam repetidamente na adoção de medidas para proteger a comunidade e punir os violadores.


Na Austrália, outro caso envolveu o cardeal George Pell, que dirigia a Secretaria da Economia do Vaticano, foi considerado culpado por um tribunal em Melbourne de abuso sexual a duas crianças.


Em Agosto, o Papa escreveu aos católicos do mundo, poucos dias antes de uma visita à Irlanda, onde mais de 14.500 pessoas se declararam vítimas de abuso sexual por parte de padres, o papa escreveu aos católicos do mundo, condenando este crime e exigindo responsabilidades.Já em 2010, também o seu antecessor, Bento XVI, escrevera uma carta a todos os católicos irlandeses, reconhecendo a responsabilidade da Igreja nos abusos cometidos no país.


Em 2018, um enviado do Papa ao Chile fez uma investigação, da qual resultou um relatório que incluia 64 testemunhos e que acabou por desencadear a renúncia em bloco dos bispos chilenos. O papa assumiu na altura o compromisso de reparação dos danos e de mudanças na Igreja, as vítimas aplaudiram e as autoridades policiais avançaram com uma investigação que ainda decorre e que já levou à identificação de mais de 200 vítimas. 


O abuso sexual contra crianças durante anos e anos chegou a ser classificado pelo secretário do papa emérito, Bento XVI, como "o 11 de setembro da Igreja Católica". Os relatos e as notícias de abusos tiveram também impacto na Igreja dos Estados Unidos. Neste caso, um relatório elaborado por um grande júri da Pensilvânia revelou que, pelo menos mil crianças, foram vítimas de 300 padres nos últimos 70 anos, e que gerações de bispos falharam repetidamente na adoção de medidas para proteger a comunidade e punir os violadores. As vítimas poderão ser ainda mais.


Na Alemanha, um relatório interno encomendado pela Conferência Episcopal alemã aponta para 3677 casos de abusos sexuais cometidos por 1670 elementos da Igreja Católica entre 1946 e 2014 e na Holanda pelo menos 20 bispos e cardeais holandeses foram associados a abusos sexuais.


O encontro sobre a “Proteção dos menores na Igreja”, que se realizará, no Vaticano focará três temas principais: responsabilidade, assunção de responsabilidades e transparência.


Fontes:


https://www.dn.pt/lusa/cimeira-no-vaticano-sobre-protecao-de-criancas-e-abusos-apresentada-na-segunda-feira-10587985.html


https://exame.com/mundo/papa-francisco-pede-perdao-as-vitimas-de-abusos-na-irlanda/


 

13/02/2019

Os meninos-soldado da guerra de Angola

Hoje trago um tema, bastante polémico, mas do qual não nos podemos esquecer: os meninos-soldado. São crianças, raptadas, vendidas ou até recrutadas, que se juntam a grupos armados e combatem nas guerras de todo o mundo. Sobrevivem em condições desumanas, na maioria das vezes sem abrigo, alimentação adequada ou cuidados de saúde. Muitas morrem devido a ferimentos por armas de fogo, explosões ou de doenças contraídas e das quais não chegama  ser tratadas. Outras tantas são violadas, mutiladas...


Durante toda a História mundial, há inúmeros exemplos do uso de crianças em conflitos armados, seja propositadamente ou pela força das circunstâncias. É muito recente a condenação explícita e global da participação ativa de crianças em conflitos e guerras, uma vez que só em 1989 foi assinada a Convenção sobre os Direitos da Criança, onde se pode ler que: “os Estados Partes devem tomar todas as medidas possíveis na prática para garantir que nenhuma criança com menos de 15 anos participe directamente nas hostilidades”.


Uma notícia na RTP em 1990, já alertava para esta problemática, dizendo que "MPLA e UNITA incorporam crianças nas suas forças de combate devido ao desgaste humano provocado pela guerra civil no país". Tanto Angola como Moçambique ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança em 1990, mas sabemos que as suas diretrizes não foram cumpridas.


Nesta pequena notícia, é mesmo mostrado um documento onde se intima jovens a partir dos 16 anos a se recensearem, mas em imagens da mesma época vemos que existem crianças bem mais novas de arma na mão.


Um relatório da Human-Rights, viria a dizer que estas crianças-soldado, que lutaram na guerra civil de Angola tinham sido excluídas dos programas de desmobilização, aquando do acordo que estabeleceu a paz na extensão continental de Angola em 2002.


"O contigente esquecido" foi um relatório criado na época e que dá a conhecer essa problemática. Em dados apresentados nesse ano, estimam que cerca de 11.000 crianças estiveram envolvidas nos últimos anos dos combates. Algumas crianças receberam treinamento no uso de armas e participaram diretamente dos combates, enquanto que outras atuaram como carregadores, cozinheiros, espiões e trabalhadores. A estas crianças eram dadas também drogas, como por exemplo, a Canábis. Fugir não era opção, porque quem tentava fugir era morto e, muitas vezes era pedido a uma das crianças que matasse outra que tinha tentado fugir da base. Se não o fizesse, ela mesma era morta. O medo era constante. 


O uso de crianças em conflitos armados viola a legislação de inúmeros países, entre os quais, Angola, bem como viola de forma bastante clara as leis internacionais. Sobre Angola recai a obrigação de providenciar a recuperação e reintegração de todas as crianças afetadas pelo conflito.


Além das agruras da guerra, as crianças-soldado foram privadas de oportunidades educacionais, vocacionais e de desenvolvimento, o que faz com que estas crianças necessitem particularmente de programas de reabilitação adequados com as suas experiências específicas. Sem nenhuma assistência, elas correm o risco de serem manipuladas no futuro, tornando-se mais vulneráveis a serem atraídas ao serviço militar ou ao exercício de atividades ilegais.


Ainda segundo "O contingente esquecido", os soldados da UNITA espancavam frequentemente as crianças que cometiam qualquer infração e forçavam-nas a realizar trabalhos perigosos, além de abusarem sexualmente das adolescentes ou de as ofereceram como "esposas" aos soldados.


As forças armadas do Governo também usaram rapazes na guerra, se bem que em número mais reduzido do que a UNITA. 


As crianças que atuaram na guerra devem primeiro ser identificadas e reconhecidas para garantir que as ofertas tangíveis de assistência realmente as beneficiem.


Em abril de 2002, a guerra terminou na parte continental do país, depois de décadas de combates. A infra-estrutura do próprio país estava em ruínas: escolas e clínicas de saúde tinham sido completamente destruídas e restavam poucos profissionais qualificados para prestar os serviços.


O sucesso dos projetos de reintegração das crianças-soldado dependerá de uma maior dedicação de recursos por parte do governo para prestar os serviços básicos a todos os angolanos. Quem passou por isto, tem traumas muito profundos.


Fontes:


https://arquivos.rtp.pt/conteudos/mpla-e-unita-incorporam-criancas-nas-suas-forcas-de-combate/


https://www.hrw.org/pt/news/2003/04/28/226507


https://www.dw.com/pt-002/a-inf%C3%A2ncia-passada-na-guerra-crian%C3%A7as-soldado-em-mo%C3%A7ambique-e-angola/a-17799763


 

Numa praça de gente madura

Hoje, numa " praça de gente madura ", o povo saiu à rua. Não foram pôr cravos nas lapelas, nem nas espingardas dos militares, como...