Nasceram cá, vivem cá, mas não se interessam pelo passado do país. Apesar de algumas exceções, a maioria dos nossos jovens não se interessa sequer em saber um pouco mais acerca dos episódios mais marcantes da nossa História. (Outros colegas falarão do drama que é ensinar matemática, ciências... e eu teria muitas histórias para aqui acrescentar também).
Decoram "mal" as datas de que vão precisar para a realização do próximo teste e, saídos da sala, passam uma borracha que lhes leva para bem longe as palavras guardadas na mente por alguns momentos. E depois, aparecem aqueles "tesourinhos", tais como: "preciso de estudar a segunda metade do séc. XXI para o teste", "o Renascimento aconteceu quando deus nasceu", "os Lusíadas foram mais importantes que a chegada do Homem à lua porque aconteceram há milhares de anos e ainda são lembrados."
O que fazer? Compreender que as disciplinas estão desatualizadas e que cada vez menos vão ao encontro das nossas crianças e jovens. Perceber que é preciso alterar os livros de História, que cada vez mais "escondem" factos importantes e "saltitam" para a frente e para trás, confundindo os miúdos. Criar uma interligação entre as matérias de Português, História e de Geografia. Com tantos recursos que temos hoje em dia, os nossos manuais estão uma verdadeira lástima! Contêm erros que, rapidamente são desconstruídos por qualquer pesquisa e, daqueles que tenho vindo a conhecer, tornam-se confusos para os alunos quando voltam "para trás" para falar de outros assuntos. Existem alguns temas que, na minha opinião poderiam passar para o secundário, libertando o 3º ciclo daqueles que deveriam ser os conhecimentos essenciais. Para mim - e isto é a minha opinião própria - para quem não vai seguir História/ História de Arte (ou outras), falar sobre o nome de pintores (poderia ser falado em EV), ou saber distinguir o estilo Gótico, não tem assim tanta importância, quando o aluno não faz ideia do que significa Idade Média. Se calhar, podia referir-se como uma demonstração das mudanças sociais que ocorreram durante o século XII. É que muitos, não conseguem sequer associar este estilo ao reinado de D. Afonso Henriques.
Nos últimos dias, li num trabalho que D. Afonso Henriques tinha assumido o governo de Portugal depois da morte de D. Fernando. E noutro, que o filho de D. Beatriz tinha subido ao trono e lutado contra a mãe. Vai aqui uma grande confusão!
A desmotivação parece ser cada vez maior e, o que mais me preocupa, são os alunos entre o 9º e o 12º ano. Daqui a muito pouco tempo, serão eles a votar e - já se nota - a falta de cultura geral, o massivo desinteresse por assuntos da atualidade ou do passado (bem) próximo. A maioria não sabe em que ano se deu a Revolução de Abril e, pior ainda, não explicar (mesmo que de forma simples) o que é a Democracia. Quando a culpa dos problemas económicos Americanos do início do século XX se devem a "Hitler" e quando "Salazar" participa na invasão de Lisboa para libertar o presidente... tudo pode ser verdade. A culpa não é da IA. A culpa é de quem não lhes exige mais, de quem lhes vai facilitando a vida até que chegam a este ponto (que, temo, já seja) de não retorno!
No outro dia, um aluno dizia que os "judeus" tinham sido "burros", porque, segundo ele, podiam ter fugido "todos para a Suíça." Esta frase, a menos de dez dias de terminar o seu 9º ano, leva-me a perguntar, seriamente, em que é se está a falhar nestes últimos anos na escola?
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