27/07/2024

Desastre em Custóias - 60 anos depois da Tragédia!

27 de Julho de 1964, um descarrilamento na Linha do Litoral do Minho, resultou em 90 mortos e 105 feridos. Os acidentes ferroviárias, têm sido, sem duvida, aqueles que mais feridos, mortos e incapacitados deixam no nosso país. E este, não foi exceção. A tragédia aconteceu num dia que devia ser de festa, naquela região.


O acidente ocorreu devido a um erro humano que dificilmente poderia ser evitado. As imagens, disponíveis na página da RTP deixam ver a realidade de forma dura e crua, os corpos a balançar içados para fora dos destroços, dezenas de mortos retirados à luz de candeeiros a petróleo e candeias. A carruagem que descarrilou estaria "sobrelotada" e terá ainda embatido contra o "pilar da Ponte das Carvalhas." Este, não tendo sido o pior de todos, foi sem dúvida um dos que mais vítimas provocou e, para aquela época, o mais mediático, tendo em conta a presença das câmaras da RTP, que registaram imagens que, hoje, seriam certamente editadas, antes de serem transmitidas.



(Imagem do JN, retirada do Blog: https://portoarc.blogspot.com/2016/12/comboio-xii-linha-do-porto-povoa-de.html)


O acidente ocorreu com um comboio que saiu da Póvoa de Varzim às 21h30, e que seguia com destino ao Porto, "composto pela automotora 9309 e por um reboque." 


Deveria ter saído depois de um outro comboio (o das 21h10m), mas na sua ausência, este acabou por "partir primeiro, aumentando ainda mais o número de passageiros. Desta forma, o comboio já saiu sobrelotado da Póvoa de Varzim, e ainda recebeu mais alguns passageiros em Pedras Rubras." A bordo do reboque, seguiam "cerca de 200 pessoas," onde só haveria "capacidade, em condições normais, para 80 pessoas. Só existiam lugares sentados para 68 passageiros, pelo que os restantes estavam a viajar de pé." Foi precisamente o reboque que descarrilou e que foi embater "contra um dos pilares da ponte" das Carvalhas, "tendo ficado quase totalmente destruído." 


À colisão seguiu-se "um incêndio a bordo."


Pode-se dizer que o número de vítimas foi estimado e não se sabe ainda ao certo quantos mortos e feridos foram no total, pois os registos dessa época eram parcos. "O revisor atribuiu as causas do acidente à sobrelotação do comboio, embora tivesse admitido que o comboio estava nessa altura a circular «a uma velocidade acima da normal»." O excesso de peso e de velocidade, terá provocado "a quebra dos engates entre o reboque e a automotora e o consequente descarrilamento do reboque."


Um dos passageiros que seguia a bordo do reboque, terá ainda relatado que "«a automotora vinha muito depressa», e calculou que no reboque vinham «entre cem e duzentas» pessoas." São dados como estes que permitem que hoje se faça o balanço aproximado.


Do Ministério das Comunicações, chegou a seguinte Nota:



"Deploramos profundamente o desastre ferroviário ocorrido na linha da Póvoa de Varzim, na noite de 26 de Julho. Pelo número elevado de mortos não ficaram apenas de luto pesado muitas famílias, ficou também enlutada a própria Nação, toda esta grande família portuguesa tão sensível às desgraças alheias como às suas tragédias."



 



 



Fontes:


https://arquivos.rtp.pt/conteudos/acidente-ferroviario-em-custoias/


https://portoarc.blogspot.com/2016/12/comboio-xii-linha-do-porto-povoa-de.html


https://pt.wikipedia.org/wiki/Desastre_ferrovi%C3%A1rio_de_Cust%C3%B3ias


https://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/GazetaCF/1964/N1839/N1839_master/GazetaCFN1839.pdf

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