As crianças são as pessoas mais frágeis de uma sociedade e quando essa sociedade se aproveita da sua fragilidade para obter benefícios como é que se há-de chamar? Como é que havemos de passar ao lado destas situações sem olhar, sem nos provocar um nó no estômago?
O tráfico de seres humanos, em particular, de bebés e crianças, é uma realidade chocante que continua a existir nos nossos dias. Mais de metade (64 %) das crianças vítimas deste tráfico são utilizadas para fins de exploração sexual, mas são também vítimas de tráfico para fins de exploração laboral, criminalidade e mendicidade forçadas, bem como para crimes relacionados com droga e ainda para casamentos forçados e fictícios. As crianças estão particularmente em risco de serem vítimas de traficantes em linha, podendo passar de país em país.
Segundo notícia a página da RTP, o "Observatório do Tráfico de Seres Humanos revelou que foram sinalizadas em Portugal 12 pessoas por mendicidade forçada. Os dados indicam que a maioria dos casos envolvem pessoas oriundas da Roménia. Há crianças que são vendidas pelos próprios familiares por alguns milhares de euros."
Num dos casos contados pela comunicação social, uma menina romena de 10 anos foi vendida duas vezes pela mãe e acabou como escrava doméstica. Foi forçada a casar e sofreu vários abusos físicos e sexuais.
Segundo as notícias, existem "redes internacionais a comprar crianças por valores entre os mil e os dois mil euros para, em seguida, as forçar a angariar um mínimo de 30 euros diários com a mendicidade." Nestes casos, os menores ou as adolescentes com bebés ao colo são pedintes que despertam maior compaixão e tornam-se, por isso, alvos mais vulneráveis.
Mas não são apenas as redes internacionais a operar cá no tráfico de crianças. "Também há portugueses a aproveitarem-se das debilidades de quem padece de doenças mentais e físicas para viver à custa de quem passa os dias a pedir à porta de igrejas e supermercados. Num e noutro caso, há uma certeza: quanto maior a degradação da vítima maior é o lucro." (JN)
Ao JN, o inspetor-chefe da PJ, Sebastião Sousa, "As redes internacionais, sobretudo provenientes da Roménia e Bulgária, aproveitaram a integração destes países na União Europeia para circularem livremente pelo Espaço Schengen. Estas redes tiveram o seu apogeu até 2018 e recuaram com a pandemia", explicou ao JN Sebastião Sousa.
Mas a realidade é que os casos estão lá todos os dias, embora poucos cheguem de facto às autoridades. Muitas destas crianças, vivem na rua ou em condições deploráveis, sem cuidados médicos ou de higiene e sem frequentarem a escola.
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