16/02/2021

O carnaval na história

Hoje, é terça-feira de Carnaval. Aquele dia que eu sempre achei que devia ser feriado, pois o Carnaval faz parte das festividades de várias terras, de norte a sul do país. As festas datam de há muitos séculos. Sabiam que os Romanos faziam algo parecido?


As Saturnálias, eram festas épicas que aconteciam na Roma antiga em exaltação a Saturno, deus da agricultura. A diferença é que essas festas aconteciam em dezembro. O mais interessante da Saturnália, não era apenas este estado de relaxamento constante, mas sim a inversão de papéis e de convenções sociais a que se assiste. Por exemplo, os senhores usavam o pilleus – chapéu de escravo liberto –, e deixavam os escravos fazerem aquilo que mais desejassem ou, até mesmo, demonstrarem algum ato de insolência. Esta peculiaridade do festival era uma forma de escape das pressões sociais acumuladas, ao longo do ano, dentro das rígidas regras de sociabilidade romana.


Outra curiosidade da época dos Romanos, é que também tinham uma espécie de "carro alegórico" onde iam homens e mulheres nus. Chamava-se de carrus navalis (“carro naval”), pois tinham formato de navio. Terá sido essa a origem da palavra “Carnaval”?


Sabemos que, mais tarde, quando a Igreja Católica começou a cristianizar diversas tradições pagãs, o termo passou a significar, por aproximação fonética, carne vale (adeus à carne).


Porquê “adeus à carne”? Tem ligação com o período que antecede a quaresma (Páscoa) e por isso, o dia de Carnaval antecede o "carne vale", que nunca fez parte do calendário religioso oficial, ficou marcado como o momento de exagero feito para compensar a entrada no período de penitência – no qual o consumo de carne era proibido.


E em Portugal, a história do Carnaval também deriva de festividades religiosas e é festajado de formas muito diferentes, com tradições seculares.


Sabiam que os festejos do Carnaval do Brasil ganharam outra vida com a chegada dos colonos portugueses?


Apesar do forte secularismo presente no Carnaval, a festa é tradicionalmente ligada ao catolicismo, uma vez que sua celebração antecede a Quaresma. O Carnaval não é uma invenção brasileira, pois sua origem remonta à Antiguidade. 


O Brasil já teria as suas tradições, mas  entre os séculos XVI e XVII surgiu o entrudo. Essa brincadeira fixou-se primeiramente no Rio de Janeiro e era realizada dias antes do início da Quaresma.


O entrudo manifestava o clima de zombaria pública que regia o Carnaval e foi uma brincadeira muito comum até meados do século XIX. A sua manifestação mais tradicional era conhecida como “molhadelas”, em que as pessoas atiravam líquidos malcheirosos umas nas outras (água suja, lama e até urina). No entrudo também se usavam águas aromatizadas, principalmente pela classes mais altas da sociedade. 


A partir do século XX, o envolvimento popular com a festa contribuiu para a consolidação de ritmos que incorporavam a influência da cultura africana na capital brasileira. Assim, na década de 1930, o samba e os desfiles das escolas de samba tornaram-se no elemento fundamental do Carnaval


A música não tem apenas relação com os povos africanos,  mas também com os portugueses. Por exemplo, o cavaquinho (que é um instrumento da família dos cordofones originário do Minho, norte de Portugal) foi levado para outras paragens como Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Havai.


Também não podemos deixar de reparar nas similiaridades entre o Bombo, tipicamente tão português e o surdo. 


Estes traços históricos não são muito explicados às crianças, a não ser pelas tradições da terra onde vivem e em que podem participar. O que são os "caretos" de Podence? O que são os "diabos" de Vinhais?


 


Fontes:


https://www.worldhistory.org/trans/pt/1-15567/saturnalia/


https://www.visitportugal.com/pt-pt/content/os-caretos-de-podence


https://www.cm-vinhais.pt/pages/139


https://brasilescola.uol.com.br/carnaval/historia-do-carnaval.htm


 


 

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