A pneumónica chegou a Portugal vinda da vizinha Espanha (e por isso também chamada de gripe espanhola,) foi responsável pela morte de "dezenas de milhares de pessoas nos anos de 1918 e 1919," matando em Portugal entre 50 a 70 mil pessoas.
Esta pandemia passou, no entanto, por vários continentes, e deixou cerca de cinquenta milhões de vítimas, tendo sido "a maior pandemia mundial conhecida até hoje." Causou "mais mortes que a Peste Negra ao longo de vários séculos" ou do que a Primeira "Guerra Mundial." Os barcos que saíam da Europa, principalmente de Espanha e de Portugal, acabaram por levar o vírus para outros continentes.
A Pneumónica, "causada por uma estirpe do vírus Influenza A do subtipo H1N1," terá chegado a Portugal "a meio de 1918 e, em cerca de dois anos, dizimou dezenas de milhares de pessoas. Algumas zonas do país perderam 10 por cento da sua população."
O combate à doença, foi difícil, uma vez que o país era muito pobre e passava por um período de fraco desenvolvimento agrícola e económico. "A crise socioeconómica agravou os efeitos da doença, impondo a requisição de produtos alimentares e a criação de armazéns reguladores de preços para assegurar o acesso a bens de primeira necessidade." Proibiram-se feiras e fecharam-se escolas. O Drº Ricardo Jorge, responsável pela DGS, implementa algumas medidas importantes. "Aposta-se na prevenção, centrada na higiene do corpo e dos espaços, e na assistência aos atacados em hospitais de isolamento."
"Para assistir os doentes foram requisitados dezenas de espaços públicos que passaram a funcionar com enfermarias, mas o número de vítimas era tão grande que ao longo de várias semanas se viveu uma situação de caos." Houve cidades onde se queimou eucalipto e pinheiro pelas ruas.
Em Sesimbra, destaca-se o trabalho do médico Aníbal Esmeriz e que, depois da sua morte vem a ser homenageado, pelo seu contributo durante a Primeira Guerra e durande a pandemia. Ao tratar os doentes, acabou por contrair a doença e de falecer devido à mesma. Já doente, ele continua a exercer o seu trabalho: "Qual outro lobo do mar que na iminência do temporal sabe que morre, mas não desanima de salvar, assim o Dr. Esmeriz, conhecendo perfeitamente o seu estado, foi-se entregando e dando ao tratamento dos seus doentes, como quem trabalha com o maior esmero os últimos períodos do livro da caridade".
Existe um "busto no átrio do Hospital da Misericórdia" e uma rua com o seu nome. E foi mesmo nas idas, na minha infância, ao Centro de Saúde, que acabei por perguntar sobre aquele busto e de então ouvir falar sobre a Pneumónica.
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/gripe-pneumonica-pandemia-1918-1919/
https://www.csarmento.uminho.pt/site/s/pneumonica/page/ini
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