Este caso está a abalar o país e a fazer-nos olhar de maneira diferente para as nossas coletividades. Espaços com uma importância incomparável em todas as vilas, aldeias e cidades, as coletividades trazem para o seio da comunidade um espaço de convívio, de desporto, de cultura. São locais de voluntariado e de gente de boa vontade. Mas nem sempre são locais seguros!
A Associação Recreativa de Vila Nova da Rainha era o ponto de encontro e local de convívio não só dos habitantes da aldeia, mas de outras localidades vizinhas e por isso, numa comunidade onde todos se conhecem, a morte (até agora confirmada) de oito pessoas — sete homens e uma mulher — é uma tragédia.
O incêndio deflagrou na noite de sábado, na Associação Recreativa de Vila Nova da Rainha, concelho de Tondela. Quatro das vítimas mortais eram da aldeia onde a tragédia aconteceu, três de localidades vizinhas e ainda uma do concelho de Santa Comba Dão. Há, ao momento, 38 feridos internados nos hospitais de Viseu, Coimbra, Lisboa e Porto, 16 dos quais em estado grave. Alguns dos feridos foram internados essencialmente para estabilizarem os níveis de monóxido de carbono devido à inalação de fumo. Outros sofreram queimaduras na cabeça, tronco e membros superiores e traumatismos durante a fuga. Estão ainda profundamente abalados pelo que aconteceu, tendo sido mobilizadas equipas de psicologia e assistência social.
As vítimas, na maioria com idades entre os 60 e os 70 anos, estavam a participar num torneio de sueca, considerado um dos melhores e mais concorridos da região. No momento do acidente, no salão onde decorria o jogo, no piso superior, estariam entre 60 a 70 pessoas. No andar debaixo, a ver o jogo de futebol entre o Braga e o Benfica através da televisão, mais uma dezena.
O fogo terá sido provocado por uma salamandra mas aponta-se também o dedo à falta de condições de segurança do edifício. A salamandra que estava a ser usada para aquecer o piso superior terá provocado uma forte ignição no teto falso, fazendo rapidamente colapsar o teto falso e enchendo o espaço de fumo. Apesar de o socorro ter sido razoavelmente rápido, as medidas de autoproteção que deviam existir no edifício falharam ou não estavam presentes. De acordo com as notícias, no local estiveram 170 operacionais de várias valências, destacando-se o envolvimento de três helicópteros do INEM.
Para além da inexistência de portas corta-fogo, equipadas de barras antipânico e que abrem para fora, foram usados materiais de combustão rápida na construção do edifício que contribuíram para a rápida propagação das chamas e colapso do teto. Na tentativa de fuga, muitos dos ocupantes do espaço ficaram encurralados e entraram em pânico. A maioria das vítimas sofreu queimaduras ou intoxicações por inalação de fumo. O edifício apresenta dois andares com três portas para o exterior e foi junto a uma dessas portas que os bombeiros encontraram os corpos das vítimas mortais amontoados: esta era a porta mais próxima das escadas que dão acesso ao primeiro piso e que infelizmente não estava equipada com barras antipânico. Além disso, abria para dentro, o que no pânico tornou impossível a sua abertura sem ser pelos populares que se encontravam no exterior, que recorreram a um jipe para a arrancar de forma a aceder ao interior.
Fontes:
https://www.rtp.pt/noticias/pais/incendio-em-vila-nova-da-rainha-o-que-ja-sabemos_n1052078
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