Hoje, publico sobre a morte de Madalena Iglésias que nos deixou ontem. Madalena foi considerada por muitos uma das grandes vozes do panorama musical português e uma figura importante para a nossa cultura musical de quem eu não poderia deixar de falar. Tinha 78 anos e faleceu numa clínica de Barcelona em Espanha.
Madalena Iglésias nasceu em Lisboa, no bairro de Santa Catarina, no dia 24 de outubro de 1939. Terá estudado no Conservatório e na Escola do Canto e, com apenas 15 anos, entrou para o Centro de Preparação de Artistas da Rádio da Emissora Nacional, sob a direcção de Motta Pereira.
Em 1954, estreia-se em simultâneo na televisão e na Emissora Nacional. Rapidamente, a sua carreira se torna internacional, com a oportunidade de atuar em 1959 na televisão espanhola.
Em 1960, recebe os títulos de Rainha da Rádio e da Televisão, no mesmo ano em que se estreia no cinema, ao lado de António Calvário, em "Uma Hora de Amor", de Augusto Fraga. Participou também no filme "Canção da Saudade", de Henrique Campos.
Em 1962 e por intermédio da Emissora Nacional, representou Portugal no Festival de Benidorm. Esta participação acabou por lhe abrir definitivamente as portas do mercado internacional. Realizou digressões por Espanha e pela América do Sul, gravou para a discográfica Belter e concorreu a diferentes festivais internacionais, como o Palma de Maiorca e o de Aranda del Duero, do qual foi vencedora em 1964.
Ainda em 1964, participou no Grande Prémio TV da Canção Portuguesa (que se realizou nos Estúdios do Lumiar, a então sede da RTP desde 1957), apresentando-se em palco com duas canções: a "Balada Das Palavras Perdidas", com a qual consegue um 5º lugar, e "Na tua Carta", que lhe dá o 10º lugar. Neste registo disponível nos Arquivos da RTP, podemos ver e ouvir a interpretação de Madalena Iglésias (entre os 11 e os 15 minutos) com a canção "Na tua Carta".
Em 1965, com a canção "Silêncio Entre Nós", fica em 3º lugar no Grande Prémio da TV da Canção. Grava também uma versão de "Sol de Inverno" (popularizado por Simone de Oliveira, mas também interpretado por outros artistas). 1965 é também o ano de "Poema de Nós Dois", tema do filme "Passagem de Nível" de Américo Leite Rosa. No mesmo ano, é coroada "Rainha" (tal como Simone de Oliveira) no concurso "Reis da Rádio e Televisão", promovido pela revista "Flama". Já nessa época, as revistas escrutinavam o que podiam da vida das figuras públicas e estas duas grandes mulheres não foram diferentes. Assim, ainda hoje se fala na rivalidade entre Simone e Madalena que terá dado na altura uma verdadeira "novela". Na data da morte de Madalena, a cantora Simone de Oliveira declarou à revista "Flash" que a relação entre as duas "umas vezes foi muito boa, outras vezes menos boa", considerando nas suas palavras que o grupo de fãs da Madalena era "muito agressivo".
No ano seguinte, leva três temas a votação. Interpreta "Rebeldia" com o qual consegue o terceiro lugar e ainda o tema "Ele e Ela" com o qual vence o Festival RTP da Canção de 1966, um tema da autoria de Carlos Canelhas e que ficou para sempre na memória dos portugueses. E que tal espreitar aqui novamente os Arquivos RTP, com mais este precioso registo?
Em 1968, Madalena Iglésias representou Portugal na primeira edição das Olimpíadas da Canção da Grécia onde atuaram 32 participantes oriundos de 17 países.
Participa no Festival RTP da Canção de 1969 no teatro S. Luíz, em Lisboa, com "Canção Para um Poeta", escrita por Maria Amália Ortiz da Fonseca e musicada por Carlos Canelhas. Nesse ano é editado pela Belter um EP com os temas "Canção Que Alguém Me Cantou", "É Você, "Oração Na Neve" e "De Longe, Longe, Longe…".
Casou em 1972 altura em que abandonou a carreira artística e foi viver para a Venezuela. Grávida de oito meses, ainda fez um programa no Canal 4 da televisão venezuelana, mas deixou de atuar até os seus filhos terem cinco anos de idade. Depois, voltou a atuar esporadicamente na televisão venezuelana.
Em 1987, mudou-se para Barcelona, onde viveu até agora.
Em 2008, em declarações à Lusa, a propósito da publicação da sua fotobiografia “Meu nome é Madalena Iglésias”, de autoria de Maria de Lourdes de Carvalho, a intérprete afirmou que sempre se sentiu perseguida pelo complexo da beleza, apesar de reconhecer que "estava à frente" do seu tempo.
No texto de abertura da sua fotobiografia, a cantora referiu-se à sua carreira, que ultrapassou as fronteiras nacionais, como “um caminho percorrido com entusiasmo, alegria, êxitos e algumas nuvens”, e onde garantia: “Tenho um pouco do que vibrei!”.
Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Madalena_Igl%C3%A9sias
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/grande-premio-tv-da-cancao-portuguesa-parte-i/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/grande-premio-tv-da-cancao-portuguesa-1966/
https://arquivos.rtp.pt/conteudos/coroacao-das-rainhas-da-radio-e-da-televisao/
https://observador.pt/2018/01/16/morreu-a-cantora-madalena-iglesias-aos-78-anos/
https://mag.sapo.pt/showbiz/artigos/morreu-a-cantora-madalena-iglesias
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