22/03/2026

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam. 

São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a maioria dos animais e, se for apanhada, pode ser esborrachada, pisada, morta. O problema da vespa, não é a vespa, é a comunidade, é a salvaguarda da espécie. Mas isto não é sobre vespas...

O Irão veio agora demonstrar que, apesar de ter sido fortemente atacado nos últimos dias, ainda tem força para contra-atacar. Conseguiu lançar dois mísseis balísticos de longo alcance contra a base militar de Diego Garcia, uma base partilhada entre os Estados Unidos e o Reino Unido, que se localiza no arquipélago de Chagos, no oceano Índico a cerca de 4000 quilómetros da costa iraniana. Este ataque ocorreu antes mesmo do Reino Unido ter vindo declarar publicamente a autorização para que os EUA usassem as suas bases militares. A base, operada pelos EUA, possui um "pista para bombardeiros pesados" e dispões ainda de um "porto natural profundo" capaz de albergar "submarinos nucleares e navios de guerra." Apesar de nenhum dos dois mísseis ter acertado o seu alvo (um por problemas durante o voo, outro por ter sido detetado) a questão que se coloca é que a distância de 2000 quilómetros está claramente ultrapassada. Que cidades estão no seu raio de alcance, é agora uma questão que se coloca.

Foi também atingido o complexo de nuclear de Dimona, em Israel. Apesar de não haver registos de níveis anormais de radiação, a questão é que o complexo é de facto suscetível de ser atacado. Este ataque vem assim em resposta ao ataque à central de Natanz, um complexo de enriquecimento nuclear localizado no Irão, que já tinha sido alvo na chamada "guerra dos doze dias" em julho passado. Além de Dimona, foi também atingida a cidade de Arad. 

Se lamentamos os feridos de Israel, sim, mas também lamentamos os mortos e feridos do Líbano, onde só neste mês de março, terão sido mortos 34 profissionais de saude - isto sem contar com as restantes vítimas que resultaram dos "bombardeamentos israelitas contra a organização Hezbollah em Beirute e no sul do país."

Além de ataques contra Israel, o Irão tem vindo a retaliar contra outros países como os Emirados Árabes, o Kuwait, Bahrain, Omã ou o Catar. Foram ainda atingidas as bases aéreas de "Príncipe Sultan" que se localiza na Arábia Saudita e a de "Erbil, no Curdistão iraquiano."

E assim continuamos em ataques e contra-ataques. Mas porque é que se achou que seria interessante mexer no ninho das vespas? Andarão os EUA atentar incitar novas cruzadas?

Fontes:

https://expresso.pt/medio-oriente/2026-03-21-teerao-tenta-atacar-base-britanica-de-diego-garcia-a-4000-km-de-distancia-47f403bf

https://pt.euronews.com/2026/03/21/irao-ataca-base-de-diego-garcia-localizacao-e-importancia-estrategica

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/israel-diz-que-irao-usou-um-missil-de-longo-alcance-pela-primeira-vez-desde-o-inicio-do-conflito_e1728183

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2959703/estados-unidos-e-israel-atacam-complexo-nuclear-iraniano-de-natanz

https://sicnoticias.pt/especiais/tensao-eua-irao/2026-03-21-novos-cacas-e-avioes-de-guerra-dos-eua-chegam-a-base-das-lajes-f27c65da

 

20/03/2026

A extensão de uma guerra que só ia durar uns dias

Donald Trump dizia que a guerra ia durar pouco. Talvez estivesse a comparar o Irão à Venezuela. Um regime como este não cai assim. Parece uma forte árvore que quanto mais é podada, mas forte cresce, estendendo os seus ramos até onde consegue, usando-os para asfixiar o seu povo e quem quer que lhe mostre oposição. Trump, entretanto chamou "cobardes" aos países aliados da NATO, perante a tomada de posição destes em não apoiarem diretamente os EUA nesta fase do conflito.

Sobre isto, ouvia hoje o podcast de Maria João Simões na rádio Observador e em que intervinha o major-general Arnaut Moreira, que explicava um pouco da posição dos países europeus e da própria NATO. A defesa apresentada pelos países europeus para não cederem ao pedido de ajuda de Donald Trump foi a falta de consulta prévia e a falta de informações sobre as operações militares a decorrer, Como nos explicava Arnaut Moreira, os navios europeus fariam escolta e os meios aéreos norte-americanos dariam apoio, mas isso não foi aceite pelos líderes europeus. E ainda bem. A própria NATO, como também o Major-general explicou, estaria assim diretamente envolvida num combate fora da sua área de intervenção, sendo que embora isso já tenha acontecido no passado, a questão é que nenhum país da NATO foi atacado e que, quem iniciou o conflito foram, na realidade, os EUA e Israel. 

E a cada dia que passa, a situação vai piorando. Não apenas no Médio Oriente, mas também na própria Europa. O ministro dos negócios estrangeiros iraniano veio já acusar o Reino Unido de ser cúmplice dos EUA por permitir o uso das suas bases militares. Na Turquia, a defesa aérea da NATO, interceptou já dois mísseis disparados do Irão. O governo turco interpreta estes ataques como uma tentativa de provocar a entrada da Turquia na guerra, mas afirma que não tem intenções de ceder, reforçando ainda que os ataques contra o Irão devem cessar.

A própria Polónia (membro da NATO desde 1999) veio já retirar as suas tropas da zona do Iraque, onde se encontravam desde 2016.

Khamenei, que "não é visto em público" desde a sua nomeação como sucessor do seu pai, o Ayatolla Ali Khamenei, morto nos primeiros dias deste conflito, já se pronunciou também sobre a morte do porta-voz da Guarda Nacional do Irão, declarando que os culpados não devem "viver em segurança". Além de Ali-Mohammad Naini, foi também "morto o ministro dos Serviços de Informações, Esmail Khatib." O atual porta voz do Irão, veio também ameaçar que "parques, áreas de lazer e destinos turísticos" podem ser alvos, deixando de ser seguros "para os inimigos de Teerão." O clima de medo é uma das formas de luta do regime iraniano, pois pode não atacar diretamente os EUA ou Israel, mas ataca todos os que venham a mostrar o seu apoio aos mesmos, ou que não se aliem ao próprio Irão.

Países como o Bahrein, o Kuwait e a Arábia Saudita, continuam a ser atacados com mísseis e drones iranianos. O Irão continua a atacar as "infraestruturas energéticas no Golfo," tendo atingido uma "refinaria saudita." No Qatar, foi atingida uma "instalação de gás natural liquefeito." Estes ataques a estruturas energéticas são uma forma de o Irão responder aos "ataques israelitas ao campo de gás de South Pars/North Dome."

No Bahrein, já foram interceptados desde o início da guerra a "28 de fevereiro," cerca de 139 mísseis e 238 drones" com origem no Irão. Destes, um resultou num "incêndio num armazém." No Kuwait, foi atacada as refinarias de Mina Abdullah e Mina Al-Ahmadi, tendo sido registados vários focos de "incêndio em algumas das suas unidades."

Por cá, fala-se de crise, mas ainda estamos bem. Os preços sobem, principalmente os combustíveis e os os fertilizantes, culpa dos bloqueios no Estreito de Ormuz. Apesar de o governo se dizer "sensível" ao aumento dos preços dos combustíveis, não há grandes alterações nem irá haver, pelo menos para já, uma imposição de um limite na subida dos preços. Apenas no que se refere ao gasóleo profissional, o governo irá introduzir durante os próximos 3 meses, "um mecanismo extraordinário" que visará as "empresas de passageiros e de mercadorias," (onde se incluem também os táxis e as corporações de bombeiros) e que se irá traduzir num "reembolso de 10 cêntimos por litro até 15 mil litros por veículo." A ministra do ambiente, Maria da Graça Carvalho, veio já anunciar que "estamos perto dos critérios" para que seja declarada uma crise energética, sendo que será necessária uma decisão do próprio conselho europeu para que se possam tomar realmente medidas nesse sentido.

Fontes:

https://sapo.pt/artigo/morreu-porta-voz-da-guarda-revolucionaria-iraniana-israel-lanca-nova-onda-de-ataques-no-coracao-de-teerao-69bd10db31c55356067a76de

https://www.noticiasaominuto.com/economia/2957918/do-gas-aos-combustiveis-passando-pelo-travao-aos-precos-o-que-vem-ai

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2955757/turquia-teme-que-netanyahu-possa-estar-a-cometer-um-genocidio-no-libano?dicbo=v2-UBZF785

https://observador.pt/programas/o-dominio-da-guerra/o-irao-so-nao-atinge-a-europa-porque-nao-quer/

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/portugal-perto-dos-criterios-para-declarar-crise-energetica_e1727869

15/03/2026

A guerra parece longe, mas estamos a sentir o seu impacto

Esta é sempre a grande questão, não é? 

As guerras estão lá longe e nós (aqueles que ainda se vão interessando pelo que vai acontecendo no mundo) acompanhamos pela televisão, ou seguimos uns podcasts onde se vai atualizando os conflitos e as frentes de guerra. Lembro-me bem daquele primeiro contato que tive com a guerra vista aqui deste lado. Anos 90 e eu em casa da minha avó. A emissão da RTP a prolongar-se noite dentro e de manhãzinha lá estava eu agarrada ao televisor a ver uns pontos brancos (ou seriam verdes?) a percorrer a noite. Era a invasão do Kuwait e confesso que ainda fui algumas vezes espreitar à janela para ver se avistava alguma daquelas estrelas cadentes. Tinha seis anos e aprendi que havia mais duas letras no alfabeto e terras com nomes esquisitos de que nunca tinha ouvido falar.

Naquele tempo, já se falava de que o Irão estava a "violar impunemente os princípios do direito internacional", palavras de Cavaco Silva em declarações ao país. Era a guerra do Golfo e o petróleo estava no centro de tudo. 

Hoje só não está informado quem não quer, quem não se importa com o que se passa no mundo, ou quem prefere esconder a cabeça na areia e fingir que vive num mundo perfeito e florido. Estou fora desse grupo - acho que já perceberam isso. Hoje, as imagens de guerra já são tão frequentes, que não as estranhamos. Quase que nos habituámos a cenários de guerra, à visão da destruição e da morte e, enquanto estas apenas nos atingirem de longe, tudo nos parece "bem". Não nos temos de esconder dos ataques, não temos de ouvir o som das bombas a cair. A guerra parece longe. Mas não tão longe o suficiente que não nos preocupe. 

O facto é que, embora tenhamos a noção de estarmos, de certa forma, seguros, as consequências acabam por nos atingir como ondas de choque que se vão repercutindo. Pertencemos à União Europeia, pertencemos à NATO, temos um pacto de não-agressão assinado com Espanha, enfim, nem sequer nos queremos muito meter em assuntos internacionais, para não ferir susceptibilidades, e temos como outros países europeus, uma base que pertence aos EUA. Ali é solo norte-americano.

E o que nos afeta? Por um lado, o uso da Base das Lages. Não sei quanto a vocês, mas ter aviões americanos pousados aqui tão perto, aflige-me um pouco. Nada contra os aviões, nem contra os militares americanos, a questão é estes serem um alvo mais facilmente atingível em território português do que em território norte-americano.

Por outro lado, temos a questão do Estreito de Ormuz, que o Irão bloqueou, interrompendo a passagem de petróleo de que muitos países dependem. Este bloqueio produz fortes danos na economia e desencadeia uma crise energética a nível global. Os preços dos combustíveis aumentaram ainda antes de se ter de ir comprar os ditos barris e aquilo que se espera é continuem a aumentar nas próximas semanas. 

A grande questão é se a guerra no Médio Oriente é, realmente, a causa única para estes aumentos? É que temos de associar ao aumento do valor dos barris, que reflete o aumento do custo no seu transporte, o aumento do preço de outros produtos, como é o caso dos cereais e até dos fertilizantes. 

Há quatro anos, a invasão da Ucrânia por parte da Rússia, trouxe-nos uma situação semelhante. Entretanto, a economia acabou por estabilizar, embora os preços não tenham regressado aos valores que tinham antes do conflito. Agora, com este bloqueio à passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, a inflação acaba por vir agravar a situação económica em que já nos encontrávamos.


Fontes:

https://arquivos.rtp.pt/conteudos/1990-invasao-do-kuwait/

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f

14/03/2026

Já andamos todos metidos ao barulho

Novamente, Trump. Novamente, a grande potência norte-americana a dizer que não precisa de ninguém, enquanto pede que os outros também entrem na luta. Num dia afirma uma coisa, no seguinte outra completamente diferente. Não há um único dia em que não sejamos surpreendidos - se é que ainda nos deveríamos estar a surpreender com tudo o que Trump diz ou faz.

O ataque ao Irão em junho do ano passado tinha sido apenas o começo, a desculpa de que era preciso acabar com o poder nuclear do Irão, dava-lhe no seu entender o direito de atacar pois havia uma ameaça iminente que era preciso debelar. A justificação até poderia fazer sentido, mas em poucas horas, Trump mandou as suas tropas sair de cena. O ataque tinha vindo na sequência do conflito entre Israel e a Palestina e para muitos, o ataque ao Irão veio para desviar as atenções da Faixa de Gaza, que desde essa altura quase que desapareceu do panorama noticioso. Israel atacava um dos seus arqui-inimigos e retirava parte das suas tropas da Faixa de Gaza.

Entretanto, os EUA andaram ocupados com a Venezuela e com ameaças à Gronelândia. Discutia-se qual seria a intenção das declarações feitas por Trump. Iniciaria uma investida contra um país europeu, distanciando-se dos acordos da NATO? 

Começam-se a assistir a movimentações de navios norte-americanos, à chegada de aeronaves às bases dos EUA na Europa. O arsenal dos EUA não passa despercebido. Muitos passavam oela Base das Lajes, outros ficavam ali estacionados. E o mês de março começa com a investida de um ataque conjunto contra o Irão. EUA e Israel uniam-se agora novamente, com o objetivo de derrubar o governo iraniano e debelar o seu poder militar. Para isso, um dos primeiros objetivos era matar o seu mais alto representante religioso, o Ayatola Khamenei, de 86 anos. O ataque aconteceu e o mais alto governante do estado iraniano foi abatido. 

Depressa Trump se apercebeu de que havia um problema: quem pensavam como sucessor também tinha sido morto: "a maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta," afirmava Donald Trump. Mas isso não importava. O Irão resistia e Israel ia atacando os países em redor seguindo os seus interesses. Duas potências a proteger-se uma à outra. O conflito adensa-se e os EUA não apresentam nenhum "estratégia clara de saída."

O que estamos a assistir em "vez de um colapso rápido" é a uma consolidação do regime iraniano, que "respondeu de forma mais agressiva do que os responsáveis norte-americanos esperavam, atacando alvos em todo o Médio Oriente, incluindo petroleiros na região," um dos quais atingido na região do Kuwait.

As vítimas começam-se a somar. Além dos mortos no Irão, onde se inclui o ataque a uma escola, possivelmente atingida por um míssil norte-americano, do qual terão resultado entre 150 a 175 mortos (números não confirmados), há também "treze militares norte-americanos" mortos e outros 140 feridos. 

Enquanto, Trump vai dizendo que está tudo bem, a situação na frente militar agrava-se. "O Irão foi alvo de uma nova vaga de ataques," o que levou a retaliar contra outros países do Golfo, que são aliados dos norte-americanos, alargando o conflito a toda a região. Já não se trata apenas de acabar com um regime, é já um conflito alargado. Mas ninguém está a atacar os EUA diretamente, quem sofre são os seus aliados. O Hezbollah continua vivo e uniu-se ao Irão para um novo ataque a Israel.

Israel por sua vez, reforçou "a sua presença militar no sul do Líbano" usando posições naquela região para atacar o Iraque. No Iraque, por sua vez, as milícias a favor do Irão atacam alvos norte-americanos. Desde o dia 2 deste mês, o balanço é de 632 mortos só no Líbano.

Portugal tenta a retirada de cidadãos nacionais através de voos combinados. As embaixadas europeias nesses países vão ficando vazias. A guerra expande-se e não sabemos quando é que vai terminar. Enquanto nos sentirmos atingidos apenas pela subida dos preços, sem limites à comunicação, sem ataques às nossas estruturas energéticas, não estaremos muito mal. 

Esperamos de braços cruzados a resolução de uma guerra que não é nossa. Acreditamos na nossa segurança, mas não vemos medidas de proteção, nem explicações sobre o que pode acontecer se a Base das Lajes vier a ser atacada. Estamos longe, achamos nós. 

Fontes:

https://cnnportugal.iol.pt/irao/eua/duas-semanas-de-guerra-por-dentro-da-arriscada-decisao-de-trump-de-atacar-o-irao-e-a-corrida-para-conter-as-consequencias/20260314/69b562b4d34e28842c81bf9f#:~:text=Duas%20semanas%20de%20guerra:%20por%20dentro%20da,e%20a%20corrida%20para%20conter%20as%20consequ%C3%AAncias.

https://observador.pt/2026/03/05/irao-lanca-nova-vaga-de-ataques-contra-israel-e-paises-do-golfo/


04/03/2026

Novos caminhos...

Bem vistas as coisas, acabei por regressar ao blogger. Tentei o Wordpress, mas a adaptação não estava a ser fácil. Hoje resolvi tentar o blogger e acabei por regressar. O meu primeiro blog tinha sido lá (ou aqui, dependendo de onde me estejam a ler.

 No entanto, acabei por trocar ao fim de alguns anos pelo Sapo. Tudo corria bem e acabei por renovar também o meu blogue sobre livros e escrita, e fazer um novo blogue sobre aspetos ligados à História.

 Infelizmente, o senhorio parece estar a pôr-nos a todos na rua e assim voltei à casa mãe. Consegui migrar a maioria dos conteúdos e agora é tempo de me reorganizar.

Cliquem nos links abaixo para me continuarem a seguir:

https://cadernodeleituracadernodeescrita.blogspot.com/

https://cadernodiario1983.blogspot.com/

E sejam bem vindos à minha nova "casa".

01/03/2026

Isto não é uma despedida...

Infelizmente, e penso que seja do conhecimento de todos vós, o Sapo Blogs irá deixar de funcionar em breve. Apesar de ainda faltarem alguns meses, eu quis fazer já a migração dos meus conteúdos para um novo blog. 

Andei a pesquisar, pois a ideia seria manter tudo de forma gratuita, com a facilidade de partilha que encontrei aqui no Sapo, mas não tem sido uma tarefa fácil. Se souberem de plataformas gratuitas e que sejam fáceis de usar, por favor digam-me.

Para já vou colocar os meus conteúdos aqui (Blogue Com os pés na História) e ainda aqui (Blogue Caderno Diário)!

A partir de hoje não farei novos posts nesta plataforma e estarei a atualizar na nova localização. Por favor, vão visitar e dêem-me a vossa opinião.

22/02/2026

Ainda sobre a destruição causada pelas cheias

Em Portugal já houve outros anos de chuvas intensas e em que os rios saíram das margens invadindo terrenos agrícolas e levando tudo à sua frente. Este ano, parece que as tempestades resolveram juntar-se e entrar pelo território português sem dó nem piedade. Depois da destruição causada pelos ventos, a chuva não deu tréguas, aumentando os caudais dos rios e criando zonas de cheias destrutivas. Se bem que não foi a primedira vez que o caudal do Tejo, do Mondego ou do Sado galgou as suas margens, a verdade é que o povo tem memória curta e se esquece de outras enchentes - felizmente, talvez por nem serem assim tão frequentes. Embora fosse expectável que houvesse cheias este ano, a subida dos caudais acabou por atingir uma população já fragilizada por um comboio de tempestades cujo vento e chuvas fortes detruiram tudo à sua passagem. Telhados arrancados, árvores derrubadas. As terras ficaram encharcadas e, em muitas zonas, acabaram mesmo por deslkizar, escorrendo pelas encostas e arrastando tudo pela seu caminho. As estradas saíram do seu percurso normal, os muros desabaram e as casas acabaram inclinadas, tombadas periclitantes prestes a desabar pelo morro abaixo.

Depois da tempestade Kristin, "a tempestade Leonardo chegou com violência renovada e voltou a devastar comunidades já marcadas pelo caos e pelo sofrimento. A precipitação intensa, concentrada em poucas horas, fez subir rapidamente o caudal dos rios, que transbordaram." Em Coimbra, a autarca acabou por mandar preparar a evacuação de parte da população, "devido ao risco iminente de rutura dos diques do rio Mondego", que tinha atingido o seu limite. Estradas cederam com o rompimento de diques e canais, houve deslizamentos de terras e casas soterradas por terra e rochas. Mas o mpior de tudo foram as dezoito mortes que ocorreram "em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta," e "que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados." Um casal acabou por ser apanhado pelas cheias, tendo a viatura, com os corpos ainda no seu interior, sido encontrada numa estrada que estava claramente intransitável devido à subida do caudal. 

Sem esquecer a queda de parte do tabuleira da A1, na zona de Coimbra. "O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos," por haver um risco calculado de que o dique poderia não aguentar. O desabamento acabou mesmo por ocorrer, por volta das 18 horas, "no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais."

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais deste comboio de tempestades.

Apesar de ter sido declarada situação de calamidade, ainda existem situações deveras complicadas e que não terão uma resposta rápida. Ainda há "casas sem energia, empresas sem respostas e setores de atividade à espera de soluções, com prejuízos estimados na ordem dos mil milhões de euros."

No caso de Leiria, das cerca de "84 pessoas" que foram deslocadas, "17 das quais permanecem em situação muito vulnerável, sem casa." De acordo com Paulo Fernandes, "coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País," existem ainda em Portugal cerca de "374 desalojados (103 famílias) e 130 deslocados (72 famílias)," existindo um "universo possível de 175 edifícios," que ficaram "inabitáveis". Ao fim de tanto tempo, é inimaginável que ainda existam casas sem eletricidade e sem água potável canalizada, mas a verdade é que ainda temos pessoas a viver nessas situações.

Diversas empresas estão paradas e sem previsão de retomar a sua atividade. Centenas de agricultores procuram uma forma de recomeçar, mas sem poderam fazer nada enquanto os campos estiverem alagados. Perdeu-se a comida armazenada para os animais e ainda é preciso reconstruir cercas, estruturas de rega e canais. Um dos maiores problemas é que a falta de energia trouxe enormes custos para se manterem os geradores a funcionar. Não é só em casa que é necessária eletricidade. Esta é fundamental nas estufas, por exemplo. Em relação à sivicultura, a estimativa é de que podem ter sido destruídas entre "cinco a oito milhões de árvores, incluindo exemplares centenários." 

Fontes: 

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-02-05-da-tragedia-de-1967-na-grande-lisboa-a-ilha-da-madeira-em-2010-as-cheias-que-devastaram-portugal-nas-ultimas-decadas-57d92b39

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-22-video-leiria-ainda-faz-contas-mas-prejuizos-das-tempestades-ja-atingiram-os-800-milhoes-46ad069c

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-20-tempestade-kristin-destruiu-ate-oito-milhoes-de-arvores-em-leiria-d3d3e93e

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-18-pedidos-cerca-de-75-milhoes-de-euros-para-recuperar-habitacoes-danificadas-pelas-tempestades-7c85ee10

https://expresso.pt/tempestades/2026-02-12-video-colapso-junto-do-viaduto-da-a1-em-coimbra-imagens-de-drone-revelam-impacto-do-rebentamento-do-dique-do-mondego-a0a7e56f

 

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam.  São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a...