29/02/2024

Uma das grandes mulheres da minha vida

Hoje faz anos aquela mulher que me ensinou o que é a liberdade e a democracia, que me deu a ler a história da primeira república andava eu no 1º ciclo e me deixava ler tudo o que eu queria, tivesse ou não idade para isso. Tanto é especial, que foi logo teimar em nascer no dia 29! Assim sendo, faz agora uns 30 anitos, se bem que é minha avó e tem a cabeça cheia de cabelinhos brancos.


Para mim, há dois adjetivos que a caraterizam: lutadora e irreverente! E dela eu herdei a teimosia, a dificuldade em dizer que gosto quando não gosto, a incapacidade de sorrir sem me apetecer e a capacidade de ser autónoma e independente. O pior que nos podem fazer, sei que ambas estamos de acordo nisso, é fazerem-nos baixar a cabeça perante alguém. Podemos passar despercebidas, mas nunca nos deixamos rebaixar. Não é de estranhar que por vezes as nossas opiniões e os nossos feitios se choquem e que até passemos algum tempo chateadas, mas na verdade nunca estamos zangadas uma com a outra. 


A ela agradeço ter aprendido a ler, a escrever corretamente, a contar, a multiplicar e a dividir. Aprendi e hoje ainda uso diariamente muito daquilo que ela, só com a 4ª classe, me ensinou. Hoje ainda sei de cor as tabuadas, dividir sem usar a calculadora, fazer a prova dos nove ou a prova real. Mas a ela também agradeço ter confiado em mim, tantas vezes! E nem vou falar aqui de outras tantas coisas que fez por tanta gente, mas isso não é para aqui...


Existem muitas mulheres com um papel importante na minha vida, mas esta é especial. Sei que ela odeia fazer anos, especialmente se a data calhar numa ano que não seja bissexto (aí escusamos até de lhe dar os parabéns), mas para mim, é importante dedicar-lhe estas palavras.

24/02/2024

A situação da Ucrânia - dois anos depois

Começou na noite de 23 para 24 de fevereiro de 2022 a intrusão das tropas russas no território ucrâniano. Há meses que as tropas se concentravam na fronteira. A ofensiva "mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial."


Os ataques foram-se sucedendo, enquanto Zellenskii pedia apoio à União Europeia e a Nato dirigia meios para países próximos, mas sem interferir de forma direta. "No primeiro dia da invasão, a Rússia mostrava vontade de terminar o conflito rapidamente. Com largas colunas militares e bombardeamentos estratégicos, os soldados do Kremlin avançaram por território ucraniano a passo rápido." 


Um dos primeiros alvos foi a "central nuclear de Chernobil."  Kiev, capital ucraniana, foi atacada pouco tempo depois. Os primeiros mísseis "atingiram um prédio com civis."


Um dos piores ataques foi o que levou à destruição da cidade de Mariupol e que pode ter conduzido à morte de cerca de 20 mil civis. Um desses "ataques russos teve como alvo o teatro de Mariupol, um edifício que estava a ser usado como refúgio por centenas de residentes, principalmente mulheres e crianças." O presidente da câmara de Mariupol, "Vadym Boychenko, que falava à agência Associated Press através de uma entrevista telefónica, realçou também que as forças russas movimentaram para aquela cidade equipamentos móveis de cremação, para descartar os corpos." O autarca ainda acusou "Moscovo de recusar a entrada de comboios humanitários na cidade, na tentativa de esconder a carnificina."


As autoridades ucranianas acusaram também "as forças russas de cometerem atrocidades, incluindo um massacre na cidade de Bucha, nos arredores de Kiev." Bucha trouxe-nos as piores imagens deste conflito, onde os civis foram atacados de forma intencional e deliberada. "A divulgação pela imprensa internacional de imagens da cidade que mostram cadáveres nas ruas, alguns deles com as mãos amarradas ou parcialmente queimados, ou valas comuns, provocou uma onda de indignação."


Não esqueçamos as várias "maternidades e hospitais" que foram atingidas por mísseis, bem como os bairros habitacionais, as escolas, os museus, as igrejas...


Ao mesmo tempo que a população tentava fugir, iam-se destruindo as estradas e as pontes que davam acesso às cidades. A fuga levou a que milhares de mulheres e crianças tentassem sair do país e foram várias as ações humanitárias que tentaram ajudar. A Portugal, durante o primeiro mês de guerra, chegaram "17.504 refugiados ucranianos."


Apesar do "número de soldados russos mortos durante a invasão" ser quase sempre um "tema tabu para o Kremlin," a verdade é que as baixas são superiores do lado russo.


Além do apoio com armamento e munições, para o qual o nosso país também contribuiu, a "comunidade internacional respondeu à invasão russa com pacotes de sanções, concebidos para estrangular a economia russa." Além disso, houve também a intenção de acabar com "a liquidez dos oligarcas próximos de Vladimir Putin," os quais foram considerados "responsáveis pelo financiamento do esforço de guerra russo" e por isso pessoas "non gratas" em vários países. De forma a retaliar a retirada da maioria dos bancos russos do SWIFT e desvalorização da moeda, retaliação e para contrariar a desvalorização da moeda, Vladimir Putin exigiu "que o pagamento de gás exportado para os países europeus" bem como para outros considerados como “hostis” à Rússia, passasse a ser "feito em rublos e não em euros ou em dólares." Esta "mudança da moeda nas transacções fez com que" houvesse uma subida abrupta do preço do gás no mercado "europeu e britânico" entre "15% e 20%."


No início do verão de 2023, a Ucrânia deu início a uma contra-ofensiva, mas apesar de todos os esforços, esta acabou por falhar. Em junho deu-se o "colapso da barragem de Nova Kakhovka, no sul da Ucrânia," ataque que foi considerado como um "dos maiores atentados ambientais." Este ataque à barragem "provocou a subida repentina do caudal do rio Dnipro e obrigou a evacuação de dezenas de vilas e de aldeias." A água inundou ruas, destruiu a rede elétrica, entrou pelas casas e deixou centenas sem água potável, levando à evacuação das populações dos dois lados do rio que dividia as forças russas e ucranianas. "O colapso da barragem terá libertado para o rio toneladas de substâncias tóxicas, inundou terrenos agrícolas e matou milhares de animais," mas apesar de tudo, houve muitos habitantes que se recusaram a abandonar as suas casas.


Em outubro, Zaporizhia, Dnipro e Kherson, foram apenas algumas das zonas atacadas e em "Kharkiv, a segunda maior cidade ucraniana, a rede elétrica foi danificada pelos bombardeamentos" russos. Mas foi mesmo no fim do ano de 2023 que se registou um dos maiores ataques aéreos "desde que começou a guerra na Ucrânia." A Rússia lançou "158 mísseis e drones" dos quais as "forças ucranianas conseguiram abaterem 118," não evitando porém a "morte de, pelo menos, 30 pessoas em várias regiões do país. Há ainda mais de 160 feridos a registar." A Rússia terá utilizado "mísseis de cruzeiro, balísticos e hipersónicos, incluindo mísseis que são muito difíceis de intercetar," como forma de retaliação ao ataque ucraniano a "um navio de desembarque russo no Mar Negro" que ocorrera nessa mesma semana.


Dois anos passados, a guerra continua e a Zelenskii "faltam-lhe militares no campo de batalha, as munições estão a escassear, e o apoio dos aliados teima em não chegar." Apesar de no dia 13 de fevereiro deste ano, "o senado dos Estados Unidos" ter aprovado "um novo pacote financeiro para enviar à Ucrânia: cerca de 61 mil milhões de dólares (56 mil milhões de euros)," não se sabe se lá chegará. Isto porque "a ajuda de que Zelensky desesperadamente precisa" poderá vir a "ser travada pela Câmara dos Representantes, onde o Partido Republicano tem maioria, e onde a estratégia eleitoral de Donald Trump fala mais alto."


Uns dias antes, "a Hungria deixou cair o seu veto" à aprovação de um novo pacote de ajuda por parte da União Europeia. Assim, foi aprovado "um pacote de apoio adicional de 50 mil milhões de euros para a Ucrânia - 33 mil milhões em empréstimos até 2027, e 17 mil milhões em subsídios a fundo perdido."


Uma certeza é que "Putin será reeleito em março," uma vez que ninguém lhe consege fazer oposição sem ficar em risco de vida, tal "como aconteceu com Yevgeny Prigozhin, o criador do grupo Wagner, e, agora, com Alexei Navalny, o seu principal opositor político." Também Maxim Kuzminov, "um piloto russo que desertou com o seu helicóptero Mi-8 e se entregou ao exército ucraniano em agosto passado," foi encontrado morto na sua garagem na passada semana, em Espanha. A história da fuga de Kusminov, "serviu de propaganda para o esforço de guerra do país" ucraniano.


Fontes:


https://www.publico.pt/2022/03/24/infografia/russia-comecou-invasao-ucrania-ha-mes-tropas-crise-refugiados-veja-aqui-precisa-saber-guerra-674


https://rr.sapo.pt/fotoreportagem/mundo/2024/02/24/a-guerra-de-3-dias-faz-2-anos-e-putin-pode-aguenta-la-por-mais-dois-ou-tres-aniversarios/368142/


https://rr.sapo.pt/noticia/mundo/2024/02/24/portugal-mantem-apoio-sem-reservas-a-ucrania-e-pelo-tempo-que-for-preciso/368139/


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/guerra-na-ucrania-sete-mortos-em-zaporizhia-kherson-e-dnipro_v1522640


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-24-Colapso-da-barragem-Nova-Kakhovka-um-dos-maiores-atentados-ambientais-08f9467f


https://pt.euronews.com/2023/12/29/pelo-menos-18-mortos-num-dos-maiores-ataques-russos-a-ucrania-desde-que-a-guerra-comecou


https://pt.euronews.com/2024/02/20/russo-que-desertou-em-helicoptero-do-exercito-e-morto-a-tiro-em-espanha?dicbo=v2-ZUGkmEI


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/forcas-russas-mataram-mais-de-10000-civis-durante-cerco-a-mariupol-afirma-autarca-de-mariupol_n1397911


https://noticias.r7.com/internacional/imagens-mostram-que-civis-de-bucha-foram-alvos-de-ataques-intencionais-afirma-onu-27062022


 

23/02/2024

Inferno em Valência

Ninguém esperava que um incêndio no edifício de 14 andares se propagasse tão rapidamente. Existem formas de dificultar a progressão das chamas e de facilitar a evacuação das vítimas, não é? Mas foi exatamente o contrário. "Uma hora depois do incêndio ter começado, nada havia a fazer. Segundo o jornal El País, o fogo espalhou-se a grande velocidade ao longo da fachada do prédio através do isolante usado na construção." 


Trat-se de facto de um bloco composto por dois edifícios, interligados com um elevador panorâmico que as separa (ou seja, na prática, falamos aqui de dois prédios) e a sua construção foi concluída em 2008. O edifício destacava-se pela sua "fachada brilhante em alumínio que escondia o revestimento de poliuretano," que na época não seria considerado assim tão perigoso. Este revestimento, não sendo o causador do incêndio, terá sido ao que se sabe até ao momento "o responsável para a rápida propagação das chamas, tal como aconteceu em Londres, em 2017, aquando do incêndio na Torre Grenfell, onde morreram 72 pessoas."


Até agora sabe-se que haverá dez mortos e quinze feridos. Entre os mortos estão "uma família jovem, composta por pai, mãe e dois bebés - um menino de três anos e uma menina de duas semanas." Ainda se procuram cerca de 9 desaparecidos. Enquanto as chamas, que eram alimentadas pelo vento da depressão Louis, "corriam a toda a velocidade, nos apartamentos, os moradores sem escapatória - muito por causa do fumo negro e do vento que adensava as labaredas - pediam socorro desde as varandas."


O alarme de incêndio também não funcionou e foi o porteiro do prédio, Julián, quem "correu porta a porta para avisar os moradores para fugirem." Algumas imagens já divulgadas mostram que o início do incêndio terá sido no nono andar, onde se vêem chamas a sair por uma varanda do lado esquerdo do edifício. Depois, "o incêndio espalhou-se rapidamente para a varanda no andar de baixo, aproximadamente em dois minutos. Nos 11 minutos seguintes, quase todo o lado esquerdo do edifício e o topo da parte central estavam em chamas. Às 18:22, o fogo já tinha chegado à torre menor adjacente." Para o local terão sido enviadas "22 corporações de bombeiros e seis unidades dos serviços de emergência médica."


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/predio/valencia/como-um-incendio-se-espalhou-em-30-minutos-por-um-predio-de-14-andares-em-valencia/20240223/65d8a104d34e87e0c089fd9a


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-23-Incendio-em-Valencia-as-possiveis-explicacoes-dos-especialistas-sobre-a-tragedia-08a6d3cf


 

21/02/2024

Situação de tensão continua a alastrar no Médio Oriente

10 de março, Ramadão, foi a data limite que o "primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu" impôs para que o Hamas "liberte os reféns israelitas", informando que se tal não acontecer "a ofensiva terrestre vai seguir para Rafah, junto à fronteira com o Egito, onde neste momento se concentram já milhão e meio de civis palestinianos."


Isto até parece uma espécie de "brincadeira" não fosse a gravidade de tudo o que se está a passar. Quase 30 000 pessoas terão já morrido na Faixa de Gaza devido a estes constantes ataques e cerca de 70 000 feridos já foram registados! Têm sido muitos os pedidos para um novo cessar-fogo, mas Tel Aviv pelo contrário pretende expandir a sua ofensiva "contra a cidade de Rafah, mais ao sul, onde cerca de metade dos 2,4 milhões de habitantes de Gaza estão abrigados, depois de deslocados pelo conflito."


Aquilo que me fica quando leio estas notícias e vou acompanhando estes discursos, é que não há fronteiras que parem a violência e que estamos todos sobre tensão, apesar se o conflito ainda estar, pelo menos geograficamente, longe das nossas portas. Mas eu não esqueço que a Europa ainda há pouco tempo passou por duas guerras mundiais. E que desde aí a paz nunca se chegou a instalar completamente. Pouco tempo, sim, porque se fizermos um pouco de pesquisa, ainda há pessoas vivas que passaram pela Segunda Grande Guerra, ainda há feridas por curar, gente que nunca chegou a regressar à sua casa, à sua cidade... E se ainda há memória viva, se ainda se escrevem biografias, ainda há segredos por confessar, então não foi assim há tanto tempo. De facto, se analisarmos um pouco da nossa história e refletirmos nas notícias que hoje invadem a nossa televisão à luz de alguns acontecimentos passados, compreendemos que decisões tomadass durante a segunda metade do século XIX e durante o século XX estão agora nas bases destes conflitos. 


Mas regressemos so Médio Oriente, onde o "conflito começa agora a ganhar uma verdadeira dimensão regional, depois de as forças israelitas terem levado a cabo pelo menos dois ataques aéreos na cidade costeira de Ghaziyeh, no sul do Líbano." O "grupo armado libanês Hezbollah, apoiado pelo Irão," tem estado envolvido em conflitos incessantes contra o exército israelita.


Numa visita à Etiópia no passado domingo, Lula da Silva, mete mais achas na fogueira já incandescente acusando Netanyahu de estar a exterminar os palestinos e comparou a situação em Gaza "ao extermínio de judeus na Alemanha" nazi, depois de anteriormente também ter acusado "Israel de genocídio no Tribunal Internacional de Justiça da ONU." O que o presidente brasileiro terá dito que o "confronto entre um exército muito preparado contra mulheres e crianças" nunca se tinha visto antes na história, a não ser "quando Hitler decidiu matar os judeus" durante a Segunda Guerra Mundial.


Decorre durante esta semana mais um encontro do G20 no Brasil e Antony Blinken, secretário de Estado norte-americano, encontra-se com o presidente brasileiro, de forma a resolver "questões bilaterais e globais" e tentar minimizar a tensão criada com Israel. "O chefe da diplomacia brasileiro, Mauro Vieira, convocou o embaixador israelita para comparecer hoje no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro, onde participa na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros do G20." Opiniões e razões à parte, estamos perante acusações mútuas entre duas grandes forças, mas que na verdade nada trazem de positivo para as pessoas que continuam a ser mortas, na faixa de Gaza mas não só, também nos países que fazem fronteira como por exemplo o Líbano.


Fontes:


https://pt.euronews.com/2024/02/20/numero-de-mortos-em-gaza-ultrapassa-29-mil-tensao-no-libano-segue-em-crescendo


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-20-Antony-Blinken-no-Brasil-de-olho-no-G20-Gaza-Russia-e-Venezuela-fd2b26a9


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-19-Telavive-insiste-que-Lula-peca-desculpa-e-desdramatiza-retirada-de-embaixador-brasileiro-03e96358


https://www.cartacapital.com.br/mundo/hamas-reporta-28-985-mortos-em-gaza-devido-a-guerra-com-israel/


 

18/02/2024

Navalny, mais uma morte premeditada ou uma infeliz coincidência?

A Rússia está praticamente a um mês de ir a eleições e poucos duvidam que Putin vai continuar a governar. Afinal, quantos são os seus opositores e que poder têm? As "eleições presidenciais na Rússia," deverão colocar Putin por "mais seis anos no poder."


Navalny, "líder da oposição russa, advogado e ativista político, reconhecido pela sua luta contra a corrupção e autoritarismo,"morreu na prisão possivelmente na tarde desta sexta-feira. De acordo com os serviços prisionais, Navalny "sentiu-se mal depois de uma caminhada", estando as causas da morte a "ser apuradas". De acordo com o "hospital da cidade de Labytnangui, perto da colónia penal," os "médicos que chegaram ao local continuaram as operações de reanimação já efetuadas pelos médicos da prisão durante mais de 30 minutos, mas o óbito acabou por ser declarado no local."


Tinha apenas 47 anos e era um forte opositor ao regime de Vladimir Putin. Era "casado com Yulia, pai de Daria e Zakhar." Nos anos "2000, inicialmente através do seu blog" Navalny começou a expor diversos "casos de corrupção no Governo russo e em empresas estatais como a gigante do gás Gazprom e a gigante do petróleo Rosneft." Ganhos muitos inimigos mas também vários apoiantes. "Em 2020, Navalny" esteve perto da morte depois de ter sido vítima de "envenenamento com o agente nervoso Novichok, um incidente que atraiu condenações internacionais e suspeitas de envolvimento do Governo russo." Fez a sua recuperação na Alemanha e podia ter ficado por lá, mas em janeiro de 2021, resolve voltar a enfrentar o regime e regressar ao seu país. Assim que chega a Moscovo, é novamente detido. "Desde então, tem alternado estadas em confinamento solitário com condições de detenção rigorosas." Foi "acusado de extremismo," levando num somatório de várias penas a uma condenação de cerca de 30 anos, os quais teria de cumprir "numa colónia de regime especial." Este tipo de prisões são as que têm as mais duras "condições de detenção" e, normalmente, estão "reservadas a presos a cumprir pena de prisão perpétua e aos detidos mais perigosos."


Em outubro do ano passado, conseguem isolá-lo um pouco mais, através da detenção de três dos seus advogados e, em dezembro, a família e os seus apoiantes passam cerca de três semanas sem saber do seu paradeiro até que no final de dezembro recebem a notícia de que se encontra numa prisão siberiana. Segundo os seus apoiantes, foi novamente isolado para que não consiga de nenhuma forma interferir nas "eleições presidenciais de março," mas os serviços prisionais informam que tinha estado de quarentena e que, depois disso, teria sido condendo a mais sete dias de solitária por não se ter "identificado" de forma correta.


Por todo o mundo se fala da sua morte, das dúvidas que as declarações prestadas pelos serviços prisionais suscitaram e agora a grande questão que é saber onde está o corpo. Assim que a notícia foi divulgada, "centenas de pessoas em dezenas de cidades russas acorreram com flores e velas a memoriais e monumentos improvisados em homenagem às vítimas da repressão política." Muitas acabaram detidas, por motivos políticos e acusadas de estarem a participar em manifestações contra a guerra. Fala-se já em mais de 400 detenções, sendo que cerca de 200 destas detenções aconteceram apenas em São Petersburgo.


"Fora da Rússia, as manifestações de luto pela morte do opositor de Putin foram mais visíveis," como aconteceu na capital da Estónia, onde muitas pessoas se juntaram em "frente à embaixada de Moscovo e não esconderam as lágrimas nem a raiva pelo que consideram mais um homicídio do regime."


Já na "Áustria, apoiantes de Navalny no exílio reuniram-se num momento solene em memória do ativista junto da missão diplomática russa em Viena." Noutros países europeus, "os momentos de homenagem repetiram-se" marcando a admiração pela coragem de Navalny em "fazer frente ao regime de Putin, mesmo que não tenha sido sempre uma figura consensual no seio da oposição russa."


"Poucos minutos após o anúncio da morte de Alexei Navalny, o Ocidente começou a pronunciar-se e a acusar Putin de ser responsável," incluindo João Gomes Cravinho, ministro dos Negócios estrangeiros de Portugal. O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acabou por afirmar que Navalny "merece o nosso respeito e admiração pela forma como lutou pelas suas convicções, sabendo os riscos que corria".


Grigory Mikhnov-Voitenko, "sacerdote da Igreja Ortodoxa Apostólica - um grupo religioso independente da Igreja Ortodoxa Russa" - foi um dos detidos. Este sacerdote tinha anunciado "nas redes sociais planos para realizar uma cerimónia em memória de Navalny" e após a sua detenção no sábado de manhã, "foi hospitalizado com um AVC."


Fontes:


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2504190/mais-de-400-detidos-na-russia-em-homenagens-apos-morte-de-navalny


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2504145/das-acusacoes-ao-corpo-escondido-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-navalny


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-02-16-Quem-era-Navalny-o-principal-opositor-de-Putin-que-morreu-na-prisao-e09ff1db


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-01-09-Opositor-russo-Alexei-Navalny-colocado-de-novo-em-isolamento-99dea3b0


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-12-26-Nao-se-preocupem-comigo-Navalny-garante-estar-bem-em-penitenciaria-no-Artico-russo-165312fa


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-10-13-Advogados-de-Alexei-Navalny-presos-na-Russia-1d737b1f


https://pt.euronews.com/2024/02/16/russos-prestam-tributo-a-navalny-mesmo-arriscando-a-detencao

16/02/2024

São muitos os sem-abrigo que vivem no aeroporto

Ao ver esta notícia, lembrei-me daquele filme interpretado por Tom Hanks, que se chamava "O Terminal." Mas esta história infelizmente é real e passasse aqui mesmo em Portugal. Não se pense que o problema esteja apenas naqueles que vêm requerer asilo e que esperam por uma resposta. De facto, as causas para esta situação são várias, desde "desemprego, problemas de saúde mental, dependência de substâncias" até à "ausência de uma rede de apoio familiar." Cada um tem a sua história pessoal, mas o problema não é de hoje.


Um dos casos, é o de Isabel e do seu filho Miguel, que "foram despejados da casa onde viviam, em junho" por não conseguirem pagar a renda depois da senhoria a ter aumentado e, "desde dezembro que estão a dormir no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto." Nestas instalações aeroportuárias pernoitam "59 pessoas," das quais 11 não são portuguesas, segundo dados recolhidos pela Câmara da Maia.


Já em 2006, a ANA tinha pedido ajuda para retirar os cerca de trinta sem-abrigo que na altura usavam o aeroporto da Portela, em Lisboa, como casa. Na altura, estas pessoas foram reencaminhadas "para centros de acolhimento na cidade e arredores."


Fontes:


https://www.noticiasmaia.com/aeroporto-francisco-sa-carneiro-torna-se-refugio-para-dezenas-de-sem-abrigo/


https://tvi.iol.pt/noticias/portugal/europa/sem-abrigo-do-aeroporto-de-lisboa-vao-para-centros-acolhimento


https://portocanal.sapo.pt/noticia/346289

12/02/2024

25 anos - O maior desfile de palhaços

As minhas memórias de juventude passam pelo Carnaval de Sesimbra e pela participação nos desfiles de palhaços à segunda-feira. Lembro-me quando foi a primeira vez e só agora percebi que já lá vão 25 anos. Tanto tempo que já passou, milhares e milhares de palhaços que calcorrearam aquela calçada, aquelas ruas, aquela praia! Este ano, estive a trabalhar e por isso não consegui estar presente nesta grande festa! Mas ao longo desta minha postagem, vão espreitando algumas imagens de anos anteriores! Venham recordar comigo alguns momentos das tardes fantásticas das "Segundas dos Palhaços."


Bem, então voltando atrás no tempo, estávamos em 1999 quando esta brincadeira começou. Os pioneiros, primeiros foliões a achar que seria engraçado mascararem-se de palhaços e juntarem-se para fazer umas brincadeiras na tarde de segunda-feira (numa época e região que, devemos lembrar, quase ninguém trabalhava nestes dias e em que não havia escola) foram Carlos Silva, Paulo Soromenho, Pedro Canana, Raúl Custódio, Henrique Amigo, entre outros. 


O primeiro desfile chamou-se "Simpatia é Quase Amor," mas os organizadores não faziam "ideia do sucesso que este acontecimento iria alcançar." Poucos meses antes, a TVI tinha estreado o programa "Batatoon." Não levou muito tempo até que este se tornasse "um dos grandes momentos do Carnaval de Sesimbra, mas também no maior desfile do género que se realiza em Portugal e no mundo, juntando todos os anos milhares de pessoas vindas de vários pontos do país." Os números são espetaculares - falamos num cortejo que já chegou a levar "perto de 4 mil mascarados de todas as idades" - tal como é a imagem do mar de cores que invade a marginal de Sesimbra. Até mesmo os animais de companhia são levados a participar! A animação e a música - onde não faltam as tradicionais marchinhas de carnaval - acompanham todo o desfile! 


A participação é livre e basta vir vestido de palhaço. Alguns foliões trazem consigo vários apetrechos, como por exemplo "veículos de todos os feitios, desde barcos com rodas, naves espaciais, triciclos com asas," entre outras coisas! E vocês? Que memórias têm destes 25 anos?


Fontes:


https://www.sesimbra.pt/noticia-72/carnaval-cortejo-de-fantasias-de-palhaco


https://www.sesimbra.pt/noticia-72/cortejo-de-fantasias-de-palhaco-62


 

11/02/2024

Chuva... o mau tempo e o "raio" da Karlota que não gosta de Carnaval

Hoje há uma certa nostalgia no ar... uma tristeza que nos percorre o corpo. Sabemos que foi melhor assim e que as condições não estavam propícias a que houvesse desfile. Que os materiais e as fantasias se iriam estragar, já para não falar nas aparelhagens, sistemas de som e instrumentos que não iriam resistir à chuva. Falta-nos um espaço fechado onde desfilar nestes dias de chuva. Já conseguimos um carnaval de verão, mas quem é do samba sabe, que isso não substitui a falta que este desfile nos faz.


Ontem, sábado, já ão se desfilou na Quinta do Conde. Iria sair a minha escola (Batuque do Conde), o Corvo de Prata e um grupo de Motards, mas não estavam reunidas as condições para que tal acontecesse em segurança. Em Sesimbra, o sol permitiu que o grupo de Axé Tripa Mijona tivesse a sorte de percorrer a marginal da nossa baía. Animou a nossa vila e quem a veio visitar. Felizes por elas e tristes por nós... mas ainda pensamos que hoje fosse possível ter algumas tréguas.


Mas de madrugada, já todos tínhamos consciência de que o desfile estaria prestes a ser cancelado (ou adiado). Apesar de ter dado aos grupos da noite um pouco de tolerância, S. Pedro não esteve pelos ajustes e o aviso de mau tempo não foi levantado. O mar, batido a vento e a chuva forte fez com que não se pudesse desfilar em Sesimbra...


Espera-se que amanhã os palhaços possam sair e animar as ruas de Sesimbra! Festejando 25 anos de folia e animação! Quem é da minha geração, lembra-se certamente do primeiro desfile... da ansiedade em saber se tinha sido batido o recorde de palhaços! Amanhã, estarei a trabalhar mas o meu coração estará nas ruas da minha terra.


E espera-se que as condições atmosféricas melhorem e que na terça se possa fazer um grande desfile, que as Escolas e os grupos de Axé possam mostrar na Avenida o trabalho de um ano inteiro! As coreografias e músicas que já espreitamos na semana passada no ensaio técnico e que, todos, desejamos ver agora compostas pelas fantasias! Os arames moldados em asas, armações, cabeças e cabeções! As milhares de penas, plumas e lantejoulas que bordam em elaborados desenhos os tecidos coloridos! As pinturas, maquilhagens e claro, as máscaras... os trabalhos dos artistas que esculpem e moldam o esferovite com que nos presenteiam e que, não fosse a chuva do fim de semana, já teríamos visto desfilar!


Não fiquem tristes! Ainda nos vamos encontrar e iremos fazer Sesimbra brilhar!

10/02/2024

A idade dos candidatos importa? O futuro da América e do mundo.

Eu tenho estado a acompanhar as notícias sobre as próximas eleições nos EUA. Portugal, que faz parte da NATO e que, constantemente, está a ser afetado pelas decisões políticas tomadas lá por fora, não pode ficar indiferente àquilo que se vai passando e, apesar de não termos força para mudar nada, pelo menos podemos ter os olhos abertos e ir observando o que se está a passar. Mais não seja, porque temos portugueses que vivem em comunidades espalhadas por vários países por todo o mundo.


As eleições serão apenas em novembro, mas até lá, terão ambos de "sobreviver" à dureza da campanha eleitoral e ao que ainda aí está para vir, especialmente, tendo Biden de honrar os seus compromissos como atual presidente, em especial no que concerne ao papel dos Estados Unidos na Nato e àquilo a que se comprometeram no que respeita aos conflitos atuais na Ucrânia e na faixa de Gaza.


Os dois candidatos à presidência dos EUA são Biden e Trump, ambos já com uma idade avançada. "Donald Trump tem 77 anos e Joe Biden 80. São os candidatos mais velhos de sempre à presidência dos Estados Unidos." Mas o problema, não está na idade em si, mas nas inúmeras gafes e situações constrangedoras por que ambos têm passado e que fazem muitos pensar se estarão de facto capazes de presidir ao destino da América e de tudo o que isso poderá vir a implicar. 




Numa situação que aqui serve de exemplo, "Donald Trump começou" um dos seus discursos agradecendo "aos cidadãos de Sioux Falls por terem votado nele em massa no passado. Mas o candidato republicano às presidenciais de 2024 não estava em Sioux Falls, no Dakota do Norte, mas sim em Sioux City, no Iowa. Não entendeu os gritos da multidão até que um político local lhe soprou ao ouvido que estava numa cidade diferente." Outras situações foram-se sucedend, entre as quais ter-se referido a "que ganhou a eleição contra Barack Obama (contra quem nunca concorreu), confundiu a Hungria com a Turquia e tem chamado húmus ao movimento islamita Hamas." Será este o homem que os americanos querem ver a ser eleito? O problema é que parece que sim... 


Mas o seu concorrente e atual presidente dos EUA também não se encontra melhor. Com mais 4 anos de idade que Trump, Biden tem tido também inúmeras situações em que seu estado mental e a sua memória podem ser postos em causa. Há uns dias, "Joe Biden, cometeu uma gafe e confundiu o mandatário da França, Emmanuel Macron, com François Mitterrand, morto em 1996. "Poucos dias depois, durante um evento de campanha, o presidente americano mencionou outra conversa que teria tido em 2021 com o ex-chanceler alemão Helmut Kohl, falecido em 2017."



Numa conferência de imprensa na Casa Branca na noite de quinta-feira, 8 de fevereiro, onde tentava "refutar as acusações sobre a deterioração das suas faculdades mentais," Biden conseguiu piorar "a situação, referindo-se ao presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi como o presidente do México."


As suas gafes não são uma novidade. "No início da guerra entre Rússia e Ucrânia," em 2022, "Biden confundiu o povo ucraniano e o povo iraniano." Na altura fez a seguinte declaração: “Putin pode cercar Kiev com tanques, mas nunca conquistará os corações e as almas do povo iraniano."


Num país de tão grandes dimensões, não haverá mais ninguém? É que se não roçar o ridículo, roça o triste... e o perigoso. Pois daqui poderão vir muitos perigos em decisões mal tomadas, em afirmações e mal entendidos que possam levar outros a se ofender e atacar. É que ès vezes brincamos e dizemos, quanto mais velho, mais teimoso... mas não esqueçamos que Putin também já vai com 71... e assim vai o mundo.



Fontes:


https://www.dn.pt/internacional/cicatrizes-da-inflacao-julgamentos-e-rejeicao-popular-marcam-revanche-biden-trump-17283329.html/


https://www.terra.com.br/noticias/mundo/biden-comete-gafe-e-confunde-macron-com-mitterrand,8c0c33cab0d29a50e0ce9ea0ec4223a5ll8int17.html?utm_source=clipboard


https://oantagonista.com.br/mundo/confusoes-gafes-e-lapsos-joe-biden-esta-caducando/#google_vignette



09/02/2024

História do Carnaval de Sesimbra

Cada vez mais, as escolas e grupos começam a ter uma outra importância na vila, em especial no seu associativsmo. Os anos 90 não terminam sem o aparecimento do grupo de Axé Tripa Cagueira.


Com um espírito jovem e irreverente, um grupo de rapazes de Sesimbra, juntaram-se e fizeram o seu primeiro desfile em 1997, usando latas em vez de instrumentos. Quem viu não esqueceu essa primeira atuação e desde aí nunca mais pararam. Aparecia assim o primeiro grupo de Axé de Sesimbra, a Tripa Cagueira, onde até hoje só desfilam elementos do sexo masculino. Em 2000 apresenta um dos enredos mais conhecidos: "Estado da Nação."


A 17 de maio de 1999 aparece em Sesimbra o segundo grupo de Axé, a Associação Recreativa Bigodes de Rato, que trazem a novidade de qualquer pessoa poder acompanhar o próprio desfile ao integrar o “Bloco dos Bigodes de Rato”. Em 2001, apresentam-se com a música "Preto no Branco."


Em 2004, formou-se o primeiro grupo de Axé apenas com elementos do sexo feminino, a Tripa Mijona, fazendo parte da Associação Tripa. No primeiro ano desfilaram apenas com batucada, mas no segundo, levaram o tema "Sonho Real." Desfilam desde aí no sábado de Carnaval, primando sempre pela originalidade e alegria. Entre outros, em 2010, apresentaram-se como bruxas e em 2017 trouxeram "O circo da Vida" para animar a Avenida.


Mas a verdade é que Sesimbra não é apenas Santiago e Castelo e a 11 de julho de 2008, surge a primeira Escola de Samba, sediada na freguesia da Quinta do Conde. O crescimento demográfico desta freguesia, datada de 1985 e, depois, a passagem a vila desta povoação em 1995, fez com que as associações começassem também a surgir, sendo hoje mais de quarenta. O Grupo Recreativo Escola de Samba Batuque do Conde, além de desfilar no domingo e terça em Sesimbra, desfila atualmente no sábado de Carnaval na Quinta do Conde. Aqui ficam as memórias dos desfiles de 2010, de 2011 e  2014.


Este ano apresentar-se-ão com o enredo "Vamos com Fé."


A 21 de junho de 2011, surge também na freguesia da Quinta do Conde o GRES Corvo de Prata. Em 2015, trazem o tema " Sesimbra é peixe - Maravilhas de uma Vila."


A diversidade de cada Escola e de cada grupo, a sua individualidade e, cada vez mais a partilha de conhecimentos que vem enriquecendo os seus elementos, têm feito do Carnaval de Sesimbra um dos mais belos do país. Nascido ainda antes da liberdade, nunca deixou de crescer e apesar de todas as vicissitudes por que tem passado, ainda é um marco na tradição e cultura das nossas gentes. Nele desfilam novos e velhos, casados, solteiros e divorciados! Desfilam pexitos e camponeses! Desfila quem nasceu cá, quem nunca cá viveu e até quem não sabe dançar. Desfila quem ama o samba, seja qual for a sua origem.


Só tem uma obrigação: Respeitar!


Fontes:


https://gresbatuquedoconde.webnode.pt/sobre-nos/


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/carnaval-de-sesimbra-folia-comeca-com-as-raparigas-da-tripa-mijona_n105736


https://bigodesderato.pt/sobre/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Quinta_do_Conde


 

08/02/2024

Pela história de uma vila que dança Samba!

Nos finais da década de 70, surgiram outras escolas, atualmente já extintas mas de onde saíram alguns dos elementos que ainda hoje compõem os GRES atuais. São elas o GRCES Juventude na Baía e os GRES Sambinhas do Horizonte. Ambas lutavam na época por se destacar e por fazer melhor que a "adversária" em cada desfile. 



(imagem: https://sesimbra.blogspot.com/2010/01/sambinhas-do-horizonte-1979.html)


Em 1996 os Sambinhas desfilaram com o tema: "Nesta Avenida, hoje Sou o Rei," enquanto a Juventude se apresentou com o tema "A magia dos Deuses."


Em 1984, surge então uma nova escola, inicialmente de cariz familiar, com o nome Pérolas do Samba. Em 1997, a sua direção passou para a professora de música Teresa Cláudio e a Escola sofreu várias mudanças. Em 2000, muda a sua designação para GRES Dá que Falar. Em 2009, trazem para a Avenida o tema "25 anos" somando os anos que já tinham de Pérolas com os de Dá que Falar e podemos ver aqui um pouquinho do seu defile em 2010.


Em 2005, durante um ato eleitoral no GRES Bota no Rego, um grupo de pessoas que constituía uma das listas a concurso, perde e depara-se "com uma serie de irregularidades, mas como não se conseguiu provar nada e como o ambiente na escola não era o melhor" acabam por sair da Escola e decidem formar o GRES Unidos de Vila Zimbra. A sua fundação data de 24 de abril de 2005 e desde aí não tem parado de crescer, mostrando em cada atividade a experiência dos seus fundadores.


viila-zimbra(Imagem: https://www.sesimbra.pt/pages/2025)


Mas não me fico por aqui! O nosso Carnaval é de uma imensa riqueza e ainda há muito mais a dizer!


Fontes:


https://issuu.com/osesimbrense/docs/o_sesimbrense_-_edi____o_1183_-_fev_ce931dac55df9d


https://daquefalar.webnode.pt/carnavais-/


https://escolas-de-samba55.webnode.pt/escolas-de-samba-em-sesimbra/


 

07/02/2024

Os primeiros grupos e escolas de samba de Sesimbra

Quando falamos em Sesimbra temos de falar em carnaval. O carnaval nasceu muitos anos antes das primeiras escolas de samba, tendo as suas origens nos bailes e nas noites de folia em que os grupos de mascarados tentavam ser cada vez mais arrojados e marcar a diferença. As noites de carnaval eram um espaço de alguma liberdade numa época em que essa liberdade estava vedada à maior parte dos portugueses.


Foram os grupos, de rapazes e raparigas, que se reuniam para brincar ao Carnaval que depois vieram dar origem aos GRES de agora. Entre eles, não nos podemos esquecer das "Malvadas", dos "Turumbamba", dos "Papuas" e, dos grupos "MariSamba" ou dos "Cheirinhos da Fossa," entre outros. De facto, o Carnaval de Sesimbra vem de grupos como os "Caga no Rego", do "Grupo de Carnaval" e de todos os outros grupos de foliões e mascarados que se reuniam nos bailes na Praça Velha, no Refugo, no Grémio, na Sociedade Musical Sesimbrense, no Hotel Espadarte, no salão dos Bombeiros e no Ginásio.


Um dos primeiros grupos e que vem depois dar origem ao atual GRES Bota no Rego "foi fundado por um grupo de foliões" que apenas se queriam "divertir no Carnaval noturno em Sesimbra. Maria Cândida Covas, mais conhecida por "Marquinhas," juntou-se com os amigos do colégio e "pensaram em levar para as ruas de Sesimbra as ideias originais que chegavam do outro lado do Atlântico" e que viam nas "revistas brasileiras de Carnaval que havia na casa da avó." Estavamos em 1974. As primeiras fantasias começaram a tomar forma: "primeiro a de palhaço sem mascarilha, depois os malmequeres e jardineiros a cantar o Vira dos Malmequeres, da Tonicha, por fim os verdadeiros sons dos instrumentos e até um pequeno carro de rolamentos." 


A pedido dos habitantes da Vila de Sesimbra, que acharam as fantasias muito bonitas, começaram a desfilar na terça-feira de Carnaval durante o dia." A fundação da Escola é a 5 de março de 1976. Nos dois primeiros anos, o nome era "Caga no Rego" mas como era um nome pouco consensual, em 1978 mudou para Bota no Rego.


Em 1977, desfilaram além do grupo "Caga no Rego", os "Cheirinhos da Fossa" e o "Ginga no Pandeiro." Nos primeiros tempos, o apoio não era muito e, claro, havia pouca experiência na elaboração dos fatos e dos carros alegóricos. E foi através dos bombeiros que conseguiram pela primeira vez levar uma "bateria" para a rua, muito diferente das que hoje vemos desfilar.


Os temas foram-se sucedendo, "Cleópatras",  "Astérix e os Romanos", "Atlântida", "Os planetas e as Estrelas" e "O Futuro", foram alguns dos temas trabalhados nos primeiros anos. "Em 1988, o Bota no Rego leva para a Avenida um enredo representativo dos Quatro elementos, já mostrando uma conceção mais elaborada, fruto das tentativas e aprendizagens conseguidas ao longo da sua primeira década de vida.


1990, foi um ano complicado para todas as escolas que faziam o carnaval de Sesimbra. Um dos casos foi o da Escola Marisamba. Não foi por isso, um mero acaso, que a Escola Marisamba e o Bota no Rego, se tenham na altura reunido e decidido juntar esforços e criar uma escola única. Na época, isso levou ao crescimento e à melhoria do carnaval de Sesimbra. Em 1995 não houve desfiles, devido à morte dos pescadores do barco "Menino Deus", uma das maiores tragédias que atingiu a nossa vila. Nesse ano, não havia condições nem vontade de festejar o Carnaval.


Ao longo dos anos, o Bota no Rego foi crescendo e a evolução para novas valências não tardou, com o aparecimento do seu próprio "Grupo de Teatro, uma Academia de Música e uma Orquestra designada por Bota Big Band regida pelo seu próprio maestro." Em 2011 iniciou o projeto MegaSamba," que já é uma referência do verão sesimbrense. Em 2019, altera a sua denominação para G.R.E.S. Bota.


Um outro grupo era o de Arménio Sousa, que se inspirava nas Revistas que eram produzidas para "os palcos do Maria Vitória e do Variedades." Este grupo era bastante conhecido à época. Eram "os reis do Carnaval de Sesimbra, ou não tivesse o próprio Arménio sido o único Rei Momo da vila, que, montado num burro, pregou um divertido e sarcástico discurso." Foram o primeiro grupo da vila em que todos os membros se mascaravam de mulher, "imitando umas esbeltas e provocantes misses."


Mas havia também um grupo só de mulheres: "As Malvadas", fantasiadas de "escravas cor-de-rosa" ou de "mulheres-pássaro de fato de lamê" que ainda são recordadas "pelo enorme sucesso que tiveram." Em 1988, desfilavam na Avenida da Liberdade, de fatos negros e dourados.


Em 1978, surge o Trepa no Coqueiro, "com fantasias confecionadas gratuitamente por algumas mães de desfilantes, assim como alguns dos instrumentos de percussão construídos por elementos da escola." É no Hotel do Mar que são realizadas "as primeiras reuniões e ensaios" a pedido de "António Paixão," um dos funcionários deste Hotel, que "conta com o apoio do seu Director-Geral Óscar da Silva." No ano seguinte, o Trepa no Coqueiro apresenta-se pela primeira vez na rua. Podemos vê-los aqui, representando Sesimbra, numa apresentação na RTP, num programa apresentado por Júlio Isidro.


No início da década de 80, um outro grupo surgiu e, mesmo tendo durado apenas dois anos, marcou a história do Carnaval, "pelos trajes fora do comum, pinturas elaboradas e fatos masculinos mais ornamentados. O primeiro ano ficou assinalado pelos tons laranja a lembrar habitantes do espaço, e o segundo pelas brilhantes e esverdeadas cobras, pintadas com enorme precisão."


Para o grupo "Turumbamba," a confeção dos fatos deixou recordações bem divertidas aos seus participantes que passavam horas na sede a conviver enquanto faziam as fantasias, antes de saírem pelas ruas "a pregar partidas". Na primeira vez foram "fantasiados de romanos, com lençóis brancos e papéis metalizados. Depois seguiu-se o fato de rock and roll, Ali Babá, Branca de Neve e uma fantasia com máscaras de gesso, que fez esgotar o stock de vaselina e de gesso da farmácia."


Em 1983, participa "pela primeira vez no desfile carnavalesco em Sesimbra com 12 elementos," a Escola de Samba Saltaricos do Castelo, com o tema "O Capuchinho." Só em 1985 é que "saiu pela primeira vez com bateria, contando com cerca de 100 elementos, dos quais 30 faziam parte da bateria." É apenas onze anos depois da sua fundação, em 1994, que se "apresenta pela primeira vez" com um "samba enredo cantado," com o tema "A travessia do Atlâ”. Aqui podemos vê-los no desfile de 1996, a descer a Avenida.

Em 1985, os "Papuas" saíram com fantasias feitas de "ráfia, folhas de palmeira e eucalipto e penachos de canas," representando as "tribos africanas." Um dos 40 elementos dos Papua, João Casaca, lembra que a ideia era utilizar materiais diferentes e interagir bastante com o público. "Pediram sacas às mercearias e às lojas de pesca para conseguir a ráfia, passaram horas num aviário a arranjar penas e até mesmo a distribuição de fotografias do grupo serviu para angariar verbas."


As "Bijucas", um grupo formado apenas por raparigas, "cativou tudo e todas com as suas roupas reduzidas e a irreverência caraterística da juventude." De forma a "financiar os seus fatos," lembraram-se "de começar a vender bolos porta a porta," como conta um dos seus elementos, Ana Maria Sousa.


E ainda falta falar aqui de vários outros grupos e escolas. Ficará para amanhã! Entretanto, se quiserem, mandem-me as vossas memórias e ajudem-me a construir esta pequena e singela lembrança da nossa Vila.


Fontes:


https://escolas-de-samba55.webnode.pt/escolas-de-samba-em-sesimbra/


https://www.sesimbra.pt/pages/1405


https://pt.wikipedia.org/wiki/GRES_Bota


 

06/02/2024

O Livre

Surgido em 2013, na "sequência do Manifesto para uma Esquerda Livre, subscrito por milhares de portugueses, e que promoveu uma série de encontros pelo país," o LIVRE apresenta como símbolo uma Papoila e foi legalizado pelo Tribunal Constitucional a 19 de março de 2014.


Assume-se como "um partido político" de centro esquerda, "assente nos quatro pilares das liberdades e direitos cívicos; da igualdade e da justiça social; do aprofundamento da democracia em Portugal e da construção de uma democracia europeia; e da ecologia, sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente." Desta forma, os seus objetivos principais passam por "libertar Portugal da dependência financeira e do subdesenvolvimento económico e social," e por "traçar um modelo de desenvolvimento" que esteja "assente na valorização das pessoas, do conhecimento e do território." Do seu ponto de vista ideológico, estes objetivos cumprem-se "através de um profundo processo de democratização e de maior inclusão dos cidadãos na ação e representação política."


Preconizam a Igualdade não só "perante a lei ou a igualdade de oportunidades, mas também a equidade na distribuição de recursos e a equalização progressiva de possibilidades e condições de vida." Segundo o seu manifesto, o LIVRE crê que a igualdade é "uma das características necessárias ao desenvolvimento económico e social de uma sociedade, em particular no caso português, sobre o qual as desigualdades têm trazido enormes custos."


Ao contrário da maioria dos partidos políticos portugueses, no Livre, "todos os cidadãos eleitores podem ser candidatos." Tem sido assim desde a sua formação, procurando criar uma forma mais inclusiva na tomada de decisões. "Um exemplo disso é a plataforma em linha de discussão e wiki de ideias políticas Ponto LIVRE, de acesso aberto para todos os membros e apoiantes."


Apresentou-se pela primeira vez numa to eleitoral eleições nas "eleições para o Parlamento Europeu, que se realizaram a 25 de maio de 2014. Após uma fase de avaliação de 37 pré-candidatos e dois debates públicos, as primeiras eleições primárias abertas em Portugal realizaram-se no dia 6 de abril de 2014."


No ano seguinte, apresentou-se nas Legislativas com uma "candidatura cidadã Tempo de Avançar, que incluiu duas organizações, o Fórum Manifesto e a Renovação Comunista, e muitos cidadãos independentes."


Mais tarde, já em 2019, o "Livre apresentou-se às suas segundas eleições legislativas com a historiadora Joacine Katar Moreira como candidata principal e cabeça de lista" por Lisboa. "Joacine recebeu bastante cobertura" mediatica nessa altura e isso ajudou a que o partido a elegesse "como deputada única. 


"Durante a campanha" eleitoral de 2019 e após a sua eleição como deputada em 2019, "Joacine Moreira foi alvo de várias campanhas de desinformação e difamação em redes sociais, sobretudo em páginas ligadas ao partido CHEGA, que acumularam milhares de partilhas e instigaram uma torrente de mensagens de ódio, racismo e xenofobia."


A "31 de janeiro de 2020, após diversos desentendimentos com o partido, que tinham culminado com a deputada a acusar o LIVRE de mentiras, perseguições e de usar a sua condição de mulher negra para obter subvenções, o partido decidiu retirar-lhe a confiança política," sendo expulsa do partido e "passando a deputada não inscrita, enquanto o partido ficou sem representação parlamentar."


Fontes:


https://partidolivre.pt/declaracao-de-principios-2-2


https://pt.wikipedia.org/wiki/Livre_(partido_pol%C3%ADtico)


https://pt.wikipedia.org/wiki/Joacine_Katar_Moreira


 

05/02/2024

O regresso da AD em Portugal

A Aliança Democrática (AD) é "uma coligação política" de centro-direita, formada pelo Partido Social Democrata (PPD/PSD), pelo CDS – Partido Popular (CDS–PP), pelo Partido Popular Monárquico (PPM) e por personalidades independentes. A atual coligação é encabeçada por, entre outros, Luís Montenegro (PSD), Nuno Melo (CDS) e Gonçalo da Câmara Pereira (PPM). Esta Aliança, formada no dia 21 de dezembro de 2023, irá abranger "as eleições legislativas de 2024eleições regionais dos Açores de 2024 e eleições europeias de 2024, e em sintonia com os acordos locais para as autárquicas de 2025."


A primeira vez que uma coligação semelhante ocorreu no nosso país foi entre "1979 e 1983", juntando nomes bem conhecidos do panorama político nacional como, Francisco Sá CarneiroDiogo Freitas do Amaral e Gonçalo Ribeiro Telles, tendo concorrido "às eleições legislativas intercalares de 1979 e às eleições legislativas gerais de 1980."


Com base nos resultados positivos que conseguiu obter, a "AD foi convidada a formar Governo, tendo o mesmo tomado posse a 3 de janeiro de 1980, liderado por Francisco Sá Carneiro. No entanto, este primeiro Governo viria a cair, devido à morte do Primeiro-Ministro num acidente de aviação ainda hoje por explicar, na noite de 4 de dezembro de 1980."


Mais tarde, a "AD foi convidada a formar mais dois governos, que seriam liderados, até 1983, por Francisco Pinto Balsemão."


A grave crise que a coligação já enfrentava levou à sua dissolução, "tendo os partidos que a constituíam concorrido separados às eleições legislativas de 25 de abril de 1983."


Em 1985, de forma a preparar as eleições presidenciais do ano seguinte, foi revisitado o “espírito da AD” de forma a "apoiar a candidatura de Freitas do Amaral."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Alian%C3%A7a_Democr%C3%A1tica_(2024)


https://pt.wikipedia.org/wiki/Alian%C3%A7a_Democr%C3%A1tica_(1979%E2%80%931983)


 

02/02/2024

Da queda da monarquia ao nascimento do PPM

Apesar da queda da monarquia ter ocorrido em 1910, depois de quase 800 anos de monarquia e do atentado contra a família real em 1908, ainda existe nos dias que correm um partido que defende os ideais monárquicos. Mas comecemos por d. Carlos, último rei governante em Portugal. Sabe-se que durante o seu reinado, um pouco imitando aquilo que já ocorria em Inglaterra, D. Carlos tentou instituir  "um sistema de dois grandes partidos, a quem ele pudesse confiar, à vez, a tarefa de governar," uma vez que ele não desejava governar de forma direta, contrariamente ao que "estava previsto na constituição." Dessa forma, entre "1893 e 1906, tentou" fazê-lo, "reservando a chefia do governo para apenas dois chefes políticos, Hintze Ribeiro e José Luciano de Castro, chefes do Partido Regenerador e do Partido Progressista." 


Mas, em 1906, estes dois governantes, "já não conseguiam fazer-se aceitar pela restante classe política." O chefe de governo que se seguiu foi "João Franco, a quem nomeou chefe do governo em 1906 e a quem manteve no poder, usando as suas prerrogativas constitucionais, apesar da oposição da restante classe política." No entanto, o desfecho tomou o caminho contrário e, "D. Carlos foi acusado pelos seus inimigos de ser um ditador e de ter destruído a constituição." Por outro lado, a verdade é que "pouco prendia os políticos à monarquia, a não ser o seu interesse em recorrerem ao rei, como uma espécie de árbitro, para fazerem aceitar uns pelos outros o direito a governar." A monarquia já não fazia sentido de existir e até o próprio D. Carlos terá dito que era rei de “uma monarquia sem monárquicos”.


A "estratégia seguida depois de 1908 por D. Manuel II e por D. Amélia" foi a de deixar que fossem "os políticos decidir, lutando entre si, quais deles deviam ser os chefes de partido." D. Manuel II teve 6 governos em apenas dois anos, enquanto que nos seus "18 anos de reinado, D. Carlos teve 9 governos."


No último século, a monarquia portuguesa viu-se afastada da "ribalta" ao contrário do que tinha acontecido com outras "famílias reais." 


Em 1910, a Primeira República portuguesa, não houve bem uma democracia, mas sim "um regime dominado por um partido – o Partido Democrático — que nunca saiu pacificamente do poder. Em 1913, aliás, para melhor controlar as eleições, o Partido Democrático restringiu o direito de voto da população, fazendo a percentagem de cidadãos com direito de voto descer de 75% para 30%." Podemos desta forma até afirmar que a morte de D. Carlos terá aberto "o caminho para o autoritarismo em Portugal."


Conhecemos o que se seguiu.


A oposição monárquica ganha força em 1926. De facto, são contra a "eleição de um Chefe de Estado por sufrágio universal direto (em 1928), o
acto colonial de 1931, a proposta de uma nova Constituição Republicana para
ser plebiscitada sem ser discutida (em 1932)," bem como se mostram contra a entrada em vigor desta Constituição, a qual - como sabemos - não foi corretamente aplicada.


A morte em 1932 de D. Manuel II, e "a proclamação de D. Duarte Nuno como pretendente único proposto pelos monárquicos
portugueses," em 1934, levou "à unificação da organização
monárquica, como Causa Monárquica, e à suspensão, consequente, da
atividade do Partido Legitimista, do Integralismo Lusitano, e de todas as
organizações monárquicas autónomas" da época.


Aliado a estes fatores, vem ainda a "atroz perseguição a Henrique de Paiva Couceiro" por parte do regime em vigor e, "o desterro de
Hipólito Raposo em 1937," que numa forte oposição ao governo Salazarista, permite "a formação do Grupo de Ação Monárquica Autónomo."


É neste grupo que se lançam "as bases sobre as quais, depois de 1945, se formariam os movimentos de oposição monárquica desde o Movimento Monárquico Popular à Renovação Portuguesa." Em 1961, uma lista composta por altas individualidades tenta concorrer às eleições mas, tal como seria de esperar, "sob pretextos de mera burocracia, o Estado Novo impediu essa lista
monárquica de concorrer às urnas."


Mas só em 1971 vemos aparecer em Portugal, "o Movimento Popular Monárquico" através da "união da Liga Monárquica e da Renovação Portuguesa, formando a Convergência Monárquica." 


Logo após o 25 de abril de 1974, a Junta de Salvação Nacional, considerou a Convergência Monárquica "como um dos movimentos políticos de
oposição ao regime deposto e por isso" convocou-os para participar na "nova ordem política, ao lado da CDE (futuro MDP) e da SEDES, a que, pouco depois se
juntariam o Partido Comunista Português," o Partido Socialista e "o embrião" do
que viria a ser o CDS.


É a "23 de maio de 1974, por iniciativa da Convergência Monárquica," que "congregava as várias forças políticas que tinham formado a Convergência por ocasião das eleições de 1969," que se dá a fundação do atual PPM.


Foi só em "fevereiro de 1975 que a situação do Partido Popular Monárquico ficou
juridicamente formalizada, por despacho, do Supremo Tribunal de Justiça." "
Francisco Rolão Preto assumiu a Presidência do Diretório e do Congresso" do Partido Popular Monárquico, enquanto que a "liderança do partido foi entregue a Gonçalo Ribeiro Telles, que em 1993 o abandona para fundar outra organização: Movimento Partido da Terra (MPT)." 


Arquiteto-paisagista e engenheiro agrónomo, Ribeiro Telles, chegou a ser "subsecretário de Estado do Ambiente" nos três "Governos Provisórios. Foi Ministro de Estado e da Qualidade de Vida do VII Governo Constitucional (AD, de Francisco Pinto Balsemão), de 1981 a 1983." Durante a sua participação política, foi responsável pela criação das "zonas protegidas da Reserva Agrícola Nacional, da Reserva Ecológica Nacional e as bases do Plano Diretor Municipal."


Mas o PPM não foi também bem recebido em todos os círculos monárquicos. "Em 1987, Maria Pia de Saxe-Coburgo e Bragança," (que, alegadamente, seria filha legítima do rei D. Carlos I), afirmou numa entrevista "ao jornalista Joaquim Letria" (RTP) que "era contra o PPM" porque, para ela, o PPM não representa a Monarquia."


Diz o próprio partido (na sua página) que defende "os valores tradicionais, o desenvolvimento sustentável e políticas ecológicas que respeitem a dignidade humana, afirmando que trabalham no sentido de "uma sociedade democrática onde todos pertencem, onde as comunidades são fortes e prósperas num ambiente natural saudável e diversificado."


"Em 2005, o PPM foi representado por dois deputados na Assembleia da República (Miguel Pignatelli Queiroz e Nuno da Câmara Pereira)," coligados com o PSD.


Em 2021, o "presidente do PPM, Gonçalo da Câmara Pereira, anunciou a sua candidatura às eleições presidenciais", tendo entretando desistido "devido ao estado da Pandemia de COVID-19." Este ano, e depois de muita controvérsia por não ter sido inicialmente convidado, "o PPM junta-se ao PSD e ao CDS para uma reedição da Aliança Democrática para os três atos eleitorais do ano: Legislativas, Europeias e Regionais Açorianas." Em protesto "contra a integração do PPM" na recém formada Aliança Democrática, "a Juventude Monárquica autodissolveu-se, com a desfiliação dos seus membros."


Fontes:


https://observador.pt/especiais/d-carlos-e-o-fim-da-monarquia-em-portugal/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_Popular_Mon%C3%A1rquico


https://pt.wikipedia.org/wiki/Gon%C3%A7alo_Ribeiro_Telles


https://ppmonarquico.pt/wp-content/uploads/2023/09/Historia.PPM_.site_.pdf


 

01/02/2024

Agricultores em protesto em Portugal

Não sei se por ser dia 1, mas de certeza que também devido a algum receio natural do aumento dos preços dos produtos básicos devido ao que se está a passar por toda a Europa, hoje às 17 horas havia já uma maior afluência aos super e hipermercados e que foi aumentando. 


Tal como esperado e como ontem referi aqui no blogue, os agricultores portugueses também se juntaram aos protestos que se têm vido a espalhar pela Europa. Por cá, o movimento é expontâneo e não está ligado a nenhuma associação do setor, exigindo que seja pago o valor prometido pelo primeiro pilar da política agrícola comum (PAC).


Neste pilar, podemos ler que a "União Europeia concede aos agricultores um apoio ao rendimento ou «pagamentos diretos» que servem de rede de segurança e que visam tornar a agricultura mais rentável, garantir a segurança alimentar na Europa, ajudar os agricultores a produzir alimentos seguros, saudáveis e a preços acessíveis e recompensar os agricultores pelo fornecimento de bens públicos que normalmente não são pagos pelos mercados." Mas esta PAC, trouxe custos absurdos para os agricultores, que agora não têm o retorno do seu esforço.


Os agricultores portugueses também pedem que haja uma adaptação da PAC a cada país, uma vez que Portugal tem vivido anos de seca que levaram a uma diminuição da produção. Acresce-se a questão de que a ministra da agricultura, Maria do Céu Antunes, falhou redondamente!


Passou exatamente um ano desde que o PSD acusou a ministra Maria do Céu Antunes de "falta de competência, falta de rumo, falta de ambição e teimosia." Na altura, também o Chega, através das palavras do "deputado Pedro Frazão, e a Iniciativa Liberal, através de João Cotrim Figueiredo, subscreveram as críticas e o pedido de demissão da ministra da Agricultura." Em contraponto, o deputado do PS Francisco Rocha, mostrou-se do lado do governo na altura ainda em plenas funções e argumentou que de acordo com “todos os indicadores das exportações no complexo agroalimentar” a agricultura portuguesa “está a viver um bom momento," desvalorizando toda a situação. Seguiu-se um ano de seca, de crise económica e, claro, a queda do governo.


Com eleições à porta, é natural que agora, estando o país em plena campanha, se comecem a verificar cada vez mais, ações de protesto como a dos agricultores. Além do mais, o "timing" é o ideal, uma vez que se espera que, os partidos que se mostraram anteriormente do lados dos agricultores e que tanto criticaram a ministra da agricultura, façam agora das palavras, atos. O grande problema é que, levados ao limite pelas dificuldades que têm sentido, pela falta dos prometidos pagamentos e pela desvalorização do setor, estão por certo mais suscetíveis de serem atiçados (ainda que de forma dissimulada) por alguns partidos das alas mais extremas e pelas manifestações que se têm vindo a fazer sentir por toda a Europa, se possam agora verificar situações que vão além do direito à manifestação e que são anti-constitucionias, como o encerramento de auto-estradas e o fecho de fronteiras. O problema não será de certo resolvido nas próximas horas, nem penso que o seja nos próximos dias, mesmo que a resposta vinda de Bruxelas vá de alguma forma ao encontro daquilo que os agricultores esperam, uma vez que, o problema cá em Portugal, é muito mais localizado e específico!


Fontes:


https://www.europarl.europa.eu/factsheets/pt/sheet/109/primeiro-pilar-da-politica-agricola-comum-pac-ii-pagamentos-diretos-aos-agricult


https://www.dn.pt/6066406037/protesto-de-agricultores-junta-centenas-de-tratores-em-bruxelas-em-dia-de-cimeira-europeia/


https://observador.pt/2023/02/02/ministra-da-agricultura-criticada-da-esquerda-a-direita-no-parlamento/


 

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam.  São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a...