22/02/2026

Ainda sobre a destruição causada pelas cheias

Em Portugal já houve outros anos de chuvas intensas e em que os rios saíram das margens invadindo terrenos agrícolas e levando tudo à sua frente. Este ano, parece que as tempestades resolveram juntar-se e entrar pelo território português sem dó nem piedade. Depois da destruição causada pelos ventos, a chuva não deu tréguas, aumentando os caudais dos rios e criando zonas de cheias destrutivas. Se bem que não foi a primedira vez que o caudal do Tejo, do Mondego ou do Sado galgou as suas margens, a verdade é que o povo tem memória curta e se esquece de outras enchentes - felizmente, talvez por nem serem assim tão frequentes. Embora fosse expectável que houvesse cheias este ano, a subida dos caudais acabou por atingir uma população já fragilizada por um comboio de tempestades cujo vento e chuvas fortes detruiram tudo à sua passagem. Telhados arrancados, árvores derrubadas. As terras ficaram encharcadas e, em muitas zonas, acabaram mesmo por deslkizar, escorrendo pelas encostas e arrastando tudo pela seu caminho. As estradas saíram do seu percurso normal, os muros desabaram e as casas acabaram inclinadas, tombadas periclitantes prestes a desabar pelo morro abaixo.

Depois da tempestade Kristin, "a tempestade Leonardo chegou com violência renovada e voltou a devastar comunidades já marcadas pelo caos e pelo sofrimento. A precipitação intensa, concentrada em poucas horas, fez subir rapidamente o caudal dos rios, que transbordaram." Em Coimbra, a autarca acabou por mandar preparar a evacuação de parte da população, "devido ao risco iminente de rutura dos diques do rio Mondego", que tinha atingido o seu limite. Estradas cederam com o rompimento de diques e canais, houve deslizamentos de terras e casas soterradas por terra e rochas. Mas o mpior de tudo foram as dezoito mortes que ocorreram "em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta," e "que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados." Um casal acabou por ser apanhado pelas cheias, tendo a viatura, com os corpos ainda no seu interior, sido encontrada numa estrada que estava claramente intransitável devido à subida do caudal. 

Sem esquecer a queda de parte do tabuleira da A1, na zona de Coimbra. "O troço entre Coimbra Norte e Coimbra Sul encontrava-se já encerrado em ambos os sentidos," por haver um risco calculado de que o dique poderia não aguentar. O desabamento acabou mesmo por ocorrer, por volta das 18 horas, "no ponto de ligação entre o aterro e o viaduto, na zona dos Casais."

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais deste comboio de tempestades.

Apesar de ter sido declarada situação de calamidade, ainda existem situações deveras complicadas e que não terão uma resposta rápida. Ainda há "casas sem energia, empresas sem respostas e setores de atividade à espera de soluções, com prejuízos estimados na ordem dos mil milhões de euros."

No caso de Leiria, das cerca de "84 pessoas" que foram deslocadas, "17 das quais permanecem em situação muito vulnerável, sem casa." De acordo com Paulo Fernandes, "coordenador da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País," existem ainda em Portugal cerca de "374 desalojados (103 famílias) e 130 deslocados (72 famílias)," existindo um "universo possível de 175 edifícios," que ficaram "inabitáveis". Ao fim de tanto tempo, é inimaginável que ainda existam casas sem eletricidade e sem água potável canalizada, mas a verdade é que ainda temos pessoas a viver nessas situações.

Diversas empresas estão paradas e sem previsão de retomar a sua atividade. Centenas de agricultores procuram uma forma de recomeçar, mas sem poderam fazer nada enquanto os campos estiverem alagados. Perdeu-se a comida armazenada para os animais e ainda é preciso reconstruir cercas, estruturas de rega e canais. Um dos maiores problemas é que a falta de energia trouxe enormes custos para se manterem os geradores a funcionar. Não é só em casa que é necessária eletricidade. Esta é fundamental nas estufas, por exemplo. Em relação à sivicultura, a estimativa é de que podem ter sido destruídas entre "cinco a oito milhões de árvores, incluindo exemplares centenários." 

Fontes: 

https://sicnoticias.pt/meteorologia/2026-02-05-da-tragedia-de-1967-na-grande-lisboa-a-ilha-da-madeira-em-2010-as-cheias-que-devastaram-portugal-nas-ultimas-decadas-57d92b39

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-22-video-leiria-ainda-faz-contas-mas-prejuizos-das-tempestades-ja-atingiram-os-800-milhoes-46ad069c

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-20-tempestade-kristin-destruiu-ate-oito-milhoes-de-arvores-em-leiria-d3d3e93e

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-18-pedidos-cerca-de-75-milhoes-de-euros-para-recuperar-habitacoes-danificadas-pelas-tempestades-7c85ee10

https://expresso.pt/tempestades/2026-02-12-video-colapso-junto-do-viaduto-da-a1-em-coimbra-imagens-de-drone-revelam-impacto-do-rebentamento-do-dique-do-mondego-a0a7e56f

 

21/02/2026

Atropelamento e fuga em Lisboa

Não sabemos o que se passa na cabeça destas pessoas, o que lhes vai na alma. Mas sabemos que um carro pode ser uma arma letal quando nas mãos erradas. 

Há uns dias, vi imagens de uma senhora que guiava de forma descontrolada por uma rua da Trafaria. A mulher conduziu a viatura de "forma irregular, embateu em carros estacionados e acabou por atingir um peão. Já perante a intervenção da GNR, a condutora terá avançado contra uma patrulha, provocando danos e ferimentos num militar de 25 anos."

O que lhe ia na cabeça naquele momento? Que sensações, pensamentos ou fantasmas a atormentavam? Quais eram as suas dores ou as suas razões? Soube-se que era enfermeira, que já lhe tinha sido diagnosticada uma doença psiquiátrica e que teria acompanhamento médico nessa área da saúde. Algo correu mal naquele dia e, poderia ter sido pior se tivesse matado alguém.

Ontem, um automóvel investiu sobre um grupo de pessoas, atropelando de forma grave cinco transeuntes na zona do Chiado, em Lisboa. Esta viatura era conduzida, ao que se sabe por um homem entre os 20 e os 30 anos. A viatura tinha sido furtada momentos antes, enquanto o dono jantava ali perto. Destas vítimas, duas "eram adolescentes e terão ficado com fraturas expostas - uma teve alta" já esta manhã, enquanto a "outra está internada mas em situação estável. As outras duas vítimas foram assistidas no local."

Os carros, matam, não apenas em acidentes, mas também de forma propositada.

Fontes:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/atropelamento-com-fuga-faz-cinco-vitimas-na-zona-do-chiado-em-lisboa_n1720608

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-16-video-mulher-detida-na-trafaria-depois-de-atropelar-uma-pessoa-e-abalroar-gnr-7707150e

https://sapo.pt/artigo/enfermeira-do-garcia-de-orta-ja-teve-episodio-identico-antes-do-caos-na-trafaria-69941cf8bef01392d90c672d

 

 

17/02/2026

Derrocadas - as casas que nunca mais serão habitadas...

A excecionalidade dos eventos meteorológicos que têm atingido o nosso país, fez com que fosse decretada a situação de calamidade (em alguns lugares, um pouco tarde, no meu entender).

Desde o início do comboio de tempestades que têm vindo a assolar o país, "o concelho de Almada tem registado vários deslizamentos de terras nas arribas da Costa da Caparica e de Porto Brandão, com centenas de pessoas retiradas das suas habitações."

Uma das situações mais complicadas é a da Caparica, Almada, onde "17 casas foram afetadas por uma derrocada," levando a que "trinta pessoas" tivessem "de ser retiradas de casa por prevenção." Nesta zona, existe um claro e visível "risco de mais deslizamentos de terras," o que já tinha levado a que alguns moradores tivessem sido retirados por antecipação. Três casas acabaram mesmo por ficar soterradas, mas felizmente não se registaram feridos.

Mas ao londo dos últimos dias, foram muitas mais as ocorrências neste concelho. As zonas mais afetadas foram as de "Porto Brandão, São João e Azinhaga dos Formozinhos, no concelho de Almada," onde "centenas de pessoas tiveram de ser retiradas de casa devido ao risco de deslizamento de terras nas arribas."

Na Azinhaga de Formozinhos, existe um evidente "receio de uma derrocada devido à instabilidade da arriba. As autoridades deram ordem aos moradores para abandonarem as casas e levarem o que conseguirem." A maioria das famílias poderá nunca mais regressar à casa onde sempre viveu...

As falésias onde sempre se deixou construir, não apenas no concelho de Almada, mas um pouco por todo o país... e agora? Quem autorizou e quem forçou estas construções? Muitas habitações podem ter sido construídas de forma ilegal, mas outras foram autorizadas. E agora?

Fontes:

https://diariodarepublica.pt/dr/lexionario/termo/situacao-calamidade

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-17-video-pelo-menos-17-casas-danificadas-em-derrocada-na-caparica-421f6b5f

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-17-deslizamento-de-terras-em-almada-atinge-3-casas-e-obriga-a-retirar-20-pessoas-a1381096

https://sicnoticias.pt/pais/2026-02-13-video-nao-somos-nada.-o-que-havemos-de-fazer--maria-celeste-nao-esconde-a-tristeza-de-deixar-uma-vida-para-tras-d480d525

https://www.rtp.pt/noticias/pais/o-perigo-mantem-se-dezenas-de-pessoas-deslocadas-apos-derrocada-na-costa-da-caparica_n1719726

 

09/02/2026

Já se elegeu o Presidente da República

Finalmente, o meu coração tranquilizou um pouco. Afinal, o nosso país ainda tem muita gente de bem que não quer voltar a uma memória passada que não pode ser esquecida. Como se esperava, o eleito para Presidente da República foi António José Seguro, deixando em segundo lugar nesta segunda volta o líder do Chega André Ventura. Devido ao mau tempo que se tem feito sentir e que deixou várias zonas do país destruídas, sem água e sem luz, alguns concelhos não foram ainda a votos tendo nestes casos o ato sido adiado para o próximo domingo, dia 15 de fevereiro. 

No fim de contas, ganhou a democracia, a união da esquerda, do centro e de muitos, muitos votantes de direita, contra o risco de termos na Presidêncioa alguém com valores muito pouco humanos e ainda menos democráticos. De lembrar, que André era o homem que dizia que o país precisava de "três Salazares" e que, apesar de ter perdido, afirmou que "o resultado alcançado" servia para colocar o Chega "no caminho para governar o país," reforçando a ideia de que reforçando a ideia de que os portugueses tinham dado "ao partido um sinal de crescimento e de afirmação no panorama político nacional." Felizmente, ainda não foi desta...

Mas quem é o novo Presidente? Confesso que conhecia muito pouco sobre Seguro e que acabei por ler alguns artigos e ver algumas entrevistas para me inteirar sobre o seu percurso. Se na primeira volta, poderei ter andado um pouco indecisa inicialmente, na segunda volta, não houve qualquer dúvida sobre em quem recairia o meu voto.

Nascido a 11 de março de 1962, em Penamacor, licenciou-se "em Relações Internacionais, pela Universidade Autónoma de Lisboa," tirando depois o Mestrado "em Ciência Política, pelo ISCTE-IUL." Destaca como "pilares" de vida, "os valores transmitidos pelos pais, honestidade, ética e trabalho." É casado e tem dois filhos.

"Em criança gostava de brincar ao peão e com berlindes, e com um jogo de futebol, numa tábua de madeira com pregos, feita por um marceneiro de Penamacor," terra com a qual ainda "hoje mantém ligações." Na juventude, esteve sempre ligado "ao associativismo, ao desporto e à cultura" e, como muitos jovens daquela época, fez "parte do jornal da escola," tendo mais tarde fundado o jornal “A Verdade de Penamacor”, do qual acabou por ser diretor. Junto com "o primo Jorge Seguro Sanches," criou uma "associação cívica," denominada "Geração 2000." Escreveu ainda para o "semanário Expresso, cujos artigos estão compilados num dos seus livros - “Compromissos para o Futuro" -, e é também autor do livro "Reforma do Parlamento Português - O controlo político do Governo"." 

Na política, a sua carreira efetivamente começou na "Juventude Socialista (JS)" da qual foi líder na década de 90, começando a "aproximar-se da cúpula do poder socialista quando, no início de 1992, António Guterres bateu Jorge Sampaio na corrida ao lugar de secretário-geral do PS," e lhe dá o lugar de "chefe de gabinete do secretário-geral." Foi também "presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (estrutura máxima que representa todas as organizações europeias de juventude, de 1989 a 1993) e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas." 

Nas legislativas de 1991 tinha sido eleito deputado, mas é "a partir de 1994," que comneça a fazer "parte da Comissão Permanente do Secretariado Nacional."

"Com a vitória do PS nas legislativas de outubro de 1995, Seguro assume as funções de secretário de Estado da Juventude," e de cargo do qual sairia para se candidatar, no segundo lugar da lista dos socialistas, às europeias de 1999, atrás do cabeça-de-lista, Mário Soares."

"Entre 1999 e 2001, foi deputado ao Parlamento Europeu, tendo sido co-autor do Relatório do Parlamento Europeu sobre o Tratado de Nice e o futuro da União Europeia. Em 38 anos de participação europeia, António José Seguro foi o único português a quem foi atribuída a responsabilidade de elaboração de um relatório sobre um Tratado Europeu." Ainda na Europa, foi também "vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, com o pelouro da Organização Mundial do Comércio, presidente da Delegação dos Deputados Socialistas Portugueses e presidente da Delegação para as relações com os países da América Central, México e Cuba."

Em 2001, acaba por renunciar e substitui Armando Vara, no cargo de "ministro-adjunto do primeiro-ministro," a pedido de António Guterres. Em 2002, acaba por regressar "à Assembleia da República, onde liderou a bancada parlamentar do PS (entre 2004 e 2005), tendo presidido às Comissões Parlamentares de Educação e Ciência (X Legislatura) e de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (XI Legislatura). Dirigiu também o Gabinete de Estudos do PS, de 2002 a 2004."

Em 2004, apesar de ter mostrado essa disponibilidade, acaba por não concorrer à liderança do partido socialista, talvez por influência ou a pedido de Jorge Coelho, e é Sócrates que acaba no poder. Seguro foi-se mantendo "na segunda linha, apesar de ter sido cabeça-de-lista por Braga nas eleições legislativas de 2005, 2009 e 2011 e presidente das comissões parlamentares de Educação e de Economia." Em 2007, acabaria esmo por coordenar "os trabalhos de reforma e modernização da Assembleia da República, conhecida como a Reforma de 2007, na base do relatório que ele próprio coordenou no interior do seu grupo parlamentar."

Só em 2011, volta a mostrar que tem vontade de avançar "para a campanha interna para a liderança do PS que o levou ao lugar de secretário-geral ao vencer a disputa com Francisco Assis," ganhando "com 68% dos votos" e sucedendo assim "a José Sócrates como secretário-geral do PS. Foi ainda reeleito, em abril de 2013, com mais de 95% dos votos."

Esteve nesse cargo até "setembro de 2014," altura em que foi então "derrotado por Costa, obtendo cerca de 32% dos votos, demitindo-se assim da liderança do Partido Socialista e renunciando aos mandatos de conselheiro de Estado e de deputado à Assembleia da República."

Dedicou-se nos últimos anos a dar aulas na Universidade Autónoma de Lisboa e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, mantendo-se praticamente em silêncio sobre questões políticas," salvo em algumas exceções. Continua a produzir "vinho e azeite em homenagem ao pai, projetos que descreve como fonte de felicidade e de ligação às origens." 

Apresentou a sua candidatura a 3 de junho de 2025, "sem qualquer garantia de apoio por parte do Partido Socialista." Mesmo sem esse apoio, avançou e conseguiu "vencer a primeira volta, com 31,11% dos votos." No entanto, estes valores não lhe garantiam o lugar e teve mesmo de ir à segunda volta da qual saiu vencedor, "com o maior número de votos de sempre numas Presidenciais, ultrapassando Mário Soares."

Fontes:

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-quem-e-antonio-jose-seguro-o-novo-presidente-da-republica--357b8142

https://sicnoticias.pt/podcasts/alta-definicao/2025-09-27-antonio-jose-seguro-gostava-muito-de-ter-sido-primeiro-ministro-mas-essa-possibilidade-nao-se-concretizou.-ha-mais-vida-para-alem-disso-31a2e22c

https://nossaeuropa.eu/pt/direccao/antonio-jose-seguro

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-portugueses-votam-este-domingo-na-segunda-volta-das-eleicoes-presidenciais-6812035c

https://sicnoticias.pt/especiais/eleicoes-presidenciais/2026/2026-02-08-video-o-discurso-de-andre-ventura-na-integra-67747cb9

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Jos%C3%A9_Seguro

 

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam.  São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a...