31/03/2024

Páscoa, é tempo de...

Algumas pessoas poderiam responder "amor", "família", "reencontro"... ou até "paz".


Se calhar, eu hoje usufruí de todas estas coisas, talvez alguns de vocês também tenham tido um dia descansado, em família e rodeados de amor. Mas depois olhamos para lá do nosso núcleo, da segurança da nossa casa, e o que vemos são atentados, agressões e mortos. Muitos acreditam em renascimento, outros na importância de Jesus e ainda há aqueles que, como eu, não acreditam em nada disto, mas celebram nesta data, a maravilha de voltar a estar em família. Alguns agradecerão a benção de um novo dia, de ter saúde, de ter trabalho... outros, estarão a olhar para cima, não à procura de qualquer deus, mas de um míssel ou de uma bomba que não lhes caia em cima. Alguns olharão algumas iguarias na mesa... mas outros esperam que lhes caia do céu uma caixa com alguma comida e que não morram enquanto a tentam alcançar.


E a Páscoa, seja qual for a motivação religiosa, ou mesmo na sua inexistência, não deveria ser uma data em que a fome e a morte estão presentes.


Enquanto círios luminosos, alegram com a sua luz algumas igrejas e casas, há dez dias, que Kharkiv, "segunda maior cidade da Ucrânia, está mergulhada na escuridão depois do sistema de energia ter sido destruído por um ataque massivo de mísseis russos." E os ataques não páram!


Já em Gaza, "o hospital de Al-Aqsa," foi atingido por um ataque aéreo, resultando em "quatro mortos e dezassete feridos." Mais uma vez, o ataque que atingiu o hospital localizado em Deir al-Balah, "onde milhares de pessoas se abrigaram depois de terem fugido das suas casas noutros locais do território devastado pela guerra, teve como alvo um centro de comando operado pelo grupo Jihad Islâmica”. Entre os feridos, contam-se vários jornalistas. "O exército de Israel informou" durante o dia de hoje, tentando assim justificar este tipo de ataques, "que as tropas encontraram numerosas armas escondidas no hospital de al-Shifa, na cidade de Gaza."


Enquanto alguns se reúnem em volta da mesa, usufruindo de uma refeição, outros há que são alvejados enquanto tentam arranjar comida. Foi o que aconteceu quando "durante uma distribuição de alimentos na cidade de Gaza," cinco palestinianos foram "mortos a tiro."


O Líbano tem sido também alvo de ataques de tropas israelitas, que afirmam ter já morto dois importantes dirigentes do "grupo xiita libanês Hezbollah." E já que falamos em Hezbollah, o grupo terá também lançado ontem um ataque "contra a zona de Kiryat Shmona, no norte de Israel," já esta manhã, "atacou também zonas próximas das cidades de Malkia e Margaliot, no norte de Israel." 


E podia aqui continuar a enumerar... mas sinceramente, acho que basta ligarmos a televisão, ouvirmos as notícias no rádio, ou lermos um dos muitos jornais digitais. É que ficamos logo cansados de tanta desgraça, especialmente, numa época que devia ser de reflexão e de união.



 

30/03/2024

Criminalidade... negócios de droga, assaltos e ajustes de contas

Enquanto o país anda entretido com as peixeiradas que já começaram na AR, a criminalidade violenta lá se vai mostrando aqui e ali país fora. As forças de autoridade precisam de ser mais respeitadas e mais valorizadas.


Ontem, sexta-feira, Porto, e plena hora de almoço e no meio de uma rua movimentada. Um homem saiu de um carro, "foi em direção ao alvo e, em plena rua e perante o olhar de vários moradores, disparou cinco vezes. Um dos tiros atingiu um homem de 27 anos," no rosto. Segundo as notícias, os dois estariam conotados "com a venda de droga." A suspeita é que "o homicídio terá sido uma vingança, motivada por um negócio de droga que terá causado prejuízos ao autor dos disparos." Porventura, parece que o homicida foi "enganado pela vítima, que saiu há poucos dias da cadeia, e tenha decido ajustar contas a tiro."


Também na sexta-feira, um caso um pouco mais insólido, mas mesmo assim, também grave. No Barreiro, um jovem, "com idade entre os 16 e os 20 anos, sofreu esta sexta-feira ferimentos graves depois de ter sido esfaqueado nas costas." Parece que "uma patrulha" se terá deparado "com o jovem ferido, acompanhado por outro, a correr com uma faca cravada nas costas na Avenida D. João I, no centro da cidade. Os agentes abordaram os jovens, que se recusaram a contar o que tinha acontecido, e deram o alerta para os meios de socorro," tendo posteriormente o jovem sido socorrido e levado ao hospital. O que se terá passado aqui? Eu acho muito estranho que não tivessem contado o que se tinha passado, não acham? 


Já hoje, sábado, em Lisboa, plena Avenida das Descobertas. De madrugada, foi encontrado um cadáver que apresentava “indícios de violência” e, por isso, foi acionada a Polícia Judiciária. O homem terá sofrido uma facada numa perna, mas as "circunstâncias do homicídio estão ainda a ser apuradas." Alguns conhecidos da vítima, terão colocado a hipótese de que o homem "tenha morrido ao ser assaltado, quando regressava do trabalho, no Hotel Mundial, no Martim Moniz, no centro da cidade de Lisboa."


E quanto a tráfico? Sim, também houve esta semana! Seis jovens, "com idades entre os 17 e os 26 anos, vendiam produtos estupefacientes a consumidores dos concelhos de São João da Pesqueira, Meda, Tabuaço, Penedono e na Guarda." Foram detidos e presentes a juíz. Terão ficado presos? Nas "oito buscas" realizadas "foram apreendidas doses de haxixe e cocaína, seis balanças de precisão e material de corte e embalamento de produto estupefaciente."


E por aquipodia continuar, mas fica só "um cheirinho" do que se anda por aqui a passar... Crimes, sempre houve! Mas parece que a violência cada vez é maior. Ah, e já agora, não me posso esquecer de referir a forma como alguns elementos de alguns bairros recebem os elementos das forças de segurança. E porquê? Provavelmente, porque sabem que por cá a polícia não entra a disparar e, quando o fazem, ainda têm problemas. Quando apedrejaram a polícia no meio do bairro, sabiam que um ladrão tinha invadido uma casa onde estava um casal com crianças? Como se terá sentido aquela família, tendo em conta que, ao que parece, nem o conheciam? Quem não deve, não teme, nem receia qualquer abordagem da polícia. É que além de um telemóvel que tinha roubado, o indivíduo também tinha droga com ele. Então, vamos lá ter alguma coerência e deixar a polícia fazer o seu trabalho, sem medos.


Fontes:


https://www.jn.pt/3696646402/abatido-em-rua-do-porto-e-a-luz-do-dia-devido-a-negocio-de-droga/


https://www.jn.pt/1265656039/funcionario-de-hotel-morre-esfaqueado-em-assalto-na-portela-de-sacavem/


https://www.cmjornal.pt/portugal/detalhe/policia-encontra-jovem-a-correr-com-faca-cravada-nas-costas-no-barreiro-levado-para-o-hospital-em-estado-grave?ref=DET_RelacionadasInText


https://cnnportugal.iol.pt/videos/roubou-um-telemovel-num-centro-comercial-da-amadora-e-fugiu-psp-foi-apedrejada-quando-o-tentou-deter/66057d840cf2dff02b7301af

29/03/2024

Páscoa... férias, tradições e chocolates

Para mim, a Páscoa é aquele conjunto de dias em que comemos amêndoas de chocolate, somos bombardeados de imagens fofinhas de coelhinhos coloridos e, já que a criançada está de férias escolares - cada vez mais curtas por sinal - podemos aproveitar para descansar um pouco mais. 


Mas para algumas pessoas, a Páscoa também é um ritual religioso, dependendo daquilo em que acreditam. Para muitos, a Páscoa é uma festa religiosa. Mas vamos ver melhor a origem destas festividades e o que significam.


Podemos dizer que a Páscoa é uma "festa de origem judaica, que comemora a liberdade do povo hebreu após um longo período de escravidão no Egito"?


Pois é, por volta de 1250 a.C., o povo hebraico que tinha sido "escravizado durante anos" pelos Egípcios acaba por ser libertado, depois daquilo que ficou conhecido como "As dez pragas do Egipto." 


O Faraó - que na época seria Ramsés II - consente a libertação dos escravos após a primeira praga, mas assim que percebe que o Egipto está livre do problema, volta atrás na sua decisão. Deus envia uma nova praga, e assim foi acontecendo sucessivamente: "sempre que Deus enviava uma praga, convencia o Faraó, que depois de se ver livre da mesma, voltava atrás." Só quando na décima praga, Ramsés II se apercebe que estão a morrer "todos os primogênitos egípcios" destino que não irá excluir o seu próprio filho, este acaba por ceder e aceitar libertar da escravatura o povo hebraico.


Depois de se verem livres, os hebreus iniciaram a sua "travessia rumo a Israel." A própria terminologia deriva de uma palavra judaica: "Pessach," que significa “passagem." Na festa judaica, um dos símbolos mais importantes é o “Matzá” (pão sem fermento), que representa a fé. Por esse motivo, no festejo que se denomina de “Festa dos Pães Ázimos” (Chag haMatzot), "é proibido comer pães com fermento."


Mas a própria palavra, sofreu algumas evoluções, conforme o povo ou a língua. Passou a ser "Paska," na Grécia e "Pascua"  em Roma. Em latim, o termo significava mesmo "alimento", ou seja, o fim do jejum da quaresma. Então, o termo já existia e a celebração também, mas podemos afirmar que o que têm em comum estas celebrações, são a sua ligação à "libertação" e à "esperança."


No caso da festa cristã, o domingo de Páscoa encerra a Semana Santa, na qual se "recorda a Última Ceia de Jesus com os apóstolos, a sua crucificação e ressurreição" - o que conforme se conta, teria "acontecido durante a celebração da Páscoa judaica." Na liturgia católica, esta semana é então composta pelo "Domingo de Ramos," - que antecede a Páscoa, "Segunda-Feira Santa, Terça-Feira Santa, Quarta-Feira Santa, Quinta-Feira Santa, Sexta-Feira Santa ou Sexta-Feira da Paixão, Sábado Santo ou Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa." Existem também outros símbolos, como por exemplo, o Círio Pascal, que em algumas zonas do país, ainda visita a casa dos crentes. Este círio pode ser também as velas que se acendem "para comemorar o retorno de Jesus Cristo, ou seja, a vida nova." Habitualmente, estas velas têm inscritas as "letras gregas alfa e ômega," que se podem traduzir como "o início e o fim, simbolizando assim, a luz de Cristo que traz a esperança." Já o "pão e o vinho, dois elementos muito emblemáticos no cristianismo, representam o corpo e o sangue de Cristo e simbolizam a vida eterna," assim como o cordeiro, que significa o sacrifício de Jesus.


Mas, vamos lá andar um pouco mais para trás!


Segundo alguns historiadores, civilizações muito mais antigas, especialmente nas mitologias nórdica e germânica, já se prestava culto a "uma deusa, conhecida como Ostara ou Eostern, numa festa que celebrava a passagem do inverno para a primavera," e que era também conhecida por ser a "deusa da fertilidade."


Ou seja, já os "antigos povos pagãos (celtas, fenícios, egípcios, etc.) festejavam a chegada da primavera e o fim do inverno," numa celebração que "simbolizava a sobrevivência da espécie humana."


E de onde apareceram então os coelhos e os ovos?


Bem, de certeza que este costume também teria de vir dos povos mais antigos! Em várias culturas, o coelho era um símbolo ligado à "fertilidade" e ao próprio "nascimento."


Também os ovos simbolizam a fertilidade. "Os ovos de páscoa (cozidos e coloridos ou de chocolate), carregam o germe da vida e representam a fertilidade, o nascimento, a esperança, a renovação e a criação cíclica." A tradição de trocar ovos vem da antiguidade, mas ainda hoje o fazemos, seja como oferta ou até escondendo-os para as crianças os poderem encontrar. 


Em Portugal, apesar de não ser tão festejada como o Natal, a Páscoa ainda mantém um "importante significado religioso, assinalado através de diversos eventos de norte a sul do país." Este é especialmente "um momento de reunião" da família em volta da mesa, como é hábito por cá.  Em cada região podemos encontrar diferentes tradições gastronómicas, mas são os mais conhecidos, os pratos "que incluam cabrito ou borrego."


São tradição também os folares, o pão-de-ló, as amêndoas, os ninhos, as queijadinhas, entre outras delícias típicas. 


Fontes:


https://www.todamateria.com.br/origem-da-pascoa/


https://www.todamateria.com.br/historia-da-pascoa/


https://www.lostinlisbon.com/pt/blog/pascoa-a-sua-origem-e-o-que-fazer-nesta-epoca-tao-especial/


 


 

27/03/2024

Queda de ponte em Baltimore e um comboio de tempestades a assolar Portugal

Os acidentes com pontes vêm sendo algo frequentes pelo mundo, mesmo com tanto desenvolvimento tecnológico. Desta vez, o acidente aconteceu em Baltimore, onde a ponte Francis Scott Key, se "desmoronou após um navio ter colido com esta durante a madrugada." A queda da ponte arrastou para o rio vários veículo e vinte pessoas foram, inicialmente "dadas como desaparecidas," embora depois este número tenha sido revisto. O navio cargueiro "Dali", "com uma dimensão já considerável" e bastante carregado, terá ficado sem energia e por isso sem capacidade de propulsão. Em consequência, não terá sido possível controlá-lo, embora existissem "algumas manobras" de emergência que podiam ter sido realizadas, "como o fundear, que é largar a amarra para tentar imobilizar o navio sem causar ali qualquer estrago”.


Até agora, "apenas duas pessoas foram resgatadas com vida" mas seis trabalhadores, que inicialmente "foram dados como desaparecidos na sequência" do colapso da ponte, acabaram entretanto por ser "dados como mortos, tendo as buscas sido suspensas até esta quarta-feira de manhã, de acordo com as autoridades." Estas oito pessoas, "faziam parte de uma equipa de construção que estava a reparar buracos no pavimento da ponte."


Esta ponte, inaugurada em 1977, localiza-se na mais movimentada entrada dos Estados Unidos e "atravessa o estuário do rio Patapsco" na "Baía de Chesapeake." 


Por cá, o mau tempo veio para ficar, pelo menos até à Páscoa! A tempestade Nelson já chegou e tem trazido fortes rajadas de vento e alguma chuva e neve. Mas não se ficará por aqui, pois o mau tempo poderá durar até, pelo menos, meio da próxima semana. Esta "sucessiva entrada de frentes muito ativas," é habitualmente conhecida "como comboio de tempestades." O IPMA já colocou todo o país sob aviso amarelo devido às rajadas de vento que poderão ser bastante fortes (como já se nota) e "que podem ir de 85 a 100km." Sob alerta laranja está também "toda a costa portuguesa," devido à ondulação, "que pode ser de 7 a 12 metros."


Na Madeira, o mau tempo também já cancelou alguns voos e fez outros divergirem, o que se deveu também à depressão "Nelson," cujo "núcleo principal" com ondulações frontais associadas, se estende "desde a Islândia até à Ilha da Madeira." Pode mesmo vir a nevar em alguns pontos da ilha. A partir de amanhã, a ilha espera ondulação de 5 a 6 metros.


Fontes:


25/03/2024

Diplomacias, alertas e receios

Ainda o mundo está em choque com a situação que aconteceu em Moscovo e que provocou 137 mortos e que veio expor as prioridades de segurança da Rússia, já Putin vem tentar tapar as fragilidades do regime. Este fim-de-semana voltamos a assistir ao aumento da sensação de perigo a nível internacional. Se a guerra nos assusta, mais ainda custa a incapacidade em lidarmos com a ameaça de ataques terroristas, como o que ocorreu em Moscovo. Parece estar longe, mas aquela sala de espetáculos, poderia ser qualquer uma das nossas salas, dentro ou fora da nossa capital. Depois, aquilo que também me deixa inquieta é a utilização deste ataque como desculpa para se aumentar o nível de ataque a outro país, ou de criar novas desconfianças.


Começando pelo ataque e apesar da brutalidade das ações que os seus perpretadores cometeram, há agora a denúncia de que os elementos que foram detidos e que alegadamente foram os culpados pelo atentado, estão a ser sujeitos a ações de tortura. Vários países condenaram os ataques, e sabe-se também que a Rússia tinha sido avisada com antecedência de que estaria a ser preparado um grande ataque em solo russo. Não foram tomadas medidas para que o ataque fosse evitado, ou se foram, estas não foram eficazes.


"As forças de segurança russas" perseguiram e detiveram onze indivíduos de nacionalidade alegadamente tajique, ou pelo menos, que se faziam acompanhar por passaportes do Tajiquistão, que estariam relacionados "com o ataque na sala de concertos Crocus City Hall." Os suspeitos foram apanhados "na região de Bryansk," que se situa a cerca "de 340 quilómetros do local do ataque, na fronteira com a Ucrânia e a Bielorrússia." Quatro desses onze detidos, terão sido os atacantes que dispararam indiscriminadamente dentro do Crocus City Hall e que depois lançaram uma bomba incendiária que destruiu o edifício. No entanto, tendo em conta as imagens transmitidas pelo "autoproclamado Estado Islâmico" que mostra, "alegadamente, os homens armados do Daesh-Khorasan na sala de espectáculos de Moscovo" e que afirma que os combatentes terão voltado em segurança, então como é que foram detidos? Quem mente aqui?


Nas imagens que a televisão pública russa transmitiu, vê-se a entrada de quatro elementos na sala de tribunal e três dos homens detidos aparecem com "sangue no rosto." Um deles apareceu em tribunal em cadeira de rodas e aparentemente sem um olho e outro deles, com a face inchada e aparentemente desorientado. Três dos quatro suspeitos, acabaram por admitir a culpa pelos atentados em tribunal e todos eles "arriscam uma pena de prisão perpétua por terrorismo." Este ataque "reabriu o debate na Rússia sobre a pena de morte," que não foi ainda "aplicada no país" - pelo menos, não formalmente - "mas o Código Penal prevê" a aplicação da pena capital "em casos de terrorismo." Apesar de terem confessado o crime, os presos terão sido pressionados a fazê-lo mediante tortura e isso não é aceitável, mesmo que se condene veementemente todos os crimes cometidos. Ou melhor, perante a alegada tortura, não chegamos a saber se foram mesmo estes os verdadeiros terroristas ou se assumiram para que a tortura parasse.


Num vídeo, "divulgado na Internet e cuja autenticidade não foi confirmada, parece mostrar um dos suspeitos a ter uma orelha cortada por alguém fora das câmaras." 


No entanto, não há comentários da parte de elementos do regime russo sobre "a reivindicação do EI", e num "discurso televisivo difundido várias horas depois do atentado, Putin condenou o que descreveu como um ato terrorista bárbaro e sangrento e apelou à vingança." 


"Os Estados Unidos acreditam na reivindicação do ataque pelo Estado Islâmico, em particular, pelo Isis-K, um ramo do Daesh com sede no Afeganistão," mas "os investigadores russos afirmam que os atacantes têm laços com a Ucrânia."


"O Kremlin acredita que os Estados Unidos estão a tentar esconder as culpas da Ucrânia no ataque terrorista," alegando "que quatro dos detidos tentaram cruzar a fronteira" entre os dois países e que teriam aí apoio para "escapar."


"As autoridades ucranianas negaram qualquer envolvimento no ataque." Apesar de tudo, quando finalmente apareceu para falar sobre o atentado, Putin afirmou estar em "guerra." De facto, o conflito teve agora um aparente novo "impulso destrutivo", o qual "acontece quando o Kremlin reconhece estar em estado de guerra ao fim de dez anos da anexação da Crimeia e da guerra por procuração no leste ucraniano, e dois anos depois da invasão que apelidou de Operação Militar Especial”


Ontem, "em resposta a uma vaga de ataques de mísseis russos contra o território ucraniano," em que "o espaço aéreo polaco" foi violado por um "míssel cruzeiro lançado contra alvos no oeste da Ucrânia," este país "decretou estado de alerta e ativou a Força Aérea para proteger a zona de fronteira com a Ucrânia." O míssel terá entrado "no espaço polaco perto da cidade de Oserdow" e permanecido "lá durante 39 segundos. Durante todo o voo, foi observado por sistemas de radar militares".


Tendo em conta o atentado em Moscovo, "reivindicado pelo autoproclamado Estado Islâmico, que também representa um ameaça para a França," Macron anunciou que o país se encontra "em estado de alerta máximo para a possibilidade um atentado terrorista."


Fontes:


https://www.dn.pt/4924238443/russia-recusa-comentar-alegacoes-de-tortura-de-suspeitos-e-autoria-de-atentado/


https://cnnportugal.iol.pt/videos/suspeitos-do-ataque-a-moscovo-vao-a-tribunal-com-sinais-de-tortura-medvedev-defende-pena-de-morte/6601866a0cf233605570bf58


https://sicnoticias.pt/mundo/2024-03-23-Ataque-terrorista-em-Moscovo-dois-suspeitos-foram-detidos-apos-perseguicao-3b6fd53f


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/polonia-em-estado-de-alerta-depois-de-missil-russo-violar-espaco-aereo_n1559687


https://pt.euronews.com/2024/03/24/putin-declara-luto-nacional-na-russia-e-insiste-no-envolvimento-de-kiev


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/terrorismo-franca-em-estado-de-alerta-maximo_n1559842


https://www.publico.pt/2024/03/24/mundo/noticia/daesh-divulga-videos-ataque-moscovo-matemnos-misericordia-2084733


 

23/03/2024

Ataque a sala de concertos em Moscovo

Ontem, ao final do dia, na Rússia, um grupo de atiradores entrou na sala de concertos Crocus City Hall, "uma sala de espetáculos situada em Krasnogorsk, nos arredores da capital russa, onde se preparava para atuar a banda PikNik," e atacou indiscriminadamente quem lá estava. O balanço ao início da madrugada era de cerca de 40 mortos e mais de cem feridos, mas hoje esses valores já foram atualizados e passam para 140 vítimas mortais e centenas de feridos.


O grupo armado terá também lançado um cocktail "molotov" que incendiou o espaço e causou o pânico das pessoas que tentaram fugir das chamas. O telhado do edifício acabou por desabar parcialmente, ainda estando a decorrer operações de busca e salvamento. "Não foi dada qualquer informação sobre o número de pessoas presas no interior da estrutura."


Uma das falhas apontadas tem sido a falta de segurança do edifício e a demora dos serviços de socorro e de segurança a chegar ao local para socorrer as pessoas. A Rússia começou por apontar logo a mira à Ucránia, através de Dmitri Medvedev, "ex-chefe de Estado e atual vice-chairman do Conselho de Segurança russo," que começou logo por fazer um apelo a "uma forte retaliação caso se descubra uma ligação entre Kiev e o atentado." Putin, manteve-se em silêncio.


A Ucrânia desde logo negou ter "qualquer responsabilidade e os serviços secretos de Kiev" acusaram mesmo "o Kremlin de orquestrar o ataque, para culpar a Ucrânia e justificar uma escalada da guerra, conforme noticiou a agência France-Presse (AFP)." Também outros grupos armados "pró-ucranianos, incluindo a Legião Rússia Livre, ativa em território russo," negaram qualquer envolvimento no ataque.


Entretanto, o atentado já foi aparentemente reinvindicado pelo Estado Islâmico. O Daesh, através da sua célula "Khorasan, ativa no Médio Oriente, Irão, Paquistão, Afeganistão e Ásia Central," terá reinvindicado o ataque" e, ao que parece, "há muito que o país se encontrava na mira do grupo, sobretudo após a participação das forças russas na guerra civil síria, ao lado do regime de Bashar al-Assad."


O Presidente da Câmara de Moscovo, Sergei Sobyanin, anunciou o "cancelamento de todos os eventos públicos deste fim de semana. Os principais museus e teatros da capital também anunciaram que vão fechar as portas." Segundo informações transmitidas pela televisão russa, "foram tomadas medidas de segurança reforçadas, nomeadamente nos aeroportos de Moscovo e noutras grandes cidades do país."


Já foram entretanto efetuadas várias detenções, tendo sido detetado um veículo em fuga "perto da localidade de Jatsun, região de Briansk, a cerca de 340 quilómetros a sudoeste de Moscovo" no qual terá sido encontrada "uma pistola, um carregador para uma arma de assalto e passaportes para o Tajiquistão, noticiou a agência russa TASS." O governo tajique, informa que "a difusão de informação não confirmada e pouco fiável pode prejudicar os cidadãos do Tajiquistão que se encontram atualmente fora do país."


Num comunicado de 7 de março, uma nota emitida pela "embaixada dos Estados Unidos na Rússia apelava aos cidadãos norte-americanos para evitarem ajuntamentos na capital russa, alertando para a possibilidade de um ataque terrorista." 


Este foi é o mais mortífero ataque registado nos últimos anos na Rússia, depois do ataque ao Teatro Dubrovkna, em 2002, e do ataque a uma escola em Beslan, em 2004.


Em 2002, "um comando checheno fez cerca de 850 reféns no teatro Dubrovka" em Moscovo, mas foi durante a "operação de resgate" que se registou um dramático “banho de sangue”, com a morte de pelo menos 170 pessoas.


Já em setembro de 2004, "durante uma cerimónia de início do ano escolar, três dezenas de rebeldes chechenos invadiram o recinto de uma escola em Beslan, mascarados e com cintos explosivos. Exigiam a retirada das tropas russas da região da Chechénia. Durante três dias, mantiveram mais de mil pessoas sequestradas no interior da escola, que armadilharam com bombas, ameaçando explodir o edifício a qualquer momento." A situação terminaria numa terrível falha de atuação, "três dias depois, com a entrada repentina de tropas especiais russas no edifício. As explosões ocorridas no início do sequestro e durante a entrada das tropas russas causariam mais de três centenas de mortes, entre as quais 186 crianças."


Fontes:


https://www.jn.pt/6976308829/onze-detidos-apos-ataque-do-daesh-que-matou-115-pessoas-em-moscovo/


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/ataque-em-moscovo-a-evolucao-da-situacao-na-russia-ao-minuto_e1559470#article_content_1559478


https://www.jn.pt/572632479/ataque-em-moscovo-e-operacao-do-kremlin-acusam-servicos-secretos-ucranianos/


https://www.publico.pt/2024/03/22/mundo/noticia/tiroteio-seguido-explosao-moscovo-faz-varios-mortos-2084600


https://observador.pt/2024/03/23/fotogaleria-ataque-reivindicado-pelo-autoproclamado-estado-islamico-deixa-rastro-de-destruicao-e-morte-em-moscovo/

21/03/2024

Finalmente... se desenha um novo governo

O nosso país passou por eleições legislativas no passado domingo, dia 10, e estivemos até ontem a aguardar os resultados da emigração, ou seja, estivemos mais de uma semana à espera de saber se, depois de contados os votos dos portugueses que, por variadíssimas razões, vivem no estrangeiro, continuaria a ser a AD a ter uma maioria relativa que lhes permitisse governar. Por esta forma, "votaram mais de 220 mil portugueses." Estes votos, apesar de chegarem mais de uma semana depois de se saber que Luís Montenegro iria ser o próximo Primeiro-ministro, poderiam vir a alterar esta situação uma vez que a diferença entre a AD e o PS não era assim tão significativa.


Finalmente, conseguimos que esses votos fossem contados e, já durante esta madrugada, o "site do Ministério da Administração Interna revelou que o Chega venceu com 18,30% dos votos, seguido da Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) com 16,79% e do PS com 15,73%." Assim, o Chega "elegeu dois deputados," um no círculo da Europa e outro no Brasil, enquanto a AD e o PS elegeram um deputado cada.


Na Alemanha, em França, no Reino Unido, na Irlanda do Norte e na Bélgica, a vitória foi do PS, enquanto que em Espanha, Estados Unidos e Canadá ganhou a Aliança Democrática, que ganhou também em alguns países da Ásia e da Oceânia. Na "China, a vitória da AD foi ainda maior (37,4%)."


O Chega acabou por ganhar no Brasil, com 24,6% (por grande influência de Bolsonaro), apesar de em São Paulo ter sido "dada a maioria à coligação, liderada por Luís Montenegro" com "22,59%." Já "no Luxemburgo, com 19,61% dos votos," a vitória volta a ser do Chega.


Entretanto, o presidente da República, lá se foi reunindo com os partidos políticos com assento parlamentar, ainda antes de todos os votos contados, dando de alguma forma a entender que uns portugueses são de primeira e outros, só por estarem lá fora... não são. Estes últimos votos, são responsáveis por atribuir quatro mandatos e, consoante os resultados, tudo poderia mudar. Durante a contagem destes votos, enviados por correspondência, surgiu "uma percentagem muito significativa" de voto nulos, que na maioria tiveram "origem no facto de os eleitores não terem juntado uma cópia do cartão do cidadão." 


No caso dos votos da emigração, o Chega foi o partido que mais se destacou, elegendo dois dos quatro lugares, enquanto o PS e a AD elegeram apenas um cada um. Este partido "venceu largamente na Suíça, onde votaram" cerca de 49 mil portugueses" e onde alcançou "32,62% dos votos" o que deverá fazer, pelo menos, com que o futuro governo comece a dar uma maior importância aos problemas de quem vive fora do país.


Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu então os representantes da coligação AD, onde aquilo que se fez notar não foram tanto as presenças, mas a ausência (ou se calhar até nem se notou muito, uma vez que a ausência do PPM marcou toda a campanha política). 


A AD teve então uma maioria relativa e por isso Luís Montenegro foi indigitado, já hoje perto da 01:00, como Primeiro-ministro. 


"A nova Assembleia da República poderá entrar em funções já no início de abril, tendo em conta o calendário previsto na lei, que exige que a Comissão Nacional de Eleições envie o Mapa Oficial das Eleições para Diário da República, após receber a Ata do Apuramento de Votos do Conselho Nacional de Eleições."


No que diz respeito ao PS, Pedro Nuno Santos foi recebido pelo Presidente da República na terça-feira e, à saída da reunião, o líder do PS "salientou que não há uma maioria governativa à esquerda, pelo que o papel do PS será liderar a oposição" de forma "responsável." Um dos temas em que se manifestou, foi na possibilidade de haver um entendimento, no que diz respeito à "necessidade" de valorização das "carreiras" e das "grelhas salariais de alguns grupos profissionais da administração pública."


Mas nem tudo está "em paz". Apesar das afirmações que André Ventura tem vindo a fazer, alegando o que disse ou não disse Marcelo Rebelo de Sousa durante a reunião com o Chega, o "Presidente da República rejeitou comentar declarações de partidos ou notícias de jornais," isto apenas alguns minutos depois de "o líder do Chega ter dito que Belém não se oporia a uma eventual presença do partido no Governo." Uma coisa seria opôr-se a que o partido estivesse representado na Assembleia, algo que foram os portugueses a votar, bem ou mal, através do seu direito ao voto, outra coisa, seria o país ser governado por um partido com ideias de cariz extremista. Claro que neste momento se compreende que o que Rebelo de Sousa quer, é atrasar ainda mais a tomada de posse de um novo governo, com as consequências que isso possa trazer para o país. 


Entretanto, Mariana Mortágua tem-se reunido com outros grupos parlamentares, da esquerda. A líder do BE, disse ontem "que o BE não viabiliza orçamentos da direita", apesar de "considerar que orçamentos retificativos são ainda cenários hipotéticos." Desta forma, Mariana Mortágua ressalva que, no que respeitar a "matérias concretas votará de acordo com o seu programa eleitoral e político." Perante a insistência de vários jornalistas, acaba por reforçar que "politicamente a garantia que" tinham dado e que mantinham, seria de "que o Bloco de Esquerda não viabiliza governos de direita, não viabiliza orçamentos de direita."


 


Fontes:


https://pt.euronews.com/2024/03/13/marcelo-ja-comecou-a-ouvir-os-partidos-para-indigitar-o-novo-primeiro-ministro


https://www.dn.pt/7006167823/apos-receber-ventura-marcelo-rejeita-comentar-afirmacoes-sobre-chega-no-governo/


https://www.dn.pt/6338215120/mariana-mortagua-afirma-que-be-nao-viabiliza-nem-governo-nem-orcamento-de-direita/


https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2024/resultados/2024-03-21-Ventura-ganhou-um-deputado-na-Suica-e-outro-no-Brasil--pais-a-pais-como-foram-os-resultados-na-emigracao--737a3701?fbclid=PAAaYDt5vpTP8EeA01sIZNe9bfJYvho-ew-Xopw4UQAYghu5GOcOilBABjfII_aem_AdXFFvtumUMzs3L4fis8qATwTmUpxDCWRvi0PnSeiYCw4BmSTO9q6izG6VQPMLcQ-WU


https://eco.sapo.pt/2024/03/20/ps-ganha-entre-emigrantes-na-alemanha-e-franca-ps-nos-eua-e-espanha-preferem-ad/

18/03/2024

Sismo no Japão... a situação nuclear de Fukushima

Este fim de semana, foi notícia uma sucessão de abalos sísmicos que atingiram o Japão e que foram sentidos na zona de Tóquio e de Fukushima. O abalo, de 5.4, seguiu-se ao de quinta-feira com 5.8 na escala de Richter, mas em ambos os casos não chegou a produzir um tsunami ou causado danos de maior relevo, embora o epicentro se tenha registado a 50 quilómetros de profundidade, no oceano Pacífico.


Este evento levou a central de Fukushima, de forma preventiva, a "parar com as descargas de água radioativa tratada" que decorriam desde que a central tinha sido atingida em 2011 por um abalo de 9.1 na escala de Richter e que levou ao "derretimento de três dos seis reatores nucleares." Este acidente foi mesmo considerado como o "mais grave desde o acidente nuclear de Chernobil em 1986, na Ucrânia Soviética." Eu já tinha aqui no blogue referido este acidente e as consequências que o mesmo causou, especialmente no que se refere às relações internacionais entre o Japão e a China: 


https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/autoridades-japonesas-continuam-a-294931


Em 2011, quando o sismo foi detetado pelos sensores da Central nuclear, os reatores desligaram-se automaticamente e "devido a essas paralisações e outros problemas de abastecimento da rede elétrica, o fornecimento de eletricidade dos reatores falhou e seus geradores a diesel de emergência começaram a funcionar automaticamente." Ou seja, em vez de ficarem em suspenso, estes voltaram a funcionar de forma a fazerem circular o líquido "refrigerador pelos núcleos dos reatores." Mesmo com a fissão parada, o calor emanado ainda é muito elevado. 


O tsunami com "14 metros de altura que chegou logo depois, varreu o paredão" da central nuclear e "inundou as partes inferiores dos prédios do reator nas unidades 1–4. Esta inundação causou a falha dos geradores de emergência e perda de energia para as bombas de circulação." Foi esta "perda" de energia que levou a que ocorresse o derretimento nuclear ou a fusão do núcleo, a que seguiram "três explosões de hidrogénio" e a libertação de elementos "altamente radioativos para o meio ambiente." Em 2011, "grandes quantidades de água contaminada com isótopos radioativos" foram libertadas "no Oceano Pacífico durante e após o desastre."


Esta zona é frequentemente atingida por eventos sísmicos, uma vez que o "Japão fica no chamado Anel de Fogo," e por isso as infraestruturas são projetadas para resistir a estes eventos sísmicos, mas como prova o acidente de 2011, nem tudo pode ser previsto.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Derretimento_nuclear


https://pt.wikipedia.org/wiki/Acidente_nuclear_de_Fukushima_I


https://observador.pt/2024/03/15/sismo-de-58-sacode-japao-e-obriga-a-suspensao-das-descargas-de-fukushima/


 

17/03/2024

Era para ser um ato eleitoral...

... mas não passou de uma fantochada! 


Não foram eleições nem livres, nem justas, mas isso não nos espanta, sabendo nós a forma como as coisas são feitas do lado russo e quais são os objetivos "escondidos" de tal regime.


Putin foi a eleições com três concorrentes: "o representante do partido Novo Povo Vladislav Davankov, o comunista Nikolai Kharitonov e o ultranacionalista Leonid Slutski." Segundo algumas sondagens, que pouco valor terão na atual conjuntura, o "representante do partido Novo Povo, Vladislav Davankov, e o comunista Nikolai Kharitonov reúnem 6% das intenções de voto. Já o ultranacionalista Leonid Slutski poderá ter cerca de 5% dos votos." Aqueles que se atreveram a pôr em questão a guerra, foram desde logo afastados. "A oposição ao Kremlin não pôde concorrer às eleições, uma vez que a comissão eleitoral não registou os seus candidatos por várias razões técnicas ou questões formais, devido ao seu apoio à paz na Ucrânia."


Mas a ida às urnas decorreu num clima de repressão e sem liberdade, embora com algumas ações de protesto, que tentaram mostrar ao resto do mundo o descontentamento e a contestação da população. Num grave atropelo à democracia, a repressão irá continuar, uma vez que embora muitos estejam contra as ações de Putin, a verdade é que poucos têm coragem de o enfrentar. 


"Milhares de russos protestaram pacificamente, nas assembleias de voto locais, contra a reeleição de Vladimir Putin: boicotaram o voto ao destruir o boletim ou selecionar outro candidato que não o líder russo." Estes russos, seguiram aquilo que lhes tinha sido pedido por "Alexei Navalny pouco antes da sua morte." Alguns dos "protestantes escreveram simbolicamente o nome de Navalny no boletim." A existência de muita gente a votar é relativa, uma vez que por exemplo os funcionários públicos receavam retaliações caso não fossem votar.


A vitória esmagadora de Putin, nesta espécie de eleições, dá-lhe a possibilidade de continuar a dizer que está legitimado nas suas ações. Putin irá continuar a sua guerra contra a NATO e contra a Ucrânia, irá continuar a reprimir o seu povo e a ameaçar os seus opositores. "Os ucranianos que moram nas regiões ilegalmente anexadas pela Rússia em setembro de 2022 (Luhansk, Donetsk, Zaporíjia e Kherson) também estão a ser obrigados a votar."


Em Portugal, foram muitos os russos que hoje se deslocaram à embaixada da Rússia, junto à Calçada de Arroios para exercer o seu direito de voto, embora muitos deles tenham afirmado que não acreditam no ato eleitoral. 


"A eleição deverá manter Putin no poder até 2030, ano em que completará 77 anos, com a possibilidade de um mandato adicional até 2036, devido a uma alteração constitucional feita em 2020."


Entretanto, nos últimos dias, enquanto a Rússia continua a atacar em território ucraniano, a Ucrânia tem lançado ataques contra várias refinarias russas de forma a diminuir a capacidade russa de se reabastecer e de continuar a exportar combustível. Macron, presidente francês, continua a não afastar a hipótese de enviar tropas para território ucraniano.


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/russia/2024-03-17-Eleicoes-presidenciais-russas-ultimo-dia-da-votacao-marcado-por-acao-de-apoio-a-Navalny-e-contra-Putin-9a0e4038


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/eleicoes-na-russia-participacao-ultrapassa-74-a-seis-horas-do-fecho-das-votacoes_n1558050


https://expresso.pt/podcasts/leste-oeste-de-nuno-rogeiro/2024-03-17-Quem-ganhara-as-eleicoes-na-Russia--690303f2


 

16/03/2024

Bloqueios, apoios e tentativas de levar ajuda a quem passa fome

Desde dia 7 de outubro que várias famílias aguardam por notícias dos seus familiares, raptados depois do ataque do Hamas a Israel e que terá feito "cerca de 1200 mortos e cerca de centena e meia de reféns, segundo as autoridades de Israel." Como resposta, Netanyahu, primeiro-ministro israelita, ordenou "uma ofensiva militar contra a Faixa de Gaza que matou mais de 31300 pessoas até quinta-feira, segundo as autoridades do enclave governado pelo Hamas."


Esta quinta-feira, em mais uma manifestação, uma das principais autoestradas israelitas, foi bloqueada por manifestantes que representam as famílias de cerca de 40 reféns ainda nas mãos do Hamas. Hoje, os manifestantes tentaram novamente bloquear a autoestrada como forma de protesto contra as decisões que têm vindo a ser tomadas pelo primeiro-ministro e exigem eleições antecipadas em Israel, tendo sido usados canhões de água para dispersar a multidão. Este tipo de manifestação já não é nova e mostra como uma grande parte da população está contra as políticas implementadas e a contestação tem estado a crescer.


Apesar das tentativas de parar a ofensiva israelita em Gaza, a verdade é que a paz ainda parece estar longe de acontecer. A solução de um cessar fogo tem sido por várias vezes negociada mas não havendo razoabilidade de ambos os lados, isto tem sido impossível. Ora de um lado, ora do outro, o entendimento tem sido impossível, mesmo com outras nações a tentar mediar as conversações. Enquanto esta quinta-feira, o "Hamas propôs um novo plano para uma trégua em Gaza," através de mediadores do Qatar, Netanyahu, primeiro-ministro de Israel veio informar que "as exigências" são "inaceitáveis" e confirmou que iria lançar uma nova operação militar em Rafah. 


Hoje, antes de partir para a Jordânia onde se irá reunir com o rei Abdullah II, o "chanceler alemão, Olaf Scholz," alertou para a possibilidade "de uma ofensiva militar terrestre do exército israelita em Rafah, no extremo sul da Faixa de Gaza." Lembremo-nos que foi para esta zona que milhares de palestinianos se viram obrigados a fugir e que, um ataque direcionado para essa região irá provocar "uma grande tragédia humana."


Têm sido tentadas diversas formas de se entregar comida e água à população de Gaza, mas muitas vezes essas tentativas têm vindo a ser frustradas. Os ataques, além de matarem e ferirem diretamente os palestinianos, acabam também por deixá-los completamente sem meios de subsistência. Sem a cedência de Israel, que tem sido acusado de usar a "fome" como arma de guerra, todo o apoio que se queira fazer chegar, tem sido impedido de alcançar o seu destino. Ontem, o apoio entrou por mar através de um corredor marítimo que ligou o Chipre a Gaza. O navio espanhol "Open Arms" em conjunto com uma organização não governamental norte-amricana, com um carregamento de cerca de "115 toneladas de alimentos e água" e de "130 paletes de equipamento humanitário," foi o responsável pelo transporte que depois seguiu depois numa coluna de cerca de 30 camiões e que se espera agora chegue ao seu destino sem problemas de maior. O processo, envolveu o exército israelita, que antes de permitir o descarregamento, inspecionou o navio e acompanhou o descarregamento dos bens essenciais no porto. A dificuldade que envolve a deslocação e toda a burocracia envolvida, bem como o risco associado, torna esta forma de ajuda bastante demorada.


As entregas feitas através das vias marítimas e aéreas, não podem substituir as vias terrestres, mas estas têm sido impossibilitadas enquanto os bombardeamentos não cessarem.


Fontes:


https://observador.pt/2024/03/14/o-hamas-apresentou-acordo-de-treguas-netanyahu-diz-que-as-exigencias-sao-inaceitaveis/


https://observador.pt/2024/03/16/scholz-contra-ofensiva-israelita-em-rafah-para-evitar-grande-tragedia-humana/


https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2522373/exercito-israelita-confirma-chegada-a-gaza-da-ajuda-humanitaria-em-navio


 

15/03/2024

As falsas eleições e a vitória de mais um ditador

Como é que se elege um ditador? Muitos dos ditadores conhecidos da nossa história foram eleitos pelo povo, mas será que quem neles votou o fez de forma livre e consciente? Aquilo que se passa atualmente na Rússia, passou-se noutras alturas e noutras partes do mundo. Passou-se aqui, embora de forma um pouco diferente, porque os tempos eram outros, mas em comum há sempre uma política de opressão e de desinformação. Passou-se noutros países por essa Europa fora... e noutros países, um pouco mais longe geograficamente mas que todos conhecemos.


Vivemos na era da informação, da internet, das notícias, mas passam-se coisas debaixo de nosso nariz das quais nem nos apercebemos (ou que não queremos ver) e vive-se numa época de "gato escondido com o rabo de fora." Todos vemos o rabo do gato, mas todos temos medo dele.


Na Rússia as urnas já abriram e todos sabemos quem vai ser eleito no domingo. Entretanto, já passam "imagens dos cidadãos russos" - especialmente imagens de soldados - a votar "para as eleições presidenciais que decorrem até domingo. Vladimir Putin será assim eleito "para um quinto mandato presidencial até 2030, face à ausência de oposição independente, controlo de informação e o espetro da manipulação." 


"As eleições são vistas como uma mera formalidade com um vencedor antecipado, tendo sido autorizadas apenas candidaturas classificadas como amigáveis em relação ao Kremlin (presidência): Nikolai Kharitonov, do Partido Comunista, Leonid Slutsky, do nacionalista Partido Liberal Democrata, e Vladislav Davankov, do Novo Partido Popular."


Mas aqui está o auge da questão. Sabe-se que será reeleito uma vez que as eleições de "livres" não têm nada, mas o que procura Putin com esta montagem eleitoral? Na verdade, mostrar para fora que o povo russo lhe está a “renovar legitimidade” de continuar com a invasão e com a guerra na Ucrânia.


E vai ainda mais longe.


Na Ucrânia, nos territórios ocupados por forças russas tais como Zaporíjia, Kherson, Donetsk e Luhansk, as autoridades nomeadas pela própria Rússia "estão a obrigar os ucranianos a ir às urnas para votar nas eleições presidenciais." Nestas zonas, as pessoas estão a ser obrigadas a votar como se fossem cidadãos russos! "Colaboradores russos vão de casa em casa com urnas de voto, acompanhados por soldados armados," e assim obrigam estas pessoas a votar. De acordo com a "agência noticiosa do Kremlin, TASS," apesar da votação antecipada só ter começado oficialmente no dia 10 de março, "na região ocupada de Donetsk" e noutras "zonas próximas da linha da frente estava em curso desde 25 de fevereiro."


E como é que isto foi possível, se não são russos? 


Ora aqui está a preparação de toda a situação com antecedência. Para acederem a "serviços sociais e cuidados de saúde," os cidadãos destes territórios ocupados foram obrigados a obter passaportes russos. Só assim podem usar os serviços de que necessitam para sobreviver e claro, é-lhes dada agora a "possibilidade" (ou obrigatoriedade) de votar. "Aqueles que recusarem tornar-se-ão cidadãos estrangeiros ou apátridas a partir de 1 de julho de 2024. Existe uma possibilidade realista de que os indivíduos sejam deportados ou enfrentem detenção após esta data se não tiverem passaportes russos." O clima de medo está instaurado porque praticamente todos sabem o que lhes pode acontecer se forem detidos pela Rússia.


E entretanto, a guerra continua...


Fontes:


https://observador.pt/liveblogs/eleicoes-na-russia-arrancam-hoje-com-putin-sem-oposicao-para-quinto-mandato/


https://pt.euronews.com/2024/03/15/eleicoes-russas-homens-armados-obrigam-ucranianos-a-votar-nos-territorios-ocupados


https://pt.euronews.com/2024/03/11/moscovo-falsifica-votos-nas-regioes-ucranianas-ocupadas


https://observador.pt/liveblogs/eleicoes-na-russia-arrancam-hoje-com-putin-sem-oposicao-para-quinto-mandato/

14/03/2024

A reunião da Brigada do Reumático e a Intentona - 50 anos

Já que ultimamente se fala em celebrações, deixo-vos aqui uma que também deve ser referida, pois aconteceu precisamente há 50 anos, poucos dias antes da Revolução de Abril. Neste caso, tratou-se de uma "cerimónia de solidariedade com o regime" que foi levada a cabo "por oficiais-generais dos três ramos das Forças Armadas," e que veio a ficar conhecida por «Brigada do Reumático».


Os "generais Costa Gomes, António de Spínola e o almirante Tierno Bagulho," não compareceram e por isso, foram "exonerados" no dia seguinte. Costa Gomes e António de Spínola, já tinham, no entanto, sido escolhidos a 1 de dezembro do ano anterior, em Óbidos, como Chefes do Movimento das Forças Armadas.


"Em nome dos oficiais presentes falou o Chefe do Estado Maior do Exército general Paiva Brandão." Os participantes, afirmaram a sua "fidelidade ao regime do Estado Novo e prometeram defender a política ultramarina da nação."


Marcello Caetano, em resposta a esta cerimónia, agradece desta forma aos seus participantes: «O país está seguro de que conta com as suas Forças Armadas e em todos os escalões destas não poderão restar dúvidas acerca da atitude dos seus comandos». Dias depois, seguiria para Lisboa uma coluna do Regimento de Infantaria nº 5 das Caldas da Rainha, composta com cerca de 200 militares. Esta coluna tinha a intenção de derrubar o poder e a tentativa, que acabaria derrubada em pouco menos de 20 horas, foi designada por "intentona ou golpe das Caldas." Esta foi a primeira tentativa de derrube do regime por "oficiais ligados ao MFA."


Na sessão parlamentar de 19 de março, "o deputado Albino dos Reis condena aquele movimento, que qualifica como subversivo, de insubordinação e de rebeldia."  


Cerca de um mês depois, tal como sabemos, o Movimento das Forças Armadas acabava com o Estado Novo e com Assembleia Nacional, dando origem ao processo de descolonização e independência das antigas colónias."


"Fontes:


https://a25abril.pt/arquivos-historicos/arquivo-rtp/brigada-do-reumatico/


https://app.parlamento.pt/comunicar/Artigo.aspx?ID=947


https://media.rtp.pt/descolonizacaoportuguesa/pecas/o-programa-do-mfa/


 

12/03/2024

A situação dramática do Haiti

No outro dia, escrevi sobre a situação do Haiti, com alusão a algumas notícias que têm vindo a público na comunicação social sobre o estado em que o país se encontra. Neste momento, a guerra civil está iminente, com os gangues a tomar a população como refém. A violência tem vindo a aumentar de dia para dia e há a ameaça de "um desastre humanitário." 


O Haiti está longe... 


No Haiti, têm sido cada vez mais praticadas "atividades criminosas como sequestros, violência sexual, tráfico de pessoas, contrabando de migrantes, homicídios e recrutamento de crianças por grupos armados e redes criminosas," as quais estão a gerar o a fuga "em massa de civis e violações dos direitos humanos." 


Ariel Henry, "atual primeiro-ministro haitiano," está neste momento "em Porto Rico, depois de uma tentativa falhada de regressar ao país." No entanto, já confirmou que "vai renunciar ao cargo" e apelou à calma, de forma a que "paz e a estabilidade voltem o mais rápido possível". 


Quem protege a população do Haiti? Homens, mulheres e crianças, sofrem desde há bastante tempo e muitos fecham os olhos às barbaridades que são cometidas por gangues armados que dominam aquele território.


No domingo, os EUA anunciaram a "retirada de parte dos funcionários de sua embaixada e o reforço da segurança." Perante o aumento da onda de violência, "dezenas de moradores ocuparam no sábado um escritório da administração pública em Porto Príncipe, na esperança de encontrar abrigo lá." Foi decretado o "estado de emergência" bem como "um toque de recolher noturno," que tem sido difícil de implementar pelas forças de segurança. As informações são de que a "autoridade da polícia é fraca e mais de 40 esquadras estão destruídas."


E onde está quem proteja os direitos humanos destas pessoas?


A situação está a piorar com “hospitais atacados por gangues" e que foram obrigados a "evacuar pessoal médico e pacientes," incluindo bebés recém-nascidos, havendo ainda o risco de "cerca de 3000 mulheres grávidas" deixarem de poder aceder a "cuidados de saúde essenciais." 


Diz assim o Artigo 28, da Declaração Universal dos Direitos Humanos:



"Todo o ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados."



Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/haiti-precisa-de-paz-primeiro-ministro-ariel-henry-demite-se_n1557095


https://www.swissinfo.ch/por/situa%C3%A7%C3%A3o-no-haiti-se-deteriora-e-eua-anuncia-retirada-de-funcion%C3%A1rios-americanos/73574047


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/haiti-prolonga-recolher-obrigatorio-por-mais-tres-dias_n1557033


 https://news.un.org/pt/story/2024/03/1828947


https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos


 

11/03/2024

Sobre os resultados da noite eleitoral... e o que muda para já

Depois do rescaldo da noite eleitoral, o país aguarda agora a indigitação do primeiro-ministro. Essa será a tarefa seguinte do Presidente da República, mas só depois de chegarem os resultados dos círculos externos. "Marcelo Rebelo de Sousa vai ouvir os partidos por ordem crescente de votos e a ritmo de um por dia." 


Mas sobre a noite de ontem e os resultados eleitorais que já se conhecem...


Confirmando a maioria das projeções, a Aliança Democrática vence estas eleições com 79 assentos parlamentares, logo seguido a pouca distância do PS, com 77 lugares. Esta derrota da Esquerda já era um resultado esperado e nove anos depois os Socialistas regressam à oposição. Se olharmos para as análises televisivas feitas distrito a distrito, vemos que a AD venceu no Porto, mas o PS até ganhou nos distritos de Lisboa, Santarém e Setúbal. Em Setúbal o CHEGA ficou mesmo à frente da AD, o que deve ser alvo de reflexão por parte dos dirigentes. Já no que a Leiria se refere, "a Aliança Democrática ultrapassou o PS," o que se repetiu também em Braga.


Podemos dizer que houve muito mais gente a ir votar, o que pode ser visto como um ponto positivo. No entanto, apesar da diminuição da abstenção, os resultados alcançados por alguns partidos têm obrigatoriamente de levar o país a fazer uma reflexão sobre o que está mal e o que ainda nos espera.


O Chega foi um dos partidos que mais cresceu, especialmente no Algarve e conquistou 48 deputados na Assembleia da República, sendo de referir que neste distrito, se analisarmos concelho a concelho, "o Chega venceu em Portimão, Lagoa, Silves (onde a Câmara é presidida pela CDU), Albufeira, Loulé e Olhão. Nos restantes 10 municípios algarvios, o PS foi a opção mais escolhida por quem votou." Este crescimento do CHEGA pode dever-se em muitos casos ao chamado "voto de protesto", mas a verdade é que o país e a Europa estão em mudança e a Direita mais radical está, infelizmente, a ganhar força.


André Ventura tem estado a exercer pressão sobre a AD, através de Luís Montenegro, afirmando que ele deve mudar de opinião quanto a fazer um acordo de "entendimento pós-eleitoral com o Chega," chamando-lhe "um líder muito irresponsável," caso a AD viesse a permitir um governo do PS. Esperemos que Montenegro não caia nessa e não ceda a quaisquer ameaças. Ventura fez também vários "ataques aos jornalistas e comentadores," afirmando que deveriam engolir "algumas palavras”, bem como criticou de forma acesa as "empresas de sondagens, a cujos diretores sugeriu a demissão." Criticou o próprio Presidente da República. Entre várias críticas, das quais não escapou sequer o próprio Presidente da República, Ventura afirmou que a vitória do Chega deve ser visto como “um ajuste de contas com a História de um país que durante décadas foi asfixiado e atrofiado pela esquerda e pela extrema-esquerda”. Mesmo chegando de mansinho... já se vão manifestando.


"A IL, com oito lugares, o BE, com cinco, e o PAN, com um, mantiveram o número de deputados. O Livre passou de um para quatro eleitos enquanto a CDU perdeu dois lugares e ficou com quatro deputados." Por diversos fatores, a grande derrota do PCP não fez espantar muita gente, conseguindo apenas quatro lugares na AR, tantos como o Livre. "O PCP deixou de ter representação parlamentar em Beja, pela primeira vez em 50 anos de democracia," perdendo também força em Évora.


De preocupar também o resultado do ADN que, embora sem conquistar nenhum lugar na AR, conseguiu 1.6% dos votos, contra "0,20% dos votos" conseguidos nas legislativas de 2022. Será que este crescimento, embora aparentemente pareça pequeno, não nos deve fazer preocupar? O próprio Bruno Fialho, "líder do partido Alternativa Democrática Nacional (ADN), e cabeça de lista por Lisboa nestas eleições legislativas, defendeu este domingo que o partido" teria sido "o grande vencedor da noite" atingindo "mais de 99 mil votos," recusando também que este resultado "seja fruto de uma qualquer confusão entre siglas de partidos."


A não existência de uma maioria absoluta fez com que as agências de rating europeias já se tenham vindo manifestar, explicando que o "facto de nenhum partido ter obtido uma maioria absoluta nas eleições deste domingo," tal como já seria esperado, “pode atrasar o processo de formação de um novo Governo." Assim, ainda é cedo para se falar em mudança, porque a acontecer, terá sempre de passar pela Assembleia, onde nem todos apoiam a AD, caso seja realmente Luís Montenegro a ser indigitado por Marcelo Rebelo de Sousa nos próximos dias.


Fontes:


https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2024/2024-03-11-Um-grande-vencedor-oito-vitorias-e-sete-derrotas---Quem-ganhou-e-quem-perdeu-na-emocionante-noite-das-eleicoes-ba75e983


https://observador.pt/liveblogs/impasse-parlamentar-agencia-de-rating-admite-novas-eleicoes-no-final-do-ano-ou-inicio-de-2025/


https://expresso.pt/politica/eleicoes/legislativas-2024/2024-03-11-Os-resultados-finais-distrito-a-distrito-AD-venceu-no-Porto-por-1000-votos-PS-em-Lisboa-por-9000-Chega-foi-1.-em-Faro-747a40f3


https://expresso.pt/politica/2024-03-11-Voto-de-protesto-da-vitoria-ao-Chega-no-Algarve.-PS-e-PSD-justificam-com-desalento-e-esquecimento-92d79b0f


https://eco.sapo.pt/2024/03/11/lider-do-adn-considera-que-partido-foi-grande-vencedor-da-noite/?dicbo=v2-MYiCBup


 

10/03/2024

Votos e canções

A celebração maior da democracia está no exercício do direito de voto. Esta é a única forma que temos de mostrar a nossa vontade. Seja ela qual for, o meu apelo é que todos exerçam esse direito.


No entanto e enquanto não sabemos quem ganhou, hoje vou fazer uma outra referência que também acho importante. A noite passada estive a assistir à final do Festival da Canção transmitido pela RTP1. Na minha opinião, podiam ter aproveitado este momento para um grande espetáculo televisivo, mas isso na minha opinião não aconteceu. Destaquem-se os 12 finalistas, uns melhores que outros (vai do gosto musical de cada um) mas no fim, a vitória de Iolanda, com a canção "O grito" foi bem merecida e acho que nos vai representar muito bem na Eurovisão em Malmö, na Suécia.


A cantora, natural da Figueira da Foz, chegou ao Festival através de um convite. É também compositora e "estreou-se em nome próprio em 2023 com o EP Cura, que incluía os singles Cura e Lugar Certo, lançados um ano antes." A jovem cantora passou pelo "BIMM Music Institute, em Londres, Reino Unido, e pelo Hot Clube de Portugal. Além de ser intérprete, escreve para artistas como Bárbara Tinoco ou Bárbara Bandeira." A canção, "co-escrita por Luar," foi apresentada por Iolanda toda vestida de branco e com dançarinos também eles todos cobertos de branco. Esta foi uma das canções a votos no Festival, mais ouvida "nas plataformas de streaming." 


Este ano assinalou-se também a passagem de 60 anos desde o primeiro Festival. A primeira vez que se realizou, com o nome de "Grande Prémio TV da Canção Portuguesa" foi "nos Estúdios do Lumiar, na noite de 2 de Fevereiro de 1964." Nesse ano, havia pela primeira vez a vontade de escolher uma "canção candidata" a representar o país no "Concurso Eurovisão da Canção."


Nesta primeira edição, de entre as 167 canções candidatas, ganharam destaque "António Calvário, Artur Garcia, Madalena Iglésias, Simone de Oliveira", que em 1964 apresentou o tema "Olhos nos olhos." A RTP, que no dia 7 celebrou 67 anos, tem já no ar um documentário que conta a história dos Festivais e que recomendo, a quem gosta de seguir este tema, que veja.


Foram muitas as canções que começaram nos Festivais mas depois se ligaram definitivamente à nossa história como povo. Exemplo disso: "Lusitana Paixão" (1991), "E depois do Adeus" (1974), ou "Tourada"(1973).


Em 67 anos de televisão, muita coisa mudou. A história da primeira estação de televisão portuguesa cruza-se com a história do país e acompanhou os 50 anos de democracia.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_RTP_da_Can%C3%A7%C3%A3o


https://pt.wikipedia.org/wiki/Hist%C3%B3ria_do_Festival_RTP_da_Can%C3%A7%C3%A3o


https://observador.pt/2024/03/10/o-grito-de-iolanda-venceu-o-festival-da-cancao-e-vai-representar-portugal-na-eurovisao/


 

09/03/2024

As primeiras eleições portuguesas... de 1911 aos nossos dias

O país está prestes a ir a eleições e todos temos ouvido falar das eleições de 1975, as primeiras eleições livres depois de um longo período de ditadura, mas hoje venho aqui escrever sobre aquelas que foram a primeira tentativa de eleições livres no país e que ocorreu no ano seguinte à queda da monarquia.


Estávamos a 5 de outubro de 1910 quando a República, substitui a Monarquia. O país deixa de ser governado por um rei e os partidos políticos que se estavam a difundir deste os finais do século XIX, ganham força. O povo, farto do estado em que a nação se encontrava, revolta-se e alinha-se com os revoltosos para garantir o triunfo de uma nova forma de governação. 


Neste primeiro ato eleitoral, as coisas ocorreram de forma um pouco diferente. "De acordo com a Constituição, o Presidente da República era eleito pelo Congresso da República. Esta forma de eleição ocorreu em 1911Maio de 1915Agosto de 1915Dezembro de 191819191923 e 1925. A única eleição directa ocorreu durante o governo de Sidónio Pais, em Abril de 1918, durante a qual se suspendeu a lei eleitoral constitucional por decreto."


 Nas primeiras eleições concorreram "ambos pelo Partido Republicano Português, Manuel de Arriaga (com o apoio das fações mais moderadas lideradas por António José de Almeida e Brito Camacho, e que dariam origem ao Partido Evolucionista e ao Partido Unionista), e Bernardino Machado (apoiado pelo grupo liderado por Afonso Costa, que mais tarde daria origem ao Partido Democrático)."


Neste caso o que se passou foi a eleição do Presidente da República "através de sufrágio indirecto, requerendo pelo menos dois terços dos votos das duas Câmaras (Deputados e Senado) do Congresso da República reunidas em sessão conjunta," no dia "de 24 de Agosto de 1911 (59.ª Sessão), tendo sido eleito, para um mandato de 4 anos, Manuel José de Arriaga Brum da Silveira e Peyrelongue." Foi um mandato conturbado, num "clima conturbado de polémica e crescente crispação política, ao qual se vem ainda juntar o início da Primeira Grande Guerra," e que termina em 1915 depois de uma revolta ocorrida a 14 de maio que o leva a resignar. 


Saltando aqui o período que cessa a 1ª República e dá lugar a um regime ditatorial que duraria até 1974, ocorre a "3 de junho de 1976, " a primeira reunião da Assembleia da República "na sequência das eleições realizadas a 25 de abril de 1976, iniciando-se nessa data a I Legislatura."


O nosso Estado é composto por "quatro órgãos de soberania - Presidente da República, Assembleia da República, Governo e Tribunais."


"O Presidente da República é o Chefe de Estado" e, nos termos da Constituição, "representa a República Portuguesa", "garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas" e é também "Comandante Supremo das Forças Armadas."


Quanto à "Assembleia da República esta é o parlamento nacional e é "composta por todos os deputados eleitos pelos portugueses para os representarem ao nível nacional." São competências da Assembleia da República, não apenas a representação dos cidadãos do país, mas também "assegurar a aprovação das leis fundamentais da República e a vigilância pelo cumprimento da Constituição, das leis e dos atos do Governo e da Administração."


O Governo tem funções de execução. "Conduz a política geral do país e dirige a Administração Pública, que executa a política do Estado. Exerce funções políticas, legislativas e administrativas." As competências do Governo são assim bastante alargadas e diversas. "O Governo tem responsabilidades perante o Presidente da República - a quem responde através do Primeiro-Ministro - e perante a Assembleia da República - através da prestação de contas da sua atuação política, por exemplo nos debates quinzenais em que o Primeiro-Ministro responde às perguntas dos deputados."


"Os tribunais administram a justiça e são o único órgão de soberania não eleito," devendo ser "independentes e autónomos." 


Voltando a 1976. Neste ato eleitoral concorrem 14 partidos, embora apenas 5 tenham conquistado lugar na Assembleia. Os "263 deputados eleitos distribuem-se por 5 forças políticas (PS – 107; PPD – 73; CDS – 42; PCP – 40 e UDP – 1)." Destes, 13 são mulheres.


Era necessário eleger-se o Presidente da República, o que ocorre a 27 de junho. É eleito o General Ramalho Eanes. "No mês seguinte, a 23 de julho, Mário Soares é nomeado Primeiro-Ministro do I Governo Constitucional." Vasco da Gama Fernandes (PS) é então "eleito Presidente da Assembleia da República, a 29 de julho, para o período da 1.ª sessão legislativa." O país vivia num período crítico, recém saído da ditadura e com muita coisa a acontecer ao mesmo tempo.


"Além do aceso debate político no Hemiciclo, sobre os mais variados temas - desde a descolonização à reforma agrária, passando pela extinção da PIDE-DGS -, a Assembleia da República dedica-se a definir as regras próprias de funcionamento e a debater e aprovar leis estruturantes do novo sistema democrático e decorrentes da Constituição da República Portuguesa então aprovada, como as leis eleitorais, as atribuições e competências dos órgãos autárquicos, a lei do Serviço Nacional de Saúde ou a lei sobre a eliminação do analfabetismo."


A 23 de janeiro de 1978, depois de em dezembro ter sido debatida uma moção de confiança no governo e a mesma ter sido rejeitada, ocorre novo ato eleitoral em que "Mário Soares é de novo designado Primeiro-Ministro, formando Governo com o apoio do CDS, que se mantém até à sua exoneração, a 27 de julho de 1978." Nesse ano, o governo não se consegue manter e em julho de 1979, a Assembleia da República acaba mesmo por ser dissolvida. "São convocadas eleições legislativas intercalares para 2 de dezembro de 1979. Maria de Lourdes Pintasilgo é nomeada Primeira-Ministra, tendo sido, até hoje, a única mulher a desempenhar o cargo em Portugal."


Nestas eleições entraram 12 partidos políticos a concurso. "Os 250 Deputados, distribuem-se por 7 forças políticas (PSD – 80; PS – 74; PCP – 44; CDS – 43; PPM – 5; MDP-CDE – 3; UDP – 1), tendo o PSD, o CDS e o PPM concorrido coligados no continente, com a designação de Aliança Democrática." 17 destes deputados são mulheres. "Em consequência destas eleições e dos resultados eleitorais, a 3 de janeiro de 1980, é nomeado Primeiro-Ministro Francisco de Sá Carneiro, que morre a 4 de dezembro de 1980, num acidente aéreo. É substituído interinamente pelo Vice-primeiro-ministro, Diogo Freitas do Amaral, até à posse do VII Governo Constitucional."


"As diferenças mais significativas entre os resultados das eleições de 1976 e estas são a perda de 41 Deputados do PS, em parte transferidos para a UEDS e a ASDI, com os quais concorreram coligados, e na representação na Assembleia da República destes dois grupos parlamentares (UEDS e ASDI)." É nesta legislatura que é feita a primeira revisão da Constituição.


Até aos nossos dias, foram-se sucedendo os governos constitucionais, uns mais à esquerda, outros mais à direita, uns completaram a sua legislatura, outros não. 


Amanhã realizar-se-á mais um ato eleitoral. As eleições legislativas são as que atualmente elegem a Assembleia da República e o Primeiro-ministro do país. Que ganhe a democracia e a liberdade.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_portuguesas_de_1911


https://app.parlamento.pt/comunicar/V1/202203/78/artigos/art4.html#_ftn1


https://www.portugal.gov.pt/pt/gc21/portugal/democracia


 

08/03/2024

As grandes mulheres de Portugal, as grandes mulheres da minha vida

O Dia da Mulher foi oficializado pela "Organização das Nações Unidas (ONU) em 1975," mas por muitos países já é comemorado desde o início do século XX. Só em "1979 foi aprovada a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres."


Podemos dizer que esta data está ligada à luta das classes operárias, em especial, à luta pela igualdade dos direitos das mulheres. Nesta data, assinala-se a desfesa de importantes "causas como o direito ao voto, a igualdade salarial, a maior representação em cargos de liderança, a proteção em situações de violência física e/ou psicológica ou o acesso à educação." Infelizmente, em demasiados países, estes direitos continuam ainda por cumprir.


As minhas mulheres, fizeram de mim o que sou hoje (sem desprezo aos homens, mas hoje é o dia delas). Nas minhas mulheres, admiro a força, a coragem, o trabalho e a determinação. Elas me mostraram que nunca se deve baixar a cabeça perante um desafio, que nunca me devo achar inferior a ninguém e que posso e devo lutar pelos meus direitos e defender as minhas conquistas com orgulho. Identifico-me com as minhas raízes e uma das coisas que é notável ao longo da história da vila onde nasci, é que embora fossem os homens a ir para o mar (algumas mulheres também o faziam) quem ficava a cuidar e a defender a terra eram sobretudo as mulheres! A elas cabia administrar a casa e, claro, assumiam por isso muitas vezes a posição de cabeça de casal, que antigamente em muitas outras regiões cabia apenas ao homem. 


Quando a minha avó nasceu, instalava-se a ditadura em Portugal e, até 1974, não conheceu outra maneira de viver. Mas isso, nunca a calou nem fez baixar os braços. No ano em que a minha mãe nasceu, era presidente da República Américo Tomás, mas o país ainda era governado por Salazar.Durante a década de 60, o nosso país estava a ser fortemente reprimido, muitos jovens eram enviados para as ex-colónias e lá morriam ou ficavam estrupiados, condenados a viver para sempre com traumas de guerra. Muita gente é levada a emigrar. A minha mãe tinha 14 anos quando a Revolução saiu à rua e, também ela, saiu para celebrar a liberdade. Tenho a certeza que isso a marcou.


Apesar de não terem tido uma vida nada fácil, com muitas marcas psicológicas (e também físicas) estas mulheres conseguiram depois ser, para mim e para a minha irmã, as grandes referências como exemplos de vida a seguir. Como elas, não nos coibimos de dar a nossa opinião, sabendo que, se somos livres hoje, foi porque elas e outras como elas, não se calaram e não deixaram que ninguém as calasse. 


Mas na nossa história temos vários exemplos importantes, sendo que apenas vou referir cinco delas, apesar de serem imensas. Muitas vezes, o que fizeram na sua época não foi tão divulgado, mas felizmente hoje em dia, embora tardiamente, já são de alguma forma valorizadas.


A primeira de quem quero falar é de Carolina Beatriz Ângelo, que foi "a primeira médica a operar no Hospital São José em Lisboa, a primeira mulher a ser considerada “chefe de família”, e sobretudo, a primeira mulher a votar em 1911!" Ela foi a primeira mulher a lutar "pela emancipação das portuguesas." Na época, a lei vigente considerava que “todos os cidadãos maiores de 21 anos, chefes de família, que soubessem ler e escrever” podiam ter um papel ativo na vida política do país. Carolina tinha 33 anos e tinha ficado viúva, com uma filha a seu cargo, o que fazia dela chefe de família. Ao ser médica, estaria implícito na sua formação que sabia não só ler e escrever, mas também tinha formação superior. Carolina foi então a tribunal, invocar "o direito de ser considerada chefe de família" e de poder votar. Conseguiu o seu propósito, embora mais tarde infelizmente, tenha sido acrescentado à Lei que apenas os “chefes de família do sexo masculino” poderiam votar.


Um outro nome importante é o de Sophia de Mello Breyner Andresen, nascida em 1919 e que se destacou tanto na escrita e poetisa, como na luta pela liberdade e pela democracia. Conhece Francisco Sousa Tavares e com ele se junta "à luta contra o regime de Salazar. Apoiou a candidatura de Humberto Delgado, em 1958, e teve em Mário Soares e em Maria Barroso, amigos para a vida." Em 1969, "foi candidata a deputada, juntamente com o marido, pela CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática), considerado o início do Partido Socialista." Depois do 25 de abril, foi uma das cinco mulheres que foram eleitas deputadas "à Assembleia Constituinte. A 2 de agosto de 1975 fez a sua primeira intervenção parlamentar e participou na Comissão para a Redação do Preâmbulo da Constituição, à qual presidiu, em 1976. Foi "a primeira mulher a receber o Prémio Camões." Sophia morreu em 2004 e, desde 2014 que o seu corpo está no Panteão Nacional.


Continuando com outra escritora, quero destacar também a ativista Natália Correia, que nasceu em 1923 e fo"i poetisa, dramaturga e jornalista." Natália Correia nunca deixou de expressar "o seu desagrado em relação ao regime do Estado Novo, tendo apoiado a candidatura de Humberto Delgado e manifestado publicamente a sua amizade com Francisco Sá Carneiro." Acaba por ser até condenada a três anos de prisão (com pena suspensa, pela publicação de uma obra considerada ofensiva para os costumes) e foi processada por ter tido a responsabilidade editorial das Novas Cartas Portuguesas (o livro das Três Marias)." Desempenhou um importante papel político "no que diz respeito à luta pelos Direitos Humanos e pelos Direitos das Mulheres." É da sua autoria "o Hino dos Açores" e foi também "cofundadora da Frente Nacional para a Defesa da Cultura."


Destaco aqui também Maria de Lourdes Pintassilgo, que nasceu em Abrantes, em 1930. "O seu percurso académico e profissional foi marcado com momentos de avanços significativos para as mulheres. Primeiro, ao ingressar na licenciatura em Engenharia Químico-Industrial, tornou-se uma de três mulheres no curso, quando muito poucas frequentavam o ensino superior. Tornou-se a primeira mulher a ingressar os quadros técnicos superiores da Companhia União Fabril (CUF). Ainda durante o Estado Novo, foi convidada por Marcelo Caetano para se candidatar a deputada à Assembleia Nacional, tendo sido a primeira mulher a exercer funções como procuradora à Câmara Corporativa nas duas últimas legislaturas deste órgão, até abril de 1974. Presidiu, ainda, ao Grupo de Trabalho para a Participação da Mulher na Vida Económica e Social e à Comissão para a Política Social relativa à Mulher (mais tarde denominada Comissão da Condição Feminina). Em 1975, tomou posse como embaixadora junto da ONU para a Educação, Ciência e Cultura." Maria de Lourdes torna-se "a primeira mulher primeira-ministra em Portugal" quando aceita o convite feito por "Ramalho Eanes para chefiar o Governo de Gestão de 1979 a 1980."


Uma outra mulher, bem conhecida e com um percurso digno de destaque foi Manuela Ferreira Leite nascida em Lisboa em 1940. Licenciou-se em economia e "foi chefe de gabinete de Cavaco Silva, em 1980, quando este desempenhava as funções de Ministro no Governo de Francisco Sá Carneiro." No início de 90, "assumiu a Secretaria de Estado do Orçamento e, entre 1993 e 1995, o Ministério da Educação, numa altura de grande contestação, tendo sido, pelo seu perfil austero, apelidada de Margaret ThatcherFoi eleita deputada à Assembleia da República em 1995 e, em 1999, presidente da Comissão Parlamentar de Economia, Finanças e Plano. Foi também a primeira mulher líder de um Grupo Parlamentar (PSD), entre 2001 e 2002." Nesse ano, "foi nomeada Ministra de Estado e das Finanças, tendo, também aqui, sido a primeira mulher portuguesa a assumir estas funções."


Fontes:


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/dia-internacional-da-mulher


https://lisboasecreta.co/10-mulheres-portuguesas/


https://josefinas.com/pt/blog/12-mulheres-portuguesas-que-merecem-destaque


https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Exposicao-As-mulheres-que-mudaram-Portugal.aspx


 


 

05/03/2024

Haiti... a ilha que podia ser um Paraíso mas embarcou no Inferno

O Haiti fica numa das várias ilhas localizadas na zona central do continente americano, tendo passado pela "colonização europeia, ocupações pelos Estados Unidos e escravidão," mas entre "revoluções" e conflitos, é, desde 1804 um país independente. Da sua história faz parte, a sua "descoberta" por Cristovão Colombo que "chegou à ilha que hoje abriga o Haiti e a República Dominicana em dezembro de 1492," tendo à época este território ficado sob o controlo da Coroa espanhola. Assim sendo, "Colombo batizou a ilha de A Hispaniola,"  e aos seus habitantes, nativos, o navegador chamou "índios." Perdido o interesse dos espanhóis, que entretanto tinham descoberto territórios mais ricos, a ilha começou a ser disputada por "piratas ingleses, holandeses e franceses."


No ano de "1665, a França" deu-lhe "o nome de Saint-Domingue," e cerca de 30 anos depois, a capital espanhola "cedeu formalmente um terço de A Hispaniola ao governo francês." Sob domínio francês, a ilha prosperou e em 1789, "75% da produção de açúcar do mundo vinha de Saint-Domingue, assim como grande parte da riqueza e glória da França. A chamada pérola das Antilhas produzia também café, tabaco, cacau, algodão e índigo." Em 1791, depois da Revolução Francesa, um homem "de origem jamaicana chamado Boukman liderou uma revolta numa grande plantação." Nessa revolta, os escravos que até aí tinham sofrido imensas brutalidades, "destruíram as plantações e executaram todos os brancos que viviam na região." Nos anos seguintes, a guerra civil não se fez esperar e "entre fevereiro e abril de 1804 ocorreu o chamado Massacre do Haiti,"  no qual morreram entre 3 a 5 mil "mulheres e homens brancos de todas as idades." Esta longa luta, apesar de lhes ter trazido a independência, teve custos elevados. Além da destruição da "maioria das plantações" e das infraestruturas do país, também os custos humanos foram enormes: "calcula-se que das 425 mil pessoas escravizadas, tenham sobrado apenas 170 mil em condições de trabalhar para reconstruir o país."


Em 1825, "o então presidente do Haiti, Jean-Pierre Boyer, assinou um acordo com o rei" francês em que era prometido ao Haiti o "reconhecimento diplomático pela França em troca de uma redução de 50% das tarifas alfandegárias às importações francesas e uma indenização de 150 milhões de francos." Este acordo foi assinado porque, caso o governo haitiano não o assinasse, "o país não só continuaria isolado diplomaticamente como seria cercado por uma frota de embarcações de guerra francesas que estava na costa haitiana." O Haiti acabaria por fazer um empréstimo através de um banco também ele francês e demoraria 122 anos a pagar a dívida!


Em 1844, o lado leste da ilha declarar-se-ia "definitivamente independente do oeste, formando a República Dominicana."


Com um clima tropical, o Haiti está localizado numa zona problemática ao nível climático, sendo fustigado muitas vezes por furacões que destroem sucessivamente as estruturas habitacionais de uma população empobrecida por sucessivos governos ditatoriais e guerras civis, mas também sofre por sucessivos anos de seca que em algumas zonas da ilha acabam por reverter em grandes incêndios e na destruição das fontes de subsistência da população.


"Desde fevereiro de 2004, o Haiti sofre intervenção de forças militares da Organização das Nações Unidas (ONU)." Em 2010, foi notícia por ter sofrido um forte sismo que destruiu a maior parte do território, em especial Port au Prince (ou Porto do Príncipe) e que matou cerca de 120 mil pessoas.


Num país com baixo índice de desenvolvimento humano e em que menos de metade da população é alfabetizada, o Haiti tem uma economia nacional pouco desenvolvida e baseada em atividades do setor primário." O principal produto de exportação é o açúcar, o país também cultiva manga, banana, milho, entre outros." O Haiti foi considerado pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional, como "o país mais pobre da América e um dos mais pobres do mundo."


É a ONU que no fim de fevereiro vem reforçar o alerta para "o crescimento no número de violações sexuais." Ulrika Richardson, coordenadora das Nações Unidas diz mesmo que em 2023 se verificou "uma degradação muito acentuada da insegurança, com assassínios, linchamentos, violações e outras formas de violência sexual, sendo que 2024 deu continuidade a essa “tendência trágica”. Acrescenta ainda Ulrika que “as pessoas estão a ser sujeitas a violações muito brutais dos seus direitos humanos e estão sujeitas a formas muito brutais de violência sexual, incluindo violação coletiva." 


Em relação à insegurança alimentar, a porta voz da ONU alerta para o aumento dos níveis de subnutrição, que têm sido mais acentuados nas crianças e nas mulheres grávidas, provocado sobretudo pelo "agravamento da insegurança no Haiti" que "mantém os preços das matérias-primas acima da média, nomeadamente devido à escassez de produtos alimentares básicos nos mercados devido a perturbações nas cadeias de abastecimento."


Os ataques dos gangues têm vindo a aumentar neste território. “Em 2023, a violência perpetrada por gangues armados contra a população haitiana continuou a espalhar-se no país, atingindo áreas rurais isoladas à medida que a presença do Estado diminuiu," segundo afirmações da ONU. Estes ataques não são só entre grupos rivais, mas tratam-se também de grupos violentos que atacam "hospitais, escolas e locais de culto."


Segundo uma notícia avançada pela BBC, no último domingo, o governo do Haiti terá decretado "o estado de emergência" e o "recolher obrigatório" na capital, Porto do Príncipe, devido à “deterioração da segurança” e "aos ataques a duas prisões por bandos armados." No sábado, "grupos armados invadiram" a "Penitenciária Nacional" tendo resultado na morte de "12 pessoas" e na fuga de cerca de "4000 presos."


Segundo algumas versões que têm vindo a ser apresentadas, "o objetivo destes gangues é ganhar força antes da chegada ao Haiti da missão multinacional de apoio à segurança, que será liderada pelo Quénia." Isto acontece depois de na passada sexta-feira, o Quénia e o Haiti terem assinado "em Nairobi, um acordo bilateral solicitado pelos tribunais do país africano, para permitir o envio de um contingente de mil polícias." Esta missão multinacional foi aprovada em outubro passado pela ONU e será liderada pelos quenianos.


Fontes:


https://observador.pt/2024/02/28/onu-denuncia-aumento-da-inseguranca-alimentar-e-violacoes-sexuais-no-haiti/


https://observador.pt/2024/03/04/governo-do-haiti-decreta-estado-de-emergencia-e-recolher-obrigatorio-na-capital/


https://www.bbc.com/portuguese/internacional-46721129


 

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam.  São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a...