29/09/2023

Ataque no Paquistão faz dezenas de mortos

O Paquistão foi esta manhã vítima de mais um ataque, ao que tudo parece, suicída, mas que até ao momento ainda não terá sido reinvindicado. Este ataque aconteceu perto de "uma mesquita, durante uma procissão religiosa em Mastung, na província de Balochistan, no Paquistão," e fez até agora "52 mortos", de acordo com uma fonte médica da cidade de Mastung. Entre os feridos, há muitos que se encontram em estado grave, o que ainda pode levar a um aumento do número de vítimas mortais.


"Os muçulmanos no Paquistão e em todo o mundo celebram o aniversário do profeta Maomé, data conhecida como Mawlid an-Nabi. Durante as celebrações, que duram o dia todo, são distribuídas refeições gratuitas à população," e terá sido neste contexto que o ataque ao que tudo indica suicída aconteceu.


Em julho deste ano, um outro ataque, durante "um comício político de um partido islâmico no noroeste do Paquistão", fez cerca de 30 mortos e "deixou ainda pelo menos cem feridos". Em janeiro, outro caso bastante grave ocorreu no país, no qual "um homem-bomba", que estaria ligado aos Talibãs paquistaneses, detonou-se dentro de "uma mesquita" que ficava junto de  um complexo da polícia na cidade de Peshawar, levando à morte mais de 80 agentes que estariam no local no momento da detonação.


 


Fontes:


https://www.lusa.pt/article/41586882/aumentou-para-52-mortos-o-balan%C3%A7o-provis%C3%B3rio-do-atentado-no-paquist%C3%A3o


https://observador.pt/2023/09/29/pelo-menos-50-mortos-em-explosao-perto-de-mesquita-no-paquistao-ha-suspeitas-de-ataque-suicida/


https://pt.euronews.com/2023/09/29/pelo-menos-50-pessoas-morreram-num-ataque-suicida-no-paquistao


https://www.dw.com/pt-br/n%C3%BAmero-de-mortos-em-ataque-a-bomba-no-paquist%C3%A3o-sobe-para-47/a-66391075


 

28/09/2023

Quando a inclusão vem com violência associada

Um aluno de 16 anos, que ainda estava a frequentar uma turma de 8º ano, com colegas cerca de três anos mais novos, achou-se que seria engraçado levar uma bisnaga para a sala e começar a implicar com os colegas. Um dos alunos, de 13 anos e que estaria bem mais interessado em aprender do que em se comportar como uma criança de 3 anos e brincar com uma pistola de água, tirou o brinquedo do colega de 16 e entregou ao professor. Uma ação de louvar, de grande coragem e que mostra que este menino de 13 anos sabe que a sala de aula é um lugar onde se aprende e que se há coisa importante na sala, é respeitar quem quer aprender e quem está ali para ensinar! 


O caso aconteceu esta terça-feira, "dia 26, na Escola Básica 2+3 de Alfornelos, no concelho da Amadora." 


Mas infelizmente, o aluno que se estava a armar no palhacinho da turma e a brincar em vez de estudar, continuou a manifestar que aquele não era o lugar certo para ele e desatou a agredir de forma bárbara o colega. Segundo noticiado, "o mais novo conseguiu retirar a pistola e entregou-a à professora, mas o mais velho tentou reavê-la. Irritado, por não o ter conseguido, virou atenções para o colega e começou a agredi-lo, dentro da sala de aula." Foram precisos vários adultos para que conseguissem tirar a vítima das suas mãos: "perante as agressões, a professora conseguiu separá-los e levou-os para a administração da escola. Mas, no percurso, o jovem de 16 anos voltou a agredir brutalmente a vítima. Só com a intervenção de três auxiliares de ação educativa é que foi separado. A vítima chegou a ser pontapeada na cabeça enquanto estava no chão." 


O menino foi levado para o hospital com lesões físicas graves e pode até ter lesões neurológicas devido às pancadas de que foi alvo na zona da cabeça. 


"Os pais da vítima, além de terem apresentado queixa na esquadra da PSP de Alfornelos, participaram o caso à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens." De acordo com o JN, "o jovem de 16 anos foi suspenso pela direção do agrupamento."


Neste momento, não sei ainda se o jovem de 16 anos, teria problemas ou algum tipo de NEE que pudesse de alguma forma, justificar o seu comportamento infantilizado, agressivo e fora do normal, mas neste momento só me consigo colocar no lugar da mãe do menino que foi agredido. Esta mãe, que como eu deve ser a primeira a sentir orgulho no seu filho, está agora com o coração apertado pelo medo de que estas agressões tragam para o seu filho graves consequências. E sinto também raiva, por não haver o adequado acompanhamento, com pessoal especializado suficiente nas escolas, para casos como este. 


Como educadora e como formadora, sou a favor da inclusão, desde que feita em condições em que todos possam ver satisfeitas as suas necessidades. Não concordo de todo com passagens de ano administrativas, sem que as crianças e jovens que eventualmente tenham NEE possam ser devidamente acompanhados, com profissionais competentes, em turmas reduzidas e com horários e currículos adaptados e adequados. 


Há escolas com profissionais fantásticos, com professores e auxiliares com formação e que fazem de tudo para que cada criança e cada jovem ao seu cuidado esteja protegido e lhe possa ser disponibilizado o melhor apoio, mas não há milagres que se façam em casos de falta de pessoal, de turmas com alunos não diagnosticados e logo não acompanhados, com pais que se recusem a aceitar que o seu educando tem de facto um problema ou uma condição e que necessitam de um currículo escolar diferente.


Há tantos casos, e este noticiado hoje, foi apenas mais um. "O estudante de 13 anos acabou por ser espancado e pontapeado na cabeça pelo colega, sem que professores ou auxiliares fossem capazes de travar o agressor” e foi  "internado no Hospital Amadora-Sintra, onde está a ser observado, temendo-se que possa sofrer de danos neurológicos." Algo vai mal nas nossas escolas, mas não nos podemos esquecer que a escola espelha a nossa sociedade.


Fontes:


https://zap.aeiou.pt/aluno-espancado-colega-pistola-de-agua-559570


https://www.jn.pt/6944075409/aluno-de-13-anos-agredido-brutalmente-por-colega-mais-velho-na-escola/amp/


 


 

22/09/2023

Azerbaijão e Arménia - uma guerra esquecida aos nossos olhos


Desde o dia 19 deste mês, terça-feira, que o conflito regressou à região de Nagorno-Karabakh, onde se opõem a Arménia e o Azerbaijão. Este conflito não tem sido muito falado na comunicação social, embora existam várias referências ao mesmo nos últimos dias.


Na região vigorava um cessar-fogo que foi quebrado quando quatro polícias e dois civis de origem azeri, foram mortos devido à explosão de minas numa zona da região controlada por Baku. Este ataque deitou por terra o frágil cessar-fogo, tendo o Ministério da Defesa do Azerbaijão comunicado o início de operações “antiterroristas” na região e apelado à rendição "total e incondicional" dos líderes separatistas arménios, na região que é reconhecida internacionalmente como território Azeri.


Gegham Stepanyan, provedor dos direitos humanos da autoproclamada República de Artsakh, afirmou que a ofensiva do Azerbaijão já provocou 25 mortos, um dos quais uma criança, e mais de 100 feridos. Artsakh, que não é um estado reconhecido internacionalmente, administra os territórios povoados por arménios no Nagorno-Karabakh. Do lado do Azerbeijão, está a Turquia, que defende o país irmão e é um dos grandes apoiantes do regime de Baku, tendo mesmo sido o primeiro país a reconhecer a independência do Azerbaijão após o colapso da União Soviética. Outro aliado do Azerbaijão é Israel, tendo sido daí que vieram os primeiros sinais de que estaria eminente uma ofensiva, quando entre 15 de agosto e 2 de setembro, se registaram quatro voos entre o Azerbaijão e a base militar de Ovda, de onde Israel exporta munições. 


A Ucrânia, também aliada do Azerbaijão, declarou em janeiro deste ano, dar total apoio ao bloqueio azeri do Nagorno-Karabakh, afirmando que o seu impacto estava a ser “exagerado” pela Rússia para “desviar as atenções da guerra na Ucrânia”.




Esta zona, localizada no sul do Cáucaso, é palco de confrontos há anos. A tensão pelo controlo do enclave separatista cresceu nos últimos meses. No local, reconhecido internacionalmente como parte do Azerbaijão, vivem cerca de 120 mil pessoas que se identificam como sendo arménias. Durante a pandemia, o Azerbaijão tinha já lançado uma ofensiva a Artsakh, dando início à Segunda Guerra do Nagorno-Karabakh, que deu a vitória aos azeris. A 9 de novembro de 2020, foi assinado um cessar-fogo, mediado por Vladimir Putin e no qual os arménios foram obrigados a ceder o controlo de vários distritos: Agdam, a leste, Kalbajar e Lachin, a oeste. Com a perda deste último distrito, o território de Artsakh passou a estar separado da Arménia e totalmente rodeado pelas tropas azeris. Na altura, foi estabelecido um corredor de paz, em Lachin, sob controlo de forças russas de manutenção de paz, para assegurar a continuidade do tráfego de bens entre a Arménia e Artsakh. Mas não durou muito. Em dezembro de 2022, alegados ativistas ambientais azeris, às ordens de Baku, bloquearam o corredor, protestando contra a exploração ilegal de minérios na região, numa flagrante violação do acordo assinado dois anos antes. Durante alguns meses, a ajuda humanitária ainda foi entrando em Artsakh, mas, em abril, os azeris bloquearam totalmente a estrada, sem que as forças russas o tivessem impedido.



A região de Nagorno-Karabakh é, há muito, um foco de tensão entre arménios e azeris, estando a maior parte da região, atualmente ocupada por arménios. Com a União Soviética, a administração do território foi entregue à República Socialista Soviética do Azerbaijão, mas à medida que o Estado comunista se desintegrava, a situação foi ficando cada vez mais instável.  A Primeira Guerra do Nagorno-Karabakh, inicou-se em 1988 e durou cerca de seis anos. O desfecho foi favorável para os arménios, com grande parte da região a passar a estar sob o seu controlo.


A autoproclamada República de Artsakh detém cerca 16% do território. Esta zona, que internacionalmente foi reconhecido como sendo azeri, passou a estar sob controlo arménio, mas não foi integrado no território da Arménia dando azo ao nascimento da autoproclamada República de Artsakh, que engloba a região do Nagorno-Karabakh e mais alguns territórios a oeste e sul, e que nunca obteve reconhecimento oficial de nenhum país.


A tentar mediar o conflito estão os Estados Unidos. Esta terça-feira, horas após a ofensiva azeri, o secretário de Estado norte-americano Antony Blinken falou com Nikol Pashinyan e reiterou a necessidade de parar com o conflito, antes que a sua escalada se torne demasiado "flagrante e perigosa”. Mas a União Europeia também se envolveu nas tentativas de prevenção de uma guerra em larga escala. Ao longo dos dez meses de bloqueio ao Nagorno-Karabakh têm sido realizadas várias reuniões com os líderes dos dois países. O interesse está também na compra de gás Azeri, uma vez que após a invasão russa da Ucrânia, em julho de 2022, a União Europeia terá avançado nas negociações para a aquisição de gás azeri, através da assinatura de um memorando, que prevê duplicar as importações de gás deste país até 2027, de forma a expandir o Corredor Meridional de Gás.


Fontes:


https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4n413kv6gro


https://cnnportugal.iol.pt/armenia/nagorno-karabakh/o-que-se-esta-a-passar-no-nagorno-karabakh-perguntas-e-respostas-sobre-o-novo-conflito-que-assola-o-caucaso/20230919/6509cc47d34e65afa2f583d3


 

19/09/2023

Acordos e regimes militares

Três países em que o poder militar domina, assinaram um acordo de forma a criar uma nova entidade, a Aliança dos Estados do Sahel, com o objectivo de organizar sistemas de defesa colectiva e assistência mútua. Este acordo surge depois da Nigéria ter sofrido um golpe de Estado em Julho e ter sido ameaçada pela organização da Africa Ocidental. Num alerta emitido pelos regimes militares do Burkina Faso e do Mali - países vizinhos - estes consideraram que uma operação militar contra um dos seus países seria uma "agressão ilegal e sem sentido" e prometeram uma "resposta imediata" a qualquer agressão. O Mali e Burkina Faso fizeram até uma advertência contra as consequências desastrosas de uma intervenção militar na Nigéria, afirmando que essa intervenção "poderia desestabilizar toda a região".


Pelo mundo, vão aparecendo e desaparecendo estas uniões entre grupos de países, com interesses em comum, neste caso, um interesse militar e de proteção mútua. No entanto, a instauração destes regimes militares em vários países de África pode vir a trazer consequências catastróficas para este continente, especialmente no que às suas relações com a Europa concerne.



As juntas militares podem usar fundos orçamentários e tomar empréstimos internacionais sem o devido controle da sociedade. Elas também podem silenciar jornalistas e sua oposição insatisfeita com mais facilidade.



Os três Estados já foram membros da força conjunta G5 Sahel, apoiada pela França e que inclui o Chade e a Mauritânia. Essa força foi criada em 2017 para combater grupos islâmicos na região. No entanto, as relações entre a França (ex-potência colonial, que anteriormente fornecia assistência militar na região) e os três Estados, deterioraram-se desde os golpes de Estado ocorridos. Preocupantetambém, neste caso, são as relações que estes países têm vindo a estabelecer, por exemplo com países como a Rússia. O Mali conta com a presença de mercenários do grupo russo Wagner na sua luta contra os terroristas. A junta de Burkina Faso, liderada pelo capitão Ibrahim Traoré, também anunciou a sua vontade de estabelecer relações próximas com a China, com o Irão, a Coreia do Norte e a Venezuela. 


O terrorismo tem sido uma preocupação central para o Mali, Burkina Faso e Nigéria, todos localizados na região do Sahel, na parte sul do deserto do Sahara.


Mali, Burkina Faso e Nigéria comprometem-se assim a utilizar as forças armadas "em caso de atentado à soberania e à integridade do seu território". Na história da África, especialmente na maioria dos países de língua francesa deste continente, não é rara a ocorrência de golpes de Estado. De facto, quase todos os países que sofreram golpes de Estado nos últimos anos, foram no passado colónias francesas.


Os três países do Sahel, todos sem saída para o mar, têm enfrentado desafios significativos no combate a grupos insurgentes islâmicos associados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico. A região de Liptako-Gourma, onde as fronteiras do Mali, Burkina Faso e Nigéria convergem, tem sido duramente afetada pelo jihadismo nos últimos anos. Além do combate aos jihadistas, o Mali enfrentou recentemente uma escalada das hostilidades por grupos armados, principalmente de etnia tuaregue.


Fontes:


https://www.rfi.fr/pt/%C3%A1frica/20230917-mali-burkina-faso-e-n%C3%ADger-criam-a-alian%C3%A7a-dos-estados-do-sahel-aes


https://www.dw.com/pt-002/alian%C3%A7a-de-defesa-no-sahel-mali-n%C3%ADger-e-burkina-faso-unem-for%C3%A7as-contra-agress%C3%A3o-externa/a-66840517


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx8g95ery1do


https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2023/07/31/intervencao-militar-no-niger-seria-declaracao-de-guerra-a-burkina-faso-e-mali.htm


 


 

18/09/2023

Sismo em Marradi, Itália

Esta madrugada, Itália foi abalada por um sismo de 5.1 na escala de Richter, com epicentro em Marradi (o Instituto de Geofísica e Vulcanologia de Itália fala num abalo de magnitude 4.8). Seguiram-se várias réplicas e, apesar de até agora não se registarem vítimas, um lar de idosos acabou por ser evacuado devido a fissuras nas paredes. A ligação ferroviária entre Florença e Bolonha foi temporariamente suspensa, bem como outras ligações férreas, e algumas escolas foram encerradas por precaução até à verificação das condições dos edifícios. 


Depois do sismo registado em Marrocos, andamos todos mais preocupados e nos últimos dias, tenho prestado atenção aos alertas de alguns comentadores televisivos que tentam a todo o custo chamar a atenção para as necessidades de preparação do nosso país para a ocorrência de um eventual sismo. Têm havido alguns debates importantes em que se explica o que fazer e o que evitar.


Penso que a maioria das pessoas não acompanhe o site do IPMA, mas ali podemos observar que por todo o país e em especial nas ilhas, se registam abalos diários, mas felizmente de pequena intensidade. Raramente, os abalos são sentidos pela população e quase nunca provocam danos. No entanto, devemos estar alerta, saber o que fazer, definir pontos de encontro e formas de contato entre familiares, eventualmente, preparar um kit simples e fácil de transportar (medicação habitual, água, um agasalho, lanterna... ) no caso de termos um abalo mais significativo.


 


Fontes:


https://observador.pt/2023/09/18/sismo-de-51-registado-em-italia-autoridades-dizem-que-nao-ha-danos-significativos/


https://www.tsf.pt/mundo/sismo-de-magnitude-51-sacode-italia-17042611.html


https://www.ipma.pt/pt/geofisica/sismicidade/


 


 

17/09/2023

Ano Europeu das Competências

Como é que nos enquadramos nesta ideia, lançada pela Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen? 


De maio de 2023 até 8 de maio de 2024 estamos no Ano Europeu das Competências, que tem como principal objetivo, "dar um novo impulso à aprendizagem ao longo da vida." Os objetivos parecem-me muito bem, mas não me parece que sejam de facto concretizáveis para todos. Falam em reconhecer competências, em reconhecer talentos, mas vivemos numa era em que, infelizmente, muitos estrangeiros que chegam à Europa (e propriamente ao nosso país) não conseguem ver reconhecidos os cursos e competências adquiridas nos seus países de origem.


No que se refere ao Pacto para as Competências, é dito que: "a indústria, os prestadores de serviços de ensino e formação profissionais, os parceiros sociais, os serviços públicos de emprego e outras partes interessadas irão criar mais parcerias dedicadas à formação e ao investimento na requalificação dos trabalhadores." Apresenta-se aqui a proposta de criação de novas parcerias com "as competências em matéria de energias renováveis terrestres, bombas de calor e eficiência energética." Existem também outros objetivos e várias propostas.


Até agora já decorreram algumas atividades. Há um site onde podemos encontrar os eventos mais próximos de nós, muitos deles, on line e de participação livre. Podemos descarregar também manuais. Ou inscrevermo-nos em formações NAU


Fontes:


https://year-of-skills.europa.eu/index_en


https://eurocid.mne.gov.pt/


https://eurocid.mne.gov.pt/eventos/uniao-europeia-construcao-e-funcionamento


 

15/09/2023

Reabertura da passagem entre o Paquistão e o Afeganistão

Mais de uma semana depois da troca de tiros entre guardas dos dois países, foi reaberto o principal posto fronteiriço entre o Paquistão e o Afeganistão, permitindo a passagem de veículos e peões. Este é mais um ponto quente no médio oriente que pode estar prestes a despontar num conflito armado. 


O lado paquistanês da fronteira esteve paralisado durante dias, com mercados e escritórios fechados e multidões de viajantes a refugiarem-se nas mesquitas vizinhas. Os dois países partilham mais de 2.500 quilómetros de fronteira, a qual é rejeitada por Cabul desde que foi criada a chamada Linha Durand pelo Império Britânico no século XIX.


No Paquistão, em 1977, a lei civil paquistanesa foi substituída pela lei tradicional islâmica, depois da tomada militar do país.


O Afeganistão localiza-se a norte do Paquistão. Alguns monarcas afegãos tentaram modernizar o país, mas as tribos muçulmanas que constituíam a maioria da população resistiram às mudanças. Em 1973, líderes militares depuseram o último monarca e estabeleceram a república. Cinco anos depois, um grupo de comunistas apoiados pela União Soviética depôs o regime militar e estabeleceu um estado marxista governado por um único partido. 


Em 1979, a União Soviética invadiu o Afeganistão, mas foi incapaz de esmagar a resistência afegã no interior, apoiada pelos Estados Unidos que forneceu apoio militar e económico aos rebeldes afegãos. Durante a guerra contra a União Soviética, mais de quatro milhões de afegãos fugiram do seu país, cruzando as fronteiras para o Irão e Paquistão. Em 1988, a União Soviética começa a retirar as suas tropas do Afeganistão.


 


Fontes:


https://observador.pt/2023/09/15/reabre-posto-fronteirico-entre-afeganistao-e-paquistao-apos-troca-de-tiros/


https://www.educabras.com/artigos/paquistao-e-afeganistao


 

14/09/2023

Lampedusa - o aumento da crise migratória

A crise migratória não parou e a chegada de migrantes através do mar Mediterrâneo, vindos do norte de África, tem vindo a aumentar. As autoridades de Lampedusa referem a chegada de 110 embarcações com 5112 pessoas na terça, dia 12, e de mais 23 embarcações esta quarta-feira, dia 13. E estes foram apenas os últimos números... O que é que poderá ser feito por nós, europeus, de forma a minimizar as consequências da entrada de tantos migrantes mas sem deixarmos de lhes dar acolhimento e os ajudarmos de forma a que possam prosseguir as suas vidas dignamente? É que eu não deixo de pensar que nenhuma daquelas pessoas quis estar naquela situação e que foram "empurradas" por diversas razões para fora dos seus lares, das suas casas e da sua comunidade. 


Por causa deste aumento de migrantes, a Cruz Vermelha e as organizações de voluntários estão sem capacidade de resposta. Algumas pessoas têm caído ao mar e durante a madrugada de quarta, já dentro do porto, um bebé de cinco meses caiu à água e acabou por morrer afogado. Este é um drama diário a que não podemos ficar alheios, morrendo nestas deslocações centenas de crianças.


No centro de acolhimento com capacidade para 350 pessoas, estão já 6792 migrantes, os restantes vão-se mantendo pela zona portuária. Antonio Guterres,secretário-geral da ONU, disse que "os esforços não podem ser feitos só pelos países de chegada, mas devem ser compartilhados". Referiu ainda que há pessoas "que se deslocam por razões económicas" e refugiados que se deslocam para fugir dos conflitos nos países de origem e que "todos devem ter os próprios direitos humanos respeitados". 


Já Matteo Salvini, tem a opinião que o número elevado de refugiados a chegar a Itália faz parte de um ato de guerra, e acredita que "por trás de cada desembarque haja um sistema criminoso organizado ao qual devemos responder com todos os meios disponíveis". Até ao momento já desembarcaram este ano em Itália 116028 migrantes, mais do dobro que durante o mesmo período do ano passado (63498), segundo dados oficiais do Ministério do Interior, atualizados a 11 de setembro.


De referir que muitas vidas foram salvas através da Convenção sobre Refugiados de 1951,mas muitas outras acabaram deixadas à sua sorte. O direito de procurar um abrigo, um refúgio, mesmo que num outro país para aqueles que perderam a proteção dentro do seu próprio país é garantido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Convenção para Refugiados é o primeiro tratado que transformou os ideais da Declaração em obrigações juridicamente vinculativas.


Pior é se pensarmos que cerca de 40% dos refugiados do mundo são crianças, o que desde logo compromete as chances de as crianças receberem educação.  Quando sabemos que cerca de 48% de todas as crianças refugiadas em idade escolar estão fora da escola, devemos pensar qual o futuro que está reservado para estas crianças.


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/mais-de-cinco-mil-migrantes-chegaram-a-lampedusa-nas-ultimas-24-horas_v1513871


https://www.bol.uol.com.br/noticias/2023/09/13/ilha-italiana-declara-emergencia-apos-recorde-de-migrantes.htm


https://www.sapo.pt/noticias/atualidade/mais-de-2-800-migrantes-chegaram-hoje-a_6500dfa3a079691e95dfe13a


https://www.acnur.org/portugues/2020/02/06/8-fatos-sobre-refugiados-e-8-motivos-para-apoia-los/


 

13/09/2023

Tempestade na Líbia - a catástrofe que fez já milhares de mortos

Enquanto uns têm de lidar com grandes incêndios e altas temperaturas, outros lidam com tempestades destruidoras. Na Líbia ainda se procuram por 10 mil desaparecidos depois da passagem da tempestade Daniel. Só na zona de Derna, na zona costeira, a mais afetada, há 30 mil deslocados, três pontes desmoronaram e a água invadiu vários bairros. Esta foi uma das várias localidades a ficar isolada, sem eletricidade, nem comunicações. Esta região do país acolhe as principais infraestruturas petrolíferas líbias, sobre as quais os responsáveis nacionais decretaram o estado de alerta máximo.


Dezenas de corpos têm sido encontrados "constantemente" na água devido às cheias provocadas pela chuva intensa e pelo rebentamento de duas barragens e até agora o número ronda os 5300 mortos. O serviço de evacuação médica de ambulância aérea da Líbia anunciou a abertura de uma ponte aérea entre Trípoli e a região oriental para transportar pessoas gravemente feridas, no meio do caos que se vive nalgumas cidades do leste do país. Tudo isto a somar à falta de manutenção dos edifícios devido ao caos político e militar que se vive na Líbia há mais de 10 anos, com um governo a controlar o leste e outro o ocidente do pais, a devastação sobretudo em Derna atingiu um nível impressionante.


A Organização Internacional para as Migrações (OIM) na Líbia, que garante estar a preparar medicamentos e equipas de busca e salvamento para o local e já foi enviada ajuda humanitária de vários países, após um apelo feito ontem pelas autoridades líbias. Foram entretanto decretados três dias de luto nacional.


Ontem, três voluntários da ONG Crescente Vermelho Líbio morreram quando ajudavam vítimas das inundações na Líbia. Um residente de Derna disse à Almasar TV, da Líbia, que, "infelizmente, talvez 90% da população se tenha afogado". Um outro residente diz estarem "a enterrar corpos em massa". 


Descrita pelos especialistas como um "fenómeno extremo em termos da quantidade de água que choveu", a tempestade Daniel já provocou também pelo menos 27 mortes na Grécia, Turquia e Bulgária, onde as águas começam finalmente a recuar deixando ver a verdadeira realidade dos estragos sofridos. A tempestade Daniel atingiu o leste da Líbia na tarde do passado domingo, tendo sido declarado recolher obrigatório. Várias escolas foram fechadas. 


Fontes:


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-09-13-Tempestade-na-Libia-ha-mais-de-5.300-mortos-mas-numero-podera-duplicar-3bfc0ecf


https://sicnoticias.pt/mundo/2023-09-12-Libia-tres-voluntarios-entre-as-mais-de-cinco-mil-vitimas-da-tempestade-Daniel-bab83a68


https://pt.euronews.com/2023/09/12/inundacoes-paralisam-leste-da-libia


https://pt.euronews.com/2023/09/13/balanco-de-vitimas-da-tempestade-daniel-na-libia-aponta-para-mais-de-5-mil-mortos


 

09/09/2023

Sismo em Marrocos é sentido em Portugal

Para já começo por dizer que só vi hoje as notícias e que, apesar de estar acordada à hora a que se deu o abalo, não dei por nada. Pelo que se sabe até agora, não houve danos em Portugal.


O sismo de 6,9 ocorreu às 23h11, a uma profundidade de 18,5 quilómetros, e foi registado nas estações da Rede Sísmica Nacional. O epicentro foi na localidade de Ighil, que se situa a 63 quilómetros a sudoeste da cidade de Marraquexe. Um segundo tremor de 4,9 foi registado a nordeste de Taroudant (200 quilómetros a sul de Marraquexe) por volta das 23h30. O tremor foi sentido em cidades do norte, como Larache, a 550 quilómetros do epicentro, bem como em Casablanca e Rabat, a 300 e 370 quilómetros, respetivamente. O sismo foi sentido também no sul de Espanha, onde o serviço de emergências da Andaluzia registou cerca de 20 chamadas provenientes das províncias de Huelva, Sevilha, Málaga e Jaén. De acordo com relatos nas redes sociais, o sismo foi sentido ainda no Mali e na Argélia.


Até agora, estão contabilizados pelo menos 1305 mortos e 1832 feridos, 1220 dos quais em estado grave, segundo informação da televisão estatal do país africano, citada pela Reuters. O número ainda pode aumentar muito, como sabemos de situações anteriores. E quanto a desaparecidos ainda não há dados, principalmente porque ainda há zonas afetadas onde ainda não chegou qualquer ajuda.


Muito se tem falado na possibilidade de haver um sismo de grandes dimensões a atingir o nosso país e a verdade é que os pequenos abalos têm sido frequentes. Neste caso em específico, o facto do epicentro se ter dado a várias centenas de quilómetros, não trouxe nenhum constrangimento no nosso país.


Entretanto, o Ministério dos Negócios Estrangeiros já entrou em contacto com alguns portugueses que se encontram em Marrocos, informaram em comunicado: "Todos os portugueses com quem, até ao momento, foi estabelecido contacto encontram-se bem, não tendo reportado problemas de saúde ou danos materiais substantivos".


Para sabermos o que se tem vindo a falar nos noticiários, em especial as escalas de que falam, ficam aqui algumas informações. A Escala Richter é uma ferramenta que foi criada em 1935 pelos pesquisadores Charles Francis Richter e Beno Gutenberg e serve para verificar a magnitude de um tremor de terra por meio da medição das ondas liberadas pelo sismo em seu ponto de origem. O cálculo da Escala Richter é feito por meio da utilização de sismógrafos, que indicam a magnitude de um tremor de terra. Por outro lado, a Escala de Mercalli avalia a intensidade, por meio da observação dos impactos gerados pelos tremores de terra.


O substrato terrestre é dinâmico e está em constante movimentação, devido ao deslocamento das placas tectónicas, portanto a ocorrência de terramotos é comum, especialmente em zonas geográficas localizadas nas áreas de contato dessas placas. Quando esse deslocamento envolve maior liberação de energia, ocorrem eventos sísmicos mais intensos, ou seja, de maiores magnitudes na Escala Richter.


Fontes:


https://expresso.pt/internacional/2023-09-09-Sismo-em-Marrocos-ja-ha-820-mortos-e-mais-de-670-feridos.-O-abalo-sentiu-se-em-Portugal-4f528899


https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/sismo-de-69-na-escala-de-richter-causa-pelo-menos-296-mortos-em-marrocos


https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/escala-richter.htm


 


 

08/09/2023

As guerras que estão às portas da Europa

Olhamos a invasão da Rússia à Ucrânia com grande preocupação, mas a verdade é que a Europa está rodeada de conflitos armados que complicam toda a situação desde o leste ao médio oriente. Está tudo à "nossa porta" e, ao mesmo tempo, parece que está tão longe e lá vamos seguindo a nossa visa, nos nossos queixumes.


Há nove meses que a população arménia de Nagorno-Karabakh, habitado na época soviética por uma maioria arménia cristã e uma minoria azeri muçulmana xiita, e da República de Artsakh, vive em condições desumanas devido ao bloqueio imposto pelo regime do Azerbaijão.


Na capital da autoproclamada república, Stepanakert, não há combustível e as velas voltaram a fazer parte da noite de cerca de 120 mil pessoas. A população está a passar fome. O Azerbaijão não permite a entrada a meios de comunicação independentes. 10 camiões com ajuda francesa foram, sem surpresas, barrados à porta do corredor de Lachin, numa “violação total dos direitos humanos”.


Nagorno-Karabakh é, há muito, um foco de tensão entre arménios e azeris. A região tem estado maioritariamente ocupada por arménios, não obstante a União Soviética, ter entregue à República Socialista Soviética do Azerbaijão o governo desse território.


À medida que o Estado comunista se desintegrava, a situação foi ficando cada vez mais instável. EM 1988 começou a Primeira Guerra do Nagorno-Karabakh, e que durou seis anos, com um desfecho favorável para os arménios. Em 2020 dá-se uma nova investida que só termina com um acordo de cessar-fogo, assinado a 9 de novembro de 2020 e mediado por Vladimir Putin, no qual os arménios foram obrigados a ceder o controlo de vários distritos: Agdam, a leste, e Kalbajar e Lachin, a oeste. Durante a guerra desse ano, o Azerbaijão matou 2906 combatentes azeris e 3825 arménios. Baku conseguiu recuperar uma grande porção territorial dentro e em torno da região. 


Em setembro de 2022, aproveitando o incremento do conflito entre a Rússia e a Ucrânia e a passividade da União Europeia (com quem recentemente o Azerbaijão fez um acordo para o fornecimento de gás) e da NATO (cujos membros não querem provocar a Turquia, parceiro da Aliança Atlântica e grande aliado do Azerbaijão), as forças azeris atacaram algumas localidades como Goris, Kapan e Jermuk, reconhecidas internacionalmente como parte da Arménia. Os combates entre os dois países deixaram 286 mortos dos dois lados e fez crescer o temor de uma guerra em larga escala.


Há o risco de se estabelecerem novas zonas tampão sem que a restante Europa se mexa para o impedir. Mais uma vez, é o povo que sofre as consequências, estando em causa um verdadeiro genocídio. 


Neste acordo foi estabelecido um corredor através do qual se faria a ligação entre a Arménia e Artsakh. Durante alguns meses, a ajuda humanitária ainda foi entrando em Artsakh, mas, em abril, os azeris bloquearam totalmente a estrada. Muitos não saberão mas Artsakh "é um autoproclamado Estado independente no Sul do Cáucaso com fortes ligações à Arménia." Este é um "país que não existe" e por isso, Stepanakert também é a "capital do país que não existe." Ali se fala Arménio e a população é maioritariamente cristã.


A 30 de agosto deste ano, a porta-voz de Lavro, Rússia, Maria Zakharova, afirmou que a culpa do bloqueio azeri a Artsakh era da Arménia, dizendo que "a atual situação no corredor de Lachin é uma consequência do reconhecimento pela Arménia do Nagorno-Karabakh como parte do território do Azerbaijão”. A aparente apatia russa pode espantar uma vez que a Arménia ainda faz parte da Organização do Tratado de Segurança Coletiva, uma espécie de NATO que a Rússia formou com mais cinco ex-Estados soviéticos, entre eles a Arménia. Esta "não reação" da parte de Moscovo, fez com que a Arménia ameaçasse com a sua saída da organização.


A 31 de agosto, Annalena Baerbock, ministra dos Negócios Estrangeiros alemã, fez um surpreendente apelo ao fim do bloqueio azeri, o que renovou as esperanças de muitos de que a Europa pudesse contribuir para o fim do problema.


“Matar à fome é um crime de genocídio que está previsto. Para haver um genocídio tem de haver uma tentativa de eliminação, no todo ou em parte, de um grupo nacional. Esta parte final pode estar a ser preenchida, porque os arménios são uma minoria no Azerbaijão”, afirma Pereira Coutinho, especialista em Direito Internacional e professor na NOVA School of Law.


Fontes:


https://cnnportugal.iol.pt/armenia/azerbaijao/as-portas-da-europa-o-azerbaijao-esta-a-matar-120-mil-pessoas-a-fome-podem-estar-a-ser-reunidas-condicoes-para-um-genocidio/20230907/64f63ca4d34e371fc0b74be0


https://cnnportugal.iol.pt/armenia/nagorno-karabakh/armenia-e-azerbaijao-de-novo-em-conflito-porque/20220913/6320c2570cf2ea367d4df662


https://observador.pt/2022/11/07/novos-confrontos-entre-armenia-e-azerbaijao-antes-das-negociacoes-de-paz/


https://www.almadeviajante.com/viagens/nagorno-karabakh/


 

06/09/2023

Europa afetada por mau tempo

Esta semana, a Grécia e outras zonas europeias estão a ser afetada por tempestades. Na região da Grécia, a tempestada que entretanto ganhou o nome Daniel, trouxe chuvas fortes que estão a atingir com especial intensidade a zona central, onde o rio Krafsidonas galgou as margens e as águas inundaram as estradas. 


As chuvas fortes que estão agora a atingir a Grécia surgem depois de o país ter sido afectado por incêndios de grandes dimensões ao longo de todo o verão, o mais grave o do Parque Nacional de Dadia, no Nordeste da Grécia, que só foi dominado esta segunda-feira, após 17 dias de combate às chamas e que consumiu 81 mil hectares.


Nos últimos dias, Portugal e em especial Espanha foram também afetados por um fenómeno atmosférico denominado Dana, que por cá levou a alguns fenómenos como queda de granizo associado a vento e chuva intensos, o que devastou várias culturas, especialmente de vinha e olival. Outras consequências foram o levantamento de estradas, e alguns danos em coberturas de edifícios.


Em Espanha, infelizmente, os danos além de materiais foram também humanos, com o registo de pelo menos duas mortes.


O Dana é um fenómeno que ataca integralmente o lado mediterrâneo da Península Ibérica. O ar sofre uma mudança drástica nos níveis de pressão atmosférica e que formam as chuvas torrenciais que se podem ver nestes tempos e que são considerados eventos de chuva perigosos. Este fenómeno costuma acontecer no outono, devido ao ar que ainda circula nas zonas marítimas com o calor do verão. A região mais propensa a este tipo de eventos é o Mediterrâneo. É na Península Ibérica que ocorre o choque do ar polar que avança sobre toda a Europa Ocidental, com o ar quente e húmido que vem do Mar Mediterrâneo.


Fontes:

https://www.publico.pt/2023/09/05/azul/noticia/europa-aflita-tempestades-grecia-espanha-onda-calor-areia-sara-2062245
https://www.publico.pt/2023/09/04/terroir/noticia/valpacos-contabilizamse-estragos-granizo-dizimou-olival-vinha-2062160
https://www.meteorologiaenred.com/pt/dana.html


 


 


 


 

01/09/2023

40: um passo em direção ao futuro

images.pngBom dia!


 


Para começar, dizem que hoje completo 40 anos de vida! E para mim é um dos primeiros marcos da minha vida. Já vivi experiências muito diversas e tenho uma vida (razoavelmente) estável, se comparada a tantas pessoas que vivem em dificuldades.


Nasci na maternidade do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, num parto difícil, a ferros. Apesar de ter tido uma infância feliz em que nada me faltou, olho agora para trás e vejo que os meus problemas de saúde foram começando na infância e na época não foi dada qualquer atenção. Era a chata que dizia ter dores de cabeça para ficar na sala e não ir brincar, implicava com os barulhos e a confusão das festas de aniversário, ficava com febre porque não queria ir ao infantário (como se eu pudesse provocá-la conscientemente)... mais tarde, as dores musculares e articulares limitaram a minha continuidade na ginástica, não fui escolhida para a acrobática e os trampolins levaram a lesões sucessivas e mal curadas, que hoje em dia sei que teriam tido outros cuidados.


Refletindo na minha vida, foram 40 anos a lidar comigo mesma e se acham que sou difícil, acreditem que sozinha comigo, às vezes sou bem pior! Mas foram também 40 anos de grandes conquistas e realizações: ter um filho foi a maior de todas. Hoje em dia, já não me importa o que disseram de mim no passdo, o que me criticaram ou quem se considerava superior a mim. Hoje em dia, o meu foco é na minha vida e na vida do meu filho, no nosso crescimento como pessoas. Hoje em dia, ao contrário daquilo que acontecia há sete ou oito anos atrás, não me vejo uma pessoa cheia de limitações que está prestes a se reformar. Estou num patamar diferente, em que a aceitação das limitações, me levam sim a desafiar os meus próprios limites e a aproveitar cada dia e cada momento mesmo com dores.


Em 40 anos, o mundo tem mudado muito e já não é o mesmo. Em novembro de 1983, um exercício da NATO, (tratava-se dos exercícios militares Able Archer, que se baseavam no cenário hipotético de uma invasão soviética da Europa Ocidental que escalaria ao ponto da NATO realizar um ataque nuclear contra as forças da URSS e do pacto de Varsóvia - bloco comunista) - e que levou a que quase se tivesse entrado numa verdadeira guerra nuclear. Felizmente, tal não chegou a acontecer apesar da tensão constante entre as duas forças.


Mas será que 40 anos mudaram assim tanto o nosso país?


Em Portugal o ano de 1983, foi marcado por diversas greves e manifestações sindicais, em especial da CP, metropolitano e Carris. No dia 7 de Junho de 1983, vários trabalhadores da margem sul do Tejo, das empresas Lisnave, Parry and Sons, Companhia portuguesa de Pescas, Siderurgia Nacional e Mundet, realizam ações de rua, que incluem o corte do trânsito da auto-estrada Lisboa-Setúbal, como protesto contra a situação nestas empresas e o atraso no pagamento de salários.


A 5 de Outubro de 1983, a CGTP promove, em diversos pontos do país, desfiles e manifestações de protesto contra a política do governo, os salários em atraso, os despedimentos (lay-off) e o roubo do 13º mês.


A 6 de Dezembro de 1983, explodem 14 petardos de fraca potência, em Lisboa, Barreiro, Seixal, Cacilhas e Setúbal, espalhando panfletos das FP25 e a 13 de Dezembro a União dos Sindicatos de Lisboa (CGTP) revela que mais de 30 mil trabalhadores do distrito de Lisboa, de 118 empresas repartidas por 15 sectores, têm salários em atraso, num montante de cerca de 2 milhões de contos. O sector mais afectado é o metalúrgico.


A democracia ainda mostrava instabilidade e a nível social o país continuava a mostrar os seus muitos problemas. Ao longo destes anos, várias destas empresas acabaram por fechar, levando milhares de trabalhadores para o desemprego.


Fontes:


https://www.bbc.com/portuguese/geral-56230542


https://cdi.upp.pt/cgi-bin/cronologia.py?ano=1983


 

Quando de mexe num ninho de vespas

 Quando as vespas se sentem incomodadas, atacam.  São capazes até de matar, se estiver em causa o seu ninho. Uma vespa, é mais pequena que a...