O movimento dos Capitães de abril foi desencadeado pelos oficiais das Forças Armadas portuguesas. Apresentava um programa político com a intervenção de Spínola e Costa Gomes e sob a coordenação de Otelo Saraiva de Carvalho, que elaborou o plano das operações militares, envolvendo todas as principais unidades do exército português.
O movimento revolucionário de abril de 1974 derrubou o Estado Novo e abriu assim caminho a uma nova era da História portuguesa, com a adoção de um regime democrático.
Mais do que uma questão corporativa o surgimento do Movimento de Capitães surge das divisões dentro das classes dirigentes do Estado Novo, do prolongamento da guerra, no quadro de uma crise económica cuja profundidade tinha levado ao fim do sistema de Bretton Woods e ao choque petrolífero de 1973.
Este movimento foi exclusivamente militar, apartidário e independente das forças políticas, sem qualquer tipo de compromisso com civis. Tinha um programa próprio, que contemplava desde o início a entrega do poder às instituições competentes, mediante um sufrágio que as legitimasse.
É preciso dar o realce devido aos problemas internos das Forças Armadas no processo que evoluirá para a revolução. Com a guerra colonial, registou-se um problema de falta de quadros no exército e, para atrair oficiais, foram concedidas facilidades de progressão aos milicianos, sendo claramente prejudicados os oficiais do quadro permanente.
As reivindicações destes deram origem a uma série de reuniões mais ou menos clandestinas onde se definiram os pontos básicos de atuação. Aquilo que inicialmente surgia como reivindicação salarial transformar-se-ia num completo programa de reforma da sociedade portuguesa.
A recusa de Marcello Caetano em aceitar uma solução política para a guerra levou a que os oficiais de nível intermédio, que suportavam realmente o combate no teatro de operações, percebessem que o fim do conflito passava pelo derrube do regime do Estado Novo.
Em novembro de 1973, o Movimenta explicita que, além das reivindicações corporativas, estavam em causa outros objetivos, como o fim da Guerra Colonial e o restabelecimento da democracia.
Em dezembro foi eleito um Secretariado Executivo constituído por Vasco Lourenço, Otelo Saraiva de Carvalho e Vítor Alves, e foram formadas as várias comissões que iniciaram o processo de preparação de um golpe militar.
Os capitães sabiam ser este também o sentimento geral da população. Sabiam ainda, após a publicação do livro de Spínola Portugal e o Futuro (fevereiro de 1974), que podiam contar com o apoio dos seus chefes militares.
A 5 de março de 1974, o Movimento dos Capitães passou a designar-se Movimento das Forças Armadas e foram aprovadas as suas bases programáticas, que constam de um documento distribuído nos quartéis: "O Movimento, as Forças Armadas e a Nação".
O ensaio geral para o derrube do regime deu-se a 16 de março de 1974, quando o Regimento de Infantaria 5 das Caldas da Rainha tentou um golpe militar. Devido à falta de coordenação com outros setores do movimento, a iniciativa não teve sucesso.
Os objetivos definidos pelos seus mentores eram a mudança da política ultramarina e a transição para uma democracia. Estes pontos angariaram o apoio de muitos oficiais do quadro permanente e dos milicianos que a eles se juntaram, sobretudo após o golpe inconsequente de 16 de março.
A conspiração que finalmente derrubou o Estado Novo contou com cerca de trezentos oficiais das Forças Armadas e desenvolveu-se em menos de um ano.
O golpe foi marcado para a semana de 20 a 27 de abril de 1974. Acabou por ter lugar a 25, com Otelo Saraiva de Carvalho como principal comandante das operações. O regime caiu sem ter quase quem o defendesse.
De imediato o MFA recebe o apoio entusiástico da população de Lisboa, que em menos de uma semana destrói os símbolos do antigo regime. No Quartel do Carmo, em Lisboa, o governo foi cercado; as portas da prisão de Caxias e Peniche abriram para saírem todos os presos políticos; a Pide, a temível polícia política, foi desmantelada, foi atacada a sede do jornal do regime A Época e a censura abolida.
Ninguém esperava porém esse desfecho vertiginoso do mais antigo império colonial.
Logo a partir de maio de 1974 é o PCP, que na altura é o mais bem organizado dos partidos, aquele que vai ser determinante na direcção do movimento operário organizado na Intersindical, vai traçar como estratégia a "Aliança Povo-MFA", tentando apoiar-se nos militares para levar a cabo o seu programa político.
O Partido Comunista Português (PCP) saúda logo a 25 de abril os militares que fizeram o golpe de Estado. A 30 de abril, o carismático líder do PCP, Álvaro Cunhal, regressa do exílio e dá uma conferência de imprensa onde afirma, perante centenas de apoiantes, que "o nosso povo, em aliança com os militares do 25 de abril conduzirão o nosso país pelo caminho da liberdade, da democracia e da paz".
Com a aproximação das eleições para a Assembleia Constituinte, marcadas para 25 de abril de 1975, o PCP vai procurar reforçar o MFA na direcção do Estado.
Para além de o programa do MFA ser um programa democrático coincidente com o programa do PCP de "revolução democrática e nacional", Álvaro Cunhal já tinha nesse momento a antevisão de que as eleições o iriam colocar numa posição mais fraca em termos de representatividade política.
A rapidez com que se desenvolvem as ocupações e greves entre fevereiro e março de 1975 leva todos os partidos prudentemente a apoiar um reforço dos militares no aparelho de direcção do Estado, embora o PS defendesse que esse reforço deveria ser mais matizado.
O Partido Socialista, no início de março de 1975 declara, através de Mário Soares, que defende a institucionalização do MFA, mas a "superioridade das eleições".
A 11 de abril de 1975 tem lugar a cerimónia de assinatura do Pacto entre o MFA e PS, PPD, PCP, MDP, FSP e CDS.
Fontes:
https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$movimento-dos-capitaes-de-abril
https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$movimento-das-forcas-armadas-(mfa)
Porto Editora – Movimento das Forças Armadas (MFA) na Infopédia [em linha]. Porto
https://www.scielo.br/j/rbh/a/k7vrdj5Vy5mCLNRrqfKhbHK/?lang=pt